
Indicolite, a turmalina azul em joalharia: a rara pedra cor de índigo
O fogo azul do Brasil
De toda a turmalina que se extrai no mundo, menos de dois por cento sai com um azul limpo. O resto é xorlo negro, dravite castanha, verdelite verde. A turmalina azul de cor intensa, próxima do índigo, separa-se como uma variedade própria chamada indicolite. A maioria das turmalinas azuladas nunca atinge esse nível e fica-se pelas elbaítes pálidas.
A indicolite é uma turmalina azul do grupo da elbaíte, colorida por ferro. O seu azul profundo e frio está mais perto do índigo do que do céu, e daí vem o seu nome. De seguida: de onde sai essa cor, em que se distingue da safira, como se lapida, como distingui-la das imitações e como cuidar dela.
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O que é a indicolite: química e física
A indicolite é uma variedade de turmalina, mais exatamente de elbaíte, o membro de lítio do grupo. As turmalinas são borossilicatos complexos de composição variável, pelo que o grupo não tem uma fórmula única. Para a elbaíte escreve-se como Na(Li,Al)₃Al₆(BO₃)₃Si₆O₁₈(OH)₄. O essencial aqui é a presença de lítio e alumínio numa das posições estruturais, enquanto as impurezas de ferro dão o azul.
De onde vem o azul
A cor depende do ferro em dois estados de valência, divalente e trivalente (Fe²⁺ e Fe³⁺). Quando iões de ferro de valência diferente se situam juntos na rede, produz-se entre eles uma transferência de carga: a luz de certo comprimento de onda é absorvida e o olho vê azul. Quanto mais ferro há, mais profunda e escura é a cor, do azul-celeste claro a quase tinta. Se entra crómio na mistura, aparece um tom esverdeado; o cobre dá um efeito diferente, néon, próprio da turmalina Paraíba, e essa já é outra variedade.
Propriedades físicas
- Dureza de Mohs: 7 a 7,5. Suficiente para não se riscar contra os objetos do dia a dia, mas claramente mais mole do que a safira (9).
- Sistema cristalino: trigonal. Os cristais são alongados, prismáticos, com estrias longitudinais nas faces, um traço característico da turmalina.
- Densidade: cerca de 3,05 a 3,15 g/cm³.
- Índice de refração: 1,62 a 1,64, com birrefringência marcada.
- Clivagem: praticamente nula, o que é bom, embora a pedra continue a ser frágil e receie os golpes bruscos e o choque térmico.
- Pleocroísmo: forte. Ao longo do eixo ótico o cristal vê-se mais escuro, no sentido transversal mais claro. É o traço ótico chave em que se apoiam tanto a lapidação como a verificação de autenticidade.
O pleocroísmo, o seu traço definidor
O pleocroísmo é a mudança de cor consoante a direção a partir da qual se olha através da pedra. Nas turmalinas azuis é forte: ao longo do cristal a cor é profunda, no sentido transversal claramente mais clara. O lapidário orienta a peça em bruto para que a pedra terminada mostre o tom saturado mais bonito. Entre as gemas azuis, um pleocroísmo ainda mais intenso tem-no a iolite, a pedra dos vikings, cuja mudança de cor chega até ao violeta.
A indicolite pede ouro branco e gola aberta. Ouro amarelo por cima? Nem penses.
Com que usar a indicolite
A turmalina azul passou por dezenas das minhas sessões, e a regra é uma: esta pedra não suporta o alvoroço à sua volta. Dá-lhe uma base fria e um único acento limpo, não uma grinalda de pendentes. Reúno aqui o que de facto funciona, consoante a ocasião.
Com que uso a indicolite no dia a dia? Para o dia a dia recomendo uma pedra pequena numa armação simples, em corrente fina de comprimento médio, para que o pendente caia à altura das clavículas. A indicolite dá-se bem com a ganga, o linho e o algodão grosso em tons tranquilos. Sobre uma camisola clara ou uma t-shirt branca, esse ponto azul refresca todo o conjunto. A prata funciona aqui tal como o ouro branco, e o ouro amarelo quente deixo-o longe deste azul.
É apropriada para o escritório? Totalmente, se mantiveres o minimalismo. Aconselho um pendente pequeno ou umas tachinhas sob uma camisa com decote em bico ou sob uma camisola lisa: sério, sem brilho a mais. O azul frio pousa uniforme sobre um fato cinzento, uma blusa branca, uma malha escura. O melhor metal aqui é o ouro branco ou a platina; continuam a linha fria da pedra em vez de lhe fazerem sombra.
