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O Selo de Salomão: o anel que mandava nos espíritos

O Selo de Salomão: o anel que, segundo a lenda, mandava nos espíritos

O Selo de Salomão é o lendário anel do rei Salomão em que estava gravado o nome secreto de Deus. Segundo a tradição, dava poder sobre os espíritos, os génios e as feras, e o seu sinal, uma estrela de seis ou de cinco pontas, é usado como amuleto contra o mal por três religiões há mais de dois mil anos.

Um único anel, três credos e toda uma estante de livros medievais sobre magia. O Talmude judaico, o Alcorão árabe e os grimórios latinos discordam em quase tudo, mas concordam numa coisa: Salomão tinha um anel, e ele funcionava.

Vamos por partes: o que é esse selo, de onde nasce a lenda, porque se confunde o seu sinal com a Estrela de David e com o pentagrama, com que materiais se fazem estas joias hoje e a quem ficam bem.

O que é o Selo de Salomão

Sob um mesmo nome escondem-se três coisas ao mesmo tempo, e a confusão começa logo aqui. O Selo de Salomão é ao mesmo tempo um objeto concreto da lenda (um anel com gravação), a marca que esse anel deixava (o selo propriamente dito, sinal de autoridade) e um símbolo geométrico que com o tempo ganhou vida própria em amuletos, muros de mesquitas e capas de livros de ocultismo.

A palavra "selo" aqui aproxima-se do seu sentido medieval. Numa época em que poucos sabiam escrever, o anel de sinete fazia as vezes de assinatura. Cravava-se na cera ou na argila, e a marca confirmava que a ordem vinha do dono do anel. O Selo de Salomão, segundo a lenda, confirmava ordens não aos homens, mas a criaturas de outra ordem. Foi por isso que ficou na memória.

Anel, marca e símbolo: três sentidos de um mesmo nome

Quando alguém diz "Selo de Salomão", convém perceber de que fala. Se se refere ao objeto, é um anel, descrito quase sempre como de cobre e ferro ou de ouro com pedra, no qual vai gravado um sinal e, na versão judaica, o nome impronunciável de Deus. Se fala da marca, é a impressão com que Salomão "selava" os espíritos, tal como se sela um recipiente. Se fala do símbolo, é a figura de dois triângulos sobrepostos (o hexagrama) ou a estrela de cinco pontas (o pentagrama), rodeada por um círculo.

Na joalharia atual os três sentidos operam ao mesmo tempo. O anel de sinete remete para o objeto. O sinal talhado no escudo remete para a marca. E o desenho da estrela carrega o peso simbólico. Por isso o Selo de Salomão resulta tão convincente precisamente num anel maciço: a forma e a lenda coincidem.

Hexagrama ou pentagrama

A pergunta que mais se faz sobre o Selo de Salomão é quantas pontas tem a estrela. A resposta honesta: depende, e não é um erro da tradição, mas um traço seu.

Na maioria das fontes medievais chama-se Selo de Salomão ao hexagrama, a estrela de seis pontas formada por dois triângulos entrelaçados. Um aponta para cima; o outro, para baixo. Mas em parte dos manuscritos gregos e latinos, sobretudo ao falar do "pentáculo de Salomão", aparece o pentagrama, a estrela de cinco pontas. Ambas as figuras circularam durante séculos sob um mesmo nome, e discutir qual é a "verdadeira" equivale mais ou menos a discutir que forma deve ter uma ferradura.

Existe, sim, uma diferença simbólica entre a estrela de cinco pontas e a de seis, e disso falaremos mais abaixo. Mas para a lenda do rei e dos espíritos não importa a aritmética das pontas, mas a ideia: uma estrela fechada, traçada sem levantar a mão ou composta de triângulos perfeitos, retém a força dentro de si e não deixa sair o mal.

Khatam Suleiman: o nome em várias línguas

Anel de sinete de ouro antigo com engaste giratório gravado, protótipo do anel do selo do poder
Anel giratório de ouro com selo talhado, século IV antes da nossa era. Estes anéis cravavam-se na cera em vez de se assinar, e deste objeto quotidiano brotou a lenda do anel cuja marca podia selar não uma carta, mas um espírito.Gold swivel ring with banded agate scarab, 4th century BCE. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

O Selo de Salomão tem dezenas de nomes. Em hebraico relaciona-se com "hotam Shelomo" e com o Maguen David, o "escudo de David". No mundo árabe é o "khatam Suleiman", o selo de Suleiman, e a própria palavra "khatam" significa "selo, anel, aquilo com que se sela". Nos livros latinos a figura chama-se Sigillum Salomonis, e esse mesmo desenho deu nome, na botânica, a uma planta, o selo de Salomão (Solomon's seal), em cujo rizoma se vê, supostamente, a marca do selo.

Um só nome, muitas línguas e culturas. É o primeiro indício de quão fundo o símbolo entrou no fundo comum do Mediterrâneo. Mais adiante ficará claro como isso aconteceu.

Antes de entrar na história, convém dizer o essencial sobre o carácter deste símbolo. O Selo de Salomão não pertence a uma só religião nem a um só povo. Nasceu no cruzamento das tradições judaica, cristã e islâmica, e durante séculos serviu de ponte entre elas. Um comerciante no Cairo, um rabino em Toledo e um monge copista em Paris podiam traçar a mesma estrela e dar-lhe um sentido próximo: proteção, ordem, poder sobre o caos. É um caso raro em que um símbolo une aqueles que em tantas outras coisas se separam.

Daí também a sua longevidade. Os sinais ligados a um só povo ou culto vivem exatamente o que vive essa cultura. O Selo de Salomão sobreviveu aos impérios precisamente porque fez falta a todos ao mesmo tempo: aos que procuravam nele um sentido teológico e àqueles a quem bastava uma proteção simples sobre a porta. Esse duplo apoio, alta filosofia e superstição doméstica num mesmo sinal, dá-se poucas vezes e torna o símbolo espantosamente resistente. Sabe falar tanto com o sábio como com a criança a quem a avó pendurou uma estrelinha ao pescoço contra o mau-olhado. Tendo isto presente, é mais fácil perceber porque é que a lenda do anel se foi enchendo de pormenores novos e nunca saiu de moda.

