
Moedas antigas em joalharia: significado, historia e como usar
Introducao: trinta segundos de historia ao pescoco
Num museu de arqueologia guarda-se, numa vitrina, um denario de Augusto cunhado na ceca de Emerita Augusta, a cidade que hoje conhecemos como Merida. Foi Augusto quem a fundou, como colonia para veteranos das Guerras Cantabricas, e ela viria a ser a capital da Lusitania, a provincia romana que abrangia boa parte do territorio portugues de hoje. O denario fabricou-se ali, circulou pela Peninsula Iberica e sobreviveu a dois mil anos de historia: visigodos, muculmanos, reconquista, impérios, revolucoes.
Esse mesmo tipo de moeda usam-no hoje pessoas em Lisboa, no Porto, em Coimbra, em Evora. Engastada em prata, pendurada de uma corrente fina. As vezes e um original autentico comprado a um antiquario. As vezes e uma replica de alta qualidade. Nos dois casos, o objeto diz algo que poucas joias conseguem dizer: isto vem daqui, deste chao, desta historia.
Um pendente de moeda antiga sao trinta segundos de historia que se levam ao pescoco. Num mundo onde tudo se renova a cada estacao, isso tem um valor tranquilamente radical.
Usa o símbolo, não te limites a ler sobre ele. Disponíveis agora:
Joias com moeda antiga: o que escolher
Pendente
A forma mais natural.
- Pendente pequeno com moeda romana de bronze autentica, cerca de 2 cm historia acessivel a serio. Segmento economico a medio.
- Disco de prata em engaste medio, cerca de 3 cm mais presenca, nota-se. Segmento medio.
- Medalhao grande, 4-5 cm o protagonista do conjunto. Segmento medio a premium.
- Com moeda de ouro ou disco dourado premium, especialmente valioso. Segmento luxo.
Brincos
- Brincos pequenos de botao com motivo de moeda em par. Combinam bem com o pendente a condizer.
- Brincos compridos mais expressivos, para a noite.
Anel
- Anel de sinete com disco antigo a versao classica, um objeto serio. Segmento medio a premium.
- Anel com pequena moeda a servir de pedra a versao mais ligeira.
Pulseira
- Um unico pendente numa corrente minimalista.
- Varias moedas enfiadas camadas, com aquele ar mediterranico tao proprio.
- Em fio de cabedal estetica mais crua, vivida.
Colar de varios fios
Colar multifilamento com varios discos. Tradicao mediterranica e do Medio Oriente. Encontra-se tanto na joalharia iberica como em herancas familiares de comunidades com raizes no Mediterraneo oriental. Segmento premium.
Uma moeda quer a clavicula descoberta, nao o abafamento de um colarinho abotoado. E nao se atreva a polir a patina: e o passaporte dela, nao sujidade.
Como usar joias com moedas
Depois de anos em sessoes e provas privadas, o disco-moeda passou por dezenas de looks comigo. Reuno aqui o que de facto funciona, por ocasioes.
Com que uso a moeda no dia a dia? Para o dia a dia recomendo um disco pequeno ou medio numa corrente fina sobre uma t-shirt lisa, uma camisa de linho ou uma malha. Quanto mais sobrio o fundo (branco, areia, grafite, caqui), mais alto fala o metal. Um estampado carregado engole o disco, por isso aconselho manter o tecido mate: linho, algodao denso, la fina, camurca. Sob um decote em V a moeda cai mesmo no centro, a sua melhor posicao.
E apropriada para o escritorio? Sim, desde que a mantenhas sobria. Recomendo um disco limpo em engaste liso a meia altura, com camisa ou blazer, sem amontoar nada. Uns brincos de botao da mesma serie rematam o conjunto. Um colar grande de varios fios aconselho a deixar em casa num dia de trabalho, ao passo que um disco pequeno por baixo do primeiro botao le-se como um detalhe discreto.
Como monto um look de noite? Para a noite escolho um medalhao grande ou brincos compridos. Um vestido escuro de ombros descobertos, o cabelo puxado, e que a moeda seja o unico destaque. Para uma ocasiao especial de ar mediterranico aconselho a sobrepor varios discos em correntes de comprimentos diferentes sobre um vestido de verao.
Como uso a moeda em camadas? A moeda adora camadas, mas com uma regra. Recomendo juntar-lhe uma ou duas correntes de comprimentos diferentes, finas e sem pendente, para que o olhar desca enquanto o disco continua a mandar. Mantem os metais na mesma familia: uma moeda de ouro pede corrente de ouro e pedras quentes; a prata e o bronze vao com prata fria.
