
Rá: o deus sol egípcio, o significado do símbolo, o disco solar e as joias
Todas as noites Rá morria e todas as manhãs voltava a nascer. De dia navegava pelo céu numa barca dourada; de noite descia ao submundo e ali travava combate com a serpente Apófis, encarnação do caos. Para um egípcio, o nascer do sol não era simplesmente a alvorada, mas uma vitória diária sobre as trevas.
Rá é o deus sol supremo do antigo Egito, aquele que a cada dia refazia o mundo pelo simples facto de se erguer. Para o egípcio, o sol não era um astro, mas uma divindade viva que empreendia uma viagem perigosa: de dia pelo rio do céu, de noite pelo reino subterrâneo dos mortos. E que de manhã voltasse a subir acima do horizonte tinha-se não por uma lei da natureza, mas por uma vitória conquistada em combate. Em torno deste drama quotidiano ergueu-se toda uma religião, em que o faraó se dizia filho de Rá e os templos se orientavam pelo curso do sol.
Na joalharia Rá chega através dos seus sinais, não de um retrato. O disco solar, o falcão com o disco sobre a cabeça, a cobra erguida, o escaravelho que empurra o sol rumo à madrugada. Estas imagens leem-se de imediato e significam vida, luz, ordem e poder. A seguir, por ordem: como se apresenta o deus sol, de onde veio o seu culto, que barca leva o sol pelo céu, o que significam os seus símbolos e como tudo isto funciona num pendente ou num anel.
Quem é Rá: o disco solar e o falcão
Rá está à frente do panteão egípcio como criador e senhor. Os egípcios imaginavam-no em diferentes formas conforme a hora do dia e a época, mas reconheciam-no sempre pelo mesmo sinal: o disco solar sobre a cabeça. Vejamos a iconografia do deus e as suas transformações ao longo do dia.
O falcão com o disco solar e o ureu
O mais frequente era representar Rá como um homem com cabeça de falcão e, sobre ela, um disco solar vermelho cingido pela cobra-ureu. A cabeça de falcão ligava-o ao céu e à altura do voo: o falcão eleva-se acima de todas as aves e olha o sol sem desviar a vista, e por isso tornou-se portador da força solar. O disco sobre a cabeça é o próprio sol, e a cobra enrolada à sua volta significava proteção e a capacidade de fulminar qualquer inimigo do deus. Nesta forma Rá fundia-se muitas vezes com o deus falcão Hórus, e a divindade combinada chamava-se Rá-Horákti, «Rá que é Hórus dos dois horizontes». Tal imagem lia-se como o sinal do sol diurno em toda a sua força, do nascer ao pôr. É o Rá-falcão com o disco que mais vezes passa aos pendentes e selos modernos, porque a silhueta de uma ave com o sol sobre a cabeça se reconhece sem precisar de legenda.
Khepri, Rá e Atum: o sol em três idades
Os egípcios viam no sol não um rosto, mas três, conforme as suas posições no céu. O sol nascente da manhã chamava-se Khepri e imaginava-se como um escaravelho que empurrava o globo solar acima do horizonte, sinal de nascimento e renovação. O sol do meio-dia, no zénite, era o próprio Rá em todo o seu poder, o falcão com o disco ardente. O sol da tarde, que se punha, tornava-se Atum, um ancião cansado que se retirava para descansar no submundo. Três nomes descreviam um mesmo percurso do astro ao longo do dia: nascimento, plenitude, velhice e partida. Esta ideia das três idades do sol explica por que, junto da imagem de Rá, surge tantas vezes o escaravelho: não é um deus rival, mas a faceta matinal e jovem do mesmo sol. Para a joalharia isto é cómodo: disco, falcão e escaravelho reúnem-se num só conjunto solar com uma lógica comum do ciclo.
Atum-Rá como criador do mundo
Na imagem religiosa de Heliópolis, Rá fundia-se com o antigo deus criador Atum, e o combinado Atum-Rá tinha-se por aquele que criou o mundo a partir do caos primordial. Segundo este mito, ao princípio existia apenas o oceano do não ser, Nun, um abismo escuro e sem forma. Dele surgiu a primeira colina, e sobre ela apareceu o criador, que se gerou a si próprio. Criou o primeiro par de deuses, o ar Chu e a humidade Tefnut, e deles vieram a terra, o céu e toda a linhagem posterior das divindades. Assim o sol veio a ser não um astro, mas a própria fonte do ser: o seu primeiro nascer foi o primeiro instante do mundo. Este papel de primeiro criador dá à simbologia de Rá uma profundidade particular. Usar o seu sinal significa ligar-se tanto à luz como à ideia de começo, àquele ponto de onde tudo partiu. Para o egípcio, cada madrugada repetia em miniatura esta primeira criação.
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Formas e fusões do deus sol
No Egito o sol raramente recebia um só nome. Ao longo de três mil anos de culto, o deus sol absorveu dezenas de divindades locais, mudou de forma conforme a hora do dia e a época, e uma vez esteve prestes a tornar-se o único deus de todos. Vejamos como se organizam estas fusões e por que atrás do sinal do sol não há um só culto, mas toda uma família de formas.
Como os egípcios uniam os seus deuses
A religião egípcia não conhecia ciúmes entre deuses. Quando dois cultos se encontravam, as suas divindades não lutavam pela primazia, mas fundiam-se num nome duplo em que cada parte conservava o seu sentido. Assim o solar Rá uniu-se ao criador Atum em Heliópolis, ao falcão Hórus na figura de Rá-Horákti, ao tebano Amón como Amón-Rá, e noutras cidades o seu nome juntava-se aos deuses locais, ao crocodilo Sobek ou ao artesão Ptah. Cada fusão não anulava as formas anteriores, mas sobrepunha uma nova camada à antiga. Uma mesma luz podia usar diferentes nomes, e os sacerdotes viam nisso não uma contradição, mas uma riqueza. Para um símbolo isto significa que o disco do sol reúne sob si várias tradições ao mesmo tempo, em vez de se fechar numa só imagem estreita.
Áton: o sol sem rosto
No auge do Império Novo, o faraó Aquenáton fez o que ninguém antes fizera: tentou reduzir toda a teologia a um só sol. Proclamou como seu único deus Áton, o próprio disco solar, e proibiu os antigos cultos, antes de mais o do poderoso Amón. Áton representava-se não como um homem com cabeça de falcão, mas como um círculo puro do qual partiam raios, cada um terminado numa pequena mão que estendia o sinal da vida. Aquenáton transferiu a capital para uma nova cidade a que chamou Aquetáton, «o horizonte de Áton», e compôs em honra do sol hinos de rara beleza, nos quais o deus surge como o nutridor de todo o sopro sobre a terra. Esta reforma esteve mais perto do monoteísmo do que qualquer coisa que o Egito conhecera antes. Mas assentava na vontade de um só rei e não deitou raízes fundas.
