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Cubo de Metatron: significado do símbolo de geometria sagrada e o mapa dos cinco sólidos platónicos

Cubo de Metatron: significado do símbolo de geometria sagrada e o mapa dos cinco sólidos platónicos

Introdução: o plano que herdou o nome do escriba dos céus

A figura que hoje se grava em pendentes como sinal de harmonia recebeu o seu nome do arcanjo escriba da mística judaica, e a sua delicada teia de treze círculos guarda no interior os cinco «corpos perfeitos» com que Platão explicava a estrutura do mundo. A coincidência entre o nome e o conteúdo não é fortuita, e desvendá-la revela-se mais interessante do que parece à primeira vista.

O cubo de Metatron é um plano bidimensional em que treze círculos idênticos se unem por linhas retas traçadas entre todos os seus centros. Ao primeiro olhar parece apenas uma bela grelha, um floco de neve simétrico feito de circunferências e raios. Basta, porém, observar com atenção para que, no emaranhado de linhas, comecem a assomar os contornos dos poliedros regulares: o tetraedro, o cubo, o octaedro, o dodecaedro e o icosaedro. É por isso que a figura agrada tanto aos entusiastas da geometria sagrada: apresenta-se como um mapa compacto de todas as formas básicas do espaço.

Este guia percorre com honestidade e por ordem três camadas do tema. Primeiro a geometria: como se constrói a figura e o que ela esconde. Depois a história do nome: quem é Metatron e por que razão foi ligado a este plano. E por fim a prática da joia: com que materiais se fazem os pendentes, a quem assentam bem e como se oferecem. Onde começa o esoterismo, com as suas «energias» e «campos de proteção», dizê-lo-emos com clareza: é a linguagem de uma tradição espiritual, não física comprovável. Mas a geometria da figura, o destino do seu nome e o seu lugar entre outros símbolos merecem um relato sereno e atento.

Convém esclarecer o nome logo de início. «Cubo de Metatron» soa estranho, porque a figura se parece pouco com um cubo. O nome chegou-lhe de um dos sólidos platónicos escondidos no seu interior: de entre os cinco, o cubo é o que mais claramente se distingue neste plano. Por isso «cubo», aqui, é uma etiqueta do conteúdo, e não uma descrição do aspeto exterior.

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O que é o cubo de Metatron: 13 círculos e as linhas entre eles

O fruto da vida: treze círculos na base

Na base do cubo de Metatron está a figura que a geometria sagrada chama «o fruto da vida». São treze círculos idênticos dispostos num cacho denso e simétrico: um ao centro, seis colados à sua volta e outros seis no anel exterior. O resultado é uma roseta compacta de seis pontas, onde cada círculo toca os vizinhos com exatidão, sem folgas. O fruto da vida, por sua vez, deriva da «flor da vida», uma rede mais ampla de circunferências que se cruzam, da qual se selecionam precisamente estes treze círculos. Assim, o cubo de Metatron encerra uma longa genealogia de padrões de círculos, em que cada figura seguinte é mais rigorosa e compacta do que a anterior.

Como se unem os centros por linhas

A partir daqui tudo é simples e rigoroso. Tomam-se os centros dos treze círculos e liga-se cada um a todos os demais por uma linha reta. Treze pontos dão uma rede bastante densa de segmentos, e essa rede, sobreposta à roseta de círculos, é justamente o cubo de Metatron. Nenhuma linha se traça «a olho» nem por capricho estético: a regra é uma só, unir todos os centros entre si, e a figura nasce por si mesma dessa regra. É por isso que a valorizam tanto os amantes das construções exatas: no plano não há um único detalhe ao acaso, tudo é ditado pela grelha de pontos inicial.

O que assoma no emaranhado

Uma vez traçadas as linhas, começam a ler-se na figura formas reconhecíveis. Ao centro vê-se um hexágono, à sua volta raios em estrela, e, se seguirmos determinados grupos de segmentos, surgem as silhuetas de corpos tridimensionais mostrados em projeção plana. O olho completa o volume por si próprio, como diante da planta de um cristal ou de um modelo de arame. Essa capacidade da figura para «esconder» poliedros é o que a torna tão atraente: parece uma fórmula condensada num único desenho.

Cada um dos corpos escondidos tem a sua própria contagem rigorosa de faces, arestas e vértices, e é precisamente essa contagem que denuncia a forma no plano. O tetraedro tem quatro faces, seis arestas e quatro vértices; o cubo, seis faces, doze arestas e oito vértices; o octaedro, oito faces e apenas seis vértices. Entre estes corpos há uma relação elegante: o cubo e o octaedro são duais um do outro, isto é, os centros das faces de um dão os vértices do outro, e do mesmo modo se relacionam o dodecaedro e o icosaedro, enquanto o tetraedro é dual de si mesmo. Os cinco obedecem, além disso, à mesma fórmula de Euler, em que o número de vértices menos o número de arestas mais o número de faces dá sempre dois. Essa aritmética silenciosa é exatamente a armação que o olho capta no emaranhado de linhas, mesmo quando não a conhece de cor.

Simetria e ordem da figura

A beleza do cubo de Metatron assenta na sua elevada simetria. A figura pode rodar-se em passos de sessenta graus e refletir-se de muitas maneiras diferentes, e continuará a coincidir consigo mesma. Treze círculos, distâncias iguais e uma única regra de união produzem uma sensação de ordem total, onde nada se pode retirar nem deslocar. Essa ordem é lida pelo olho como harmonia ainda antes de qualquer interpretação simbólica, e é em grande medida sobre ela que assenta a popularidade da figura na joalharia e no design gráfico.