A quem fica bem um pendente de moeda? A quem ama as pecas com historia e uma forca serena e sobria, nao um monte a brilhar. Fica igualmente bem num look minimalista ou num boemio. Duas regras que nunca falham. Primeira: quanto mais aberto o decote, mais comprida a corrente, para que o disco caia sobre a pele e nao sobre o tecido. Segunda: um disco numa corrente limpa ganha sempre a um apertado entre cinco pendentes.

Ligue a câmara, escolha uns brincos, um pendente ou um anel, e veja a peça em si em tempo real.
Muda de modelo com um toque.
Tudo funciona no seu navegador: nenhuma foto ou vídeo é enviado para lado nenhum.
Moedas historicas em destaque
Gregas
Tetradracma ateniense (seculo V a. C.). Moeda de prata de Atenas. O busto de Atena no anverso, a coruja com ramo de oliveira no reverso. Uma das moedas antigas mais reconheciveis do mundo.
Estatera de Corinto com Pegaso (seculos VI-V a. C.). Moeda de prata corintia com o cavalo alado. Popular em colecoes de inspiracao mitologica.
Decadracma de Siracusa (seculo V a. C.). Uma das cunhagens mais belas da Antiguidade, com a ninfa Aretusa e uma quadriga. Os originais aparecem em leiloes especializados; as replicas usam-se em joalharia premium.
Romanas da Hispania
Denario de Augusto, ceca de Emerita Augusta. Moeda de prata com o retrato do primeiro imperador. Emerita Augusta era a capital da provincia da Lusitania, hoje Merida. Esta ceca cunhou durante decadas para toda a Peninsula, incluindo o territorio que viria a ser Portugal.
Moedas de Olisipo e Bracara. As cidades romanas do ocidente peninsular, como Olisipo (Lisboa) e Bracara Augusta (Braga), integravam a rede monetaria imperial. As moedas que ali circularam trazem as marcas de uma Lusitania romanizada.
Antoniniano. Moeda de bronze do seculo III d. C. Abundante em toda a Peninsula, de preco acessivel. Uma boa porta de entrada no mundo das pecas autenticas para uso diario.
Sestercio. Grande disco de bronze. Os retratos imperiais detalhados no anverso e as cenas no reverso tornam-no visualmente impressionante como pendente.
Visigodas
Tremisse visigodo (seculos VI-VII d. C.). Pequena moeda de ouro do reino visigodo. Com o busto do rei e o nome da ceca. As cecas visigodas do ocidente peninsular, em cidades como Egitania (Idanha-a-Velha), Emerita ou Toletum, produziram moedas de alta qualidade artistica. Pouco conhecidas fora dos especialistas, mas com um enorme valor historico para quem tenha raizes na historia peninsular.
Arabes e andalusinas
Dirham do Califado de Cordova. Moeda de prata da epoca do califado omiada de Cordova (seculos VIII-XI). Caligrafia arabe. Especialmente apreciada na joalharia de raiz andalusina.
Dinar de Gharb al-Andalus. Moeda de ouro do periodo em que o sul do territorio portugues, o Gharb al-Andalus, fazia parte do mundo muculmano.
Reais e moedas das Carreiras oceanicas
Real de a ocho ou peso. A moeda de prata espanhola do seculo XVI ao XIX. Primeira divisa de alcance mundial. O dolar norte-americano baseou-se nela. Encontrada em galeoes afundados, em tesouros das colonias, em colecoes de todo o mundo. Como pendente tem um peso historico e fisico que poucas moedas igualam.
O portugues e o cruzado. Moedas de ouro portuguesas dos seculos XV e XVI. O ouro da Africa e, mais tarde, do Brasil, cunhado em Lisboa. Como joia, representam a ligacao entre a Peninsula e os mundos que a expansao maritima abriu.
Original versus replica
A primeira decisao de qualquer comprador e escolher entre uma peca autentica ou uma reproducao moderna.
O original. Fez a sua propria viagem atraves do tempo e traz as marcas desse percurso. Cada exemplar e unico. Os precos variam muito: um antoniniano de bronze gasto fica no segmento acessivel, um aureo de ouro raro no de luxo. Para uso diario, o original pede cuidado: sem esfregar, sem limpar com quimicos, sem pancadas. Mas leva-se ao pescoco um objeto historico verdadeiro.
Uma replica de qualidade. Muitos tipos de moeda antiga reproduzem-se em oficinas especializadas com alta precisao. Uma replica fundida em prata de lei ou em ouro a partir de um molde do original e indistinguivel para o nao especialista e muito mais pratica para o dia a dia. O preco costuma ficar no segmento medio, comparavel a um jantar num bom restaurante, bastante mais acessivel do que o original.
