
Thoth: deus egípcio da sabedoria, da escrita e da lua, significado do símbolo e joias
O deus com cabeça de íbis ofereceu ao Egito a escrita e o cálculo, mantinha o registo no julgamento das almas e reconciliava os deuses em conflito. Era tido como guardião da palavra, da medida e do calendário lunar. Thoth estava por trás de cada escriba e de cada rolo escrito, enquanto a sua ave percorria os pauis do Nilo sob a luz da lua.
Quem é Thoth: o íbis e o babuíno
Thoth é o antigo deus egípcio da sabedoria, da escrita, do cálculo e da lua, patrono dos escribas, da magia e do conhecimento. Em egípcio o seu nome soava como Djehuti, e o habitual «Thoth» chegou até nós através dos gregos. No panteão egípcio ocupava um lugar próprio: não um deus do trovão nem um guerreiro, mas aquele que mantém os registos, guarda a medida e conhece a força da palavra. A Thoth remontava a invenção da escrita, a divisão do tempo em meses e a própria capacidade de nomear as coisas pelos seus nomes verdadeiros. Os egípcios acreditavam que a escrita era um dom divino e não uma invenção humana, e o doador tinham-no por Thoth.
O deus tinha duas formas principais, ambas ligadas ao astro noturno. O mais frequente era representá-lo como um homem com cabeça de íbis de bico comprido, e com menos frequência inteiramente como um babuíno. Para o egípcio estas formas não eram máscaras, mas corpos distintos de uma mesma divindade, e cada uma trazia o seu próprio sentido. Abaixo veremos como se leem estas imagens e por que razão foi precisamente o íbis que se tornou sinal de sabedoria.
O homem com cabeça de íbis e a paleta de escriba
A forma mais reconhecível de Thoth é um homem esguio com cabeça de íbis, a ave sagrada dos pauis de bico curvo. Nas mãos costuma trazer uma paleta de escriba e um cálamo ou um rolo, e às vezes uma folha de palma com incisões para contar os anos. Este conjunto fala por si: perante nós não está um guerreiro nem um lavrador, mas um letrado, um contabilista e um guardião de registos. O bico comprido e curvo do íbis lembrava aos egípcios uma pena mergulhada em tinta e a forma do quarto crescente, pelo que a ave ficou ligada ao mesmo tempo à escrita e à lua. Um pendente ou uma gema com a figura de cabeça de íbis liam-se na Antiguidade como sinal de erudição e de amparo do conhecimento.
O babuíno como segunda forma do deus
A segunda forma de Thoth é o babuíno, quase sempre sentado sobre as patas traseiras com o focinho erguido. Os egípcios repararam que os bandos de babuínos lançam de madrugada fortes gritos para saudar o sol, e interpretaram isso como uma saudação aos deuses e uma participação na ordem do mundo. Assim o babuíno tornou-se animal de sabedoria e vigilância, e através disso animal de Thoth. Sob a forma de babuíno o deus era representado muitas vezes junto da balança na cena do julgamento dos mortos, onde vela pela exatidão da pesagem. Ambas as formas, íbis e babuíno, conviviam sem conflito e sublinhavam facetas distintas de uma mesma divindade: a finura da escrita e a atenção aguda.
O grito matinal dos babuínos os egípcios ligavam-no ao próprio amanhecer e ao deus solar Rá: acreditava-se que os macacos erguiam as patas para a luz nascente e eram os primeiros do mundo a saudar o seu aparecimento. Nas cenas dos templos representavam-se muitas vezes fileiras de babuínos justamente assim, com as patas dianteiras levantadas para o sol, como numa oração comum. Por esta imagem Thoth-babuíno ficava vinculado também ao andamento diário dos astros e à ordem que se restabelece a cada amanhecer. E o laço lunar do deus não desaparecia por isso: ao macaco sentado coroava-se por vezes com o mesmo disco lunar no cálice do quarto crescente que se punha à figura de cabeça de íbis.
O disco lunar e o quarto crescente na cabeça
Sobre a cabeça de Thoth colocava-se muitas vezes um sinal lunar: um disco cheio que repousa no cálice de uma lua nova. Isto apontava diretamente para o seu papel de divindade lunar. Na visão egípcia do mundo a lua respondia pelo cômputo do tempo, pois era pelas suas fases que se contavam os meses, e Thoth, como deus da medida e da ordem, ligou-se naturalmente ao astro noturno. O seu toucado lunar distinguia-o dos deuses solares e sublinhava que o seu elemento não era o calor do meio-dia, mas a luz calada com que se mantêm os registos e se observa o andamento do tempo. Nas joias este motivo lunar continua vivo: um quarto crescente sobre uma figura ou por si só lê-se como uma referência a Thoth.
Convém explicar por que razão a lua se ligou com tanta firmeza precisamente ao deus do cálculo. O mês lunar, com a sua sucessão de fases, foi para os egípcios o primeiro modo natural de dividir e medir o tempo: de lua nova a lua nova decorria um trecho bem delimitado, fácil de contar. Os sacerdotes fixavam pela lua as festas do templo e os tempos dos ofícios, e com isso toda a vida ritual do ano. Thoth, como guardião da medida, encabeçou naturalmente este cômputo, e o disco lunar na sua fronte era para os egípcios não um adorno, mas uma insígnia de cargo: perante nós aquele que marca o tempo. Nas joias este pormenor traz o mesmo duplo sentido, remetendo ao mesmo tempo para o astro noturno e para a ideia de um prazo contado e ordenado.
Por que razão foi o íbis que se tornou sinal de sabedoria
A escolha do íbis para o papel da ave da sabedoria não é fortuita e explica-se bem. O íbis alimenta-se nas águas rasas, rastreando metodicamente o lodo com o seu bico curvo, e esse movimento pausado e preciso os egípcios ligaram-no à atenção e à paciência do escriba. A ave mantém-se junto à água, no limite da terra e da cheia, e os limites e as medidas são precisamente o domínio de Thoth. Por fim, a curva do bico lembrava tanto a pena do escriba como a foice da lua, reunindo numa só imagem a escrita, o cálculo e o astro noturno. Os íbis eram venerados a tal ponto que se criavam nos templos e, após a sua morte, se embalsamavam aos milhões, dispondo-se para a ave verdadeiras necrópoles subterrâneas. Assim a ave viva dos pauis tornou-se sinal visível do deus do saber.
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História do culto de Thoth
A veneração de Thoth mergulha no estrato mais profundo da história egípcia e prolonga-se sem interrupção durante milénios, desde as primeiras dinastias até à época greco-romana. Nestes séculos a imagem do deus encheu-se de pormenores, fundiu-se com tradições locais e, ao ocaso da Antiguidade, deu origem a toda uma corrente de pensamento que sobreviveu ao próprio Egito. Repassemos os marcos principais desse longo caminho.