O cubo de Metatron ama o aço e uma gola preta. Os pastéis e o dourado não lhe assentam; esta figura é de sangue frio.
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Que metal e acabamento prefere?

Como usar o cubo de Metatron: com que combinar, metal e comprimento da corrente

O cubo de Metatron sustenta o visual pelo contraste, e não pelo brilho, por isso construo-o a partir do fundo do tecido e da temperatura do metal. Reuni aqui o que mais aconselho às minhas clientes conforme a ocasião.

Com que usar o cubo de Metatron no dia a dia? Para um look de todos os dias recomendo um disco plano de 2 a 2,5 cm sobre uma corrente de comprimento médio, por cima de um tecido liso. A densa rede de linhas compete com o padrão, por isso escolho um fundo uniforme: cinzento, preto, grafite, azul-marinho. A prata sobre um tecido frio lê-se limpa, e sobre o algodão claro o plano assoma como uma marca fina.

Que metal escolher conforme a cor da roupa? O metal escolho-o pela temperatura do conjunto. A prata fria aconselho-a com o cinzento, o grafite, o preto, o azul-marinho; o dourado quente, com o areia, o chocolate, o verde-azeitona. Um só metal em todo o visual mantém a imagem recolhida, por isso não aconselho misturar prata e ouro no mesmo conjunto. Para o cubo de Metatron escolho mais vezes o aço e a prata: o tom frio assenta melhor a esta figura do que o quente.

Como escolher o comprimento da corrente? O comprimento ajusto-o ao decote. Para um pescoço aberto ou um decote pouco fundo aconselho uma corrente curta de cerca de 45 cm: o disco cai na zona da clavícula, onde o plano melhor se lê. Para uma parte de cima fechada, recomendo baixar o pendente para 50-55 cm, sobre a parte alta do peito. As compridas, de 60 a 70 cm, reservo-as para um look por camadas de várias correntes. A um disco grande e pesado procuro uma corrente mais robusta, e a uma placa fina assenta bem uma corrente leve.

Que tamanho escolher conforme o tecido e a ocasião? Aqui decido conforme a finalidade. Uma placa vazada grande de 3 a 4 cm desdobro-a sobre um tecido liso, onde a rede de linhas joga em contraluz e se torna um acento. Um disco gravado pequeno, de cerca de 2 cm, recomendo-o por baixo da camisa, quando o cubo fica como sinal pessoal: não prende com as bordas e desliza tranquilo sob a gola. Para uma malha delicada aconselho a versão gravada sem vazados, já que as finas pontes prendem os pontos do tecido.

O que encaixa no escritório e o que para sair? Para o dia a dia e os ambientes sóbrios escolho um disco gravado ou um anel de sinete, onde o plano se lê como um motivo geométrico limpo e não como uma declaração esotérica. Para a noite, pelo contrário, recomendo uma placa vazada grande ou um disco oxidado sobre uma corrente comprida, por baixo de um tecido escuro e liso. A prata polida joga sobre os tecidos claros, e o oxidado acrescenta caráter gráfico e desdobra-se sobre o preto.

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Quem é Metatron

O arcanjo escriba e o livro de Enoque

Metatron é uma figura da tradição mística judaica, onde surge como o anjo supremo, o escriba da chancelaria celeste que mantém o registo dos atos do mundo. Em parte dos textos é ligado ao patriarca Enoque: segundo essa tradição, o justo Enoque, «levado» ao céu, foi transformado no anjo Metatron e colocado a lavrar os registos diante do trono. Daí a sua imagem fixa, um anjo com pena e pergaminho, guardião do arquivo celeste. Convém manter o enquadramento de facto cultural: contamo-lo como um episódio marcante da literatura religiosa, e não como um dogma que se deva aceitar como artigo de fé.

O relato desenvolve-se com mais pormenor num texto místico tardio conhecido como «Séfer Hekhalot», ou Terceiro livro de Enoque. Nele, Enoque, o sétimo justo desde Adão, ascende ao céu e transforma-se no gigantesco anjo Metatron, ao qual se atribui um trono junto à entrada do palácio supremo e se concedem setenta nomes. O mesmo texto dá-lhe um aspeto quase impossível: um corpo cheio de fogo, asas que cobrem toda a largura do firmamento e uma multidão de olhos para tudo ver ao mesmo tempo. A Metatron é concedido ainda o título de «príncipe da face», sar ha-panim, o anjo a quem é permitido estar de pé diante do próprio trono, e não servir de longe. Desta fusão entre um homem mortal e um servidor supremo nasceu a imagem do escriba celeste cujo nome viria mais tarde a passar ao plano geométrico.

«O pequeno Javé» e o seu lugar na Cabala

Em alguns textos místicos dá-se a Metatron um título contundente, chamando-lhe «o pequeno Javé», ou seja, o mediador através do qual a presença suprema entra em contacto com o mundo criado. Mais tarde, já na Cabala, a figura de Metatron passou a integrar a linguagem comum para descrever as hierarquias angélicas e os mundos celestes. A ligação concreta entre este arcanjo e o plano geométrico surgiu tarde, nos círculos da geometria sagrada contemporânea, onde se revelou cómodo unir Metatron, guardião da ordem e do registo do mundo, a uma figura que aspirava ao papel de «mapa» de todas as formas. Não existe aqui uma linha direta e antiga que vá da Cabala ao pendente, e o mais honesto é dizer que o nome do arcanjo aderiu ao plano já no nosso tempo, apoiando-se na sua reputação de escriba celeste.