O regresso das formas antigas
Após a morte de Aquenáton, a viragem solar desmoronou quase de imediato. O seu jovem sucessor devolveu a capital ao antigo lugar, restaurou o culto de Amón e mudou o próprio nome, renunciando ao «Áton» que continha. A nova capital foi abandonada, e mais tarde tentou-se apagar a memória do próprio reformador, riscando o seu nome das listas de reis. As antigas formas do sol regressaram todas de uma vez: Rá voltou a navegar pelo céu na sua barca, Amón-Rá voltou a reinar a partir de Karnak, o escaravelho Khepri voltou a empurrar a madrugada. Este rápido recuo mostra até que ponto o sol de muitos rostos se tinha fundido com a vida egípcia. A ideia de um disco único revelou-se estreita demais para uma cultura habituada a ver no astro o nascimento, a plenitude e a partida ao mesmo tempo. No fim foi a riqueza de formas, e não o estrito monoteísmo de Amarna, o que ficou fixado ao sinal do sol.
Rá só em ouro e com um disco grande, sobre decote aberto. A prata apaga o sol, e um pendente pequeno transforma o deus num porta-chaves.
Como usar Rá: com que combinar, metal e comprimento da corrente
O sinal solar ama o espaço aberto no peito e o metal quente, por isso o conjunto monto-o a partir do decote e da cor da roupa, não do próprio pendente. Reuni aqui o que aconselho aos clientes quando escolhem um disco, um falcão ou um escaravelho para o seu guarda-roupa.
Com que usar o símbolo de Rá no dia a dia? Para um visual de todos os dias recomendo um disco ou um falcão de tamanho médio numa corrente de cerca de cinquenta centímetros sobre tecido liso. Um padrão carregado discute com os raios e o cinzelado, por isso escolho um fundo liso: areia, chocolate, azul-marinho, bordô. O metal quente sobre esse tecido lê-se como um pequeno sol e mantém o conjunto composto.
Que metal escolher para um símbolo solar? O metal aconselho a escolhê-lo pelo sentido do sinal. O ouro ou o dourado recomendo-os a quem usa Rá como sinal de vida, calor e poder: o brilho amarelo repete diretamente a cor do sol do meio-dia. A prata escolho-a para um visual gráfico e sóbrio, sobretudo com pátina negra, quando importa mais a linha limpa do falcão do que a gala. Um só metal em todo o conjunto mantém a imagem inteira, por isso não aconselho misturar ouro com prata num mesmo jogo.
Como escolher o comprimento da corrente pelo decote? O comprimento ajusto-o ao pescoço. Com um decote aberto ou pouco fundo aconselho uma corrente curta de cerca de quarenta e cinco centímetros: o disco cai na zona da clavícula, onde o sinal solar se lê melhor. Com uma peça fechada recomendo baixar o pendente para cinquenta ou cinquenta e cinco centímetros, sobre a parte alta do peito, para que não se perca sob o tecido. Um grande disco alado deixo-o para uma corrente comprida e um decote aberto, onde há lugar para as asas.
Que tamanho de disco escolher? O tamanho escolho-o pela tarefa do conjunto. Um disco ou um escaravelho pequeno de um e meio a dois centímetros lê-se como sinal pessoal e encaixa sob uma camisa e num ambiente sóbrio. Um falcão ou um disco médio de dois e meio a três centímetros funciona como acento de todos os dias. Um grande disco alado de quatro a seis centímetros tomo-o para a noite e o decote aberto, onde se desdobra em toda a largura. Um pendente pequeno num peito descoberto perde-se, por isso sob um decote fundo aconselho um tamanho maior.
O que vai para o dia e o que vai para sair? Para o dia e um ambiente sóbrio escolho um disco pequeno, um escaravelho ou um selo com um falcão, onde o sinal solar se lê como um motivo tranquilo e não como uma declaração. Para a noite, pelo contrário, recomendo um grande disco de ouro ou um sol alado sobre um decote aberto e um tecido escuro e liso. O ouro polido joga sobre os tecidos lisos; a prata com pátina negra acrescenta grafismo e carácter.

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A história do culto de Rá
O culto do sol cresceu junto com o próprio Egito e no seu auge determinava tudo: o calendário, a arquitetura dos templos, o título do rei. Sigamos como o deus sol subiu ao topo do panteão e como o seu nome mudou ao longo dos milénios.
Heliópolis e os sacerdotes do sol
O principal centro de veneração de Rá foi a cidade a que os gregos chamariam depois Heliópolis, «a cidade do sol», e que os próprios egípcios chamavam Iunu. Erguia-se perto do lugar onde mais tarde cresceria o Cairo, e guardava o santuário mais antigo do culto: a pedra Benben, símbolo cónico ou piramidal da primeira colina que se ergueu do caos. Cria-se que sobre ela pousara o primeiro raio do sol nascente. Os sacerdotes de Heliópolis elaboraram um dos sistemas teológicos mais influentes do Egito, colocando Rá-Atum à frente dos nove deuses principais conhecidos como a Enéade. A sua doutrina sobre a criação do mundo a partir do oceano primordial difundiu-se por todo o país e tornou-se fundamento da ideologia real. Tão grande foi a influência do sacerdócio heliopolitano que as suas interpretações do sol passaram durante muito tempo a valer para todo o Egito. Os obeliscos, essas agulhas de pedra com as pontas douradas, também vêm daqui: o seu vértice apanhava o primeiro e o último raio e era, no fundo, um Benben ampliado.
Rá no Império Antigo e as pirâmides
O apogeu do culto do sol chegou na época do Império Antigo, o tempo dos construtores das grandes pirâmides. A partir da Quarta e sobretudo da Quinta Dinastia, Rá passou ao primeiro lugar entre os deuses, e os faraós começaram a incluir o seu nome no próprio, chamando-se «filhos de Rá». Os reis da Quinta Dinastia construíam templos solares especiais, abertos ao céu, em cujo centro se erguia um maciço obelisco-Benben. Muitos investigadores ligam as próprias pirâmides à ideia solar: as suas faces, que partem do vértice, repetem os raios do sol que atravessam as nuvens, e a ponta aponta ao céu, rumo a Rá. Os Textos das Pirâmides, as inscrições religiosas mais antigas nas paredes dos túmulos reais, estão cheios de invocações ao deus sol e de descrições de como o rei defunto ascende até ele para navegarem juntos na barca celeste. Assim o sol tornou-se ao mesmo tempo deus dos vivos e meta do caminho do faraó após a morte, promessa de eternidade junto do criador.
Amón-Rá: a fusão de dois deuses
Quando o centro do poder se deslocou para sul, para Tebas, o deus local Amón subiu junto com a sua cidade. Amón era uma divindade oculta, invisível; o seu próprio nome significava «o oculto». Para unir o antigo poder solar à nova força de Tebas, os sacerdotes fundiram Amón com Rá na única divindade suprema Amón-Rá. Assim o deus oculto obteve o rosto visível do sol, e o deus sol obteve uma nova força política. Amón-Rá tornou-se rei dos deuses na época do Império Novo; a ele se dedicaram os grandiosos templos de Karnak e Luxor, as maiores construções de culto do mundo antigo. Esta fusão mostra um traço importante da religião egípcia: os deuses não se substituíam uns aos outros, mas combinavam-se, acumulando sentidos. Uma mesma luz solar podia usar diferentes nomes e ser venerada como diferentes rostos de uma única força. Para a simbologia isto significa que atrás do sinal do sol não há um só culto estreito, mas toda uma rede de tradições entrelaçadas.
