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Merkaba: significado do símbolo de geometria sagrada e o tetraedro estrela

Merkaba: significado do símbolo de geometria sagrada e o tetraedro estrela

Introdução: o carro que se tornou estrela

O profeta Ezequiel descreveu um carro de fogo com rodas giratórias cheias de olhos na borda, a flutuar sobre o rio Quebar. A palavra com que se nomeou aquela visão soava como «merkavá». Vinte e seis séculos depois, essa mesma palavra transformou-se numa estrela tridimensional formada por dois tetraedros que hoje se usa ao pescoço como sinal de equilíbrio. O caminho desde o carro celeste até ao pendente é mais longo do que parece.

A merkaba é um daqueles símbolos em que a palavra antiga e a imagem moderna se afastaram imenso. Por um lado, há por detrás dela todo um ramo da mística judaica dedicado a interpretar a visão de Ezequiel. Por outro, no esoterismo do final do século XX surgiu uma leitura completamente nova da mesma palavra: luz, espírito, corpo. Entre esses dois polos está uma figura geométrica muito bela, o tetraedro estrela, que agrada tanto a joalheiros como a entusiastas da geometria sagrada.

Este guia aborda com honestidade três coisas. O que é a merkaba enquanto geometria, de onde vem a palavra e os seus sentidos, e como tudo isso funciona numa joia. Não vamos apresentar as interpretações esotéricas como um facto científico: ali onde se fala de um campo em redor do corpo ou de «ascensão», estamos perante um conceito espiritual, não perante física comprovável. Mas a história da palavra, a forma da figura e o seu lugar entre outros símbolos da geometria sagrada merecem um relato atento e sereno.

Fixemos os termos desde o início. «Merkaba», escrita com «b», é o nome esotérico da figura e da prática associada. «Merkavá», com «v», é a palavra hebraica para «carro» e o nome de uma antiga tradição mística. Uma só palavra, dois ramos de sentido, e ambos os vamos percorrer.

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O que é a merkaba enquanto geometria

O tetraedro estrela formado por duas figuras

Na base da merkaba há uma ideia geométrica simples. Tomamos um tetraedro, uma pirâmide regular de quatro triângulos idênticos. Tomamos um segundo tetraedro igual e viramo-lo com o vértice para baixo. Encaixamo-los de modo a que se penetrem mutuamente. O resultado é uma estrela com volume, com oito vértices aguçados e uma silhueta complexa que se vê diferente de cada lado. É isto o tetraedro estrela, o corpo geométrico da merkaba.

O tetraedro é interessante porque é o mais simples de todos os corpos possíveis com volume. Quatro vértices, quatro faces, seis arestas. Não se pode construir nada menor: três pontos dão um triângulo plano, e só o quarto leva a figura ao espaço. Precisamente por isso o tetraedro é tão valorizado quando se fala das formas básicas do espaço: está mesmo no início da geometria dos corpos.

A estrela de David em três dimensões

A maneira mais fácil de imaginar a merkaba é como uma estrela de David com volume. A estrela plana de seis pontas, o hexagrama, obtém-se sobrepondo dois triângulos equiláteros, um com a ponta para cima e outro para baixo. A merkaba faz exatamente o mesmo, mas em três dimensões: em vez de triângulos toma tetraedros. Por isso, ao projetar-se sobre um plano, a silhueta da merkaba lembra muitas vezes a conhecida estrela de seis pontas.

Esta ligação é importante, porque é a razão pela qual a merkaba é confundida com frequência com a estrela de David e o selo de Salomão. As formas são aparentadas, mas não são idênticas. O hexagrama plano e o tetraedro estrela com volume são figuras distintas, ainda que a semelhança visual entre ambas seja evidente. Mais adiante analisaremos as diferenças em detalhe; por agora basta lembrar: a merkaba é um hexagrama levado ao espaço.

O octaedro estrelado: um nome vindo da matemática

A figura da merkaba tem um nome matemático rigoroso, sem qualquer relação com o esoterismo. Os matemáticos chamam-lhe octaedro estrelado ou, em latim, stella octangula. Esse nome deu-lho Johannes Kepler no início do século XVII, no seu tratado sobre a harmonia do mundo. Kepler observou que, se se prolongarem as faces de um octaedro, se obtém exatamente esta estrela formada por dois tetraedros que se cruzam.

O mesmo objeto pode descrever-se de outras duas maneiras, e ambas estão corretas. É a união de dois tetraedros encaixados um dentro do outro. E é ao mesmo tempo a primeira e mais simples forma estrelada do octaedro. A parte comum que ambos os tetraedros partilham no centro forma um octaedro regular escondido dentro da estrela. Assim, no coração da merkaba, se retirarmos mentalmente os oito raios aguçados, há um asseado corpo de oito faces.

Como se vê a figura de diferentes lados

Uma das razões pelas quais a merkaba fica tão bem em metal é a sua complexa variação de perspetivas. Se se olhar o tetraedro estrela ao longo do eixo que une dois vértices opostos, aparece uma estrela simétrica de seis raios. Se se girar a figura, a silhueta muda, os raios aguçados passam para primeiro plano e o volume lê-se de um modo muito diferente. Uma imagem plana nunca o transmite por completo, mas um pendente que baloiça e apanha a luz com faces diferentes mostra a figura em toda a sua plenitude.

É mesmo por isso que os pendentes de merkaba com volume são mais valorizados do que os planos. Uma gravação plana transmite apenas uma projeção. Um verdadeiro tetraedro estrela tridimensional, feito de fio ou de metal fundido, revela aquilo pelo qual a figura é amada: a mudança constante de aspeto com o movimento.

O tetraedro estrela: significado do símbolo

O significado do tetraedro estrela nasce diretamente da sua forma. Duas pirâmides dirigidas uma à outra leem-se como o encontro de dois princípios: o ascendente e o descendente, o leve e o pesado, o que se eleva e o que se enraíza em baixo. Onde se cruzam surge um núcleo estável, e é essa estabilidade que dá ao símbolo o seu sentido principal: o equilíbrio através da união dos opostos. Na geometria sagrada, o tetraedro estrela interpreta-se como imagem de acordo, não de luta: a figura sustenta-se não porque uma pirâmide vença a outra, mas porque ambas partilham uma mesma simetria. Daí a reputação serena do sinal; escolhem-no quem não procura força, mas um apoio interior.

Quantas faces e vértices tem a merkaba

Se desmontarmos a merkaba enquanto corpo geométrico, a conta resulta muito clara. Cada um dos dois tetraedros contribui com quatro vértices, quatro faces e seis arestas, e juntos dão oito raios aguçados que se projetam em todas as direções. Os oito vértices da estrela são esses mesmos raios, e o octaedro oculto no seu interior acrescenta a sua própria simetria asseada de oito faces. Essa composição nítida, fácil de contar, explica em parte por que a forma agrada tanto: não há linhas ao acaso, tudo se encaixa em números redondos. Para uma joia é também uma vantagem: o artesão monta a figura com arestas iguais que se repetem, e a precisão da montagem nota-se logo em como bem convergem os raios nos vértices.

