
Zircão azul: a pedra que confundem com um vidro barato, apesar de ser mais antiga do que os dinossauros
Zircão e zircónia soam quase igual, por isso metade dos compradores dá como certo que o zircão azul é um pedaço de vidro colorido. Não é nada disso. É um mineral natural e, além do mais, um dos mais antigos que se podem ver numa montra: há cristais de zircão que existem há mais de quatro mil milhões de anos, e os geólogos usam-nos para datar a própria crosta terrestre. A cor azul pela qual toda a gente o compra é de facto rara na natureza e costuma aparecer apenas depois de um tratamento.
Vamos por partes: de que é feito o zircão, como se forma, onde se extrai, em que se distingue de outras pedras azuis parecidas e das falsificações, e como cuidar dele. E, à parte, o que há de verdadeiro nos relatos populares sobre ele e o que é invenção.
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O que é o zircão: química e física da pedra
O zircão é um silicato de zircónio, fórmula ZrSiO₄. Não o confundas com a zircónia (óxido de zircónio cúbico, ZrO₂): os nomes rimam, as substâncias não. O zircão é um mineral natural; a zircónia é um material sintético feito em laboratório.
O zircão cristaliza no sistema tetragonal. Os cristais costumam crescer como prismas curtos rematados em pirâmides. A estrutura é resistente e estável, o que importa por dois traços seus: a pedra conserva a cor muito tempo depois do tratamento e guarda no seu interior átomos de urânio e de chumbo durante milhares de milhões de anos (mais sobre isto no apartado de geologia).
As principais propriedades físicas:
- Dureza de Mohs: de 7 a 7,5. Menos do que a safira (9) ou o diamante (10), mas ao nível do quartzo e mais do que suficiente para uma joia de uso diário levada com um pouco de bom senso.
- Densidade: de 4,6 a 4,7 g/cm³. Alta para uma gema transparente. Por isso o zircão pesa bastante mais do que uma água-marinha ou um topázio do mesmo tamanho; a pedra sente-se literalmente mais densa na mão.
- Índice de refração: em torno de 1,92 a 1,98. Um dos mais altos entre as pedras de cor, daí esse brilho intenso, quase de diamante.
- Dispersão: cerca de 0,039. A dispersão é a capacidade de decompor a luz branca em lampejos de cor, o famoso "fogo". A do zircão é alta, próxima da do diamante, por isso a pedra faz saltar faíscas de cores assim que se move.
- Birrefringência: marcada (até 0,059). Se olhares para um zircão lapidado sob ampliação, as arestas das facetas do fundo veem-se dobradas. É um sinal natural e seguro para distinguir o zircão do vidro e da zircónia.
A combinação de alta refração, forte dispersão e peso real é o que torna o zircão tão reconhecível: brinca com a luz com mais força do que muitas pedras mais caras e, ao mesmo tempo, assenta firme na mão.
Zircão alto e zircão baixo
Os gemólogos dividem o zircão em "alto" e "baixo". No alto, a rede cristalina conservou-se intacta: essa pedra é o mais duro, transparente e brilhante que o zircão pode chegar a ser. No baixo (o tipo metamíctico), a estrutura partiu-se em parte pela própria desintegração radioativa do urânio ao longo de milhões de anos, e fica mais turva e mais mole. O zircão azul de joalharia pertence ao tipo alto, e é por isso que é tão resistente e tão brilhante.
De onde vem o azul ao zircão
A cor do zircão provém de impurezas, sobretudo do ferro aprisionado no cristal durante o seu crescimento. Em estado natural, o zircão azul é raro e tende a ser pálido, acinzentado ou com um fundo acastanhado. Tudo depende do estado de valência em que se encontra o ferro dentro da rede.
O azul intenso e saturado obtém-se por irradiação, por vezes combinada com um aquecimento suave. O tratamento muda o estado do ferro e a pedra começa a deixar passar a parte azul do espectro enquanto absorve o resto. Não se acrescenta nada alheio à pedra; apenas se reordena o que já lá está dentro.