Como monto um conjunto de noite? Para a noite escolho um decote aberto e um tecido liso em tons frios e profundos: bordô, esmeralda, preto, azul-marinho. A indicolite encaixa aqui num pendente em gota ou em brincos compridos; ao mover-te apanha a luz e mostra o seu pleocroísmo. Podes montá-lo em dois níveis: uma corrente comprida com a pedra mais uma curta e fina sem ela. Uma condição: mantém uma única gama fria de metais.
Que metal escolho para uma pedra azul? Para um azul frio recomendo os metais brancos, ouro branco e platina; sublinham a cor e dão um estilo limpo e atual. A prata também está bem, embora peça cuidado contra o escurecimento. O ouro amarelo dá um contraste quente que se lê como vintage, por isso para uma linha contemporânea e nítida deixo-o à parte.
A quem fica bem a indicolite e como não errar? Fica bem a quem se sente perto de um estilo sóbrio, algo intelectual: confiança serena antes de estridência. O colorido frio favorece sobretudo as pessoas com subtom de pele frio, mas em tamanho pequeno a pedra é universal. Duas regras que não falham. Primeira: escolhe o comprimento consoante o decote, um colar curto ou tachinhas à altura do pescoço, um pendente comprido sob um decote profundo. Segunda: uma indicolite numa corrente limpa ganha sempre à que vai apertada entre outros cinco pendentes.

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Como se vê a pedra: matizes
A coloração da indicolite vai do azul-celeste claro ao azul-tinta, e aqui a cor importa mais do que o peso. Distinguem-se, em traços gerais, três níveis de saturação.
Claro, celeste. Contém a menor quantidade de ferro, é transparente e assemelha-se à água-marinha. Aparece muitas vezes no material do Afeganistão e do Sri Lanka. A pedra brilha em contraluz, mas tem menos profundidade.
Médio, azul saturado. A cor de referência, a que com mais frequência se chama indicolite sem matizes. Suficientemente escura para parecer nobre e suficientemente transparente para jogar com a luz. O material principal para anéis e brincos.
Escuro, quase tinta. Ferro ao máximo: com pouca luz a pedra pode parecer quase negra, ao sol abre-se num azul profundo. Os exemplares mais apreciados deste tom vêm dos jazigos brasileiros.
Por vezes a cor dentro de um único cristal está repartida por zonas: um núcleo escuro e uma camada clara, ou ao contrário. É a marca das condições variáveis durante o crescimento. Um bom lapidário aproveita essa zonalidade, orientando a pedra para que domine o tom bonito.
Geologia: onde e como se forma
A indicolite nasce em pegmatitos graníticos, em veios que cristalizam a partir de um fundido residual rico em elementos raros na fase tardia do arrefecimento do granito. A turmalina azul precisa de que coincidam várias condições, e por isso é rara.
Primeiro, o lítio. A elbaíte precisa de lítio na sua rede, e é um elemento disperso que só se acumula na concentração adequada em pegmatitos particulares, onde a maioria dos minerais correntes já cristalizou. Esses pegmatitos de lítio não são frequentes. Segundo, ferro na quantidade e valência certas; sem ele a pedra fica incolor ou rosada, e com um excesso de outras impurezas a cor vai para o verde. Terceiro, a ausência de cromóforos rivais como o crómio ou o cobre, que tapam um azul limpo.
Principais jazigos
Brasil, os estados de Minas Gerais e da Paraíba, o principal fornecedor de indicolite de joalharia por volume e qualidade. O material brasileiro aprecia-se pelo seu azul profundo e saturado. Os cristais grandes e limpos são raros mesmo aqui.
Afeganistão, Nuristão, pegmatitos de alta montanha. A sua indicolite costuma ser mais clara do que a brasileira, mas aprecia-se pela sua limpidez e transparência.
Sri Lanka, jazigos secundários, de aluvião, onde a turmalina foi arrastada da rocha-mãe e redepositada em cascalhos fluviais. Sobretudo tons claros, uma fonte de nicho.
Madagáscar, pegmatitos relativamente jovens que dão pedras em geral pequenas, mas de boa cor.
