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Figa (mão fico): o amuleto punho com o polegar entre o indicador e o médio

Figa (mão fico): o amuleto punho com o polegar entre o indicador e o médio

A figa (figa, mão fico) é um amuleto com a forma de um punho cerrado do qual o polegar assoma entre o indicador e o médio. É o mesmo gesto que em Nápoles se faz com a mão ao cruzar-se com um olhar torto e que em Portugal, na sua versão popular, serve para recusar algo com desassombro. No Mediterrâneo e na América Latina, esse punho leva três mil anos a proteger contra o mau-olhado.

Uma avó do Minho pendura esse mesmo punho de azeviche negro no carrinho do neto para afastar o mau-olhado. Em Nápoles faz-se o gesto vivo, com a mão cerrada, ao passar junto de alguém de olhar invejoso. No Brasil, uma figa de madeira escura preside à estante da sala. Um único gesto, meia dúzia de sotaques, e todos dizem o mesmo: fora, aqui não há passagem.

O que é a figa

Antigo amuleto de punho com o polegar entre os dedos
O mesmo gesto: punho com o polegar entre os dois primeiros dedos. Um amuleto contra o mau-olhado mais antigo do que dois mil anos.Amulet of a fist with the thumb between the fingers (fig sign), Roman period. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

A figa é um amuleto que reproduz um gesto concreto da mão. O punho está cerrado, os quatro dedos apertados, e o polegar enfia-se entre o indicador e o médio, assomando apenas pela ponta. Em português e em espanhol chama-se figa ou higa, em italiano mão fico (literalmente mão figo), em latim manus fica. A forma é fácil de reconhecer, e é precisamente esse reconhecimento que a faz funcionar como amuleto.

Convém separar de início duas coisas. Há o gesto, que se faz com a mão viva no momento de perigo. E há o objeto, o punho fundido em metal ou talhado em pedra que se usa pendurado de forma permanente. Os dois chamam-se da mesma maneira. A diferença é a mesma que existe entre bater na madeira uma vez e trazer no bolso uma conta de madeira o dia inteiro: um é um ato, o outro um objeto.

Como é a figa autêntica

O amuleto punho clássico reconhece-se por vários traços. O punho é compacto, um pouco alongado, com o polegar claramente legível no vão entre os outros dois dedos. O pulso costuma rematar-se com um punho de camisa, um aro ou uma argola de onde pende a asa para o cordão. O tamanho para trazer ao pescoço ronda entre um e meio e quatro centímetros, o suficiente para que o punho repouse à vontade na garganta ou na pulseira.

O ofício nota-se no trabalho dos dedos. Uma cunhagem barata dá um vulto sem forma, onde o polegar mal se adivinha. Uma boa figa lê-se de relance: veem-se os nós dos dedos, a unha do polegar, a tensão do punho cerrado. É precisamente essa legibilidade do gesto que transforma o amuleto em amuleto.

Porquê este gesto

O gesto da figa não é uma careta casual dos dedos. Na leitura antiga, o polegar a assomar entre os dedos representava a união do masculino e do feminino, o próprio ato de gerar vida. Acreditava-se que o mau-olhado se alimenta de inveja e de uma raiva estéril, e que a imagem da fertilidade o atinge justamente no ponto fraco. O mal depara-se com a imagem da vida e recua.

Daí nasce a sua dupla natureza. A figa é ao mesmo tempo tosca e protetora, atrevida e benévola. Não afugenta com severidade, mas com troça. Onde o nazar reflete o olhar em silêncio e a hamsa levanta a palma como um muro, a figa mostra ao mal justamente esse punho e parece dizer-lhe: toma.

Figa, mão de figo, higa, mão fico: nomes de um mesmo gesto

O gesto tem tantos nomes quantas as margens que tocou. Em português e em espanhol é figa ou higa. Em italiano, mão fico. Em catalão conhece-se como la figa, e em vários países da Hispano-América, como mão de figo ou simplesmente o punho com o polegar. Todos esses nomes descrevem exatamente o mesmo fecho de mão: os quatro dedos apertados e o polegar a assomar entre o indicador e o médio.

O mesmo reflexo apotropaico, a mesma troça dirigida ao mal, sobrevive também, como ação e não como objeto, na cultura popular eslava, onde se conhece como kukish. Aí fazia-se escondendo a mão, perante uma pessoa de aspeto suspeito ou para afastar o mau-olhado de um recém-nascido, mas ficou-se pelo gesto e nunca se fixou num amuleto talhado. A figa é essa mesma ideia antiga, presa em pedra ou metal em vez de ficar só num movimento passageiro dos dedos.