O faraó como filho de Rá
A ligação do rei ao deus sol não era uma metáfora, mas o fundamento de todo o poder. A partir do Império Antigo, cada faraó usava o título especial «filho de Rá», e um dos seus cinco nomes de trono inscrevia-se numa cartela logo por baixo deste sinal. Tinha-se o rei pela encarnação terrena da ordem solar: como Rá sustinha o cosmos contra o caos no céu, assim o faraó sustinha a lei e a justiça na terra. O nascer matinal do deus e a subida do rei ao trono pensavam-se como fenómenos de uma mesma ordem. Após a morte, segundo as crenças, o faraó unia-se a Rá e navegava com ele na barca eterna pelo céu. Esta ideia atravessou a religião de Estado durante milénios e explica por que os símbolos solares no Egito trouxeram sempre um matiz de realeza e poder supremo. Quando hoje alguém escolhe um pendente com um disco solar, liga-se sem saber a esta linguagem antiga, em que o sol significava o direito de mandar.
Durante mais de três mil anos o culto de Rá manteve-se um pilar da cosmovisão egípcia, e mesmo quando o faraó Aquenáton tentou substituir todo o panteão pelo único disco solar de Áton, no fundo disputava com a forma do culto solar, não com a própria ideia do sol como força suprema. Após a sua morte os antigos deuses regressaram e Rá voltou a ocupar o seu lugar. Esta tenacidade mostra até que ponto o sol estava inscrito no próprio tecido da vida egípcia, do calendário e da colheita ao destino do rei após a morte.
Rá na arte e nos monumentos
O culto do sol deixou atrás de si tanto textos como pedra: obeliscos, templos a céu aberto, barcas enterradas e pinturas nas paredes dos túmulos. Estes monumentos falam de Rá com mais precisão do que qualquer relato, porque mostram como os egípcios tentavam inscrever o movimento do sol na arquitetura e no ofício.
Os obeliscos de Heliópolis
Um obelisco é uma agulha de pedra com a ponta piramidal, e nasceu justamente do culto solar de Heliópolis. A ponta, chamada piramídion, revestia-se de electro ou de ouro para ser a primeira a apanhar o raio da alvorada e a última a largar o do poente. No fundo o obelisco era um Benben ampliado, aquela primeira colina sobre a qual pousou a primeira luz da criação. O mais antigo dos conservados ainda se ergue no lugar de Heliópolis, dentro do atual Cairo, e foi erguido no tempo do faraó Sesóstris I. Mais tarde os obeliscos talhavam-se de um só bloco de granito nas pedreiras de Assuão, onde se conserva o famoso gigante inacabado, fendido na própria rocha durante o trabalho. Um par destas agulhas costumava erguer-se à entrada de um templo, marcando a porta do sol.
Os templos solares da Quinta Dinastia
Os reis da Quinta Dinastia construíam um tipo especial de santuário dedicado diretamente ao sol. Ao contrário dos templos escuros de outros deuses, o templo solar estava aberto ao céu: o seu coração era um amplo pátio sem teto, em cujo centro se erguia sobre um maciço pedestal um obelisco-Benben curto e grosso. O serviço decorria sob o próprio sol, junto de um grande altar. Os restos de tais templos conservam-se em Abu Gurab e Abusir, a sul de Guiza, e por eles vê-se que o sol se venerava não na penumbra, mas à luz, de frente para ele. Perto encontraram-se também semelhanças de barcas solares levantadas em tijolo, para que o deus pudesse cumprir a sua travessia também aqui, na terra.
A barca solar de Quéops
Em 1954, ao pé sul da pirâmide de Quéops em Guiza, os arqueólogos abriram um fosso selado e encontraram nele uma barca desmontada de cedro do Líbano que ali jazia havia mais de quatro mil anos. Voltaram a montá-la a partir de centenas de peças: um navio longo e airoso de mais de quarenta metros, atado com cordas e quase sem metal. Tais barcas colocavam-se junto dos túmulos reais para que o faraó pudesse juntar-se a Rá e navegar com ele pelo rio celeste. A barca encontrada junto de Quéops, um dos barcos grandes mais antigos que nos chegaram inteiros, guarda-se hoje num novo museu junto das pirâmides. Transforma o mito da travessia solar de metáfora em objeto tangível, que se pode rodear.
A travessia noturna nas paredes dos túmulos
O caminho do sol pelo submundo os egípcios descreviam-no e pintavam-no, hora a hora, nas paredes das moradas reais. Os textos a que se chama «Livro do Amduat» e «Livro das Portas» desdobravam todo o trajeto noturno de Rá pelas doze regiões do Duat: a barca, o séquito de deuses, os guardiões das portas, a serpente abatida. Tais pinturas cobrem as paredes dos túmulos do Vale dos Reis perto de Tebas e serviam ao rei de mapa do caminho após a morte. As cores mantiveram-se durante milénios no ar seco das salas subterrâneas, e por elas ainda se pode seguir cada hora noturna do deus. Para o egípcio isto não era adorno, mas um guia: a imagem assegurava ao defunto a mesma travessia rumo à madrugada que fazia o próprio sol.
A ideia da travessia solar merece uma conversa à parte, porque é justamente ela que transformava um nascer do sol vulgar num drama diário de vida e morte. A barca, a viagem noturna e o combate com a serpente formavam o núcleo do mito de Rá e explicavam ao egípcio por que a luz tem de ser reconquistada de novo a cada vez.
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A barca do sol e o combate com Apófis
Para o egípcio o sol não nascia nem se punha, mas viajava pelo céu. Rá cruzava dois reinos em duas barcas, e a sua rota noturna estava cheia de perigos. O clímax de cada noite era o duelo com a serpente do caos, de cujo desfecho dependia a nova madrugada.
Mandjet e Mesektet: as duas barcas do sol
Rá navegava pelo céu não numa barca, mas em duas, conforme as duas metades do dia. A barca do dia chamava-se Mandjet, «a barca de milhões de anos», e nela o deus subia de leste ao zénite e descia a oeste, iluminando o mundo dos vivos. Ao entardecer, no horizonte, mudava para a barca noturna Mesektet e nela entrava no reino subterrâneo. Ambas as barcas eram conduzidas por um séquito de deuses: ao leme estava o sábio Tot, à frente uma deusa espreitava o caminho, e à volta dispunham-se os defensores do sol. Os egípcios imaginavam o céu como um rio pelo qual desliza a barca solar, e não por acaso: toda a sua vida assentava no Nilo, onde a barca era o principal meio de transporte. A travessia celeste de Rá era o reflexo da navegação terrena pelo grande rio, só que levada à escala de todo o cosmos. Colocavam-se modelos de tais barcas nos túmulos para que o defunto pudesse juntar-se ao deus.
