
Peridoto e olivina: a pedra verde dos vulcões e dos meteoritos
Introdução: uma pedra verde do manto e do espaço
Ponha um peridoto contra a luz junto a uma janela e verá algo que a maioria das pedras verdes se recusa a fazer: brilha quente, como um raio de sol preso dentro de uma maçã. Não tem azul frio, não tem sombra. Essa luz verde dourada é a razão pela qual um mineral que quase qualquer geólogo consideraria corrente se transforma, em raras ocasiões, numa gema que merece ser engastada em ouro.
A olivina é um dos minerais mais abundantes do manto terrestre e, ainda assim, um hóspede raro no tabuleiro do joalheiro. Para que um cristal chegue a ser peridoto tem de ser bastante grande, bastante transparente e de um verde-amarelado limpo. Essa coincidência não acontece muitas vezes, e por isso um bom peridoto mantém-se entre as gemas de cor sem perder o seu lugar, enquanto é mais amigável para a carteira do que a esmeralda.
Essa mesma olivina aparece nos meteoritos pallasitos, onde os grãos verdes ficam encerrados numa matriz de ferro e níquel. Um único mineral une a crosta terrestre, os vulcões e os fragmentos que caíram do céu. Não é ficção científica, é geologia. E por trás dessa geologia corre uma história longa e bem documentada: o peridoto extraía-se no Antigo Egito, engastava-se nos altares das igrejas medievais e apreciava-se nos salões da Europa do século XIX.
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O que é o peridoto: definição, química e geologia
Peridoto e olivina: um mineral, dois nomes
Peridoto e olivina são o mesmo mineral, chamado de forma diferente consoante quem fala. A olivina (Mg₂SiO₄) é um silicato de magnésio, um dos componentes principais do manto. Quando um cristal de olivina cresce grande, transparente e de um bonito verde-amarelado, ganha o nome de peridoto e um lugar na joalharia.
Um geólogo dirá «olivina». O comércio de gemas diz «peridoto». Nos catálogos de antiquário e nos romances antigos vai encontrar «crisólito», do grego «pedra dourada».
A olivina não é uma única variedade, mas uma família de silicatos que partilham a mesma estrutura cristalina com uma proporção variável de magnésio e ferro. O extremo de magnésio puro é a forsterite (Mg₂SiO₄), o de ferro puro é a faialite (Fe₂SiO₄). O peridoto de joalharia situa-se perto do lado do magnésio dessa série.
Cor: verde-amarelado, como uma maçã verde
O traço que define o peridoto é que a sua cor vem do ferro integrado na própria rede cristalina, não de impurezas como na maioria das gemas. Por isso o peridoto tem uma cor uniforme e sempre no mesmo registo: verde-amarelado com um brilho dourado e quente. Na esmeralda o verde é dado pelo crómio e pelo vanádio, e o seu tom é frio, às vezes com um ponto de azul. O peridoto não tem esse frio, daí as comparações com a maçã verde e com as primeiras folhas da primavera.
A qualidade da cor pesa muito no preço. A pedra mais cara é um verde-amarelado saturado e limpo, sem nada de acastanhado, e aparece poucas vezes. Um verde-amarelado vivo é o padrão de uma boa joia. Um tom pálido e claro parece mais delicado e custa bastante menos. Um matiz acastanhado ou azeitona denuncia um alto teor de ferro e vale menos. A origem também conta: o peridoto birmanês costuma ser mais intenso, o egípcio e o chinês mais claros.
Dureza e clivagem: o ponto fraco
Na escala de Mohs o peridoto situa-se entre 6,5 e 7 (para comparar: o diamante é 10, o talco 1). Risca o vidro (5,5) e o aço inoxidável com facilidade, mas ele próprio é vulnerável a pedras mais duras: o corindo (safira e rubi, 9), o topázio (8) e o diamante (10).
A segunda fraqueza é a clivagem: o cristal tem planos por onde se parte com maior facilidade. Uma pancada seca no ângulo errado pode partir a pedra sem causa visível. Daí a lição prática: num anel convém proteger o peridoto com o engaste, de preferência um engaste fechado tipo bisel. Num pendente ou nuns brincos recebe muito menos pancadas, e a clivagem quase não incomoda.
