
O âmbar na joalharia: guia completo da resina fóssil e da sua energia
O âmbar não é uma pedra nem um mineral, mas sim a resina endurecida de árvores coníferas que viveram há cerca de 40 ou 50 milhões de anos. É mais macio do que a unha no extremo da escala, flutua em água salgada e, quando esfregado contra a lã, começa a atrair pedacinhos de papel. Da palavra grega para o âmbar, "elektron", provém o termo "electricidade". Ao longo destas páginas veremos de onde vem o âmbar, em que cores aparece, como distinguir o autêntico do plástico e o que há de verdade nas velhas lendas e o que não passa de bela invenção.
História do âmbar: dos reinos antigos aos tesouros reais
O âmbar acompanha as pessoas há milhares de anos. Encontrava-se nas costas do Báltico e do Adriático, e desde logo chamou a atenção algo singular: brilha como o ouro mas pesa menos do que a pedra, aquece na mão e acumula carga ao roçar no tecido.
Grécia e Roma: o âmbar como luxo
Os gregos chamavam ao âmbar "elektron". A palavra designava o próprio âmbar, e não o sol, como às vezes se escreve. Daí derivou depois o termo "electricidade". O filósofo grego Tales de Mileto (por volta de 624 a 546 a. C.) observou que o âmbar esfregado atraía penugem e fibras leves. É uma das primeiras observações documentadas da electricidade estática.
Em Roma o âmbar era um objeto de luxo na moda. Plínio, o Velho, escreveu que uma pequena figura de âmbar custava mais do que um escravo saudável e vivo, e censurava semelhante desperdício. Os gregos conheciam os insetos presos no âmbar e explicavam a sua origem com mitos: dizia-se que eram as lágrimas endurecidas das ninfas que choravam Faetonte.
A Idade Média: comércio e monopólio
Na Idade Média o âmbar báltico circulava pela Rota do Âmbar, uma das rotas comerciais de longa distância mais antigas: desde as costas do Báltico, através da Europa, até à Itália. O âmbar usava-se em rosários e amuletos para os peregrinos, e a Igreja queimava-o como resina aromática.
Desde o século XIII a extração e o comércio do âmbar báltico estiveram rigorosamente controlados pela Ordem Teutónica. Recolher âmbar por conta própria era proibido sob penas severas, e o monopólio mantinha os preços altos. Na costa báltica cresceram cidades que viviam do âmbar: Danzigue (hoje Gdansk), Konigsberg (hoje Kaliningrado) e Memel (hoje Klaipeda).
As coleções reais (séculos XVI a XVIII)
O âmbar tornou-se material predileto das cortes europeias. Reunia-se nos gabinetes de curiosidades e trabalhava-se em cofres, taças e joias. O monumento de âmbar mais célebre é a Câmara de Âmbar. A sua execução começou na Prússia, e o rei prussiano ofereceu-a como presente diplomático em 1716. No revestimento empregaram-se várias toneladas de âmbar, com mestres de Danzigue e de Konigsberg à bancada. Chamavam-lhe a oitava maravilha do mundo. Durante a Segunda Guerra Mundial foi transferida para Konigsberg e, terminada a guerra, o seu rasto perdeu-se. Em 2003 inaugurou-se uma réplica reconstruída perto de São Petersburgo.
Por esses mesmos anos a ciência ocupou-se do âmbar. Gottfried Leibniz, na sua obra Protogaea (escrita no início da década de 1690 e publicada postumamente em 1749), sugeriu que o âmbar era a resina de árvores antigas enterrada na terra. A conjetura revelou-se acertada muito antes de existir a paleontologia como disciplina.
Séculos XIX e XX: extração e uma nova leitura
No século XIX começou a extração industrial no Báltico, e os estudiosos debruçaram-se a sério sobre as inclusões, os insetos e as plantas presos dentro do âmbar. A joalharia de âmbar tornou-se mais barata e chegou à classe média urbana. Em 1993 o filme "Parque Jurássico" reavivou o interesse do público pelo âmbar como cofre da vida antiga, embora o enredo de recriar dinossauros a partir do ADN se tenha ficado por pura ficção.