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História: do Templo de Jerusalém aos grimórios medievais

A história do Selo de Salomão é a história de uma lenda que cresceu como uma bola de neve. Partindo de umas poucas linhas em textos antigos, em dois mil anos cobriu-se de demónios, peixes, arcanjos e livros inteiros de instruções. Percorremo-la por camadas.

Salomão na Escritura: o rei a quem os espíritos obedeciam

O Salomão histórico governou o reino de Israel por volta do século X antes da nossa era e ficou na memória como construtor do Primeiro Templo de Jerusalém e modelo de sabedoria. Na Bíblia pede a Deus não riquezas nem longa vida, mas um coração sensato para julgar o seu povo, e recebe uma sabedoria sem igual.

Do anel e do poder sobre os espíritos não se fala de forma direta no texto bíblico mais antigo. Mas já ali estão as sementes da lenda: Salomão entende a linguagem da natureza, dispõe de recursos enormes, ergue o Templo com forças que parecem sobre-humanas. A tradição posterior completou o elo que faltava: se o rei era tão sábio e tão poderoso, é porque não o serviam apenas os homens. Assim nasceu a ideia do anel com que submetia esses servidores.

O Talmude: o anel, Asmodeu e o peixe

A versão mais viva da lenda vem do Talmude judaico, de um tratado onde se conta a história de Salomão e Asmodeu, o rei dos demónios. Para erguer o Templo sem levantar o ferro sobre a pedra, Salomão precisava do shamir, um verme ou pedra prodigiosa capaz de cortar a rocha. Só Asmodeu conhecia o segredo, e o rei mandou um servo capturá-lo com a ajuda do anel em que ia gravado o nome de Deus.

A partir daí, o enredo torna-se quase teatral. Asmodeu arranca o anel a Salomão com astúcia e atira-o ao mar, e ao próprio rei lança-o tão longe que perde o trono e vagueia como um mendigo, repetindo: "Eu fui rei". Passam os meses. Um dia Salomão compra um peixe, abre-o e encontra lá dentro o seu anel, engolido tempos antes entre as ondas. O poder regressa. A moral é dura: até o mais sábio perde tudo mal confia por um instante num objeto mais do que no seu próprio carácter.

É desta história que cresce a imagem persistente: um anel com o nome de Deus que dá poder sobre os demónios, e a fragilidade desse poder. O selo é forte enquanto o seu dono for digno dele.

O "Testamento de Salomão": o selo das mãos de um arcanjo

Escaravelho selo do antigo Egito, que servia ao mesmo tempo de amuleto e de selo pessoal
Escaravelho egípcio, por volta dos séculos X a VIII antes da nossa era. A base destes escaravelhos era talhada como selo e usava-se como amuleto. Mil anos antes de Salomão, as pessoas já uniam num mesmo objeto o selo e a proteção, esse par de sentidos que depois confluiu no seu anel.Scarab Amulet, Egypt, ca. 1070-736 BC. The Walters Art Museum, Baltimore, Public Domain

Um texto à parte, conhecido como o "Testamento de Salomão", formou-se nos primeiros séculos da nossa era em língua grega. É, no essencial, um manual de demonologia enquadrado num relato na boca do rei. Segundo o enredo, um operário da construção do Templo é atormentado por um demónio, e Salomão reza a pedir ajuda. Um arcanjo (Miguel, em diferentes versões) traz-lhe um anel com um selo gravado e diz-lhe: com este anel mandarás em todos os espíritos.

Depois Salomão convoca os demónios um após o outro; cada qual diz o seu nome, a sua especialidade daninha e o anjo adversário que o submete. Assim o rei obriga as forças impuras a acartar pedras e água para o Templo. O "Testamento de Salomão" importa porque liga pela primeira vez com firmeza um objeto concreto, um selo com um sinal determinado, e a prática de governar os espíritos. Daqui sai um caminho direto para os livros de magia medievais.

A tradição islâmica: o anel, o vento e os génios

No islão, Suleiman (Salomão) é um dos profetas venerados, e o Alcorão pinta o seu poder com traços vivos. Estão-lhe submetidos o vento, que o transporta; os génios, que mergulham no mar em busca de tesouros e constroem quanto ele ordena; e a linguagem das aves. É famoso o relato de como uma poupa lhe traz notícia da rainha de Sabá, e de como um génio se oferece para trazer no instante o seu trono.

O anel não se descreve diretamente no Alcorão, mas a tradição popular e literária do islão fixou cedo a imagem do "khatam Suleiman", o selo de Suleiman, com o qual o profeta selava os génios rebeldes em vasilhas de cobre e as atirava ao mar. Daí vêm os contos de "génios dentro de uma garrafa". O próprio sinal, com mais frequência uma estrela de seis pontas, às vezes de cinco, tornou-se na arte islâmica um dos motivos protetores mais difundidos. Talhava-se em amuletos, cunhava-se em moedas, compunha-se com azulejos no Magrebe, em al-Andalus e no Próximo Oriente. Para milhões de pessoas é, em primeiro lugar, um amuleto islâmico, e só depois outra coisa qualquer.

A estrela de sete pontas e os sete sinais de Suleiman

O "khatam Suleiman" árabe tem uma forma quase desconhecida no Ocidente: a estrela de sete pontas. Em parte dos talismãs islâmicos, o selo do profeta representava-se justamente como uma figura de sete raios, e o sete era tido nesta tradição por especialmente abençoado; daí os sete céus, os sete dias, as sete portas. A estrela de sete pontas talhava-se em anéis de sinete, cunhava-se em amuletos e integrava-se no ornamento geométrico a par da de seis.

Ainda mais frequente do que uma só estrela era uma fileira de sete sinais soltos, a que chamavam precisamente os "sete selos de Salomão". É um conjunto de figuras simples: uma estrela, um círculo, três traços, uma letra parecida com o "h" latino, uma escadinha e outras. Escreviam-se em fila sobre papel, metal ou cerâmica como uma fórmula protetora cujo sentido com o tempo se esqueceu, mas cuja força, segundo a crença, permaneceu. Os sete selos rolaram pelos livros árabes de talismãs, foram parar às vergas das portas e aos amuletos para parturientes e crianças. Para o seu dono, o selo de Suleiman nem sempre é, portanto, uma estrela: às vezes é todo um abecedário de proteção, onde o sete sustenta a estrutura inteira.

