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Hathor: a deusa egípcia do amor e da música, significado do símbolo e joias

Hathor: a deusa egípcia do amor e da música, significado do símbolo e das suas joias

Uma deusa com cornos de vaca e um disco solar entre eles presidia ao amor, à música, à dança e à alegria, e os seus templos ressoavam com sistros. Para os egípcios a vaca representava tanto a abóbada do céu como o leite que alimenta os vivos. Assim, ternura e sustento uniram-se numa só divindade.

Hathor é uma das figuras mais antigas e queridas do panteão egípcio. Foi venerada durante mais de três mil anos, desde as primeiras dinastias até à época romana, e ao longo desses séculos reuniu sob o seu nome todo um feixe de sentidos: amor, beleza, música, dança, a embriaguez alegre da festa, maternidade e também o acolhimento dos mortos no limiar do outro mundo. Poucos deuses sustentaram um círculo tão amplo de competências, e quase sempre se tratava da alegria de viver e não do medo dela.

Este guia percorre com calma três coisas. Quem é Hathor e como reconhecê-la pela sua iconografia, de onde surgiu o seu culto e por que a chamavam Senhora da Turquesa, e como a sua imagem continua viva nas joias: no colar menat, na turquesa, no ouro e no motivo do sistro. Ater-nos-emos ao que se sabe da antiga religião, tratando-a com respeito, e não iremos zombar da fé dos egípcios nem fazer passar invenções tardias por factos. A deusa do amor merece um relato atento, não uma versão frívola. À medida que a conversa avançar, ficará claro por que os seus sinais assentam tão bem numa joia e soam quentes mesmo milhares de anos depois.

Quem é Hathor: os cornos e o disco solar

Uma mulher com cornos de vaca e disco solar

A forma clássica de Hathor reconhece-se à primeira vista: uma mulher esbelta com uma coroa de dois cornos curvos de vaca e um disco solar pousado entre eles. Este toucado tornou-se a sua assinatura na arte egípcia. Os cornos remetem para a vaca, o animal de Hathor; o disco alude ao sol e ao vínculo da deusa com o deus solar Rá. Por vezes a coroa somava uma pena alta ou uma cobra ureus erguida, sinal do poder real e divino. Nas mãos a deusa costuma levar um ceptro e o sinal da vida, e ao pescoço um colar pesado de que falaremos em pormenor mais abaixo.

É importante não confundir esta coroa com o toucado muito semelhante da deusa Ísis, que em séculos posteriores adoptou exactamente o mesmo símbolo. Ajuda a distingui-las a inscrição junto à figura e o tema geral da cena. Quando hoje surgem cornos com disco numa joia, a referência é quase sempre a Hathor como dona mais antiga do sinal, e só depois a Ísis, que o herdou.

Hathor em forma de vaca

Hathor também podia representar-se por completo como uma vaca, tranquila, grande, com o disco solar entre os cornos e um colar ao pescoço. Nesta forma é ama e protectora: a vaca dava aos egípcios leite, e portanto vida, e a deusa nesta figura amparava tanto os vivos como os mortos. Em alguns monumentos a vaca de Hathor sai de um canavial de papiro ou da encosta de uma montanha, para acolher a pessoa na fronteira de dois mundos. Existe também uma variante intermédia, na qual a uma figura feminina se deixavam orelhas de vaca, uma lembrança subtil do seu aspecto animal.

A vaca não era para os egípcios nada de baixo nem de cómico. Imaginavam o céu como uma vaca enorme cujo corpo estava semeado de estrelas e cujas patas se apoiavam nos quatro pontos cardeais. Hathor era essa vaca celeste, a abóbada sob a qual decorre a vida. A sua forma de vaca lê-se por isso não como algo terreno mas, pelo contrário, como uma marca da escala cósmica da deusa.

O sistro e o colar menat como atributos

Dois objectos acompanham Hathor mais do que qualquer outro: o sistro e o colar menat. O sistro é uma matraca sagrada, um instrumento de mão com uma armação e travessas móveis que tilintam ao agitá-lo. O menat é um colar pesado de vários andares com um contrapeso maciço, que também soava ao agitar-se na dança. Ambos os objectos se ligam ao som, à música e ao ritmo do serviço do templo, e ambos se tornaram sinais pessoais da deusa. As sacerdotisas de Hathor eram representadas precisamente com o sistro e o menat nas mãos, oferecendo à deusa o seu tilintar como uma oferenda grata.

Esta natureza sonora distingue Hathor de muitas outras divindades. O seu culto era ruidoso, musical, cheio de canto e de passos ritmados. O sistro e o menat passaram do templo à simbologia quotidiana e continuam a ser hoje os sinais mais reconhecíveis da deusa da alegria, muito mais eloquentes do que um retrato solene.

Hathor a vaca celeste e Senhora do Céu

Hathor tinha muitos títulos, e um dos mais belos soa como Senhora do Céu. Os egípcios ligavam-na ao céu diurno, ao ocaso atrás do qual o sol se retira, e à própria beira do mundo visível. O seu nome em egípcio antigo soava mais ou menos como Hut-Hor, que significa Casa de Hórus, isto é, o receptáculo celeste do falcão solar Hórus. Nesse nome está cosida a ideia de que a deusa é o próprio céu, dentro do qual se move o sol.

Daí nasce a dualidade da sua imagem. Hathor é terna, amorosa, alegre, mas é também a senhora da imensa abóbada celeste, uma força serena que contém o sol. Essa amplitude torna-a figura de primeira grandeza, e não uma deusa menor e encantadora. O amor e a música não eram para os egípcios uma miudeza; estavam no centro do mundo, e guardava-os uma deusa de escala cósmica.

Antes de passar à história do culto convém reter na mente o retrato geral. Hathor é a união da ternura e da grandeza, da vaca e do céu, da carícia e do enorme espaço aberto sobre a cabeça. Respondia por aquilo por que as pessoas vivem: o amor, a beleza, a música, a alegria do encontro e o cuidado sereno do próximo. Os egípcios viam nela não uma caprichosa padroeira dos prazeres mas uma força profunda que mantém quente a vida. Por isso os seus símbolos assentam tão bem numa joia: falam do lado luminoso da existência sem uma única nota sombria.

Na joia a imagem de Hathor obra com suavidade e sem pressão. Os seus sinais não ameaçam nem assustam; desejam o bem, calor e acordo com a própria pessoa. O colar menat, a turquesa, o ouro, o rosto da deusa com orelhas de vaca leem-se como um desejo de amor e alegria para quem os usa. A seguir veremos como se formou historicamente esta linguagem e por que soa convincente mesmo milhares de anos depois. Cada um destes sinais nasceu de um culto vivo em que se enaltecia a deusa com canto e dança, e num pendente moderno conserva-se um eco daquela festa.