Densidade e ótica
A densidade do peridoto é de 3,3 a 3,4 g/cm³, maior que a do quartzo (2,65) e próxima da do topázio. O seu índice de refração, de 1,65 a 1,69, dá-lhe um bom brilho quando lapidado. O peridoto é fortemente birrefringente: através de uma pedra grande lapidada vê-se por vezes o «desdobramento» das facetas traseiras, e esse é um dos sinais que o distinguem do vidro.
O peridoto pede pele bronzeada e gola aberta, não o nó de uma gravata. Num pescoço pálido de dezembro não fica bem, e não há mais que falar.
Com que usar o peridoto
O peridoto verde-amarelado passou por dezenas dos meus visuais, do dia a dia à noite. Reúno aqui o que de facto funciona, por ocasiões.
Com que uso o peridoto no dia a dia? Para o dia recomendo um pendente fino ou uns brincos de pressão sobre uma peça lisa: branco, bege, cinzento, azul-marinho. Uma cor tranquila funciona como uma tela onde a faísca verde dourada se lê logo. Com o tecido de ganga e o linho natural a pedra fica especialmente bem, um material natural e uma gema natural soam no mesmo registo.
O peridoto encaixa no escritório? Sim. Aconselho uns brincos de pressão pequenos ou um pendente em corrente curta sob o decote em bico de uma blusa ou de um blazer: um acento vivo num fato de trabalho que nunca rouba a atenção. O tom verde suaviza a severidade do cinzento e do preto, e a nota dourada dá calor sem brilho a mais.
Como monto um visual de noite? Para a noite escolho um decote aberto e um tecido liso, seda ou cetim, um vestido de cor escura e profunda. Uns brincos compridos de peridoto começam a brincar com cada movimento. Para uma ocasião especial monto um conjunto: pendente e brincos no mesmo metal, anel a condizer, com uma pedra grande em engaste fechado que sustenta o conjunto.
Que metal escolho para o peridoto? O ouro amarelo reforça a componente dourada e torna o conjunto quente e rico. A prata de lei 925 dá um contraste fresco e sublinha o verde. O ouro branco fica neutro e vai bem com o minimalismo. Deixe que decida o subtom da sua pele: ouro para o quente, prata para o frio.
Com que pedras combino o peridoto? Recomendo pedras transparentes e brancas que não competem pela cor: cristal de rocha, pedra da lua, pérola branca. O peridoto gosta da sobreposição, correntes finas de comprimentos diferentes e anéis leves empilhados numa mão. Uma regra que nunca falha: numa mão ativa escolha pendente ou brincos, e use o anel num engaste protegido.

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A história do peridoto: dos faraós aos nossos dias
Antigo Egito: a pedra da ilha de Zabargad
A principal fonte antiga foi uma ilha do mar Vermelho a que os árabes chamaram depois Zabargad (também conhecida como ilha de São João). De origem vulcânica, a ilha está literalmente saturada de olivina, e ali se extraiu durante milhares de anos. Os gregos chamavam à pedra crisólito, os árabes al-zabarjad.
Os egípcios associavam a pedra verde do sol ao deus Rá. Acreditava-se que protegia na viagem e no além, por isso se colocavam joias com ela nos enterramentos. Corria a crença de que a pedra «brilhava no escuro»: na realidade era o jogo da luz sobre as facetas à luz de tochas e velas, mas na antiguidade aquela impressão parecia um prodígio.
No século I da nossa era o naturalista romano Plínio, o Velho, descreveu a pedra na sua «História Natural» com o nome de «topázios», ligando-a a uma ilha do mar Vermelho. É de textos clássicos como este que nos chegam os primeiros testemunhos detalhados da gema.
A Idade Média: pedra dos templos
Na tradição cristã o peridoto adornava altares, relicários e vasos litúrgicos, e o seu verde associava-se à renovação e à clareza espiritual. Os joalheiros medievais apreciavam-no como uma alternativa acessível e mais viva à esmeralda: mais barato, mais quente de tom e bastante duro para anéis e pendentes. Foi popular sobretudo no Mediterrâneo e na Europa central.