A magia medieval: a "Chave de Salomão" e os setenta e dois espíritos

No final da Idade Média, o nome de Salomão tornou-se um selo de qualidade para os livros de magia. Os mais conhecidos são a "Chave de Salomão" (Clavicula Salomonis) e a "Pequena chave de Salomão" (Lemegeton). Neles descrevem-se ao pormenor, e com desenhos, os pentáculos, isto é, discos protetores com selos, e oferece-se uma lista de setenta e dois espíritos que o mago supostamente pode convocar e submeter, repetindo o caminho do rei.

Nem com o Salomão histórico nem com os textos religiosos canónicos têm relação estes grimórios. Escreveram-se e copiaram-se na Europa cristã, muitas vezes de forma anónima, cobrindo um conteúdo arriscado com um nome de autoridade. Mas foram eles que fixaram na cultura ocidental o par "Selo de Salomão mais controlo dos demónios" e ofereceram aos ocultistas dos séculos seguintes uma rica linguagem visual de círculos, estrelas e sinais secretos.

A cabala: a força do nome e as letras divinas

Uma linha de sentido à parte arranca da mística judaica, a cabala. Aqui o centro das atenções não foi tanto a estrela como aquilo que, segundo a lenda, ia gravado no anel: o nome secreto de Deus, o impronunciável Tetragrama de quatro letras. Os cabalistas sustentavam que o mundo se apoia sobre os nomes e as letras divinas, e que quem conhece o nome certo e sabe pronunciá-lo corretamente obtém poder sobre as forças ocultas da criação. A lenda de Salomão encaixava na perfeição nessa ideia: o rei mandava nos espíritos porque possuía o nome, não porque usasse um sinal bonito.

Na cabala cristã do fim da Idade Média e do Renascimento começou a associar-se o hexagrama à estrutura do universo: as seis pontas relacionavam-se com os seis dias da criação ou com as seis direções do espaço (cima, baixo e os quatro pontos cardeais), e o centro lia-se como o sétimo ponto, o ponto de repouso, o sábado. Assim, a simples figura de dois triângulos convertia-se num esquema dobrado de todo o mundo criado. Esta tradição erudita explica porque é que o Selo de Salomão se enraizou com tanta facilidade entre os pensadores europeus do Renascimento, entregues à procura de uma única linguagem secreta da natureza.

O símbolo viaja: do Magrebe às catedrais góticas

Enquanto os teólogos discutiam, a estrela vivia a sua própria vida. O mesmo sinal vê-se numa mesquita medieval e num templo cristão, num manuscrito judaico e num talismã muçulmano. Na Granada espanhola, o hexagrama aparece na decoração a par da caligrafia árabe. Nas catedrais góticas encontra-se como símbolo da harmonia e da perfeição da criação.

A razão de tanta versatilidade é simples. A figura compõe-se de elementos simplíssimos, triângulos; lê-se de longe, talha-se e desenha-se com facilidade e, ainda assim, parece acabada e "inteligente". Os símbolos com essas qualidades viajam sempre mais depressa do que as pessoas. O Selo de Salomão viajou durante séculos e assentou quase por toda a parte onde se cruzavam as três religiões do Livro.

O selo grava-se no ouro, e é por isso que é um selo. O hexagrama pede um polimento limpo e espaço desafogado à sua volta: a geometria não suporta a acumulação.
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Como montar um visual com o Selo de Salomão

A história e a lenda já as vimos; falemos agora de o usar. Reúno aqui o que de facto funciona quando baixas a estrela da estante e a pões sobre uma pessoa de carne e osso.

Que metal do Selo de Salomão escolher conforme o tom de pele? Para um subtom quente (pele com reflexo dourado, pêssego) recomendo o ouro: o selo de um rei deve soar também a rei, e a gravação sobre ouro mantém as arestas da estrela durante décadas. Para um subtom frio (rosado, porcelana) aconselho prata com nielo: a liga escura nos vãos revela o hexagrama de forma gráfica, negro sobre claro. Se hesitas, opta pela prata, que fica bem a quase toda a gente e não discute com o resto dos anéis.

Escolher sinete ou pendente? Olho para a mão e para o carácter. O sinete maciço recomendo-o a quem tem uma mão firme e quer que o sinal se leia no instante: o escudo largo está feito para portar a estrela, e aqui a forma e a lenda coincidem. O pendente aconselho-o se o selo se quer usar junto ao coração ou esconder sob a camisa, e já agora não pensar no número do dedo. Para presente, escolho quase sempre o pendente: põe-se e está.

Com que combinar o Selo de Salomão e como montar camadas? Quando armo um visual para um cliente, mantenho a estrela como acento principal e não a carrego de vizinhos. A geometria do hexagrama pede campo vazio à volta, ou as linhas afogam-se na confusão. Boa companhia são os amuletos da mesma família mediterrânica: a mão de Fátima, o nazar, uma corrente lisa sem pendentes. Se te apetecem camadas, dá ao selo um comprimento próprio, para que o escudo não fique apertado entre outros sinais. Os metais nas camadas aconselho a mantê-los num mesmo tom: prata com prata, ouro com ouro.

Para que ocasião e que visual serve o Selo de Salomão? Um sinete de prata ou um pendente em cordão de cabedal vive no visual de todos os dias e não exige cuidados. Para uma saída formal, de trabalho, escolho um selo de ouro com polimento nítido: numa reunião lê-se como sinal de aprumo, não como lembrança de viagem. A estrela nielada recomendo-a para tecido escuro e noite, a gráfica negro sobre prata pede contraste. Quanto mais sóbria é a roupa, mais alto soa o selo.

A quem fica bem o Selo de Salomão? O selo não está ligado ao sexo nem à idade, porque a forma é sóbria e limpa. Fica especialmente bem a quem aprecia a ordem no visual: uma só peça, geometria nítida, nada a mais. O sinete grande recomendo-o à mão larga e segura; o anel fino ou o pendente delicado, a quem prefere um amuleto discreto. E confirma uma coisa antes de comprar: os triângulos devem coincidir com exatidão nas interseções, e o escudo olhar para fora, não para a palma. Uma estrela descuidada perde toda a força da forma limpa.

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O que significa o Selo de Salomão

Por trás da geometria há toda uma camada de sentidos, e são surpreendentemente coerentes. Ao contrário de muitos amuletos, cujo significado se reduz a "para a sorte", o Selo de Salomão carrega uma ideia meditada sobre como está feito o mundo.