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Origem do âmbar: resina de bosques antigos
O âmbar é a resina fossilizada de coníferas já extintas. O âmbar báltico formou-se há cerca de 40 ou 50 milhões de anos, no Eoceno. Isso é muito posterior à extinção dos dinossauros (por volta de 66 milhões de anos atrás), pelo que a frase tão repetida do "âmbar do Jurássico" é errada. No âmbar desta idade encontram-se testemunhos da vida do Eoceno: insetos, pólen, por vezes pequenos vertebrados.
Como a resina se transforma em âmbar
No clima quente e húmido do Eoceno, nas margens de um mar antigo onde hoje fica o Báltico, cresciam extensos bosques de coníferas. Quando uma árvore era ferida por uma tempestade, um inseto ou um fungo, segregava resina. A resina escorria pelo tronco, e prendiam-se-lhe moscas, formigas e escaravelhos, enquanto caíam folhas, pólen e esporos. Assim se formavam as inclusões.
Depois os bosques ficaram inundados e sepultados sob camadas de areia e limo. Sob pressão e um calor moderado a resina mudava de química: os componentes voláteis (terpenos) evaporavam-se e as moléculas cruzavam-se em grandes cadeias reticuladas (polimerização). Ao longo de milhões de anos a resina mole transformava-se numa substância dura e estável. Na composição do âmbar há ácido succínico (C4H6O4), particularmente abundante no âmbar báltico.
Como o âmbar chega às pessoas
Os movimentos tectónicos vão elevando aos poucos as camadas que contêm âmbar até à superfície, e a erosão deixa-as a descoberto. O âmbar é mais leve do que a água do mar e flutua, de modo que as ondas o arrastam até à margem. No Báltico, depois dos temporais fortes, a ressaca lança para a praia bastante mais âmbar, e a gente do lugar recolhe-o desde tempos antigos logo a seguir às borrascas.
O âmbar de mel pede ouro e sol, não prata debaixo de um fluorescente. E a mim não me contradigas.
Com que usar o âmbar
Depois de anos a trabalhar com esta pedra, do âmbar tenho uma coisa por certa: é morno e está vivo, e não convém abafá-lo sob um excesso de adornos. Reúno aqui o que de facto funciona, por ocasiões.
Com que uso o âmbar no dia a dia? Para o dia a dia recomendo um pendente pequeno de mel ou conhaque sobre a pele, ou uma fileira de contas por baixo de malha lisa e uma camisa de linho. Mantém-te na gama morna: areia, terracota, chocolate, azeitona. O tecido com textura e o decote em bico deixam espaço ao pendente, e a pedra acende-se. Sobre branco o âmbar fica suave, sobre preto aviva-se e atrai o olhar para o rosto.
Posso usá-lo no escritório? Sem problema, desde que o mantenhas sóbrio. Aconselho uma opção contida: âmbar castanho ou mel em prata, brincos de lágrima discretos, uma corrente fina. Um só acento, nada mais. Guarda a peça vermelha grande para a noite e deixa que um detalhe morno e discreto faça o trabalho por baixo do blazer.
Como monto um visual de noite? Para a noite a lógica inverte-se: escolho um pendente grande ou um anel imponente com âmbar vermelho ou branco leitoso, e ele passa para primeiro plano enquanto o resto se retira. Um tecido liso de cor intensa e um decote aberto valorizam melhor a pedra. Para uma ocasião especial, reúne um conjunto na mesma gama: brincos e pendente do mesmo matiz leem-se como um todo.
Que metal escolho para o âmbar? O âmbar morno (amarelo, laranja, vermelho) engasto-o em ouro ou latão, que reforçam a sua luz. O branco leitoso frio fica melhor em prata e ouro branco. O cobre e o bronze dão um ar étnico e boémio. Guia-te pelo subtom da tua pele: a pele quente pede ouro, a fria pede prata.
