
Turmalinas de todas as cores: do rosa ao preto, em que se diferenciam e como as usar
A turmalina é a única gema que, ao ser apertada entre os dedos, gera uma ligeira carga elétrica. Não é uma lenda, mas um facto mensurável: na década de 1880 os irmãos Curie usaram-na para estudar a piezoeletricidade. E ainda surpreende mais que um mesmo mineral apareça em quase qualquer cor, desde um rosa transparente até um preto de carvão, e que dentro de um único cristal essas cores convivam por vezes em faixas.
Durante séculos confundiram-se as turmalinas com outras pedras. As rosas eram vendidas como rubis, as azuis como safiras, as verdes como esmeraldas. O mal-entendido só se esclareceu entre os séculos XVIII e XIX, quando os mineralogistas perceberam que não se tratava de gemas distintas, mas de uma grande família com uma mesma rede cristalina e uma composição variável. De seguida percorremos a química e a geologia da turmalina, o que distingue as suas variedades, como separar uma pedra autêntica de uma falsa e como a usar no dia a dia.
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O que é a turmalina: química e física da pedra
A turmalina não é um só mineral, mas todo um grupo de borossilicatos complexos que partilham uma mesma estrutura cristalina. O que os une é uma armação de boro, silício e oxigénio; o que os separa é que metais se alojam na rede. Esse conjunto de metais é justamente o que decide a cor.
Composição e fórmula
A fórmula generalizada resulta aparatosa: XY₃Z₆(T₆O₁₈)(BO₃)₃V₃W. Por trás das letras escondem-se posições do cristal que diferentes elementos podem ocupar:
- X: um catião grande (sódio, cálcio, potássio ou uma lacuna).
- Y e Z: metais como ferro, magnésio, lítio, alumínio, crómio, vanádio, manganês.
- T: sobretudo silício.
- B: boro, o elemento imprescindível de toda a turmalina.
- V e W: grupos hidroxilo, flúor ou oxigénio.
O importante aqui não é a fórmula, mas a ideia: a turmalina é uma espécie de jogo de construção natural. Coloca ferro na posição Y e obténs uma pedra preta ou azul. Acrescenta lítio e manganês e aparece o rosa. O crómio e o vanádio dão verde. A mesma armação, recheio diferente.
Dureza, densidade e comportamento no uso diário
Na escala de Mohs a turmalina situa-se entre 7 e 7,5. É mais dura que o vidro e o quartzo, comparável à granada, mas claramente mais mole que a safira e o rubi (9), e nem falar do diamante (10). Na prática, um 7 a 7,5 é uma dureza perfeitamente válida para joias de todos os dias: a pedra não se risca com um roçar casual na roupa ou no papel.
A densidade ronda os 3,0 a 3,3 g/cm³, por isso a turmalina nota-se bastante mais pesada do que um vidro do mesmo tamanho. É uma das formas caseiras de a distinguir de uma imitação em vidro.
Há um pormenor importante: dureza e tenacidade são coisas distintas. A turmalina é dura, mas bastante frágil e propensa a estilhaçar pelas fraturas. Uma pancada direta contra uma esquina ou contra um pavimento de ladrilho pode deixar uma mossa, sobretudo nas arestas de uma pedra facetada. Por isso convém tirar o anel ao trabalhar com as mãos, ao passo que pendentes e brincos suportam o uso diário com tranquilidade.
Estrutura cristalina
A turmalina cristaliza no sistema trigonal. Os cristais crescem como prismas alongados com uma estriação longitudinal característica nas faces, finos sulcos ao longo da pedra. Essa estriação é tão reconhecível que serve como sinal de autenticidade: o vidro e a maioria das imitações não a têm.
A estrutura é polar, ou seja, os dois extremos do cristal não são equivalentes. Daí vêm as suas propriedades físicas tão particulares.
Ótica: refração, dispersão, pleocroísmo
O índice de refração da turmalina é de aproximadamente 1,62 a 1,64 e a sua dispersão é baixa; a pedra não lança reflexos de arco-íris como o diamante ou o zircão, mas oferece uma cor uniforme e saturada.
O seu traço ótico mais notável é um forte pleocroísmo: a turmalina mostra uma cor diferente consoante o ângulo de onde se olha. O mesmo cristal vê-se mais escuro ao longo do seu eixo e mais claro de través. Os lapidários têm isto em conta: para que a cor saia uniforme e intensa, colocam a tabela da pedra perpendicular ao eixo longo. Por isso os cristais longos de turmalina costumam ser lapidados em formas alongadas: baguete, oval, lapidação esmeralda.