A merkaba de prata sobre grafite, a de ouro sobre branco. Um fundo estampado rouba-lhe toda a geometria.
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Com que usar a merkaba

A merkaba é caprichosa de usar por causa das suas arestas, por isso o estilo construo-o a partir do fundo da roupa, não da figura em si. Reuni aqui o que aconselho às minhas clientes conforme a ocasião.

Com que usar a merkaba no dia a dia? Para um visual de dia recomendo um pendente vazado e leve de 2 a 2,5 cm num fio de comprimento médio, por cima de um tecido liso. Um padrão carregado compete com as arestas, por isso escolho um fundo uniforme: cinzento, preto, verde-azeitona, bordô. A prata sobre um tecido frio lê-se limpa, e o tetraedro com volume gira ao caminhar e brinca com a luz nas faces.

Que metal escolher conforme a cor da roupa? O metal aconselho a escolhê-lo conforme a temperatura do conjunto. A prata fria recomendo-a com o cinzento, o grafite, o azul-marinho; o ouro quente ou o dourado, com o areia, o chocolate, o vinho. Um só metal em todo o estilo mantém a imagem recolhida, por isso não aconselho misturar prata e ouro num mesmo conjunto.

Como escolher o comprimento do fio? O comprimento ajusto-o ao decote. Para um pescoço aberto ou um decote pouco profundo aconselho um fio curto de cerca de 45 cm: a figura cai na zona da clavícula, onde melhor se lê. Para uma parte de cima fechada, recomendo baixar o pendente para 50-55 cm, sobre a parte alta do peito. Os compridos, de 60 a 70 cm, reservo-os para um visual por camadas de vários fios. O peso do fio harmonizo-o com o pendente: um tetraedro pesado precisa de um fio mais robusto, e a um vazado e leve fica-lhe bem um fino.

Pendente plano ou com volume conforme o tecido? Aqui escolho conforme a finalidade. O tetraedro vazado com volume desdobro-o por cima do tecido: sobre um fundo liso gira e brinca com as faces como um acento. A versão plana e fina recomendo-a por baixo da camisa, quando a merkaba fica como um sinal pessoal: não sobressai com os seus ângulos nem se prende na malha. Para um tecido delicado aconselho um pendente de raios suavemente arredondados, já que os vértices aguçados prendem as malhas.

O que encaixa no escritório e o que para sair? Para o dia a dia e os ambientes sóbrios escolho um pendente plano ou um anel de sinete com gravação, onde a figura se lê como um motivo geométrico limpo e não como uma declaração esotérica. Para a noite, pelo contrário, recomendo um pendente grande com volume ou uma estrela vazada num fio comprido, sob um tecido escuro e liso. A prata polida brinca sobre os tecidos lisos, e a oxidada acrescenta carácter gráfico.

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Joias com merkaba: o que escolher

Pendente de merkaba com volume

A variante mais expressiva é o pendente tridimensional, onde o tetraedro estrela se monta a partir de arestas de metal. Esse pendente de estrutura aberta mostra a figura com honestidade, em todo o seu volume, e gira com graça no fio. Costuma fazer-se em prata ou prata dourada, com um diâmetro habitual de 2 a 3 cm. A versão de estrutura vazada é leve, aérea e lê-se bem sobre um tecido liso. Segmento médio.

Pendente plano com tetraedro estrela

A opção mais simples e acessível é um pendente plano onde o tetraedro estrela se representa por gravação ou recorte vazado. Aqui a figura mostra-se numa só projeção, quase sempre como uma estrela de seis raios com linhas interiores que sugerem o volume. O pendente plano é mais fino, mais económico de fabricar e mais cómodo para o uso diário, porque não prende as suas arestas na roupa. Segmento económico e médio.

Anel com merkaba

O anel com merkaba costuma fazer-se em formato de sinete, com um tetraedro estrela gravado sobre uma superfície plana, ou como anel com uma pequena estrela em relevo a servir de acento. O sinete é mais sóbrio e encaixa ali onde não se quer chamar a atenção. A estrela com volume sobre o anel nota-se mais e funciona como um acento por si só. Segmento médio e médio-premium.

Brincos e pulseiras

Nos brincos, a merkaba aparece de duas formas: minúsculos pontos com a silhueta plana da estrela, e brincos compridos com tetraedros vazados que apanham a luz ao mexer. Os brincos de volume a condizer são vistosos, mas exigem um metal leve, caso contrário puxam pelo lóbulo. Nas pulseiras, a merkaba costuma chegar como pendente pequeno junto a outros símbolos da geometria sagrada: a flor da vida, a espiral, os sólidos platónicos.

Como alternativa à tatuagem

A merkaba tatua-se muitas vezes, normalmente no antebraço, nas costas ou no peito, onde uma figura simétrica assenta bem. A joia funciona como uma alternativa mais suave e reversível: o sentido é o mesmo, mas a decisão não é definitiva. Muitas pessoas usam ambas as coisas e repetem o motivo da tatuagem num pendente.

Pendente de merkaba: significado da peça

O pendente de merkaba carrega o mesmo significado que a figura em si, apenas traduzido para a linguagem do gesto quotidiano. A peça usa-se como sinal de equilíbrio e de regresso a si próprio, como um lembrete silencioso de sustentar o balanço entre as tarefas e o repouso, o exterior e o interior. Para uns é um sinal espiritual e parte de uma prática meditativa; para outros, simplesmente uma imagem de harmonia sem qualquer esoterismo. O valor do pendente está em que o próprio dono lhe atribui o sentido: uma mesma estrela de duas pirâmides junto à clavícula pode significar caminho, apoio ou puro amor pela geometria. Por isso a merkaba tanto se oferece como amuleto com sentido quanto como joia bonita, sem impor ao destinatário uma única leitura.

Merkaba masculina e feminina

A merkaba é usada por pessoas de qualquer género, e a figura em si é neutra: não tem nada de especificamente masculino nem feminino, para além da simbologia de duas pirâmides encontradas. Nos estilos masculinos costuma escolher-se uma estrutura grande e volumosa em prata ou metal escurecido sobre um fio robusto, onde a estrela funciona como acento gráfico. Nas versões femininas são frequentes tanto os pendentes planos e finos como as peças vazadas mais leves e de menor tamanho, além dos brincos com tetraedros a condizer. A diferença aqui não está no sentido, mas no tamanho e no metal. Se a merkaba se escolhe como joia para dois, é habitual optar pela mesma figura em tamanhos distintos: um maior, outro mais pequeno, mas ambos lidos como um só par.

Merkaba de presente

A merkaba escolhe-se muitas vezes como um presente com sentido, e presta-se muito bem a esse papel. O símbolo de equilíbrio e integridade soa adequado para quase qualquer destinatário, e a dupla história da palavra, do carro de Ezequiel à prática contemporânea, dá mote para um cartão caloroso com uma breve explicação. Tanto se oferece uma merkaba neutra, enquanto geometria bonita, a quem está longe do esoterismo, como um amuleto conscientemente espiritual a quem está nesse mundo. O formato mais seguro é um pendente vazado e leve em prata, de tamanho médio, num fio: fica bem à maioria e não impõe género nem estilo. Para um presente a dois tomam-se duas figuras iguais de tamanho diferente, como sinal do laço entre duas pessoas em torno de um símbolo comum.