Paquistão, a região de Skardu, pegmatitos de montanha que nas últimas décadas trouxeram ao mercado um material azul atraente, muitas vezes mais claro.
Pela raridade, a turmalina azul ocupa um lugar à parte entre os seus parentes. O xorlo negro é a imensa maioria de toda a turmalina extraída, a dravite castanha segue-lhe, e as cores azul e outras de gema somam frações de um por cento. Face a parentes ainda mais raros, a indicolite resulta moderadamente rara: a turmalina vermelha rubelite e a Paraíba néon aparecem bastante menos e custam mais a igualdade de peso.
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Pureza e inclusões: o que se considera normal
A turmalina azul tem as suas próprias regras de pureza, e medi-la com critérios de diamante é um erro. A elbaíte cresce em cavidades de pegmatito cheias de solução, por isso aprisiona a matéria vizinha. Uma indicolite totalmente limpa, sem uma única inclusão, é mais rara do que uma água-marinha limpa, e uma pedra perfeitamente transparente deveria pôr-te em guarda antes de te alegrar.
As inclusões típicas da indicolite são os tricitos, finos canaizinhos curvos em forma de cabelo, e os tubos ocos esticados ao longo do cristal. Vão paralelos ao eixo ótico porque seguem a direção de crescimento. Se esses tubos são muitos e densos, a pedra fica brumosa, e uma lapidação em cabochão produz o efeito de olho de gato. Também se encontram plumas planas cicatrizadas e algum cristal incluído.
A conclusão prática para o comprador: olha a pedra em contraluz e de lado, não só de cima através da mesa. As inclusões que não saltam à vista e não chegam às facetas quase não afetam a resistência e são normais na turmalina. As perigosas são as que chegam à superfície ou formam uma rede perto das arestas: por aí lasca-se a pedra. Na descrição de uma turmalina azul, a pureza costuma indicar-se com palavras como «limpa a olho nu» ou «ligeiramente incluída», e não com letras e números como nos diamantes.
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Porque é tão rara uma indicolite grande e limpa
O preço da turmalina azul sobe mais depressa do que o seu peso, não por moda mas pela física da lapidação. Coincidem várias razões.
Primeiro, o pleocroísmo dita a orientação. O azul saturado mais bonito vê-se ao longo do eixo ótico, mas precisamente ao longo desse eixo o cristal é muitas vezes escuro quase até ao negro. O lapidário vê-se obrigado a girar o bruto e a recortar o comprimento para captar o azul transparente e não o de tinta. No processo perde-se peso.
Segundo, as pedras escuras têm de se lapidar mais pequenas e planas. Quanto mais ferro, mais denso o tom; uma pedra grande e densa afoga a luz e parece um buraco negro. Por isso o material saturado lapida-se mais fino, com menos profundidade, para deixar passar a luz. Isso limita o tamanho máximo de uma pedra bonita.
Terceiro, a forma natural do cristal. A turmalina cresce como um prisma longo e fino com estrias ao longo das faces. Desse bruto saem de forma natural as lapidações alongadas (oval, pera, esmeralda), enquanto uma redonda ou um quadrado grande exigem sacrificar boa parte do material. Daí o predomínio das lapidações alongadas no mercado.
Soma tudo: bruto raro, perdas pela orientação, o limite que impõe a densidade da cor e a forma de prisma. Uma indicolite limpa e saturada de mais de três ou quatro quilates já não é um artigo corrente, mas um achado.
História: como a turmalina azul recebeu o seu nome
A turmalina conhece-se desde a antiguidade, mas a azul demorou muito a separar-se como variedade. Antes da mineralogia científica, as pedras classificavam-se por cor e brilho e não por composição, por isso a turmalina azul anotava-se com facilidade como safira, topázio azul ou, sem mais, uma rara pedra azul. Na Europa medieval mal aparece em joalharia: a extração era limitada e a turmalina não fazia parte do trio de prestígio de esmeralda, rubi e safira.
Isso mudou no século XIX, quando a mineralogia aprendeu a distinguir as pedras pela sua química e cristalografia. As turmalinas separaram-se em variedades, a de lítio chamou-se elbaíte pela ilha de Elba, ao largo da costa de Itália, onde foi descrita. A turmalina azul saturada tomou o nome de indicolite: a cor lembrava o índigo, o corante azul que então se trazia para a Europa a partir da Índia em grandes quantidades. Nos finais do século, a turmalina azul já aparecia nas coleções e joias da aristocracia europeia como uma alternativa rara e cara à safira.
