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Espinela azul: a rara pedra que durante séculos se confundiu com a safira

Espinela azul: a pedra que durante séculos se confundiu com a safira

Durante centenas de anos, a espinela azul confundiu-se com a safira. As duas pedras apareciam juntas nos mesmos jazigos, ardiam da mesma forma à luz das velas e, até chegarem os instrumentos, só o olho de um lapidário experiente sabia distingui-las. Foi preciso o século XX e a espectroscopia para as separar em menos de um minuto. Hoje o essencial está claro: a espinela azul é um mineral por direito próprio, com a sua química, a sua rede cristalina e uma rara cor azul que nasce do cobalto. E continua a ser bastante mais acessível do que a safira, apesar de uma semelhança quase total.

A partir daqui, só factos. De que é feita a espinela, como se forma na terra, onde se extrai, como distingui-la de pedras parecidas e de falsificações, e como cuidar dela. Sem esoterismo nem promessas.

O que sabes sobre a espinela azul?
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Química e física: de que é feita a espinela azul

A espinela é um óxido de magnésio e alumínio. A fórmula é simples: MgAl₂O₄. O mineral deu nome a todo um grupo de espinelas (pela estrutura pertencem-lhe a magnetite e a cromite), mas a pedra de qualidade gema é justamente esta variedade de magnésio e alumínio.

A diferença fundamental em relação à safira aparece logo na composição. A safira é corindão, óxido de alumínio Al₂O₃, e na sua rede não há magnésio. Na espinela, o magnésio está integrado na própria estrutura do cristal. Daí a densidade diferente, a lapidação diferente e o comportamento diferente da luz.

Estrutura cristalina

A espinela cristaliza no sistema cúbico (isométrico). É o dado central para compreender a pedra. Uma rede cúbica significa que a espinela é opticamente isótropa: a luz atravessa-a de igual forma em todas as direções. A safira tem uma rede trigonal, é anisótropa e mostra pleocroísmo, muda de matiz conforme o ângulo de observação. A espinela não tem pleocroísmo nenhum. Uma só cor a partir de qualquer lado.

A simetria cúbica também dita a forma dos cristais naturais. A espinela cresce muitas vezes em octaedros limpos, formas de oito faces que fazem lembrar duas pirâmides unidas pela base. Estes cristais são tão ordenados que por vezes se confundem com pedras lapidadas pela mão do homem.

Dureza, densidade, ótica

Na escala de Mohs, a espinela atinge um 8. É uma pedra dura: ao nível do topázio e claramente mais dura do que o quartzo (7). Só o corindão (safira e rubi, dureza 9) e o diamante (10) a conseguem riscar. Para uma joia de uso diário, uma dureza de 8 é mais do que suficiente.

A densidade da espinela ronda os 3,6 g/cm³, algo mais leve do que o corindão (perto de 4,0). O seu índice de refração situa-se entre 1,71 e 1,72, uniforme em toda a pedra (de novo pela estrutura cúbica, não há dupla refração). A dispersão, essa decomposição da luz em cores espectrais, é moderada na espinela, à volta de 0,020: menor do que no diamante, mas suficiente para que uma pedra bem lapidada brilhe com vida.

O brilho é vítreo. A espinela é transparente, muitas vezes com grande limpidez, e aguenta bem o polimento.

De onde vem o azul

A espinela pura é incolor. A cor é dada pelas impurezas. A espinela vermelha e rosa é colorida pelo crómio, às vezes pelo ferro. Do azul ocupam-se sobretudo dois elementos: o ferro e o cobalto.

A maior parte das espinelas azuis é colorida por ferro, e isso dá um azul acinzentado, entintado, por vezes apagado. Em contrapartida, as pedras azuis mais vivas, saturadas, quase de néon, devem a sua cor ao cobalto. A espinela de cobalto é rara: há pouco cobalto na crosta terrestre, e na concentração certa chega ao cristal poucas vezes. Os exemplares de cobalto são os mais cotados de todos.

O cobalto tem outro efeito. Sob luz ultravioleta de onda curta, parte das espinelas azuis brilha debilmente em vermelho, um efeito ligado a vestígios de crómio. Não é um traço constante, mas ajuda os gemólogos no diagnóstico.