União dos contrários: dois triângulos

Estrela pendente de faiança do antigo Egito, exemplo precoce da estrela como joia amuleto
Estrela pendente de faiança do tempo de Amenhotep III. A estrela como adorno e sinal de proteção aparece muito antes de qualquer simbologia oculta. O Selo de Salomão herda essa ideia antiga: a estrela sobre o peito afasta a desgraça.Jewelry element in the shape of a star, ca. 1390-1352 B.C. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

A chave do sentido do hexagrama são os dois triângulos. O que aponta com o vértice para cima lê-se desde a Antiguidade como fogo e princípio masculino, impulso para o alto, para o céu. O que aponta com o vértice para baixo é água e princípio feminino, descida, para a terra. Sobrepostos, formam um equilíbrio: fogo e água, céu e terra, espírito e matéria seguram-se mutuamente, e nenhuma parte se impõe.

Na alquimia lia-se esta mesma figura como a união dos quatro elementos: os dois triângulos e as suas interseções davam fogo, água, ar e terra num único sinal. O Selo de Salomão, nesta leitura, é um mapa do mundo inteiro dobrado até um único emblema. Usá-lo significa levar a ideia da harmonia dos contrários, não a escolha de um lado.

Poder sobre o invisível

A lenda dotou o selo da sua função principal: governar aquilo que não se pode ver. Os espíritos, os génios, os medos, as tentações, tudo o que atua às escondidas submetia-se, segundo a tradição, ao dono do anel. Numa leitura prática, não de conto, é um símbolo do domínio de si próprio. A pessoa que "manda nos espíritos" manda antes de mais em si mesma: nos seus impulsos, na sua ira, na sua ansiedade.

Por isso o Selo de Salomão é escolhido muitas vezes como sinal de disciplina interior e cabeça clara. Lembra que o poder verdadeiro começa com o poder sobre si próprio, não sobre os outros. Para uma joia com dois mil anos de história, é uma mensagem surpreendentemente adulta.

Proteção contra o mal e o mau-olhado

O papel mais massivo e quotidiano do selo é o de amuleto. Contra o mau-olhado, a inveja, o feitiço, as más intenções. A lógica é a mesma que na maioria dos sinais protetores: uma figura fechada e perfeita não deixa entrar o mal e afasta-o do seu dono. A estrela rodeada por um círculo lê-se como uma pequena fortaleza sobre o peito.

No norte de África e no Próximo Oriente, o Selo de Salomão compete em popularidade, neste papel, com a mão de Fátima e com o olho azul, o nazar. Pendura-se sobre a porta, desenha-se na soleira, cunha-se em pendentes para as crianças. Aqui o símbolo não funciona como filosofia dos elementos, mas de forma simples e fiável: se o sinal está no seu lugar, a casa está sob vigilância.

"Assim como é em cima, é em baixo"

Merece capítulo à parte a célebre fórmula que costuma associar-se ao hexagrama: "assim como é em cima, é em baixo". A ideia é que o mundo grande (o cosmos) e o mundo pequeno (o ser humano) estão feitos segundo as mesmas leis, e que o que sucede no céu se reflete na terra. Os dois triângulos em espelho do selo ilustram na perfeição esse pensamento: o de cima repete o de baixo, o de baixo repete o de cima.

A fórmula vem da tradição hermética da Antiguidade tardia e, através da alquimia, chegou ao ocultismo europeu. Para o dono da joia, transforma o Selo de Salomão num lembrete da ligação de tudo com tudo, de que a pessoa não é um grão de areia solto, mas parte de um desenho maior. A ideia é antiga, mas sobre o peito soa fresca.

O Selo de Salomão na alquimia

Os alquimistas da Idade Média e do Renascimento agarraram-se ao hexagrama mais do que muitos. Para eles, os dois triângulos encaixados eram uma fórmula pronta da sua tarefa principal, a união daquilo que a natureza mantém separado. O triângulo com o vértice para cima significava fogo e o seu par, o enxofre, princípio ativo, quente, "masculino". O triângulo com o vértice para baixo significava água e mercúrio, princípio passivo, húmido, "feminino". Reunir estes dois princípios num mesmo recipiente sem resíduo equivalia a realizar a Grande Obra, obter a pedra filosofal. O Selo de Salomão desenhava-se nas margens dos tratados como emblema dessas bodas químicas.

Daí também o nome alquímico da figura, a "estrela dos sábios" ou o "selo da sabedoria". Nela não liam uma estrela do céu, mas um mapa do processo: de baixo sobe o vapor, de cima pousa o orvalho, e onde os fluxos se encontram nasce uma substância nova. O símbolo era cómodo ainda por outra razão: escondia o sentido aos de fora, pois o profano via apenas um sinal bonito e o iniciado lia uma receita. O Selo de Salomão chegou a ser amuleto, esquema teológico e insígnia de trabalho dessa tradição de laboratório da qual depois brotou a química.

A geometria da figura perfeita

Convém dizer também porque é que a estrela foi considerada digna de semelhante carga. O hexagrama compõe-se de dois triângulos equiláteros, a mais estável e simples das figuras regulares. Sobrepostos em ângulo, dão um contorno perfeitamente simétrico com seis raios iguais e um hexágono regular no interior. O olho lê essa forma como acabada e "inteligente" no instante, sem explicações. O pentagrama, por seu lado, pode traçar-se com uma só linha contínua, sem levantar a mão, e na magia antiga justamente essa continuidade era tida por garantia de proteção: um contorno fechado não tem fenda por onde o mal se possa infiltrar.

O círculo, no qual muitas vezes se inscrevia a estrela, acrescentava outra camada. A circunferência significou desde antigo plenitude e eternidade, um limite sem princípio nem fim. A estrela dentro do círculo lia-se como ordem encerrada numa cerca protetora, um pequeno modelo do mundo ordenado. Esta lógica geométrica explica porque é que uma mesma figura foi valorizada de forma independente na mesquita, na sinagoga e no laboratório: convencia não com palavras, mas com a própria forma.

A simbologia do Selo de Salomão é generosa, mas no fim não se usa como um esquema dos elementos, e sim como um objeto. Por isso agora falamos do material e da forma, do que se fazem estas joias e de como ficam.