Etimologia: do carro de Ezequiel à luz, ao espírito e ao corpo

Merkavá: o carro do profeta

A palavra hebraica «merkavá» significa «carro». Aparece muitas vezes na Bíblia hebraica no seu sentido mais direto, como carro de batalha ou de desfile. Mas a palavra ganhou um peso especial por causa do primeiro capítulo do livro do profeta Ezequiel. O profeta, cativo na Babilónia junto ao rio Quebar, descreveu uma visão sobrecolhedora: uma nuvem resplandecente, quatro seres alados com rostos de homem, de leão, de touro e de águia, e junto a eles rodas dentro de rodas, cujos aros estavam cheios de olhos. Por cima de tudo isto viu a semelhança de um trono e uma figura radiante sentada nele.

A própria palavra «merkavá» não soa de forma direta nesse capítulo; ali fala-se de rodas e de um trono-carro. Mas foi precisamente a essa visão que a tradição posterior chamou «Maasé Merkavá», a «Obra do Carro», e a palavra ficou associada a todo o tema. O carro aqui não é um transporte, mas uma imagem da presença divina em movimento, um trono levado por seres viventes.

A mística da merkavá no judaísmo

Da interpretação dessa visão cresceu todo um ramo precoce do misticismo judaico, que se conhece como mística da merkavá ou literatura das Hejalot, os «Palácios». Os seus textos foram-se formando aproximadamente nos primeiros séculos da nossa era. Os místicos descreviam a ascensão da alma através de sete palácios celestes até ao trono-carro, os perigos desse caminho e os nomes dos anjos que o guardavam. O tema era considerado tão sério e arriscado que os sábios restringiam o seu ensino: estudar a «Obra do Carro» só era permitido a discípulos maduros e apenas a sós com o mestre.

Convém sustentar este enquadramento, porque explica o peso da palavra. Por detrás da «merkavá» não há um adorno, mas uma antiga disciplina de contemplação, onde o carro é imagem da realidade suprema e a ascensão até ela exige preparação. O pendente moderno, claro, vive a sua própria vida, mas a raiz da palavra afunda-se mesmo aqui, na visão junto ao rio Quebar e nas gerações dos seus intérpretes.

A nova interpretação: Mer-Ka-Ba

No esoterismo do final do século XX surgiu uma leitura completamente distinta da palavra, desligada da tradição judaica. Segundo ela, «merkaba» não é uma só palavra que significa «carro», mas três raízes do antigo Egito: «Mer» como campo de luz giratória, «Ka» como espírito, «Ba» como corpo ou encarnação física. Daí a fórmula popular: a merkaba é luz, espírito e corpo unidos num mesmo campo giratório.

É preciso dizê-lo com honestidade: esta leitura não conta com o apoio da egiptologia nem da linguística. A verdadeira palavra hebraica «merkavá» e as supostas raízes egípcias pertencem a histórias linguísticas distintas, e a combinação «Mer-Ka-Ba» é uma construção esotérica tardia, não um facto estabelecido da língua antiga. Isto não torna o símbolo melhor nem pior, mas compreender a diferença importa: uma interpretação apoia-se numa tradição escrita, a outra na intuição espiritual do século XX.

O autor da nova interpretação

A compreensão esotérica contemporânea da merkaba como um campo giratório de luz em redor do corpo formulou-a, no final do século XX, o autor norte-americano Drunvalo Melchizedek nos seus livros sobre o «antigo segredo da flor da vida». Ligou o tetraedro estrela a uma prática de respiração e meditação, descreveu a rotação dos dois tetraedros em sentidos opostos e apresentou a merkaba como meio de despertar espiritual e proteção. Foi a partir desses livros que a imagem se difundiu pelos círculos esotéricos, pelos cursos de meditação e, por fim, pelas montras de joalharia.

Tal como com a leitura «Mer-Ka-Ba», aqui convém manter uma distância serena. As descrições de campos giratórios e de «ativação da merkaba» são a linguagem de uma prática espiritual, não um conhecimento comprovável. Contamo-lo como fenómeno cultural que deu origem ao símbolo contemporâneo, sem apresentar a metafísica como se fosse física.

Merkaba: a tradução da palavra carro

A tradução literal é aqui mais importante do que qualquer esoterismo. A palavra hebraica «merkavá» traduz-se como «carro» ou «carruagem», de uma raiz com o sentido de «cavalgar, conduzir uma parelha de cavalos». Com essa palavra a tradição nomeou o trono-carro da visão de Ezequiel, de modo que «merkaba», no seu sentido original, não é um campo abstrato, mas uma imagem muito concreta de uma carruagem em movimento que leva um ocupante. Quando a palavra passou para o esoterismo e trocou o «v» pelo «b», a tradução direta «carro» não desapareceu; ficou apenas na sombra da nova interpretação. É útil sustentar as duas camadas na cabeça: literalmente, a merkaba é um carro, e todo o resto, os campos e as rotações, são interpretações posteriores que se foram colando a uma palavra antiga.

Mer-Ka-Ba: a decomposição por sílabas

A decomposição popular parte a palavra em três sílabas e dá a cada uma o seu significado: «Mer» como campos de luz que giram em sentidos opostos, «Ka» como espírito individual, «Ba» como corpo físico ou a sua imagem. Somadas, dão a fórmula «luz, espírito e corpo num só campo giratório». Soa harmonioso, mas a honestidade exige uma precisão: é uma construção do final do século XX, não uma decomposição tirada dos dicionários do antigo Egito. A palavra real «merkavá» é uma unidade hebraica, e não se divide nessas sílabas. Por isso «Mer-Ka-Ba» convém entendê-la como uma regra mnemónica feliz da prática contemporânea, bela e útil para recordar a ideia da triunidade, mas não como um facto da língua antiga.

A merkavá na mística judaica e na Cabala

A palavra «merkavá» deu nome a toda uma corrente da mística judaica, mais antiga do que a Cabala clássica. Os primeiros textos da mística da merkavá, a literatura das Hejalot, descreviam a ascensão do contemplativo através dos palácios celestes até ao trono-carro. Mais tarde, já na Cabala medieval, a imagem do carro entrou na linguagem comum para descrever os mundos superiores, embora o acento se tenha deslocado para a doutrina das sefirot e das emanações divinas. É importante não misturar estas camadas: a mística da merkavá dos primeiros séculos, a Cabala medieval e a merkaba esotérica do século XX são três tradições distintas unidas por uma só palavra. O pendente contemporâneo herda o encanto de toda essa profundidade, mas brota diretamente apenas do último ramo, o mais jovem.

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A merkaba na cultura e na arte da forma

O tetraedro estrela na história da geometria

Muito antes das interpretações esotéricas, a figura da merkaba vivia na matemática pura e na arte. Os mestres do Renascimento, fascinados pela perspetiva e pelos corpos regulares, desenhavam e talhavam poliedros complexos, incluindo as formas estreladas. Encontram-se na marchetaria de madeira, nas gravuras, nos tratados sobre a proporção: os artistas daquela época viam nos corpos regulares o cume da harmonia visível e inseriam-nos com gosto na ornamentação. A união de dois tetraedros como objeto autónomo descreveu-a com precisão Johannes Kepler, incorporando-a na sua visão de um cosmos harmoniosamente ordenado. Para Kepler, os corpos regulares e estrelados não eram um adorno, mas uma chave da estrutura do mundo, e o octaedro estrelado ocupou o seu lugar nesse quadro. Assim, a forma que hoje se vende como pendente esotérico tem uma pegada plenamente académica na história da arte e da ciência, que se estende vários séculos para trás e não guarda relação alguma com a metafísica de nenhum campo.