Geologia: como e onde se forma a espinela

Como nasce a pedra na terra

A espinela é um mineral de origem metamórfica e magmática. Na maioria das vezes, os cristais gema aparecem em mármores: quando calcários com algum teor de alumina e magnésio ficam sujeitos a alta pressão e temperatura em zonas de colisão de continentes, a rocha carbonatada recristaliza e nela cresce a espinela, com o corindão (safira e rubi) ao lado. Por isso a espinela e a safira aparecem tantas vezes nos mesmos jazigos: partilham a mesma cozinha geológica.

Os cristais desprendem-se da rocha-mãe e acumulam-se em placeres, depósitos fluviais e aluviais onde se encontram junto a outras gemas pesadas. A maior parte da espinela de qualidade gema é extraída justamente desses placeres, lavando o cascalho.

Os principais jazigos

O berço histórico da melhor espinela é a região de Badaquechão, na fronteira do atual Tajiquistão e Afeganistão. As minas locais do vale do rio Panj forneciam espinela vermelha e rosa de bom tamanho já na Idade Média; de lá vêm as célebres pedras históricas que durante séculos se chamaram "rubis balaje" (balas ruby, deformação de "Balaquechão").

Hoje as fontes principais de espinela de qualidade gema são:

As pedras azuis de cobalto de alta gama continuam a ser uma raridade em cada um destes locais: por cada grupo de cristais vermelhos e rosas há apenas um punhado de azuis verdadeiramente intensos.

A espinela azul usa-se sobre a clavícula nua e em prata. O ouro amarelo nunca lhe assenta, e não há mais que falar.
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Com que usar a espinela azul

Depois de anos a trabalhar com pedras azuis tenho uma regra para a espinela: o azul dá-se bem com quase tudo, mas abre-se de outra forma conforme a ocasião. Aqui reúno o que comprovei em sessões e provas, ordenado por para onde vais.

Com que uso a espinela ao dia a dia? Para o dia a dia recomendo uma pedra pequena: brincos de botão ou um anel fino. Esta espinela convive sem esforço com uma camisa branca, uma camisola cinzenta, umas calças de ganga. Aconselho ter por perto tecido claro (branco, creme, cinzento-claro): quanto mais pálido, mais se lê o azul. A pedra apanha a luz ao virar a cabeça, e com isso basta para que o conjunto não pareça vazio.

A espinela azul é adequada para o escritório? Mais do que adequada. Para um look de trabalho escolho um pendente numa corrente de comprimento médio, que assente no decote de uma blusa, ou um anel de uma só pedra: contido e nunca berrante. Os tons frios de roupa (azul, cinzento, grafite) sustentam a pedra, o bege quente suaviza o contraste. Um código de vestuário rígido não é obstáculo para a espinela.

Como a realço para a noite? Para a noite recomendo dar à pedra um papel maior. Um decote aberto, um vestido escuro (preto, bordô, esmeralda) e um pendente com uma espinela grande à altura das clavículas transformam a joia no centro do conjunto. À luz das velas e sob os candeeiros a pedra deriva para um matiz violeta, e isso joga a teu favor. Aconselho brincos pendentes para dar movimento.

Com que metal a combino? Fica na gama fria: o ouro branco, a prata e a platina realçam o azul com mais limpeza. O ouro amarelo reservo-o para quem procura um efeito quente e vintage, que é questão de gosto. A pérola ao lado suaviza o look, as pedras incolores acrescentam brilho. Permito correntes finas sobrepostas, mas só enquanto a espinela continuar a levar a voz cantante e o resto se calar.

A quem fica bem a espinela azul? A quem prefere uma profundidade sóbria ao brilho berrante. É uma pedra de carácter e não de efeito, igualmente boa num look minimalista e em camadas ordenadas. A quem escolhe o zircão incolor ou a rara tanzanite antes da opção óbvia, a espinela convence. Uma regra que não falha: deixa que fale um só acento azul e que tudo o resto funcione como fundo.

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História: a pedra em coroas e tesouros

A história da espinela é, em boa parte, a história de um grande mal-entendido. Antes de a mineralogia aprender a distinguir pedras, qualquer gema vermelha grande chamava-se rubi, e qualquer azul, safira. Assim, durante séculos, a espinela "escondeu-se" sob nomes alheios nos tesouros mais famosos.

Rubis balaje: a espinela com máscara de rubi

Os "rubis" históricos mais famosos do mundo revelaram-se espinela. A pedra das joias de coroação britânicas conhecida como "Rubi do Príncipe Negro" é uma grande espinela vermelha de minas asiáticas; durante séculos passou por rubi. Muitas pedras que chegaram aos tesouros europeus pelo comércio com o Oriente têm uma história parecida: um belo cristal vermelho comprava-se como rubi, e ninguém tinha maneira de provar o contrário.