A partir daqui, por ordem: de onde vem o gesto, como se tornou amuleto, o que significa, com que materiais se talha, a quem se oferece e em que se distingue da hamsa, do cornicello, do nazar e do azeviche.

Qual figa é a certa para si?
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Para quem é a figa?

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História: da Roma antiga ao Brasil

A figa é uma dessas peças cuja genealogia se estende sem interrupção desde a Antiguidade até à montra de hoje. Mudaram os materiais e os países, mas o gesto e o seu sentido aguentaram milénios.

Roma antiga: mão fico e fascinum

Em Roma, o mau-olhado chamava-se fascinatio, o feitiço de um olhar maligno. Contra ele guardava-se todo um arsenal de objetos apotropaicos, ou seja, capazes de afastar o mal. O mais conhecido era o fascinum, um amuleto fálico alado que se pendurava ao pescoço das crianças e se suspendia dos carros dos generais triunfantes. Junto dele estavam dois gestos protetores: a mão cornuta, a mão com cornos, e a mão fico, a mão em figa.

A lógica romana era direta e corporal. O mau-olhado é estéril e invejoso, portanto teme tudo o que tenha a ver com o nascimento e a carne. A figa, com a sua imagem da união sexual, acertava em cheio no alvo. Os romanos não faziam só o gesto com as mãos, também o fundiam em bronze e o talhavam em osso e coral, e o transformavam em pendentes e anéis. Uma pequena mão fico num cordão ao pescoço de uma criança protegia-a na idade mais vulnerável, quando, segundo a crença, o mau-olhado era mais perigoso.

Os etruscos, o Mediterrâneo e o coral

Antes de Roma viviam ideias parecidas entre os etruscos e por toda a costa mediterrânica. O coral vermelho era aqui um material especial. Extraía-se do mar, associava-se ao sangue, à vida e à deusa do amor, e acreditava-se que só por si afugentava o mal. Uma figa de coral unia dois amuletos num só: a forma protetora do gesto e o material protetor do mar. Esses punhos de coral para crianças sobreviveram a Roma e à Idade Média, e ainda hoje se encontram no sul de Itália, ao lado do cornicello.

Ibéria e o azeviche: a figa para os bebés

O verdadeiro berço da figa como amuleto popular foi a Península Ibérica. Em Portugal e Espanha, o punho em figa foi talhado durante séculos em azeviche, o linhito negro. Um dos grandes centros do ofício foi Santiago de Compostela, meta do Caminho. Ali os azevicheiros talhavam no mesmo azeviche as conchas dos peregrinos, as figuras do apóstolo Santiago e, claro, minúsculas figas para os bebés. Em Portugal, a mesma tradição correu pelo Norte, com a filigrana do Minho a acolher a figa entre os seus berloques de raiz medieval.

A tradição ibérica ligou a figa à infância de forma indissolúvel. Acreditava-se que o recém-nascido estava indefeso perante o mau-olhado, sobretudo quando era admirado por estranhos. Por isso se prendia a figa de azeviche à fralda, se pendurava de uma pulseirinha ou de um fio logo à nascença. A cor preta do azeviche reforçava a proteção: a pedra escura absorvia o olhar mau enquanto a forma da figa o afugentava. Em muitas famílias portuguesas e latino-americanas, oferecer uma figa negra a um recém-nascido continua a ser tão natural como noutras tradições oferecer uma colherinha de prata.

Brasil: a figa como símbolo de sorte

Através dos colonos portugueses, a figa chegou ao Brasil, e ali o seu destino foi o mais luminoso de todos. A figa portuguesa fundiu-se com as tradições africanas trazidas com a escravatura e com a cultura local. Surgiu a figa de Guiné, talhada em madeira escura e dotada de uma força especial. No sincretismo brasileiro, o punho em figa entrou no uso da umbanda e do candomblé e tornou-se um dos talismãs populares mais espalhados do país.

Aí o acento deslocou-se. Se na Ibéria a figa é antes de tudo proteção da criança, no Brasil a figa é também um símbolo universal de boa sorte e de um desafio despreocupado. Oferece-se para atrair a fortuna, coloca-se numa estante como figura grande de madeira, usa-se na pulseira. As figas decorativas enormes em madeira tornaram-se quase um símbolo de recordação do lar brasileiro.

A diáspora e a atualidade

Desde Portugal, Espanha e Itália, a figa viajou pelo mundo inteiro pela mão dos emigrantes. Na América Latina encontra-se do México à Argentina sob os nomes de figa e higa. Nos Estados Unidos usam-na os descendentes de famílias italianas e ibéricas. As redes sociais fizeram o resto: o interesse pelos símbolos de proteção devolveu o punho em figa ao radar de quem não tem uma gota de sangue mediterrânico. Hoje pode comprar-se tanto em azeviche como em prata ou em ouro, e as suas duas faces, amuleto e gesto atrevido, convivem ao mesmo tempo.