Piezoeletricidade e piroeletricidade
Esta é justamente a raridade pela qual a turmalina chegou, no seu tempo, aos laboratórios de física. Sob pressão (piezoeletricidade) ou ao aquecer e arrefecer (piroeletricidade), nos extremos do cristal surge uma diferença de potencial. Uma turmalina quente atrai partículas de pó e cinza. Os europeus repararam nesta propriedade muito antes de entenderem a sua natureza.
No século XX a turmalina foi usada por isso em sensores de pressão e aparelhos de medida, até que a substituíram piezoelétricos sintéticos mais baratos: o quartzo e a cerâmica.
Como se forma a turmalina na natureza
A turmalina é um mineral típico das pegmatitos graníticos, essas veias de grão grosso que se formam na fase tardia de solidificação do magma granítico. Quando a massa principal do granito já cristalizou, resta uma solução residual quente, rica em boro, lítio, água e elementos raros. Dela crescem as turmalinas.
A cristalização é lenta, e esse é o ponto-chave: quanto mais tranquilamente arrefece a veia, maiores e mais limpos crescem os cristais. A composição da solução vai mudando à medida que avança o crescimento, ora mais ferro, ora mais manganês ou crómio. O cristal regista essas mudanças em camadas, e assim surgem as turmalinas policromas, nas quais a cor varia ao longo ou de través da pedra.
Além dos pegmatitos, a turmalina aparece em rochas metamórficas e como mineral resistente nas areias dos rios: quase não se decompõe pela meteorização, de modo que se conserva bem nos depósitos aluviais.
O corte melancia vai sobre a clavícula nua, não sob uma gola alta. Quem o esconde não o merece.
Com que usar a turmalina
Pelas minhas mãos passaram turmalinas de todos os tons, do rosa transparente ao xorlo quase preto, e quase cada uma encontrou o seu lugar num conjunto. Aqui reúno o que de facto funciona, ordenado por ocasião e pela cor da pedra.
Com que uso a turmalina no dia a dia? Para o dia recomendo uma só pedra de cor em corrente fina: uma verdelite verde ou um pendente rosa sobre uma camisola lisa ou uma camisa branca. Uma peça clara realça a pedra, uma escura transforma-a em acento. Uma pulseira salpicada de turmalinas pequenas fica bem com a manga arregaçada de uma blusa de linho. Para calças de ganga e malha aconselho uma pedra maior, porque um fundo limpo destaca qualquer tom vivo.
A turmalina é adequada para o escritório? É, desde que mantenhas a sobriedade. Escolho uma indicolite azul ou uma pedra verde em engaste simples, prata ou ouro branco, de 45 a 50 cm. Uns brincos de botão com uma turmalina pequena e um anel fino ganham a uma pulseira que tamborila contra a mesa. Uma pedra assim lê-se como o detalhe de uma pessoa com critério, não como uma declaração.
Como monto um conjunto de noite? Para a noite recomendo contraste: um decote pronunciado e um vestido liso em cor intensa, preto, esmeralda ou bordô. Uma rubelite rosa pousa sobre a pele nua junto à clavícula, uma indicolite azul numa gargantilha à altura da garganta, um xorlo preto em prata sob uma silhueta sóbria. Quanto mais escuro e simples o tecido, mais brilha a pedra.
Como acerto com o metal consoante a cor? Guia-te pelo subtom da tua pele e pelo tom da pedra. Às turmalinas quentes, rosas, amarelas e laranjas aconselho ouro; às frias, azuis e verdes, assenta bem a prata. O ouro rosa realça uma rubelite às mil maravilhas. Queres uma só peça para o dia e a noite? Escolhe um pendente de comprimento médio, de 42 a 50 cm: funciona sobre uma gola alta e dentro de um decote.
A quem fica bem a turmalina? A quase toda a gente, porque há muitas cores. Para os conjuntos serenos recomendo o verde e o esfumado; para quem não teme dar nas vistas, o rosa e o policromo melancia. Um último apontamento: se hesitas, começa por uma só pedra expressiva e roupa neutra. É a forma mais segura de saber qual o tom que é o teu.

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Onde se extrai a turmalina: as principais jazidas
A turmalina extrai-se em vários continentes, e a jazida costuma marcar o carácter da pedra: a sua cor, a sua transparência, a forma dos cristais.