Hermópolis, a cidade dos oito deuses
O principal centro do culto de Thoth foi uma cidade do Egito Médio que os próprios egípcios chamavam Khemenu, «Oito», e que os gregos depois rebatizaram como Hermópolis. O nome «Oito» liga-se a uma lenda local sobre oito divindades primordiais, a Ogdóade, que personificavam o caos original anterior à criação do mundo: o abismo, a treva, a água e o invisível. Thoth era venerado aqui como senhor da cidade e ordenador do cosmos surgido desse estado primeiro. Nos templos de Hermópolis guardavam-se íbis e babuínos sagrados, e as necrópoles dos arredores conservam um número incontável de múmias destes animais. Os peregrinos vinham aqui trazer ao deus uma ave como intermediária e deixar uma súplica de clareza de mente, sorte num pleito ou mão firme na escrita. Os sacerdotes da cidade tinham fama de eruditos, observavam o céu e guardavam os rolos, e foi esta reputação de centro do saber que fixou em Hermópolis a imagem de uma morada de sabedoria. Daqui a fama de Thoth espalhava-se por todo o Egito, e foi esta cidade que deu aos gregos o motivo para identificar o deus local com o seu próprio Hermes, rebatizando Khemenu como Hermópolis.
Escriba dos deuses e senhor da medida
Na mitologia Thoth desempenhava o cargo de escriba dos deuses e conduzia a chancelaria celeste. Registava as decisões do conselho dos deuses, levava a conta dos anos de reinado, media os prazos e guardava os rolos com as leis do mundo. Ligava-se estreitamente à deusa Maat, encarnação da verdade, da ordem e da justiça: tinha-se Thoth por aquele que conhece e protege a medida, e Maat por aquilo que essa medida é. Tal papel fez de Thoth o patrono de todos os que lidavam com a palavra e o número: escribas, contabilistas, médicos, sacerdotes e guardiães de arquivos. O funcionário egípcio começava a sua jornada com uma breve vénia a Thoth, porque do seu favor, acreditava-se, dependiam a exatidão da mão e a clareza da mente.
Junto de Thoth os egípcios veneravam Seshat, deusa da escrita, do cálculo e da medida, a quem chamavam a sua parceira feminina. Seshat levava a crónica dos anos reais, media com um cordel os alicerces dos templos na sua fundação e anotava nas folhas da árvore sagrada ished os prazos concedidos ao faraó. Se Thoth respondia pela palavra e pelo saber em geral, Seshat encarnava o registo exato e a medição: juntos cobriam todo o domínio das letras, desde a chancelaria celeste até ao traçado de uma obra. Tal divindade em par mostra mais uma vez quão alto os egípcios colocavam a arte de contar, medir e consignar por escrito o feito.
Thoth e Hermes Trismegisto
Quando o Egito entrou no mundo grego e depois romano, os estrangeiros começaram a procurar equivalências para os deuses locais entre os seus. A Thoth, com o seu cargo de mensageiro da vontade dos deuses, patrono da escrita e guia das almas, identificaram-no com Hermes. Dessa fusão nasceu a figura de Hermes Trismegisto, o «Três vezes grandíssimo», sob a qual se entendia precisamente o deus egípcio da sabedoria em vestes gregas. Atribuíam-se-lhe antigos saberes secretos sobre os astros, os números, a natureza e a alma. O epíteto «três vezes grandíssimo» sublinhava o excecional: esta imagem concebia-se como fonte de toda a sabedoria, mais antiga do que a filosofia grega. Assim o nome de um deus egípcio tornou-se estandarte de todo um corpo de ensinamentos.
O hermetismo e o legado do nome
Sob o nome de Hermes Trismegisto, nos primeiros séculos da nossa era, formou-se um corpus de textos filosóficos e místicos, depois chamado hermético. Dele surgiu uma corrente conhecida como hermetismo, que influenciou a Antiguidade tardia, a alquimia medieval e os pensadores do Renascimento. A célebre «Tábua de Esmeralda», com a sua fórmula sobre a correspondência do alto e do baixo, ligou-se também a este nome, embora se tenha formado muito depois dos faraós. Aqui convém manter um enquadramento honesto: os textos do hermetismo são já pensamento greco-romano e medieval, não registos autênticos do Egito pré-dinástico. Mas o próprio facto de a tradição europeia ter feito remontar durante séculos a sabedoria secreta precisamente ao egípcio Thoth mostra quão forte se revelou a sua imagem de deus do saber.
Thoth ama a prata e o frio lunar, uma linha fina junto às clavículas. Um íbis de ouro grita, mas este deus fala em voz baixa.
Como usar Thoth: com que combiná-lo, metal e comprimento da corrente
Thoth é um sinal calado, e componho-lhe um conjunto à sua medida: não para exibir, mas para o observador atento. A prata e a linha lunar junto às clavículas assentam-lhe melhor do que o ouro ruidoso. Reuni aqui o que aconselho às minhas clientes conforme a ocasião.
Com que usar Thoth no dia a dia? Para um conjunto de dia recomendo um pendente-íbis fino em silhueta ou um quarto crescente de uns dois centímetros numa corrente de comprimento médio, sobre tecido liso. O cinzento, o grafite, o azul-marinho sustentam limpo o brilho frio da prata, e o desenho fino de uma pena lê-se melhor sobre um fundo terso. Um padrão garrido briga com a linha do bico, por isso escolho-o em último lugar. Um pendente assim não chama a atenção de um transeunte qualquer, e é justamente o que se espera do sinal de Thoth.
Que metal e motivo reunir? A prata aconselho-a como base: o seu brilho frio responde à natureza lunar do deus, e um quarto crescente em prata soa íntegro, o metal e o tema sobre o mesmo. A prata oxidada escolho-a quando quero sublinhar o grafismo da pena do íbis, pois as covinhas escurecidas dão ao sinal um carácter quase de desenho técnico. O ouro ou o banho de ouro recomendo-os se se procura um contraste quente ao tema lunar, mas então mantenho um só metal em todo o conjunto e não misturo prata com ouro.
Como escolher o comprimento da corrente conforme o decote? Ajusto o comprimento ao decote. Sob uma gola aberta aconselho uma corrente curta de uns quarenta e cinco centímetros: o íbis ou o quarto crescente cai na zona das clavículas, onde a linha se lê com mais clareza. Sob uma peça fechada recomendo descer o pendente para cinquenta ou cinquenta e cinco centímetros, sobre a parte alta do peito. O motivo lunar entra bem num conjunto de várias camadas, por isso os comprimentos de sessenta a setenta centímetros reservo-os para vários pendentes finos em correntes de comprimentos diferentes.