Os cinco sólidos platónicos dentro do cubo

O que são os sólidos platónicos

Os sólidos platónicos são os cinco poliedros convexos regulares em que todas as faces são polígonos regulares iguais e todos os vértices estão dispostos da mesma maneira. São exatamente cinco, e não é possível construir mais nenhum no espaço tridimensional: é um facto geométrico demonstrado. O tetraedro, de quatro triângulos; o cubo, de seis quadrados; o octaedro, de oito triângulos; o dodecaedro, de doze pentágonos; e o icosaedro, de vinte triângulos. Já Platão, no diálogo «Timeu», associou estas formas aos elementos, e essa associação mantém-se na cultura até hoje.

Tetraedro e cubo: fogo e terra

No sistema do «Timeu», o tetraedro corresponde ao fogo: uma forma afiada, leve, penetrante, que parece picar como uma chama. Ao cubo coube a terra: estável, pesado, assente com firmeza sobre a sua face, lido como imagem do chão firme debaixo dos pés. Estas duas formas são as mais fáceis de reconhecer no plano do cubo de Metatron, e foi justamente o cubo que deu o nome à figura. O tetraedro, por seu lado, liga o cubo de Metatron a outro símbolo conhecido, pois o tetraedro estelado é a base geométrica da merkaba, onde duas pirâmides encontradas formam uma estrela com volume.

Octaedro e icosaedro: ar e água

O octaedro, um corpo de oito faces formado por duas pirâmides unidas pela base, foi por Platão atribuído ao ar: uma forma móvel, intermédia, como que suspensa entre o céu e a terra. O icosaedro, com as suas vinte faces triangulares, coube à água: quantas mais faces pequenas tem um corpo, mais se aproxima da esfera e com mais facilidade «rola», como uma gota. Na lógica do «Timeu» isto não é uma licença poética, mas uma tentativa de explicar as propriedades dos elementos através da forma das suas partículas mais diminutas. A ideia revelou-se errada enquanto física, mas extraordinariamente duradoura enquanto símbolo.

Dodecaedro: o quinto elemento

O quinto corpo, o dodecaedro de doze pentágonos, ocupa um lugar à parte. No sistema não lhe coube um elemento corrente, e Platão associou-o com cautela ao cosmos inteiro, àquilo de que «é feito o céu». A tradição posterior atribuiu ao dodecaedro o papel de quinto elemento, o éter, a substância das esferas superiores. No plano do cubo de Metatron, o dodecaedro é o mais difícil de distinguir, e os entusiastas discutem se de facto ali se lê com honestidade ou se é preciso «completar» o seu contorno com a imaginação. Este pormenor importa para um olhar sóbrio: nem todos os cinco corpos assomam na figura com a mesma clareza.

Por que é Metatron quem sustenta estes corpos

A ligação entre os cinco sólidos platónicos e precisamente este arcanjo não é fortuita aos olhos da geometria sagrada contemporânea, ainda que tenha nascido tarde. Metatron, segundo a tradição, mantém o registo do mundo e guarda a sua ordem e a sua medida, e os cinco corpos regulares foram também considerados pela cultura antiga como os tijolos com que está construído o que existe. Unir o guardião do registo ao plano de todas as formas básicas revelou-se um lance belo: a figura torna-se, de certo modo, esse mesmo livro onde está escrita a geometria da criação. Convém sustentar isto como uma imagem poética, e não como um facto histórico. Os antigos cabalistas não desenhavam semelhante plano; o nome aderiu à grelha de linhas já no século XX, graças a autores que se apoiaram na reputação de Metatron como escriba celeste e guardião da ordem.

Como se escondem os corpos no plano

A ideia do cubo de Metatron é que os cinco corpos regulares se podem derivar das suas linhas unindo certos nós. O tetraedro, o cubo e o octaedro leem-se com bastante clareza na projeção; o icosaedro, e sobretudo o dodecaedro, exigem boa vontade e imaginação. Convém entendê-lo como um belo jogo geométrico, e não como um teorema rigoroso: a figura é, de facto, rica em formas regulares, mas a afirmação de que «contém exatamente os cinco corpos» é mais uma generalização simbólica do que uma demonstração matemática. Com isto o plano não perde encanto; pelo contrário, deixa espaço de sobra para se continuar a observá-lo.

Rodela geométrica vazada do século XI
Uma rodela geométrica de manufatura medieval: as linhas entre os pontos dispostos em círculo dialogam com a teia do cubo de Metatron.Roundel, 11th century. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Observar com vagar é aqui a palavra-chave. O cubo de Metatron recompensa quem detém o olhar sobre ele: primeiro vê-se apenas a roseta de círculos, depois a rede de linhas, a seguir os poliedros um a um, e cada camada seguinte não se revela de imediato. Numa joia isto joga a favor de quem a usa, porque a figura finamente gravada num pendente resulta, de perto, mais complexa do que de longe, e pode contemplar-se por muito tempo.

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Significado e simbolismo do cubo de Metatron

Estrutura e ordem do universo

O significado principal atribuído ao cubo de Metatron é a imagem de um mundo ordenado. Uma vez que numa só figura se reúnem todas as formas básicas do espaço, ela é lida como um mapa compacto da estrutura do que existe, onde o caos fica recolhido numa rede rigorosa. Quem usa este sinal traz consigo, de algum modo, o lembrete de que por detrás da desordem visível há uma ordem, de que o mundo obedece a regras que se podem contar. É uma leitura serena, quase de engenharia, do símbolo, e é a que mais se aproxima daquilo que a figura é na realidade: geometria, não magia.

