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Peridoto em joalharia: a pedra verde-amarelada do manto terrestre, guia completo

Peridoto em joalharia: a pedra verde-amarelada nascida no manto terrestre, guia completo

Uma pedra mais antiga que os continentes

O peridoto de um anel nasceu a dezenas de quilómetros por baixo da crosta, a mais de mil graus de temperatura. Trouxe-o à superfície uma rocha vulcânica. No fundo, trata-se de um pedacinho do manto da Terra que alguém lapidou e engastou numa armação.

É composto de olivina. A olivina figura entre os minerais mais abundantes do planeta, mas o cristal transparente de qualidade joalheira escasseia. É por isso que um bom peridoto custa mais do que muitas pedras habituais.

Vamos por partes: de que é feito, porque é precisamente verde-amarelado, onde se extrai, o que se fazia com ele na Antiguidade, como distinguir o autêntico da imitação e de pedras parecidas, e como cuidar dele para que não parta. A simbologia também vamos tocá-la, mas com honestidade: onde acaba a tradição e onde começa o dado verificável.

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O que é o peridoto: química e física

Composição e fórmula

O peridoto é a variedade transparente e joalheira da olivina. A olivina não é um único mineral, mas uma série entre dois membros extremos: a forsterite (Mg₂SiO₄, magnesiana) e a faialite (Fe₂SiO₄, ferrosa). O peridoto de joalharia está mais próximo do extremo da forsterite, mas contém sempre algum ferro. É precisamente o ferro, que substitui parte do magnésio na rede cristalina, que dá a cor verde.

A proporção entre magnésio e ferro determina o tom. Quanto mais ferro, mais verde a pedra; quanto mais magnésio, mais amarela e clara. Os melhores exemplares mantêm o equilíbrio: ferro suficiente para um verde profundo e magnésio suficiente para um reflexo dourado e quente. Ferro a mais leva a cor para o pardo, ferro a menos deixa um verde-erva pálido.

Não convém confundir: o peridoto não tem nada a ver com o berilo, embora pela cor por vezes se compare com a esmeralda. São famílias de minerais distintas.

Dureza, estrutura, densidade

A fragilidade é a propriedade prática fundamental. Um golpe seco ou uma mudança brusca de temperatura podem provocar uma fenda, ainda que a pedra pareça intacta. Por isso o peridoto quase sempre se monta num engaste protetor, e não em garras abertas à altura dos nós dos dedos.

Ótica

Sob luz ultravioleta o peridoto costuma ser inerte, sem fluorescência apreciável. Isso também ajuda a identificá-lo.

Cristais naturais de peridoto de cor verde-amarelada, amostra mineralógica de olivina
Cristais naturais de peridoto: a cor verde-amarelada é dada pelo ferro na rede da olivina; o cristal maior mede cerca de 1,5 cm. Amostra mineralógica. Wikimedia Commons, CC0.Peridot (GeoDIL number - 1027), Darla Sondrol, 3 July 2001. Wikimedia Commons, Open Access (CC0 1.0)
O peridoto pede ouro amarelo e pele de verão. Enterrá-lo sob um cinzento de escritório é um crime, e não me venhas discutir.
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Com que usar o peridoto

O verde-amarelo dá-se pior com companhia do que uma pedra branca, e aí está a sua força: um único peridoto reúne o conjunto à sua volta. Estas são as perguntas que mais me fazem nas provas, ordenadas por ocasião.

Com que uso o peridoto ao dia a dia? Para o dia a dia recomendo-te um pendente fino ou brincos de botão sobre uma base tranquila e sem estampado: camisa de linho marfim, algodão branco, malha bege. Sobre esse fundo a pedra quente lê-se como uma gota de luz. Aconselho-te decote aberto ou em bico, para que o pendente repouse na pele e não se perca no tecido.

Serve para o escritório? Sim, se mantiveres a sobriedade. Escolho brincos de botão ou um anel de uma só pedra sob camisa, blazer ou vestido direito. Uma gama fria (cinzento, azul, grafite) traz contraste e o brilho quente do peridoto suaviza-a. Aqui a regra de um só destaque é firme: ou os brincos ou o anel, não tudo ao mesmo tempo.