Experimentar o símbolo é mais fácil do que parece. Hathor não exige nem uma fé especial nem o conhecimento dos hieróglifos para que os seus sinais funcionem. Basta compreender o que há por trás da forma: o colar-contrapeso fala de música e de festa, a turquesa da protecção de viajantes e mineiros, o ouro da própria deusa, a quem chamavam a Dourada. Quando estes sentidos estão claros, a joia deixa de ser apenas um objecto bonito e converte-se numa pequena declaração sobre o que importa a uma pessoa, compreensível e próxima sem explicação nenhuma.

Mais abaixo reuniremos estes sentidos numa imagem completa: desde o templo de Dendera e as minas de turquesa do Sinai até ao significado da deusa e ao seu lugar entre as joias. Pelo caminho ver-se-á em que se aproxima Hathor dos deuses egípcios vizinhos e em que se distingue deles, para não confundir os seus sinais e usar exactamente o que se quer dizer. Comecemos pelo seu atributo mais expressivo, o colar menat, que se situa na fronteira entre a joia e o objecto sagrado e explica melhor do que tudo por que o culto da deusa era tão musical e alegre.

Colar menat egípcio, atributo da deusa Hathor
O pesado colar menat era ao mesmo tempo adorno e instrumento de Hathor: agitava-se ao compasso dos hinos.Menat necklace from Malqata, ca. 1390-1352 B.C. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

O colar menat merece que nos detenhamos nele. Parece um adorno, mas na sua essência é instrumento e amuleto ao mesmo tempo. Um pesado contrapeso, que pendia pelas costas, equilibrava os andares de contas da frente, e tudo tilintava ao mover-se. A sacerdotisa agitava o menat diante da deusa, e esse som tinha-se por grato a Hathor não menos do que o aroma do incenso. Daí a dupla vida do objecto: é ao mesmo tempo atavio e voz do serviço. Num pendente-menat moderno ambos os sentidos se dobram num mesmo gesto quente.

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A história do culto de Hathor

Dendera: o templo principal de Hathor

O coração do culto de Hathor era a cidade de Dendera, no Alto Egipto, onde se erguia o seu enorme complexo templário. O edifício que chegou até nós pertence à época tardia, greco-romana, mas um santuário no local existia muito antes, com raízes na antiguidade profunda. Os muros de Dendera estão cobertos de relevos com o rosto da deusa: o seu semblante com orelhas de vaca coroa muitas colunas e olha para quem entra de vários lados ao mesmo tempo. Aqui se celebravam festas faustosas, soava a música, avançavam as procissões, e todo o templo estava disposto como um lugar de encontro das pessoas com a deusa da alegria.

Especialmente famosa foi a festa em que a estátua de Hathor de Dendera se levava em barca rio acima ao encontro da estátua do deus Hórus, da cidade de Edfu. Esse encontro concebia-se como uma união sagrada de duas divindades, e acompanhava-se de júbilo, canto e um banquete abundante. Tais celebrações mostram que o culto de Hathor não era um rito sombrio mas uma festa popular da vida, onde a religião e a alegria não brigavam mas se fundiam.

Contrapeso de um colar menat com um relevo
O contrapeso puxava o colar menat para as costas; tais objectos ligavam-se ao culto de Hathor.Counterweight of a menit necklace, ca. 690-664 BCE. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

O rosto da deusa merece uma palavra à parte. Hathor era representada não de perfil, como a maioria dos deuses egípcios, mas de frente, para que olhasse para quem entrava. É um recurso raro na arte egípcia, onde as figuras quase sempre se viram de lado. O rosto frontal de Hathor, com os seus traços largos, a sua pesada cabeleira e as suas orelhas de vaca, criava a sensação de uma presença viva da deusa, que acolhe a pessoa cara a cara. Foi esse semblante frontal que se tornou a sua imagem mais difundida: olha dos capitéis das colunas de Dendera, dos cabos dos sistros, de amuletos e espelhos. Na joia o mesmo recurso funciona hoje, pois um rosto voltado para quem o vê lê-se mais quente e directo do que um perfil severo.

Senhora da Turquesa e as minas do Sinai

Um dos títulos mais eloquentes de Hathor soa como Senhora da Turquesa. A deusa era honrada como padroeira das minas, antes de mais das pedreiras da península do Sinai, onde os egípcios extraíam turquesa e cobre. No lugar chamado Serabit el-Khadim, entre montanhas ásperas, erguia-se o seu templo, e os mineiros, ao partir para o perigoso deserto em busca da pedra, pediam a Hathor protecção e fortuna. Assim a deusa do amor e da música veio a ser também dona das riquezas subterrâneas, padroeira de quem extraía a pedra azul e verde.

Este vínculo não é casual. Para os egípcios a turquesa era uma pedra de alegria e renovação, cuja cor azul esverdeada lembrava o verdor jovem e a água fresca, a própria vida. É lógico que a padroeira de tal pedra fosse a deusa da alegria e da beleza. Daí o par firme na simbologia: Hathor e a turquesa leem-se juntas, e uma joia com turquesa lê-se com facilidade como sinal da sua protecção. Das pedras da deusa falaremos à parte mais abaixo.

Hathor e Ísis: uma fusão de imagens

Com o passar dos séculos as imagens de Hathor e Ísis aproximaram-se tanto que se tornaram difíceis de distinguir. Ísis, em origem deusa do poder real e da magia, mãe de Hórus, adoptou pouco a pouco a coroa de cornos e disco solar de Hathor, e com ela muitos traços maternais. Nos séculos tardios é Ísis quem passa ao primeiro plano da religião egípcia, absorvendo o poder e o aspecto da deusa mais velha. Hathor não desaparece por isso, mas parte da sua glória passa à vizinha mais jovem.

Compreender esta fusão ajuda a não confundir as duas deusas nas joias e nas salas dos museus. Se uma figura com cornos e disco amamenta o menino Hórus, trata-se antes de Ísis no seu papel materno. Se a mesma coroa coroa uma deusa da música, da dança e da alegria, trata-se de Hathor. Da segunda delas fala em pormenor uma análise à parte sobre a deusa Ísis e o panteão egípcio, onde se vê como se entrelaçavam os papéis das divindades egípcias.

Hathor e o Olho de Rá: a face temível

A deusa terna tinha também uma segunda face, severa. Segundo um mito, Rá, envelhecido e irado com os homens pela sua falta de respeito, enviou contra eles o seu Olho justiceiro na forma da fera leoa Sekhmet, que se identificava com a faceta furiosa de Hathor. A leoa pôs-se a exterminar a humanidade e entrou em tal frenesim que os deuses temeram pela sorte do mundo. Então recorreram a um ardil: derramaram pela terra cerveja vermelha, semelhante ao sangue. A deusa bebeu-a, embriagou-se, acalmou-se e voltou a ser a apacível Hathor, padroeira da alegria.