O século XIX: a moda na Europa
No século XIX o peridoto volta a estar na moda na alta sociedade europeia. Engasta-se em colares, brincos, anéis e broches, e combina-se com pérolas e esmalte. A pedra verde e quente lia-se como um «luxo verde»: mais vistosa que a prata e mais barata que o brilhante. No final do século, com a onda do modernismo, o peridoto vive outro apogeu, e depois, após a Primeira Guerra Mundial, a sua moda decai juntamente com toda a estética palaciana «antiga».
Séculos XX e XXI: um interesse novo
Nos anos sessenta e setenta, com o gosto pelo natural e pelos cristais, o peridoto volta a chamar a atenção. Hoje o interesse mantém-se por várias razões ao mesmo tempo. Boa parte do material de qualidade vem de Mianmar, e a instabilidade política nas zonas de extração torna o abastecimento imprevisível e aviva a sensação de raridade. Ao mesmo tempo cresce a procura de pedras naturais face às de laboratório. O resultado é uma gema que, na sua melhor qualidade, aparece com menos frequência do que um quartzo ou um citrino correntes, e que continua a ser mais acessível do que a esmeralda e a safira.
Geologia e jazidas
Como se forma a olivina
A olivina nasce em profundidade, a temperaturas superiores a 1000 °C, num magma rico em magnésio e ferro. Os vulcões trazem-na à superfície: o peridoto de joalharia encontra-se em basaltos e em pedaços de rocha do manto que a lava arrastou para cima. Com menos frequência, a olivina chega do espaço dentro dos meteoritos pallasitos.
Onde se extrai
O líder atual em qualidade é Mianmar (Birmânia): as jazidas das montanhas de Shan dão o peridoto mais vivo e saturado, por vezes em cristais grandes. A região é politicamente instável, e isso torna o abastecimento imprevisível.
A fonte histórica, a ilha de Zabargad no mar Vermelho, continua a trabalhar hoje, mas dá uma pedra de tom mais claro e em quantidades pequenas após milénios de extração. A China fornece muito peridoto de qualidade média para joalharia de grande consumo. Outras fontes importantes são os Estados Unidos (Arizona, onde o peridoto se recolhe em terras de comunidades nativas, por vezes de qualidade excelente), o Paquistão com o vale de Sapat (conhecido pelos seus cristais grandes e limpos), e também o Brasil e a Austrália.
Tamanho: o peridoto grande é raro
O peridoto de qualidade gema raramente é verdadeiramente grande, e esse é um dos fatores-chave do seu preço. As pedras até 1 a 2 quilates são habituais, as de 3 a 5 quilates já são bastante mais escassas, e as pedras limpas e saturadas acima de 10 quilates são uma raridade de colecionador. Um peridoto grande e de boa qualidade custa desproporcionadamente mais do que um pequeno, precisamente por essa escassez de material em bruto grande.
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Meteoritos: olivina do espaço
Nos meteoritos ferro-pétreos pallasitos, os cristais de olivina ficam incrustados numa matriz de ferro e níquel, como vidros de vitral verdes numa moldura de metal. Cortados e polidos, o efeito é espetacular, e os pallasitos consideram-se dos meteoritos mais belos que existem.
Usar essa olivina em joalharia é quase impossível: fica presa no metal e costuma estar turva, fissurada pelo impacto contra a Terra. Às vezes lapidam-se pedras pequenas a partir de pallasitos, mas é um mercado estreito de colecionismo. Se na internet lhe oferecerem barato um «anel com peridoto de meteorito», quase de certeza é uma burla.
A olivina também se encontrou para além da Terra: as observações espectrais detetam-na na superfície de Marte e em muitos asteroides. Isso confirma mais uma vez que a olivina é um dos minerais mais abundantes do sistema solar.
O peridoto nas tradições e no folclore
Sejamos honestos desde o início: tudo o que se segue pertence às crenças de diferentes culturas, não à medicina nem à física. Os cristais não curam nem substituem o médico. Mas as tradições em torno da pedra fazem parte da sua história, e vale a pena conhecê-las.