Um desenho interpretado. Um joalheiro pode criar uma peca de inspiracao antiga sem reproduzir uma moeda historica concreta. Sao obras originais. Muitas vezes sao as mais belas, ainda que nao tenham percurso historico.
A questao etica. A compra de moedas antigas autenticas levanta perguntas legitimas sobre proveniencia e legislacao. Portugal, como a Grecia, a Italia, o Egito ou a Turquia, tem normas rigorosas sobre a exportacao de bens arqueologicos. A lei portuguesa de patrimonio cultural protege o patrimonio movel; as moedas encontradas em solo nacional sao, em regra, bens do dominio publico. Compra sempre a vendedores com documentacao comprovada.
O que simboliza uma moeda antiga numa joia
Um pendente de moeda carrega varias camadas de significado ao mesmo tempo.
Riqueza e sorte. A leitura mais obvia. Uma moeda e dinheiro. Como joia converte-se em riqueza permanente, sempre presente. Em muitas culturas, da chinesa a mediterranica e a latino-americana, a joia de moeda entende-se explicitamente como amuleto de prosperidade. Esta funcao nao e superticao isolada, mas uma pratica documentada ao longo de milenios.
Contacto com a historia. Uma moeda antiga autentica traz informacao literal sobre um mundo desaparecido: um retrato, uma inscricao latina, a imagem de um deus. E contacto fisico com um passado que de outro modo seria completamente abstrato.
Eternidade. Sobreviveu mil anos antes de chegar a ti e provavelmente sobrevivera varios seculos mais depois. E uma lembranca sobria do lugar que cada vida individual ocupa dentro do tempo historico.
Viagem. As moedas sempre se moveram. Uma moeda das rotas oceanicas pode ter passado por minas da America, por cecas coloniais, pelos navios do Atlantico, por um porto de partida, pelas maos de um mercador. Um pendente leva consigo esse impulso de movimento.
Pertenca cultural. Uma tetradracma ateniense fala da Grecia. Um denario fala de Roma. Um real de a ocho fala dos imperios ibericos. A escolha de uma moeda e tambem uma escolha de filiacao cultural. Para pessoas com raizes no Mediterraneo ou nas antigas colonias, isto ganha uma dimensao adicional.
Memoria dos que ja nao estao. Em muitas familias, as moedas antigas sao o mais proximo que ha de reliquias dos avos. Uma moeda herdada, engastada como pendente, e um dos presentes mais pessoais que uma geracao pode passar a seguinte.
Aventura e romantismo. O cruzado, o real de a ocho, os galeoes afundados. Toda uma tradicao de associacao romantica com o mar, a exploracao e uma vida vivida no limite do conhecido. Muitas pessoas sentem-se atraidas pela joalharia de moedas precisamente por essa mitologia particular.
Prata, ouro, aliancas, simbolos e conjuntos de casal.
Opiniões de clientes
A Zevira é uma joalharia real. Pagamentos, envios e agradecimentos de clientes autênticos.
A quem fica bem
Aos apaixonados por historia. A quem estudou historia antiga, classicas ou arqueologia, ou simplesmente le por prazer.
Aos viajantes. Sobretudo a quem tem uma ligacao duradoura com a Grecia, a Italia, a Turquia, o Mediterraneo oriental ou a historia atlantica.
Aos numismatas. Colecionadores para quem um pendente e o prolongamento natural do gosto.
A academicos e professores. Historiadores, filologos classicos, arqueologos e pessoas que trabalham profissionalmente com o mundo antigo.
A quem compra para durar. O oposto da moda descartavel em todos os sentidos. Uma moeda que sobreviveu dois mil anos sobrevive ao uso diario.
A pessoas com raizes mediterranicas ou coloniais. Raizes gregas, italianas, libanesas, turcas ou brasileiras dao a joia de moeda uma dimensao mais pessoal.
Como presente para uma ocasiao importante. Presente de fim de curso para quem estuda historia ou arqueologia. Aniversario de casamento com historia partilhada. Maioridade para quem comeca a construir a sua identidade.
Historia das moedas na joalharia
As moedas usaram-se como adorno quase desde o momento em que passaram a existir como moeda de troca. A pratica comecou no mundo grego durante os seculos VII e VI a. C. e nunca deixou totalmente de existir. Na longa linha dos 5000 anos de historia da joalharia, este e um capitulo relativamente tardio: quando se cunharam as primeiras moedas, os humanos ja usavam pendentes e sinetes havia trinta seculos.