A travessia noturna pelo Duat
O pôr do sol os egípcios entendiam-no não como um desaparecimento, mas como a entrada do deus no submundo, a que chamavam Duat. De noite Rá navegava pelo rio subterrâneo através de doze regiões, conforme as horas da noite, e em cada uma o recebiam as suas próprias divindades, guardiões e perigos. Não era descanso, mas trabalho duro e risco. No fundo do Duat, na hora mais escura, sucedia um grande mistério: o deus sol unia-se ao corpo de Osíris, senhor dos mortos, e desse encontro ambos se renovavam. Rá dava aos mortos luz e esperança de uma nova vida, e ele próprio ganhava forças para um novo nascimento na madrugada. Os textos a que os egiptólogos chamam «Livro do Amduat» e «Livro das Portas» descreviam esta viagem noturna hora a hora e pintavam-se nas paredes dos túmulos reais. Para o egípcio a noite não era vazio, mas o tempo em que o sol trabalha no mundo invisível em prol do seu regresso matinal.
Apófis, a serpente do caos
O principal inimigo de Rá era Apófis, uma serpente gigantesca, encarnação da escuridão, do não ser e do caos. Não era um deus vulgar com o seu próprio culto, mas a personificação da própria ameaça de destruição da ordem, aquele abismo escuro de que o mundo um dia se ergueu e ao qual ameaçava cair de novo. Todas as noites, no fundo do submundo, Apófis espreitava a barca solar, procurando detê-la, beber a água do rio, virar a barca e impedir que o sol nascesse. Por vezes ligava-se aos eclipses solares e às tempestades: se de dia escurecia de repente, os egípcios pensavam que Apófis conseguira engolir por um instante a barca. A serpente era imortal no sentido de que não se podia destruir para sempre: o caos não se pode abolir, só se pode repelir uma e outra vez. Por isso o combate com Apófis repetia-se todas as noites sem fim. Esta imagem da eterna oposição entre ordem e caos tornou-se uma das mais poderosas do pensamento egípcio.
A vitória diária sobre o caos
Rá não combatia sozinho. De guarda junto da barca estava o deus Set, que apesar da sua natureza turbulenta aqui agia como defensor do sol: trespassava Apófis com uma lança e prendia a serpente. Ajudavam também outros deuses, e por vezes entrava na luta uma deusa temível, filha e «olho» de Rá. Todas as noites a serpente era repelida, rasgada, atada, e na madrugada o sol saía do submundo vencedor. Por isso o nascer do sol não era para o egípcio uma rotina, mas um triunfo: a luz vencera de novo as trevas, a ordem resistira de novo contra o caos. Os sacerdotes chegavam a realizar rituais em ajuda do deus, recitando esconjuros e queimando figuras de cera da serpente para fortalecer Rá no combate noturno. Nesta imagem encerra-se um sentido importante do símbolo do sol: a luz não é dada de graça, conquista-se. Um pendente com um disco solar, nesta leitura, não significa serenidade, mas firmeza, a disposição diária de enfrentar as trevas e vencê-las.
O significado de Rá na simbologia
Atrás da imagem do deus sol há várias camadas de sentido, e cada uma responde a uma necessidade humana própria. Vejamos os significados principais que fazem de Rá um dos símbolos solares mais fortes.
Vida e luz
O primeiro significado e o mais evidente de Rá é a vida. O sol dava ao Egito tudo: calor, luz, o ritmo do dia, a força para o crescimento do grão ao longo do Nilo. Sem ele não haveria nem colheita nem sequer possibilidade de existência, e por isso o deus sol era recebido como fonte de vida no sentido mais direto. Os seus raios, que nas imagens tardias se pintavam terminados em pequenas mãos, estendiam literalmente a vida a tudo o que é vivo. Usar o símbolo de Rá significa ligar-se a essa força vivificadora, à ideia de uma luz que nutre e sustém. Neste sentido o sinal solar é próximo e compreensível para uma pessoa de qualquer cultura: em todos os cantos da terra o sol significava vida e calor. Para a joalharia isto torna a imagem de Rá quente e afirmadora da vida, um sinal de vitalidade e energia, e não um estrito símbolo religioso que exija uma fé particular.
A ordem contra o caos
O segundo significado brota do mito do combate noturno. Rá é a luz que a cada dia vence as trevas, a ordem que repele o embate do caos. Os egípcios chamavam à ordem do mundo a palavra «maat»: verdade, justiça, harmonia do cosmos. Rá era o principal defensor da maat, e a sua luta com Apófis era uma batalha pela conservação da própria estrutura do mundo. Daí procede um sentido profundo do símbolo: o sol significa não um bem-estar sereno, mas firmeza perante a ameaça, disciplina e inteireza. Quem escolhe o sinal de Rá justamente por esta camada lê-o como um lembrete de manter a própria ordem interior apesar de qualquer caos à volta. Isto torna o símbolo solar próximo de pessoas que valorizam a compostura e um eixo interior, e não só o calor e a alegria.
Poder e realeza
A terceira camada de sentido é o poder. Rá era o rei dos deuses, e o faraó dizia-se seu filho e vigário terreno, pelo que o sol no Egito trouxe sempre um matiz de poder supremo e do direito de mandar. O ouro com que se faziam as insígnias reais tinha-se por «carne dos deuses», e antes de mais por carne do deus sol, eterna e incorruptível. O disco solar na coroa, o obelisco lançado ao céu, a imagem de falcão de Rá, tudo isso era uma linguagem de poderio soberano. Na joalharia esta camada lê-se como sinal de dignidade, liderança, confiança no próprio direito. O símbolo de Rá em ouro herda diretamente esta tradição régia, em que o sol significava o topo da hierarquia. Quem o usa com este sentido escolhe um sinal não de calor suave, mas de grandeza e força de carácter.
Renascimento e o ciclo eterno
O quarto significado é o renascimento. Cada tarde o sol «morria» a oeste, cada manhã voltava a nascer a leste, e este ciclo sem fim fez de Rá um deus da renovação e do eterno regresso. A união noturna com Osíris no fundo do Duat dava esperança de vida após a morte: como o sol nasce após a noite, assim o defunto pode erguer-se a uma nova vida. Por isso a simbologia solar no Egito esteve sempre ligada à ideia de imortalidade e ciclicidade, e não só à luz do dia. O escaravelho que empurra o sol rumo à madrugada tornou-se o principal sinal desta renovação e amuleto de ressurreição. Para a joalharia o sentido do renascimento faz do símbolo de Rá um sinal de novos começos, de pontos de viragem, da capacidade de se erguer após tempos difíceis. Oferece-se e usa-se como lembrete de que a qualquer noite se segue a madrugada.
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Psicologia: por que se escolhe o símbolo do sol
O sinal solar não se escolhe ao acaso. Atrás da atração pela imagem do sol há necessidades humanas compreensíveis, e por qual camada de sentido ressoa com mais força é fácil perceber a quem tal símbolo é próximo.
