
O ónix na joalharia: do selo romano ao anel de sinete masculino
A maioria dos anéis de sinete antigos resgatados das ruínas de Pompeia e Roma chegou até nós intacta. Não pela sua cor negra nem por qualquer magia, mas pela própria pedra: o ónix é duro, denso e não se esfarela sob o buril do gravador. Por isso, quando um magistrado romano encomendava uma gema para o seu selo, escolhia quase sempre ónix. A impressão na cera saía nítida e a pedra sobrevivia ao seu dono uns bons dois mil anos.
O ónix é uma variedade de calcedónia, uma forma criptocristalina do quartzo. Negro, listrado, frio ao toque, com uma dureza próxima de 7 na escala de Mohs. Essa resistência e o seu belo estratificado tornaram-no o preferido dos lapidários de gemas, dos joalheiros do Renascimento e dos artesãos das joias de luto do século XIX. Hoje é a pedra dos sóbrios anéis de sinete masculinos, dos selos e das pulseiras.
O que se segue vai direto ao assunto: de que se compõe o ónix, como se forma, onde se extrai, como distingui-lo das falsificações e das pedras que se lhe assemelham, como cuidar dele e com que o usar. Sem misticismos e sem promessas de que a pedra lhe vá mudar a vida.
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O que é o ónix: composição, estrutura e propriedades
Química e mineralogia
O ónix é calcedónia, a variedade criptocristalina (microcristalina) do quartzo. A sua fórmula química é dióxido de silício, SiO₂. O que o distingue do cristal de rocha transparente é que não é formado por um único cristal grande, mas por uma infinidade de fibras microscópicas de quartzo apertadas umas contra as outras. Por isso a pedra é opaca ou translúcida apenas pelas bordas.
O traço que define o ónix é o seu bandeado paralelo. As camadas de cor diferente, quase sempre negras e brancas, depositaram-se umas após as outras, de modo que num corte se veem faixas retas e regulares. A sua parente próxima, a ágata, tem bandas concêntricas e curvas, ao passo que as do ónix são retas e paralelas. Essas camadas regulares foram precisamente o que fez do ónix um material ideal para camafeus e selos: o lapidário rebaixava a camada clara superior para que uma figura sobressaísse sobre o fundo escuro.
A cor das bandas vem de impurezas mínimas. O negro e o cinzento-escuro provêm de compostos de carbono e ferro, ao passo que os tons pardo-avermelhados, como no sardónix, vêm de óxidos de ferro. A calcedónia pura, por si só, é incolor ou esbranquiçada.
Convém esclarecê-lo à partida: boa parte do ónix negro do mercado é calcedónia cinzenta ou incolor, tingida pelo velho método do açúcar e do ácido. É uma prática antiga e aceite, que remonta à Antiguidade, não um engano em si. O problema surge quando uma pedra tingida se faz passar por uma rara pedra de negro natural.
Propriedades físicas
- Dureza Mohs: de 6,5 a 7. O ónix risca o vidro com facilidade, mas a safira e o diamante riscam-no a ele. Essa dureza basta para que uma peça dure décadas sem desgaste visível.
- Sistema cristalino: trigonal (como todo o quartzo), mas ao nível dos microcristais individuais; à vista, a pedra parece maciça.
- Densidade: cerca de 2,6 g/cm³. A pedra natural é claramente mais pesada do que o plástico (à volta de 1,2 g/cm³), mas mais leve do que, por exemplo, a hematite.
- Brilho: vítreo a ceroso; depois de polida, a superfície fica como um espelho.
- Fratura: concoidal, como em todo o quartzo.
- Ótica: índice de refração da ordem de 1,53 a 1,54, birrefringência fraca. Sendo microcristalina e opaca, a pedra não apresenta dispersão (fogo) nem pleocroísmo marcado. Não é uma gema transparente facetada, mas um material ornamental denso.
- Translucidez: pelas bordas finas, a calcedónia natural costuma deixar passar alguma luz.
Devido ao bandeado, o ónix apresenta planos fracos de clivagem ao longo dos limites das camadas. Na prática, isso significa que uma pedra com camadas marcadas pode partir-se por uma camada perante uma pancada seca ou uma mudança brusca de temperatura.