Anel-sinete de ouro com incrustação de jade talhada e uma inscrição gravada
O sinete foi durante muito tempo não um adorno, mas um sinal a que se atribuía a força de fixar o que fora dito: este anel de ouro com incrustação de jade talhada e inscrição situa-se na viragem do século XV para o XVI, na mesma cultura de sinetes mágicos de que procede também o selo de Salomão.Seal Ring with Inscription, late 15th-early 16th century. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Os poliedros como linguagem da harmonia

A ideia de que os corpos regulares exprimem a ordem do universo é dois mil anos mais antiga do que o Renascimento. Já Platão associou os cinco poliedros regulares aos elementos, e o tetraedro, nesse sistema, correspondia ao fogo: uma forma aguçada, leve, móvel. Quando os esoteristas do século XX regressaram ao tetraedro estrela, apoiaram-se nessa antiga camada cultural, onde a geometria se lia como um discurso sobre a estrutura da natureza. A merkaba herdou o encanto dessa tradição: parece uma fórmula congelada em metal.

Por que a forma é tão atraente

A geometria regular tem uma força magnética serena que não exige qualquer misticismo. A simetria, as faces iguais, os ângulos limpos são percebidos pelo olho como ordem, e a ordem atrai. A merkaba une essa clareza a uma sensação de movimento: duas pirâmides encontradas criam uma tensão interna, como se a figura estivesse prestes a começar a girar. Daí a sua popularidade entre quem valoriza o minimalismo e a beleza matemática à margem de todo o esoterismo.

A geometria sagrada da merkaba

Os sólidos platónicos e o lugar do tetraedro

A geometria sagrada não é uma ciência, mas um sistema de significados simbólicos atribuídos às formas regulares. No seu centro estão os cinco sólidos platónicos: o tetraedro, o cubo, o octaedro, o dodecaedro e o icosaedro. São os únicos cinco poliedros convexos em que todas as faces são polígonos regulares iguais e todos os vértices estão dispostos da mesma maneira. Os antigos associaram-nos aos elementos, e o tetraedro, nessa repartição, coube ao fogo.

A merkaba toma precisamente o tetraedro, a primeira e mais simples dessas formas, e duplica-o. Na lógica da geometria sagrada isto lê-se como a união de dois princípios de fogo dirigidos um ao outro. Daí procede toda a simbologia do equilíbrio de que falaremos mais abaixo. Sublinhemos: trata-se de significados simbólicos, não de propriedades da matéria; aqui o fogo é uma metáfora, não química.

O tetraedro estrela e a flor da vida

Na geometria sagrada contemporânea, a merkaba raramente vive sozinha. Costuma colocar-se junto à «flor da vida», um padrão de circunferências que se cruzam, do qual, segundo esse sistema, se podem derivar tanto os sólidos platónicos como o tetraedro estrela. A ideia é que, a partir de um simples padrão repetido de círculos, se desdobra toda a família de formas regulares, e a merkaba está entre elas. Para as joias isto é cómodo: a merkaba, a flor da vida e a semente da vida formam um conjunto reconhecível de motivos que se combinam num mesmo jogo.

A simetria e o octaedro interior

A beleza do tetraedro estrela assenta em grande medida na sua elevada simetria. A figura pode girar-se e refletir-se de muitas maneiras, e continuará a coincidir consigo mesma. No seu interior, como já dissemos, esconde-se um octaedro regular, o núcleo comum dos dois tetraedros. Esse aninhamento de formas, a estrela por fora e o corpo de oito faces por dentro, confere à merkaba essa multiplicidade de camadas que a geometria sagrada lê como imagem da unidade de distintos níveis do ser.

O campo em redor do corpo: onde termina a geometria

A ideia esotérica mais conhecida sobre a merkaba sustenta que em redor do corpo humano existiria supostamente um campo energético com forma de tetraedro estrela, e que se poderia «ativar» através da respiração e da meditação. Aqui é preciso total clareza. A ciência não deteta nenhum campo mensurável dessa forma em redor do corpo, e as afirmações sobre a «ativação da merkaba» pertencem ao terreno da crença e da prática pessoal, não ao da física.

Isto não significa que a prática careça de sentido para quem a realiza: a meditação, os exercícios de respiração e o trabalho com uma imagem ajudam de facto muita gente a concentrar-se e a acalmar-se. Mas o benefício aqui é psicológico e está ligado à própria prática da atenção, não a um campo giratório de luz. Pode usar-se um pendente de merkaba com qualquer atitude perante esta ideia: como sinal de um caminho espiritual, como símbolo de equilíbrio ou simplesmente como geometria bonita.

Convém distinguir duas coisas: o ritual de atenção em si e a explicação que se lhe acrescenta. O ritual, quando uma pessoa se senta, respira de forma pausada e mantém diante do seu olhar interior uma forma estável e simétrica, funciona independentemente daquilo em que acredite. Reduz a ansiedade, abranda os pensamentos, devolve a sensação de apoio. A explicação, por sua vez, sejam tetraedros que giram ou um campo de luz, é a linguagem da tradição em que a prática nasceu. O pendente, neste sentido, é um ajudante honesto: mantém a imagem da figura diante dos olhos, e que sentido pôr nessa imagem decide-o cada um. Precisamente por isso a merkaba é usada com tranquilidade tanto por esoteristas convictos como por céticos a quem simplesmente agrada a ideia do equilíbrio e da geometria pura.

A merkaba e o cubo de Metatron

O cubo de Metatron é uma figura plana de treze círculos unidos por linhas, dentro da qual, segundo a lógica da geometria sagrada, cabem os cinco sólidos platónicos. A merkaba relaciona-se com ele diretamente: o tetraedro estrela deriva-se desse esquema como uma das formas nele escondidas. Em joalharia, a merkaba e o cubo de Metatron colocam-se muitas vezes juntos ou usam-se num mesmo conjunto, porque juntos se leem como o plano e o resultado com volume desse plano. Convém lembrar que todo este sistema é simbólico, não científico: o cubo de Metatron é uma bela construção geométrica e uma regra mnemónica, não um mapa da estrutura do mundo. Mas como linguagem visual, a relação entre as duas formas funciona de maneira convincente.

A merkaba, a semente da vida e a flor da vida

Na geometria sagrada, as formas ordenam-se numa genealogia. A semente da vida é um padrão de sete círculos que se cruzam, do qual, segundo esse sistema, se desdobra a flor da vida, uma rede mais densa de circunferências. Da flor da vida, por sua vez, derivam-se os sólidos platónicos e o tetraedro estrela. Assim, a merkaba acaba por ser um descendente longínquo do simples padrão de círculos, a forma final com volume de uma longa cadeia. Para as joias é uma família cómoda de motivos: a semente da vida, a flor da vida e a merkaba combinam-se com facilidade num conjunto com uma lógica comum. Como tudo na geometria sagrada, esta genealogia é mais poética do que rigorosa, mas é justamente ela que faz do conjunto de formas algo íntegro e reconhecível.