Este mito importa porque explica o vínculo de Hathor com a embriaguez, a música e a festa não como uma diversão vazia, mas como uma força que aplaca a ira e devolve o equilíbrio ao mundo. As festas em sua honra com bebida abundante repetiam este relato: por meio da alegria, a cólera transformava-se em clemência. Assim conviviam numa só deusa a ternura e o poder temível, e ambas as faces se tinham por necessárias à ordem das coisas.

Hathor use-a em ouro quente com turquesa, sobre um decote suave. Ela é sobre alegria; o aço frio aqui é a mais.
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Como usar Hathor: com que combinar, metal e comprimento de fio

Hathor é sobre alegria e calor, por isso o conjunto monto-o a partir da luz: ouro quente, turquesa azul esverdeada, uma linha suave de decote. Reuni aqui o que aconselho às minhas clientes segundo a ocasião.

Com que usar Hathor no dia a dia? Para um conjunto de dia recomendo um pendente não muito grande com o rosto da deusa ou um pendente-menat em ouro quente, num fio de comprimento médio. Escolho um fundo liso e sereno: leite, areia, azeitona, cinzento quente. Sobre um tecido quente o ouro soa suave e alegre, e uma incrustação de turquesa acrescenta um acento luminoso sem sobrecarregar o conjunto. Um padrão vistoso com motivo egípcio briga, por isso aconselho a manter o fundo liso.

Que metal e pedra escolher segundo a cor da roupa? Aconselho a manter o metal quente: o ouro amarelo ou o dourado é o mais próximo da ideia da deusa a quem chamavam a Dourada. O aço frio aqui não o aconselho; apaga a alegria do símbolo. A turquesa combino-a com uma gama quente: areia, creme, terracota, verde-erva. Com o azul e o verde profundo recomendo acrescentar lápis-lazúli junto à turquesa; então o conjunto reúne-se num só acorde egípcio e não se dispersa em histórias distintas.

Como escolher o comprimento do fio segundo o decote? O comprimento ajusto-o ao decote. Sob um decote suave, redondo ou pouco fundo, aconselho um fio curto de uns quarenta e cinco centímetros; o pendente assenta na clavícula e lê-se melhor aí. Sob uma gola fechada recomendo descer o pendente a cinquenta ou cinquenta e cinco centímetros, mais perto da parte alta do peito. Um menat de vários andares precisa de espaço, por isso sob um pendente largo escolho um decote aberto sem pormenores a mais.

Que tamanho de joia compor? O tamanho acordo-o com a tarefa. Um rosto pequeno de Hathor ou um sistro de um centímetro e meio a dois recomendo-o como sinal pessoal calado sob uma camisa ou uma camisola leve. Um pendente-menat grande de três a quatro centímetros escolho-o quando o símbolo dirige todo o conjunto e se lê de longe. Os brincos e o anel de turquesa reúno-os num só tom com o pendente, para que o motivo egípcio soe inteiro.

O que convém para o dia a dia e o que para sair? Para os dias correntes e um ambiente sóbrio escolho um pendente fino com o rosto da deusa ou um anel de turquesa, onde o símbolo se lê como um sereno amuleto do bom ânimo. Para a noite, pelo contrário, recomendo um menat grande em ouro quente com turquesa sobre um decote aberto. O ouro polido joga sobre os tecidos lisos, e a pedra azul esverdeada ganha vida com a luz suave.

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Hathor na arte e nos templos

Hathor deixou na arte egípcia uma marca mais vincada do que muitos deuses, e a causa é o seu rosto reconhecível e o amor dos egípcios pelas suas festas. Ali onde outras divindades olham em severo perfil, Hathor olha de frente para quem a vê com um rosto largo e orelhas de vaca. Este recurso tornava a sua imagem viva e próxima, e os artesãos repetiam-no de bom grado em colunas, espelhos, cabos de sistros e muros de túmulos.

Colunas e capitéis hatóricos

Uma marca especial dos templos de Hathor são as colunas coroadas pelo seu rosto. O topo de uma coluna assim lavrava-se com a forma da cabeça da deusa com orelhas de vaca, e o rosto olhava ao mesmo tempo para os quatro lados, de modo que quem entrava se encontrava com o olhar de Hathor viesse de onde viesse. Sobre o próprio rosto punha-se muitas vezes a imagem da porta do templo, o naos, em alusão à forma do sistro. A estes capitéis chama-se hatóricos, e conservam-se melhor em Dendera, onde fileiras de tais colunas conduzem ao interior do santuário. O mesmo motivo aparece em Tebas e no Sinai, ali onde se erguiam os templos da deusa. Um olhar directo do alto da coluna convertia toda uma sala num lugar de presença de Hathor.

Espelhos com cabo em forma da deusa

Os egípcios concebiam o espelho de bronze como um pequeno sol: o disco polido e redondo repetia o disco solar da coroa de Hathor, e a própria deusa respondia pela beleza e pelo reflexo. Por isso o cabo do espelho se fundia muitas vezes com a forma do seu rosto com orelhas de vaca, ou com a de um caule de papiro rematado pela cabeça da deusa. Ao segurar um espelho assim, uma mulher segurava a própria Hathor, padroeira da beleza, e olhava o seu rosto através do sinal da deusa. Não poucos espelhos deste género chegaram até nós nas colecções dos museus, e neles se vê bem quão estreitamente estava ligada a deusa ao cuidado de si mesma e à alegria de olhar o mundo.

A vaca ama e as pinturas dos túmulos

Uma linha à parte e comovente da arte é Hathor em forma de vaca amamentando um ser humano. Do santuário de Deir el-Bahari provém uma estátua da vaca de Hathor, sob cujo queixo se ergue a figura de um rei colado à úbere: a deusa alimenta o soberano com o seu leite, outorgando-lhe força e vida. Nas pinturas dos túmulos tebanos do Império Novo a vaca de Hathor sai muitas vezes da encosta da montanha ocidental ao encontro do defunto, prometendo-lhe frescura e cuidado para além do limiar. Ao lado festivo da deusa ligam-se também os motivos da vinha: o tecto do túmulo do nobre Senefer, em Tebas, está pintado por inteiro de cachos de uvas, e o vinho e a sua leveza embriagadora remetiam os egípcios directamente para Hathor, senhora do regozijo. Assim a arte guardava ao mesmo tempo as suas duas faces, a ama e a padroeira da festa.

O sistro e o menat: a música como culto

O sistro: uma matraca sagrada

O sistro é um instrumento musical de mão que se tornou o sinal principal do serviço a Hathor. Tinha o aspecto de uma armação sobre um cabo, através da qual se enfiavam travessas metálicas móveis com discos tilintantes. Ao agitá-lo o sistro emitia um sussurro seco e sonoro, algo parecido ao rumor do vento entre os juncos. O cabo costumava ser coroado pelo próprio rosto de Hathor com orelhas de vaca, de modo que instrumento e deusa não podiam separar-se. Existiam duas formas principais de sistro: uma com a forma da porta do templo, o naos, e outra com a de um arco.