A atração pela luz e pela vida
A luz atrai a pessoa no nível mais simples. Voltamo-nos para a janela, procuramos o calor, revivemos num dia claro e pesamo-nos numa escuridão prolongada. O sol associa-se na nossa perceção ao vigor, ao crescimento e à própria vida, e esta resposta não precisa de explicação: é a mesma em pessoas de qualquer cultura. O sinal do sol ao peito recolhe este sentimento e mantém-no consigo como uma pequena fonte de calor. Quem escolhe o disco de Rá por esta camada costuma procurar na joia não um sentido estrito, mas um apoio, um lembrete de luz nos dias em que ela falta.
A necessidade de ordem e sustento
O segundo motivo é mais subtil. O mito do combate noturno de Rá com o caos responde a uma necessidade muito adulta: manter o próprio mundo em ordem apesar da pressão de fora. A pessoa precisa de sentir que atrás da escuridão voltará a madrugada, que o esforço tem sentido, que a ordem se pode defender. O sol, que a cada manhã reconquista a luz às trevas, torna-se uma imagem exata desta disciplina interior. Tal símbolo é mais próximo das pessoas em momentos de sobrecarga e mudança, quando é preciso sustento e um lembrete da própria inteireza. Lê-se não como serenidade, mas como uma decisão serena de manter o rumo.
A quem é próximo o sinal solar
Se juntarmos tudo, o símbolo do sol ressoa com dois temperamentos de carácter. Para o primeiro, quente e ativo, encaixa como sinal da sua própria energia, como reforço da luz que já levam aos outros. Para o segundo, sereno e perseverante, é próximo como sustento, como promessa de que a qualquer noite se segue a manhã. Em ambos os casos o sinal não atribui à pessoa aquilo que lhe é alheio, mas nomeia o que já existe dentro. Por isso mesmo a simbologia solar raramente deixa indiferente: toca ou a atração pela vida ou a necessidade de inteireza, e mais vezes ambas ao mesmo tempo.
Rá nas joias
O deus sol chega à joalharia através de um conjunto de sinais reconhecíveis, cada um dos quais se pode usar em separado. Vejamos que formas toma a simbologia de Rá e o que significam ao pescoço ou no dedo.
O disco solar como pendente
O sinal mais direto e universal de Rá é o disco solar. Na joalharia torna-se um medalhão redondo, muitas vezes com raios na borda ou com o centro em relevo, por vezes com a cobra-ureu ou asas aos lados. O disco solar alado, antigo símbolo egípcio de proteção e realeza, é especialmente expressivo num pendente: duas asas abertas e um círculo entre elas leem-se como sinal do poder celeste estendido sobre quem o usa. O disco é cómodo porque é sóbrio e assenta a qualquer pessoa: um círculo com raios entende-se sem explicações e fica bem tanto numa versão minimalista como ricamente trabalhada. Em ouro o disco solar herda diretamente a tradição egípcia, em que justamente este metal era a carne do deus sol. Tal pendente significa vida, luz e proteção ao mesmo tempo, e usam-no pessoas próximas da simbologia quente e afirmadora da vida.
O falcão de Rá
A imagem de falcão do deus dá um segundo grande motivo. Um pendente ou um selo com um falcão, sobretudo com um disco solar sobre a cabeça da ave, remete diretamente para a iconografia de Rá-Horákti, o sol diurno em toda a sua força. O falcão significa altura, agudeza de vista, voo acima do quotidiano e a ligação do céu à terra. Este sinal é mais próximo de quem procura num símbolo a ideia da aspiração para cima, de um olhar claro e do poder sobre a própria vida. A silhueta do falcão é gráfica e assenta bem no cinzelado e no relevo, por isso é apreciada nos selos e nos pendentes sóbrios. A imagem da ave do sol ecoa o posterior deus falcão egípcio Hórus, e traçar a fronteira entre ambos torna-se por vezes difícil, porque na figura de Rá-Horákti se fundiram. Para a joalharia isto é antes uma vantagem: o falcão com o disco leva duas camadas de sentido ao mesmo tempo, solar e régia.
O escaravelho e o sol nascente
O escaravelho é a faceta matinal e jovem do sol, o deus Khepri, que empurra o astro rumo à madrugada. Como símbolo joalheiro é um dos mais antigos e queridos do Egito: talhavam-se escaravelhos de pedra aos milhares, usavam-se como amuletos, engastavam-se em anéis e colocavam-se nos sepultamentos como sinal de ressurreição. Para o tema de Rá o escaravelho importa porque mostra o sol no momento do nascimento, e por isso leva o sentido de renovação, de novos começos e de proteção nos momentos de transição da vida. A forma arredondada do escaravelho assenta bem num pendente ou num anel, e na sua face inferior plana os antigos gravavam muitas vezes inscrições e sinais. Quem quer usar a simbologia solar com o acento no renascimento, e não no poder, escolhe justamente o escaravelho. Sobre como o escaravelho peloteiro se tornou um dos principais amuletos do Egito convém ler numa análise à parte sobre o significado do escaravelho na joalharia.
O ureu e o Olho de Rá
O ureu é a cobra erguida que se representava na fronte do deus e do faraó, junto ao disco solar. Significava proteção, poder real e a capacidade de fulminar o inimigo: segundo o mito, a cobra era o «Olho de Rá», uma força temível separada do deus e enviada para castigar. A isto liga-se também o tema do Olho de Rá, o olho solar que encarnava o poder ativo, por vezes furioso, do sol, personificado por deusas temíveis. Na joalharia o ureu chega como elemento do disco solar ou como motivo de cobra por si só, sinal de proteção e dignidade. O Olho de Rá convém distingui-lo do mais conhecido Olho de Hórus: o primeiro liga-se ao sol e à sua força castigadora, o segundo à lua e à cura. Esta diferença é fácil de confundir, e sobre o olho lunar fala em detalhe a análise sobre o significado do Olho de Hórus. O ureu e o olho solar levam o sentido da proteção, por isso escolhem-se como amuleto.
A escolha de um sinal concreto depende de qual camada de sentido é mais próxima. O disco fala de vida e luz, o falcão de altura e poder, o escaravelho de renovação, o ureu de proteção. É bom que todos se reúnam numa só linguagem solar, e num mesmo conjunto podem conviver sem disputa, pois atrás deles está um mesmo sol nos seus diferentes rostos.
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Materiais para a simbologia de Rá
A imagem do deus sol pede materiais que sustentem a ideia de luz, calor e durabilidade. Cada um tem a sua própria lógica e a sua própria ligação à tradição egípcia.
O ouro, carne do deus sol
O ouro é o principal material para a simbologia de Rá, e não por moda, mas por sentido direto. Os egípcios chamavam ao ouro «carne dos deuses» e ligavam-no justamente ao sol: o metal incorruptível, sempre reluzente, era a substância terrena do deus sol. As máscaras reais, as joias dos faraós, os utensílios dos templos resplandeciam de ouro como reflexo da luz de Rá. Por isso um disco solar ou um falcão de ouro herdam o próprio coração do culto: o quente brilho amarelo repete a cor do sol do meio-dia. O ouro não escurece, não oxida, conserva o seu aspeto durante milénios, e esta eternidade encaixa na perfeição com a ideia de um deus que renasce a cada dia. Para quem usa o símbolo de Rá como sinal de vida, poder e ciclo eterno, o ouro é a escolha mais precisa. É um material de gala e de topo, e nele a simbologia solar desdobra-se com maior plenitude, ligando uma joia moderna a uma tradição de milhares de anos.