No século XX, os grandes achados no Brasil levaram a extração à escala industrial, e o material brasileiro passou a ser o principal do mercado. Com o crescente interesse pelas pedras de cor raras, a indicolite firmou-se como pedra de colecionadores e entendidos, de quem valoriza o insólito e a raridade natural e não só o nome conhecido da safira.
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Como distinguir a indicolite das imitações
Como indicolite vendem-se pedras azuis mais baratas e imitações. As principais candidatas são o espinélio azul, o corindo sintético (safira), o quartzo tingido e o vidro. Umas poucas verificações descartam a maioria.
O pleocroísmo, a prova mais simples e fiável. Olha através da pedra à luz do dia e gira-a devagar. Na indicolite a cor muda de forma apreciável, de um azul profundo a um tom mais claro. O espinélio e o vidro não dão pleocroísmo, a cor é a mesma de qualquer ângulo. O corindo sintético também não mostra essa mudança.
A densidade. A indicolite ronda os 3,1 g/cm³. O espinélio azul é mais denso (cerca de 3,6), a safira ainda mais (cerca de 4,0). Uma pedra do mesmo tamanho feita de corindo pesará sensivelmente mais. Numa balança precisa a diferença nota-se logo.
A dureza. A indicolite (7 a 7,5) não se risca com vidro comum. O quartzo tingido ou o vidro são mais moles e danificam-se com mais facilidade. A pedra em si não deve riscar-se, isso sim; os especialistas fazem a prova numa placa à parte ou num ponto pouco visível.
O índice de refração. No refratómetro a indicolite marca cerca de 1,62 a 1,64, enquanto a safira é bastante maior (cerca de 1,76). É uma diferença de laboratório fiável.
A luz ultravioleta. A maioria das indicolites naturais não brilha sob UV ou dá um brilho fraco. Uma fluorescência laranja ou amarela intensa denuncia mais o vidro tingido.
As inclusões à lupa. Uma pedra natural costuma ter inclusões naturais e microfissuras de forma irregular. Um cristal perfeitamente limpo sem um único defeito resulta suspeito de sintético; as bolhas regulares denunciam o vidro.
Para uma compra cara, o argumento decisivo é o relatório de um laboratório gemológico independente. Nele indicam-se a variedade (Tourmaline, variety Indicolite), o peso, a cor, a pureza e o facto do tratamento, se o houve.
Pedra natural e de laboratório
A turmalina sintética cultiva-se, mas é cara e não compensa para a joalharia de massa, por isso aparece raramente. Muito mais frequentemente se fazem passar por indicolite outras pedras mais baratas. A turmalina de laboratório é quimicamente idêntica à natural, mas quase carece de inclusões naturais; em casos duvidosos a variedade é determinada por um laboratório pelo espectro e pelos traços internos.
Sobre o tratamento
A maioria das indicolites vai sem tratamento térmico; a cor natural costuma ser boa por si só. Por vezes aplica-se um aquecimento suave para retirar um tom esverdeado ou violeta e deixar o azul mais limpo. O tratamento é estável e considera-se admissível, mas um vendedor honesto indica-o na descrição ou no certificado, porque uma pedra sem tratamento aprecia-se mais.
O que verificar antes de comprar
O relatório de laboratório resolve a questão da autenticidade, mas não a da qualidade: uma pedra pode ser autêntica e ao mesmo tempo medíocre. Umas verificações antes de pagar poupam desilusões.
Vê a cor com duas fontes de luz. Um azul frio é lindo à luz do dia, mas sob as lâmpadas quentes da loja e de casa a indicolite muitas vezes apaga-se e vai para o cinzento ou para o verde. Pede que levem a pedra à janela e avalia se se «fecha» com a luz da divisão. O material denso é especialmente propenso a escurecer em interiores.
Gira a pedra e procura o fundo «fechado». Se o lapidário orientou mal o bruto, o eixo escuro aponta para baixo e no centro da pedra vê-se uma mancha escura e apagada que não joga. Uma indicolite bem lapidada brilha de forma uniforme por toda a mesa, sem um buraco negro no culaço.