A Antiguidade
Gregos, romanos e etruscos furavam discos de metal e penduravam-nos em cordoes. Nao era pratica de massas, porque as moedas faziam falta como dinheiro, mas os exemplos conservam-se em colecoes de museus de todo o mundo. Muito antes, na joalharia sumeria do terceiro milenio a. C., esse mesmo papel de "marca de identidade pendurada ao pescoco" era desempenhado por selos cilindricos gravados e contas de lapis-lazuli; quando surgiram as moedas, a ideia de usar um sinal de autoridade sobre o peito ja era antiga.
A partir do seculo I a. C. comecaram a fabricar-se objetos em forma de moeda pensados expressamente como adorno ou como oferenda votiva, e nao como meio de pagamento.
A tradicao romana: aurei em braceletes, solidos como pendentes
Os ourives romanos nao se limitavam a fazer um furo. No seculo I d. C. os aurei de ouro engastavam-se em braceletes com uma orla metalica que rodeava a moeda por completo, aquilo a que hoje chamamos engaste em bisel. Conservam-se colares de moedas com argolas soldadas do seculo I ao III d. C. Usar um aureus como joia era uma declaracao de posicao social: equivalia a vinte e cinco denarios de prata.
Os soldados usavam moedas-trofeu no cinto ou como pendente ao pescoco. Uma moeda estrangeira obtida em batalha era um amuleto poderoso, um objeto que trazia a sorte do inimigo vencido.
A Lusitania romana
Com a chegada de Roma a Peninsula a partir do seculo III a. C. e a consolidacao das provincias no II a. C., as moedas romanas tornaram-se objeto quotidiano de milhoes de habitantes. As cecas de Emerita Augusta e de outras cidades produziram enormes quantidades. Hoje os achados de moedas romanas em solo portugues sao habituais, sobretudo no antigo territorio da Lusitania; fazem parte da paisagem arqueologica do pais.
O tesouro de Guarrazar e os visigodos
O Tesouro de Guarrazar, encontrado perto de Guadamur, na Meseta central, no seculo XIX, e um dos achados mais importantes da arqueologia alto-medieval europeia. Coroas votivas de ouro, cruzes e moedas visigodas do seculo VII testemunham a alta ourivesaria do reino visigodo. A joalharia visigoda com moedas incorporadas e um capitulo pouco conhecido mas extraordinariamente rico da historia peninsular, e o ocidente lusitano teve nele o seu lugar.
O Gharb al-Andalus
Na epoca do califado de Cordova (seculos VIII-XI), as moedas faziam parte da joalharia de ambos os sexos. As mulheres usavam pendentes com dinares e dirhames, sobretudo os de caligrafia cufica. Esta tradicao conservou-se no sul da Peninsula, e ainda hoje em cidades de raiz andalusina se vendem joias com replicas de moedas do periodo muculmano. No Gharb al-Andalus, o territorio do sul de Portugal, circulou este mesmo repertorio.
Os tesouros do Sul
O sul peninsular guarda alguns dos tesouros monetarios mais importantes da arqueologia da regiao. Os achados de povoados romanos, os depositos submarinos ao largo das costas atlanticas: todos eles renderam moedas que hoje repousam em museus e que inspiraram joalharia com referentes locais.
A cultura de Tartessos, no sudoeste peninsular, deixou objetos de ouro e prata que mostram a riqueza das culturas pre-romanas do vale do Guadalquivir e do baixo Alentejo. As suas formas influenciam joalharia artesanal da regiao ate hoje.
A Carreira da India e o ouro dos oceanos
A partir do seculo XVI, Lisboa foi um dos grandes centros do comercio maritimo mundial. Enormes quantidades de ouro e de especiarias passaram pela Casa da India. O cruzado de ouro e, do lado castelhano, o real de a ocho e o dobrao circularam por todos os mares. Os galeoes e naus afundados no Atlantico e no Indico ainda guardam milhares deles.
A nau Nossa Senhora dos Martires, afundada em 1606 a entrada do Tejo, e um dos naufragios mais estudados da expansao portuguesa. Cargas recuperadas de naufragios como este comercializam-se hoje, quando devidamente documentadas, com certificado de origem. Usar uma moeda com esta proveniencia e usar um pedaco da historia dos oceanos com autenticidade documental.
A epoca vitoriana e a viagem romantica
No seculo XIX, a paixao arqueologica impulsionou a joia de moeda por toda a Europa. Viajantes britanicos e europeus abastados traziam moedas antigas dos seus percursos pelo Mediterraneo e mandavam-nas engastar a joalheiros de Londres, Paris ou Lisboa. Os ourives montavam moedas romanas e ibericas em molduras de ouro.