A origem da palavra confirma-o. O velho nome comercial da espinela vermelha, "rubi balaje", procede do nome árabe-persa da região de Balaquechão (Badaquechão), de onde vinham as pedras. O próprio nome significava "rubi de Balaquechão", e sob esse nome a espinela circulou durante séculos pelos mercados como uma classe de rubi.

Oriente: os mogóis e os tesouros persas

No Oriente, a espinela grande gozava de um apreço especial. Os soberanos da Pérsia e do Império Mogol colecionavam grandes pedras vermelhas, muitas vezes polidas em cabuchão em vez de lapidadas, e mandavam gravar nelas os nomes e títulos dos seus donos. Essas pedras gravadas formam uma parte notável das coleções históricas e provam que a espinela ocupava um lugar entre as gemas mais prestigiadas muito antes de se aprender a distingui-la do rubi.

Quando finalmente se separaram as pedras

A diferença entre a espinela e o corindão vive na física: densidade diferente, refração diferente, o corindão tem dupla refração e pleocroísmo, ao passo que a espinela não tem nenhum. À medida que a mineralogia avançou nos séculos XVIII e XIX, lapidários e cientistas foram reunindo estes sinais, e no século XX os instrumentos óticos e a espectroscopia tornaram a identificação fiável e rápida. Então veio à luz quantos célebres "rubis" e "safiras" eram, na verdade, espinela.

Curiosamente, a reputação da pedra saiu a ganhar com isso. Quando a espinela deixou de ser tratada como um "erro" e foi reconhecida como mineral próprio, voltou o interesse de colecionadores e joalheiros. Nas últimas décadas a espinela assentou-se com firmeza na lista das pedras de cor apreciadas, e as suas variedades azul e vermelha não param de crescer em procura.

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Tipos e matizes da espinela azul

Cristal natural de espinela, exemplar mineralógico de uma coleção de museu
Assim se vê a espinela na natureza: um cristal de magnésio e alumínio de brilho vítreo, o mesmo mineral que se lapida em gemas azuis. Exemplar mineralógico, New York State Museum. Wikimedia Commons, CC0.Spinel Mineral New York State Museum, Kjoo0309, 2025-10-12 14:15:35. Wikimedia Commons, Open Access (CC0 1.0)

A espinela azul não é uniforme. O matiz depende de que elemento a colore e em que concentração.

Azul cobalto

A variedade mais cobiçada. O cobalto dá um azul limpo, saturado, quase elétrico, sem véu cinzento por cima. Estas pedras são raras na natureza, e as melhores vêm do Luc Yen vietnamita e do Sri Lanka. A sua vivacidade e a pureza da sua cor são precisamente o que faz com que a espinela azul se compare às melhores safiras.

Azul de ferro

A maior parte das espinelas azuis é colorida por ferro. A cor sai mais escura, acinzentada ou entintada, por vezes deriva para um azul quase cinzento. Estas pedras são mais acessíveis e mais frequentes. Bem lapidada, a espinela azul de ferro também é bonita; só lhe falta aquela faísca interior de néon que o cobalto traz.

Azul violáceo e cinza-azulado

Entre o azul e o violeta estende-se uma ampla zona de transição. Às pedras com um claro matiz violeta chama-se por vezes azul lavanda. Na mesma faixa entram os tons cinza-azulados e esfumados. É uma questão de proporção de impurezas, e estes matizes oferecem uma gama suave e agradável para quem acha o azul puro demasiado brusco.

Mudança de cor com luz diferente

Muitas espinelas azuis mudam ligeiramente de matiz ao mudar a luz: à luz do dia a pedra é mais fria e mais azul, sob a luz quente de um candeeiro ou de uma vela deriva para o violeta. É uma propriedade normal, ligada à forma como as impurezas absorvem os diferentes comprimentos de onda. Um jogo de luz parecido é um dos encantos do zircão azul, que também muda de humor conforme a luz.

Para situar a espinela azul entre as demais pedras azuis, convém pô-la ao lado das suas vizinhas de montra. Dureza, matiz, raridade e segmento de preço desenham uma imagem simples: a espinela oferece a profundidade da safira a um preço bastante mais modesto.