Significado da figa: proteção contra o mau-olhado

O sentido da figa apoia-se em três pilares: proteção, fertilidade e desafio. Os três nascem da mesma raiz, da imagem da vida que o gesto mostra à morte e à inveja.

Proteção contra o mau-olhado

O trabalho principal da figa é afastar o mau-olhado. Na visão mediterrânica e latino-americana do mundo, um olhar invejoso ou malintencionado pode trazer uma desgraça real: a doença de uma criança, um fracasso, uma desavença. A figa põe-se no caminho desse olhar. Não o reflete, como o nazar espelhado, nem levanta uma palma-muro, como a hamsa. Distrai e troça: mostra ao mal a imagem da vida e da descendência, perante a qual a inveja estéril fica sem força.

Isto vê-se com especial clareza nas crianças. O bebé é admirado, é elogiado, e na consciência popular é precisamente o entusiasmo do estranho o mais perigoso, porque a ele se cola com facilidade a inveja. A figa negra de azeviche na fralda assume esse risco pela criança. O olhar crava-se no punho, não no bebé.

Símbolo de fertilidade e vida

A segunda camada de significado é a fertilidade. O gesto da figa foi lido desde a Antiguidade como imagem da conceção, da união dos dois princípios. Por isso a figa se oferecia não só às crianças, mas também aos recém-casados e a quem desejava ter um filho. Uma figa de coral ou de ouro é, nesta leitura, um voto de casa cheia, de filhos saudáveis e de descendência. Aqui a figa dialoga com o cornicello e com outros amuletos mediterrânicos onde o corno e a cor vermelha também remetem para a força vital.

O desafio do gesto: um amuleto que troça

A terceira camada é a mais humana. A figa é desafio. Mostrar o punho assim significa recusar, rir, não ter medo. O amuleto herdou essa entoação. A figa protege não com severidade, mas com troça ao mal. Nisso está o seu carácter: não é um ícone nem uma oração, mas um repto alegre à desgraça. Para muitos, essa nota atrevida é justamente o que torna a figa simpática. Trazê-la vestida é ter sempre à mão um pequeno punho que mostra aos contratempos que não dá um passo atrás.

A dupla face: amuleto e insulto

Do desafio nasce também o seu reverso. O mesmo gesto é, em muitas culturas, uma grosseria e uma recusa. Em parte do Mediterrâneo, fazer a figa a uma pessoa é um insulto de tom sexual. Dante, na Divina Comédia, retrata o ladrão Vanni Fucci a mostrar ambas as figas ao próprio Deus, o cume da insolência blasfema. O detalhe está em que, como amuleto, a figa não se dirige a uma pessoa, mas ao mal invisível. O punho ao pescoço não insulta ninguém que passe na rua. Insulta o mau-olhado.

A figa como gesto e como amuleto

Vale a pena voltar a separar as duas faces da figa, porque aqui é fácil confundi-las. O gesto é uma ação do momento. Faz-se depressa, muitas vezes escondendo a mão, quando se pressente uma ameaça, se ouve uma má notícia, se cruza com alguém de olhar pesado. O gesto não custa nada e está sempre à mão, mas é pontual: faz-se e baixa-se a mão.

O amuleto é esse mesmo gesto congelado num material e em funcionamento permanente. A figa fundida ou talhada pende do pescoço, da pulseira, do carrinho, e mostra o punho ao mal vinte e quatro horas por dia, sem que se faça nada. Por isso o amuleto é mais prático para uma proteção contínua e o gesto, para o momento agudo. Na prática mediterrânica viva combinam-se sem problema: usa-se o punho pendurado ao pescoço e, ao mesmo tempo, faz-se a figa às escondidas no bolso quando algo incomoda.

Há uma terceira forma, intermédia. As figas decorativas grandes em madeira ou pedra que se colocam em casa, numa estante ou junto à entrada. Já não é uma joia nem um gesto pontual, mas um guardião doméstico do espaço. No Brasil apreciam-se especialmente estas figas grandes de madeira.

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Materiais: azeviche, coral, prata

O material da figa importa tanto como a forma. Cada um traz o seu próprio sentido e a sua própria tradição.

Azeviche: a pedra negra para os bebés

O material clássico da figa ibérica é o azeviche, um linhito negro. É madeira fossilizada, quente ao toque, leve, de um negro profundo e brilho suave. Talhavam-no os azevicheiros de Santiago de Compostela, e dele saía a maioria das figas infantis. A cor preta considerava-se especialmente forte contra o mau-olhado: não o reflete nem o espanta, absorve-o. A figa de azeviche continua a ser a variante mais tradicional e reconhecível do amuleto.