Equilíbrio e um centro único

O segundo significado decorre da própria estrutura da figura. O cubo de Metatron tem um centro nítido de onde partem simetricamente todas as linhas, e uma multidão de raios equilibrados à sua volta. Esse esquema é lido como imagem de equilíbrio, de recolhimento em torno de um eixo, de regresso ao centro. Nesse sentido, a figura usa-se como sinal de apoio interior, como um lembrete silencioso de manter o balanço entre a atividade e o repouso. A ação simbólica aqui é plenamente real no plano psicológico: uma forma equilibrada e regular ajuda a concentrar, como qualquer âncora da atenção.

Proteção e plano-amuleto

No uso esotérico quotidiano, o cubo de Metatron usa-se muitas vezes como amuleto e como «filtro» do negativo, ligando o seu papel protetor à imagem do arcanjo guardião. Aqui é preciso honestidade. A figura não cria qualquer campo mensurável em torno da pessoa, e a proteção de que se fala funciona no plano psicológico: um sinal familiar à mão devolve a sensação de apoio num momento de inquietação. É o mesmo mecanismo de qualquer objeto «de sorte», e é real sem nenhuma metafísica. Pode usar-se o cubo de Metatron como amuleto pessoal, entendendo onde termina o símbolo e onde começa a imaginação. Uma lógica aparentada de sinal-guardião é analisada também pelo artigo sobre a árvore da vida, onde igualmente se vê como a forma se converte em apoio do sentido.

O número treze e a plenitude do círculo

Um sentido à parte é dado à figura pela sua própria contagem: treze círculos, seis interiores, seis exteriores e um ao centro. O número treze tem, em diferentes culturas, uma reputação ambivalente, entre o funesto e o sagrado, mas aqui não nasce da superstição, e sim da geometria do empacotamento compacto: são precisamente treze círculos idênticos os que cabem à volta de um centro comum, formando uma roseta regular e sem folgas. Simbolicamente lê-se como plenitude, um círculo fechado onde em torno de um único centro se reúne tudo o necessário e nada sobra. Alguns veem nisso a imagem de uma comunidade à volta de um mestre; outros simplesmente apreciam o rigor com que a forma dita o número. Nenhuma destas leituras é obrigatória, mas a própria coincidência entre o empacotamento rigoroso e o número «completo» acrescenta peso à figura aos olhos de quem procura sentido na geometria.

Onde termina a geometria e começa a crença

Convém traçar uma fronteira clara. As afirmações de que o cubo de Metatron «harmoniza a energia», «purifica o espaço» ou «ativa vibrações superiores» pertencem à linguagem do esoterismo contemporâneo, e não a um conhecimento comprovável. Não há nelas física que se possa medir, e apresentá-las como um facto demonstrado não é honesto. Isto não torna a figura pior: como imagem de ordem, como geometria bela e como âncora da concentração, ela cumpre honestamente a sua função. Importa apenas distinguir duas coisas: a própria construção de círculos e linhas, que é rigorosa e objetiva, e as camadas metafísicas acrescentadas sobre ela, que cada um aceita exatamente na medida em que lhe sejam próximas.

Brinco vazado com motivo geométrico
Os ourives construíam tramas vazadas a partir de nós repetidos, tal como a figura de treze círculos.Earring, One of a Pair, 11th-12th century. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

O cubo de Metatron na história e na cultura da forma

Os poliedros como linguagem da harmonia

A ideia de que os corpos regulares exprimem a ordem do universo é mais de dois mil anos mais antiga do que qualquer esoterismo. Já os pitagóricos e Platão viam na geometria um discurso sobre a essência mesma das coisas, e não uma simples ferramenta de agrimensor. Os poliedros regulares pareciam-lhes perfeitos porque neles não há nada supérfluo nem arbitrário: a forma é ditada por inteiro por uma regra. Quando os autores da geometria sagrada contemporânea regressaram aos cinco corpos e os reuniram num só plano, apoiaram-se nessa antiga camada cultural, onde a forma pura era lida como a planta da natureza. O cubo de Metatron herdou o encanto dessa tradição: parece uma fórmula congelada em metal.

O Renascimento e o fascínio pelos corpos regulares

Muito antes dos pendentes, os corpos regulares e estelados viviam na matemática pura e na arte. Os mestres do Renascimento, fascinados pela perspetiva e pela proporção, desenhavam, talhavam e compunham poliedros complexos, e inseriam-nos na marchetaria de madeira e nas gravuras. Para os artistas da época, os corpos regulares eram o cume da harmonia visível, e convertiam de bom grado a geometria em ornamento. Johannes Kepler, no início do século XVII, incorporou os cinco sólidos platónicos num modelo do cosmos, tentando explicar através deles as distâncias entre os planetas. O modelo não se confirmou como astronomia, mas ficou como monumento à fé na ordem geométrica do mundo. Assim, as formas que hoje se escondem no cubo de Metatron têm um rasto plenamente académico que recua vários séculos.

Por que há exatamente cinco corpos regulares

Uma das razões por que os sólidos platónicos fascinam tanto é a sua exata enumerabilidade. Não «calharam» ser cinco por acaso, e não podem ser nem quatro nem seis: está demonstrado que no espaço tridimensional existem exatamente cinco poliedros convexos em que todas as faces são polígonos regulares iguais e todos os vértices estão dispostos da mesma maneira. A razão está na aritmética simples dos ângulos: para que à volta de um vértice se juntem três ou mais faces iguais e sobre espaço para dobrar a figura em volume, só servem o triângulo, o quadrado e o pentágono, num número contado de combinações. Os hexágonos já encaixam no plano sem folgas e não formam volume. Essa completude, exatamente cinco e nem mais um, dá ao cubo de Metatron a sua plenitude simbólica: remete não para um conjunto arbitrário de formas, mas para uma lista fechada e demonstrada.