Como sobreponho o âmbar em camadas? O âmbar convive com tranquilidade em camadas: uma fileira longa de contas sobre um pendente curto, uma pilha de pulseiras finas com um único acento de âmbar. Nunca misturo mais de duas texturas da pedra num mesmo visual, ou perde-se a profundidade. Com o comprimento é simples: um pendente curto (40 a 45 cm) leva o olhar ao rosto, uma fileira longa (a partir de 60 cm) alonga a silhueta e assenta bem sobre uma camisola.

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Jazidas de âmbar
O âmbar só se formou onde havia bosques antigos de coníferas e condições adequadas ao soterramento. Hoje extrai-se em várias regiões.
Âmbar báltico
O âmbar báltico (das terras que rodeiam o mar Báltico) é o mais conhecido e o mais apreciado. Tem cerca de 40 ou 50 milhões de anos. A sua gama de cor é ampla: amarelo, laranja, avermelhado, branco leitoso e, mais raramente, esverdeado e azulado. As inclusões são ricas: moscas, formigas, mosquitos, escaravelhos e, de vez em quando, pequenas lagartixas. As costas do Báltico concentram a maior parte da produção mundial de âmbar báltico.
Âmbar mexicano
Formou-se há cerca de 20 ou 30 milhões de anos nos estados de Chiapas e Tabasco. Costuma ser avermelhado ou de tom mel escuro. O âmbar vermelho mexicano é escasso e caro, muito apreciado pelos colecionadores.
Âmbar dominicano
Da República Dominicana, com cerca de 15 ou 20 milhões de anos. É famoso pelo seu raro âmbar azul, que sob luz normal parece cor de mel, mas ao sol e sob luz ultravioleta lança reflexos azuis. Desta variedade falamos em detalhe num guia à parte sobre o âmbar dominicano.
Outras fontes
Também se extrai âmbar em Mianmar (o birmanês costuma ser turvo, pardo ou vermelho), na Dinamarca e na Suécia, e noutras zonas do grupo báltico. Quando se diz simplesmente "âmbar", pensa-se normalmente no báltico.
Tipos de âmbar por cor
Se só viste âmbar amarelo, isso é apenas uma parte da paleta. A cor depende das impurezas e do número de microbolhas de ar na resina, e dela depende muito o preço.
Transparente e amarelo claro
O âmbar mais frequente: transparente, amarelo ou laranja claro. Provém de resina limpa, sem abundância de impurezas. Através dele veem-se bem as inclusões, se as houver. É o segmento mais acessível.
Branco leitoso
O âmbar leitoso, ou "nublado", é opaco devido à multidão de bolhas microscópicas de ar que dispersam a luz. Em boa parte do norte e do leste da Europa é muito valorizado.
Castanho e pardo
Os tons do castanho claro ao chocolate escuro são dados pelas impurezas orgânicas e pelos óxidos de ferro. Fica bem tanto com ouro como com prata, e costuma ser a escolha mais prática para a joalharia do dia a dia.
Vermelho
Os tons avermelhados surgem quando a resina e os seus pigmentos se oxidam. O âmbar vermelho é escasso e caro, e por vezes chamam-lhe "precioso". Muitas vezes é âmbar mexicano. Custa várias vezes mais do que o amarelo.
Azul e verde
O âmbar azul, que brilha em azul sob luz ultravioleta, é uma das variedades mais raras, sobretudo da República Dominicana. Sob luz normal pode parecer cor de mel. O matiz esverdeado é ainda mais incomum. Estas variedades situam-se no segmento de preço mais alto.
O que muitas vezes se vende como âmbar
O azeviche ("âmbar negro") não é âmbar de todo, mas sim uma matéria vegetal fossilizada da família do carvão. É mais barato do que o âmbar e destina-se a joalharia económica.