Coral vermelho: vida e mar

O segundo material histórico é o coral, quase sempre o coral vermelho mediterrânico. O coral extrai-se do mar, associa-se ao sangue, à vida e ao amor, e atribui-se-lhe uma força protetora própria. Uma figa de coral une dois amuletos: a forma do gesto e o material protetor. Estes punhos infantis apreciavam-se especialmente no sul de Itália, onde o coral e o cornicello andaram sempre de mãos dadas. Hoje o coral vermelho natural é escasso e caro, a sua extração está limitada, portanto boa parte do que há no mercado é imitação, osso tingido ou pasta prensada.

Prata e ouro

A figa metálica é mais prática e duradoura do que a de pedra. A prata de lei 925 dá uma variante discreta e do dia a dia: resistente, hipoalergénica, fácil de combinar com qualquer corrente. A figa de ouro é a opção festiva e mais solene, muitas vezes pensada para oferecer. O metal sustenta bem o detalhe dos dedos, portanto o gesto lê-se com especial clareza numa figa de prata ou de ouro. As versões metálicas são hoje as mais espalhadas, precisamente porque não se tem receio de as usar todos os dias.

Madeira e osso: a linha brasileira

No Brasil a figa talha-se tradicionalmente em madeira escura, e à figa de Guiné, feita com madeira africana, atribui-se uma força especial. A figa de madeira é mais quente e macia do que a metálica, agradável de segurar na mão. Em madeira fazem-se tanto pequenos pendentes como enormes figas decorativas para o lar. A linha histórica inclui também o osso e o corno: antes de o metal baratear, os punhos talhavam-se muitas vezes no material denso que houvesse à mão.

Materiais atuais

Hoje a figa funde-se em aço inoxidável, em latão banhado, em resina, em esmalte. O aço não escurece, não teme a água e não deixa marcas esverdeadas na pele. A resina e o esmalte dão versões de cores vivas, populares na América Latina. O sentido, seja como for, continua a estar na forma e não no preço do material: uma figa de aço traz a mesma simbologia que uma antiga peça de azeviche.

Como usar a figa

A figa é uma das joias menos exigentes. A sua forma compacta encaixa em quase qualquer estilo, e a história dá-lhe peso.

Ao pescoço, como pendente

A forma mais habitual de usar a figa é em corrente ou cordão, junto à garganta. Aqui funciona a mesma regra do cornicello: um punho pequeno numa corrente fina vê-se como um detalhe cuidado, não como um pendente aparatoso. A figa de azeviche ou de prata funciona bem para o dia a dia, e a de ouro ou coral para ocasiões mais assinaladas. O comprimento escolhe-se conforme o decote, de modo que o punho fique na zona aberta e não se esconda debaixo da gola.

Na pulseira e no carrinho

A figa pequena prende-se muitas vezes à pulseira como berloque ou pendura-se do carrinho e do berço do bebé. É o formato mais tradicional para crianças: a figa deve estar junto do bebé, não simplesmente nalgum lugar da casa. Para um bebé procura-se um fecho seguro, sem arestas afiadas nem peças pequenas que se possam engolir. Aí o azeviche é preferível tanto por tradição como por ser quente e leve.

Em casa e no carro

Uma figa grande coloca-se em casa como guardião do espaço: numa estante, junto à entrada, numa oficina ou numa loja onde se receie o olhar invejoso dos clientes. As figas brasileiras de madeira fazem-se precisamente para isto. A pequena pode pendurar-se no carro ao lado de outros amuletos. A lógica é simples: onde está o punho, aí chega a sua proteção.

Com o que combina

A figa é amiga dos vizinhos. Usa-se ao lado do nazar e da hamsa, reunindo uma coleção de várias tradições de proteção. Convive bem com uma cruz, com o cornicello, com medalhas de santos. Não há qualquer proibição sobre esta vizinhança: cada amuleto trabalha à sua maneira e não se estorvam entre si. A única coisa a evitar é a sobrecarga. Uma só figa clara numa corrente limpa pesa mais do que um punho apertado no meio de uma dezena de pendentes.

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A quem assenta: crianças, bebés e adultos

Resposta curta: assenta a quase toda a gente, embora historicamente a figa seja antes de tudo um amuleto infantil.

A bebés e crianças

Este é o seu papel principal. Na tradição portuguesa, espanhola, italiana e latino-americana, a figa negra de azeviche oferece-se ao recém-nascido como uma das primeiras coisas. Protege a criança na idade que se considera mais vulnerável ao mau-olhado, e acompanha-a enquanto é pequena. É uma prenda compreensível e adequada mesmo fora de uma família mediterrânica: a simbologia de proteger um bebé é universal. Para o pequeno importa sobretudo a segurança do fecho, portanto escolhem-se peças pensadas especificamente para crianças.