A irradiação que se emprega em joalharia não torna a pedra radioativa: na peça acabada não fica atividade residual. No fundo, é a mesma ideia que aquecer safiras ou irradiar o topázio azul, um tratamento padrão e amplamente aceite para as pedras de cor. A cor é estável e dura décadas. Só uma exposição muito prolongada ao sol direto ao longo de muitos anos pode aclarar um pouco as pedras mais saturadas, e mesmo assim quase não se nota.
O zircão azul vai sobre o pescoço nu e a luz fria. Escondê-lo sob uma gola alta? Nem lhe passe pela cabeça.
Com que levar o zircão azul
Depois de anos entre rodagens e montra, o zircão azul passou por dezenas de looks nas minhas mãos. Aqui reúno o que de facto funciona, ordenado por ocasião e por matiz.
Com que levo o zircão no dia a dia? Para o dia a dia, recomendo uma pedra azul-céu em metal branco: brincos de botão ou um anel fino num engaste protetor. Um top liso e frio (camisa branca, malha cinzenta, vestido azul-marinho) realça a pedra em vez de competir com ela. Sob um decote profundo, sugiro um pendente à altura da garganta, para que o azul caia sobre a pele nua.
Serve para o escritório? Com certeza. Escolho formas sóbrias em prata ou ouro branco: mantêm o tom profissional sem resultarem demasiado de gala. Uma pedra pequena lê-se como um detalhe discreto, e a grande guardo-a para a noite.
Como monto um look de noite? Para a noite, sugiro um azul profundo e saturado, próximo do índigo, e uma lapidação expressiva: redonda, oval ou coxim, que se acende ao mover-se. Um pendente de gota sobre o pescoço despido, sob uma luz quente e suave, luz a pedra ao máximo.
O que visto para uma ocasião especial? Para uma ocasião especial, reúno o zircão num pequeno conjunto: pendente e brincos do mesmo tom, para que o look se leia como um todo. Um tom uniforme de cima a baixo resulta mais rico do que um punhado disperso de pedras.
A quem favorece o zircão azul? As peles claras e frias levo-as para os azuis de céu vivos, e as quentes e morenas para os azuis esverdeados profundos. Duas regras que não falham. Primeira: escolhe a pedra por milímetros, não por quilates, o zircão é denso e pesa na etiqueta mais do que aparenta. Segunda: um zircão chamativo numa corrente limpa ganha sempre a um monte de joias. Se queres volume, dá à pedra a sua própria linha.

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Geologia: como e onde nasce o zircão
O zircão forma-se lá no fundo da crosta terrestre quando o magma cristaliza. O zircónio e o silício combinam-se a altas temperaturas dentro de granitos e pegmatitos e formam cristais muito duros. O mineral resiste à meteorização e à decomposição química, por isso sobrevive à rocha-mãe que lhe deu origem.
Quando as montanhas antigas se erodem ao longo de milhões de anos, os pesados cristais de zircão desprendem-se e acumulam-se nos depósitos dos rios, formando placeres. Quase todo o zircão de joalharia se extrai desses placeres, muitas vezes junto a rubis e safiras: as três pedras partilham com frequência os mesmos leitos de cascalho. A densidade alta ajuda quem o extrai, porque o zircão assenta no fundo da bateia antes da areia mais leve.
Os principais jazigos
- Sri Lanka (Ceilão). Uma das fontes mais antigas. Em torno de Ratnapura (o nome significa "cidade das gemas"), o zircão sai de leitos de cascalho junto a safiras e rubis. As pedras do Ceilão apreciam-se pela sua limpidez e pela profundidade da sua cor.
- Tailândia e Camboja. A principal fonte moderna de zircão azul. O material em bruto das províncias orientais da Tailândia e da região cambojana de Ratanakiri responde especialmente bem à irradiação e dá um azul saturado. O sudeste asiático continua a ser, além disso, o centro de lapidação do zircão, com séculos de experiência.
- Mianmar, Vietname. Fontes asiáticas adicionais, em geral como pedra secundária ao extrair outras gemas.