Na litoterapia o peridoto associa-se à energia do sol e da luz dourada. Pela sua cor atribuem-lhe dois chacras ao mesmo tempo: o amarelo do plexo solar (a vontade e o poder pessoal) e o verde do coração. Daí a ideia de que a pedra supostamente ajuda a unir a vontade com o sentimento.
Historicamente ao peridoto chamou-se pedra da abundância e da prosperidade, justificando-o pela sua mistura de ouro e verde: o ouro como símbolo de riqueza, o verde como símbolo de crescimento. No feng shui coloca-se no setor sudeste da divisão, o que rege a prosperidade. Ao mesmo grupo «solar» pertence o heliodoro, o berilo dourado, que também se liga ao calor e à energia criativa.
Na tradição o peridoto tem-se por pedra dos novos começos: aconselha-se oferecê-lo no início de um projeto, numa mudança de casa, num emprego novo ou depois de uma etapa difícil. Ao mesmo tema do crescimento associa-se a hiddenite, o espoduménio verde, pelo que estas pedras se escolhem muitas vezes para ocasiões parecidas. Aqui pesa mais a psicologia do que a magia: uma joia bonita levanta o ânimo e a confiança por si só, e esse sim é um efeito real.
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Como escolher um bom peridoto
Cor
A cor é o critério principal. Quanto mais limpo e saturado for o verde-amarelado, sem acastanhado nem cinzento, maior é a categoria e o preço. Um tom claro custa menos e parece mais delicado. Um matiz acastanhado (muito ferro) ou um ponto acinzentado baixam o valor. Por origem, a regra é simples: o peridoto birmanês costuma ser mais vivo, o egípcio e o chinês mais claros.
Tamanho e transparência
Na maioria das joias há pedras de 0,5 a 2 quilates, um segmento moderado de orçamento. As pedras de 3 a 5 quilates já são uma raridade, e as grandes e saturadas custam bastante mais pela falta de material em bruto. A transparência perfeita é pouco frequente, e as inclusões pequenas (bolhas de gás, cristalitos de outros minerais) são o normal. O que o deve pôr de sobreaviso é a turvação, as fissuras visíveis e uma bruma apreciável: reduzem tanto a beleza como o preço. Olhe a pedra contra a luz junto a uma janela ou com luz neutra.
Lapidação
O peridoto lapida-se nas formas habituais: redonda (lapidação brilhante para o máximo de fogo), oval e almofada (cómodas para anéis, sustentam bem a cor), pera (para pendentes), lapidação esmeralda (um retângulo com os cantos cortados, que exige uma pedra limpa) e cabochão para pedras com inclusões. Uma boa lapidação realça a cor e o brilho; com más proporções e ângulos, até uma pedra bonita parece apagada. O lapidário tem ainda em conta a direção da clivagem para reduzir o risco de estilhaçamento.
Tratamento e certificado
O peridoto não costuma ser tratado: a sua cor é natural, e o aquecimento e a irradiação quase não se aplicam. Esse é um ponto a favor da honestidade da pedra. Para pedras caras e grandes (a partir de uns 3 quilates) faz sentido um certificado de um laboratório gemológico de prestígio: confirma a autenticidade, o peso, a cor, a pureza e a ausência de tratamentos.
Joias com peridoto
A lógica para escolher uma joia resume-se à clivagem e à dureza média da pedra. Quantas mais pancadas a peça receber, mais fiável deve ser o engaste.
Anéis. A opção mais vistosa, mas também a mais arriscada para o peridoto. Uma pedra solitária no centro, uma orla de pedras pequenas, o clássico «três pedras» ou um estilo vintage art déco: tudo funciona se o engaste proteger a pedra. Escolha um engaste fechado tipo bisel ou uma caixa com proteção nos bordos, e evite as garras altas e abertas numa mão ativa.
Brincos. O formato ideal: a pedra quase não recebe pancadas, usa-se no dia a dia sem problema e mostra a sua cor com beleza junto ao rosto. Os de pressão, os brincos compridos com corrente, as versões com esmalte, tudo encaixa.