Como se forma o ónix: geologia e jazidas
Origem na natureza
O ónix, tal como a ágata, forma-se em cavidades de rochas vulcânicas e sedimentares. As bolhas de gás na lava arrefecida (amígdalas) ou as fendas e vazios dos calcários vão-se enchendo, com o tempo, de sílica proveniente de soluções de baixa temperatura que circulam pela rocha. A sílica deposita-se camada sobre camada nas paredes da cavidade. Quando as condições mudam de forma periódica (a composição da solução, as impurezas, a velocidade de deposição), formam-se bandas de cor diferente. As camadas paralelas dão ónix, as concêntricas dão ágata.
O processo é lento e ocorre a baixa temperatura, em condições próximas da superfície. A pedra acabada é quimicamente estável: não desbota com a luz nem se desfaz com a água.
Onde se extrai
As principais fontes de ónix e ágata são conhecidas há muito tempo:
- Brasil (sobretudo os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul), o maior fornecedor mundial de ágata e calcedónia, incluindo o material que se transforma em ónix negro após o tratamento.
- Uruguai, ágatas e calcedónias de alta qualidade, usadas historicamente para peças lapidadas.
- Índia (o Decão, a região do Guzerate), um dos centros mais antigos de extração e trabalho da ágata e da cornalina; a tradição da lapidação em pedra conta-se aqui por séculos.
- Alemanha, Idar-Oberstein: o centro histórico da lapidação e do tratamento da ágata na Europa; foi aqui que se aperfeiçoaram os métodos para tingir a calcedónia.
- Madagáscar, Estados Unidos (Oregon, Montana), México, fontes conhecidas de ágatas e calcedónias de vários tons.
O sardónix de bandas pardo-avermelhadas naturais foi extraído e trabalhado historicamente na Índia e na Arábia; na Europa foi apreciado desde a Antiguidade como material valioso para gemas.
O ónix quer metal frio e espaço só para si. Enche-o de ouro e pedras de cor, a pedra apaga-se e você passa por novo-rico. E não discuta.
Com que usar o ónix
Leio o ónix como estilista: a pedra negra atrai justamente a atenção que o fundo lhe deixa, por isso começo sempre pela roupa e não pela pedra em si. Estas são as perguntas que mais me fazem.
Com que metal combino o ónix? Recomendo os metais frios: prata, ouro branco, platina. O ouro amarelo quente discute com o negro fosco, ao passo que a prata dá aquele jogo de brilho frio e negro profundo que já se apreciava no século XIX.
Cabe o ónix no escritório? Sim, e sugiro-o como uma aposta quase segura. Um fato cinzento ou azul-marinho, uma camisa clara, um sinete de prata com pedra negra no anelar. Uma pulseira fina de contas passa bem por baixo do punho: mal se vê, mas o pulso sente o peso.
Que decote e que comprimento de fio escolho para um pendente? Para a noite escolho um fio curto, junto à clavícula, e uma gola aberta: uma camisola escura ou uma camisa com o botão de cima solto. Assim a pedra lê-se sobre a pele nua ou o tecido escuro, e o negro sobre negro fica sóbrio e de bom gosto.
Com que pedras se dá bem o ónix e com quais não? Gosto de pôr a seu lado pedras brancas e pérolas: o escuro e o claro reforçam-se. As pedras de cor viva aconselho-o a deixá-las, levam a atenção e o ónix perde.
Quantas peças de ónix uso ao mesmo tempo? Recomendo uma peça que se destaque em vez de três pequenas: a pedra prefere a solidão. Se puser várias coisas, mantenho-as numa mesma gama, ónix negro, prata, um único acento claro quando muito.

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O ónix na cultura e na história
A Antiguidade: selos e gemas
Na Grécia e na Roma antigas, o ónix e o sardónix foram o material principal das gemas lapidadas, dos entalhes (uma imagem gravada em oco, para selar) e dos camafeus (relevo). O selo fazia as vezes de assinatura: a sua impressão na cera ou na argila autenticava um documento. O contraste das bandas e a dureza da pedra faziam do ónix o material ideal para esta tarefa, pois o desenho fino não se apagava depois de milhares de impressões.