O âmbar prensado obtém-se sinterizando migalhas e pó de âmbar sob calor e pressão. É âmbar reprocessado, não uma falsificação, mas também não uma pedra natural inteira. É mais barato e denunciam-no as linhas visíveis de sinterização e uma estrutura menos uniforme.
As resinas sintéticas e o plástico não têm nada a ver com o âmbar: são imitação. Não contêm inclusões antigas nem guardam história nenhuma.
O copal: resina jovem que se faz passar por âmbar
A grande armadilha honesta do mercado é o copal. É a mesma resina de árvore, mas jovem: de umas centenas a umas centenas de milhares de anos, por vezes um par de milhões, e não quarenta ou cinquenta. Nele a polimerização não terminou, por isso, em rigor, ainda não é âmbar, mas o seu precursor imaturo. À primeira vista o copal quase não se distingue: morno, amarelo, leve, por vezes com uma inclusão. É precisamente o copal o que com mais frequência se vende aos turistas como "âmbar com inseto": na resina ainda por endurecer é fácil colocar um escaravelho atual.
Denuncia-o o facto de o copal ser mais mole (dureza de Mohs de cerca de 1 a 1,5 face a 2 a 2,5 do âmbar) e resistir pior ao solvente. Uma gota de acetona ou álcool torna pegajosa e fosca a superfície do copal em poucos segundos, porque a resina jovem ainda se dissolve. No âmbar autêntico essa mesma gota simplesmente se evapora sem deixar rasto. O teste estraga a superfície, por isso convém fazê-lo só num ponto pouco visível e só perante uma dúvida séria. Outra pista: o copal amolece bastante antes do âmbar ao aquecer e liberta um cheiro mais penetrante e acre, sem a nota limpa, resinosa e de pinho.
O enobrecimento do âmbar: o que se lhe faz com honestidade
A maior parte do âmbar do mercado é enobrecida de uma forma ou de outra, e isso é uma prática normal, não um engano, desde que se saiba. A peça natural está muitas vezes turva devido a milhões de microbolhas, e clareia-se. Para isso aquece-se o âmbar num autoclave durante várias horas a 180 ou 200 graus numa atmosfera de gás inerte: as bolhas desaparecem e a pedra torna-se transparente. Deve arrefecer devagar, ou racha.
Um efeito secundário do clareamento são as "lantejoulas de sol" no interior da pedra, fissuras brilhantes em forma de disco. Muitos vendedores apresentam-nas como sinal de naturalidade, mas é precisamente o contrário: as lantejoulas surgem justamente ao aquecer, quando a pressão dentro da bolha cai de repente e a parede rebenta. O âmbar natural não aquecido não costuma ter esses discos. Que fiquem bonitas ou não é questão de gosto, mas como prova de autenticidade não servem.
A cor também se realça com calor. Se o âmbar for aquecido a alta temperatura com acesso de oxigénio (por volta dos 210 graus), a resina oxida-se e avermelha. Assim, do amarelo corrente obtém-se o conhaque e o vermelho na moda. Um detalhe importante: a cor obtida com calor fica numa camada fina junto à superfície e não penetra no interior. Por isso um risco ou uma mossa profunda nesse âmbar deixam ver um coração claro. O verde e os tons intensos e pouco habituais do mercado são quase sempre, também, fruto do tratamento; o verde natural é raríssimo. Tudo isto é legal, mas um vendedor honesto di-lo-á, e nota-se diretamente no preço de uma cor natural rara.
Opiniões de clientes
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Inclusões: uma janela para um ecossistema antigo
As inclusões são objetos presos na resina há milhões de anos: insetos inteiros ou partes deles, folhas, flores, sementes, pólen, esporos e, raramente, pequenos vertebrados. O âmbar com uma inclusão bem conservada vale bastante mais do que uma peça limpa do mesmo tamanho, pois é ao mesmo tempo raridade, material científico e uma composição em miniatura já feita. A como um inseto imobilizado transforma um pedaço de resina numa janela para o passado dedicamos uma análise à parte sobre o âmbar com inclusões.