A recém-casados e futuros pais

Pela sua ligação à fertilidade, a figa oferece-se ao casal recém-casado e a quem espera ou deseja um filho. Aqui funciona como voto de casa cheia e de descendência. Uma figa de coral ou de ouro é, neste caso, mais apropriada do que a negra severa: o tom quente está mais perto do tema da vida e da alegria.

A adultos que gostam de símbolos com carácter

Ao adulto a figa assenta por carácter. É um amuleto com humor, com um toque de desafio, sem solenidade religiosa. Escolhem-na quem se sente à vontade com a ideia de mostrar o punho aos contratempos sem levar a proteção demasiado a sério. Nenhuma tradição mediterrânica ou latino-americana considera censurável usá-la sendo alguém de fora dessa cultura. Muito pelo contrário: conhecer a história do amuleto costuma despertar simpatia.

Como presente

Tal como o cornicello, a figa é um desses amuletos que funcionam especialmente bem como presente. O punho entregue com boa intenção leva consigo o carinho de quem o oferece a par da sua força protetora. Sobre os presentes há mais detalhes no guia de prendas de joalharia.

Psicologia da figa: por que o amuleto funciona

Não é preciso acreditar literalmente na proteção da figa para que ela traga algo. A psicologia atual explica de forma bastante terrena a força dos amuletos protetores.

A primeira coisa é a redução da ansiedade. Uma pessoa que sente ter algo acautelado dá menos voltas na cabeça às desgraças possíveis. Saber que o amuleto está no seu lugar liberta a mente de uma preocupação de fundo, um pouco como uma cópia de segurança tranquiliza quanto à perda de ficheiros. A probabilidade do percalço não muda, mas a tensão baixa.

A segunda é a memória e o vínculo. Quando uma avó oferece uma figa ao neto, o punho torna-se uma âncora física dessa relação. Olhar para o amuleto ativa num instante toda uma cadeia de recordações quentes, e isso funciona como um regulador silencioso do ânimo. O carácter atrevido da figa acrescenta aqui leveza: custa desanimar a olhar para um punho que faz troça ao mundo.

A terceira é o tátil. É agradável segurar na palma uma figa pequena de azeviche ou de prata e percorrer com o dedo o polegar que sobressai. A mão inquieta ocupa-se em algo e acalma. O costume mediterrânico de fazer a figa às escondidas no bolso perante uma má notícia não é pura superstição, é uma forma de autorregulação com séculos de prática por trás. Nada de místico: o amuleto não muda a realidade, muda a relação de quem o usa com essa realidade, e fá-lo de um modo mensurável e útil.

A figa na arte e na cultura

A figa deixou marca tanto na alta cultura como na popular. Sabendo onde a procurar, começa a vê-la por toda a parte.

Na literatura: Dante e as figas de Vanni Fucci

A aparição mais célebre do gesto na literatura universal está no canto vinte e cinco do Inferno de Dante. O ladrão Vanni Fucci, castigado entre os ladrões, ergue ambas as mãos e faz a figa ao próprio Deus. Para o leitor medieval, aquilo era o limite da insolência e da blasfémia. Dante usa o gesto como retrato instantâneo: com um único movimento de mãos desenha um homem que chegou ao extremo do desafio. Essa cena fixou a figa na memória cultural de Itália como sinal de repto aos poderes superiores.

O gesto infiltrou-se na língua. O italiano far la fica, o português dar uma figa, são pegadas fossilizadas na fala de um mesmo movimento antigo. Nas línguas eslavas existe uma expressão equivalente, fazer o kukish, que servia ao mesmo tempo de recusa e de defesa: fazia-se para afugentar o maligno, virava-se às escondidas no bolso contra o mau-olhado, mostrava-se de costas a uma visita indesejada. O que nessas culturas ficou como gesto brusco, no sul da Europa tornou-se também joia.

No lar brasileiro

No Brasil, a figa saiu do terreno do amuleto e tornou-se um objeto de decoração. As figas grandes de madeira colocam-se em estantes e aparadores, oferecem-se ao estrear casa, guardam-se nas lojas. O punho tornou-se quase uma marca de identidade da vida quotidiana brasileira, unindo a herança portuguesa, as raízes africanas e o sentido local de boa sorte. Aqui a figa acabou de se transformar de amuleto infantil em símbolo partilhado de terei sorte e à desgraça, que se dane.

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Tradições regionais

A figa pertence a várias culturas ao mesmo tempo, e em cada uma o seu sentido desloca-se um pouco. Compreender essas nuances ajuda a escolher a figa certa.