O seculo XX e XXI
O interesse pela joalharia antiga sobe e desce em ciclos. Nos anos sessenta e setenta houve uma onda de pecas etnicas e arqueologizantes. Desde o inicio da decada de 2010, a procura de objetos com historia autentica por tras cresce de forma sustentada.
Pingente navalha CAPAORA mini
A navalha espanhola do século XVIII em miniatura: 40 mm de aço inoxidável, um verdadeiro mecanismo dobrável e o fecho Palanquilla com o seu clique. Um presente acessível para recordar.
Autêntico · Envio de Espanha · Devolução em 14 dias
O disco-moeda noutras formas de joalharia
Para alem do pendente, o disco de moeda aparece em diversas formas de joalharia, cada uma com a sua logica e a sua historia proprias.
O anel de sinete. Uma moeda engastada em plano num anel cria uma das formas mais antigas de joalharia pessoal. Os cidadaos romanos usavam aneis de sinete para lacrar documentos; uma moeda no lugar de uma intalia simplesmente substitui um disco plano por outro. Para os homens em particular, um sinete com um sestercio ou um antoniniano e uma das poucas pecas de joalharia masculina cuja seriedade nao precisa de explicacao.
As pulseiras empilhadas. Varios pendentes de moedas numa pulseira de corrente unica, ou um pendente acrescentado a uma ja existente, criam um efeito de camadas que se le como reunido ao longo do tempo, e nao comprado completo. E a estetica da recordacao, do memorial, da vida acumulada.
O torque ou colar rigido. Nalgumas interpretacoes de alta joalharia, os discos de moedas colocam-se ao longo de um colar rigido, referenciando diretamente as tradicoes do trabalho em metal da Idade do Ferro e celta. Dado o rico legado castrejo do norte e do noroeste peninsular, esta forma tem uma ressonancia territorial especial que noutros lugares nao se encontraria.
O motivo moeda na joalharia atual
Os joalheiros contemporaneos aproximam-se do motivo moeda por angulos distintos. Alguns adquirem moedas autenticadas e engastam-nas em montagens de fabrico proprio, tratando a peca como centro de uma joia feita a medida. Outros encomendam moldes de originais de museu e cunham replicas em metal precioso, o que permite fidelidade historica exata sem a fragilidade nem os riscos legais do original.
Uma terceira abordagem, cada vez mais frequente entre joalheiros de oficina, toma a moeda como inspiracao estetica sem reproducao direta. Estas pecas partilham as proporcoes e o peso do disco cunhado, mas trazem imagens originais: um retrato tirado do natural, um motivo animal, uma geometria derivada de tradicoes numismaticas concretas. O resultado nao e nem documento historico nem simples novidade, mas algo intermedio: um objeto contemporaneo com raizes formais profundas.
A Peninsula Iberica da ao motivo um apoio territorial especial. Foi cruzamento de pelo menos cinco tradicoes monetarias distintas: iberica, romana, visigoda, andalusina e atlantica-colonial. Nao ha regiao sem o seu proprio reportorio de moedas. Isso da a joia de moeda iberica uma especificidade que dificilmente se encontra noutro lugar.
O que faz com que umas moedas sejam mais procuradas do que outras para joalharia e sobretudo a legibilidade visual. Uma moeda com um retrato nitido, uma divindade reconhecivel ou um desenho bem conservado le-se bem quando usada. Por isso, entre as gregas escolhem-se com mais frequencia a tetradracma ateniense com a coruja e a decadracma de Siracusa com Aretusa: ambas oferecem uma imagem clara e grande. Entre as romanas, os favoritos habituais sao as moedas de Augusto, Adriano e Marco Aurelio, porque os seus retratos estao entre os melhores da serie. O sestercio e popular como pendente precisamente pelo tamanho: o retrato ocupa todo o disco de um modo que as denominacoes menores nao permitem.
Tecnicas de engaste
A forma como a moeda se monta determina tanto a sua conservacao como a estetica do resultado final.
Engaste em bisel. Um aro metalico rodeia a moeda por completo. A protecao e maxima, adequada a pecas autenticas. O inconveniente: o bisel tapa parte do bordo da moeda.
Engaste em garras. Varias garras metalicas seguram a moeda pelos bordos. As duas faces ficam visiveis, incluindo o reverso. Menos protecao, mais indicado para replicas ou uso ocasional.
Argola soldada. Solda-se uma argola ao bordo da moeda ou passa-se por um furo existente. O metodo mais antigo, ja usado pelos romanos. Funciona bem para moedas com furo natural ou bordo grosso.