O som do sistro tinha-se por sagrado, capaz de despertar o favor da deusa e afugentar as forças malignas. Seguravam-no nas mãos as sacerdotisas, as rainhas e as mulheres nobres durante os ritos. Nas joias o motivo do sistro aparece como uma alusão elegante à música e à própria Hathor: um pendente em forma de sistro ou com o seu rosto no cabo lê-se como sinal de alegria, ritmo e leveza. É um caso raro em que um instrumento musical se converteu num símbolo joalheiro de pleno direito.

Há também no sistro um sentido subtil, escondido no seu som. Os egípcios acreditavam que o sussurro seco das travessas lembrava o rumor do vento num canavial de papiro, e os pântanos de papiro tinham-se pelo lugar onde a deusa vaca se escondia e guardava o jovem deus solar. Ao agitar o sistro, a sacerdotisa parecia repetir esse sussurro protector, afugentando o mal e convidando a clemência de Hathor. Por isso o instrumento se segurava tanto nos banquetes como nos ritos solenes, onde importava menos a melodia do que o próprio som sagrado. Um sistro pequeno num pendente traz em si um eco desta ideia: um sinal silencioso de alegria que ainda por cima protege.

O menat: o colar-contrapeso

Já mencionámos o menat, mas merece uma análise à parte, porque se situa na linha entre a joia e o objecto sagrado. É um colar pesado de muitos fios de contas com um contrapeso plano e maciço que pendia pelas costas e equilibrava a parte da frente. Usar o menat era um privilégio, e agitá-lo diante da deusa uma parte do serviço. O contrapeso adornava-se muitas vezes com o rosto de Hathor ou de uma deusa leoa, e só por ele se reconhecia o objecto como sagrado.

Na simbologia o menat traz vários sentidos ao mesmo tempo: música e ritmo, alegria e festa, e também a força vital e a abundância que a deusa concede aos seus fiéis. Oferecia-se tanto aos vivos como aos mortos como desejo de bem-estar neste mundo e no seguinte. Um pendente-menat moderno herda precisamente este sentido quente: deseja a quem o usa amor, alegria e plenitude de vida, sem deixar de ser um sinal egípcio antigo reconhecível.

Música e dança no templo

O serviço a Hathor era, talvez, o mais musical de todo o panteão egípcio. As suas festas enchiam-se de canto, de música de sistros e harpas, do som ritmado do menat, de passos e dança. Acreditava-se que a deusa se alegrava com esse ruído e respondia a ele com o seu favor. As bailarinas e cantoras de Hathor ocupavam um lugar de honra no templo, e a própria música não era uma diversão de recreio mas uma forma de culto, uma oferenda igual ao pão ou ao incenso.

Deste núcleo musical cresce toda a imagem da deusa. Hathor não presidia a um amor abstracto mas ao que se exprime no canto, na dança, no festim comum e na festa. Por isso os seus sinais falam de uma alegria viva e sonora, e não de uma contemplação silenciosa. Uma joia com motivos de Hathor traz como em si um eco daquele velho som, um desejo de que na vida haja lugar para a música e o regozijo.

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O significado de Hathor

Amor e beleza

Antes de mais Hathor é a deusa do amor e da beleza. A ela se dirigiam nos assuntos do coração, pediam-lhe correspondência, uma união feliz, acordo entre os apaixonados. Neste papel amparava tanto o atractivo do corpo como o fundo apego do coração, sem os separar com brusquidão. Os egípcios não se envergonhavam do amor nem o tinham por baixo, de modo que a deusa que respondia por ele estava alta e era honrada com sinceridade. Usar o sinal de Hathor significava desejar a si mesmo ou a outrem amor no sentido mais pleno: quente, correspondido, que dá alegria.

Alegria, música e embriaguez de festa

O segundo grande sentido de Hathor é a alegria em todas as suas formas: o regozijo, a música, a dança, a festa, a leve embriaguez de um bom ânimo. Chamavam-lhe Senhora do Regozijo e da bebida, e este vínculo, como vimos, vinha do mito do apaziguamento da ira mediante a bebida e o júbilo. Mas por trás disso há uma ideia luminosa: a alegria cura, o regozijo reconcilia, a música devolve ao mundo o equilíbrio. Hathor guardava precisamente essa força curativa da festa. O seu sinal não deseja um desregramento vazio, mas a alegria que torna a pessoa mais suave e mais amável com os que a rodeiam.

Maternidade e feminilidade

Como vaca celeste e ama, Hathor amparava a maternidade, o parto e o cuidado dos recém-nascidos. A ela acorriam as mulheres que esperavam um filho e as mães que criavam os seus meninos. Por este lado a deusa liga-se às sete Hathor, deusas do destino que, segundo a crença, apareciam junto ao berço do recém-nascido e prediziam a sua sorte. Na imagem da deusa a feminilidade entendia-se em sentido amplo, como beleza e amor e ao mesmo tempo como a capacidade de dar vida, alimentar e proteger. Por isso Hathor é querida por quem valoriza o tema da maternidade e a força feminina no seu sentido quente e criador.

O parto no Egipto decorria sob o amparo de todo um círculo de forças benignas, e Hathor estava no seu coração. A seu lado, junto ao leito da parturiente, invocavam-se os protectores do lar, o atarracado Bes e a grávida Tueris, que afugentavam a desgraça da mãe e do menino. As mulheres acorriam aos santuários de Hathor com a súplica de conceber e de um parto fácil, deixavam oferendas modestas, penduravam tabuinhas com uma oração. A deusa do amor prolongava-se com naturalidade na deusa do nascimento: o que começa na atracção e na ternura terminava, para os egípcios, no berço, e todo este campo era sustentado por uma só Hathor.

Guia dos mortos no Ocidente

Hathor tinha também um papel no limiar da morte. Chamavam-lhe Senhora do Ocidente, isto é, da terra do ocaso para onde vão os mortos. Neste papel a deusa acolhia as almas na fronteira do outro mundo, saindo ao seu encontro como vaca celeste da encosta de uma montanha ou de um canavial, e dava-lhes frescura, sombra e bebida para o caminho. A morte na sua presença perdia parte do seu horror, pois não saía ao encontro uma força temível mas uma ama amorosa. Assim a deusa da alegria acompanhava a pessoa também na última viagem, prometendo-lhe cuidado ali. Este traço mostra quão inteira era a sua imagem: o amor, para os egípcios, não terminava com a vida.