Como reconhecer uma inclusão falsa
Os aldrabões perfuram um buraco em âmbar autêntico, colocam lá dentro um inseto atual e recobrem-no de resina. Sinais da falsificação:
- Posição. Numa inclusão natural o inseto jaz no ângulo em que caiu sobre a resina que gotejava. A falsa costuma ficar junto à superfície ou num ângulo pouco natural.
- Conservação demasiado perfeita. O normal é que fiquem presas partes do corpo ou um inseto danificado. Um exemplar inteiro e impecável deve pôr-te de sobreaviso.
- Microfissuras. À volta de uma inclusão autêntica costumam ver-se finíssimas fissuras de resina.
- Certificado. Para exemplares caros com inclusões faz sentido pedir o relatório de um gemólogo.
Um erro muito difundido sobre o ADN: não é possível recriar um dinossauro a partir de um inseto em âmbar. O ADN degrada-se na ordem de um milhão de anos, e no âmbar muito antigo não se conserva um genoma inteiro. Os cientistas só encontram fragmentos curtos, e mesmo esses são discutidos.
Como distinguir o âmbar natural de uma falsificação
Como âmbar vende-se vidro, plástico, resinas sintéticas e migalhas prensadas. Nenhum teste isolado dá garantia de cem por cento, por isso é mais seguro combinar vários.
Flutuabilidade em água salgada. O âmbar tem uma densidade baixa (por volta de 1,05 a 1,10 g/cm3), e numa solução saturada de sal flutua. Dissolve 2 ou 3 colheres de sal num copo de água e mergulha a peça: se flutuar, é bom sinal. Mas alguns plásticos também flutuam.
Capacidade de se eletrizar. Esfrega o âmbar contra lã ou cabelo e aproxima-o de pedacinhos pequenos de papel. O âmbar natural atrai-os. Parte das resinas sintéticas também se eletriza, por isso o teste é auxiliar.
Ultravioleta. Sob luz negra o âmbar costuma brilhar azulado, amarelado ou esverdeado. A ausência de brilho é suspeita, mas algumas imitações também emitem luz.
Peso e transparência. O âmbar é muito leve para o seu volume e deixa passar a luz de forma suave, não como o vidro. Se um pendente pesar notoriamente, é motivo para duvidar.
Dureza. Na escala de Mohs o âmbar é mole, por volta de 2 a 2,5. O vidro (5 a 6) não se risca com a unha, enquanto o âmbar e o plástico são mais moles.
Cheiro ao aquecer. O âmbar natural funde-se com uma agulha quente libertando um agradável cheiro resinoso e de pinho; o plástico cheira a química. O teste estraga a superfície, faz-o só num ponto pouco visível.
Os testes com acetona e calor forte danificam a peça, é melhor deixá-los aos especialistas. Para compras caras com inclusões, o mais fiável é o relatório de um laboratório gemológico.
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Mitos sobre o âmbar
Mito: o âmbar tem sempre uma inclusão
Falso. A imensa maioria das peças está vazia. A inclusão é uma raridade, e um âmbar limpo e transparente sem inseto muitas vezes fica melhor do que um turvo com uma aranha.
Mito: uma inclusão significa que o âmbar é mais antigo
A idade não depende de haver ou não inclusão. Um exemplar jovem para o que é o âmbar pode conter um inseto, enquanto um muito antigo está vazio. A inclusão é simples sorte do momento: algo caiu na resina antes de ela endurecer.
Mito: o âmbar cura doenças
Os antigos acreditavam que o âmbar protegia dos males, mas um pendente não cura nada. O ácido succínico tem, de facto, um efeito anti-inflamatório ligeiro, mas a partir de uma joia liberta-se em quantidades ínfimas. O único real é o efeito psicológico: a peça agrada, a pessoa fica mais tranquila e sente-se subjetivamente melhor.