Moldura com fecho de seguranca. A moeda aloja-se numa moldura com dobradica, semelhante a um relicario, e pode retirar-se. Pratica para pecas herdadas ou de valor sentimental.
Montagem giratoria. A moeda fixa-se sobre um eixo que permite roda-la para mostrar as duas faces. Habitual em joalharia numismatica, onde o reverso e tao importante como o anverso.
Deixa o teu email e enviamos o código de desconto. Sem spam, cancelas com um clique.
O código chega por email, válido no teu primeiro pedido.
Autenticidade: como distinguir um original de uma falsificacao
O mercado de moedas antigas contem um numero significativo de pecas falsas. Alguns pontos de referencia praticos.
Patina. Nas moedas autenticas, a patina acumula-se de forma irregular: mais densa nas concavidades do relevo, mais fina nas zonas em relevo. A patina aplicada quimicamente ou de forma artificial tende a ser uniforme. Um limite nitido entre zonas aparentemente envelhecidas e zonas limpas e um sinal de alerta.
Peso. Muitas replicas usam menos metal do que os originais e sao, por isso, mais leves. Um denario romano autentico pesa entre 3,1 e 3,9 gramas conforme o periodo. Desvios significativos justificam perguntas.
Bordo. As moedas antigas cunhavam-se a mao e costumam ter bordos ligeiramente irregulares. Uma moeda apresentada como antiga com um bordo mecanicamente perfeito gera uma contradicao.
Documentacao de proveniencia. Um vendedor serio apresenta documentos: de que colecao ou tesouro vem a moeda, quando foi catalogada, por que casas de leiloes passou. As casas de leiloes de referencia publicam proveniencias nos seus catalogos. A ausencia de documentacao nao prova falsificacao, mas reduz significativamente a confianca.
A etica de comprar moedas antigas
Portugal, como a Grecia, a Italia, o Egito ou a Turquia, tem normas rigorosas sobre exportacao de bens arqueologicos. A legislacao de patrimonio cultural estabelece que as moedas encontradas em solo nacional sao, em regra, bens do dominio publico. Comprar a um vendedor sem credenciacao pode significar adquirir uma peca legalmente comprometida, e nao apenas sem papeis.
Os vendedores serios apresentam documentacao completa. As replicas de museu em bronze ou prata, fabricadas sobre moldes de originais, oferecem o mesmo resultado visual sem riscos legais. Muitos museus vendem reproducoes de alta qualidade nas suas lojas.
Moedas em diferentes culturas
Portugal e a Peninsula Iberica
A tradicao joalheira iberica e especialmente rica neste tipo de pecas. O noroeste conserva moedas castrejas e romanas; o centro, alto-medievais; o sul, andalusinas; o litoral, ibero-romanas. Cada regiao tem o seu proprio reportorio.
Grecia
A tetradracma ateniense com a sua coruja e um simbolo nacional. As moedas da Magna Grecia (cidades gregas do sul de Italia e da Sicilia) estao entre as cunhagens artisticamente mais conseguidas da Antiguidade.
Italia
A Italia herdou e conservou a tradicao romana. Na joalharia contemporanea italiana, sobretudo em Napoles e Roma, os pendentes com moedas sao um classico. O ducado veneziano e o florim florentino influenciaram toda a cultura monetaria europeia.
O Mediterraneo oriental
As comunidades gregas, sobretudo em Chipre e entre a diaspora em varias cidades europeias, mantem a tradicao do colar de discos de ouro como presente de casamento. Tradicoes semelhantes existem entre as comunidades libanesas, sirias e armenias.
America Latina
As moedas coloniais ibericas estao na base de muitas tradicoes joalheiras latino-americanas. O Brasil, o Mexico, o Peru e a Colombia tem as suas proprias pecas deste tipo, frequentemente a partir de moedas coloniais.
China
A moeda chinesa de cash, um disco redondo com furo quadrado central, representa a harmonia do ceu (o circulo) e da terra (o quadrado). Enfia-se em cordao vermelho e usa-se como amuleto de prosperidade.
Moedas da sorte
A par das pecas historicas autenticas, existe uma tradicao solida de amuletos de moeda fabricados de proposito.
Moeda chinesa de cash. Redonda com furo quadrado. Simbolo de harmonia cosmica e prosperidade.
Medalha de Sao Cristovao. Rigorosamente nao e uma moeda, mas uma medalha, redonda, com o patrono dos viajantes. Muito difundida entre praticantes e entre pessoas com tradicao mediterranica.