O que atrai na geometria pura

A geometria regular tem uma força magnética serena que não exige qualquer misticismo. A simetria, as faces iguais, os ângulos limpos são percebidos pelo olho como ordem, e a ordem atrai. O cubo de Metatron une essa clareza à riqueza: num só plano reúnem-se muitas formas ao mesmo tempo, e pode contemplar-se por muito tempo, encontrando de cada vez uma linha nova. Daí a sua popularidade entre quem valoriza o minimalismo e a beleza matemática à margem de todo o esoterismo. Para essas pessoas a figura funciona como um elegante quebra-cabeças ao pescoço, e não como um amuleto.

Materiais e como se usa o cubo de Metatron

Pendente-plano em prata

A variante mais expressiva é o pendente em que o cubo de Metatron se representa por meio de um vazado fino ou de uma gravura sobre uma placa circular. A figura é plana por natureza, por isso a sua forma honesta é justamente um disco plano com o plano gravado, e não uma armação com volume. Este tipo de pendente faz-se quase sempre em prata de lei 925: o metal sustenta bem as linhas finas e reflete com beleza a luz nos vazados. O diâmetro costuma ser de 2 a 3 cm, para que a densa rede de linhas se leia sem se confundir. Segmento médio, geometria serena sem brilho a mais.

Gravura e linha plana

Uma opção mais discreta é a gravura do plano sobre uma placa lisa, sem vazados. Aqui a figura lê-se como um desenho fino, quase como a marca de um selo, e fica bem sobre um fundo mate ou ligeiramente escurecido. O pendente gravado é mais prático do que o vazado: não prende as bordas na roupa, desliza tranquilo por baixo da camisa e funciona como um sinal pessoal discreto. Segmento económico e médio, cómodo para o uso diário.

Metais e acabamentos

A prata polida é universal e realça a limpidez das linhas. A prata dourada dá um tom quente e assenta com mais suavidade sobre uma pele de subtom quente. O ouro de 14 a 18 quilates é a versão premium e duradoura para quem usa o símbolo de forma constante. A prata oxidada, com os interstícios escurecidos, torna o plano gráfico, quase como tinta sobre papel, e desdobra-se bem sobre a pele clara e os tecidos escuros. Uma regra simples: o minimalismo frio ama a prata polida, a estética gráfica ama o oxidado, e a pele quente dá-se bem com o ouro.

Tamanho e como se lê a figura

O tamanho não muda o sentido, mas sim o volume da mensagem. Um pendente de cerca de 2 cm lê-se como um símbolo pessoal discreto, apropriado tanto no dia a dia como sob um decote pouco fundo, embora a sua densa rede de linhas exija uma execução cuidada. Um disco de 2,5 a 3 cm mostra o plano em toda a sua plenitude, e cada linha se vê com clareza. Uma placa grande de 4 cm ou mais converte a figura num acento marcante para um visual expressivo. Escolha o tamanho conforme o grau de detalhe com que quer que o plano se leia, porque quanto maior é o disco, com mais riqueza assomam as formas escondidas.

Cuidado do pendente com o plano

O cubo de Metatron vazado, com as suas finas pontes e a sua multidão de pequenos interstícios, acumula pó e restos de cosmética nos lugares de difícil acesso. Uma escova de dentes macia com uma gota de água com sabão limpa com facilidade a rede de vazados; depois enxagua-se a peça e seca-se bem. Para as peças oxidadas é melhor não aplicar limpeza por ultrassons, já que retira a pátina dos interstícios, que é precisamente a razão de ser desse acabamento. Nesse caso convém polir apenas as linhas exteriores em relevo, deixando escuras as reentrâncias, para conservar o contraste. A prata escurece com o tempo por si mesma, sobretudo em ambientes húmidos, e o ligeiro véu retira-se com um pano próprio para prata. O disco gravado dá menos trabalho, mas também convém limpar as suas linhas de vez em quando para que o desenho não se esbata. As versões douradas exigem mais cuidado: o banho gasta-se aos poucos nas zonas mais salientes, por isso convém esfregá-las menos e retirar a peça antes do duche e do desporto.

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Como escolher o cubo de Metatron

Vazado ou gravado

A primeira decisão é a técnica com que se representa o plano. O pendente vazado mostra a figura em contraluz: a rede de linhas funciona como uma renda, a luz atravessa os interstícios e o sinal lê-se de longe. Esse disco é mais vistoso, mas exige um trabalho cuidado, porque as finas pontes entre os vazados são frágeis e uma execução barata resulta com facilidade em torceduras. O pendente gravado transmite o plano como um desenho sobre uma placa lisa. É mais resistente, mais discreto, não prende com as bordas e encaixa melhor no dia a dia e por baixo da roupa. Se a figura importa como sinal marcante, escolhe-se o vazado; se importa como símbolo pessoal silencioso, o gravado.

O que verificar antes de comprar

No cubo de Metatron o decisivo é a precisão das linhas. O plano constrói-se segundo uma regra rigorosa, e qualquer desvio denuncia de imediato um trabalho descuidado: as linhas devem ter uma espessura uniforme, os interstícios devem ser iguais, a simetria deve ser regular por todos os lados. Num disco vazado, verifique as pontes: não devem ser demasiado finas, ou com o tempo dobram-se e partem. Repare em como o pendente se fixa à corrente: num disco plano, a argola deve assentar com firmeza para que a figura não penda para o corpo. Se o plano incorpora uma pedra ou esmalte, certifique-se de que o engaste é firme e não sobressai da superfície prendendo o tecido.