De que se faz o Selo de Salomão

Num amuleto, o material está longe de ser um mero fundo. Cada metal e cada pedra têm a sua lógica, e entendê-la ajuda a escolher um objeto que dure muito e signifique o que se quer.

A prata

A escolha mais frequente e mais adequada para o Selo de Salomão. A prata associou-se desde antigo à lua, à pureza e à proteção, e na magia popular era tida justamente pelo metal que afugenta o impuro. Na prática, a prata de lei 925 é cómoda para a gravação: nela leem-se com nitidez as linhas finas da estrela, e um ligeiro escurecimento nos vãos, com o tempo, só realça o desenho, como a pátina numa moeda antiga.

Um selo de prata parece sóbrio e não grita. Fica igualmente bem numa mão masculina e numa feminina, e não discute com o resto das joias. Para o uso diário é a opção ótima.

O ouro

O ouro acrescenta ao símbolo uma nota solar e régia, mais do que apropriada para o anel de Salomão: afinal, trata-se de um rei. O ouro amarelo dá um timbre clássico e quente; o branco aproxima o objeto de um estilo contemporâneo e sóbrio. Um Selo de Salomão de ouro é a escolha de quem quer que o amuleto se leia como uma joia séria, não como uma lembrança de viagem.

O inconveniente é evidente: o custo. Mas o ouro não escurece, mantém a gravação durante séculos e, no caso de um anel de família, sobrevive tranquilamente a várias gerações. Para um objeto pensado para se herdar, é um argumento de peso.

Gravação e nielo

O coração de qualquer selo é a talha. O sinal de Salomão pode aplicar-se de várias formas. A gravação à mão dá as linhas mais vivas, algo irregulares, nas quais se vê a mão do artesão. A estampagem é mais rápida e barata, mas o desenho sai mais seco. Uma beleza à parte é o nielo, quando os vãos se preenchem com uma liga escura e a estrela ressalta gráfica, negra sobre prata. Um Selo de Salomão nielado resulta especialmente expressivo e remete para uma técnica antiga com que se decoravam armas e capas de livros sagrados.

Pedras e engastes

Às vezes o centro da estrela ou o escudo do anel completa-se com uma pedra. As pedras escuras, o ónix, o azeviche, a obsidiana, reforçam a simbologia protetora, "absorvente do mal", e tornam o objeto mais severo. As pedras azuis, o lápis-lazúli e a safira, dialogam com o tema celeste, estelar. As vermelhas, a granada e a cornalina, acrescentam força vital. A pedra aqui não é obrigatória: a estrela talhada, limpa, basta-se a si mesma. Mas um engaste bem escolhido pode levar o sentido até ao matiz desejado.

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Como usar o Selo de Salomão

O Selo de Salomão é um daqueles raros símbolos igualmente convincentes num anel e num pendente. A forma sugere cenários diferentes, e convém escolher o próprio.

O anel de sinete

Anel de sinete de ouro com escudo talhado, forma clássica para um selo com sinal pessoal
Anel de sinete de ouro do século XIX com escudo talhado. A forma do sinete vem diretamente dos antigos anéis selo: o escudo largo e plano está feito para levar um sinal. Para o Selo de Salomão é o engaste mais honesto.Signet Ring, Ball Black & Co., 1864. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

A forma mais exata para este símbolo é o anel de sinete. O escudo largo e plano está feito precisamente para portar um sinal, e a estrela de Salomão ajusta-se-lhe como uma luva. Um anel destes remete diretamente para a lenda: aqui o anel, aqui o selo, tudo como no relato. O sinete maciço fica bem na mão masculina, mas as versões femininas, algo mais finas e delicadas, entraram há muito no uso corrente. O sinete costuma usar-se no dedo mínimo ou no anelar da mão não dominante.

Em que dedo

Não há regras estritas, mas há uma lógica cómoda. O dedo mínimo é o lugar tradicional do anel selo, daí a imagem clássica do "sinete no mínimo". O anelar serve se se quiser que o anel se leia como algo significativo, quase nupcial. O indicador associava-se na simbologia antiga ao poder e à vontade, o que dialoga com a ideia de mando sobre os espíritos, de modo que um anel selo no indicador resulta coerente. O dedo médio é neutro e simplesmente cómodo. O importante é que o anel assente firme e que o escudo não gire: o selo deve olhar para o mundo, não para a palma.

Pendente e medalha

Se o anel parece demasiado chamativo, a estrela de Salomão vive às mil maravilhas numa corrente. Uma medalha redonda com o hexagrama talhado ou vazado é uma opção tranquila e de todos os dias, fácil de esconder sob a roupa ou de mostrar. O pendente aproxima-se do papel quotidiano, de amuleto, do símbolo: usa-se junto ao coração, como a maioria dos sinais protetores. Para uma criança ou como presente, o pendente é mais prático do que o anel, já que não é preciso saber o número do dedo.

Com que o combinar

O Selo de Salomão é gráfico e basta-se a si mesmo, por isso combina bem com um ambiente sóbrio. Fica bem numa corrente lisa sem pendentes a mais, num cordão de cabedal ou tecido para um ar mais simples, a par da mão de Fátima ou do nazar, se apetecer reunir uma "equipa" de amuletos de tradições diferentes. A única coisa que convém evitar é a acumulação de símbolos chamativos à volta. A estrela pede algum ar: então a sua geometria lê-se e não se afoga na confusão geral.

A quem fica bem o Selo de Salomão

Resposta breve: a quase toda a gente a quem seja próxima a ideia da proteção e da ordem interior. O símbolo não está fechado a nenhum grupo, mas há pessoas a quem fica especialmente bem.

A homens e mulheres

O Selo de Salomão é um dos emblemas mais "assexuados" do mundo da joalharia. A geometria sóbria fica igualmente bem à mão masculina e à feminina, e a amplitude de leituras, da filosofia dos elementos ao simples amuleto, permite que cada um encontre o seu sentido. Os homens escolhem com mais frequência um sinete maciço de prata ou ouro; as mulheres, um pendente delicado ou um anel fino. Mas aqui não há regra nenhuma, e um anel grande numa mão feminina hoje parece forte e atual.