Que tamanho de sinal escolher? Ajusto o tamanho à tarefa. Um pendente pequeno e fino de 1,5 a 2 cm recomendo-o como sinal pessoal e calado sob a camisa ou num ambiente contido; não sobressai e só o seu dono o entende. Um médio de 2,5 a 3 cm aconselho-o como acento independente sobre um fundo liso, onde o desenho da pena tem lugar para se desdobrar. Uma figura grande de escriba ou de babuíno escolho-a com menos frequência e só sob uma peça simples, ou a miniatura carrega-se de pormenores.
O que convém para o dia a dia e o que para sair? Para o dia a dia e o ambiente de trabalho escolho um íbis plano em silhueta ou um quarto crescente em prata mate ou oxidada, onde o sinal se lê como um motivo gráfico limpo. Para a noite, pelo contrário, recomendo prata polida ou um banho de ouro quente numa corrente comprida, sobre tecido escuro e terso: o brilho da lua joga nas matérias lisas, e o motivo lunar reúne o conjunto noturno em torno de uma só linha clara.

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Guardião da palavra e da medida
Se reduzirmos todos os papéis de Thoth a um só, resulta a imagem de um guardião: da palavra, da medida, do tempo e do registo. Os egípcios confiavam-lhe tudo o que exige precisão e não tolera o arbítrio. Repassemos em separado as suas principais obrigações, porque delas nascem tanto a simbologia do deus como o seu eco nas joias atuais.
A invenção da escrita e os hieróglifos
A Thoth atribuía-se o próprio dom da escrita. Os egípcios chamavam aos hieróglifos «as palavras do deus», e como doador dessas palavras tinham precisamente Thoth. Na sua ideia, a escrita não se inventou passo a passo, por tentativas, mas recebeu-se já feita de uma divindade como meio de fixar a fala, conservar o saber e transmiti-lo aos vindouros. Daí uma atitude especial, quase sagrada, para com a escrita e para com quem a dominava. O escriba no Egito era uma figura respeitada, e o seu ofício tinha-se por participante do dom divino. O jovem que dominava a escrita obtinha um caminho para cargos com que um lavrador só podia sonhar, e as instruções escolares aconselhavam com clareza agarrar-se ao cálamo como ao ofício mais seguro. O domínio dos sinais do deus abria a passagem aos templos, às chancelarias e à própria corte, pelo que o dom de Thoth se apreciava como chave de toda a ordem do país. Um pendente com um sinal de escrita ou com a figura de um escriba remete justamente para esta ideia: a palavra escrita e conservada é mais forte do que a palavra dita e esquecida.
A magia das palavras e os encantamentos
Ao poder sobre a escrita liga-se estreitamente o poder de Thoth sobre a magia da palavra. Na visão egípcia do mundo um nome pronunciado ou escrito corretamente tinha força: nomear uma coisa pelo seu nome verdadeiro significava obter poder sobre ela. Thoth, como senhor das palavras, era tido também por senhor dos encantamentos, conhecedor das fórmulas que dão vida e protegem. Invocava-se em textos curativos e protetores, e os sacerdotes exorcistas agiam como que na sua pessoa. Trata-se de uma ideia religiosa dos antigos, não de um efeito comprovável, mas é precisamente esta ideia que dá profundidade à imagem de Thoth: é patrono não da força bruta, mas da força da palavra exata, pronunciada na hora precisa.
A este poder da palavra pertence também o relato do «livro de Thoth». Nos contos egípcios tardios falava-se de um rolo em que o deus tinha inscrito os encantamentos mais poderosos do mundo: quem os lesse supostamente entenderia a língua das feras e das aves e podia ver os deuses, mas toda a tentativa de apropriação de tal saber tornava-se castigo. Os guardiães desses textos eram na verdade sacerdotes especiais chamados heri-heb, «os que levam o rolo». Eram eles que liam as fórmulas nos ofícios do templo, junto ao leito do doente e sobre o corpo do defunto, agindo com a palavra na pessoa de Thoth. Nas suas mãos a escrita deixava de ser um simples registo e tornava-se ato, e o próprio rolo um objeto de poder de manuseamento cuidadoso.
Thoth regista a pesagem do coração
Uma das cenas mais conhecidas da religião egípcia é o julgamento dos mortos, a pesagem do coração. A alma do defunto era levada à sala, onde na balança o seu coração se equilibrava com a pluma de Maat, sinal da verdade. Se o coração não pesasse mais do que a pluma, declarava-se justo o defunto. Da pesagem encarregava-se o deus guia Anúbis, e Thoth estava ao lado com a paleta e consignava o resultado no rolo. O papel do escriba aqui é fulcral: a sentença tinha-se por válida quando a escrevia a mão de Thoth. O deus do saber agia como o imparcial oficial de diligências do tribunal supremo, e isto fixou nele o sentido de justiça e de exatidão incorruptível. Trazer o seu sinal significava pôr-se do lado da medida e do cômputo honesto.
Guardião do calendário e do cômputo do tempo
Como divindade lunar Thoth respondia pelo cômputo do tempo. Pelas fases da lua os egípcios levavam os meses, e o próprio deus tinha-se por ordenador do calendário e guardião da sua exatidão. Uma lenda contava que foi Thoth quem ganhou para o ano os dias adicionais, para que coubesse o número devido de jornadas, depois de ludibriar o andamento do tempo a seu favor. Este laço com o calendário reforçava a sua imagem de senhor da medida: marcava tanto as palavras no rolo como os dias do ano, as noites pela lua e os prazos dos reinados. O ano egípcio dividia-se em três estações segundo a cheia do Nilo, e a exatidão desse cômputo remontava também a Thoth, pois um erro no calendário desajustava os tempos da sementeira e da ceifa, e com eles toda a vida do país. Nas joias o motivo lunar ligado a Thoth lê-se de forma dupla: como referência ao astro noturno e à própria ideia do tempo ordenado e contado.
Thoth e a escrita
De todos os dons que os egípcios faziam remontar a Thoth, a escrita estava em primeiro lugar. Não se tratava de uma simples destreza, mas da própria capacidade de fixar o pensamento na pedra e no papiro, e daí que a atitude para com a escrita fosse quase sagrada. Vejamos em separado como os egípcios entendiam a escrita do deus, quem eram os seus guardiães e como o debate sobre este dom chegou à filosofia grega.
«As palavras do deus»: o que significa medu-necher
Os egípcios chamavam aos hieróglifos «medu-necher», que se traduz literalmente como «as palavras do deus». No próprio nome dos sinais já está a sua origem: a escrita concebia-se não como um achado humano, mas como a fala de uma divindade, consignada para as pessoas. Como doador dessas palavras tinha-se Thoth, pelo que cada sinal trazia a marca do seu amparo. Para o egípcio um hieróglifo não era um sinal convencional, mas a imagem de uma coisa, dotada de uma parte da sua força: escrever um nome significava em parte chamar a própria coisa à existência. Por isso a escrita mantinha-se com rigor, e as letras não se confiavam a qualquer um. A própria palavra grega «hieróglifo», que usamos até hoje, fala também da santidade dos sinais: significa «gravado sagrado» e não é mais do que uma tradução do egípcio «palavras do deus» para outra língua.