Pendente ou tatuagem

O cubo de Metatron tatua-se muitas vezes, sobretudo no antebraço, nas costas ou no peito, onde uma figura simétrica assenta bem. A joia funciona como uma versão mais suave e reversível do mesmo motivo: o sentido é o mesmo, mas a decisão não é definitiva. O pendente pode retirar-se, mudar de tamanho, transmitir-se ou oferecer-se, enquanto a tatuagem fica para sempre. Se tem dúvidas, é razoável começar pela joia: permite viver o símbolo sem dar um passo irreversível, e o metal, o tamanho e o comprimento da corrente adaptam-se com facilidade ao visual e à ocasião. Muitas pessoas usam ambas as coisas, repetindo num pendente o desenho da tatuagem.

A quem fica bem e como se oferece

A quem este sinal é próximo

O cubo de Metatron assenta bem a quem ama as coisas com sentido e valoriza a pureza matemática da forma. Aos amantes da geometria sagrada e do minimalismo, a figura agrada por si mesma, como uma bela fórmula em metal, parente da flor da vida e dos sólidos platónicos. A quem pratica a meditação, é próxima como imagem de ordem e de centramento; a simetria regular ajuda a concentrar. Às pessoas interessadas na história dos símbolos, o plano é curioso pelo seu duplo destino, da rigorosa geometria dos corpos regulares ao nome do escriba celeste. E aos amantes do grafismo e das joias geométricas fica bem por pura estética, por essa fina rede de linhas que convida a contemplá-la.

O cubo de Metatron como presente

Como presente, a figura funciona muito bem. A imagem de ordem e equilíbrio soa adequada para quase qualquer destinatário, e a história do nome, de Platão ao arcanjo escriba, dá pano para um cartão caloroso com uma breve explicação. Oferece-se tanto um cubo de Metatron neutro, como geometria bonita, a quem está longe do esoterismo, como um amuleto conscientemente espiritual a quem se move nesse mundo. O formato mais seguro é um pendente gravado ou vazado em prata, de tamanho médio, sobre uma corrente: assenta bem à maioria e não impõe nem género nem estilo. A possibilidade de acrescentar uma gravura pessoal no verso torna o presente ainda mais íntimo.

Versão masculina e feminina

A figura é neutra, não tem nada de especificamente masculino nem feminino, e é usada por pessoas de qualquer género. A diferença está apenas no tamanho e no metal. Nos visuais masculinos costuma escolher-se um disco grande em prata ou metal enegrecido sobre uma corrente robusta, onde o plano funciona como acento gráfico. Nas versões femininas são frequentes tanto os pendentes finos e pequenos como os pendentes vazados de tamanho médio e os brincos com uma versão em miniatura da figura. Se o cubo de Metatron se escolhe como joia para dois, costuma optar-se pelo mesmo plano em tamanhos diferentes, um maior e outro mais pequeno.

O cubo de Metatron e símbolos afins: forma, tradição, significado
SímboloFormaTradiçãoSignificado
Cubo de MetatronUm desenho plano de 13 círculos e linhas entre os centrosGeometria sagrada, nome do arcanjo escribaA ordem do cosmos, a plenitude das formas, equilíbrio e centro
Flor da vidaUm padrão de muitos círculos iguais que se cruzamGeometria sagrada, o padrão de origem do cubo de MetatronUnidade e geração de formas; dele se deriva o desenho
Fruto da vidaTreze círculos numa roseta compacta, a base do desenhoGeometria sagrada, o passo entre a flor e o cuboUma plenitude selecionada, o esqueleto do futuro cubo de Metatron
MerkabaUm tetraedro estelado tridimensional de duas pirâmidesGeometria sagrada, esoterismo do século XXEquilíbrio dos opostos, união de terra e céu, ascensão
Selo de SalomãoUm hexagrama, por vezes com um círculo ou inscriçõesA tradição medieval de talismãs e amuletosUm sinal protetor, a lenda do poder de Salomão sobre os espíritos
Os cinco sólidos platónicosCinco poliedros regulares escondidos no desenhoGeometria e o Timeu de Platão, ligação com os elementosFogo, terra, ar, água e éter, os tijolos do cosmos

O cubo de Metatron e os seus vizinhos: a flor da vida, a merkaba, o selo de Salomão

O cubo de Metatron e a flor da vida

A flor da vida é um padrão formado por uma multidão de circunferências iguais que se cruzam, do qual, segundo a lógica da geometria sagrada, se derivam tanto o fruto da vida como o próprio cubo de Metatron. A sua relação é direta, como a de um padrão original e o plano que dele se deriva. A flor da vida é mais suave e decorativa, uma rede de círculos sem linhas retas, enquanto o cubo de Metatron é mais rigoroso e «de engenharia», uma rede de segmentos entre centros selecionados. Como está construído o próprio padrão original e de onde se tomam esses treze círculos concretos, analisa em pormenor o artigo sobre a flor da vida. Na joalharia colocam-se muitas vezes juntas ou usam-se num mesmo conjunto, porque juntas se leem como o padrão e o plano dele derivado.

O cubo de Metatron e a merkaba

A merkaba é uma estrela com volume formada por dois tetraedros encontrados, o tetraedro estelado. Com o cubo de Metatron o que a aparenta é justamente o tetraedro: esta forma figura entre os corpos que se derivam do plano, e por isso se considera a merkaba uma das figuras com volume «escondidas» no cubo. A diferença está na dimensão e no acento: o cubo de Metatron é um mapa plano de muitas formas ao mesmo tempo, e a merkaba é uma forma concreta levada ao volume. Uma análise detalhada da estrela com volume encontra-se no artigo sobre o significado da merkaba, onde se vê como do plano bidimensional nasce um símbolo tridimensional.