Como distinguir a espinela azul de pedras parecidas e falsificações

Em torno da espinela acumulou-se bastante confusão. Primeiro esclareçamos os erros frequentes, e depois vejamos como se falsifica a pedra de verdade.

Espinela e safira

O par que mais se confunde. Há diferenças, e são físicas:

A resposta exata é dada por um laboratório gemológico, mas mesmo estes sinais ajudam a orientar.

Espinela sintética

A espinela cultiva-se em laboratório desde o início do século XX, sobretudo pelo método Verneuil (funde-se pó numa chama e o cristal forma-se gota a gota). A espinela sintética é quimicamente idêntica à natural. É um material legítimo que durante décadas se usou em joalharia barata e em imitações de outras pedras.

Distingue-se pelas inclusões. A espinela natural mostra sob a lupa pequenos cristais, por vezes fissuras cicatrizadas, as marcas do crescimento na terra. O material sintético é demasiado limpo, e o de tipo Verneuil costuma mostrar bolhas de gás arredondadas e linhas de crescimento curvas que a natureza não produz. Ao comprar sintética há que ter claro que se paga justamente por ela, e não por uma pedra natural.

Vidro

A imitação mais grosseira, vidro colorido. É mole (dureza 5 a 6), risca-se com facilidade e, a contraluz, deixa muitas vezes ver por dentro bolhas de ar redondas e por vezes os remoinhos da massa mal fundida. O vidro aquece mais depressa na mão e é bastante mais "morto" no seu jogo de luz. Um preço muito baixo para uma "pedra" grande quase sempre significa vidro.

Duplos e forros

Por vezes desliza-se uma lâmina espelhada ou de cor por baixo de uma pedra num engaste fechado para lhe dar brilho e cor. Ou monta-se um duplo, duas partes coladas. O indício deste truque é um engaste fechado e cego que não deixa olhar a pedra a contraluz, junto com um resplendor artificialmente uniforme. A espinela honesta não precisa de forro.

Tratamento

Ao contrário da safira, a espinela azul não costuma tratar-se com calor; já é boa tal como sai da natureza, e isso é um dos seus méritos. Se um vendedor garante que uma pedra está "realçada para a cor", convém pedir pormenores: na espinela isso não é habitual.

Como escolher uma espinela azul: em que reparar

A espinela avalia-se pelos mesmos quatro traços que qualquer pedra de cor: cor, pureza, lapidação, peso. Mas a ordem de importância é própria, e há subtilezas fáceis de deixar escapar.

A cor decide quase tudo. Na espinela azul valoriza-se a saturação e a pureza do tom. O ideal é um azul profundo com um leve reflexo celeste ou ligeiramente violeta, sem turvação cinzenta. O véu acinzentado que o ferro dá com frequência afunda o preço mais do que qualquer outro defeito. Gire a pedra: uma boa espinela mantém o seu azul uniforme em todo o volume, em vez de brilhar de cor só no centro.

A janela. Aproxime a pedra de um texto ou de um desenho. Se através do centro se vê o fundo, a lapidação é demasiado plana e a luz passa sem se refletir de volta ao olho. Essa "janela" apaga a cor e o brilho. Uma espinela bem lapidada reflete a luz a partir da sua mesa e parece cheia de luz por dentro.

Pureza. A espinela costuma ser limpa a olho nu, e essa é uma das suas cartadas. As inclusões pequenas sob a lupa são admissíveis e até servem de prova de origem natural, mas as fendas visíveis a olho nu e os pontos escuros no centro da mesa reduzem tanto a beleza como a resistência. As inclusões perto do bordo, sob o engaste, importam menos.

Lapidação e proporções. Pela estrutura cúbica, a espinela não é pleocroica, por isso o lapidário não tem de alinhar um eixo com a cor como acontece com a safira. Isso simplifica a lapidação, e as boas proporções são mais frequentes na espinela. Um facetado simétrico e sem desvios dá um jogo de luz uniforme.

Tamanho. As espinelas azuis limpas acima de dois ou três quilates são raras, sobretudo as de cobalto. O preço por quilate sobe com o peso não de forma suave, mas aos saltos: uma pedra de três quilates custa por quilate bastante mais do que outra de igual qualidade de um quilate, simplesmente porque os cristais grandes aparecem menos.

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O que determina o valor da espinela azul

O preço da espinela azul forma-se a partir de vários fatores, e compreendê-los ajuda a não pagar a mais e a não deixar escapar uma boa pedra.