- Austrália. Dá sobretudo zircão castanho e vermelho, com pouco azul. Mas foi justamente na região australiana de Jack Hills que se encontraram os grãos minerais mais antigos da Terra.
- Tanzânia, Moçambique, Nigéria. Jazigos africanos explorados em menor escala; o zircão azul de lá é pouco frequente.
O relógio natural do planeta
Os zircões estão entre os "relógios" naturais mais fiáveis. Usam-se para a datação urânio-chumbo: o urânio aprisionado no cristal durante o seu crescimento desintegra-se devagar em chumbo a um ritmo conhecido, e a proporção entre ambos revela a idade da rocha. O zircão mais antigo encontrado (na Austrália), de cerca de 4400 milhões de anos, conserva dados da crosta primitiva. Assim, o zircão azul de um anel é um representante de um dos minerais mais antigos do planeta.
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História do zircão na joalharia
Um aviso sincero à partida: em torno do zircão há muitas lendas bonitas mas pouco fiáveis, com nomes e datas concretos. Abaixo só está o que se sustenta sem invenções.
O nome remonta ao persa "zargún", "dourado". A gema era conhecida pelos povos do Mediterrâneo e do Oriente desde a antiguidade, embora muitas vezes não se distinguisse de outras pedras transparentes de tom dourado avermelhado. O Ceilão enviava essas pedras para ocidente pelas rotas comerciais muito antes de a mineralogia existir como ciência.
Na Idade Média, o zircão chegou aos lapidários, os compêndios de saber sobre as pedras que redigiam eruditos e monges. Neles descrevia-se muitas vezes como auxílio do viajante e amuleto contra os maus sonhos e a melancolia. As variedades vermelhas e alaranjadas do zircão chamavam-se então jacinto, e sob esse nome a pedra figurava nas joias da nobreza.
Durante muito tempo, na Europa, o zircão confundia-se com outras pedras: os joalheiros nem sempre o distinguiam das suas parecidas. A gemologia, como ciência, só pôs ordem no século XIX, ao precisar as suas propriedades e os seus jazigos.
A grande viragem técnica chegou no século XX: dominou-se a irradiação, que produz o azul saturado. Antes, o zircão azul era raro e costumava ser pálido. O novo tratamento converteu uma raridade numa pedra acessível, e o centro de lapidação transferiu-se para o sudeste asiático.
Depois veio a infeliz confusão com a zircónia (óxido de zircónio cúbico), o sintético barato que se começou a fabricar em massa na segunda metade do século XX. Pela semelhança dos nomes, os compradores ocidentais passaram a ter o zircão por "o falso", e a reputação da pedra caiu sem o merecer. Hoje o interesse pelo zircão natural regressa, à medida que a diferença entre ele e a zircónia se entende melhor.
Tipos e matizes do zircão azul
O zircão azul apresenta uma gama de tons, e o matiz influencia tanto a forma como é percebido como o seu valor.
- Azul profundo e saturado, próximo do índigo. O mais valioso e o mais raro, resulta senhorial e luz em peças de gala e de herança.
- Azul-céu. Claro e leve, o mais comum, fácil de levar no dia a dia.
- Azul-centáurea. Vivo e alegre, uma das escolhas mais favorecedoras para brincos e pendentes.
- Azul esverdeado, cor da água do mar. Sereno e fresco, encontra-se, entre outros lugares, no Sri Lanka.
- Azul aço, frio. Um tom sóbrio, por vezes presente num estado mais natural, ideal para peças sérias e masculinas.
- Azul-lavanda. Um matiz raro e delicado para quem procura o pouco habitual.
Para lá da cor, importam a limpidez e a transparência. Os melhores zircões são totalmente transparentes e resplandecem com luz de dentro; os semitransparentes e os de inclusões visíveis valorizam-se menos. A cor costuma repartir-se de forma desigual pelo cristal, por isso um bom lapidário orienta a pedra para que a zona mais saturada fique em cima.