Brasil (o estado de Minas Gerais) foi historicamente o principal fornecedor de turmalinas de cor. Os seus pegmatitos dão cristais grandes e limpos de todas as cores, e destacam-se sobretudo as pedras policromas. Foi no estado da Paraíba, no final do século XX, que se encontraram turmalinas com cobre, os azuis e verdes néon mais brilhantes, que desde então se chamam precisamente Paraíba.
Afeganistão e Paquistão (o Hindu Kush, Hunza) dão belas turmalinas rosas e vermelhas, além dos cristais alongados em forma de vara que muitas vezes se usam em joalharia na sua forma natural.
Madagáscar oferece cristais grandes de uma ampla gama de cores, com frequência com inclusões.
Nigéria e Moçambique são fontes relativamente jovens que trouxeram ao mercado muita pedra verde e rosa de boa qualidade.
Estados Unidos (os estados do Maine e da Califórnia) são jazidas históricas, conhecidas desde o século XIX pelas suas turmalinas rosas e melancia.
Sri Lanka e África Oriental completam o panorama e abastecem turmalinas que circulam pelos grandes centros de lapidação e comércio da Europa.
A turmalina preta (xorlo) está repartida praticamente por todo o lado: o ferro abunda em todos os sítios, por isso é a mais acessível de todo o grupo.
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A história da turmalina: como a pedra encontrou o seu nome
Boa parte da história da turmalina é uma história de confusão. A pedra existia; o nome não.
Uma pedra sem nome
Até ao século XVIII, as turmalinas rosas eram vendidas com total convicção como rubis, as azuis como safiras, as verdes como esmeraldas. O erro é compreensível: pela cor e pelo brilho a turmalina parece-se de facto com as gemas caras, e não existiam instrumentos para as distinguir pela composição. É famosa a história de um lote de turmalinas brasileiras de um rosa intenso que se tomou por rubi durante séculos.
A própria palavra veio do Sri Lanka. Em cingalês, as pedras de cores misturadas das areias dos rios eram designadas por uma palavra próxima de "turamali", algo como "pedra de cor misturada". Os comerciantes neerlandeses, que levavam gemas da Ásia para a Europa nos séculos XVII e XVIII, trouxeram também o nome, e dele surgiu o europeu "turmalina".
A turmalina verde na China
Na China conhecia-se e valorizava-se a turmalina muito antes da mineralogia europeia. Com ela talhavam-se selos, frascos de rapé e pequenas peças de escultura. Agradava em especial a pedra de um rosa intenso, que se importava em grandes quantidades, também das jazidas americanas no século XIX. Chegaram aos nossos dias objetos de turmalina talhada por artesãos chineses daquela época.
Séculos XVIII e XIX: aparece a classificação
No século XVIII os estudiosos europeus começaram a descrever os minerais de forma sistemática e perceberam que os "pseudorrubis" e "pseudoesmeraldas" multicolores eram uma só espécie mineral. Aos poucos assentaram-se os nomes das variedades: rubelite para os vermelhos e rosas, indicolite para os azuis, verdelite para os verdes, xorlo para os pretos, dravite para os castanhos. Essa classificação por cor vingou e continua a usar-se hoje, embora por trás de cada nome haja uma composição química própria.
Séculos XIX e XX: ciência e técnica
Na década de 1880 a turmalina tornou-se material para experiências de física, a pedra na qual se estudou a piezoeletricidade. Mais tarde esta propriedade encontrou uso em aparelhos de medida. Mas, à medida que surgiram os piezoelétricos sintéticos, o interesse industrial pela turmalina natural apagou-se, e a pedra voltou ao seu papel habitual de gema bonita e acessível para joalharia.
Variedades de turmalina por cor
O mais cómodo é ordenar a turmalina justamente pelas suas variedades de cor: cada uma tem a sua composição, a sua raridade e o seu carácter nas joias.
Rosa e vermelho (rubelite)
A cor é dada pelo manganês e pelo lítio. A rubelite é o membro mais valioso do grupo rosa-vermelho; a sua grande virtude é que a cor se mantém viva tanto com luz natural como com luz artificial, ao passo que as turmalinas rosas correntes costumam acinzentar-se sob a lâmpada. Há uma análise à parte sobre em que se diferencia a rubelite da turmalina vermelha corrente. É um dos tipos mais caros, sobretudo em cristais grandes e limpos. As fontes principais são o Brasil, o Afeganistão, Madagáscar.