A prata e o electro
A prata dá um brilho mais frio, lunar, e em estado puro discute um pouco com o tema solar. Mas a prata tem a sua própria expressividade: um falcão gráfico ou um disco sóbrio em prata leem-se com sobriedade e modernidade, sem o ênfase de gala do ouro. A prata de lei 925 é resistente, apta para uso diário e assenta à maioria das pessoas. Especialmente interessante é o electro, a liga natural de ouro e prata que os egípcios conheciam e valorizavam: com ele revestiam as pontas dos obeliscos para que resplandecessem com mais força ao sol. O electro dava um ouro claro com um reflexo frio e era, à sua maneira, um material solar. A joalharia moderna com a combinação de metal amarelo e branco herda esteticamente esta antiga ideia. A prata dourada também funciona como compromisso: um quente tom solar sobre uma base de prata resistente, mais acessível do que o ouro puro e mais próxima dele no aspeto.
A cornalina, o lápis-lazúli e a turquesa
Os mestres egípcios gostavam de combinar o metal com pedras vivas, e três delas estavam especialmente ligadas à simbologia solar. A cornalina, pedra vermelho-alaranjada da cor do sol poente, significava vida, calor e energia, e engastava-se muitas vezes em amuletos e anéis junto ao ouro. O lápis-lazúli, pedra de um azul profundo com brilhos dourados de pirite, lembrava o céu noturno com as suas estrelas e servia de imagem da esfera celeste pela qual navega a barca solar. A turquesa dava o tom fresco azul-esverdeado do céu da madrugada e tinha-se por uma pedra alegre e protetora. A clássica combinação egípcia de ouro, cornalina e lápis-lazúli ainda hoje se lê como sinal do antigo Egito: metal quente, pedra de fogo e azul do céu transmitem juntos todo o percurso do sol da madrugada à noite. Nas joias com a simbologia de Rá estas pedras acrescentam precisão histórica e profundidade de cor.
O esmalte e a pátina negra
Para transmitir o colorido das imagens egípcias, a joalharia moderna usa muitas vezes o esmalte. O esmalte azul, vermelho, turquesa sobre ouro ou prata repete essa mesma paleta de lápis-lazúli, cornalina e turquesa que usavam os antigos mestres, só que de um modo mais acessível. Um disco solar ou um escaravelho esmaltados ficam vivos e vistosos, mais perto da pintura dos sarcófagos do que do metal sóbrio. Outro recurso é a pátina negra da prata: o óxido escuro nos vãos do relevo realça as linhas do falcão, os raios do disco ou o desenho das asas, tornando a imagem gráfica e contrastada. A prata enegrecida com os relevos polidos transmite bem a textura das penas e das escamas da cobra. A escolha entre o esmalte e a pátina é a escolha entre a cor vistosa e o grafismo sóbrio. O primeiro é mais próximo de quem quer uma imagem viva, «de museu», do Egito; o segundo, de quem prefere uma estética moderna e contida do monocromático.
A quem assenta o símbolo de Rá e a quem se oferece
O sinal solar não é neutro, e nisso está a sua força. Assenta a um temperamento de carácter determinado e funciona bem como presente com sentido e uma mensagem clara.
A quem assenta o símbolo de Rá
O símbolo do sol assenta a pessoas de energia quente e ativa, a quem por natureza tende a guiar e a dar calor aos outros. O disco solar assenta aos otimistas e amantes da vida, para quem a luz e a vida são valores próximos. A imagem de falcão de Rá é mais próxima de pessoas decididas, de olhar claro e com o hábito de olhar em frente, de quem valoriza a altura de uma meta e o poder sobre o próprio rumo. O escaravelho assenta à pessoa no limiar de uma mudança, que começa um novo capítulo, pois significa nascimento e renovação. O ureu e o olho solar são próximos de quem procura numa joia proteção e dignidade. A regra geral é simples: o símbolo de Rá reforça o que já existe na pessoa, em vez de atribuir aquilo que lhe é alheio. Não fará de um introvertido um líder, mas a uma pessoa com fogo interior dará um sinal exato da sua natureza. A simbologia solar assenta bem também a quem simplesmente ama a estética do antigo Egito e a sua rica história.
Rá como presente
Uma joia com a simbologia de Rá oferece-se com uma mensagem clara e luminosa. O disco solar é um desejo de vida, calor e luz, por isso é apropriado oferecê-lo num aniversário, como sinal de alegria e energia. O escaravelho é ideal como presente no começo de um novo caminho: uma mudança de trabalho, uma mudança de casa, o início de estudos, a recuperação após uma doença, pois significa renascimento e sorte num novo empenho. O falcão de Rá assenta bem a uma pessoa ambiciosa, como desejo de altura e clareza de meta. O disco solar alado, com o seu sentido de proteção, oferece-se como amuleto, sinal de amparo do alto. Ao presente convém juntar umas palavras sobre o significado, para que o símbolo se desdobre por inteiro: o relato de um deus que a cada manhã vence as trevas transforma a joia numa quente palavra de alento. O tema solar é universal e compreensível para uma pessoa de qualquer idade e sexo, o que faz de tal presente uma aposta segura.
Rá na cultura e no legado
O culto solar do Egito não desapareceu com os faraós. As suas imagens, as suas pedras e a própria ideia do sol como força suprema sobreviveram aos milénios e difundiram-se muito para além do Nilo. Sigamos onde o legado solar de Rá deixou uma marca notável.
O Olho de Rá e as deusas temíveis
O sol no Egito era luz e também um calor capaz de calcinar. Este lado perigoso personificava-o o «Olho de Rá», o olho solar, imaginado como uma força independente, separada do deus e enviada para castigar os inimigos. Olho de Rá chamava-se a várias deusas ao mesmo tempo: a leonina Sekhmet, cujo sopro trazia calor e peste; a doce Hathor, deusa do amor e da alegria; a felina Bastet. Segundo o mito, o olho enfurecido um dia afastou-se do deus, e foi preciso trazê-lo de volta com astúcia e súplicas, e aplacar a sua fúria. Neste par, a doce Hathor e a furiosa Sekhmet, os egípcios exprimiram a dupla natureza do sol: nutre e queima ao mesmo tempo. Daí que o sinal solar traga calor e também um matiz de proteção temível.
Os obeliscos fora do Egito
As agulhas de pedra de Heliópolis revelaram-se demasiado chamativas para ficarem no seu lugar. Já na Antiguidade os governantes levavam obeliscos egípcios como sinal de poder sobre a terra do sol: vários foram levados para Roma, onde ainda se erguem nas praças, entre os mais altos conservados no mundo. Mais tarde, já na época moderna, transferiram-se obeliscos também para outras grandes cidades, onde adornam avenidas e praças. Assim o sinal do primeiro raio solar, nascido no culto de Rá, tornou-se uma das silhuetas mais reconhecíveis da arquitetura mundial, ainda que poucos transeuntes se lembrem da sua origem. A forma sobreviveu à fé que a gerou.