Como monto um look de noite? Para a noite aconselho-te subir o tom: brincos compridos pendentes ou um pendente em gota sobre a pele, ombros descobertos, decote profundo. O peridoto usa-se com tecidos vinho, esmeralda e preto, e com a seda, que apanha a luz tal como a pedra. Para uma ocasião especial recomendo um conjunto monocromático em verde-amarelo, anel e brincos no mesmo tom.

Que metal lhe fica bem? O mais próximo é o ouro amarelo: recolhe a nota dourada da pedra e favorece de forma especial o subtom quente. O ouro branco e a prata dão um contraste fresco e adiantam o verde. À pele oliva e morena o peridoto acrescenta-lhe um resplendor interior; à clara sublinha-lhe o subtom dourado.

Que comprimento de corrente escolho? Um pendente em corrente de 42-45 cm repousa junto às clavículas e funciona com a maioria dos decotes, é a minha base. Mais comprido, de 50-60 cm, leva o destaque mais abaixo, sob uma gola aberta. As camadas monto-as com pendentes e anéis, não com pulseiras rígidas coladas, porque a pedra é frágil e na pilha recebe golpes com facilidade.

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Como se forma o peridoto na natureza

A olivina cristaliza em profundidade, no manto superior da Terra, a uns 50 até várias centenas de quilómetros. É um dos principais minerais formadores de rocha do manto. Sobem-na as lavas basálticas e os movimentos tectónicos que elevam rochas mantélicas até à superfície.

Mas a olivina mantélica é quase toda miúda, turva ou fissurada. Para obter um cristal transparente do tamanho e da cor adequados têm de coincidir muitas coisas: a química correta com o seu equilíbrio de magnésio e ferro, um arrefecimento lento, a ausência de tensões fortes que partiriam o cristal. Essas coincidências são raras, e por isso o peridoto de joalharia é considerado escasso, ainda que a olivina esteja literalmente debaixo dos nossos pés por toda a parte.

Um pormenor curioso: a olivina aparece também em meteoritos, nas chamadas palasitas, onde grãos verde-amarelados se alojam numa matriz de ferro e níquel. Ou seja, um mineral parecido cristaliza não só no nosso manto.

Geografia: onde se extrai o peridoto

Ilha de Zabargad, mar Vermelho

A fonte mais antiga e mais célebre. Uma pequena ilha do mar Vermelho ao largo das costas do Egito, que os textos antigos chamavam de diferentes formas (entre elas "ilha de São João"). Aqui se extraiu durante milhares de anos. Geologicamente a ilha é formada por rochas mantélicas trazidas à superfície por uma falha, daí a concentração de olivina. As pedras com proveniência documentada deste lugar são hoje uma raridade e valorizam-se pela sua história.

Paquistão, Gilgit-Baltistão

O líder atual em qualidade. Os jazigos da alta montanha do norte do Paquistão deram ao mercado pedras saturadas, muitas vezes grandes e limpas. A exploração intensa arrancou no final do século XX. A formação da olivina aqui está ligada à colisão das placas indiana e euro-asiática, o mesmo processo que ergueu os Himalaias.

Mianmar (Birmânia)

Jazigo histórico na zona de Mandalay, que dava pedras de tom mais escuro e saturado. Hoje a extração aqui é escassa.

China, Arizona, Madagáscar e outros

A província de Henan na China e os jazigos do sudoeste dos Estados Unidos (concretamente no Arizona) dão muito peridoto claro de nível acessível. Madagáscar tornou-se nas últimas décadas uma fonte notável, com boa transparência. Há achados menores na Tanzânia, no Quénia, na Noruega e noutros lugares, mas quase não influenciam o mercado.