A palavra «ónix» provém do grego onyx, «unha» ou «garra». As bandas claras translúcidas sobre fundo escuro faziam lembrar aos antigos a lúnula mais clara da unha. A pedra aparece nos autores clássicos entre as gemas usadas para a lapidação; sobre as propriedades e variedades do ónix escreveu, entre outros, Plínio, o Velho, na sua «História Natural».
O Renascimento: camafeus de pedra estratificada
A lapidação em pedra estratificada viveu o seu esplendor no Renascimento. Os mestres lapidários aprenderam a rebaixar as camadas de modo que uma figura clara se elevasse sobre um fundo escuro, dando camafeus de várias cores. Um dos exemplos mais célebres de lapidação em sardónix, o «Camafeu Gonzaga» (uma obra helenística que passou depois por coleções europeias), mostra do que a técnica era capaz: um retrato duplo lapidado aproveitando as camadas naturais da pedra.
O século XIX: a joalharia de luto
No século XIX o ónix negro afirmou-se no que se chama joalharia de luto. A época vitoriana desenvolveu uma elaborada etiqueta do luto, e as pedras escuras, ónix, azeviche, esmalte negro, tornaram-se a escolha adequada para broches, anéis e pendentes usados em memória dos defuntos. É também então que se firma a combinação do ónix negro com pérolas e pedras claras: o contraste de escuro e claro lia-se como sóbrio e severo.
Em paralelo, o ónix continuou a ser o material dos anéis de sinete masculinos gravados com monogramas e brasões, uma tradição herdada diretamente das gemas antigas.
Opiniões de clientes
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Tipos de ónix e em que se distingue de pedras parecidas
Variedades
- Ónix negro, a variante de joalharia mais comum: negro uniforme ou com bandas brancas. A maior parte do mercado é calcedónia tratada (tingida).
- Sardónix, ónix com bandas pardo-avermelhadas ou castanhas em vez de negras, alternadas com brancas. O tom vermelho é dado pelos óxidos de ferro. Foi mais valorizado historicamente pela sua cor quente e pelo seu efeito nos camafeus.
- Ónix branco acinzentado e mel, as variedades claras e bandeadas da calcedónia.
- «Mármore ónix» (ónix marmóreo), uma história à parte e uma fonte frequente de confusão. Não é calcedónia de todo, mas calcite ou aragonite bandeada (carbonato de cálcio). Com ela fazem-se jarras, bancadas e caixas. É mole (dureza 3 a 4), risca-se com facilidade e reage ao ácido. Nada tem a ver com o ónix-calcedónia de joalharia, embora se venda com um nome parecido.
Ónix ou ágata
O ónix e a ágata são parentes próximos, ambos calcedónias. A diferença está no desenho das bandas: a ágata tem faixas concêntricas e curvas que acompanham a forma da cavidade, ao passo que as do ónix são retas e paralelas. Nas suas propriedades (dureza, densidade) são praticamente idênticos.
Ónix ou turmalina negra, obsidiana, azeviche
As pedras negras confundem-se com facilidade, mas a sua natureza é distinta:
- Turmalina negra (chorlo), um mineral à parte, um silicato, mais duro do que o ónix (7 a 7,5), muitas vezes com estrias longitudinais nas faces e sem bandeado.
- Obsidiana, vidro vulcânico, amorfo, mais mole (à volta de 5 a 5,5), com um brilho vítreo característico e fratura concoidal, por vezes translúcido em pardo-fumado. A sua natureza é bem outra: há mais sobre esta pedra escura no artigo sobre a obsidiana na joalharia.
- O azeviche não é uma pedra no sentido mineralógico, mas uma variedade de carvão fóssil. Muito leve, quente ao toque, mole. Foi o azeviche, e não o ónix, o material negro «de luto» mais popular do século XIX.
Como distingui-lo de falsificações e imitações
Sob o nome de ónix vendem-se muitas vezes vidro tingido, plástico ou calcedónia muito tratada. O que ajuda a nível doméstico:
- Peso e condução do calor. A pedra natural arrefece a mão e aquece mais devagar do que o plástico; o vidro nota-se mais leve do que a pedra de tamanho parecido. É uma verificação grosseira, não uma prova.