Escolas de escribas e estatuto do letrado
Aprender a escrever no Egito começava-se na adolescência, em escolas anexas a templos e chancelarias. Os alunos copiavam textos modelares em cacos de cerâmica e tabuinhas de madeira, memorizavam sinais e transcreviam os ensinamentos dos mais velhos. O trabalho era longo e duro, mas a recompensa merecia-o: o escriba libertava-se das cargas, dos impostos e do trabalho corporal a que estava atado o lavrador. Um conhecido texto escolar enumerava com clareza as agruras de todos os ofícios, do ferreiro ao lavadeiro, para levar o aluno à conclusão: não há ofício mais seguro do que o cálamo. O escriba sentava-se à sombra, não sujava as mãos e podia subir a altos cargos na corte. O patrono de toda esta classe era Thoth, e o jovem letrado começava o dia com uma vénia ao deus, do qual, acreditava-se, dependiam a firmeza da mão e a clareza da memória. Assim o dom da escrita permanecia uma ideia religiosa e, ao mesmo tempo, um caminho muito terreno para o bem-estar e o respeito.
Platão sobre Theuth: o debate sobre a escrita
A fama de Thoth como doador da escrita sobreviveu ao próprio Egito e passou à filosofia grega. No diálogo «Fedro» Platão pôs na boca de Sócrates uma lenda egípcia sobre um deus chamado Theuth, em quem se reconhece facilmente Thoth. Segundo esse relato o deus levou ao rei o dom da escrita à espera de elogios, mas recebeu uma resposta inesperada. O rei objetou que a escrita não reforçaria a memória, mas antes a enfraqueceria: as pessoas deixariam de guardar o saber dentro de si e passariam a confiar em sinais externos, obtendo a aparência de sabedoria em vez da verdadeira. Assim, na aurora do pensamento europeu, o nome de um deus egípcio ficou ligado ao eterno debate sobre a utilidade e o dano do registo. Esse debate não envelheceu: os mesmos argumentos repetem-se cada vez que um novo meio de conservar o saber começa a substituir a memória viva. É significativo que o primeiro a quem se atribuiu o dom da escrita continuasse a ser precisamente Thoth, patrono da palavra entre os egípcios.
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Thoth na arte e nos monumentos
A imagem de Thoth chegou até nós nos mitos e na pedra, na pintura e no papiro. Os antigos mestres representavam o deus em túmulos, templos e rolos funerários, e por estes monumentos se vê o lugar que ocupava na fé dos egípcios. Reunamos os principais, desde a célebre cena do julgamento até às enormes estátuas de babuínos.
A cena da pesagem do coração em túmulos e papiros
O tema mais frequente com Thoth é o julgamento dos mortos, que os artistas egípcios repetiam nas paredes dos túmulos e nos rolos do «Livro dos Mortos». No centro da cena está a balança: num prato o coração do defunto, no outro a pluma da deusa Maat. Ao lado o artista colocava quase sempre Thoth com a paleta e o cálamo, pronto a registar o resultado. Talvez o exemplo mais famoso desta cena se tenha conservado no papiro funerário do escriba Ani, custodiado na coleção do Museu Britânico. Nele Thoth aparece como figura de cabeça de íbis junto da balança, e a seu lado pousa um babuíno que coroa o fiel. Tais rolos depositavam-se no túmulo como guia pelo além, e a presença de Thoth escriba neles era obrigatória: sem o seu registo a sentença não se tinha por definitiva. Papiros funerários com esta cena há em muitas coleções de museus, desde o Museu Britânico até ao Museu Metropolitano de Nova Iorque.
Thoth tinha relação com a arte do templo para além do julgamento dos mortos. Nas paredes dos santuários era representado muitas vezes junto do faraó em cenas de coroação: o deus do saber escrevia o nome do soberano nas folhas da árvore sagrada ished, fixando o prazo do seu reinado. Noutras cenas Thoth, juntamente com o deus Hórus, realizava sobre o rei o rito de purificação, vertendo sobre ele um jato em forma de cadeia de sinais de vida. Estes relevos mostram que o deus da escrita era chamado tanto à balança do julgamento como aos assuntos terrenos mais solenes: onde uma decisão havia que fixar para sempre, requeria-se a mão de Thoth.
Os colossos de babuínos de Hermópolis
Em Hermópolis, a principal cidade do culto, Thoth era venerado também sob a forma de babuíno, e a uma escala verdadeiramente colossal. Diante do templo erguiam-se duas estátuas colossais de babuínos sentados, talhadas em quartzito e de vários metros de altura. Levantaram-se sob o faraó Amen-hotep III e chegaram aos nossos dias, embora danificadas pelo tempo, no lugar da antiga cidade que os árabes chamaram depois El-Ashmunein. O tamanho destas estátuas diz quão alto se colocava o deus do saber: por norma só os deuses principais e os próprios reis se marcavam com colossos. Um babuíno sentado com o focinho erguido, saudando a alvorada, era aqui não um adorno, mas a presença visível de Thoth à entrada da sua casa. Perto os arqueólogos encontram também vestígios de enormes necrópoles de íbis e babuínos sagrados, dispostas junto do templo.
Paletas de escribas e figuras de letrados
Uma categoria própria de monumentos são os próprios utensílios dos escribas e as suas representações. A paleta do escriba, uma tabuinha estreita com covinhas para a tinta negra e vermelha e um estojo para os cálamos, era um utensílio de trabalho e ao mesmo tempo uma insígnia de pertença à classe dos letrados sob o amparo de Thoth. Muitas destas paletas conservam-se nos museus, algumas com inscrições dedicatórias ao deus. Uma tradição à parte e muito expressiva é a estátua de escriba, que representa um homem sentado de pernas cruzadas com um rolo sobre os joelhos, pronto a escrever. Tais figuras colocavam-se nos túmulos para sublinhar a erudição e a alta posição do sepultado. Por trás de tudo isto estava Thoth: ao ter um cálamo nas mãos, o egípcio tornava-se, por assim dizer, participante do ofício do próprio deus. Até as tabuinhas escolares dos alunos, cobertas de exercícios, pertencem indiretamente ao mesmo círculo de monumentos das letras.
O que Thoth simboliza
O significado de Thoth nasce diretamente das suas obrigações. É um deus não de um elemento nem da paixão, mas da ordem, do saber e da palavra exata. Daí que a sua simbologia seja serena, «intelectual», dirigida a quem aprecia a clareza do pensamento e a medida. Abaixo, os sentidos principais que a sua imagem traz.