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História do peridoto

Antigo Egito

Anel de ouro do antigo Egito com pedra verde giratória, época do Império Novo
Anel-sinete de ouro com pedra verde gravada, antigo Egito, por volta de 1479-1458 a. C. As gemas verdes engastadas em ouro valorizavam-se no berço do peridoto já no tempo dos faraós.Scarab Finger Ring, ca. 1479 - 1458 B.C.. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Zabargad foi durante muito tempo a fonte de gemas verdes para o Egito. O autor romano Plínio, o Velho, na sua "História natural" (século I), descreve a extração da pedra na ilha do mar Vermelho. Porém, na Antiguidade os nomes das pedras confundiam-se: com a palavra "topazios" os antigos designavam precisamente essa pedra verde-amarelada da ilha, e não o topázio atual. Por causa dessa confusão, muitas "esmeraldas" dos textos antigos podiam ser na realidade peridotos. A gema verde em armação de ouro valorizava-se no Egito, e isso confirmam-no com solidez os achados de museu.

Europa medieval

Na Europa medieval as pedras verdes usaram-se com gosto no âmbito eclesiástico: nos anéis do clero, em capas de livros e relicários. Pela confusão de nomes herdada da Antiguidade não se pode afirmar com segurança quando se fala do peridoto autêntico e quando de outra pedra verde, mas o facto de as gemas verdes acabarem em peças caras não deixa dúvidas. Corria além disso a crença de que uma pedra transparente e clara simbolizava a clareza e a honestidade, daí comparações como "limpo como o peridoto".

Barroco e época moderna

Na joalharia dos séculos XVII a XIX o peridoto aparece com regularidade, sobretudo quando entraram na moda os motivos "históricos" e de inspiração antiga. O verde-amarelado quente combinava bem com o ouro amarelo. Nas artes decorativas da primeira metade do século XX apreciava-se pela sua cor limpa e uniforme, que contrastava com elegância face ao esmalte escuro e às pedras claras nas composições geométricas daquela época.

Na segunda metade do século XX o interesse pelas pedras de cor em geral recuou perante a moda do diamante, e o peridoto ficou durante muito tempo como pedra de entendidos, não do grande público. Hoje a atenção às gemas de cor pouco comuns volta a crescer.

Tipos e variedades

Por composição mineral o peridoto é sempre olivina, por isso os "tipos" são sobretudo diferenças de cor, tamanho e proveniência.

Convém esclarecer a questão da terminologia. Em certas tradições diz-se antes "crisólito", ao passo que no comércio internacional se impôs o termo "peridoto". Não há diferença alguma na pedra em si; nas plataformas estrangeiras procura pela palavra peridot. Não o confundas apenas com o crisoberilo: partilham o início do nome, mas é um mineral completamente distinto.

Como distinguir o peridoto de pedras parecidas e de imitações

O erro mais frequente não é a imitação, mas a confusão com outras pedras verdes. Aqui vão as referências.

Turmalina (verde, verdelite). Mais dura (7-7,5), mais resistente, aguenta melhor o uso diário. Existe em diferentes tons de verde, ao passo que o peridoto puxa sempre para um verde-amarelado quente. A birrefringência da turmalina é mais fraca.

Água-marinha e outros berilos. A água-marinha vira para o verde-azulado, não para o amarelo, é mais dura (7,5-8) e não apresenta um desdobramento de facetas apreciável. Se o que procuras é esse brilho dourado e quente mas mais resistente que o peridoto, repara no heliodoro, o berilo dourado.

Demantóide e tsavorite (granadas verdes). O demantóide "joga" muito com a dispersão, cintila como um diamante, coisa que o peridoto não faz. A tsavorite dá um verde mais limpo, sem matiz amarelo.

Principais imitações do peridoto:

Sinais simples de um peridoto autêntico: peso notável para o seu tamanho, cor verde-amarelada quente sem um "jogo" chamativo e, sobretudo, o desdobramento visível das facetas traseiras ao olhar através da pedra com uma lupa de 10x. Por dentro não deve haver bolhas de gás redondas (isso é do vidro). A resposta definitiva sobre uma pedra duvidosa dá-a um laboratório gemológico, mas estes três sinais descartam as falsificações grosseiras no momento.