Como fica o âmbar em diferentes tons de pele
Em pele clara e fria o âmbar dá contraste: o amarelo soa vivo e o branco leitoso resulta elegante, sobretudo em prata. Em pele azeitonada e morena o âmbar aquece e quase resplandece: vão bem o castanho, o pardo e o vermelho, melhor em ouro. Em pele escura o âmbar funciona por contraste, e o dourado e o vermelho ficam vistosos. No cabelo (um travessão, um pente) o âmbar realça a sua calidez.
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A energia do âmbar: lendas e psicologia
Acredites ou não na energia das pedras, o âmbar tem um efeito honesto e explicável: no toque e no estado de espírito.
Uma cápsula do tempo
O âmbar com inclusão é um pedaço material de história: o inseto que leva dentro viveu há dezenas de milhões de anos. Quem usa um âmbar assim costuma dizer que sente uma ligação com a natureza e com a escala do tempo. É um efeito psicológico forte, não magia.
Lendas de diferentes povos
Na tradição grega o âmbar são as lágrimas das ninfas que choravam Faetonte, ou "lágrimas do sol". Nos relatos nórdicos ligava-se o âmbar à deusa Freyja: segundo a lenda, as suas lágrimas caíam ao mar e transformavam-se em âmbar. Os povos bálticos têm um relato sobre a soberana do mar Jurate, que vivia num palácio submarino de âmbar: as ondas lançam para a margem os fragmentos desse palácio. Curiosamente, a lenda reflete com exatidão a realidade: o âmbar sobe de facto do fundo e chega à margem depois dos temporais.
O ácido succínico: o que é na realidade
O ácido succínico (C4H6O4) é uma substância natural, abundante no âmbar báltico. Usa-se como aditivo alimentar, em cosmética e na indústria alimentar, e tem propriedades antioxidantes. Mas a partir de uma joia que se usa liberta-se com extrema lentidão e em doses ínfimas, por isso não convém tomar um pendente por um medicamento.
Por que o âmbar parece morno
O âmbar conduz mal o calor, por isso ao toque não arrefece como o metal, mas aquece logo à temperatura do corpo e mantém-na. Daí a sensação de que a pedra está "viva" e "morna". Além disso, a cor dourada associa-se ao sol e ao calor e atua sobre o ânimo. É psicologia da cor e do toque, não esoterismo.
Chacras e zodíaco: uma linguagem cultural, não ciência
Na tradição esotérica o âmbar amarelo associa-se ao plexo solar e o vermelho ao chacra raiz, enquanto na astrologia se liga o âmbar ao Sol e se considera pedra de Leão e de Sagitário. No costume popular pendurava-se como símbolo de bem-estar familiar, e o branco leitoso dava-se às crianças como amuleto. Tudo isto é uma linguagem cultural com que durante séculos se descreveu a sensação morna e serena da pedra, não uma propriedade demonstrada.
Joias de âmbar: formas e estilo
Com o âmbar faz-se quase de tudo: contas, pendentes, anéis, brincos, alfinetes.
Pendentes e brincos são o mais popular: talhados, de forma livre (muitas vezes com inclusão), contas redondas, em relevo. Engastam-se em prata ou ouro.
Anéis costumam ser largos, com uma peça grande ao centro. O âmbar é mole, por isso precisa de um engaste com rebordo para que a pedra não roce as superfícies.
Pulseiras montam-se mais frequentemente com contas, de um só tom ou misturadas de matiz.
Brincos fazem-se muitas vezes em forma de lágrima: são leves e cómodos para o dia inteiro.
Alfinetes são mais raros mas vistosos, normalmente uma peça grande em armação metálica.
Quanto ao talhe, o âmbar trabalha-se quase sempre em cabochão (forma lisa e arredondada sem facetas): é assim que fica melhor. Com menos frequência fazem-se-lhe facetas planas, relevo, ou deixa-se na sua forma natural.