O cubo de Metatron e o selo de Salomão

Com o selo de Salomão, o cubo de Metatron só se aparenta pela pertença à mesma família de sinais geométricos e pela presença de motivos hexagonais. Na essência são coisas distintas. O selo de Salomão é, antes de mais, um sinal protetor e mágico da tradição medieval dos talismãs, representado muitas vezes como hexagrama, e está estreitamente ligado às lendas sobre o poder do rei Salomão sobre os espíritos. O cubo de Metatron é um plano de geometria sagrada sobre a ordem e a estrutura das formas. Como está construída a genealogia dos sinais de seis pontas mostra-o uma análise à parte do significado do selo de Salomão.

O cubo de Metatron e o pentagrama

Com o pentagrama, o cubo de Metatron aparenta-se ainda menos, para além da pertença aos símbolos geométricos preferidos do esoterismo. O pentagrama é uma estrela plana de cinco pontas, traçada com uma só linha contínua, e os seus significados giram em torno dos cinco elementos e dos cinco sentidos. O cubo de Metatron é uma densa rede de treze círculos e as linhas entre eles, e o seu tema é a ordem e a plenitude das formas. A quem queira comparar a estrutura de ambos os sinais será útil a análise do significado do pentagrama: um ao lado do outro vê-se até que ponto estão construídos de forma diferente uma estrela minimalista de uma só linha e um plano de múltiplas camadas.

Verdades e mitos sobre o cubo de Metatron
No cubo de Metatron estão matematicamente demonstrados os cinco sólidos platónicos
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O cubo de Metatron é uma figura antiga que já os cabalistas traçavam
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O cubo de Metatron limpa a energia e protege o espaço, e está demonstrado
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A figura chama-se cubo porque se parece com um cubo
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Metatron é uma personagem inventada sem raízes na tradição
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O cubo de Metatron só o podem usar quem se interessa pelo esoterismo
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A desmontar ideias erradas

Em torno do cubo de Metatron acumularam-se muitas afirmações categóricas que convém analisar com calma. Algumas apresentam um belo jogo simbólico como se fosse um facto matemático rigoroso; outras apresentam a metafísica como conhecimento demonstrado. Ficam aqui algumas das mais frequentes.

Primeira ideia errada: a de que no cubo de Metatron está «matematicamente demonstrado» que se contêm os cinco sólidos platónicos. Na realidade, o tetraedro, o cubo e o octaedro leem-se no plano com bastante clareza, ao passo que o icosaedro, e sobretudo o dodecaedro, é preciso «completá-los» em boa medida. É uma bela generalização simbólica, não um teorema.

Segunda ideia errada: a de que o cubo de Metatron é uma figura antiga que já os cabalistas ou o próprio arcanjo traçavam. A roseta de círculos e os corpos regulares são, de facto, antigos, mas a ligação concreta deste plano ao nome de Metatron formou-se tarde, na geometria sagrada contemporânea. O nome aderiu à figura já no nosso tempo.

Terceira ideia errada: a de que a figura «purifica a energia» e «protege o espaço», e que isto funciona fisicamente. O plano não cria qualquer campo mensurável em torno da pessoa. A sua utilidade é psicológica, como a de qualquer âncora da atenção, e o mais honesto é falar dela assim, sem fazer passar a crença por física.

Dados que surpreendem

O cubo de Metatron é uma dessas figuras em que a cada passo se esconde algo inesperado. Ficam aqui vários dados que mudam o olhar sobre este símbolo.

Primeiro. A figura recebeu o nome de um anjo que a tradição considera um antigo ser humano. Segundo uma das versões, o arcanjo Metatron é o patriarca Enoque transformado, «levado» ao céu e posto a cargo dos registos celestes. Acontece que o plano leva o nome de um escriba celeste que outrora foi mortal.

Segundo. Os corpos regulares escondidos no plano são exatamente cinco, e em princípio não pode haver mais. É um facto geométrico rigorosamente demonstrado: no espaço tridimensional só existem cinco poliedros convexos em que todas as faces e todos os vértices são iguais. O cubo de Metatron remete precisamente para essa pentade completa.

Terceiro. O próprio nome «cubo» não lhe foi dado pelo seu aspeto, mas por um dos corpos escondidos nela. O plano parece-se pouco com um cubo plano, mas dos cinco corpos, o cubo é o que mais claramente se lê nele, e o seu nome ficou fixado para toda a figura.

Quarto. A associação dos corpos regulares aos elementos foi inventada por Platão há quase dois mil e quinhentos anos no diálogo «Timeu». Deu o tetraedro ao fogo, o cubo à terra, o octaedro ao ar, o icosaedro à água, e o dodecaedro ao cosmos inteiro. Enquanto física, a ideia está há muito ultrapassada, mas enquanto símbolo continua viva até hoje.

Quinto. O mais difícil de distinguir no plano é o dodecaedro, o corpo de doze pentágonos. Foi precisamente a ele que Platão associou não um elemento terreno, mas a substância do céu, e é justamente o seu contorno no cubo de Metatron o que mais discussões gera entre os aficionados da figura.

Sexto. O tetraedro, o mais simples dos cinco corpos, liga o cubo de Metatron à merkaba. O tetraedro estelado da merkaba são dois desses corpos encaixados um no outro, de modo que dois conhecidos símbolos da geometria sagrada assentam sobre a mesma forma básica.

Sétimo. A base do plano, o fruto da vida de treze círculos, deriva de um padrão ainda mais amplo, a flor da vida. Assim, a figura compacta tem a sua própria e longa genealogia de circunferências, onde cada padrão seguinte é mais rigoroso do que o anterior.