Verde (verdelite)
Talvez a cor mais habitual da turmalina. Os tons vão do lima claro ao verde-floresta profundo; do verde encarregam-se o ferro, o crómio e o vanádio. As turmalinas verdes cromíferas (por vezes chamadas turmalina crómio) dão uma cor especialmente sumarenta, parecida com a da esmeralda, e aparecem com menos frequência. A pedra verde fica bem tanto em prata como em ouro amarelo.
Azul (indicolite e Paraíba)
O azul da indicolite corrente é dado pelo ferro, com tons do azul-céu ao índigo profundo. À parte ficam as turmalinas Paraíba: a sua cor néon azul-esverdeada é criada por um vestígio de cobre. Estas pedras foram encontradas pela primeira vez no estado brasileiro da Paraíba no final dos anos oitenta, e mais tarde apareceram semelhantes em África. A Paraíba é uma das gemas mais caras e cobiçadas da atualidade, pelo seu brilho e pela sua raridade.
Amarelo e castanho (dravite)
A dravite contém magnésio, com uma cor que vai do mel ao castanho-escuro. Recebe o seu nome da região do Drava, na Áustria. É menos rara do que as turmalinas de lítio, por isso é mais acessível; funciona bem em joias de estilo natural, mineral.
Violeta
As raras turmalinas violetas e de um rosa-lilás são coloridas pelo manganês com impurezas. Aparecem poucas vezes e em tamanhos pequenos, e são apreciadas pelos colecionadores.
Preto (xorlo)
A variedade mais difundida, que representa a imensa maioria de toda a turmalina extraída. A cor quase preta e opaca é dada por um alto teor em ferro. O xorlo é acessível, resistente e popular em joalharia; contamos à parte o que significa a turmalina preta e que propriedades lhe atribuem e porque se escolhe como pedra de proteção.
Policroma e melancia
Se a composição da solução mudou durante o crescimento do cristal, obtém-se uma pedra de várias zonas de cor. O caso mais conhecido é a turmalina melancia: um núcleo rosa e uma "casca" verde, que em corte transversal lembra mesmo uma fatia de melancia. Esse contraste não pode ser reproduzido de forma artificial, por isso as pedras melancia e policromas são valorizadas pelo seu desenho natural e muitas vezes são lapidadas em lâminas para mostrar as duas cores.
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Como distinguir a turmalina de pedras parecidas e das falsificações
A turmalina confunde-se com o rubi, a safira, a esmeralda, a granada, a ametista e o quartzo rosa, e com frequência faz-se passar por ela o vidro ou imitações baratas. Umas quantas referências práticas.
Face a outras gemas
- Face ao rubi e à safira a turmalina distingue-se pela dureza e pelo pleocroísmo. As coríndones são mais duras (9) e não dão um efeito bicolor tão marcado quando as giramos.
- Face à ametista e ao quartzo rosa (dureza à volta de 7) a turmalina distingue-se por ser algo mais dura, mais densa e pela estriação longitudinal nos cristais em bruto. A ametista, além disso, pode empalidecer após uma longa exposição ao sol, ao passo que a turmalina não.
- Face à granada ajuda o pleocroísmo: a granada é oticamente isótropa e não muda de cor quando a giramos, enquanto a turmalina muda de forma notável.
Face ao vidro e às imitações
- Peso. A turmalina pesa mais do que um vidro do mesmo volume.
- Temperatura. A pedra permanece fresca ao toque mais tempo; o vidro aquece antes na mão.
- Estriação. O vidro não tem os sulcos longitudinais que percorrem o cristal.
- Inclusões. A turmalina natural quase sempre contém pequenas inclusões naturais e uma ligeira falta de uniformidade na cor. Um tom perfeitamente uniforme e de um brilho berrante, sem um único defeito, deve pôr-te de sobreaviso: é sinal de vidro, de imitação tingida ou de forte irradiação.
Tratamento e sintéticas
Uma parte das turmalinas é aquecida ou irradiada para melhorar ou mudar a cor. As pedras irradiadas veem-se de um brilho e de uma uniformidade pouco naturais. A turmalina sintética é rara no mercado e pouco rentável de produzir, por isso aparece com menos frequência do que em muitas outras gemas. Para pedras caras como a Paraíba e a rubelite de bom tamanho, é razoável pedir um relatório de um laboratório gemológico.
Cuidados com a turmalina
A turmalina é pouco exigente, mas a sua dureza e a sua fragilidade impõem umas quantas regras simples.