A merkaba na prática: meditação e ativação

Em torno da merkaba formou-se toda uma prática de respiração, visualização e «ativação». Analisemo-la com calma, separando o ritual de atenção em si das explicações que se lhe acrescentam, para que fique claro o que é que nela realmente funciona.

Merkaba: como meditar

A meditação com a merkaba, na sua forma mais divulgada, constrói-se em torno de uma imagem e da respiração. A pessoa senta-se comodamente, endireita as costas, acalma a respiração e imagina em seu redor o tetraedro estrela: a pirâmide superior a apontar para cima, a inferior para baixo, o corpo no centro comum. Depois mantém-se a atenção sobre essa imagem, por vezes acrescentando a contagem das inspirações e expirações ou a sensação suave de que a figura gira lentamente. O sentido do exercício está na concentração sustentada: uma forma simétrica e estável dá ao olho um ponto de apoio e ajuda a que os pensamentos não se dispersem. O que funciona aqui é precisamente o treino da atenção, não a estrela em si, pelo que também tiram proveito dessa meditação quem não lhe atribui qualquer sentido esotérico.

Ativação da merkaba: o que se entende por ela

«Ativação da merkaba» chama-se, na prática esotérica, a uma sequência particular de respiração e visualização após a qual o campo-tetraedro em redor do corpo supostamente começa a girar e «se acende». As descrições podem ser detalhadas: um número determinado de inspirações, a posição das mãos, o sentido de rotação das duas pirâmides uma para a outra. Convém dizê-lo com clareza: a ciência não encontra em redor do corpo nenhum campo mensurável que se pudesse «acender», pelo que a «ativação» é a linguagem de uma prática interior, não um acontecimento comprovável. O que na realidade sucede entende-se sem metafísica: a respiração concentrada e a manutenção de uma imagem acalmam o sistema nervoso e dão uma sensação de recolhimento. O ritual tem valor, mas esse valor reside no terreno da atenção e da respiração, não na física de nenhum campo.

A rotação dos tetraedros e a respiração

Um motivo à parte da prática é a rotação em sentidos opostos das duas pirâmides: a superior faz-se girar mentalmente numa direção, a inferior noutra. Na explicação esotérica isto cria aquele campo, e ao nível do exercício dá à atenção uma imagem complexa mas sustentável a que a mente se agarra. A respiração, entretanto, costuma abrandar-se e aprofundar-se, sincronizando-se com o movimento imaginado. Sob um olhar sóbrio, o útil é precisamente o ritmo: a respiração diafragmática lenta reduz a frequência cardíaca e ajuda a acalmar, um mecanismo corporal descrito há muito tempo. A imagem dos tetraedros que giram funciona aqui como uma âncora cómoda para o exercício respiratório, não como uma alavanca que ponha em marcha uma energia invisível.

O que a prática com a merkaba não promete

Convém traçar os limites para não sair desiludido. A meditação com a merkaba não cura doenças, não substitui a medicina e não confere superpoderes, digam o que disserem as descrições mais grandiloquentes. Não cria em teu redor nenhum campo protetor mensurável e não influencia os acontecimentos externos. Tudo o que dá de verdade está dentro: treino da atenção, a habilidade de acalmar a respiração, minutos de silêncio e uma sensação de apoio. Não é pouco, e por isso vale a pena praticá-la para quem a acha agradável. Mas apresentá-la como física ou como medicina é desonesto. O pendente de merkaba, neste sentido, é um companheiro cómodo da prática: mantém a imagem da figura à mão, sem prometer nada para além da calma que tu próprio cultives.

O que simboliza a merkaba

O equilíbrio do masculino e do feminino

O primeiro e principal significado da merkaba é o equilíbrio dos opostos. Dois tetraedros dirigidos um ao outro, um com o vértice para cima e o outro para baixo, formam juntos uma figura simétrica e estável. Na linguagem simbólica, o tetraedro superior associa-se muitas vezes ao princípio masculino, ativo, ascendente, e o inferior ao feminino, recetivo, descendente. A sua união lê-se como a harmonia dessas forças dentro de uma mesma pessoa. É um desenvolvimento direto da velha ideia do hexagrama, onde o triângulo ascendente e o descendente significam a união do céu e da terra.

A terra e o céu

O segundo significado decorre do primeiro. O tetraedro superior estira-se para o céu, o inferior está enraizado na terra, e a merkaba torna-se imagem do laço entre dois mundos, um eixo vertical entre o material e o espiritual. Neste sentido, a figura usa-se como lembrete de sustentar ambos os polos: nem voar para o abstrato nem afundar-se no quotidiano, mas manter-se entre eles em equilíbrio. Para muitas pessoas é a leitura mais clara do símbolo, a que não exige qualquer misticismo.

A ascensão e a subida

Através da palavra «merkavá», com o seu carro, o símbolo herda o tema da subida. Na interpretação esotérica, à merkaba chama-se «carro da ascensão», um meio de elevação espiritual, em alusão à antiga imagem do carro que leva à realidade suprema. Aqui volta a ser oportuna a honestidade: a «ascensão» é a linguagem de um conceito espiritual, não a descrição de um acontecimento que se possa comprovar. Mas como metáfora do crescimento interior e do movimento rumo a uma melhor versão de si próprio, este tema vive no símbolo de forma estável.

A luz, o espírito e o corpo

Da nova leitura «Mer-Ka-Ba» chegou o significado da triunidade: luz, espírito e corpo como três faces de um mesmo todo. Nessa leitura, a merkaba lembra que a pessoa não se reduz a nenhum dos três, mas se sustenta no seu acordo. Mesmo deixando de lado a etimologia discutível, a ideia em si é antiga e aparece em imensas culturas: o corpo, a alma e aquilo que os anima. O pendente de merkaba usa-se muitas vezes justamente com este sentido, como sinal de integridade.

A proteção e o centramento

No uso esotérico prático, a merkaba usa-se como amuleto e como meio de «centramento», de regresso a si próprio. A simetria da figura, a sua estabilidade e o seu carácter acabado funcionam como âncora visual: o olhar para uma forma equilibrada e regular ajuda a recolher-se. É um daqueles casos em que a ação simbólica é plenamente real no plano psicológico, sem qualquer metafísica. A geometria regular acalma, e nisso reside a sua força honesta.

A merkaba e os chakras

Em parte das escolas esotéricas relaciona-se a merkaba com os chakras, imaginando que o campo giratório se alinha ao longo do mesmo eixo vertical que os centros energéticos do corpo. Nessa leitura, a figura ajuda a alinhar os chakras e a recolher a atenção ao longo da coluna, da base ao alto da cabeça. Sustentamos o mesmo enquadramento honesto: os chakras e os campos são a linguagem de uma tradição espiritual, não anatomia, e não existe uma correspondência comprovável entre eles e os órgãos do corpo. Mas como esquema para a concentração, a ideia funciona: dirigindo a atenção de baixo para cima pelo corpo e mantendo a imagem de uma estrela simétrica, a pessoa de facto acalma-se e apercebe-se melhor da sua própria postura. Pode usar-se a merkaba com este sentido, entendendo onde termina a metáfora.