Cobalto contra ferro. É a linha divisória principal. Uma espinela de cobalto de um azul néon vivo custa várias vezes mais do que uma cinza-azulada de ferro do mesmo tamanho. A diferença de cor é evidente à vista, e o laboratório confirma o cobalto por espectroscopia.

Origem com certificado. Para as pedras raras, um laboratório pode indicar o país de extração. O Luc Yen vietnamita como fonte de azul cobalto vivo cota-se à parte. Um certificado de um laboratório gemológico de prestígio sobre uma pedra grande paga-se a si mesmo: confirma ao mesmo tempo a origem natural e a ausência de tratamento.

Naturalidade e ausência de realce. Como a espinela azul não costuma ser aquecida, um documento "sem tratamento" é a norma para ela, não uma raridade. Mas justamente por isso qualquer pedra "realçada" merece cautela: reduz o valor.

Em que a espinela ganha à safira no preço. A safira quase sempre passa por um tratamento térmico para melhorar a cor, e uma safira natural sem tratamento é cara. Uma espinela do mesmo azul profundo é-o de forma natural desde o princípio e, ainda assim, mais barata. O comprador obtém raridade sem tratamento por um dinheiro mais modesto. A mesma lógica da escolha inteligente funciona com a tanzanite e com os zircões azuis.

Comparação da Espinela Azul com Outras Pedras Azuis
PedraDurezaTom de AzulRaridadeFaixa de PreçoDurabilidade
Espinela Azul8Azul real, azul céuRara (cobalto raro)Café a jantarExcelente
Safira Azul9Azul saturadoMais raraFim de semana a semanaSuperior
Topázio Azul8Azul claro, azul céuComumCaféBoa
Água-marinha Azul7,5-8Azul céuRelativamente raraJantarBoa
Iolite Azul7-7,5Azul profundoRaraCaféModerada
Turmalina Azul7-7,5Azul escuroMuito raraFim de semanaBoa

Espinela estrelada e o efeito de olho de gato

De vez em quando a espinela mostra efeitos óticos que nascem das inclusões. Se dentro da pedra se alinham em filas paralelas agulhas finíssimas (por norma rútilo), a luz refletida nelas concentra-se numa banda. Um só conjunto de agulhas dá um "olho de gato" (chatoyance), uma linha de luz que desliza pelo cabuchão. Vários sistemas que se cruzam dão uma estrela de raios, como nas safiras estreladas.

Estas pedras não se lapidam com facetas, mas em cabuchão, uma cúpula lisa, pois de outra forma o efeito não aparece. A espinela azul estrelada é uma grande raridade e encontra-se sobretudo entre colecionadores. Na venda corrente quase não aparece, mas convém conhecer o fenómeno: um cabuchão azul liso com uma estrela ou uma banda de luz não é um defeito nem uma falsificação, mas um valioso jogo natural.

Verdade e Mitos sobre a Espinela Azul
A espinela azul é um rubi falso
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A espinela azul é menos dura do que a safira
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A espinela azul pode mudar de cor com luzes diferentes
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A espinela azul é mais cara do que a safira azul
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A espinela azul tem propriedades mágicas
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Todas as espinelas azuis têm a mesma cor
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Cuidado da espinela azul

Uma dureza de 8 faz da espinela uma pedra cómoda para o uso diário. É mais resistente do que a maioria das gemas de cor e não teme o contacto quotidiano. Ainda assim, umas poucas regras prolongarão a vida da joia.

Limpeza

O método mais seguro é água morna com uma gota de sabão suave e uma escova macia (serve uma escova de dentes de cerdas macias). Limpar com cuidado, enxaguar com água limpa, secar com um pano macio. É suficiente para qualquer sujidade doméstica.

A limpeza por ultrassons e por vapor é melhor evitá-la, sobretudo se a pedra tiver inclusões ou fissuras finas: a vibração e uma mudança brusca de temperatura podem abri-las. A pedra não precisa de química agressiva.

Armazenamento

A espinela é dura e pode ela própria riscar as pedras mais moles que tenha ao lado: pérola, opala, turquesa. E ao contrário, a safira ou o diamante riscá-la-ão a ela. Por isso convém guardar a joia à parte: num saquinho macio ou numa casa própria do porta-joias. Longe do sol direto e de fontes de calor forte.