Pendente. Também uma escolha segura. A pedra num engaste protegido sobre uma corrente de prata ou ouro, num cordão de cabedal com um estilo descontraído ou junto a outras pedras claras. Ao verde-amarelado tanto lhe fica o ouro amarelo como a prata.
Pulseira e broche. Uma pulseira é bonita, mas recebe muitas pancadas, por isso importam um fecho firme e um engaste seguro. Um broche é uma escolha rara, quase de antiquário, e quase não sofre tensões.
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Cuidados com o peridoto
O peridoto é sensível aos ácidos, aos alcalinos e às mudanças bruscas de temperatura. Limpá-lo é simples: água morna (não quente) com uma gota de sabão suave, uma escova ou um pano macio, enxaguar e secar com um pano de algodão.
O que não deve fazer: limpeza por ultrassons e por vapor, ferver, lixívia, ácidos e alcalinos. Uma mudança brusca de temperatura é perigosa por causa da clivagem, a pedra pode partir-se ao longo de um plano.
Guarde o peridoto separado das pedras mais duras (diamante, safira, topázio), ou riscá-lo-ão: uma bolsinha macia ou um compartimento separado do porta-joias. Tire a joia para fazer desporto, trabalhar com as mãos ou limpar com produtos químicos. De poucos em poucos anos vale a pena mostrar a peça a um joalheiro: verificar o fecho e renovar o banho do engaste.
O peridoto face a outras pedras
Peridoto e esmeralda
As duas são verdes, mas são minerais distintos e de caráter distinto.
| Peridoto | Esmeralda | |
|---|---|---|
| Cor | Verde-amarelado, quente | Verde frio, às vezes com azul |
| Mineral | Olivina (silicato de magnésio) | Berilo |
| Dureza | 6,5-7 | 7,5-8 |
| Clivagem | Tem-na, pode partir-se com uma pancada | Tem-na, a pedra é frágil |
| Preço | Mais acessível | Bastante mais cara |
| Raridade | Rara em tamanhos grandes | Muito rara em alta qualidade |
A escolha é uma questão de gosto e de orçamento: o peridoto é mais quente e acessível, a esmeralda mais fria e prestigiada. Se quiser comparar os dois verdes, há um guia à parte sobre a esmeralda e as suas propriedades.
Peridoto e crisólito
São um e o mesmo mineral. «Crisólito» (do grego «pedra dourada») é um nome antigo do peridoto, que aparece em antiquários, catálogos antigos e literatura. Não há diferença na composição, só na época em que se usava a palavra.
Peridoto e citrino
O citrino é a variedade amarela do quartzo. É comum, mais barato e mais resistente às pancadas (dureza 7, praticamente sem clivagem). O peridoto é mais raro, mais caro e mais verde de tom. Os dois são quentes e solares, e a escolha fica ao gosto pessoal.
Mito face à realidade
Mito: o peridoto brilha à noite. Na realidade é o jogo da luz sobre as facetas com uma iluminação quente mais uma luminescência fraca em parte das pedras. No escuro o peridoto não brilha.
Mito: o peridoto cura doenças. Não tem qualquer efeito médico. Uma joia bonita pode melhorar o ânimo e a confiança, mas não substitui o médico.
Mito: mais barato significa pior. O peridoto é mais acessível do que o diamante e a esmeralda não pela qualidade, mas pelo mercado e pela procura. Uma boa pedra birmanesa é uma gema de pleno direito.
Mito: todos os peridotos são da mesma cor. Vão do verde-amarelado pálido a um verde-erva denso, às vezes com acastanhado. O tom depende da quantidade de ferro e da jazida.
Mito: o peridoto não se pode usar em anel. Pode sim, mas num engaste protegido e com o hábito de cuidar da pedra das pancadas.