A merkaba como amuleto pessoal

Muitas pessoas usam a merkaba como amuleto, como sinal de proteção e de centramento. O mais honesto é descrever como funciona na realidade. O amuleto não atua porque irradie um campo, mas porque se torna âncora da atenção: num minuto de inquietação, a mão procura a figura familiar, o olhar apanha a simetria regular, e isso devolve a sensação de apoio. Esse efeito psicológico é real e não exige qualquer misticismo; conhece-o qualquer pessoa que tenha o seu objeto da sorte. A merkaba presta-se bem a esse papel graças ao acabado e estável da sua forma. Por isso se oferece como amuleto com sentido, pondo nela um desejo de equilíbrio e proteção, e o destinatário é livre de aceitar esse sentido tão literalmente quanto lhe seja próximo.

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A merkaba e os símbolos parecidos

A merkaba e a estrela de David

A estrela de David, ou Maguen David, é uma estrela plana de seis pontas formada por dois triângulos sobrepostos, tornada símbolo do povo judeu e do judaísmo. A merkaba é a sua parente com volume: os mesmos dois elementos encontrados, mas em três dimensões e em forma de tetraedros. A diferença fundamental está no sentido, não só na forma. A estrela de David é antes de mais um sinal nacional e religioso com uma história concreta. A merkaba é um símbolo da geometria sagrada e da prática esotérica. É fácil confundi-las pelo aspeto, mas o contexto em que se usam é distinto, e convém saber o que se usa.

A merkaba e o selo de Salomão

O selo de Salomão, numa das suas formas, também se representa como hexagrama e está estreitamente ligado às lendas sobre o poder do rei Salomão sobre os espíritos. Pelo seu desenho exterior, o selo de Salomão plano e a projeção da merkaba podem coincidir, daí a constante confusão. Mas o selo de Salomão é, antes de mais, um sinal protetor e mágico da tradição medieval dos talismãs, ao passo que a merkaba trata de geometria, equilíbrio e ascensão. Se se quiser aprofundar a genealogia dos sinais de seis pontas, é útil uma análise à parte do significado do selo de Salomão, onde se mostra como um mesmo desenho se foi carregando de sentidos distintos.

A merkaba e o pentagrama

Com o pentagrama, a merkaba só se aparenta pelo facto de ambos pertencerem à família de símbolos geométricos que agradam ao esoterismo. No resto, são opostos pela sua estrutura. O pentagrama é uma estrela plana de cinco pontas, traçada com uma só linha contínua, e os seus significados giram em torno dos cinco elementos e dos cinco sentidos. A merkaba é uma figura com volume de seis pontas formada por dois tetraedros, e o seu tema é o equilíbrio e a ascensão. A quem quiser comparar, será útil a análise do significado do pentagrama: um ao lado do outro vê-se até que ponto estão construídos de forma distinta os dois símbolos «estelares» mais reconhecíveis.

A merkaba entre os símbolos da geometria sagrada

Dentro da própria geometria sagrada, a merkaba tem vizinhos próximos: a flor da vida, a semente da vida, o cubo de Metatron, a espiral e os sólidos platónicos. Todos se reúnem num mesmo vocabulário visual, onde as formas fluem umas das outras. A merkaba, nessa fila, ocupa-se do tema do volume e do equilíbrio. Se se quiser ver como a merkaba se integra no conjunto com os demais sinais, ajuda o grande guia de símbolos em joias, onde distintas tradições se mostram uma junto à outra.

A merkaba e a estrela de David: em que se distinguem

A diferença resume-se facilmente em três pontos. Primeiro, a dimensão: a estrela de David é plana, a merkaba tem volume, é um hexagrama levado a três dimensões através de tetraedros. Segundo, a origem: a estrela de David, o Maguen David, é um símbolo nacional e religioso do judaísmo com séculos de história, ao passo que a merkaba é um sinal da geometria sagrada e da prática esotérica do século XX. Terceiro, o sentido: a estrela de David fala de pertença a um povo e a uma fé, a merkaba de equilíbrio, ascensão e harmonia geométrica. Coincidem apenas na projeção: se se olhar a merkaba ao longo do seu eixo principal, a silhueta dá exatamente uma estrela de seis pontas, daí a confusão. Entendendo estas três diferenças, é fácil não confundir os símbolos e usar justamente o que se tem em mente.

A desmontar ideias erradas

Em torno da merkaba acumularam-se muitas afirmações taxativas que convém analisar com calma. Algumas misturam tradições distintas, outras apresentam um conceito espiritual como facto histórico ou científico. Aqui ficam algumas das mais frequentes.

Primeira ideia errada: que «merkaba» seria uma palavra do antigo Egito. Na realidade, «merkavá» é hebraico e significa «carro», e a leitura egípcia «Mer-Ka-Ba» é uma construção esotérica tardia do século XX, não confirmada pela egiptologia. A forma da figura é antiga, mas essa interpretação concreta do seu nome é nova.

Segunda ideia errada: que em redor do corpo giraria de verdade um campo com forma de tetraedro estrela, e que estaria demonstrado. Não há qualquer confirmação científica de tal campo. É questão de crença e de prática, e é mais honesto falar disso assim, sem se escudar na palavra «demonstrado».

Terceira ideia errada: que a merkaba e a estrela de David seriam a mesma coisa. Estão aparentadas pelo desenho, mas a estrela de David é um símbolo nacional e religioso plano com a sua própria história, e a merkaba é uma figura com volume da geometria sagrada. Misturá-las é perder o sentido de ambas.

A merkaba e símbolos afins: forma, tradição, significado
SímboloFormaTradiçãoSignificado
MerkabaTetraedro estrela tridimensional de duas pirâmidesGeometria sagrada, esoterismo do século XXEquilíbrio dos opostos, união de terra e céu, ascensão
Estrela de DavidEstrela plana de seis pontas de dois triângulosJudaísmo, símbolo nacional e religiosoSinal do povo judeu, união de céu e terra no hexagrama
Selo de SalomãoUm hexagrama, por vezes com um círculo ou inscriçõesTradição medieval de talismãs e amuletosSinal protetor, a lenda do poder de Salomão sobre os espíritos
PentagramaEstrela plana de cinco pontas de um só traçoDe Suméria e Pitágoras à wiccaCinco elementos, cinco sentidos, a proporção áurea
Flor da vidaPadrão de círculos iguais que se sobrepõemGeometria sagrada, parente da merkabaUnidade e geração das formas; dela se derivam os sólidos platónicos
Octaedro estrelado (matemática)O mesmo corpo que a merkaba, stella octangulaGeometria, descrito por Kepler no século XVIIA primeira estrelação do octaedro, com um octaedro oculto dentro

Como escolher uma merkaba

Plana ou com volume

A primeira decisão que convém tomar é entre um pendente plano ou uma estrutura com volume. A merkaba plana mostra a figura numa só projeção, quase sempre como uma estrela de seis raios com linhas interiores. É mais fina, mais leve, mais económica de fabricar e mais cómoda para o dia a dia, porque não prende as suas arestas na roupa e desliza tranquilamente por baixo de uma camisa. O tetraedro vazado com volume revela com mais honestidade a essência mesma da figura: a sua tridimensionalidade e a mudança de aspeto ao girar. Se a merkaba importa justamente enquanto geometria, o volume vale a pena. Se se procura um sinal pessoal discreto, a versão plana é mais prática.