Limpeza
O melhor método é água morna com uma gota de sabão suave e uma escova macia. Deixa a peça de molho uns minutos, escova-a com cuidado, enxagua-a e seca-a com um pano macio. Com isso basta para o cuidado diário de qualquer turmalina.
É melhor evitar a limpeza por ultrassons e por vapor: a vibração e o calor brusco são perigosos para uma pedra frágil e para as pedras com inclusões, que podem fissurar. Pela mesma razão, a turmalina não gosta das mudanças bruscas de temperatura.
Conservação
Guarda a turmalina longe de pedras mais duras para que não a risquem, e de maneira que ela também não risque algo mais mole. Serve um saquinho macio ou um compartimento à parte no guarda-joias. O engaste de prata escurece com o tempo, o que é normal: basta poli-lo de vez em quando.
Aptidão para a usar
Uma dureza de 7 a 7,5 permite usar a turmalina todos os dias em pendentes, brincos e pulseiras. O anel é mais sensato tirar ao limpar, fazer desporto e trabalhar com as mãos; são os anéis que sofrem mossas com mais frequência. Tira as joias antes da piscina: o cloro estraga aos poucos os fechos e o metal do engaste. As pulseiras com fio elástico acabam por precisar de ser reenfiadas, o que é um consumível e não um defeito da pedra.
Simbolismo: o que se atribui à turmalina
Como a turmalina aparece em todas as cores, diferentes tradições ligaram os seus tons a diferentes significados. Convém dizê-lo à partida: são ideias culturais, não efeitos comprovados. A ciência não encontra nenhuma influência confirmada da pedra sobre a saúde, o ânimo ou a "energia", e a turmalina não é um remédio.
Por tradição, à pedra rosa e vermelha associa-se o calor e o afeto; à verde, a calma e a renovação; à azul, a clareza e a expressão das ideias; à preta, a proteção e a firmeza. Nas correntes esotéricas atuais, as cores da turmalina fazem-se corresponder com o sistema de chacras. Tudo isto são metáforas e crenças: interessantes como parte da cultura da pedra, mas não algo em que apoiar-se como um facto. Se a turmalina levanta o ânimo, fá-lo tal como qualquer joia bonita de que goste quem a usa.
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Perguntas frequentes
Que cor de turmalina escolher para uma primeira joia? Escolhe a cor que te atraia visualmente. O xorlo preto é versátil e acessível, combina com qualquer roupa e não exige cuidados delicados. A verdelite verde e a indicolite azul lucem mais finas e ficam bem tanto com prata como com ouro. A rubelite rosa escolhe-se quando se procura um acento quente e suave. Para o uso diário são mais cómodos uma pulseira ou um pendente: não é preciso tirá-los tão frequentemente como um anel. Começa por uma só pedra de gama média, usa-a umas duas semanas e perceberás se queres uma segunda cor.
Em que se diferencia a rubelite da turmalina rosa corrente? A rubelite é o membro mais saturado e raro do grupo rosa-vermelho. O seu traço-chave é que a cor se mantém viva com qualquer iluminação, tanto artificial como natural. As turmalinas rosas mais simples costumam acinzentar-se ou empalidecer sob a lâmpada e perdem profundidade. A rubelite contém manganês e lítio, o que lhe dá um tom framboesa-vinho estável, sem matiz castanho. Pela sua raridade, custa mais do que uma turmalina rosa corrente. Ao comprar, olha para a pedra junto à janela e sob a lâmpada.
Pode usar-se a turmalina todos os dias? Sim. Em dureza a turmalina marca de 7 a 7,5 na escala de Mohs, suficiente para o uso diário em pulseiras, pendentes e brincos. O importante é lembrar que a pedra é dura mas frágil: uma pancada direta e forte contra a esquina de uma mesa ou contra um ladrilho pode provocar uma mossa. O anel convém tirar ao limpar, fazer desporto e trabalhar com as mãos; os restantes formatos suportam o uso diário com tranquilidade. As pulseiras com fio elástico acabam por precisar de ser reenfiadas. Tira as joias antes da piscina: o cloro estraga aos poucos fechos e engastes.
A turmalina é uma pedra cara ou acessível? Depende da variedade. O xorlo preto e a dravite castanha pertencem à gama acessível, uma pulseira com elas comparável em preço a um bom jantar para dois. As turmalinas verde e azul estão já na gama média, mais perto do custo de um pequeno mimo. A rubelite rosa e sobretudo a Paraíba azul são de gama alta: por uma pedra rara, limpa e de bom tamanho paga-se o que por um aparelho sério ou umas férias curtas. A turmalina tem a vantagem de que uma mesma família mineral oferece opções para quase qualquer orçamento, e todas lucem com dignidade.