Em que se distingue o zircão azul de pedras parecidas
| Pedra | Em que se distingue do zircão |
|---|---|
| Safira | Mais dura (9 face a 7 a 7,5) e mais durável, mas com um brilho mais tranquilo. O zircão cintila mais e custa bastante menos. |
| Água-marinha | Mais fria e serena no brilho, mais leve de peso. O zircão brinca com a luz com mais força e sente-se mais denso na mão. |
| Topázio azul | Muitas vezes mais acessível, mas com um brilho mais suave. O zircão dá um fogo mais marcado e pesa mais. |
| Tanzanite | Um belíssimo azul violáceo, mas mais mole e delicado de cuidar. O zircão aguenta melhor o uso diário. |
| Espinela azul | Mais dura e mais rara, apreciada pelos colecionadores. O zircão costuma ser mais acessível e cintila mais. |
| Zircónia (a falsa) | Sintética, torna-se turva com os anos, sem birrefringência e com dispersão fraca. O zircão é natural, mais pesado e mais vivo. |
Para saberes mais sobre o rival azul do zircão, lê o nosso artigo sobre a espinela azul. Toda a paleta do próprio zircão é tratada em Zircão: todas as cores de uma pedra mágica, e para outra pedra de azul profundo com uma história rica, vê o nosso texto sobre o lápis-lazúli.
Como distinguir o zircão da zircónia e do vidro
Uns poucos sinais simples que não exigem laboratório:
- Birrefringência. Olha através da faceta da mesa de um zircão com uma lupa e as arestas das facetas do fundo veem-se dobradas. A zircónia e o vidro não mostram nada de parecido.
- Dispersão. O zircão mostra lampejos de arco-íris ao longo das arestas. A zircónia tem um brilho mais vítreo e "chato".
- Peso. O zircão pesa bastante mais do que a zircónia ou o vidro do mesmo tamanho.
- Desgaste. A zircónia torna-se turva e apaga-se em poucos anos; o zircão natural conserva o brilho durante décadas.
- Documentação. Uma boa pedra vem com um relatório de gemólogo que nomeia o mineral.
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A lapidação e como dá vida à pedra
Pela sua alta refração e a sua forte dispersão, a lapidação importa no zircão mais do que na maioria. As formas com muitas facetas, a redonda brilhante, a oval, o coxim, tiram o máximo brilho e fogo e fazem a pedra acender-se ao mover-se. Os cantos arredondados do coxim tornam-na, além disso, menos propensa a lascar, pelo que é uma escolha frequente para a pedra central de um anel.
As lapidações escalonadas, como a esmeralda, dão menos faíscas, mas exibem a limpidez e uma cor uniforme; escolhem-nas quem valoriza mais o tom do que o jogo de luz. A pera e a marquise são lindíssimas em brincos e pendentes, mas as suas pontas afiadas precisam de proteção no engaste.
Um ponto à parte é a forte birrefringência: um bom lapidário coloca a pedra de modo a não esbater o desenho das facetas. Por isso, ao escolher, convém reparar justamente em como a pedra se comporta à luz.
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Quilates e milímetros: por que o zircão engana na balança
O zircão é denso (4,6 a 4,7 g/cm³), e isso muda a aritmética da compra. A maioria das gemas transparentes tem uma densidade de cerca de 2,7 a 3,6; a do zircão quase duplica a da água. Na prática, isto significa que uma pedra do mesmo diâmetro pesa bastante mais em quilates do que uma água-marinha ou um topázio habituais. Uma redonda de 6,5 mm em água-marinha ronda o quilate, enquanto a mesma redonda em zircão azul pesa cerca de 1,5 quilates.
A lição é simples: escolhe o zircão pelos milímetros, não pelos quilates. Se te guiares só pelo peso, é fácil pagar a mais por uma pedra que, no engaste, resulta mais pequena do que o esperado. Pergunta ao vendedor não "quantos quilates" mas "quantos milímetros de mesa", e assim perceberás de verdade como a pedra ficará num anel ou num brinco. Para um ajuste padrão num engaste de série, o mais cómodo são as redondas de 5 a 7 mm: encaixam nos garfos já feitos e não obrigam a refazer nada.