Medalha Milagrosa. A medalha de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, de origem francesa do seculo XIX, de forma redonda e semelhante a uma moeda. Muito presente em comunidades catolicas.
Moedas comemorativas. As emissoes comemorativas de acontecimentos historicos guardaram-se em familias como reliquias durante geracoes. Muitas acabam como joias herdadas.
A moeda de familia. Nalgumas familias com heranca ligada ao mar ou as colonias, um real de a ocho, um cruzado ou um dobrao herdado do bisavo navegador torna-se o pendente mais pessoal que existe.
Materiais do engaste
O material em que a moeda se monta afeta a durabilidade, o preco e o carater geral da peca.
Ouro macico (14 ou 18 quilates). A escolha certa para uma moeda antiga autentica. Nao oxida, nao escurece, e hipoalergenico. Um engaste de ouro macico durara tantos seculos quantos a moeda ja durou.
Prata de lei (925). O padrao do mercado medio. A prata escurece com o tempo e agradece um polimento ocasional, mas so no engaste, nunca na moeda. Adequada a moedas de bronze ou prata antigas.
Prata banhada a ouro. Um compromisso pratico. Tem aparencia de ouro a um preco menor. O banho pode afinar-se com o atrito. Adequado a replicas de uso regular.
Bronze. Raro em engastes de moedas. Escurece e desenvolve a sua propria patina. Usa-se por vezes em recriacoes historicas de uso autentico.
Cuidado da joia com moeda
A regra fundamental: nao polir a moeda. A patina nao e sujidade. E a camada protetora natural formada ao longo de seculos, e faz parte da autenticidade, da identidade e do valor da peca. Uma moeda antiga polida a espelho perde tanto valor numismatico como carater.
O que se pode fazer: limpar com um pano macio de microfibra seco. Evitar o contacto desnecessario com agua. Tira-la antes de tomar banho. Guarda-la numa bolsa macia ou estojo, separada de outras joias.
Com o tempo, a propria montagem pode precisar de atencao: um bisel pode soltar-se, uma argola desgastar-se no ponto de soldadura. Leva a peca a um joalheiro aos primeiros sinais de instabilidade, sem esperar que a moeda se solte.
Se usares a joia de moeda junto com outras pecas, as pedras duras e os metais mais duros podem riscar a superficie da moeda ou degradar a sua patina. Guarda e usa as pecas de moeda separadas dos metais mais duros sempre que possivel.
Envia a um amigo um código de desconto, ele poupa no primeiro pedido.
Perguntas frequentes
Aguenta o uso diario uma peca autentica?
Depende do exemplar e do engaste. As moedas de prata, sobretudo os denarios romanos, sao mais resistentes do que as de ouro. Num engaste fechado, a moeda fica bem protegida. Se pende num suporte aberto ou num cordao, os bordos podem gastar-se, sobretudo com a roupa. Para uso diario, uma replica e a opcao mais pratica se a moeda for valiosa.
Como limpo uma moeda antiga num pendente?
Melhor nao a limpares tu mesmo. A patina e os depositos superficiais fazem parte da identidade e muitas vezes do valor da peca. Se for necessaria uma limpeza, consulta um numismata ou um especialista em restauro de joias.
Qual e a diferenca entre original e replica?
O original e datavel, tem proveniencia verificavel e vem da sua epoca de emissao. A replica e uma reproducao moderna. Para olhos nao especializados podem parecer identicos. A diferenca de preco costuma ser consideravel.
Partiu-se-me o engaste. O que faco?
Leva-o a um joalheiro. Nao tentes repara-lo tu mesmo, sobretudo se dentro houver um original.
Posso usa-la como amuleto de sorte?
Sim. E uma das funcoes mais antigas da joia de moeda e nao precisa de mais justificacao.
Que moeda escolho como primeira peca?
Para comecar, um antoniniano ou follis romano de bronze do seculo III ou IV d. C. e a opcao mais sensata. Abundante na Peninsula, de preco acessivel, visualmente legivel e sem necessidade de cuidados especiais. Se te atrai um periodo ou cultura concretos, comeca por ai.
Serve como presente de casamento?
Na tradicao grega, italiana, turca e do Levante, sim: os colares de discos dourados sao um presente de casamento classico. Na tradicao peninsular e menos habitual, mas plenamente significativo, sobretudo para casais com interesse partilhado pela historia ou pelas viagens.
O que faco se encontrar eu mesmo uma moeda?
Em Portugal, a lei estabelece que os achados fortuitos de bens arqueologicos devem ser comunicados as autoridades competentes. As escavacoes sem autorizacao sao ilegais. Para joias, compra sempre a vendedores com documentacao comprovada.