Como presente

O Selo de Salomão é um bom presente com história. Serve bem para alguém que aprecia o sentido por trás do objeto: interessado pela cultura, a história, a simbologia. Oferece-se num marco importante, um novo emprego, uma mudança de casa, o início de um projeto, como desejo de firmeza e proteção. Ao contrário de muitos amuletos, esta estrela não está ligada a uma fé concreta, por isso pode oferecer-se sem medo de errar: o sentido "ordem, harmonia, proteção" é universal. Se se quiser reforçar o gesto, escolhe prata ou ouro com gravação e acrescenta umas palavras sobre a lenda: um presente com a sua história contada fica-se a lembrar em dobro.

Como escolher o Selo de Salomão

A escolha do Selo de Salomão resume-se a três decisões: que sinal, de que tamanho e de que qualidade de execução. Vejamos cada uma.

Hexagrama ou pentagrama: qual escolher

Se para ti importa mais o Selo de Salomão clássico e "correto" na sua forma mais difundida, opta pelo hexagrama, a estrela de seis pontas. É a variante historicamente principal, reconhecível e neutra. Se te for mais próxima a ideia da estrela de cinco pontas, com a sua simbologia dos cinco elementos e do microcosmo, o pentagrama também é uma forma legítima do selo, sobretudo no contexto da tradição mágica europeia. A diferença está mais no acento do que na "força". Escolhe a figura cujo sentido te seja mais próximo, e aquela que simplesmente te agrade mais ao olhar.

Tamanho e proporções

Para um anel de todos os dias resulta ótimo um escudo de tamanho médio: grande o suficiente para que a estrela se leia, mas não tanto que atrapalhe. Para um pendente são cómodos os diâmetros entre um centímetro e meio e três: abaixo disso corre o risco de se perder sobre o peito, acima começa a parecer aparatoso. Repara na espessura das linhas da estrela: as demasiado finas apagam-se cedo e leem-se pior; as demasiado grossas convertem a geometria delicada num carimbo tosco. Um bom selo é um equilíbrio em que as linhas são nítidas, mas não gordas.

Como distinguir uma peça trabalhada de uma estampada

Um Selo de Salomão de qualidade denuncia-se pelos pormenores. As linhas da estrela são regulares, os ângulos afiados e simétricos, os triângulos coincidem com exatidão nas interseções. Na gravação à mão, as arestas da talha apanham a luz e variam ligeiramente em profundidade; na fundição barata, o desenho é turvo, com bordos fundidos. O reverso do escudo, numa boa peça, está trabalhado, não deixado áspero. Verifica o contraste no metal: a marca de contraste diz que tens diante de ti prata ou ouro a sério, e não um banho sobre uma liga barata que se apaga numa época.

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Selo de Salomão, Estrela de David, pentagrama e hamsa: em que se distinguem

À volta do Selo de Salomão apertam-se símbolos parecidos, e confundem-se sem parar. Vamos pô-los no seu lugar.

Selo de Salomão e Estrela de David

Esta é a confusão principal, porque a figura é a mesma: uma estrela de seis pontas de dois triângulos. A diferença está no contexto e na história. A Estrela de David, o Maguen David, é antes de mais um símbolo do judaísmo e do povo judeu, tornado sinal nacional e levado à bandeira de Israel. O Selo de Salomão é um símbolo mágico e protetor, comum a três religiões, mais antigo do que o seu papel de emblema judaico. O mesmo hexágono, na sinagoga, lê-se como Estrela de David; num talismã árabe, como khatam Suleiman; e num livro de alquimia, como sinal dos elementos. A forma é comum; o sentido fixa-o o contexto.

De onde saiu o nome "Estrela de David"

É curioso que a ligação da estrela de seis pontas justamente ao rei David seja relativamente tardia. Na Antiguidade e na alta Idade Média, a figura chamava-se muito mais vezes Selo de Salomão do que escudo de David, e servia como sinal protetor, não nacional. A própria expressão "Maguen David", escudo de David, referia-se na origem a Deus como defensor, protetor do rei, e não à estrela geométrica. A ligação firme do sinal ao nome de David foi-se fixando de forma gradual, em boa medida através das comunidades judaicas da Europa central da baixa Idade Média e da Época Moderna, onde a estrela passou a ser o símbolo distintivo da comunidade.

A estrela de seis pontas tornou-se definitivamente sinal judaico geral no século XIX, quando foi tomada como emblema que dialogava, em reconhecibilidade, com a cruz cristã e o crescente muçulmano. Depois foi parar à bandeira do movimento sionista e a seguir à bandeira do Estado de Israel. O Selo de Salomão, entretanto, não desapareceu: esse mesmo entrelaçamento de triângulos continuou a viver no uso islâmico e ocultista sob o seu nome anterior. Aconteceu que uma mesma figura tem duas biografias, a antiga, mediterrânica comum, sob o nome de Salomão, e a nova, nacional judaica, sob o nome de David.

Selo de Salomão e pentagrama

O pentagrama é uma estrela de cinco pontas e, em sentido estrito, distingue-se do selo clássico de seis pontas pelo número de raios e pela simbologia. As cinco pontas associam-se tradicionalmente aos cinco elementos ou ao ser humano de braços e pernas estendidos (o microcosmo). As seis pontas do hexagrama são a união de dois princípios e a plenitude do cosmos. Ainda assim, em parte dos textos mágicos também se chama Selo de Salomão ao pentagrama, de modo que não há uma fronteira rígida. É mais fácil tê-lo assim na cabeça: o pentagrama fala do ser humano e dos elementos; o hexagrama, do equilíbrio do céu e da terra.

Selo de Salomão e hamsa

Aqui tudo é mais simples, porque a diferença de forma é evidente. A hamsa é uma mão aberta, muitas vezes com um olho no centro, amuleto contra o mau-olhado, difundido no Próximo Oriente e no norte de África. O Selo de Salomão é uma estrela. Ambos protegem, ambos são populares numa mesma região e não é raro que se usem juntos. Mas a hamsa opera com a imagem da mão que detém o mal com o gesto de "alto", e o selo, com a imagem da figura perfeita que não deixa entrar o mal. Metáforas diferentes de uma mesma tarefa.

Se o tema dos sinais protetores te interessa, espreita também o guia de amuletos, talismãs e proteção e o artigo sobre o olho que tudo vê, outro símbolo de proteção e de olhar superior.