A sua figura particular aqui é a Senhora do Sicómoro, a árvore que crescia na beira do deserto, na fronteira do vivo e do morto. Nesta imagem a deusa assomava a meias do tronco do sicómoro e oferecia ao defunto pão e água, sustentando-o no limiar. Uma árvore que dá sombra e fruto no meio da terra seca convinha bem a uma deusa cuja tarefa era consolar e alimentar. Assim, mesmo a morte, para os egípcios, não saía ao encontro do vazio mas de uma mão estendida com bebida e comida, e por isso o Ocidente, na sua presença, se concebia não como um fim mas como uma passagem sob o amparo de uma força amorosa.

Reunidos os significados de Hathor, é fácil ver por que a sua simbologia assenta tão bem numa joia. Amor, beleza, alegria, música, maternidade, cuidado mesmo para além do limiar da vida dobram-se num desejo inteiro de calor e plenitude. Ao contrário dos severos sinais protectores, os de Hathor não assustam nada; desejam o bem. Isso torna-os uma boa escolha tanto para si mesmo como para oferecer a alguém próximo, a quem se quer desejar o lado luminoso da existência.

A seguir falaremos em concreto: em que formas chega Hathor às joias, que pedras e metais se ligam a ela e como cuidar de tais objectos. A simbologia da deusa exprime-se através de vários motivos reconhecíveis, e convém analisar cada um para escolher com consciência e não ao acaso.

As sete Hathor e os papéis do destino

Hathor raramente ficava sozinha: junto à sua imagem principal viviam papéis derivados em que a deusa parecia multiplicar-se e adentrar-se em novos âmbitos da vida. O mais conhecido deles é o das sete Hathor, irmãs videntes que decidiam a sorte dos homens.

As sete Hathor: irmãs videntes junto ao berço

Segundo a crença egípcia, junto ao leito de um recém-nascido apareciam sete Hathor e proferiam de uma vez o seu destino, o bem e o mal que aguardavam a pessoa no seu caminho. Imaginavam-nas ou como sete mulheres jovens com sistros e menat, ou como sete vacas. Nos contos que chegaram até nós, as sete Hathor predizem ao herói uma morte prematura ou um amor desditoso, e todo o enredo se constrói em torno da tentativa de iludir a sua sentença. Por trás desta imagem está a ideia de que uma só deusa do amor sustém nas suas mãos tanto o começo da vida como o seu futuro, e que nascimento e destino são inseparáveis. O número sete reforçava o peso da profecia: a palavra de uma deusa multiplicava-se em sete vozes.

Deusa do feitiço amoroso e dos sonhos

A Hathor se dirigiam também nos assuntos do coração de maneira directa. Nas canções de amor conservadas em papiros e cacos, os apaixonados chamam em seu auxílio a Dourada, isto é, Hathor, pedindo um encontro e correspondência. A deusa tinha-se por capaz de juntar os corações, enviar um sonho premonitório, inclinar a pessoa desejada a uma ternura recíproca. Este feitiço não era bruxaria negra: à senhora do amor acorriam pelo mesmo por que se acorre a ela também agora, por calor, resposta e acordo. Na joia este sentido conserva-se como uma nota calada: o sinal de Hathor usava-se também como amuleto do bom sentimento.

Serabit el-Khadim: um templo nas montanhas da turquesa

Da turquesa da deusa já falámos, mas o seu santuário do Sinai merece uma palavra à parte. No lugar chamado Serabit el-Khadim, no alto entre montanhas peladas, os egípcios levantaram um templo a Hathor, Senhora da Turquesa, mesmo junto às minas. Para aqui se enviavam expedições difíceis em busca de pedra e cobre, e quem participava deixava no santuário estelas de pedra em agradecimento à deusa pela fortuna e pela protecção. Foi aqui, entre os mineiros e escribas de uma longínqua fronteira, que se encontraram alguns dos exemplos mais antigos de escrita alfabética, as chamadas inscrições protossinaíticas. O templo de Hathor na beira do deserto mostra quão longe chegava a mão da deusa: guardava tanto o amor e a música das festas da capital como as gentes do perigoso trabalho subterrâneo a muitos dias de viagem do Nilo.

Hathor nas joias

O menat como pendente-amuleto

O colar menat continua a ser o sinal mais fiel de Hathor nas joias. Na sua execução moderna raramente se reproduz por inteiro; mais frequentemente toma-se o característico pendente-contrapeso com o rosto da deusa ou estiliza-se a forma de vários andares num pendente. Tal pendente traz o sentido da música, da alegria e da plenitude da vida, e o rosto de Hathor com orelhas de vaca torna a referência legível para quem conhece o símbolo. O menat é bom porque por trás de uma forma bonita há um sentido antigo e benigno, agradável tanto de usar como de explicar ao oferecer.

A turquesa de Hathor

A turquesa é a pedra de Hathor por direito, pois a deusa era chamada Senhora da Turquesa e padroeira das minas onde se extraía. Uma joia com turquesa lê-se como sinal da sua protecção e da sua alegria, sobretudo se a pedra vai engastada em ouro quente ou acompanhada de motivos egípcios. Os egípcios apreciavam o tom azul esverdeado da turquesa como cor de renovação e de vida, e junto à imagem da deusa soa especialmente oportuno. Um pendente, uns brincos ou um anel de turquesa com simbologia egípcia é uma maneira suave e luminosa de usar o sinal de Hathor sem uma imagem directa da divindade.

O sistro e o rosto de Hathor em pendentes

O motivo do sistro e o próprio rosto da deusa com orelhas de vaca chegam às joias como uma referência mais subtil e entendida. Um pendente em forma de sistro fala de música e ritmo, e um pequeno rosto de Hathor, reconhecível pelas orelhas e pelo penteado, serve de sinal pessoal compacto da deusa da alegria. Estes objectos são apreciados por quem valoriza a sério a simbologia egípcia e quer usar não um ornamento geral mas uma imagem concreta e legível. O rosto de Hathor coloca-se muitas vezes no centro de um pendente ou num sinete, onde obra como um sereno amuleto do bom ânimo.

A vaca, os cornos e o disco solar

O sinal mais directo da deusa é a sua coroa: dois cornos curvos com um disco solar entre eles. Nas joias este motivo usa-se tanto como pendente independente como pormenor numa figura da deusa. Lê-se com força e sem ambiguidade, em alusão à vaca celeste e ao vínculo de Hathor com o sol. Convém lembrar que o mesmo símbolo o usa Ísis, de modo que, junto a outros pormenores, importa que tema se compõe em torno da coroa. Como sinal à parte, os cornos com disco são belos pela sua geometria limpa e pela sua antiguidade, compreensível sem palavras para quem conhece a simbologia egípcia.

Materiais e cuidado

O ouro da deusa

O ouro é o metal de Hathor no sentido mais directo, pois um dos seus nomes soava como a Dourada. Os egípcios ligavam o brilho quente do ouro à carne dos deuses e à luz eterna que não embacia, e portanto à própria Hathor. Uma joia com a sua simbologia em ouro ou dourado soa o mais fiel à ideia: o tom quente do metal dialoga com o disco solar da sua coroa e com a natureza alegre da deusa. O ouro sustém bem o pormenor fino do rosto e dos cornos, não escurece com o tempo e assenta com suavidade sobre a pele, de modo que para a imagem de Hathor é a primeira escolha.