O disco alado através dos séculos
Outra imagem solar do Egito difundiu-se por todo o antigo Próximo Oriente: o disco alado, o sol com as asas abertas. No Egito significava proteção e realeza, o poder celeste estendido sobre o soberano. Os povos vizinhos adotaram este sinal e adaptaram-no aos seus próprios deuses, de modo que o sol alado se encontra em monumentos muito para além do vale do Nilo. A sua longevidade é compreensível: a imagem é simples, forte e clara sem palavras. Umas asas abertas sobre um círculo leem-se como amparo do alto em qualquer cultura. Na joalharia o disco alado chegou até aos nossos dias justamente graças a esta clareza universal, continuando a ser um dos motivos solares mais expressivos.
Rá e os símbolos egípcios vizinhos
O deus sol não existia isolado, mas na densa rede de imagens do antigo Egito. A comparação com os símbolos vizinhos ajuda a perceber com mais precisão o lugar de Rá e a não confundir sinais parecidos.
Rá e o ankh
O ankh, a cruz egípcia com uma asa na parte superior, é o sinal da vida, um dos símbolos mais reconhecíveis do Egito. A sua ligação a Rá é direta: o sol era fonte de vida, e o ankh o seu sinal, por isso nas imagens os deuses estendem muitas vezes o ankh ao nariz do faraó, dando-lhe o sopro de vida. Nas imagens solares tardias os raios de Áton terminavam em mãos que seguravam o ankh, baixando literalmente a vida do céu. A diferença está em que Rá é uma divindade, uma força que age, ao passo que o ankh é um sinal-conceito abstrato, a própria vida enquanto tal. Muitas vezes usam-se juntos: o disco solar como fonte, o ankh como dádiva. Se se quer entender o próprio sinal da vida, a sua história e o seu significado, ajuda uma análise à parte sobre o significado do ankh, a cruz egípcia da vida. Juntos o sol e o ankh formam uma afirmação acabada sobre a vida e a sua origem celeste.
Rá e o escaravelho
O escaravelho e Rá não são rivais, mas diferentes rostos de um mesmo sol. O escaravelho encarna o deus Khepri, o astro nascente da manhã no momento do nascimento, ao passo que Rá é o sol no zénite, em toda a sua força diurna. No fundo o escaravelho é a juventude do mesmo sol, a sua faceta da madrugada. Por isso na simbologia complementam-se: o disco de Rá fala do dia e do poder, o escaravelho da renovação e do começo. Usá-los juntos significa sustentar numa só imagem todo o ciclo, do nascimento à plenitude. A diferença está nos acentos: o escaravelho é mais próximo do tema da sorte, da ressurreição e da proteção nos momentos de transição, e Rá do tema da vida, da luz e da força suprema. Quem quer um sentido suave, de amuleto, escolhe o escaravelho; quem quer o soberano e solar, escolhe o disco. Ambos, contudo, pertencem a um mesmo círculo solar de imagens.
Rá e o Olho de Hórus
O Olho de Hórus e o Olho de Rá são fáceis de confundir, mas atrás deles há astros diferentes. O Olho de Hórus, o Uadjat, liga-se à lua, à cura e à restauração da integridade: segundo o mito, o olho ferido do deus falcão foi sarado, e por isso tornou-se sinal de saúde e proteção. O Olho de Rá, pelo contrário, é solar; encarna a força ativa, por vezes furiosa, do sol, aquele poder temível que castiga os inimigos do deus. Ambos os olhos significam proteção, mas com diferente temperatura: o olho lunar de Hórus é suave e curativo, o olho solar de Rá é ardente e guerreiro. Na joalharia encontra-se com mais frequência justamente o Olho de Hórus, tornado um amuleto popular, e a sua história analisa em detalhe o material sobre a deusa Ísis e o panteão egípcio na joalharia. Compreendendo esta diferença, é fácil escolher o sinal adequado: o castigo solar ou a cura lunar.
Rá e Anúbis
Anúbis, o deus com cabeça de chacal, encarregava-se do embalsamamento e do caminho da alma no além, e à primeira vista está longe do solar Rá. Mas os seus caminhos cruzavam-se no lugar mais importante da cosmovisão egípcia, no reino subterrâneo do Duat. De noite Rá navegava pelo mesmo mundo dos mortos que Anúbis regia, e a luz solar dava esperança às almas dos defuntos. A diferença de papéis é clara: Rá é o deus da vida, da luz e do dia; Anúbis, o deus da morte, da escuridão e da passagem. Juntos delimitam o círculo completo da existência egípcia, da madrugada ao sepultamento e de volta a uma nova madrugada. Na simbologia o sinal solar e o sinal funerário formam polos opostos: um sobre a vida e a energia, o outro sobre a proteção no limiar da morte e sobre uma passagem digna. Compreender este par ajuda a ver que os deuses egípcios se organizavam num sistema único, em que luz e escuridão eram partes de um mesmo todo. Sobre o próprio deus do embalsamamento, a sua figura de chacal e o seu papel de guia das almas por esse mesmo país noturno pelo qual navegava Rá, fala em detalhe a análise sobre o significado de Anúbis na joalharia.
A tabela comparativa mostra o essencial: a simbologia egípcia não é um conjunto de sinais dispersos, mas uma rede coerente em que o sol ocupa o lugar central. Rá está no meio desta rede como fonte de vida e luz, à volta da qual se dispõem os sinais de proteção, renovação e passagem. Por isso mesmo as imagens solares se combinam tão facilmente com outros motivos egípcios numa só joia ou conjunto.
Em torno do deus sol, como em torno de tudo o que é egípcio, acumulou-se não pouca confusão e simplificação. Vejamos os erros mais frequentes, para usar o símbolo com uma compreensão clara e não com mitos difundidos. Parte deles mistura diferentes deuses, parte transfere para o Egito ideias alheias, parte simplesmente distorce a história do culto.
Factos que surpreendem
A história do deus sol guarda pormenores que mudam o olhar sobre símbolos familiares. Aqui ficam alguns factos que raramente entram nos relatos breves.
Primeiro. Os egípcios viam no sol não um deus, mas três, conforme as suas posições no céu. De manhã é o escaravelho Khepri, que empurra o astro rumo à madrugada; de dia o falcão Rá em toda a sua força; à tarde o ancião Atum, que se retira para descansar. Três nomes descreviam um percurso do sol ao longo do dia: nascimento, plenitude e velhice.
Segundo. O pôr do sol era para o egípcio não um fim, mas o começo da parte mais perigosa do caminho. De noite Rá descia ao submundo e navegava pelas suas doze regiões, conforme as horas da noite, repelindo os ataques da serpente do caos. O nascer do sol significava que o deus vencera de novo o combate noturno.
Terceiro. Ao inimigo do sol, a serpente Apófis, não se podia matar para sempre. Encarnava o próprio caos, e o caos é indestrutível, só se pode repelir uma e outra vez. Por isso o combate repetia-se todas as noites sem fim, e os sacerdotes chegavam a queimar figuras de cera da serpente, ajudando o deus com esconjuros.