Comodidade de uso

No dia a dia, um anel com espinela aguenta quase tudo, mas uma pancada direta contra uma superfície dura não agrada a nenhuma pedra facetada: um golpe seco pode lascar o bordo de uma faceta. Antes do desporto, do trabalho manual pesado ou da limpeza com abrasivos, é sensato tirar a joia. O calor forte (chama aberta, uma soldadura por perto) também é melhor evitar.

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Simbolismo: o que dizem as tradições

Aqui, breve e com honestidade. A espinela, como muitas pedras azuis, arrasta um rasto de crenças: em diferentes tradições associou-se à clareza de pensamento, à calma, à comunicação. A pedra não tem ação física nem curativa comprovada; nenhum estudo sério confirma nada disso. Vale a pena usar espinela porque é bela e agradável, não por um efeito que não existe.

O papel histórico da pedra é mais prosaico do que qualquer esoterismo e, ainda assim, mais interessante por isso: a espinela foi símbolo de estatuto durante séculos simplesmente porque uma gema grande e limpa custava muito e adornava coroas. Esse é o seu verdadeiro "significado".

Broche anelar medieval de ouro engastado com espinelas e safiras
Na Idade Média, as espinelas e as safiras engastavam-se juntas sem distinguir as pedras pela sua composição; valorizavam-se pela cor e pelo brilho. Broche anelar, ouro com espinelas e safiras, Alemanha, por volta de 1340 a 1349. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0).Ring Brooch, ca. 1340 - 49. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Perguntas frequentes sobre a espinela azul

Em que se distingue a espinela azul da safira azul?

São minerais diferentes. A safira é corindão (Al₂O₃), ao passo que a espinela é um óxido de magnésio e alumínio (MgAl₂O₄). A safira tem rede trigonal, dupla refração e pleocroísmo; a espinela tem rede cúbica e uma ausência total de pleocroísmo. A safira é mais dura (9 contra 8) e mais pesada (densidade perto de 4,0 contra 3,6). Com uma beleza parecida, a espinela costuma ser mais acessível do que a safira.

Pode usar-se espinela ao dia a dia?

Sim. Uma dureza de 8 na escala de Mohs torna-a apta para joias de uso diário, anéis incluídos. Só convém evitar pancadas diretas e abrasivos.

O que colore a espinela azul?

Dois elementos. O ferro dá um azul mais escuro e acinzentado, e essas pedras são mais frequentes. O cobalto dá um azul vivo, limpo, quase de néon. Essa é a variedade rara e a mais valiosa.

De onde procede a melhor espinela?

Historicamente, de Badaquechão, na fronteira do Tajiquistão e do Afeganistão. Hoje a espinela de qualidade gema extrai-se também em Mianmar (Mogok), Sri Lanka (Ratnapura), Tanzânia (Mahenge) e Vietname (Luc Yen).

É verdade que os famosos "rubis" das coroas se revelaram espinela?

Sim. Vários célebres "rubis" históricos revelaram-se, pela composição, espinela vermelha. Antes de chegarem os instrumentos, a uma pedra vermelha grande chamava-se simplesmente rubi, e o velho nome comercial da espinela, "rubi balaje", vinha do nome da região de Balaquechão.

Existe a espinela sintética?

Sim, cultiva-se desde o início do século XX, sobretudo pelo método Verneuil. Em composição é idêntica à natural. Distingue-se pelas inclusões: a sintética pode ter bolhas de gás arredondadas e linhas de crescimento curvas, ao passo que a natural contém minúsculos cristais característicos.

A espinela trata-se com calor?

Em geral, não. Ao contrário da maioria das safiras, a espinela azul vende-se mais frequentemente sem realce de cor. É um dos seus méritos.

Como limpo a espinela em casa?

Água morna, uma gota de sabão suave, uma escova macia. Enxaguar e secar com um pano. Os ultrassons e o vapor é melhor evitar, sobretudo se a pedra tiver inclusões.

A espinela desbota ao sol?

Não, a cor da espinela é estável à luz. Guardá-la longe do sol é por boa prática geral, não por risco de desbotamento.

Serve a espinela para um anel de noivado?

Sim. Uma dureza de 8 e uma boa resistência tornam-na uma escolha sensata para um anel de uso constante. Um engaste de ouro branco, platina ou prata realçará o azul.

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Sobre a Zevira

A espinela azul é uma pedra honesta. Durante séculos foi tomada por safira não por engano, mas porque de facto é bela: um azul profundo, um brilho limpo, uma dureza que aguenta o uso diário. Hoje não precisa de se fazer passar por ninguém.

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