Portugal e Espanha

A Península Ibérica é o coração da tradição. Aqui a figa é antes de tudo um amuleto infantil de azeviche negro, ligado estreitamente aos azevicheiros de Santiago de Compostela e ao Caminho de peregrinação, e, do lado português, à filigrana do Minho de raiz medieval. A figa negra na fralda do recém-nascido continua a ser hoje uma parte natural do dia a dia. Em Portugal, a figa carrega um acento algo maior na boa sorte, mas mantém intacta a sua função de proteger os mais pequenos.

Itália

Em Itália, a mão fico convive com o cornicello e a mão cornuta no repertório mediterrânico comum de amuletos contra o malocchio. A figa de coral para crianças aprecia-se especialmente no sul. A tradição italiana conserva também o gesto vivo, que se faz com a mão no momento da ameaça, apontando a figa para baixo, para a terra.

Brasil e América Latina

No Brasil, a figa floresceu como símbolo de boa sorte e de desafio, entrou na religiosidade popular e tornou-se um objeto decorativo. Por toda a América Latina, do México à Argentina, a figa e a higa continuam a proteger do mau-olhado, muitas vezes em cores vivas, em esmalte ou em madeira, com frequência ao lado de amuletos locais sem grande preocupação com a pureza da tradição.

O mundo eslavo

Um ramo distinto, mas próximo na sua lógica. Entre os povos eslavos, o gesto da figa, o kukish, continuou a ser sobretudo uma ação e não um objeto talhado. Mas cumpria a mesma função protetora: fazia-se às escondidas para afastar o mau-olhado ou afugentar um espírito maligno, sem chegar a tornar-se um amuleto que se usa pendurado. É o mesmo reflexo antigo que no Mediterrâneo se fixou em azeviche, coral ou prata.

A figa e outros amuletos: comparação
AmuletoFormaOrigemComo protegeReconhecimento
Figa (higa)Punho com a figaRoma, Ibéria, BrasilTroça do mal com uma imagem de vida
HamsaPalma abertaMédio Oriente, Norte de ÁfricaRepele como um muro
CornicelloCorno curvoItália, Roma antigaTrespassa com a ponta
NazarOlho azulTurquia, GréciaReflete o olhar como um espelho
AzevicheUm material, azeviche negroEspanha, AstúriasAbsorve o olhar maligno

Como escolher uma figa

Se vai comprar uma figa pela primeira vez, para si ou para oferecer, é nisto que convém reparar.

Que material escolher

Para um amuleto infantil e o mais tradicional, opte pelo azeviche: é o clássico tanto no sentido como no aspeto. Para o uso diário de um adulto, são mais cómodos a prata ou o aço: aguentam bem, não temem a água e não dão trabalho. Para uma prenda a recém-casados ou numa ocasião feliz, encaixam melhor o ouro ou o coral, com a sua simbologia quente da vida. Para casa serve uma figa grande de madeira.

Que tamanho

Para um pendente de todos os dias, o ideal são entre dois e quatro centímetros. Abaixo de dois centímetros corre o risco de perder-se no peito, acima de quatro começa a parecer pesado. Para um bebé escolhe-se uma figa pequena com um fecho seguro e fechado. Para um guardião doméstico, o tamanho pode ser o que for, até chegar a uma figura grande de mesa.

Como distinguir um bom trabalho

Repare no gesto. Numa boa figa leem-se com clareza os dedos apertados, a ponta do polegar que sobressai e o conjunto compacto do punho. Uma cunhagem barata dá um vulto sem forma. No azeviche, verifique o calor e a leveza: o azeviche autêntico é quente ao toque, leve, e eletriza-se ao ser esfregado. Com o coral, desconfie de um preço suspeitosamente baixo: o coral vermelho natural é caro e escasso.

Onde a comprar

Entre artesãos ibéricos e latino-americanos procure o azeviche e o osso tradicionais. Em joalharias, a prata e o ouro clássicos. Em marcas atuais, versões cómodas de aço e prata para o dia a dia. Para uma figa doméstica brasileira procure entalhadores em madeira. Sobre o comprimento de corrente adequado a um pendente é útil um guia específico.

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Figa, hamsa, cornicello, nazar e azeviche: em que se distinguem

Todos estes amuletos protegem contra o mau-olhado, mas não convém confundi-los. A diferença está na forma, na estratégia e em se o que se tem diante é um gesto, uma mão, um corno, um olho ou um material.