Sabedoria e conhecimento
O primeiro e principal significado de Thoth é a sabedoria. E uma sabedoria de um género especial: não a astúcia mundana, mas o saber registado, comprovado e conservado. Thoth é patrono de quem estuda, investiga, mantém registos e transmite a experiência. Neste sentido a sua imagem é próxima de todo aquele para quem o saber é um valor em si mesmo e não uma mera ferramenta de trabalho. O sinal de Thoth revela-se apropriado como lembrete calado da importância do estudo e de uma atitude atenta para com a palavra. Não grita força nem sorte, mas fala de uma mente clara, e nisso está o seu encanto contido.
Precisemos de que sabedoria se trata. Os egípcios apreciavam não a especulação abstrata, mas o saber aplicado e comprovado: a capacidade de contar a colheita e as cheias, levar contas, curar, traçar campos e edifícios, nomear as coisas corretamente. A sabedoria de Thoth é a destreza do conhecedor do seu ofício, unida ao respeito pelo registo que conserva a experiência para os que vêm depois. Daí que a sua imagem esteja hoje mais próxima não do sonhador, mas da pessoa de ação que mantém o saber em ordem e sabe empregá-lo. Neste sentido o sinal do deus escriba não é sobre a erudição de exibição, mas sobre a clareza prática de uma cabeça que se aprecia em qualquer ofício onde importa a precisão.
Equilíbrio e justiça
Através do laço com Maat e com o julgamento dos mortos, Thoth traz o significado do equilíbrio e da justiça. É aquele que mantém a medida e consigna no rolo o resultado honesto, sem ceder ao medo nem à adulação. Simbolicamente é uma imagem de imparcialidade: a balança, a pluma da verdade e a mão que regista a sentença sem distorção. Para muitos este sentido é próximo como sinal de honestidade interior, do hábito de julgar pela verdade e manter a palavra dada. Ao contrário dos símbolos belicosos do poder, Thoth fala de um poder de outra índole, o poder da regra sobre o arbítrio.
É importante que a justiça entre os egípcios não fosse um ideal abstrato: chamavam-lhe Maat e concebiam-na como o próprio sustentáculo do mundo, a ordem sobre a qual se apoiam o céu, o Estado e a consciência do ser humano. Thoth era aquele que conhece essa medida e consigna as suas decisões por escrito, pelo que a sua imagem unia a justiça à precisão do registo. A sentença tornava-se válida quando se escrevia, não quando simplesmente se pronunciava, e nisto se sente o antigo respeito pela palavra fixada. Como símbolo este sentido é próximo de quem acredita que a honestidade exige não um arrebatamento, mas constância: manter a medida dia após dia, não por ocasião.
Magia e palavra secreta
Thoth é patrono da magia no seu entendimento egípcio, isto é, da força da palavra exata, dita corretamente. Este sentido torna a sua imagem atraente para quem se sente próximo do tema do saber oculto, das fórmulas e do mistério. Aqui cabe uma ressalva honesta: trata-se de uma antiga ideia religiosa, não de forças comprováveis. Mas como símbolo do respeito pela palavra, pelo seu peso e pelas suas consequências, esta faceta de Thoth ressoa também hoje. O sinal do deus dos encantamentos trazem-no quem sente que o dito e o escrito não é uma bagatela, mas um ato.
Convém lembrar também que para os egípcios a magia e a medicina andavam de mãos dadas. O médico lia sobre o doente textos protetores e assinava-os com os nomes dos deuses, e Thoth, como senhor das fórmulas curativas, estava por trás dessas palavras. No seu domínio estavam não os encantamentos para prejudicar, mas os discursos que restabelecem a ordem no corpo e no mundo. Por isso a imagem de Thoth carece de tom sinistro: não é um feiticeiro que lança um malefício, mas um guardião das palavras que devolvem o equilíbrio. Este sentido é próximo de quem vê no saber e na fala precisa uma força para ajudar, não para assustar.
Mediador e sanador da discórdia
Um papel à parte e belo de Thoth é o de pacificador. Nos mitos agiu mais de uma vez como intermediário nas disputas dos deuses, apagava a inimizade com uma palavra ponderada e restabelecia a ordem quebrada. Segundo uma lenda foi precisamente Thoth quem sarou o danificado olho de Hórus, o famoso olho udjat, devolvendo-lhe a integridade, e por isso esse olho se tornou sinal de proteção e restabelecimento. Tal papel faz de Thoth um símbolo da resolução ponderada do conflito, da cura da discórdia não pela força, mas pela medida e pela palavra. Nisto está mais próximo do diplomata e do juiz do que do guerreiro, e o seu sinal convém a quem aprecia a arte de chegar a acordos e de reparar o que está partido.
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Thoth nas joias
Nas joias Thoth chega raramente como figura completa e muito mais frequentemente através dos seus sinais reconhecíveis: o íbis, o quarto crescente, a paleta de escriba, a figurinha do babuíno. Estes motivos leem-se como referência à sabedoria, à escrita e à medida, pelo que os escolhem pessoas próximas do tema do saber e de uma simbologia serena, «intelectual». Vejamos em que formas vive no metal a imagem do deus.
O pendente com íbis
O sinal mais direto de Thoth é o íbis, a ave de bico comprido nas águas rasas. Um pendente com íbis, em silhueta ou trabalhado, lê-se como símbolo de erudição, atenção e amparo do conhecimento. Tal motivo assenta bem tanto no minimalismo gráfico, onde se dá a ave com uma só linha limpa, como num trabalho de joalharia mais pormenorizado com a plumagem e o bico curvo elaborados. O íbis é universal na sua imagem: não está ligado ao género nem grita estatuto, mas fala de um modo de pensar. Daí que o pendente-íbis se escolha muitas vezes como sinal pessoal e calado, não evidente para qualquer transeunte mas cheio de sentido para o seu dono.
O motivo lunar e o quarto crescente
Através da natureza lunar de Thoth liga-se-lhe o motivo do quarto crescente, sobretudo em par com o disco no cálice da lua, como no toucado clássico do deus. Um pendente lunar ou um brinco com quarto crescente lê-se de forma dupla: como referência ao astro noturno em geral e como sinal de Thoth, senhor do cômputo do tempo. O brilho prateado e frio do metal trabalha aqui a favor da imagem, sublinhando o laço com a lua e não com o sol. Tal motivo combina bem com outros sinais celestes e entra com facilidade em composições de várias camadas, onde vários pendentes finos pendem de correntes de comprimentos diferentes.
O babuíno e a figura do escriba
Motivos mais raros mas expressivos são o babuíno sentado e a figura do escriba com paleta. O babuíno remete para a segunda forma do deus e para a imagem de uma sabedoria vigilante e aguda, que saúda a alvorada. A figura do escriba, ou a própria paleta com o cálamo, fala diretamente do dom da escrita e do ofício da palavra. Estes motivos escolhem-nos quem está próximo do tema da erudição literalmente: pessoas que trabalham com textos, saber, arquivos, e todos os que apreciam a ideia da experiência conservada e registada. No metal tais temas resolvem-se mais frequentemente de forma gráfica, para que a figura se leia com clareza e não se torne uma miniatura carregada.