Turquesa, lápis-lazúli e faiança

Das pedras e materiais, com Hathor liga-se com mais firmeza a turquesa, a sua própria pedra. Junto a ela é oportuno o lápis-lazúli, uma pedra de azul profundo que os egípcios apreciavam como um pedaço do céu nocturno e uniam muitas vezes ao ouro. História à parte é a faiança egípcia, uma cerâmica esmaltada de tom azul esverdeado com que se faziam contas, amuletos e esses mesmos colares. A faiança repetia a cor da turquesa e era mais acessível do que a pedra, de modo que se usava muito amplamente. Para uma joia ao espírito de Hathor, a combinação de ouro quente com uma pedra ou faiança azul esverdeada é a mais reconhecível e historicamente fiel.

Cuidado da joia

O cuidado depende do material. O ouro é pouco exigente: basta esfregá-lo de vez em quando com um pano suave e enxaguá-lo em água morna com uma gota de sabão suave. Com a turquesa é mais difícil, é uma pedra bastante mole e porosa que teme a cosmética, o perfume, os produtos de limpeza e o contacto prolongado com a água. A turquesa convém pô-la em último lugar, já depois de aplicar o creme e o perfume, e tirá-la antes do duche ou da limpeza. A limpeza por ultra-sons não se aplica à turquesa, pois pode danificar a pedra. O lápis-lazúli também é mole e não gosta de ácidos, de modo que igualmente se protege dos produtos químicos. Os colares com contas e faiança convém guardá-los à parte, para que os objectos duros não risquem a superfície, e apertá-los de modo que os fios não se rocem.

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Hathor na cultura e na herança

A imagem de Hathor não ficou fechada nas fronteiras do Egipto nem morreu com os faraós. Os seus sinais, o som do seu sistro e a própria ideia de uma deusa da alegria espalharam-se pelo Mediterrâneo e deixaram marca em culturas alheias.

Hathor e a Afrodite grega

Quando os gregos conheceram os deuses egípcios, procuraram, por hábito, um par entre os seus. Aproximaram Hathor de Afrodite, deusa do amor e da beleza, e nessa comparação há a sua verdade: ambas respondiam pela atracção, pela ternura e pela alegria da união. A várias cidades egípcias ligadas a Hathor os gregos chamaram cidade de Afrodite. Esta aproximação não apagou as diferenças, pois a deusa egípcia tinha traços que Afrodite não tem de todo, desde a vaca celeste até à guia dos mortos. Mas o próprio facto de um povo estranho reconhecer em Hathor a sua própria deusa do amor fala da clareza da sua imagem: uma padroeira do calor e da beleza compreendia-se sem tradução.

O sistro como sinal de alegria fora do Egipto

O sistro, a matraca sonora de Hathor, sobreviveu aos templos egípcios. Juntamente com os cultos dos deuses egípcios espalhou-se pelo mundo mediterrânico, e o seu sussurro seco e sonoro ouvia-se longe do Nilo como sinal de festa e de alegria sagrada. Um instrumento nascido com a deusa da música tornou-se um dos objectos mais reconhecíveis da vida egípcia, compreensível mesmo onde pouco se sabia da própria Hathor. Nisto a sorte do sistro parece-se com a dos seus sinais em geral: a forma sobreviveu à fé, e o sentido quente de alegria e leveza ficou nela. Por isso o motivo do sistro vive com tanta naturalidade nas joias ainda hoje.

Psicologia: por que se escolhe a imagem de Hathor

Por trás da escolha de um sinal há quase sempre um sentimento, e com Hathor é de uma luz pouco comum. A sua imagem atrai quem tem cara a alegria como tal, não ruidosa nem ostensiva, mas quente, musical, derramada num dia qualquer. Uma pessoa escolhe tal sinal quando quer ter à mão uma lembrança da leveza, do direito ao regozijo e à beleza sem culpa por eles.

A segunda corda é a feminilidade no seu sentido amplo e criador. Hathor fala não de um efeito exterior mas de um calor interior: do cuidado, da suavidade materna, da capacidade de dar e receber amor. O seu sinal é mais próximo de quem valoriza esse lado em si mesmo ou o quer reforçar, para quem importam mais o acordo e a ternura do que a força de exibição. A deusa ama e senhora do céu une o cuidado à dignidade, e esta combinação lê-se na sua imagem sem nenhuma doçura enjoativa.

Por fim, a Hathor sentem-se atraídas as pessoas da música e do movimento, todas aquelas para quem o som, o ritmo e a dança não são uma diversão vazia mas um modo de viver e sentir. A deusa amparava directamente estas artes, e o seu sistro e o seu menat falam numa linguagem que lhes é própria. Ao escolher o sinal de Hathor, tal pessoa reconhece como que em voz alta que a alegria, a música e o amor estão no centro do seu mundo e não na sua beira. Nisto reside todo o segredo da atracção da deusa: dá permissão para ser quente e vivo, e essa permissão soa através de milénios tão claro como nos seus templos.

Hathor e os símbolos egípcios vizinhos: aspecto, papel, significado
SímboloAspectoPapelSignificado
HathorMulher com cornos de vaca e disco solar, ou vacaDeusa do amor, da música, da alegria e da maternidadeAmor, beleza, alegria, cuidado e vínculo com o céu
ÍsisMulher com um trono na cabeça, ou com cornos e discoDeusa do poder real, da magia e da maternidadeFidelidade, protecção, magia, mãe e esposa
BastetUm gato ou uma mulher com cabeça de gatoDeusa do lar, da alegria, das mulheres e da protecção suaveProtecção do lar, regozijo, princípio feminino, graça
AnkhUma cruz com um laço em cima, um hieróglifoO sinal da vida que os deuses seguramA vida, o seu dom e a sua continuação para além da morte
Colar menatUm colar de vários andares com um contrapeso maciçoSinal pessoal e instrumento do culto de HathorMúsica, alegria, força vital e abundância
SistroMatraca de mão com armação e o rosto da deusa no caboInstrumento musical sagrado do serviço de HathorRitmo, alegria, a graça da deusa e protecção do mal

A quem fica bem e a quem se oferece

A quem Hathor é próxima

Hathor fica bem a quem tem cara a face luminosa da vida: o amor, a música, a alegria, a beleza, o calor no trato com os próximos. O seu sinal assenta bem nas pessoas criativas ligadas à música, à dança e ao canto, pois a deusa amparava directamente estas artes. É próxima também de quem valoriza o tema da maternidade e a força feminina no seu sentido criador e cuidadoso. Por fim, Hathor convém a todo aquele que ama a simbologia egípcia e procura nela não um amuleto temível mas uma imagem amável e quente. Ao contrário dos severos sinais protectores, a sua simbologia não assusta nada, de modo que é fácil e alegre de usar.