- Translucidez. As bordas finas da calcedónia natural costumam deixar passar alguma luz. Um «ónix» totalmente opaco pode revelar-se vidro ou plástico.
- Bandas com lupa. No ónix natural as camadas são imperfeitas, com pequenas irregularidades. Um desenho demasiado regular, quase «impresso», é motivo de desconfiança.
- Bolhas. As bolhas de ar redondas no interior são um sinal típico do vidro, não da pedra.
Só um gemólogo com instrumentos consegue distinguir com fiabilidade a cor natural da tingida e, ainda menos, identificar uma imitação. Tingir a calcedónia é, em si, um método de tratamento legítimo e antigo; o que importa apenas é que o vendedor o indique com honestidade.
Como escolher o ónix: em que reparar numa peça acabada
O ónix não se compra como pedra solta, mas como parte de um anel, de um sinete, de um pendente. Por isso convém avaliar a peça inteira e não a pedra no ar. É isto que o olhar de um comprador experiente percorre.
O polimento. O principal indicador de um bom trabalho. Um ónix bem polido dá um reflexo de espelho uniforme, sem manchas foscas nem «casca de laranja». Rode a pedra sob uma lâmpada: o brilho deve deslizar limpo, sem grão. As zonas turvas indicam falta de polimento ou microfissuras sob a superfície.
A uniformidade do negro. Num ónix negro tingido de forma regular a cor é profunda e sem veios pardos. As manchas acinzentadas ou apardaçadas contra a luz denunciam um tingimento desigual. Não é um defeito em si, mas por uma cor desigual não vale a pena pagar a mais.
As lascas nas bordas. O ponto vulnerável do ónix é a aresta da pedra, sobretudo nas placas planas dos selos. Passe a unha pela borda da pedra e pelo seu assento no engaste: as lascas e mossas notam-se ao toque antes de à vista. Um bom engaste cobre a aresta com metal precisamente para proteger essa borda.
O assento no engaste. A pedra não deve mexer-se no seu alojamento. Uma folga ligeira significa que, com o tempo, a pedra se soltará. Para o ónix é preferível um engaste fechado (de bisel) ou garras que segurem a pedra com firmeza, em vez de uma colagem à face.
A simetria nas contas. Numa pulseira, as contas devem ser do mesmo calibre e sem «barriletes» achatados. As contas de tamanho díspar são sinal de um sortido barato e mal classificado.
Uma nota sobre a questão honesta do tingimento. A esmagadora maioria do ónix negro está tratada, e isso é o normal. O que o deve pôr de sobreaviso não é o tingimento em si, mas a tentativa de vender calcedónia tingida ao preço de uma rara pedra de negro natural. Uma pergunta direta ao vendedor, «cor natural ou tratada?», e uma resposta tranquila e concreta, já é um bom filtro.
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A forma da pedra: cabochão, placa, contas, entalhe
O ónix não se lapida em facetas como as gemas transparentes: é opaco, não tem fogo com que jogar. Por isso a pedra trabalha-se de outro modo, e a forma influi por inteiro no seu conforto de uso.
O cabochão liso (uma gota polida e abaulada sem facetas) é a forma mais comum para pendentes e anéis de mulher. A superfície curva reflete a luz num único brilho suave e aguenta bem o atrito.
A placa plana usa-se em selos e anéis masculinos. A sua vantagem é a superfície para gravar, o seu inconveniente são as arestas vivas, que se lascam ao bater contra uma armação ou uma mesa. A placa precisa de um engaste que cubra a aresta.
As contas (de 4 a 8 mm para pulseiras, mais finas para fios) são cómodas porque a forma redonda não tem arestas vulneráveis, de modo que uma pulseira de ónix aguenta o uso diário melhor do que um anel com placa plana.
O entalhe e o camafeu são lapidações, em oco ou em relevo, herdeiras diretas das gemas antigas. Sobre o ónix negro maciço lapida-se um entalhe (um selo), sobre o sardónix bandeado faz-se um camafeu aproveitando o contraste das camadas. As peças lapidadas são mais sensíveis às pancadas na linha do corte, e convém usá-las com mais cuidado do que uma pedra lisa.