A joia de moeda e so para mulheres?
Nao, e historicamente tambem nao foi. Os soldados romanos usavam pendentes com moedas-trofeu. Os cavaleiros medievais usavam broches com moedas. O anel de sinete com disco antigo e uma forma estabelecida de joalharia masculina. A moeda como joia esta fora das categorias de genero da maioria das joias contemporaneas, e e precisamente isso que atrai quem acha essas categorias limitantes.
O que significa o retrato de uma moeda concreta?
Nas moedas gregas costuma aparecer o deus ou a deusa tutelar da cidade que a emitiu: Atena nas atenienses, Apolo nas de Delfos, a ninfa Aretusa nas de Siracusa. Nas romanas, a partir do seculo I a. C., aparece o governante em exercicio ou membros da familia imperial. O retrato tornou-se progressivamente mais realista sob o Imperio; as moedas do seculo I e II d. C. incluem alguns dos melhores retratos esculpidos do mundo romano. Nas moedas bizantinas aparece Cristo a partir do seculo X, e no reverso o imperador.
O retrato que escolhes diz algo. As moedas de Marco Aurelio sao procuradas por quem sabe que esse mesmo homem escrevia as suas "Meditacoes" entre campanha e campanha. Um denario de Augusto alude ao homem que pos fim a um seculo de guerras civis e fundou o sistema que durou quatro seculos. Um real de a ocho lembra que essa moeda foi a primeira divisa verdadeiramente global e a base do dolar americano.
O simbolismo do retrato: o que diz a moeda que escolhes
Para alem do significado generico de riqueza ou fortuna, cada moeda traz uma historia visual especifica que diz algo sobre quem a escolhe usar.
Um denario de Augusto alude ao homem que pos fim a cem anos de guerras civis e criou o sistema que governou o Mediterraneo durante quatro seculos. A tetradracma ateniense com a coruja invoca uma cidade que colocou o conhecimento na base da sua ordem politica. As moedas de Marco Aurelio sao especialmente significativas para quem sabe que esse mesmo homem escrevia as suas "Meditacoes" nas margens das campanhas militares no Danubio, o unico diario pessoal que nos chegou de um governante do mundo antigo.
O real de a ocho tem um simbolismo particular para a historia atlantica: e a primeira moeda verdadeiramente global, a base do dolar americano, e o objeto que as minas da America produziram aos milhoes para financiar o mundo moderno. Usa-lo e usar a historia do Atlantico em metal.
O tremisse visigodo e talvez a escolha mais pessoal para alguem com raizes na historia peninsular: sao poucas as moedas tao diretamente ligadas a um momento fundacional do que viria a ser a Peninsula medieval.
É para oferecer? Cada peça chega pronta a entregar.
Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Conclusao
Uma moeda antiga engastada em prata ou ouro e uma das poucas joias que contem uma ligacao genuina e direta com um mundo que ja nao existe. Nao uma referencia, nao um eco estilistico, mas um objeto fisico que foi fabricado, manuseado e usado por pessoas que viveram noutra civilizacao.
Esse paradoxo, usar algo com dois mil anos com a mesma naturalidade que um relogio ou uns brincos, da a joia de moeda uma qualidade particular. Lembra sem alardes que cada vida ocupa um espaco muito pequeno dentro de uma historia muito longa. E que a beleza dos objetos bem feitos sobrevive a quem os fabricou.
A Zevira faz joias numa tradicao que esta no cruzamento da Antiguidade classica, do mundo mourisco e do Atlantico europeu. Ver o catalogo
Sobre a Zevira
A Zevira faz joias na tradicao artesa de Albacete, Espanha. O motivo da moeda parece-nos dos mais naturais: a Peninsula Iberica conheceu a cunhagem iberica, romana, visigoda, andalusina e atlantica, e essa historia numismatica de tantas camadas esta na raiz da nossa forma de trabalhar o metal.
O que podes encontrar na nossa casa dentro desta tematica:
- Pendentes com disco de moeda em engaste de bisel, pensados para pecas autenticas e para replicas
- Aneis de sinete com um disco antigo no lugar da intalia
- Pendentes em corrente e em fio de cabedal com aquele ar mediterranico
- Discos minimalistas em corrente fina para o dia a dia
- Conjuntos a condizer de pendente e brincos de botao
- Montagens para cunhagem em ouro ou em bronze, com uma protecao da patina que aguenta
Cada joia admite gravacao pessoal. Prata de lei 925 e ouro de 14 a 18 quilates.
