Quarto. Ao ouro os egípcios chamavam «carne dos deuses» e ligavam-no justamente ao sol. O metal incorruptível, sempre reluzente, tinha-se pela substância terrena do deus sol, por isso as máscaras e joias reais faziam-se de ouro como reflexos da luz de Rá.
Quinto. Os obeliscos, essas agulhas de pedra com as pontas douradas, eram um símbolo ampliado do primeiro raio solar. O seu vértice revestia-se de electro para que resplandecesse com mais força na madrugada, apanhando a primeira e a última luz do dia.
Sexto. No fundo da noite o deus sol unia-se a Osíris, senhor dos mortos, e desse encontro ambos se renovavam. A noite não era vazio, mas o tempo de um grande mistério, quando o sol trabalhava no mundo invisível em prol do seu regresso matinal.
Sétimo. Quando o faraó Aquenáton tentou substituir todos os deuses pelo único disco solar de Áton, disputava não com o sol, mas com a forma do seu culto. Após a sua morte os antigos deuses regressaram e Rá voltou a ocupar o seu lugar, mostrando até que ponto o sol estava inscrito na vida egípcia.
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Perguntas frequentes
Quem é Rá na mitologia egípcia?
Rá é o deus sol supremo do antigo Egito, criador e senhor do mundo. Os egípcios acreditavam que a cada dia navega pelo céu na barca solar, e de noite desce ao submundo, onde combate com a serpente do caos Apófis. Representava-se como um homem com cabeça de falcão e um disco solar sobre a cabeça. Ao faraó chamava-se «filho de Rá», e o próprio deus tinha-se por fonte de vida, luz e ordem.
O que simboliza Rá?
Rá significa vida, luz, ordem e poder. O sol dava ao Egito tudo o que era necessário para a existência, por isso o deus sol era recebido como fonte de vida. A sua vitória diária sobre a serpente do caos fê-lo símbolo da ordem contra a destruição. Como rei dos deuses significava o poder supremo, e o ciclo eterno do poente e da madrugada deu-lhe o sentido de renascimento e imortalidade.
Em que difere Rá de Amón-Rá?
Rá é o deus sol original, venerado em Heliópolis. Amón é o deus da cidade de Tebas, cujo nome significava «o oculto». Quando Tebas se elevou, os sacerdotes uniram Amón a Rá na única divindade suprema Amón-Rá, para ligar o antigo poder solar a uma nova força política. No fundo é o mesmo deus sol sob um nome combinado, que se tornou rei dos deuses na época do Império Novo.
O que é a barca solar de Rá?
É o navio em que Rá navegava pelo céu e pelo submundo. De dia usava a barca Mandjet, subindo de leste ao zénite e descendo a oeste; de noite mudava para a barca Mesektet e entrava no reino dos mortos. Os egípcios imaginavam o céu como um rio pelo qual desliza a barca solar, repetindo a navegação terrena pelo Nilo. Colocavam-se modelos de tais barcas nos túmulos.
Quem é Apófis e por que Rá combatia com ele?
Apófis é uma serpente gigantesca, encarnação da escuridão, do não ser e do caos. Todas as noites espreitava a barca solar no submundo, procurando virá-la e impedir que o sol nascesse. Rá, com a ajuda de outros deuses, repelia a serpente, e na madrugada o sol saía vencedor. A Apófis não se podia destruir para sempre, porque personificava o próprio caos, por isso o combate repetia-se todas as noites.
Em que difere o Olho de Rá do Olho de Hórus?
O Olho de Rá é solar; encarna a força ativa, por vezes furiosa, do sol, aquele poder temível que castiga os inimigos do deus. O Olho de Hórus, o Uadjat, liga-se à lua, à cura e à restauração da integridade. Ambos os olhos significam proteção, mas com diferente temperatura: o olho solar de Rá é ardente e guerreiro, o olho lunar de Hórus é suave e curativo. Na joalharia encontra-se com mais frequência justamente o Olho de Hórus, como amuleto.
Que material é melhor para uma joia com o símbolo de Rá?
O ouro assenta na perfeição: os egípcios chamavam-lhe «carne dos deuses» e ligavam-no ao sol, por isso um disco ou um falcão de ouro herdam o próprio coração do culto. A prata dá um aspeto mais sóbrio e gráfico, ao passo que o electro e o dourado dão um tom quente a um custo razoável. A clássica combinação egípcia de ouro com cornalina e lápis-lazúli acrescenta precisão histórica e transmite todo o percurso do sol da madrugada ao céu noturno.
Pode usar o símbolo de Rá uma pessoa de qualquer fé?
Sim. O disco solar e o falcão são antes de mais imagens culturais e históricas, compreensíveis em todos os cantos da terra, pois o sol em toda a parte significava vida e calor. Usam-nos pessoas das mais variadas ideias, incluindo aquelas a quem simplesmente é próxima a estética do antigo Egito. O símbolo não exige uma fé particular e lê-se como sinal de vida, luz e inteireza interior.
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Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Conclusão
Rá é um símbolo raro, atrás do qual se ergue toda uma imagem do mundo. Para o egípcio o sol não era uma lei da natureza, mas um deus vivo que a cada dia empreendia uma viagem perigosa: de dia pelo rio celeste numa barca dourada, de noite pelo reino dos mortos, onde o espreitava a serpente do caos. E que de manhã o astro voltasse a subir acima do horizonte não era uma rotina, mas uma vitória conquistada em combate. Nesta imagem encerra-se o sentido principal do sinal solar: a luz não é dada de graça, reconquista-se de novo a cada dia.
Na joia Rá funciona a vários níveis ao mesmo tempo. O disco solar fala de vida e luz, o falcão de altura e poder, o escaravelho de renovação e de novos começos, o ureu de proteção e dignidade. Atrás de cada um destes sinais está um mesmo sol nos seus diferentes rostos, por isso reúnem-se numa só linguagem quente, compreensível sem explicações. O ouro, «carne do deus sol», desdobra esta simbologia com maior plenitude, ligando um pendente moderno a uma tradição de milhares de anos.
O que pôr no sinal solar decide-o cada um: a alegria de viver, a firmeza perante o caos, a ambição da altura ou a esperança do renascimento. Rá alberga com honestidade todos estes sentidos, porque para o egípcio foi tudo ao mesmo tempo, o começo e o sustento do mundo. Usar a sua imagem significa continuar o gesto antigo de uma pessoa que recebia cada madrugada como um pequeno milagre e conhecia o seu valor.
Prata, ouro, a simbologia dos deuses antigos, amuletos protetores, conjuntos de par e de presente.
Sobre a Zevira
A Zevira são joias com sentido: símbolos, amuletos, sinais de força e proteção em formas limpas de prata e ouro. Gostamos das coisas que têm uma história de milhares de anos e trazemo-la para um design moderno sem ênfase supérflua. O disco solar, o falcão, o escaravelho e outros sinais do antigo Egito convivem no catálogo com pendentes minimalistas e conjuntos de par, para que cada um encontre o seu símbolo.









