Hathor de presente

Como presente Hathor é quase infalível, pois o seu sentido é um desejo de amor, alegria e plenitude de vida, e tal desejo é oportuno em quase qualquer caso. Um pendente-menat ou uma joia de turquesa com motivos egípcios oferece-se à pessoa amada como sinal de ternura, a uma amiga como desejo de alegria, a uma futura ou jovem mãe como quente símbolo de cuidado e força feminina. Ao presente convém juntar uma breve nota com uma explicação: umas palavras sobre a deusa da música e do amor, sobre o seu colar e a sua turquesa, tornam o objecto significativo e memorável. Tal presente fala não de estatuto mas de um desejo amável, e por isso comove mais do que uma bugiganga cara sem sentido.

Hathor e os símbolos vizinhos

O panteão egípcio está estreitamente entrelaçado, e Hathor faz vizinhança com vários deuses cujos sinais é fácil confundir ou, pelo contrário, combinar com acerto. Analisemos as três vizinhanças mais frequentes, para não confundir a simbologia e entender exactamente o que se usa.

Hathor e Ísis

Hathor está o mais perto de Ísis, e já vimos como se fundiram as suas imagens. Ambas usam a coroa de cornos com disco solar, ambas se ligam à maternidade e ao cuidado. A diferença está nos acentos: Hathor é mais velha e responde antes de mais pelo amor, pela música e pela alegria, ao passo que Ísis é a deusa do poder real, da magia e do amor conjugal fiel, mãe e protectora de Hórus. Nos séculos tardios Ísis passa à frente, absorvendo os traços da deusa mais velha. Se se quer entender este par e a estrutura do panteão egípcio, ajuda a análise sobre a deusa Ísis e os deuses egípcios.

Hathor e Bastet

Com a deusa gata Bastet, a Hathor aparenta uma natureza luminosa, feminina e alegre. Ambas amparavam o regozijo, a música, as mulheres e a protecção do lar, ambas se ligam às festas e à dança. A diferença está no aspecto e no elemento: Hathor é vaca, céu e amor em sentido amplo, Bastet é gata, lar doméstico e uma protecção suave mas tenaz. Ambas as deusas encarnam uma força benigna e não temível, de modo que os seus símbolos fazem boa companhia no tema egípcio. Da segunda fala em pormenor a análise sobre o gato e a deusa Bastet, onde se vê como apreciavam os egípcios o princípio feminino na sua faceta quente.

Hathor e o ankh

O ankh, a cruz egípcia da vida, aparece muitas vezes junto a Hathor: a deusa segura-o na mão como sinal do dom da vida, e aos mortos no Ocidente oferece este mesmo símbolo juntamente com a frescura e a bebida. O vínculo aqui é directo: Hathor dá a vida e a sua continuação, e o ankh é o próprio hieróglifo da vida. Nas joias os dois sinais combinam-se com facilidade; juntos leem-se como um desejo de uma vida viva, plena e alegre. Do próprio sinal fala em pormenor a análise sobre o ankh, a cruz egípcia da vida.

A tabela acima reúne numa só fila os vizinhos de Hathor, para que a diferença se leia de relance. Tendo-a em mente, é fácil compor um conjunto egípcio com sentido: por exemplo, complementar um pendente de Hathor com turquesa com um ankh como sinal da vida, ou uni-lo à imagem de Bastet se se quer reforçar o tema da alegria e da protecção femininas. Os símbolos do panteão egípcio foram concebidos como uma só linguagem, e conhecer as suas diferenças ajuda a falá-la com precisão, em vez de amontoar tudo num ornamento geral.

Convém lembrar também a outra face de tal vizinhança. Pela coroa partilhada, Hathor e Ísis confundem-se mais frequentemente, e nas lojas rotulam-nas muitas vezes ao acaso. O sistro e o menat, pelo contrário, pertencem a Hathor quase em exclusivo, de modo que por eles se reconhece a deusa com mais segurança do que pela coroa. O ankh é neutro e convém a qualquer figura egípcia, ao passo que a gata Bastet e a vaca Hathor marcam estados de ânimo distintos: a primeira mais perto do lar, a segunda do céu e do amor em sentido amplo. Compreendendo estas nuances, é mais fácil escolher precisamente o sinal que se quer usar, e não um motivo egípcio bonito ao acaso, e não fazer passar uma deusa por outra por descuido.

Verdade e mitos sobre Hathor
Hathor e Ísis são uma e a mesma deusa
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Hathor é apenas uma deusa dos prazeres, uma força pouco séria
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A vaca na imagem da deusa é algo terreno
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O colar menat é apenas um adorno sem sentido especial
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O sinal de Hathor só pode usá-lo alguém de determinada fé
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Hathor era uma deusa boa e não tinha uma face temível
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Desmontando confusões

Em torno de Hathor, como em torno de qualquer deusa antiga, cresceu não pouca confusão. Parte dela vem da mistura com divindades vizinhas, parte de uma versão superficial. Analisemos várias confusões frequentes com calma e ao ponto.

A primeira confusão: que Hathor e Ísis são uma e a mesma deusa. As suas imagens de facto aproximaram-se em séculos tardios, e usam a mesma coroa, mas historicamente são divindades distintas de raízes distintas. Hathor é mais velha e responde pelo amor, pela música e pela alegria, Ísis pelo poder real, pela magia e pela maternidade. A fusão de traços não anula que ao princípio fossem duas figuras separadas.

A segunda confusão: que Hathor é apenas uma deusa dos prazeres e do regozijo, uma força pouco séria. Na realidade a sua imagem é muito mais ampla e funda: é a vaca celeste, a senhora do céu, a padroeira das minas, a guia dos mortos. A alegria no seu culto entendia-se como uma força curativa e reconciliadora, não como um desregramento vazio. Reduzir Hathor a uma deusa das pândegas é perder a maior parte do seu sentido.

A terceira confusão: que a vaca na imagem da deusa é algo terreno ou cómico. Para os egípcios a vaca significava céu, leite e vida, e a vaca celeste concebiam-na como toda a abóbada estrelada. A forma de vaca de Hathor fala não de simplicidade mas da escala cósmica da deusa, que alimenta e guarda o mundo.

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Factos que surpreendem

Hathor é dessas figuras em que quase a cada passo se esconde um pormenor inesperado. Estes são vários factos que mudam o olhar sobre a deusa do amor.

Primeiro. O nome de Hathor em egípcio antigo significa Casa de Hórus, isto é, o receptáculo celeste do falcão solar. Resulta que a deusa é o próprio céu, dentro do qual se move o sol. O terno nome da senhora do amor esconde uma imagem cósmica da abóbada estrelada.