O âmbar morno (amarelo, laranja, vermelho) combina bem com o ouro e o latão; o branco leitoso, frio, fica mais bonito em prata e ouro branco. O cobre e o bronze dão um ar étnico e boémio.
Como escolher um pendente
- Tamanho e peso. O pendente deve notar-se, mas sem ser pesado.
- Cor. O amarelo e o castanho são versáteis, o vermelho é atrevido, o branco leitoso é raro e vistoso.
- Transparência. À luz a peça deve brilhar por dentro, com um lustre suave.
- Inclusão. Se a quiseres, verifica que o inseto jaz de forma natural e não colado junto à superfície.
- Engaste e corrente. Prata para pele fria, ouro para quente; uma corrente resistente e a condizer com o estilo.
Cuidado e conservação
O âmbar não é exigente, mas é mole e teme algumas coisas.
O que evitar. O calor forte e o sol direto (pode escurecer e perder cor), o álcool e os solventes (o âmbar dissolve-se neles), o perfume, as loções e os cremes com álcool. Põe a joia depois do perfume, não antes.
Como limpá-lo. Água morna com uma gota de sabão suave sem álcool e um pano macio ou de microfibra. Esfrega sem pressionar, depois enxagua e seca. É suficiente para qualquer joia de âmbar.
Como guardá-lo. Numa caixa ou funda macia, num lugar fresco e seco, longe do metal e de pedras mais duras para que o âmbar não se risque, e bem afastado dos radiadores e do sol.
Se se danificar. Os riscos pequenos tiram-se polindo. Os profundos exigem um repolimento por um artesão, que reduz um pouco a pedra. Uma quebra séria cola-se com uma resina especial, mas o âmbar colado perde valor. Se a peça for cara ou de época, é melhor recorrer diretamente a um restaurador.
Como o âmbar envelhece e onde o usar
O âmbar não é eterno como o é uma safira. Com o tempo oxida-se devagar ao ar: a superfície escurece e o amarelo desliza para o conhaque e o pardo. Nas contas antigas de família esse tom morno e escurecido é justamente sinal de idade, não de deterioração. O processo avança ao longo de anos e não se pode deter por completo, mas trava-se muito se guardares o âmbar no escuro e não o tiveres ao sol forte.
O segundo traço é a fissuração, que os joalheiros chamam teia de aranha ou craquelé. Pelas mudanças bruscas de temperatura, pelo ar seco junto a um radiador e por um velho clareamento dentro da pedra, aparece uma rede de fissuras finas. Por si só não destroem a peça de imediato, mas tornam-na frágil e tiram-lhe valor. Por isso o âmbar não gosta nem do banho quente, nem do gelo, nem do salto da rua para uma sala temperada.
Pela sua moleza (2 a 2,5 em Mohs, mais mole do que o vidro e do que quase qualquer pedra) o âmbar não serve para toda a espécie de joia. O anel e a pulseira sofrem primeiro: a mão embate a cada instante em algo, e o âmbar gasta-se e risca-se depressa. Se quiseres usar a pedra a diário e muito tempo, ganham os brincos e o pendente, que ficam livres e não roçam as superfícies. O anel de âmbar convém reservá-lo para sair e tirá-lo ao limpar, fazer desporto ou lavar a loiça.
O âmbar na ciência: a paleontologia da vida antiga
O âmbar funciona como joia e, ao mesmo tempo, como material valioso para a paleontologia. Numa inclusão conserva-se não o osso, mas a própria carne do inseto, com pelos e detalhes de estrutura pelos quais se determina a espécie, o parentesco e por vezes a dieta e o comportamento.
A idade do âmbar das diferentes jazidas varia: o báltico cerca de 40 ou 50 milhões de anos (Eoceno), o mexicano cerca de 20 ou 30 milhões, o dominicano cerca de 15 ou 20 milhões. Estabelece-se pelas rochas que o contêm e pela composição de espécies das inclusões (bioestratigrafia).