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Como escolher um peridoto: o que observar antes de comprar

O peridoto não tem uma grelha de avaliação tão rígida como a do diamante, mas a lógica é a mesma: cor, pureza, lapidação, tamanho. Vamos por ordem, no que reparar de verdade.

A cor decide quase tudo. No peridoto valoriza-se a profundidade e a limpidez do tom, não um matiz raro: quanto mais saturado e uniforme o verde-amarelado, mais cara a pedra. O verde-erva pálido e o virar para o pardo baixam o preço. Olha a pedra com luz de dia e sob uma lâmpada quente: o peridoto não muda de cor consoante a iluminação, como sim faz a alexandrite, por isso se com diferentes luzes o tom dança, é motivo para olhar melhor para a pedra ou para o vendedor.

Pureza. O peridoto costuma classificar-se entre as pedras em que as inclusões não deveriam incomodar a olho nu. Um pormenor característico mesmo da olivina são as inclusões em forma de disco que os gemólogos chamam "nenúfares" (lily pad): minúsculas cavidades planas em redor de um cristal pontual. Sob a lupa parecem pétalas redondas. É um traço natural que confirma a autenticidade da pedra, não um defeito, desde que sejam poucas e não estejam à vista. As fendas que saem à superfície, pelo contrário, são perigosas para um peridoto frágil: essa pedra parte-se com mais facilidade.

Tamanho e disponibilidade. O peridoto claro do Arizona, China e Madagáscar encontra-se com facilidade em tamanhos pequenos e médios. Mas as pedras grandes e limpas de cor profunda, em geral paquistanesas, escasseiam bastante mais, e o preço por quilate sobe de forma não linear: uma pedra do dobro do tamanho custa mais do dobro. Para um pendente ou uns brincos não é problema, mas para um anel grande convém reservar margem de orçamento.

Lapidação. Pela forte birrefringência, o lapidário procura orientar a pedra de modo que o desdobramento de facetas não turve a imagem. Um peridoto bem lapidado lê-se limpo e uniforme; um mal lapidado parece algo desfocado por dentro. Verifica que não haja uma "janela" escura no centro (a zona onde a pedra perde cor) e que o brilho não fuja para o vazio por uma base demasiado plana.

Resumo da lista antes de comprar: cor saturada e uniforme sem pardo, pureza a olho nu, lapidação cuidada sem centro turvo, superfície inteira sem fendas que aflorem, engaste protetor. E lembra-te do peso: um peridoto autêntico pesa bastante mais do que um vidro do mesmo tamanho.

Lapidação e tratamento

O peridoto lapida-se quase sempre em oval, pêra ou almofada, com frequência sacrificando as proporções ideais para conservar peso e cor. Os pedaços turvos e muito incluídos vão para cabochões. Um bom lapidário coloca as facetas de modo que a cor se leia parelha, sem zonas escuras nem vazias.

Uma vantagem importante do peridoto: em geral não se trata. A maioria das pedras do mercado não está aquecida nem irradiada, a sua cor é natural. Por vezes preenchem-se fendas superficiais para disfarçar um defeito, e disso o vendedor é obrigado a avisar. Assim, a frase "natural, sem tratamento" para o peridoto é a norma, não a exceção.

Comparação de crisólitos por origem
OrigemCorTransparênciaRaridadeSegmento de preço
Egípcio (Zibargad)Verde-amarelo clássicoMédia com inclusões características
Luxo-investimento
Paquistanês (Gilgit)Verde-amarelo intensoFrequentemente alta
Premium
Birmanês (Mianmar)Verde-amarelo escuroMédia
Médio-premium
ChinêsVerde-amarelo claroFrequentemente boa
Acessível
AustralianoIntenso, por vezes com violetaVariável
Premium colecionável
MalgaxeVerde-amarelo claroFrequentemente boa
Premium acessível

Cuidado do peridoto

A dureza 6,5-7 significa que a pedra aguenta o uso normal, mas teme duas coisas: os golpes e a química agressiva. A clivagem e a fragilidade tornam-na vulnerável ao golpe pontual, e o magnésio e o ferro da sua composição reagem com os ácidos.