Segundo. Segundo um mito, a humanidade foi salva do extermínio por uma cerveja corrente tingida de vermelho. A deusa enfurecida em forma de leoa tomou-a por sangue, bebeu-a, embriagou-se e voltou a ser a apacível Hathor. Assim uma festa com bebida abundante em sua honra repetia o antigo relato do apaziguamento da ira com alegria.

Terceiro. Hathor tinha-se por Senhora da Turquesa e padroeira das minas do Sinai. Os mineiros, ao partir em busca de pedra para o áspero deserto, pediam-lhe protecção, e a deusa do amor vinha a ser também dona do perigoso trabalho subterrâneo.

Quarto. O colar menat servia ao mesmo tempo de adorno e de instrumento musical. Agitava-se na dança diante da deusa, e esse som tinha-se por uma oferenda grata a ela a par do incenso. O adorno e a oração fundiam-se num mesmo objecto.

Quinto. O sistro, a matraca sagrada de Hathor, era muitas vezes coroado pelo seu próprio rosto com orelhas de vaca, de modo que instrumento e deusa não se podiam separar. Acreditava-se que o som do sistro era capaz de despertar a clemência da deusa e afugentar o mal.

Sexto. As sete Hathor, segundo a crença egípcia, apareciam junto ao berço do recém-nascido e prediziam o seu destino. Uma só deusa parecia multiplicar-se em sete irmãs videntes que decidiam a sorte da pessoa desde os primeiros dias de vida.

Sétimo. Hathor acolhia os mortos no limiar do outro mundo como vaca celeste, saindo ao seu encontro da encosta de uma montanha e oferecendo-lhes frescura e bebida para o caminho. A deusa da alegria acompanhava a pessoa mesmo na morte, prometendo-lhe cuidado também ali.

Perguntas frequentes

Quem é Hathor por palavras simples?

Hathor é uma deusa do antigo Egipto do amor, da beleza, da música, da dança e da alegria, e também da maternidade e do cuidado. Era representada como uma mulher com uma coroa de cornos de vaca e um disco solar entre eles, ou por inteiro em forma de vaca. É uma das deusas mais antigas e veneradas do Egipto, padroeira do lado luminoso da vida.

Que significam os cornos e o disco solar na cabeça de Hathor?

Os cornos remetem para a vaca, o animal sagrado de Hathor, e o disco solar entre eles, para o sol e para o vínculo da deusa com o deus solar Rá. Juntos formam a sua coroa reconhecível. Ísis adoptou mais tarde o mesmo sinal, de modo que só pela coroa as duas deusas se distinguem pelo tema da cena e pela inscrição.

Em que se distingue Hathor de Ísis?

Hathor é mais velha e responde antes de mais pelo amor, pela música, pela alegria e pela maternidade. Ísis é a deusa do poder real, da magia e do amor conjugal fiel, mãe de Hórus. Nos séculos tardios as suas imagens fundiram-se, e Ísis adoptou a coroa e parte dos traços de Hathor, mas pela sua origem são duas deusas distintas.

Por que se liga Hathor à turquesa?

A deusa era chamada Senhora da Turquesa e honrada como padroeira das minas, antes de mais das pedreiras do Sinai onde se extraía a pedra. Os egípcios ligavam a cor azul esverdeada da turquesa à renovação e à vida, o que coincidia com a natureza alegre da deusa. Por isso a turquesa se tornou a sua pedra, e uma joia com ela lê-se como sinal da protecção de Hathor.

O que é o colar menat?

O menat é um colar pesado de vários andares com um contrapeso maciço que pendia pelas costas. Era um sinal pessoal de Hathor e ao mesmo tempo um instrumento musical: agitava-se na dança, e o som tinha-se por grato à deusa. Na simbologia o menat traz os sentidos de música, alegria, força vital e abundância.

A quem convém uma joia com simbologia de Hathor?

Convém a quem tem caros o amor, a música, a alegria e a beleza, às pessoas criativas, e também a todo aquele que sinta próximo o tema da maternidade e a força feminina. O sinal de Hathor não assusta nada; deseja o bem, de modo que é fácil de usar e oportuno de oferecer aos entes queridos, às amigas, às futuras e jovens mães.

Pode usar-se o sinal de Hathor sem crer nos deuses egípcios?

Sim. A simbologia de Hathor obra como um desejo de amor, alegria e plenitude de vida à margem das crenças religiosas. Pode usar-se tanto como uma bela imagem histórica como um amuleto com sentido do bom ânimo. Isto não quebra o respeito à antiga religião: recorre-se a um património cultural, não se apropria uma fé alheia.

Que metal e pedra escolher para uma joia de Hathor?

O mais fiel à ideia é o ouro quente ou o dourado, pois um dos nomes da deusa soava como a Dourada. Das pedras, a mais próxima é a turquesa, a sua própria pedra, junto à qual são oportunos o lápis-lazúli e a faiança egípcia azul esverdeada. A combinação de ouro quente com uma pedra azul esverdeada é a mais reconhecível e historicamente fiel.

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Conclusão

Hathor é uma deusa pouco comum em que o lado luminoso da vida está reunido quase por inteiro. Amor e beleza, música e dança, alegria e festa, maternidade e cuidado, e mesmo o encontro suave dos mortos no limiar do outro mundo. Por trás do aspecto de uma vaca terna e do som de um sistro há uma figura de escala cósmica: a abóbada do céu, a senhora do céu, a dona das minas de turquesa, temível e benigna ao mesmo tempo. Os egípcios honraram-na durante mais de três mil anos, e quase sempre se tratava de calor, não de medo.

Na joia a imagem de Hathor obra com suavidade e bondade. O colar menat deseja música e plenitude de vida, a turquesa fala de protecção e renovação, o ouro dialoga com o disco solar da sua coroa, e o rosto da deusa com orelhas de vaca serve de sereno sinal de alegria. Nenhum destes sinais assusta nada; todos se voltam para o lado luminoso da existência. Por isso mesmo a simbologia de Hathor é tão fácil de usar e de oferecer aos próximos.

A conclusão honesta é simples. Hathor não exige nem uma fé especial nem o conhecimento dos hieróglifos para que os seus sinais soem. Basta compreender o que há por trás deles: uma deusa antiga para a qual o amor, a música e a alegria não eram uma miudeza mas o coração do mundo. Aquilo que se puser no seu colar ou na sua turquesa, isso significará, e o sentido maior da deusa ficará contigo como um quente desejo de viver no amor e na alegria.

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Sobre a Zevira

A Zevira trabalha em Albacete, Espanha, uma cidade com uma longa tradição joalheira. Hathor faz parte da nossa colecção de símbolos, onde a deusa do amor e da música convive com outros sinais antigos em que a forma e o sentido se sustentam juntos.

O que se pode encontrar connosco no tema egípcio:

É possível a gravação pessoal. Trabalhamos com prata 925 e ouro de catorze a dezoito quilates.

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