Pelo pólen, pelos esporos e pelas sementes do âmbar reconstrói-se que plantas cresciam nos bosques antigos, e pelos insetos julga-se o clima. O âmbar báltico mostra que nesta latitude houve outrora bosques quentes, quase subtropicais, muito mais temperados do que os de hoje. Métodos modernos como a tomografia computorizada permitem estudar as inclusões sem destruir a pedra.
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O âmbar na cultura
Nas terras bálticas o âmbar é símbolo do sol e da proteção; em boa parte da Europa viu-se nele um sinal do tempo e da memória. No século XIX o Romantismo valorizou o âmbar pela sua beleza natural, e os joalheiros combinavam-no com pérolas e ouro. Há museus do âmbar em Gdansk, Riga e Tallin, que guardam coleções com inclusões e joias históricas.
Hoje o âmbar volta a estar em uso: os designers apreciam-no pela sua naturalidade, os colecionadores pela singularidade de cada peça e os amantes dos materiais naturais pelo seu carácter ecológico, já que o âmbar não é preciso sintetizá-lo: simplesmente extrai-se da terra e do mar.
Perguntas frequentes sobre o âmbar
O âmbar é pedra ou resina?
Resina fossilizada de árvores coníferas antigas. É um material orgânico, não um mineral.
Como distingo o âmbar natural de uma falsificação?
Combina testes: peso leve, transparência suave (não vítrea), capacidade de se eletrizar, brilho sob luz ultravioleta, moleza ao risco. Para peças caras com inclusões, pede o relatório de um laboratório.
Por que brilha o âmbar sob a luz ultravioleta?
Contém compostos orgânicos (ácidos resínicos) que emitem luz sob o ultravioleta. A cor do brilho depende da origem: o báltico é mais frequentemente azulado, o dominicano pode puxar ao azul e ao vermelho.
O âmbar é caro?
Depende do tipo. O amarelo corrente é acessível: um pendente custa mais ou menos como uma boa refeição fora. As cores raras (vermelho, azul) são bastante mais caras. Um âmbar com uma inclusão rara e boa pode custar como uma semana de férias e mais.
Qual âmbar é melhor: o báltico, o mexicano ou o dominicano?
O báltico é considerado o de maior qualidade e o mais versátil, o mexicano destaca-se pela sua cor vermelha e o dominicano é célebre pelo seu raro azul. Para joalharia do dia a dia costuma escolher-se o báltico.
O âmbar teme a água?
A água não, podes lavá-lo nela. Teme o álcool e os solventes: não o limpes com álcool e mantém-no longe do perfume e do desodorizante.
O âmbar fica bem a um homem?
Sim. Vão bem os pendentes grandes de âmbar pardo ou vermelho em prata, os anéis imponentes e as pulseiras de contas. Uma armação de metal escuro (aço, titânio) resulta mais marcante.
O âmbar é seguro para as crianças?
Qualquer colar ou contas numa criança representam risco de estrangulamento pelo cordão e de asfixia pelas peças pequenas, sobretudo durante o sono ou sem vigilância. Os reguladores (incluindo a FDA e os organismos da UE) desaconselham que os bebés usem contas de âmbar para a dentição. As contas pequenas e soltas não devem ser dadas às crianças.
É possível restaurar um âmbar riscado?
Sim. Os riscos pequenos tiram-se polindo, os profundos com um repolimento por um artesão, que reduz um pouco a pedra.
É para oferecer? Cada peça chega pronta a entregar.
Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Conclusão
O âmbar é resina endurecida de dezenas de milhões de anos: leve, morna ao toque, com a sua própria história em cada peça. Há-o acessível e muito caro, serve tanto para o dia a dia como para uma coleção. Escolhe com honestidade: verifica a sua autenticidade, protege-o do álcool, do sol e dos golpes, e o âmbar durar-te-á muito. E usá-lo agrada também porque é esse caso raro em que uma joia guarda literalmente dentro um pedaço de bosque antigo.
Sobre a Zevira
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