Verifica como se lê a pureza em contraluz. Aproxima a pedra da luz e olha-a de lado. Os tubos e pelinhos paralelos são normais, mas as fissuras que chegam às facetas ou à ponta afiada de uma pera são motivo para regatear ou desistir: por aí começam os lascados.
Confirma o aquecimento com palavras, não com suposições. Pergunta sem rodeios se a pedra foi aquecida e pede uma nota na descrição. Uma indicolite sem tratamento aprecia-se mais, e um vendedor honesto di-lo-á.
Para brincos, compara o par ali mesmo. As duas pedras devem coincidir em tom, saturação e pureza; emparelhar duas indicolites é difícil, e um desajuste só se nota quando os brincos estão um ao lado do outro à luz.
Joalharia com indicolite: formatos
Pela sua raridade e pelo seu preço, a indicolite monta-se mais frequentemente como um único acento do que em quantidade.
Anéis
Solitário, uma única pedra numa armação de ouro branco ou platina. Um clássico que não distrai da cor nem do pleocroísmo. Para a indicolite escolhe-se muitas vezes a lapidação esmeralda escalonada: as facetas largas e planas mostram a cor profunda e uniforme e ajudam a controlar o pleocroísmo.
Três pedras, a indicolite ao centro e aos lados duas claras (safira branca, uma pedra incolor). O contraste realça o azul e dá volume.
Com halo, uma pedra central num anel de pedrinhas incolores. Aumenta visualmente a indicolite e reforça o brilho. Convém manter o halo fino, senão a pedra parece apertada.
Pendentes
Um pendente simples, a pedra despida numa armação sóbria de prata de lei ou de ouro. Aqui a pedra tem de ser limpa, não há com que disfarçar os defeitos. Cómodo para o uso contínuo.
Pendente em gota, lapidação em pera seguindo a forma alongada natural do cristal. A vertical estiliza o pendente, e a pedra apanha a luz ao mover-se.
Com filigrana, a pedra numa armação vazada de fino fio de ouro. Trabalho manual que pede equilíbrio, para que a armação não eclipse a pedra.
Brincos
Um par de brincos de indicolite é uma tarefa complicada: há que emparelhar duas pedras que coincidam em tamanho, cor e pureza, e isso é raro. Os formatos são os mesmos, tachinhas para o dia a dia e o profissional, pendentes para a noite, versões com pedras adicionais. Os pendentes jogam com a luz ao mover a cabeça e mostram o pleocroísmo.
Pulseiras e colares
As pulseiras com indicolite são raras: ou muitas pedras pequenas, ou uma grande num sítio incómodo para o pulso. Costumam ser peças de autor. Um colar com uma única pedra grande é uma escolha de acento pouco comum, para quem valoriza o mineral em si.
As lapidações e a sua influência
A lapidação decide muito na indicolite: revela a cor, governa o pleocroísmo e protege a pedra dos lascados.
Esmeralda (escalonada), o clássico para a turmalina azul. Os planos largos mostram a cor profunda e uniforme, as facetas retas ajudam a reter o melhor tom do pleocroísmo. Vai bem com pedras saturadas.
Almofada (cushion), um quadrado arredondado de cantos suaves. Combina a profundidade da cor com o brilho, e a falta de cantos afiados torna-a uma das mais seguras para um anel de todos os dias.
Oval, estica a pedra, fá-la parecer maior e dá um bom jogo de luz. Uma escolha universal.
Brilhante redonda, máximo brilho e um contorno arredondado sem cantos vulneráveis; vai bem com pedras claras e de tom médio.
Pera e gota, sublinham a elongação natural do cristal e resultam teatrais em pendentes e brincos. A ponta afiada é vulnerável aos lascados e convém escondê-la na armação.
Cabochão, uma cúpula lisa sem facetas. Usa-se pouco para a indicolite transparente, mas é insubstituível se a pedra tiver efeito de olho de gato, que só aparece numa superfície lisa.
Como usar e cuidar da indicolite
Apesar de uma dureza respeitável de 7 a 7,5, a indicolite é mais frágil do que a safira e mais propensa aos lascados. Pode usar-se, mas tendo isso em conta.