Em que reparar ao examinar a pedra
A fragilidade do zircão denuncia-se nas arestas das facetas. Pela sua baixa tenacidade, as arestas de uma pedra desgastada ou mal lapidada gastam-se e veem-se algo "desfiadas", como o bordo do papel. Roda a pedra sob um candeeiro: num bom exemplar, as arestas são nítidas e limpas, e os reflexos caem em linhas retas e regulares. Arestas desfocadas e arredondadas, sobretudo na mesa e à volta do bordo da coroa, indicam ou desgaste ou uma má polidura.
O segundo ponto é a própria lapidação em relação à birrefringência. Pega numa lupa e olha pela mesa em direção às facetas do fundo: um ligeiro desdobramento das arestas é normal e confirma que é natural, mas uma falta de nitidez geral do desenho significa que o lapidário orientou mal a pedra e o brilho sairá esborratado. Confirma também a repartição da cor: inclina a pedra, e o azul deve manter-se regular em vez de se ir a uma zona pálida de um lado.
O terceiro ponto é a coincidência de tom num par. Para brincos e peças a condizer, compara as pedras lado a lado à luz do dia: os zircões de um mesmo lote diferem também algo no tom, e reunir um par igual é mais difícil do que parece.
O que procurar no relatório do gemólogo
O zircão azul está quase sempre tratado, e um relatório honesto não é motivo de alarme, mas o normal. Procura nele três coisas. Primeira: o nome do mineral, que deve indicar Zircon (natural), não Cubic Zirconia nem Zirconia. Segunda: uma nota sobre o tratamento, que no azul costuma ser uma fórmula sobre irradiação e aquecimento (irradiation, heating). A sua ausência numa pedra azul deve deixar-te de sobreaviso: um azul natural saturado é uma verdadeira raridade. Terceira: a confirmação de que a pedra é natural e não sintética; o zircão de joalharia sintético quase não se vê no mercado, mas a verificação não sobra. O relatório de um grande laboratório gemológico descreve o mineral e o tratamento, mas não põe um valor em dinheiro à pedra; o preço fixa-o o mercado.
Cuidado e conservação
A principal fraqueza do zircão é mecânica, não química. Uma dureza de 7 a 7,5 basta para uma joia, mas o zircão é mais frágil do que a safira ou o rubi e teme os golpes e as mudanças bruscas de temperatura.
Uso. Põe a joia por último, depois da maquilhagem, do perfume e dos cremes. Tira-a primeiro, antes da limpeza, do desporto, da cozinha e do sono. Para um anel de uso diário, escolhe um engaste protetor (fechado ou com pedras laterais) que resguarde as facetas. Os brincos e o pendente sofrem menos golpes, por isso para eles a proteção importa menos.
Limpeza. Uma vez por mês, enxagua a joia com água morna e uma gota de sabão, retira a sujidade de baixo da pedra com uma escova macia e seca-a com um pano sem pelos. Não uses limpeza por ultrassons nem por vapor; a vibração e o vapor podem causar microfissuras. Se levares a joia ao joalheiro, avisa que é zircão e que só serve uma limpeza suave à mão.
Conservação. Guarda o zircão à parte de pedras mais duras (safira, rubi, topázio, diamante), que o riscam com facilidade. Serve um guarda-joias com compartimentos macios ou saquinhos de tecido separados. Escolhe um sítio seco e sem sol direto. Uma vez por ano, mostra a joia ao joalheiro para rever o engaste, sobretudo se a levares no dia a dia.
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Simbolismo: o que diz a tradição
Com o simbolismo do zircão convém ter cuidado: é parte da história cultural da pedra, não uma propriedade que se possa medir. O zircão não tem efeito comprovado sobre a saúde, o sono, a ansiedade ou a tomada de decisões, e qualquer promessa de "cura" ou "limpeza energética" é marketing, não um facto.
Quanto à tradição: o azul associa-se desde a antiguidade ao céu, à água e à clareza, por isso ao zircão se atribuía clareza de pensamento e de palavra. Pelos lapidários medievais arrasta uma fama de pedra de viajantes, amuleto contra perder o rumo no caminho. Nesse sentido, o zircão pode ser uma prenda com significado: para quem estuda, começa algo novo, muda de casa ou se põe a caminho. Mas a pedra convém valorizá-la, antes de mais, pela sua beleza, pelo seu jogo de luz e pela sua durabilidade, e tomar o simbolismo como um agradável pano de fundo cultural.