O peridoto em números e dados
| Característica | Valor |
|---|---|
| Fórmula química | Mg₂SiO₄ (silicato de magnésio) |
| Grupo | Olivina (série forsterite-faialite) |
| Dureza | 6,5-7 em Mohs |
| Densidade | 3,3-3,4 g/cm³ |
| Índice de refração | 1,65-1,69 |
| Sistema cristalino | Rômbico |
| Cor | Verde-amarelado |
| Origem principal | Vulcânica, com menos frequência meteoritos |
| Jazida principal hoje | Mianmar (Birmânia) |
| Jazida histórica | Ilha de Zabargad (mar Vermelho, Egito) |
| Tamanho médio em joalharia | 0,5-2 quilates |
| Sinónimos | Olivina, crisólito (histórico) |
| Pedra do mês | Agosto |
| Signos associados | Leão, Balança (a título orientativo) |
Perguntas frequentes
Peridoto e olivina são o mesmo? Sim. A olivina é o mineral, o peridoto é a sua variedade gema: grande, transparente, de bonita cor. A mesma composição, nomes distintos para contextos distintos.
O peridoto é uma pedra cara? Pertence ao segmento acessível das gemas de cor: mais barato do que a esmeralda, o rubi e a safira, mas mais caro do que o quartzo, a ametista e o citrino. O preço sobe com força com o tamanho e a saturação da cor. As pedras de 0,5 a 2 quilates entram num orçamento moderado para a maioria das joias, ao passo que uma pedra birmanesa grande e saturada já é outra história.
Pode usar-se peridoto no dia a dia? Os brincos e o pendente são ideais para o uso diário: a pedra quase não recebe pancadas. O anel precisa de um engaste protegido (fechado tipo bisel) e do hábito de o tirar para o trabalho físico. Pela sua dureza de 6,5 a 7 e pela sua clivagem, o peridoto em engaste aberto numa mão ativa corre o risco de estilhaçar.
Que metal fica melhor ao peridoto? O metal quente. O ouro amarelo reforça a componente dourada da pedra, a prata de lei 925 dá um contraste limpo e fresco e sublinha o verde. O ouro branco é neutro e vai bem para um estilo minimalista.
Como limpo o peridoto em casa? Água morna com uma gota de sabão suave, uma escova macia, enxaguar e secar com um pano de algodão. Sem ultrassons, vapor, água a ferver, lixívia nem ácidos: uma mudança brusca de temperatura pode partir a pedra pela sua clivagem.
Existe o peridoto sintético? A síntese industrial não é rentável, por isso não há peridoto sintético de grande consumo. O que aparece é a imitação com vidro e com pedras verdes baratas. Para o distinguir ajudam a densidade (o natural pesa mais do que o vidro do mesmo volume), o brilho quente, a birrefringência marcada e uma verificação de um gemólogo. Um preço muito baixo por um «peridoto» grande é motivo para desconfiar.
O peridoto desbota ao sol? Não. A cor é dada pelo ferro da própria rede, e a pedra é resistente à luz. Ao sol não desbota.
O peridoto assenta bem a um homem? Sim. O tom verde-amarelado é neutro e fica bem num anel de sinete, num pendente sobre um cordão grosso, em botões de punho ou num engaste escuro de prata oxidada. A pedra não se considera «feminina»: historicamente usavam-na sacerdotes e governantes.
O que oferecer junto com o peridoto pelo seu significado? Por tradição é pedra da abundância e dos novos começos, por isso oferece-se ao começar um projeto, numa mudança de casa, num emprego novo ou depois de uma etapa difícil. Pode juntar uma nota breve sobre o significado da pedra ou uma gravação personalizada no engaste.
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Conclusão
O peridoto é uma rara coincidência de geologia e beleza. Um mineral corrente nas entranhas da Terra transforma-se em gema apenas quando cresce grande, limpo e tingido de forma uniforme pelo ferro num verde-amarelado quente. Por trás dele corre uma história longa e documentada: uma ilha do mar Vermelho, os enterramentos egípcios, os altares medievais, os salões da Europa do século XIX.
É mais acessível do que a esmeralda, o rubi e a safira, mas mais bonito e interessante do que um quartzo corrente. Não precisa de tratamento, e a sua cor é honesta, natural. E em formato grande e limpo é de facto raro. Use-o com fé na energia solar ou sem ela: uma joia bonita dura muito, alegra a vista e levanta o ânimo, e esse sim é um efeito real.
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