Limpeza. Água morna, uma gota de sabão suave, uma escova macia. Depois secar com um pano macio. Não se podem usar ultrassons nem limpeza a vapor: a vibração e o calor brusco podem provocar uma fenda. Nada de ácidos, solventes nem álcool.

Armazenamento. À parte de outras joias, num saquinho macio ou num compartimento próprio. As pedras mais duras (e num guarda-joias quase sempre as há) riscam o peridoto com facilidade. Protege-o também das mudanças bruscas de temperatura.

Uso. Convém tirar o anel com peridoto ao fazer a limpeza, desporto ou qualquer trabalho com as mãos. Os brincos e os pendentes vivem mais tranquilos, um golpe contra eles é pouco provável. De seis em seis meses ou uma vez por ano faz sentido que um profissional reveja o engaste: uma pedra solta sai e parte-se com mais facilidade. Pela sua fragilidade, o peridoto monta-se melhor num engaste fechado ou semifechado do que em garras abertas.

Verdade sobre o crisólito: mitos e factos
O crisólito e o peridoto são pedras diferentes
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O crisólito é mais mole que a esmeralda e precisa de proteção especial
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O crisólito protege do mau-olhado e traz prosperidade
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O crisólito egípcio é mais caro devido a melhor qualidade
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O crisólito pode limpar-se em máquina ultrassónica como joalharia normal
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O crisólito paquistanês é mais barato porque é sintético ou irradiado
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O crisólito aumenta de valor com o tempo como investimento em joalharia
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Simbologia: o que diz a tradição e o que há de verdade

A simbologia do peridoto convém lê-la com desconto pela sua origem. São antes de mais associações culturais ligadas à cor, não propriedades demonstradas da pedra.

O tom verde-amarelado quente associava-se tradicionalmente ao sol, à luz e à abundância: o verde do crescimento mais o amarelo da fruta madura. No Egito as pedras verdes punham-se nos enterramentos, e o peridoto, como gema verde, entrava nessa lógica. A seu lado, nos ajuares ricos aparecia com frequência o lápis-lazúli, a pedra azul do céu e dos faraós: o verde dourado e o azul profundo complementavam-se. Noutras culturas o papel de "pedra da vida e do poder" desempenhava-o o jade, a pedra do imperador no Oriente, onde o matiz verde se ligava à longevidade e ao direito ao trono.

Pela sua transparência atribuíam-se-lhe honestidade e clareza, daí a velha comparação da pessoa "limpa como o peridoto". Nos sistemas de calendário o peridoto está atribuído a agosto como pedra do mês.

Sem ilusões: a pedra não tem um efeito físico nem curativo demonstrado. As velhas crenças sobre melhorar a visão, proteger na viagem ou influir na saúde são folclore. O peridoto é belo, e isso basta como motivo para o usar.

O peridoto como presente: a quem e por que ocasião

O peridoto está atribuído a agosto como pedra do mês, e essa é a primeira razão evidente para o oferecer: uma joia para quem nasceu sob o signo de Leão ou Virgem lê-se como uma escolha pessoal, não casual. Se o ofereces por um aniversário, convém mencionar de forma direta a relação com o mês; caso contrário, o verde quente é percebido simplesmente como uma cor bonita.

Há também um motivo de comemoração. Na tradição dos presentes por anos de casamento, o peridoto costuma associar-se ao décimo sexto aniversário. A data não é redonda nem das mais conhecidas, por isso uma joia com peridoto para essa comemoração funciona como sinal de que a ocasião não foi esquecida, e isso valoriza-se mais do que os típicos quinto ou décimo aniversários.

O que escolher consoante quem o recebe. A alguém que não usa nada chamativo, oferece-lhe um pendente de uma só pedra em corrente fina ou uns brincos de botão: são fáceis de integrar no guarda-roupa e a fragilidade da pedra aqui quase não conta, um golpe contra um brinco ou um pendente é pouco provável. O anel oferece-o com mais cuidado: é o que melhor luz, mas exige mão cuidadosa e engaste protetor, por isso é um presente para quem esteja disposto a tirá-lo durante o trabalho e a limpeza. A uma pessoa ativa que não se separa das suas joias, é mais honesto oferecer-lhe o peridoto em brincos do que num anel.