O tamanho conforme a ocasião

O tamanho não muda o sentido, mas o volume da mensagem. Um pendente de 1,5 a 2 cm lê-se como um símbolo pessoal sóbrio, apropriado tanto no escritório como sob um decote não muito profundo. Um tamanho médio de 2,5 a 3 cm já afirma a sua presença, fica bem como estrutura com volume e prende a atenção sem deixar de ser quotidiano. Uma estrela grande de 4 a 6 cm é um acento para a noite ou para um estilo expressivo; exige uma zona despejada junto à clavícula e um fio robusto. Escolhe o tamanho conforme o quão alto queres que soe o símbolo.

O metal conforme o teu estilo

A prata polida é universal e reflete bem a luz nas faces. O dourado dá um tom quente e assenta com mais suavidade sobre uma pele de subtom quente. O ouro de 14 a 18 quilates é a versão premium e duradoura para quem usa o símbolo de forma constante. A prata oxidada, com os recessos escurecidos, torna o volume gráfico, quase como um plano de desenho, e desdobra-se sobre os tecidos escuros. Uma regra simples: o minimalismo frio ama a prata polida, o dramatismo noturno ama a oxidada, e a pele quente e o ouro dão-se bem.

O que verificar antes de comprar

Numa merkaba com volume é importante a precisão da montagem: as arestas devem convergir nos vértices com exatidão, sem desvios, caso contrário a simetria perde-se e a estrela vê-se torta. Num pendente plano, repara na limpeza das linhas e dos recortes vazados. Verifica como o pendente se fixa ao fio: numa figura aguçada, a argola deve assentar com firmeza para que a estrela não se incline. Se a peça tiver uma pedra, certifica-te de que o engaste é firme e não prende o tecido com os seus ângulos.

Tatuagem de merkaba ou pendente: o que escolher

Muitas vezes a escolha está entre uma tatuagem e uma joia, pois o motivo é o mesmo. A tatuagem é uma decisão definitiva: o desenho fica contigo, mas em troca não se perde e está sempre por cima. O pendente é mais suave e reversível: pode tirar-se, mudar de tamanho, transmitir-se ou oferecer-se, e o sentido permanece igual. Muitas pessoas combinam ambas as coisas, repetindo o motivo da tatuagem num pendente ou, ao invés, usando primeiro o pendente durante muito tempo e só depois decidindo-se pela tatuagem. Se tiveres dúvidas, é razoável começar pela joia: permite viver o símbolo sem dar um passo irreversível. Além disso, o pendente é mais fácil de adaptar ao estilo, já que o metal, o tamanho e o comprimento do fio mudam conforme o ânimo e a ocasião, algo que com a tatuagem não se pode fazer.

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A quem fica bem a merkaba

A merkaba fica bem a quem ama as coisas com sentido e valoriza a pureza geométrica da forma. A seguir, vários tipos de pessoas a quem o símbolo é próximo por razões distintas.

A quem pratica a meditação e as disciplinas espirituais, a merkaba é próxima como sinal de centramento e equilíbrio. Aqui funciona não pior do que um mantra para o olhar: a simetria regular ajuda a recolher-se.

Aos amantes da geometria sagrada e do minimalismo, a figura agrada por si mesma, à margem de todo o esoterismo. Para eles é uma bela fórmula em metal, parente da flor da vida e dos sólidos platónicos.

A quem procura um símbolo do equilíbrio do masculino e do feminino, da terra e do céu, a merkaba dá uma imagem clara e não carregada. Duas pirâmides encontradas são uma metáfora visível do acordo dos opostos.

Às pessoas interessadas na história dos símbolos, a merkaba é curiosa pelo duplo destino da palavra: do carro de Ezequiel e da mística judaica ao esoterismo do final do século XX. É um caso raro em que um só sinal guarda duas histórias divergentes.

Aos amantes das joias geométricas e do grafismo, a figura agrada por pura estética. O tetraedro estrela com volume muda de aspeto a cada giro, e isso já é motivo suficiente para o usar.

Verdades e mitos sobre a merkaba
Merkaba é uma palavra do antigo Egito
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Em redor do corpo gira mesmo um campo merkaba, e está demonstrado
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A merkaba e a estrela de David são a mesma coisa
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A figura da merkaba não tem qualquer nome científico
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Só pode usar a merkaba uma pessoa de uma fé determinada
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A merkaba é só metafísica; a geometria não tem nada a ver
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Materiais e cuidados

Materiais

A merkaba faz-se quase sempre em prata de lei 925: o metal sustenta bem as finas arestas da figura vazada e reflete com beleza a luz nas faces. A prata dourada dá um tom mais quente e vê-se mais suave sobre uma pele de subtom quente. O ouro de 14 a 18 quilates é a versão premium do símbolo, duradoura e neutra. A prata oxidada, com os recessos escurecidos, sublinha o volume do tetraedro estrela e dá-lhe um aspeto gráfico, quase de plano de desenho. Para as peças grandes de noite recorre-se por vezes ao aço enegrecido, que sustenta uma forma maciça sem muito peso.

Cuidados

Uma merkaba com volume, com as suas numerosas arestas e ângulos internos, acumula pó e restos de cosmética nos sítios de difícil acesso. Uma escova de dentes macia com uma gota de água com sabão limpa com facilidade a estrutura entre as arestas; depois enxagua-se a peça e seca-se bem. Para as peças oxidadas é melhor não aplicar limpeza por ultrassons, já que retira a pátina dos recessos. Nesse caso convém polir apenas as arestas exteriores em relevo, deixando escuros os recessos internos, para conservar o contraste. A prata escurece com o tempo por si só, sobretudo em ambientes húmidos, e o ligeiro véu sobre uma merkaba polida retira-se com um pano próprio para prata. Se o pendente tiver uma pedra, verifica de vez em quando a fixação: os vértices aguçados da figura prendem o tecido e com o tempo afrouxam o engaste, que um joalheiro ajusta num instante.

Merkaba de prata e de ouro

A escolha entre prata e ouro não é uma escolha de sentido, mas de carácter da peça. A prata de lei 925 dá um brilho frio e limpo, sublinha bem as faces e sai mais económica, pelo que a maioria das merkabas se faz precisamente nela. Exige cuidado face ao escurecimento, mas recupera com facilidade o brilho com um pano para prata. O ouro de 14 a 18 quilates é mais pesado, mais quente de tom e praticamente não embacia; é a versão para quem usa o símbolo de forma constante e não quer pensar nele. Uma merkaba de ouro tolera com mais tranquilidade o contacto com a pele e a água. A opção intermédia é a prata dourada: um tom dourado quente a um custo razoável, embora o banho se gaste com o tempo nas arestas salientes, e isso convém tê-lo em conta para o uso diário.