A conclusão prática: para um anel que vá levar uma vida ativa, é mais seguro um cabochão ou uma placa protegida pelo engaste; para uma peça de gala pode permitir-se a lapidação; para um acessório de todos os dias, sem pensar nas pancadas, as contas.
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Mitos sobre o ónix
O cuidado do ónix
O ónix é bastante duro (6,5 a 7), de modo que no uso diário resiste aos riscos. Os seus pontos fracos são o bandeado e a sensibilidade às mudanças bruscas de temperatura, além de que muitas pedras do mercado estão tingidas e uma química agressiva pode afetar o tingimento.
Limpeza. Água morna, uma gota de sabão suave, uma escova macia ou um pano. Enxaguar e secar bem. Com isso basta para o cuidado habitual.
O que evitar. A limpeza por ultrassons e por vapor é desaconselhada: a vibração e o calor podem propagar-se pelos limites das camadas ou danificar as fendas preenchidas. Não convém ter a pedra ao sol direto nem perto de focos de calor, nem mergulhá-la em ácidos, água clorada e solventes. Ponha o perfume e a cosmética antes de colocar a joia, não depois.
Conservação. À parte das pedras mais duras (o diamante, a safira e o topázio riscam o ónix) e daquilo que ele próprio pode riscar (pérolas, prata). O melhor é uma bolsinha macia ou um compartimento à parte no guarda-joias, num lugar seco e sem mudanças bruscas de temperatura.
Resistência ao uso. Para anéis e selos que recebem pancadas, uma dureza de 6,5 a 7 é um mínimo razoável: o ónix aguenta melhor do que as pedras moles como a opala ou o azeviche, mas também não é eterno. Pendentes e brincos desgastam-se menos do que os anéis e duram mais.
O simbolismo do ónix: o que convém saber com ceticismo
Diferentes tradições atribuíram ao ónix propriedades de proteção, enraizamento e firmeza. A cor negra associou-se à seriedade e à dignidade, daí o seu papel na joalharia de luto e cerimonial. Na tradição astrológica indiana o ónix liga-se a Saturno; em alguns lapidários medievais davam-se-lhe já propriedades protetoras, já sombrias, as opiniões divergiam.
Tudo isto é simbolismo cultural, não propriedades comprovadas. Não há qualquer efeito confirmado da pedra sobre a saúde, o sono, a tensão, a ansiedade ou a sorte. O ónix não cura nem «carrega de energia». Se a pedra lhe agrada e sustenta um certo estado de espírito, é o efeito psicológico normal de um objeto belo, nada mais. Convém comprar uma joia porque é bonita e está bem feita, não pelos prodígios que se lhe prometem.
Joalharia masculina com ónix
O anel de sinete
Herdeiro direto da gema antiga. Hoje um sinete de ónix usa-se como adorno, por vezes gravado com iniciais ou um monograma. A pedra negra fica sóbria e não grita como o ouro amarelo. Para um sinete toma-se uma pedra maciça (a partir de uns 12 por 16 mm) para que não se perca, e um metal frio, a prata de lei 925 dá um contraste expressivo. Convém manter simples a gravação: uma ou duas letras ou um símbolo escueto leem-se melhor no ónix do que uma lapidação fina e carregada. Sobre como compor um monograma para que as letras não choquem entre si, leia o guia sobre iniciais e monogramas na joalharia.
A pulseira
O mais habitual é uma pulseira de contas de ónix (normalmente de 4 a 8 mm) em fio elástico ou corrente. É escueta, não brilha e serve para o uso diário. Outra opção é uma pulseira de prata com uma única placa plana de ónix.
O pendente
Um cabochão polido de ónix em engaste de prata sobre corrente. Debaixo de camisa e casaco perde-se, mas com a gola aberta ou uma camisola escura lê-se bem. Um fio curto mantém a pedra junto à clavícula.