A prata como metal lunar
Para a simbologia de Thoth a prata é especialmente orgânica. O seu brilho frio liga-se tradicionalmente à lua e, por conseguinte, à natureza lunar do deus do cômputo do tempo. Um íbis, um quarto crescente ou um sinal de escriba de prata soam íntegros: o metal e o tema falam do mesmo. O ouro e o banho de ouro também são apropriados, sobretudo se se procura um contraste quente, «solar», ou um aspeto mais vistoso, mas é precisamente a prata que está mais próxima da ideia lunar da imagem. A prata oxidada com as covinhas escurecidas realça bem o desenho fino de uma pena ou da plumagem do íbis, dando ao sinal um carácter gráfico, quase de desenho técnico.
Materiais e cuidados
A escolha do material para uma peça com motivo de Thoth é questão não só de gosto, mas também um modo de sustentar o sentido do símbolo. Abaixo, de que se fazem com mais frequência estas peças e como cuidar delas para que o desenho fino do íbis ou do quarto crescente conserve por muito tempo a sua nitidez.
Prata 925
A prata é o material principal para a simbologia de Thoth, e não só pelo laço lunar. O metal mantém bem as linhas finas do bico e da plumagem, reflete belamente a luz e continua acessível. A prata 925 é a liga de joalharia padrão, resistente e agradável de usar. A sua única particularidade é a tendência para escurecer com o tempo, sobretudo em ambiente húmido, mas a ligeira pátina retira-se com facilidade com um pano para prata. Para os sinais gráficos escolhe-se muitas vezes a prata oxidada, onde as covinhas escurecidas se deixam de propósito escuras para contrastar com os relevos polidos.
Ouro e banho de ouro
O ouro dá à imagem calor e vistosidade. O ouro de 14 a 18 quilates é a versão duradoura e premium para quem traz o símbolo constantemente e não quer pensar no cuidado, pois o ouro praticamente não embacia. Um caminho mais acessível é a prata banhada a ouro, que dá um tom dourado a um custo razoável. Convém lembrar que o banho se desgasta com o tempo nas partes salientes, pelo que para o uso diário de sinais finos em relevo convém ter isso em conta. O tom dourado quente assenta bem em peles de subtom quente e dá um contraste «solar» ao tema lunar de Thoth, se esse contraste se procurar de forma consciente.
Cuidado do desenho fino
Os sinais de Thoth trazem muitas vezes um desenho miúdo: as penas do íbis, as incisões da paleta, a fina foice da lua. Nessas covinhas acumulam-se com o tempo o pó e os resíduos de cosméticos. Uma escova de dentes macia com uma gota de água com sabão limpa com cuidado o relevo, após o que a peça se enxagua e se seca bem. Para as peças oxidadas é melhor não aplicar a limpeza por ultrassons: arrasta a pátina escura das covinhas e mata o contraste procurado. Nesse caso convém polir apenas as partes salientes, deixando escuras as concavidades. A prata refresca-se de vez em quando com um pano especial, e ao ouro basta esfregá-lo com um tecido macio.
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A quem assenta Thoth e a quem oferecê-lo
A simbologia de Thoth é dirigida: está mais próxima de quem, para si, o saber, a palavra e a medida não são conceitos vazios. Abaixo, a quem assenta especialmente a imagem do deus da sabedoria e como escolhê-lo de presente para que o gesto seja exato.
A quem é próximo o símbolo
O sinal de Thoth convém bem às pessoas de trabalho intelectual e a todos os que vivem da palavra e do saber: quem escreve, ensina, traduz, mantém registos, investiga, cura, julga pela verdade. É próximo de estudantes e cientistas, editores e juristas, médicos e todos os que apreciam a clareza do pensamento e o cômputo honesto. Convém também a quem se interessa pelas culturas antigas e pela simbologia egípcia sem o ligar a uma profissão. Por fim, a imagem de Thoth é apropriada para pessoas a quem importa a ideia de equilíbrio e justiça, pois o deus oficial de diligências do tribunal supremo é símbolo da medida incorruptível. Assenta bem também a quem aprecia as coisas serenas e discretas com um sentido oculto: um íbis ou um quarto crescente não chamam a atenção de um transeunte qualquer, mas dizem muito ao iniciado. É um sinal não para quem quer declarar a sua força, mas para quem aprecia a razão, a mente clara e o hábito de levar o começado até um resultado escrito.
Thoth de presente
De presente o símbolo de Thoth funciona como um gesto com sentido, sobretudo se o destinatário estiver ligado à palavra, ao saber ou à ciência. Um pendente com íbis é apropriado para o fim dos estudos, a defesa de um trabalho, o início da docência ou um novo cargo onde importam a precisão e a responsabilidade. O motivo lunar ligado a Thoth convirá a quem está próximo da simbologia celeste e do tema do tempo. Uma boa ideia é acompanhar o presente com uma breve nota que explique quem é Thoth e o que significa o seu sinal: a dupla história do deus, do escriba egípcio a Hermes Trismegisto, dá um motivo vivo para palavras calorosas. Uma opção segura é um pendente de prata com íbis ou quarto crescente de tamanho médio numa corrente, neutro em género e estilo.
Por que se escolhe a imagem de Thoth
Por trás da escolha de qualquer símbolo estão tanto o gosto como o temperamento. Thoth atrai um tipo particular de pessoas, e vale a pena analisar por que razão a sua imagem ressoa nuns com mais força do que noutros. Não se trata de misticismo, mas de uma simples correspondência do sinal com os valores internos de quem o traz.
A atração pelo saber, pela escrita e pela ordem
Thoth é antes de mais um deus do saber, e escolhem-no aqueles para quem conhecer, compreender e anotar importa mais do que impressionar. À pessoa que aprecia a clareza do pensamento, se sente atraída pelos livros, toma notas e não tolera a desordem nos seus assuntos, a imagem do deus escriba revela-se-lhe próxima quase sem explicações. Não há nela nem agressão nem força de exibição, mas sim a serena confiança de quem sabe. Psicologicamente tal símbolo funciona como um apoio calado: confirma aquilo que a pessoa já aprecia em si mesma e serve de lembrete suave para manter a medida, levar o começado até um resultado escrito e julgar pela verdade. Muitos observam que trazer um sinal discreto é mais grato precisamente porque fala do dono sem palavras e não exige explicação a um transeunte casual.