Figa contra hamsa: mãos opostas

Tanto a figa como a hamsa são uma mão, e é aqui que mais se confundem. Mas são mãos contrárias. A hamsa é uma palma aberta com os cinco dedos estendidos, muitas vezes com um olho ao centro, símbolo do Médio Oriente e do Norte de África. Afasta o mal com a palma aberta, como um muro: alto aí. A figa é um punho cerrado com o polegar entre os dedos, mediterrânica e latino-americana, e não detém o mal, mas troça dele mostrando-lhe a imagem da vida. Palma aberta e punho cerrado, duas mãos distintas com gestos e genealogias distintas.

Figa contra cornicello: punho e corno

O cornicello é o corno italiano, curvo e afiado, que atravessa a má energia com a sua ponta. A figa é um punho com o polegar entre os dedos que distrai e provoca o mal. Os dois são mediterrânicos, os dois protegem do mau-olhado, e em Itália usam-se juntos sem qualquer problema. Mas a imagem é distinta: o corno espeta, a figa troça.

Figa contra nazar: punho e olho

O nazar é o olho azul da Turquia e da Grécia, que funciona como espelho: interceta o olhar hostil e devolve-o à sua origem. A figa não reflete nem devolve o olhar, recebe o mal com um gesto atrevido. Olho de vidro e punho de pedra, reflexo contra troça.

Figa contra azeviche: gesto e material

A confusão mais frequente. O azeviche não é uma forma, mas um material: o linhito negro com que se fazem amuletos. A figa é uma forma, um gesto de punho concreto. Uma figa de azeviche é uma figa talhada em azeviche, a sua união mais clássica. Mas o azeviche existe também noutras figuras, e a figa faz-se noutros materiais. Material e gesto são eixos distintos, que no amuleto infantil ibérico simplesmente coincidem com mais frequência do que em nenhum outro caso.

Podem usar-se juntos? Perfeitamente. Muita gente reúne vários amuletos de tradições distintas num mesmo pescoço ou numa pulseira. Nenhuma crença o proíbe: cada um trabalha à sua maneira e não entram em conflito. Se o tema dos amuletos de proteção lhe interessa, dê uma vista de olhos ao guia completo de amuletos e talismãs.

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Superstições e mitos à volta da figa

À volta da figa, como à volta de qualquer amuleto antigo, cresceu um bom número de crenças. Umas têm um fundo de verdade, outras são puro boato.

Acredita-se que uma figa oferecida protege mais do que uma comprada para si próprio: a intenção de quem a oferece reforça a proteção. Como acontece com o cornicello, por trás disto há uma psicologia da prenda bastante compreensível. Também se diz que convém usar a figa escondida por baixo da roupa, porque o gesto-amuleto funciona melhor em segredo, tal como se faz a figa às escondidas no bolso. Ao azeviche negro atribui-se a capacidade de se cansar: se a figa fica baça ou se estala, aconselha-se agradecer-lhe e substituí-la, entendendo que absorveu um golpe destinado ao seu dono.

Também há mal-entendidos. Muitas vezes se pensa que a figa tem de ser negra, de azeviche, ou não funciona. Não é assim: as figas de coral, prata, ouro e madeira são tão tradicionais como a negra. Também se confunde com um insulto: há quem receie que usá-la seja de mau gosto. Mas como amuleto dirige-se ao mal invisível, não às pessoas, e não há nada de grosseiro em usá-la.

Há uma crença à parte relacionada com a orientação. A figa viva, feita com a mão, dirige-se por tradição para baixo, para a terra, tal como a mão com cornos: assim o gesto afasta o mal para longe do corpo. Ao amuleto esta regra quase não afeta, o punho funciona em qualquer posição, mas o costume de apontar para baixo mantém-se firme entre quem faz o gesto com a mão.

Factos que surpreendem

Mesmo uma figa que muitos conhecem bem guarda surpresas.

O kukish eslavo e a figa ibérica são o mesmo gesto. O que nalgumas culturas ficou como uma recusa brusca, nos Pirenéus e no Noroeste ibérico tornou-se um amuleto infantil de pedra negra. O seu antepassado comum é a Antiguidade.

Dante mandou para o inferno um homem que fez a figa a Deus. A cena de Vanni Fucci no canto vinte e cinco do Inferno fixou o gesto na literatura universal como o limite do desafio.

O sentido antigo do gesto está ligado ao nascimento da vida. O polegar a assomar entre os dedos representava a união dos dois princípios, e era justamente essa imagem da fertilidade a que se considerava mortal para a inveja estéril do mau-olhado.

A figa tem um trabalho duplo: amuleto e insulto. O mesmo punho protege um bebé na fralda e insulta uma pessoa se lhe for mostrado à cara. Tudo depende do destinatário: o mal ou o interlocutor.

As figas brasileiras chegam ao tamanho de uma estátua. De amuleto infantil, a figa tornou-se ali um grande objeto de decoração e um símbolo da boa sorte de toda uma casa.