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O ónix na joalharia feminina
O ónix negro é tido por engano como pedra puramente masculina, embora historicamente tenha vivido na joalharia feminina tanto como na outra. Na época vitoriana foram as mulheres quem usou broches e anéis de ónix como parte do vestuário de luto, e a combinação clássica do ónix negro com pérolas brancas, que ainda hoje se lê como elegância severa, nasceu justamente na joalharia feminina do século XIX.
No conjunto feminino o ónix trabalha por contraste. Não acrescenta cor, acrescenta traço gráfico: um ponto ou uma linha escura e nítida sobre fundo claro. Por isso resultam especialmente acertadas as combinações com o branco e o transparente, uns brincos de botão de ónix com um detalhe de pérola, um anel com cabochão negro junto a um metal claro, um pendente fino em fio comprido sobre um vestido liso.
A lógica dos formatos difere da masculina. Se na joalharia de homem o ónix se toma maciço (um sinete, uma pedra grande), na de mulher funcionam melhor as formas pequenas e médias: um cabochão de 6 a 10 mm num anel, uns brincos de gota, um fio de contas pequenas. Uma pedra negra grande num anel feminino fica bem num conjunto severo, quase de escritório, e choca com um romântico.
O ónix negro é ainda versátil quanto ao tom: combina tanto com o ouro amarelo quente como com a prata fria, porque a própria pedra não tem temperatura de cor. Isso torna-o uma base cómoda quando não se quer ajustar a pedra a um metal concreto.
Perguntas frequentes sobre o ónix
O ónix é uma pedra preciosa?
Não, é uma pedra ornamental (semipreciosa), uma variedade de calcedónia. É mais acessível do que as pedras preciosas clássicas, mas bonita e duradoura.
Em que se distingue o ónix do sardónix?
Na cor das bandas. O ónix tem-nas em branco e preto, o sardónix pardo-avermelhadas com branco. Em composição e dureza são o mesmo material, calcedónia.
Que dureza tem o ónix?
De 6,5 a 7 na escala de Mohs. Risca o vidro, mas é mais mole do que a safira e o diamante. Para joalharia de todos os dias basta.
Pode o ónix rachar?
Sim, perante uma pancada forte ou uma mudança brusca de temperatura, e a rutura costuma seguir o limite de uma camada. Com um uso normal e cuidadoso a pedra dura décadas.
A maioria do ónix negro está tingida?
Sim, boa parte do ónix negro de joalharia é calcedónia cinzenta tratada (tingida). É um método antigo e aceite. A cor é estável e não danifica a pedra; o que importa apenas é que o vendedor não o oculte.
Como distingo o ónix da turmalina negra e da obsidiana?
A turmalina é um mineral à parte, mais duro, muitas vezes com estrias longitudinais e sem camadas. A obsidiana é vidro vulcânico, mais mole, com brilho vítreo e fratura concoidal. O ónix costuma mostrar camadas paralelas com lupa.
Posso usar o ónix na água, no duche, na piscina, no mar?
A água não danifica a pedra em si, mas o cloro e o sal podem afetar com o tempo o engaste e o metal. Antes da piscina e do mar é melhor tirar a joia.
O que é o «mármore ónix» de jarras e bancadas?
É outro material, calcite ou aragonite bandeada, mole (dureza 3 a 4). Não pertence ao ónix-calcedónia de joalharia, embora o nome se pareça.
Como limpo o ónix em casa?
Água morna, sabão suave, uma escova macia ou um pano. Sem ultrassons, sem vapor, sem ácidos nem solventes.
Fica bem o ónix às mulheres?
Sim. Não é uma pedra «só de homem»: o ónix negro encaixa em anéis, brincos e pendentes de mulher, sobretudo em conjuntos severos e de contraste com pérolas ou pedras claras.
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Fazemos joias com ónix e sardónix pensadas para durar: selos, anéis, pulseiras e pendentes em prata de lei 925, com possibilidade de gravação.
Para nós uma pedra é antes de mais um material de propriedades compreensíveis, não uma fonte de promessas. Dizemos com honestidade onde o ónix é de cor natural e onde é calcedónia tratada, escolhemos pedras de polimento regular e sem fendas e montamo-las num engaste que protege as bordas vulneráveis. Fazemos a gravação simples e legível, porque é assim que fica melhor no ónix.
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