Ao usá-la
O perigo principal é um golpe mecânico contra uma superfície dura e uma mudança brusca de temperatura. Para um anel de todos os dias é mais sensato escolher uma armação protetora que cubra a pedra por todos os lados, uma lapidação arredondada sem cantos afiados e um tamanho moderado. As formas afiadas como a pera concentram a tensão na ponta e são mais vulneráveis. O ouro branco e a platina são mais resistentes do que o ouro amarelo mole. Se a vida é ativa e o anel não se tira, é melhor reservar a indicolite para as ocasiões especiais e usar no dia a dia uma pedra mais resistente.
Limpeza
A indicolite limpa-se com água morna (não quente), sabão suave e uma escova de cerdas macias. Depois enxagua-se e seca-se com um pano sem pelos. Nada de limpadores de ultrassons nem de vapor, nada de solventes: o ultrassom e o choque térmico podem alargar microfissuras ocultas. Com um uso habitual basta limpá-la uma vez por mês e passar-lhe um pano depois de cada saída.
Conservação
Guarda-a separada de outras joias, numa bolsinha macia ou num compartimento, para que as pedras mais duras não risquem a superfície. Longe de fontes de calor e de mudanças bruscas de temperatura. Tira a peça antes de te banhares numa piscina ou no mar: o cloro e a água salgada danificam a armação e deixam uma película na pedra. Põe o perfume e os cosméticos antes da joia.
Mudanças de temperatura
O principal risco prático para a indicolite é o choque térmico. Do frio a uma divisão aquecida, da água quente ao ar frio, uma mudança brusca de temperatura pode converter uma microfissura oculta numa visível. Deixa que a pedra tempere ou arrefeça pouco a pouco, e não a aproximes de repente de um aquecedor ou de um secador.
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A indicolite e outras pedras azuis
Safira
O principal rival azul. A safira é corindo (Al₂O₃), dureza 9, mais resistente e mais conhecida pelo comprador. A indicolite é mais mole e pede cuidado, mas dá um pleocroísmo marcado e um jogo vivo de tons, e como variedade de turmalina é mais rara do que a safira. A safira é a escolha segura para o dia a dia, a indicolite a do entendido que valoriza o insólito.
Paraíba
Também uma turmalina azul, mas colorida por cobre em vez de por ferro. A Paraíba brilha por dentro com um azul esverdeado néon, a indicolite dá um azul profundo e sereno sem efeito néon. A Paraíba é uma ordem de grandeza mais rara e cara. Se a indicolite é o clássico nobre, a Paraíba é o mais raro dos fenómenos.
Tanzanite
Uma pedra azul-violácea de um único distrito da Tanzânia. Mais mole e frágil do que a indicolite, quase sempre tratada a calor. A indicolite costuma ser de um azul mais limpo sem o violeta e algo mais estável. A escolha entre ambas é questão de matiz.
Topázio azul
Comum e barato, o seu azul obtém-se quase sempre irradiando topázio incolor. Dá muita pedra brilhante por pouco dinheiro. A indicolite é incomparavelmente mais rara, o seu azul é natural e custa mais. São categorias diferentes.
Água-marinha
Azul-celeste claro, transparente, mais acessível. Fica bem junto à indicolite como um degradê de um azul suave a um profundo, e a dureza parecida facilita o cuidado de uma peça partilhada.
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Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Perguntas frequentes sobre a indicolite
A indicolite e o corante índigo são a mesma coisa?
Não. O índigo é um corante orgânico azul, historicamente de uma planta, hoje sintético. A indicolite é um mineral, uma variedade de turmalina. A pedra recebeu o seu nome pela semelhança da sua cor com esse corante, nada mais.
Em que se distingue a indicolite da safira?
São minerais diferentes. A safira é corindo (Al₂O₃), a indicolite um borossilicato do grupo da turmalina. A safira é mais dura (9 face a 7,5) e mais resistente, o seu pleocroísmo é fraco. A indicolite é mais mole e pede cuidado, mas dá um pleocroísmo forte e aparece menos. Para o uso diário a safira é mais prática, enquanto a indicolite é a escolha mais de colecionador.
Pode usar-se a indicolite num anel todos os dias?
Pode, mas com cuidado. Uma dureza de 7,5 protege dos riscos, mas o risco de lascado é maior do que na safira. Os golpes contra superfícies duras e as mudanças bruscas de temperatura são o perigo. Se a usas todos os dias, escolhe uma armação fechada protetora, uma lapidação arredondada e um tamanho moderado, e evita trabalhar com as mãos. Muitos preferem reservar a indicolite para as ocasiões especiais.