A figa de azeviche era talhada pelos mesmos artesãos que as conchas dos peregrinos. Os azevicheiros de Santiago de Compostela faziam para os peregrinos tanto relíquias como amuletos de punho, do mesmo azeviche negro.

A figa-amuleto usa-se muitas vezes escondida. Ao contrário do nazar, que deve estar à vista, a figa esconde-se com frequência por baixo da roupa, seguindo a lógica do gesto secreto feito no bolso.

Mitos sobre a figa
A figa tem de ser negra, de azeviche
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Usar uma figa é indecoroso, porque é um gesto ofensivo
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A figa e o kukish russo são o mesmo gesto
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Uma figa oferecida é mais forte do que uma comprada para si próprio
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Uma figa de azeviche rachada é mau presságio
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Só podes usar uma figa se fores do Mediterrâneo
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Perguntas frequentes

O que é a figa (mão fico)? A figa é um amuleto com a forma de um punho cerrado do qual o polegar assoma entre o indicador e o médio. É o mesmo gesto que nas culturas eslavas se conhece como kukish. Em português e no Brasil chama-se figa, em espanhol higa, em italiano mão fico. Usa-se como proteção contra o mau-olhado, sobretudo para crianças, e como símbolo de fertilidade e de sorte atrevida. A tradição estende-se desde a Roma antiga até hoje.

Em que se distingue a figa da hamsa? São duas mãos distintas. A hamsa é uma palma aberta com cinco dedos, muitas vezes com um olho, vinda do Médio Oriente, e afasta o mal como um muro. A figa é um punho cerrado com o polegar entre os dedos, mediterrânica e latino-americana, e troça do mal mostrando-lhe a imagem da vida. Palma aberta contra punho cerrado.

A figa e o azeviche são a mesma coisa? Não. O azeviche é o material, o linhito negro. A figa é a forma, o gesto de punho. Uma figa de azeviche é uma figa talhada nesse material, a sua combinação mais clássica. Mas a figa existe também em prata, ouro, coral e madeira, e o azeviche adota igualmente outras formas.

Porque se oferece a figa aos bebés? Segundo a crença mediterrânica e latino-americana, o recém-nascido é especialmente vulnerável ao mau-olhado, porque os estranhos o admiram e a esse entusiasmo se cola com facilidade a inveja. A figa negra de azeviche na fralda ou na pulseirinha afasta o mau-olhado da criança. Para o bebé importa um fecho seguro, sem peças pequenas.

Usar a figa não é de mau gosto? Não. Como amuleto, a figa dirige-se ao mal invisível, não às pessoas. O punho ao pescoço protege do mau-olhado, não insulta quem passa na rua. O gesto só se torna grosseiro se for mostrado a alguém à cara com a mão viva.

De que se faz a figa? Tradicionalmente, de azeviche negro e de coral vermelho. Hoje, com mais frequência, de prata, ouro e aço, e no Brasil de madeira escura. O azeviche é o material infantil mais tradicional, o metal é o mais prático para o uso diário.

Posso usar a figa se não sou do Mediterrâneo? Com certeza. A figa não é um símbolo fechado de uma só cultura, usa-se no mundo inteiro. O mesmo gesto, além disso, sobrevive em paralelo na cultura popular eslava como o kukish.

Posso usar a figa ao lado de outros amuletos? Sim. A figa convive bem com o nazar, a hamsa, o cornicello, uma cruz. Cada amuleto trabalha à sua maneira e não se estorvam entre si. O importante é não sobrecarregar o conjunto: uma só figa clara pesa mais do que um punho apertado no meio de uma dezena de pendentes.

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Conclusão

A figa percorreu o caminho desde o gesto com que um romano afastava o mau-olhado de uma criança até ao punho negro de azeviche num carrinho e à grande figa de madeira numa estante brasileira. Mudaram os materiais e os países, mas o sentido aguentou: mostrar à desgraça a imagem da vida e troçar dela com descaro.

Quer se acredite na proteção contra o mau-olhado, quer simplesmente se aprecie um símbolo com três mil anos de história e de carácter próprio, a figa continua a ser um dos amuletos mais humanos que existem: nada solene, nada severo, um daqueles que não deixam de mostrar o punho aos contratempos.

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Sobre a Zevira

A Zevira faz joias na tradição artesã de Albacete, Espanha. A figa é um desses símbolos que sentimos próximos: forma ibérica antiga, legível sem palavras, igualmente apropriada na pulseira de um bebé como na corrente de um adulto. Reproduzimos o gesto de punho reconhecível com um talhe nítido dos dedos, em materiais e proporções de hoje.

O que pode encontrar connosco no tema dos amuletos:

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