Oitavo. Com o escriba celeste relaciona-se um antigo relato talmúdico. Um sábio a quem a tradição chama Aher viu Metatron sentado, a anotar méritos, e concluiu que no céu havia dois poderes, pois não a qualquer um é permitido sentar-se diante do trono. A tradição apressa-se a corrigir essa ideia, mostrando que o anjo sentado continua a ser um servidor junto ao trono, e não uma segunda divindade. Dessa inquietação em torno de um anjo demasiado elevado nasceu a sua fama ambivalente.

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Perguntas frequentes

O que é o cubo de Metatron por palavras simples?

É um plano bidimensional formado por treze círculos idênticos cujos centros estão unidos entre si por linhas retas. No emaranhado de linhas leem-se os contornos dos cinco poliedros regulares, os sólidos platónicos, pelo que a figura é chamada mapa compacto das formas básicas do espaço. Recebe o nome do arcanjo escriba Metatron, da mística judaica.

Por que se chama «cubo» à figura se ela é plana?

O nome não lhe foi dado pelo aspeto, mas pelo conteúdo. Entre os cinco sólidos regulares que se derivam do plano, o cubo lê-se com mais clareza do que os demais, e o seu nome ficou fixado para toda a figura. Portanto «cubo», aqui, é uma etiqueta do corpo escondido, e não uma descrição do desenho plano de círculos e linhas.

É verdade que no cubo de Metatron estão os cinco sólidos de Platão?

Em parte. O tetraedro, o cubo e o octaedro veem-se bastante claros na projeção, ao passo que o icosaedro, e sobretudo o dodecaedro, é preciso completá-los em boa medida com a imaginação. É mais honesto dizer que a figura é rica em formas regulares e remete simbolicamente para toda a pentade, e não que os cinco corpos estejam rigorosamente demonstrados nela.

Quem é Metatron?

Metatron é o anjo supremo da tradição mística judaica, o escriba da chancelaria celeste que mantém o registo dos atos do mundo. Segundo uma das versões, nele se transformou o patriarca Enoque. Em parte dos textos chama-se-lhe «o pequeno Javé», mediador entre a presença suprema e o mundo. A ligação do seu nome ao plano surgiu tarde, na geometria sagrada contemporânea.

O cubo de Metatron é um símbolo antigo?

Sim e não. A roseta de círculos e os sólidos platónicos são, de facto, muito antigos. Mas a ligação concreta deste plano ao nome do arcanjo Metatron formou-se há pouco, nos círculos da geometria sagrada contemporânea. Assim, a figura apoia-se em elementos antigos, mas o seu nome e a sua interpretação atuais são recentes.

É verdade que o cubo de Metatron protege e purifica a energia?

É uma afirmação da prática esotérica, não da ciência. A figura não cria qualquer campo mensurável em torno da pessoa. A sua utilidade é psicológica: um sinal ordenado e familiar funciona como âncora da atenção e ajuda a concentrar. Pode usar-se o cubo de Metatron como amuleto, entendendo que a proteção aqui se dá no plano do símbolo e do estado de espírito, e não da física.

Que pendente com o cubo de Metatron escolher?

A figura é plana por natureza, por isso a sua forma honesta é um disco vazado ou gravado. O pendente vazado é mais vistoso e mostra o plano em contraluz, mas resulta um pouco mais caprichoso de usar. O gravado é mais prático e discreto por baixo da roupa. Para a expressividade escolhe-se um disco vazado grande; para o conforto diário, um gravado mais pequeno.

Que metal é melhor para o cubo de Metatron?

A prata de lei 925 é universal e sustenta bem as finas linhas do plano. A prata dourada dá um tom quente; o ouro de 14 a 18 quilates é a versão premium e duradoura. A prata oxidada realça a rede de linhas com um contraste gráfico, quase como tinta sobre papel. A escolha depende de se procurar um minimalismo limpo ou um aspeto mais expressivo, quase de plano técnico.

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Conclusão

O cubo de Metatron é um símbolo pouco frequente, no qual a geometria rigorosa e um nome místico confluem numa só figura. Por um ramo remonta a Platão e aos seus cinco sólidos regulares, à matemática pura, onde tudo se conta e se demonstra. Por outro ramo leva o nome de um arcanjo escriba da mística judaica, guardião da ordem celeste e do registo do mundo. E entre ambos os ramos está o próprio plano, os treze círculos do fruto da vida e a rede de linhas entre os seus centros, da qual o olho vai extraindo formas reconhecíveis.

Numa joia, a figura funciona em todos estes níveis ao mesmo tempo. Para uns é sinal de um mundo ordenado e de equilíbrio interior. Para outros, imagem de proteção e centramento, um amuleto com história. Para outros ainda, simplesmente uma bela geometria simétrica, uma fina rede de linhas que convida a olhá-la de perto. Nenhuma destas leituras é obrigatória, e nenhuma anula as demais.

O balanço honesto é simples. Onde se descreve o cubo de Metatron como uma «energia» e um «campo de proteção» demonstrado, convém manter uma distância serena. E onde funciona como imagem de ordem, como âncora da atenção e como elegante plano ao pescoço, cumpre honestamente a sua função. O que você puser nessa rede de círculos e linhas, isso é o que ela significará. Pode começar a conhecer a família destes símbolos a partir da página inicial, onde se reúnem os sinais de geometria sagrada e os amuletos.

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Sobre a Zevira

A Zevira trabalha em Albacete, Espanha, berço de uma longa tradição de trabalho do metal. O cubo de Metatron faz parte da nossa coleção de símbolos de geometria sagrada, onde convive com a flor da vida, a merkaba, os sólidos platónicos e outros sinais em que a forma e o sentido se sustentam em conjunto.

O que pode encontrar connosco em chave de cubo de Metatron:

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