Como verifico o pleocroísmo em casa?
Olha através da pedra à luz do dia e gira-a devagar sobre o seu eixo longo. A indicolite mostrará uma mudança de cor de um azul profundo a um tom mais claro. Se a cor é a mesma de qualquer ângulo, ou não é indicolite ou é uma lapidação mal orientada. A safira sintética não dá essa mudança.
A indicolite brilha sob luz ultravioleta?
Em geral não, ou brilha muito pouco. Uma fluorescência laranja ou amarela intensa é motivo para suspeitar de vidro tingido.
A indicolite escurece com o tempo?
Não, o azul natural é estável e não desbota. A perda de brilho visível costuma dever-se a uma película de suor, gordura da pele e pó; após a limpeza o brilho volta. Se uma pedra está apagada mesmo depois de limpa, convém verificar se há microfissuras ou facetas gastas.
Aquece-se a indicolite para melhorar a sua cor?
Em geral não: a cor natural costuma ser suficientemente boa. Por vezes um aquecimento suave retira um tom esverdeado ou violeta. O tratamento é estável e admissível, mas deve figurar no certificado; as pedras sem tratamento apreciam-se mais.
Em que se distingue a indicolite da Paraíba?
Ambas são turmalinas azuis, mas a indicolite está colorida por ferro e dá um azul profundo e sereno, enquanto a Paraíba está colorida por cobre e brilha com um azul esverdeado néon. A Paraíba é uma ordem de grandeza mais rara e cara.
Existe a indicolite sintética?
Sim, a turmalina cultiva-se em laboratório; quimicamente é idêntica à natural, mas quase carece de inclusões naturais. É rara, e mais frequentemente se fazem passar por indicolite outras pedras azuis baratas. Em casos duvidosos a variedade é determinada por um laboratório gemológico.
Há indicolite com efeito de olho de gato?
Muito raramente. O efeito surge com uma multidão de inclusões aciculares paralelas e vê-se num cabochão liso. Essas pedras são uma raridade dentro da raridade.
A indicolite fica bem aos homens?
Sim. O azul profundo parece sério e sóbrio, sobretudo em anéis de sinete e botões de punho. Para uma peça masculina vão bem uma pedra grande em armação protetora, uma lapidação simples e um design minimalista.
Que tamanho é o ótimo para um anel?
Para um anel de todos os dias são razoáveis um quilate e meio ou dois: a pedra mostra a sua cor e o seu pleocroísmo, mas fica protegida. Acima de três quilates, um acento notável para ocasiões especiais. As pedras muito pequenas, abaixo de meio quilate, perdem o jogo de cor pelo qual se valoriza a indicolite.
Combina melhor a indicolite com ouro ou com prata?
Os metais frios, o ouro branco e a platina, realçam o azul e dão um estilo sóbrio. A prata harmoniza bem também, mas pede cuidado contra o enegrecimento. O ouro amarelo dá um contraste quente que encaixa mais num estilo vintage.
Pode transmitir-se a indicolite como herança?
Sim. Com uma conservação cuidadosa a pedra não desbota nem se degrada, e os exemplares antigos luzem como quando foram comprados. Transmite-a junto com o certificado e os dados de proveniência, e revê o engaste de vez em quando.
O que fazer se uma indicolite se fissurar?
Tira a peça e leva-a a um joalheiro ou gemólogo. Por vezes a fissura é superficial e a pedra pode relapidar-se, por vezes o dano é mais sério. Existe o preenchimento de fissuras, mas os colecionadores consideram-no uma intervenção que rebaixa o valor. A melhor prevenção é uma armação protetora e cuidado com os golpes e o choque térmico.
Sobre a Zevira
Na coleção da Zevira a indicolite aparece como parte do sortido de pedras azuis raras, para quem valoriza a raridade gemológica e um azul natural. Escolhemos a lapidação para que a cor se abra por completo, e a armação para que a pedra fique protegida ao usar-se. Não há duas indicolites iguais, por isso cada peça com ela é única à sua maneira.
Cada pedra vai acompanhada dos dados da sua variedade, cor e tratamento, e para os exemplares mais caros, de um relatório gemológico e recomendações de cuidado. Se escolheres a indicolite como pedra azul rara para o dia a dia ou para uma ocasião especial, ajudar-te-emos a encontrar o que esteja em sintonia com o teu gosto.
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