O Selo de Salomão e símbolos afins
SímboloFormaTradiçãoSignificado principalVersatilidade
Selo de SalomãoEstrela de seis pontas (por vezes de cinco)Judaica, cristã, islâmicaEquilíbrio, poder sobre os espíritos, proteção
Estrela de DavidEstrela de seis pontasJudaicaSímbolo de um povo e de uma fé
PentagramaEstrela de cinco pontasAntiguidade, magia europeiaOs cinco elementos, o ser humano como microcosmo
HamsaMão abertaPróximo Oriente, Norte de ÁfricaProteção contra o mau-olhado, bênção

O Selo de Salomão na arte e na cultura

Um símbolo que viveu dois mil anos deixou marcas por toda a parte. Percorrê-las é ver até que ponto o Selo de Salomão criou raízes na cultura.

Na arte islâmica

Foi justamente no mundo islâmico que o Selo de Salomão se tornou um motivo decorativo verdadeiramente massivo. A estrela de seis e de cinco pontas compunha-se com azulejos em mesquitas e palácios, cunhava-se em moedas, talhava-se em amuletos e armas, entretecia-se no ornamento geométrico desde Marrocos até à Ásia Central. Na tradição árabe, o khatam Suleiman é um sinal bom, protetor, e a sua abundância nos muros explica-se de forma simples: acreditava-se que o selo do profeta guardava o edifício e os seus moradores. Na Andaluzia espanhola, onde durante séculos conviveram três religiões, esta estrela pode encontrar-se na decoração ao lado da caligrafia árabe.

Na magia e na literatura europeias

Na Europa cristã, o Selo de Salomão viveu uma vida dupla. Por um lado, como símbolo inocente da harmonia e da sabedoria divina na arte eclesiástica. Por outro, como ferramenta de trabalho na tradição clandestina dos grimórios. Desta segunda linha, a imagem passou à literatura. O motivo do mago que submete um espírito com um selo ou um sinal prolonga-se desde os contos das "Mil e Uma Noites", com os seus génios em vasilhas seladas, até às histórias europeias de demónios convocados. Até a estrela de cinco pontas que detém o impuro na soleira pertence à mesma família de representações: o sinal fechado como armadilha e como proteção.

Em bandeiras e brasões

O Selo de Salomão tem também uma biografia plenamente estatal. A estrela de cinco pontas da bandeira de Marrocos, o "selo de Salomão" verde, como lá lhe chamam, é herdeira direta deste símbolo: acrescentou-se no início do século XX ao pavilhão, antes de um vermelho liso. A estrela de seis pontas apareceu durante séculos em selos, moedas e brasões de vários governantes do Oriente e da Europa muito antes de se tornar sinal nacional exclusivamente judaico. A história do símbolo nas bandeiras mostra mais uma vez que uma mesma estrela chegou a ser amuleto, sinal de poder e emblema religioso, conforme quem e quando a erguesse.

Salomão como antepassado: a linha etíope

Um capítulo à parte e pouco conhecido da lenda escreveu-se na Etiópia. A dinastia reinante de lá fazia remontar durante séculos a sua linhagem diretamente a Salomão e à rainha de Sabá: segundo a tradição, o seu filho Menelik foi o primeiro rei dos etíopes e levou para o seu país os objetos sagrados de Jerusalém. Esta dinastia salomónica governou oficialmente até ao século XX, e o nome do rei sábio continuou a ser parte da ideologia do Estado. Aqui Salomão já não é o dono de um anel mágico, mas um fundador, a raiz viva de todo um povo. O exemplo mostra até que envergadura cresceu a figura do rei bíblico: do anel no dedo à fundação de um sangue real.

Amuleto sobre a porta: costumes vivos

Além da alta história, o Selo de Salomão tem uma vida doméstica modesta que se prolonga até hoje. Em Marrocos e na Tunísia, a estrela continua a compor-se com azulejos na entrada e desenha-se em amuletos para os recém-nascidos. Nas aldeias berberes de montanha cunhava-se em fíbulas de prata e em adornos frontais das mulheres, onde o sinal funcionava ao mesmo tempo como dote e como amuleto. Na Andaluzia, os antigos azulejos com esta estrela ainda aparecem nos pátios e nas fachadas, a recordar os séculos em que três religiões viviam aqui lado a lado. O símbolo por que discutiam os teólogos vive tranquilo nas mãos dos artesãos e nas soleiras das casas, e é justamente essa herança silenciosa que explica porque chegou até nós sem interrupção.

A psicologia do símbolo protetor

Não é preciso acreditar nos génios para que o Selo de Salomão "funcione". A psicologia moderna explica com bastante clareza porque é que os sinais protetores ajudam as pessoas milhares de anos depois de se formarem as lendas que os geraram.

O primeiro é a sensação de controlo. Quando alguém traz consigo um sinal que "trata da proteção", parte da ansiedade quanto ao futuro fica como que delegada no objeto. A probabilidade real de contratempos não muda, mas a inquietação de fundo baixa, e com ela crescem a calma e a concentração. O selo, com a sua ideia de poder sobre o caos, fá-lo de forma especialmente palpável.

O segundo é a âncora de sentido. Um símbolo com uma filosofia meditada, o equilíbrio dos elementos, o domínio de si próprio, a harmonia do céu e da terra, funciona como lembrete diário dos valores do seu dono. O olhar cai sobre a estrela, e na cabeça aflora no instante uma consigna: mantém-te firme, guarda a ordem. Os psicólogos chamam a estes objetos âncoras, e ajudam de forma mensurável a serenar num momento difícil.

O terceiro é o vínculo com a história e as raízes. Usar um sinal que tem dois mil anos e que uniu civilizações inteiras significa sentir-se parte de algo grande. Essa sensação de pertença, por si só, aumenta a resistência ao stress. Nada de místico: assim está feita a consciência humana. O Selo de Salomão não muda a realidade, muda a atitude perante ela, e fá-lo numa direção proveitosa.

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Mitos sobre o Selo de Salomão
O Selo de Salomão e a Estrela de David são a mesma coisa
Toque
O Selo de Salomão tem de ser sempre de seis pontas
Toque
É um símbolo puramente judaico
Toque
O Selo de Salomão está ligado à magia negra
Toque
Só um crente pode usar o Selo de Salomão
Toque
O rei Salomão teve realmente um anel mágico
Toque

Factos sobre o Selo de Salomão que surpreendem

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Perguntas frequentes

O que é o Selo de Salomão, em poucas palavras? É o lendário anel do rei Salomão com um sinal secreto gravado e, na versão judaica, o nome de Deus. Segundo a tradição, dava poder sobre os espíritos e os génios. Hoje chama-se Selo de Salomão também ao próprio símbolo, a estrela de seis ou de cinco pontas, que se usa como amuleto.