Como distinguir uma turmalina autêntica de uma falsa ao comprar? A turmalina natural quase sempre é semitransparente e deixa passar a luz se a aproximares de uma lâmpada. Na superfície dos cristais em bruto e pouco lapidados veem-se sulcos longitudinais, a estriação ao longo da pedra, e esse é um traço característico. A pedra natural tem inclusões e uma ligeira falta de uniformidade na cor: um tom perfeitamente uniforme e de um brilho berrante aponta antes para vidro, imitação tingida ou forte irradiação. A turmalina pesa bastante mais do que um vidro do mesmo tamanho e permanece fresca na mão mais tempo. Para pedras caras, em especial a Paraíba e a rubelite grande, pede um certificado de laboratório.
Que metal de engaste combina melhor com a turmalina? A prata dá um aspeto frio, mineral, e funciona bem com a turmalina azul, verde e preta, e sublinha o frescor da pedra. O ouro amarelo reforça o calor e vai com a turmalina amarela, laranja e rosa. O ouro rosa faz sobressair muito bem a rubelite e os tons vermelhos. Se procuras versatilidade, escolhe a prata: é neutra e combina com a maioria das cores. Tem em conta que a prata escurece com o tempo e precisa de uma limpeza ligeira, ao passo que o ouro é mais simples de cuidar. A cor da pedra lê-se diferente consoante o engaste, por isso experimenta-a.
A turmalina é um bom presente? Sim, e é um presente cómodo justamente pela variedade de cores. Podes escolher um tom de acordo com o carácter ou com o guarda-roupa da pessoa sem saber a sua medida exata, desde que escolhas um pendente ou uma pulseira e não um anel. A turmalina preta em prata é adequada tanto para uma mulher como para um homem. A verde e a azul funcionam como uma opção sóbria mas nada banal. A rosa é percebida como um gesto quente e pessoal. A turmalina parece mais cara do que custa na gama média, por isso o presente luce sério mesmo com um orçamento moderado. Uma gravação no engaste torna-o pessoal.
O que é a turmalina melancia? A turmalina melancia é uma pedra policroma com um núcleo rosa e uma borda verde; em corte lembra mesmo uma fatia de melancia. É valorizada pelo contraste natural de cores dentro de um mesmo cristal, impossível de repetir de forma artificial. Luce melhor em pendentes com um corte da pedra, onde se veem as duas camadas, ou numa talha que sublinhe a transição. É uma opção rara e vistosa. O preço é mais alto do que o de uma turmalina de uma só cor do mesmo tamanho, mas mais baixo do que o de uma rubelite de primeira.
A turmalina desbota com o tempo? A turmalina natural não tingida não desbota com a luz do dia nem com o uso, ao contrário de algumas ametistas que empalidecem ao sol. A cor aguenta anos. Só a superfície pode apagar-se pela sujidade, pela gordura da pele e pelos cosméticos, mas isso tira-se com uma limpeza normal de água morna e sabão suave. As imitações tingidas ou muito irradiadas podem sim perder intensidade em uns dois anos, mais um argumento a favor da pedra natural. Mais frequentemente não é a pedra que se apaga, mas o engaste de prata, e basta poli-lo de vez em quando.
Quantos quilates de turmalina convêm para um anel? Para um anel com uma só pedra central, um intervalo cómodo é de 2 a 5 quilates, uns 8 a 10 milímetros. Uma pedra mais pequena perde-se visualmente num anel, ao passo que acima de 5 quilates começa a incomodar no uso diário e prende-se com mais facilidade na roupa. Se queres uma peça vistosa mas cómoda, aponta a 3 ou 4 quilates. Para brincos e pendentes não há limites estritos: aí podes ir mais pequeno ou maior consoante o efeito desejado. Nas variedades raras como a rubelite e a Paraíba, o preço sobe de forma não linear com o tamanho.
É verdade que a turmalina gera eletricidade? Sim, em sentido físico literal. A turmalina tem propriedades piezoelétricas e piroelétricas: sob pressão ou ao aquecer, nos extremos do cristal surge uma fraca diferença de potencial, e uma pedra quente é capaz de atrair partículas de pó. Foi na turmalina que se estudaram estes efeitos no século XIX. Mas o fenómeno é microscópico e não tem nada que ver com uma "energia curativa"; não atua de nenhum modo sobre a joia nem sobre a pessoa.
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