Perguntas frequentes sobre o zircão azul
Zircão e zircónia são o mesmo? Não, são substâncias distintas. O zircão (ZrSiO₄) é um mineral natural de zircónio e silício. A zircónia, ou óxido de zircónio cúbico (ZrO₂), é um material sintético de laboratório. O zircão custa mais, dura muito mais e tem a birrefringência de que a zircónia carece.
Por que se irradia o zircão azul? Na natureza, o zircão azul é mais frequentemente pálido, acinzentado ou com um fundo acastanhado. A irradiação muda o estado de valência do ferro dentro do cristal e faz sair o azul saturado. É um tratamento padrão e seguro para as pedras de cor, como aquecer as safiras.
O zircão irradiado é radioativo? Não. O tratamento que se usa em joalharia não deixa radioatividade residual. A pedra acabada é totalmente segura para se levar no dia a dia.
Que dureza tem o zircão e pode levar-se no dia a dia? A dureza é de 7 a 7,5 na escala de Mohs. Pode levar-se no dia a dia, sobretudo em brincos, pendente ou um anel protegido. Tira-o durante a limpeza, o desporto, a cozinha e o sono, e escolhe um engaste que resguarde as facetas.
Serve o zircão para um anel de noivado? Sim, com uma ressalva. É mais mole do que a safira e o diamante, por isso precisa de um engaste protetor, por exemplo um coxim ou um oval rodeado de pedras pequenas.
Quanto dura o zircão? Com um trato cuidadoso dura toda a vida e transmite-se de geração em geração. As principais ameaças são os golpes e os riscos de pedras mais duras, não o tempo. A cor esbate-se tão devagar que só a notarias ao comparar com uma foto antiga décadas depois.
Em que se distingue à vista o zircão azul da água-marinha? O zircão tem maior dispersão, por isso cintila com muitos lampejos de cor, quase como um diamante, enquanto a água-marinha luz mais tranquila. O zircão pesa, além disso, bastante mais do que uma água-marinha do mesmo tamanho.
O zircão muda de tom com luzes diferentes? Sim, pode ver-se um pouco mais verde ou acinzentado com luz artificial e mais vivo ao sol. É normal na pedra e não sinal de falsificação.
Pode levar-se o zircão na água? É melhor tirá-lo antes do mar e da piscina com cloro: o cloro danifica o metal do engaste e o sal deixa uma película. O contacto normal com a água não danifica a pedra.
Fica bem o zircão nos homens? Sim. Em formas sóbrias, um anel de sinete, botões de punho, um anel sério, um pendente em corrente, o zircão azul em metal branco resulta senhorial e encaixa bem num estilo de negócios.
O que fazer se um zircão se apagou? O mais habitual é uma película de cosméticos e gordura da pele. Enxagua-a com uma escova macia e água com sabão e seca-a. Se o brilho não voltar, leva-o ao joalheiro para uma limpeza cuidadosa à mão.
Há zircão de outras cores além do azul? Sim: vermelho e laranja (historicamente jacinto), amarelo, castanho, incolor, esverdeado. O azul é um dos mais procurados, e em estado natural é raro.
O que é o fogo do zircão? É a dispersão, a capacidade de decompor a luz em lampejos de cor. A do zircão está entre as mais fortes de qualquer pedra de cor, por isso acendem-se faíscas de arco-íris ao mover-se. O fogo luz melhor em lapidações com muitas facetas.
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Os nossos lapidários trabalham o zircão tendo em conta a sua natureza: a alta refração, a forte dispersão e a marcada birrefringência. A pedra orienta-se para que a cor seja mais intensa em cima e o jogo de luz se revele por completo. Cada zircão vem com informação sobre a sua origem natural, para que saibas com certeza que o que tens na mão é uma pedra natural e não uma imitação.
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