O Selo de Salomão é o mesmo que a Estrela de David? A forma é a mesma, uma estrela de seis pontas, mas o contexto é diferente. A Estrela de David é antes de mais um símbolo nacional e religioso do judaísmo. O Selo de Salomão é um sinal mágico e protetor mais antigo, comum às tradições judaica, cristã e islâmica. O mesmo hexágono, em mãos diferentes, lê-se de forma diferente.

Quantas pontas tem o Selo de Salomão, cinco ou seis? Com mais frequência, seis: o selo clássico é um hexagrama de dois triângulos. Mas em parte dos textos mágicos medievais também se chama Selo de Salomão à estrela de cinco pontas, o pentagrama. Ambas as formas se consideram legítimas; a diferença está no acento simbólico.

O Selo de Salomão é um símbolo islâmico ou judaico? Ambos, e também cristão. No islão é o khatam Suleiman, o selo do profeta Suleiman, um dos sinais protetores mais difundidos. No judaísmo relaciona-se com o rei Salomão e o escudo de David. Na Europa cristã viveu como símbolo de harmonia e como sinal nos livros de magia. É um raro símbolo comum a três religiões.

Posso usar o Selo de Salomão se não for religioso? Sim. O símbolo não exige fé. Usa-se como amuleto, como sinal de equilíbrio interior e simplesmente como uma geometria bela com uma história funda. O sentido "harmonia dos contrários e domínio de si próprio" entende-se independentemente da confissão.

Em que dedo se usa o anel com o Selo de Salomão? Não há uma regra estrita. O lugar clássico do anel de sinete é o dedo mínimo. O anelar torna o anel mais significativo; o indicador dialoga com o tema da vontade e do poder. O importante é que o anel assente firme e que o escudo com a estrela olhe para fora.

É verdade que o Selo de Salomão protege do mal? Na tradição, sim, é o seu papel doméstico principal: amuleto contra o mau-olhado, a inveja e as más intenções. A estrela fechada e perfeita, segundo a crença, não deixa entrar o mal. Acreditar nisso ou usar o símbolo só pelo seu sentido e pela sua beleza é assunto de cada um. Ambas as abordagens têm igual direito.

Em que se distingue o Selo de Salomão do pentagrama e da hamsa? O pentagrama é uma estrela de cinco pontas, ligada aos cinco elementos e à imagem do ser humano, enquanto o Selo de Salomão clássico é de seis pontas e fala da união do céu e da terra. A hamsa é uma mão aberta protetora, uma forma completamente diferente. Os três protegem, mas com imagens diferentes, e muitas vezes usam-se juntos.

O que estava gravado no verdadeiro anel de Salomão? Segundo a lenda, um sinal secreto e, na versão judaica, o nome impronunciável de Deus, esse mesmo Tetragrama de quatro letras. Era o nome, e não a estrela em si, que era tido por fonte do poder sobre os espíritos. A tradição posterior acrescentou ao anel o cobre e o ferro como metais que os demónios temem.

Porque é que ao Selo de Salomão chamam estrela dos sábios? Assim lhe chamavam os alquimistas. Os dois triângulos encaixados liam-nos como a união de princípios opostos, enxofre e mercúrio, fogo e água, e essa união era a meta da sua Grande Obra. A estrela servia de emblema cifrado do processo, compreensível para os iniciados e inocente à vista para os demais.

Posso usar o Selo de Salomão junto com uma cruz ou outro símbolo de fé? Sim. O Selo de Salomão não está ligado a uma só confissão e convive bem com outros sinais. Usa-se muitas vezes junto à mão de Fátima, ao nazar ou a uma corrente simples. A única coisa que convém lembrar é a medida: a estrela lê-se com mais clareza quando à sua volta há algum ar.

Há diferença entre oferecer um anel ou um pendente com o Selo de Salomão? O sentido é o mesmo; muda a comodidade. O anel de sinete está mais perto da própria lenda do anel, mas exige saber o número do dedo. O pendente é mais universal para presente, pode pôr-se logo e está mais perto do papel quotidiano, de amuleto, do símbolo. Para uma criança e por precaução, é mais prático escolher o pendente.

É verdade que Salomão selava os génios em vasilhas? Assim o conta a tradição popular islâmica: o profeta Suleiman, com o seu selo, encerrava os génios rebeldes em cântaros de cobre e atirava-os ao mar. Desta tradição brotaram os contos do espírito libertado da garrafa. No próprio Alcorão não há cântaros nem selo; ali diz-se que os génios obedeciam a Suleiman e trabalhavam à sua palavra.

Conclusão

O Selo de Salomão percorreu o caminho desde umas linhas em livros antigos até uma joia que hoje se pode pôr no dedo. Pelo caminho reuniu as lendas de três religiões, mandou nos demónios nos contos, adornou mesquitas e catedrais, entrou nos grimórios e numa bandeira estatal. A forma mudou pouco: a mesma estrela de triângulos perfeitos. Mudou o sentido que se lhe pôs dentro, e nisso está a sua força.

Quer acredites no anel que amansava os génios, quer simplesmente aprecies a geometria sóbria com uma biografia de dois mil anos, o Selo de Salomão continua a ser um dos símbolos mais inteligentes e universais que se podem usar. Uma estrela que fala de equilíbrio, ordem e domínio de si próprio soa oportuna em qualquer época.

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Sobre a Zevira

A Zevira faz joias na tradição artesã de Albacete, Espanha. O Selo de Salomão é desses símbolos de que gostamos: antigo, reconhecível, compreensível sem palavras a mais e igualmente oportuno num anel sóbrio e numa corrente fina. Reproduzimos a geometria limpa da estrela em materiais e proporções contemporâneos, com atenção a que as linhas se leiam durante anos.

O que podes encontrar connosco em torno da simbologia e dos amuletos:

Cada joia admite gravação pessoal. Prata de lei 925 e ouro de 14 a 18 quilates.

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