A quem é próxima a imagem por temperamento
O mais próximo está Thoth de quem vive da palavra e do pensamento: estudantes, escritores, docentes, todos para quem o trabalho com o texto e o saber é quotidiano. Um estudante perante um exame, um autor sobre um manuscrito, um editor, um jurista, um médico encontram na imagem do deus do saber um apoio que compreendem. É próximo também das pessoas que apreciam o equilíbrio e a justiça: o imparcial oficial de diligências do tribunal supremo ressoa em quem está habituado a manter a palavra dada e a não ceder ao medo nem à adulação. Por fim, a Thoth sentem-se atraídos os amantes de uma simbologia calada, «intelectual», que não precisam de um sinal ruidoso de estatuto, mas valorizam um sentido claro antes de mais para si próprios. Em todos estes casos a escolha da imagem não é superstição, mas um modo de trazer consigo aquilo em que a pessoa já acredita: o valor do saber, da ordem e da palavra exata.
Thoth e os símbolos vizinhos
O panteão egípcio está cheio de sinais fáceis de confundir ou de reunir num só, embora cada um tenha o seu papel. Thoth situa-se nesta fila à parte, como deus da palavra e da medida, mas tem vizinhos constantes no julgamento dos mortos e nas joias. Comparemo-lo com os mais próximos, para que a diferença se leia com clareza.
Thoth e Anúbis
Anúbis e Thoth agem juntos na cena da pesagem do coração, mas os seus papéis são distintos. Anúbis, o deus com cabeça de chacal, conduz o defunto à balança, vela pela própria pesagem e conserva o corpo através do embalsamamento. Thoth está ao lado com a paleta e regista o resultado do julgamento. Anúbis é o guia e guardião do limiar da morte, Thoth o oficial de diligências e guardião da sentença. Na simbologia Anúbis está mais próximo do tema da passagem, da proteção no caminho e do cuidado do defunto, e Thoth do tema do resultado justo, escrito e fixado. Ambos os sinais costumam ir juntos, mas falam de coisas distintas: um do caminho, o outro do registo honesto no seu final.
Thoth e o ankh
O ankh, a cruz egípcia da vida, é o sinal da própria vida e da sua continuação eterna, um laço sobre uma travessa que os deuses estendem ao rosto do ser humano como o sopro da existência. Thoth, neste par, responde não pela vida como tal, mas pelo saber e pela medida com que a vida se ordena. Se o ankh é sobre o ser e o seu dom, Thoth é sobre a palavra, o cálculo e o registo com que esse ser ganha sentido. Os sinais convivem muito bem porque se complementam: o ankh dá a vida, Thoth dá-lhe clareza e ordem. Nas joias por vezes unem-se justamente por esta plenitude de sentido.
Thoth e o olho de Hórus
O olho de Hórus, o udjat, liga-se a Thoth diretamente através do mito: segundo a lenda foi precisamente Thoth quem sarou o olho danificado, devolvendo-lhe a integridade, e por isso o olho se tornou sinal de proteção, saúde e restabelecimento. Na simbologia o udjat fala de proteção e integridade, e Thoth da razão que restabelece essa integridade. Poder-se-ia dizer que o olho de Hórus é o resultado, e Thoth aquele que o devolveu. Ambas as imagens estão estreitamente entrelaçadas, e em par leem-se como proteção sustentada pelo saber e pela medida. Sobre o próprio olho convém ler à parte, e a seu lado a figura de Thoth ganha o seu lógico papel de sanador da discórdia.
Como não confundir os sinais egípcios
A simbologia egípcia atrai precisamente pela sua densidade: deuses, animais, amuletos e sinais articulam-se num sistema coerente onde cada elemento remete para os vizinhos. Por isso é fácil misturá-los numa só «estética egípcia», perdendo as diferenças. E as diferenças importam, porque delas depende o sentido da joia escolhida. Thoth responde pela palavra, pelo saber e pela medida, Anúbis pela passagem e pela proteção do defunto, o ankh pela própria vida, o olho de Hórus pela proteção e pelo restabelecimento. A deusa mãe e patrona da magia é um grande tema à parte: conta-se em detalhe no material sobre a deusa Ísis e o panteão egípcio, onde se mostra como se relacionam entre si as figuras principais. Entendendo quem responde pelo quê, é fácil compor um conjunto com sentido de sinais em vez de uma dispersão casual de motivos, e trazer exatamente aquilo que se quer dizer.
Factos que surpreendem
Em torno de Thoth reuniu-se muito de inesperado, e boa parte disso muda o olhar sobre o deus do saber. Aqui alguns factos que convém conhecer.
Primeiro. Os íbis, aves sagradas de Thoth, os egípcios embalsamavam-nos em quantidades incríveis. Nas necrópoles subterrâneas junto dos templos os arqueólogos encontram milhões de múmias de íbis, colocadas em vasilhas de barro. Era toda uma indústria de piedade templar: a ave levava-se ao deus como intermediária entre a pessoa e Thoth.
Segundo. O nome de Thoth chegou até nós numa deformação grega. Os próprios egípcios chamavam-lhe Djehuti, e esse nome original liga-se, segundo uma versão, precisamente ao nome do íbis. O habitual «Thoth» é já uma transmissão helenística, passada pela língua grega.
Terceiro. O filósofo Platão recontou a lenda egípcia sobre a invenção da escrita precisamente em relação com Thoth, a quem chamou Theuth. Nesse relato o deus leva ao rei o dom da escrita, e este responde que a escrita enfraquecerá a memória humana. Assim o antigo debate sobre a utilidade e o dano do registo ficou ligado ao nome de Thoth já na filosofia antiga.
Quarto. Thoth era tido por aquele que ganhou para o calendário os dias adicionais. Segundo a lenda ganhou-os num jogo, para que a deusa do céu pudesse dar à luz os seus filhos apesar de uma proibição, e de passagem acomodou o ano no número correto de jornadas. O deus da medida literalmente ludibriou o próprio tempo.
Quinto. Da identificação de Thoth com Hermes nasceu uma palavra que vive até hoje. «Hermético», isto é, fechado hermeticamente, remonta ao nome de Hermes Trismegisto e aos recipientes alquímicos selados segundo a sua ciência. Assim o deus egípcio da sabedoria está presente, invisível, na mais quotidiana das palavras.
Sexto. Thoth era venerado como patrono tanto da escrita como do cálculo, das medições e até dos jogos de tabuleiro. Os egípcios viam num jogo de movimentos e regras um reflexo da ordem do mundo, e a ordem é domínio de Thoth, pelo que o deus se ligava também ao cálculo dos lances.
Sétimo. A Thoth atribuíam-se também livros secretos inteiros de saber. A lenda do «livro de Thoth» falava de um rolo com encantamentos poderosos, escondido no fundo de um rio numa série de cofres encaixados sob a guarda de serpentes. Quem o lesse supostamente entenderia a língua das aves e das feras e veria os próprios deuses, mas o castigo pelo saber roubado nestas histórias é sempre grave.
Oitavo. Na cena do julgamento dos mortos a sentença tinha-se por válida só depois de Thoth a escrever. Uma decisão oral não bastava: a força da palavra entre os egípcios apoiava-se no registo, e o deus escriba era um elo necessário do mais justo dos tribunais.