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Factos que surpreendem

A merkaba é uma dessas figuras onde a cada passo se esconde algo inesperado. Aqui ficam vários factos que mudam o olhar sobre este símbolo.

Primeiro. O nome matemático rigoroso da merkaba concebeu-o o astrónomo Johannes Kepler, o mesmo que descobriu as leis do movimento dos planetas. Chamou à figura stella octangula, «estrela de oito pontas», integrando-a na sua visão de um cosmos harmonioso. Assim, o símbolo esotérico tem um passaporte plenamente académico do século XVII.

Segundo. Dentro da estrela esconde-se outra figura regular. O núcleo comum dos dois tetraedros é um octaedro perfeito, um corpo de oito faces. Se se retirarem mentalmente os oito raios aguçados, no centro da merkaba fica um asseado poliedro parecido com um cristal.

Terceiro. A palavra «merkavá», na tradição judaica, considerava-se tão séria que era proibido ensinar publicamente o tema da «Obra do Carro». Só se permitia transmiti-lo a um discípulo maduro e apenas a sós com o mestre. O símbolo que hoje pende sem problema nas montras esteve outrora rodeado de um segredo rigoroso.

Quarto. A popular leitura «Mer-Ka-Ba» como «luz-espírito-corpo» apareceu apenas no final do século XX e não tem apoio na língua real do antigo Egito. A bela fórmula acabou por ser mais jovem do que muitas das pessoas que a repetem.

Quinto. A projeção plana da merkaba ao longo do seu eixo principal dá exatamente uma estrela de seis pontas. Precisamente por isso se confunde tão frequentemente o tetraedro estrela com volume com a estrela de David e o selo de Salomão: de certo ângulo, com efeito, veem-se idênticos.

Sexto. O tetraedro é o corpo mais simples possível no espaço; tem apenas quatro vértices. Não existe de todo um poliedro com volume menor, portanto a merkaba está construída com o tijolo mais fundamental da geometria dos corpos.

Sétimo. No sistema de Platão, o tetraedro correspondia ao elemento do fogo pela sua forma aguçada e leve. Significa que a merkaba é, em essência, dois sinais de fogo unidos e dirigidos um ao outro, o que se liga à sua simbologia do equilíbrio de forças.

Perguntas frequentes

O que é a merkaba em palavras simples?

A merkaba é uma estrela com volume formada por duas pirâmides-tetraedros encaixadas uma na outra com os vértices em sentidos opostos. Em essência, é a versão tridimensional da estrela de seis pontas. Em matemática, a figura chama-se octaedro estrelado, e no esoterismo, merkaba, e associa-se ao equilíbrio, à ascensão e à geometria sagrada.

O que significa a palavra «merkaba»?

A palavra tem duas linhas de sentido. A hebraica «merkavá» significa «carro» e remete para a visão do profeta Ezequiel e para a mística judaica da merkavá. Por outro lado, no esoterismo do século XX apareceu a leitura «Mer-Ka-Ba» como luz, espírito e corpo, mas não a apoia a linguística e pertence a uma interpretação espiritual, não científica.

A merkaba e a estrela de David são a mesma coisa?

Não. A estrela de David é uma estrela plana de seis pontas e um símbolo nacional e religioso do judaísmo. A merkaba é uma figura com volume formada por dois tetraedros e um símbolo da geometria sagrada. Parecem-se pelo desenho, sobretudo em projeção, mas distinguem-se na forma, no sentido e no contexto em que se usam.

É verdade que em redor da pessoa há um campo-merkaba?

É uma afirmação da prática esotérica, não da ciência. A ciência não deteta nenhum campo mensurável com forma de tetraedro estrela em redor do corpo. A ideia da «ativação da merkaba» pertence ao terreno da crença e da meditação. O símbolo pode usar-se com qualquer atitude perante este conceito.

Pode usar a merkaba uma pessoa de qualquer fé?

A forma em si é geométrica e não está ligada a uma só religião, por isso é usada por pessoas das convicções mais diversas, desde os apaixonados pela geometria sagrada até quem simplesmente aprecia a simetria. Convém lembrar o seu parentesco com a simbologia judaica: se para ti importa o contexto religioso, é melhor teres claro de antemão que sentidos pões nela.

Que pendente de merkaba escolher, plano ou com volume?

O pendente vazado com volume mostra a figura com mais honestidade, gira com graça e apanha a luz, mas é um pouco mais caprichoso de usar e mais caro. O pendente plano com gravação é mais fino, mais acessível e mais cómodo para o dia a dia, embora transmita apenas uma projeção. Para a expressividade escolhe-se o de volume; para a comodidade quotidiana, o plano.

Em que se distingue a merkaba do selo de Salomão?

O selo de Salomão é um sinal protetor e mágico da tradição medieval dos talismãs, representado muitas vezes como hexagrama. A merkaba é um símbolo da geometria sagrada sobre o equilíbrio e a ascensão. Pelo desenho, as versões planas podem coincidir, mas a sua origem e o seu sentido são distintos: um trata do poder sobre os espíritos, o outro de geometria e harmonia.

Que metal é melhor para a merkaba?

A prata de lei 925 é universal e sustenta bem as finas arestas. A prata dourada dá um tom quente; o ouro de 14 a 18 quilates é a versão premium e duradoura. A prata oxidada sublinha o volume da figura com um contraste gráfico. A escolha depende de se procuras um minimalismo limpo ou um aspeto mais expressivo, quase de plano de desenho.

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Conclusão

A merkaba é um símbolo raro, cuja biografia se bifurcou literalmente. Por um ramo remonta ao carro do profeta Ezequiel, à mística judaica da merkavá e à rigorosa disciplina da contemplação, onde da «Obra do Carro» só se falava em sussurros e a sós. Por outro ramo chega do esoterismo do final do século XX, com uma nova leitura do nome e a imagem de um campo giratório de luz. E entre ambos está a geometria pura: o octaedro estrelado que já descreveu Kepler, dois dos corpos mais simples do espaço unidos numa estrela estável.

Numa joia, a merkaba funciona a todos esses níveis ao mesmo tempo. Para uns é sinal de um caminho espiritual e do equilíbrio das forças. Para outros, imagem do laço entre a terra e o céu, o masculino e o feminino, o corpo e o espírito. Para terceiros, simplesmente uma bela forma simétrica que muda de aspeto a cada giro. Nenhuma destas leituras é obrigatória, e nenhuma anula as demais.

O balanço honesto é simples. Ali onde se descreve a merkaba como um campo comprovável ou uma energia demonstrada, convém manter uma distância serena. E ali onde funciona como imagem de harmonia, como âncora da atenção e como geometria elegante ao pescoço, cumpre o seu papel com honestidade. O que tu puseres nessa estrela de duas pirâmides, é isso que ela significará.

Sobre a Zevira

A Zevira trabalha em Albacete, Espanha, berço de uma longa tradição de trabalho do metal. A merkaba faz parte da nossa coleção de símbolos de geometria sagrada, onde convive com a flor da vida, os sólidos platónicos e outros sinais em que a forma e o sentido se sustentam juntos.

O que podes encontrar connosco em chave de merkaba:

É possível a gravação personalizada. Trabalhamos com prata de lei 925 e ouro de 14 a 18 quilates.

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