Para gravação o peridoto serve de forma indireta: a pedra em si não se grava, mas quase qualquer modelo se pode assinar no metal por dentro. Para a pedra de agosto encaixam textos curtos: a data de nascimento, um nome, o signo do mês. Uma frase longa é melhor não a forçar, no aro estreito de um anel cabe pouco.

O que não fazer com o peridoto. Não ofereças um anel a quem trabalha com as mãos ou pratica desporto com as joias postas: a pedra frágil lasca-se depressa e o presente transforma-se num problema. Não faças passar uma pedra pálida e turva por valiosa: a diferença de cor vê-se e um destinatário entendido notá-la-á. E não prometas junto com a joia propriedades curativas ou protetoras: isso é folclore, e o presente é mais honesto apresentá-lo como uma peça bonita com uma história de milhares de anos.

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Como o peridoto teme os golpes, o engaste não é só estética, mas também proteção.

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Perguntas frequentes sobre o peridoto

Peridoto e crisólito são o mesmo? Sim. São dois nomes da mesma pedra: "crisólito" em certas tradições, "peridoto" no comércio internacional. Ambos designam a variedade transparente e joalheira da olivina.

Peridoto e olivina são o mesmo? Não de todo. A olivina é o mineral no seu conjunto, e a maior parte é turva, miúda, imprestável para lapidar. O peridoto é a variedade transparente e joalheira da olivina. Todo o peridoto é olivina, mas nem toda a olivina chega a peridoto.

Que cor se considera a melhor? Um verde-amarelado limpo e saturado, nem pálido nem virando para o pardo. As pedras demasiado claras e demasiado escuras valorizam-se menos.

Pode usar-se um anel com peridoto ao dia a dia? Pode, mas com cuidado. A pedra é frágil e teme os golpes, por isso precisa de um engaste protetor, e o anel convém tirá-lo ao trabalhar com as mãos, no desporto e na limpeza. De seis em seis meses ou uma vez por ano revê o engaste.

Como limpar o peridoto em casa? Água morna, sabão suave, escova macia, depois secar com um pano. Ultrassons, vapor, ácidos e solventes ficam excluídos.

Porque é o peridoto raro se a olivina é um dos minerais mais comuns? A olivina em si está por toda a parte, mas é quase toda turva e miúda. Os cristais transparentes de qualidade joalheira e da cor adequada formam-se quando coincidem condições pouco frequentes, daí a escassez precisamente do peridoto.

Como distinguir o peridoto do vidro na própria loja? Olha através da pedra com uma lupa de 10x: num peridoto autêntico as facetas traseiras desdobram-se (birrefringência forte) e por dentro não há bolhas de gás redondas. O vidro denuncia-se pelas suas bolhas e pesa menos. Uma pedra duvidosa verifica-a no fim um laboratório.

Serve o peridoto para um anel de noivado? Pode, se quiseres algo pouco convencional, mas é um compromisso. É mais mole e mais frágil do que as pedras tradicionais, por isso precisa do engaste mais protetor possível e de um trato cuidadoso. Para uma mão muito ativa não é a melhor escolha.

O peridoto trata-se como outras pedras de cor? Em geral não. A maioria dos peridotos do mercado não está aquecida nem irradiada, a sua cor é natural. Por vezes preenchem-se fendas, e disso o vendedor é obrigado a informar.

É verdade que o peridoto cura ou protege? Não há um efeito demonstrado. Todas essas propriedades são tradição e folclore ligados à cor da pedra. Usá-lo vale a pena pela sua beleza.

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Sobre a Zevira

A Zevira faz joias na tradição artesã de Albacete, Espanha. O verde-amarelado quente do peridoto e o tema do sol e da abundância são-nos próximos: trabalhamos com pedras verdes e douradas, procuramos-lhes engastes protetores e montamos conjuntos serenos de verão para usar ao dia a dia.

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