Nono. Com o nome de Thoth chamava-se também o primeiro mês do ano egípcio. A estação da cheia do Nilo abria o mês que os gregos transmitiam como «Thoth», e com ele começava a contagem do novo ano. A memória disto chegou aos nossos dias: no calendário copta, descendente direto do antigo egípcio, o primeiro mês continua a trazer o nome de «Tut».
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Perguntas frequentes
Quem é Thoth em poucas palavras?
Thoth é o antigo deus egípcio da sabedoria, da escrita, do cálculo e da lua. Representava-se como um homem com cabeça de íbis ou sob a forma de babuíno, e sobre a cabeça colocava-se-lhe muitas vezes um disco lunar. Tinha-se por escriba dos deuses, inventor da escrita, guardião da medida e do tempo, e no julgamento dos mortos registava o resultado da pesagem do coração.
Por que razão Thoth tem cabeça de íbis?
O íbis é uma ave de paul com um bico comprido e curvo, que os egípcios veneravam como sinal de atenção e paciência. A curva do bico lembrava-lhes a pena do escriba e a foice da lua, e a sua alimentação pausada nas águas rasas ligava-se à diligência do letrado. Assim o íbis tornou-se imagem visível do deus da escrita e do cômputo lunar do tempo.
Em que se distingue Thoth de Anúbis?
Ambos agem na cena do julgamento dos mortos, mas os seus papéis são distintos. Anúbis, o deus com cabeça de chacal, conduz o defunto à balança e responde pelo embalsamamento e pela passagem ao mundo dos mortos. Thoth está ao lado com a paleta e regista o resultado da pesagem do coração. Anúbis é o guia e guardião, Thoth o oficial de diligências e guardião da sentença justa.
Thoth e Hermes Trismegisto são o mesmo?
Em essência sim, é uma mesma imagem em culturas distintas. Quando os gregos chegaram ao Egito, identificaram Thoth com o seu próprio Hermes, e dessa fusão surgiu a figura de Hermes Trismegisto, o «Três vezes grandíssimo». Sob este nome em época greco-romana formou-se um corpus de textos místicos, mas na base está precisamente o deus egípcio da sabedoria.
O que significa uma joia com o símbolo de Thoth?
O sinal de Thoth, seja um íbis, um quarto crescente ou uma figura de escriba, lê-se como símbolo de sabedoria, saber, escrita e medida. É um símbolo sereno, «intelectual», que fala de uma mente clara, honestidade e respeito pela palavra, não de força ou riqueza. Escolhem-no pessoas para quem importam o saber, o estudo e o cômputo justo.
De que metal convém uma joia com Thoth?
A prata é especialmente orgânica, porque o seu brilho frio se liga à lua, e Thoth é uma divindade lunar. A prata mantém bem o desenho fino do bico e da pena. O ouro e o banho de ouro também são apropriados, se se procura calor e vistosidade ou um consciente contraste «solar». A prata oxidada realça o pequeno relevo com um contraste gráfico.
Pode uma pessoa de qualquer fé usar o símbolo de Thoth?
A imagem de Thoth é parte da antiga religião egípcia, que convém tratar com respeito. Hoje o seu sinal usa-se antes de mais como um símbolo cultural e de sentido da sabedoria e do saber, não como objeto de um culto vigente. Pode usá-lo uma pessoa de qualquer convicção, se compreender com respeito de onde vem o símbolo e o que significava para os antigos.
A quem convém uma joia com Thoth de presente?
O símbolo de Thoth convém bem às pessoas de trabalho intelectual e a todos os ligados à palavra e ao saber: estudantes, docentes, cientistas, editores, juristas, médicos. É apropriado para o fim dos estudos, a defesa de um trabalho ou um novo cargo de responsabilidade. Convirá também a quem se entusiasma pelas culturas antigas e pela simbologia egípcia.
É para oferecer? Cada peça chega pronta a entregar.
Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Conclusão
Thoth é um deus raro, cuja força se mede não pelo trovão nem pela espada, mas pela precisão da palavra e da medida. Os egípcios confiaram-lhe tudo o que não tolera o arbítrio: a escrita, o cálculo, o calendário, o registo da sentença justa. Estava por trás de cada escriba, conduzia a chancelaria celeste, reconciliava os deuses em conflito e consignava no rolo o resultado do julgamento dos mortos. A sua ave, o íbis de bico comprido, percorria os pauis do Nilo sob a luz da lua e tornou-se sinal visível de uma sabedoria paciente e atenta.
O destino da imagem revelou-se à altura do próprio deus do saber. Do egípcio Djehuti transformou-se no grego Hermes Trismegisto, deu nome a toda uma corrente de pensamento e chegou, invisível, aos nossos dias mesmo na quotidiana palavra «hermético». Ao mesmo tempo convém manter um enquadramento honesto: o autêntico Thoth é o deus do Egito pré-dinástico e faraónico, ao passo que os ensinamentos herméticos tardios são já uma superestrutura greco-romana e medieval sobre o seu nome.
Na joia Thoth funciona como um símbolo calado, «intelectual». O íbis, o quarto crescente, a paleta do escriba leem-se como sinal de sabedoria, escrita, equilíbrio e medida, dirigido a quem aprecia uma mente clara e o cômputo honesto. Não é um sinal ruidoso de poder, mas um sereno sinal de razão. O que verter exatamente na imagem do deus com cabeça de íbis decide-o cada um, mas na base haverá sempre um respeito pela palavra, pelo saber e pela ordem que ele guardou durante milénios.
É bom também que este símbolo não exija declarações ruidosas e não imponha ao destinatário uma única leitura. Alguém verá nele uma referência a uma fé antiga, alguém um sinal de erudição, alguém simplesmente uma ave elegante junto à água sob a lua. Thoth, que durante milénios manteve o registo por trás do escriba, acolhe com calma qualquer destas leituras e continua a ser ele mesmo, o calado patrono de todos os que apreciam o pensamento claro e a palavra exata.
Prata, ouro, simbologia egípcia e mística, motivos lunares, peças em par e conjuntos de presente.
Sobre a Zevira
A Zevira trabalha em Albacete, Espanha, onde o ofício da joalharia mergulha as suas raízes numa tradição local de séculos. Thoth e os sinais egípcios são parte da nossa coleção de símbolos, onde convivem com motivos místicos e celestes em que a forma e o sentido se sustentam juntos.
O que se pode encontrar connosco sobre este tema:
- Pendentes com simbologia egípcia em prata
- Pendentes lunares com quarto crescente, próximos do motivo de Thoth
- Sinais em prata oxidada para uma estética gráfica
- Versões banhadas a ouro com um tom quente
- Peças em par e conjuntos de presente com simbologia mística
É possível a gravação personalizada. Trabalhamos com prata de lei 925 e ouro de 14 a 18 quilates.

































