
O símbolo da paz e a pomba em joalharia: de Aldermaston aos nossos dias
Na cultura joalheira do século XX existem dois símbolos de paz distintos que convivem sem se confundirem. O primeiro surgiu a 21 de fevereiro de 1958 em Londres: o designer gráfico britânico Gerald Holtom desenhou um círculo com três linhas para a marcha da Campanha para o Desarmamento Nuclear, de Londres até Aldermaston, onde ficava o centro atómico britânico. Esse emblema tornou-se inesperadamente o símbolo mais reconhecido do pacifismo civil moderno. O segundo é milenar: a pomba com o ramo de oliveira no bico que sai da arca de Noé. Entre estes dois símbolos há uma enorme distância cultural, mas ambos funcionam em joalharia e cada um tem os seus fiéis.
Este artigo está escrito com honestidade. Não se vai transformar em agitação política nem em meditação sobre energias da paz. O símbolo da paz e a pomba são emblemas culturais e históricos. Têm peso político em certas épocas e peso humanitário para além de qualquer contexto político concreto. Usar uma peça destas significa aceitar esse peso de forma consciente, não repetir um gesto alheio sem o compreender.
Na coleção da Zevira estão presentes os dois símbolos, feitos como joias sérias, não como recordações de festival. O símbolo da paz aparece no registo retro dos anos sessenta, com esmalte brilhante, e numa versão minimalista e limpa, sem excessos decorativos. A pomba com ramo de oliveira segue uma iconografia clássica mais próxima de Picasso e das moedas antigas do que da estilização de desenhos animados modernos.
O contexto político é abordado uma única vez, na secção histórica, e fica por aí. Depois fala-se de como estes símbolos funcionam enquanto joias: que formatos resultam, que materiais assentam bem, como combiná-los e a quem interessam realmente. Se o que lhe importa é a parte joalheira, pode saltar as secções históricas, mas usar uma peça com tanta carga simbólica sem conhecer a sua história é uma decisão um pouco estranha.
Ambos os símbolos pertencem à mesma família cultural que o símbolo feminino de Vénus em joalharia: emblemas do século XX com longa biografia gráfica, não ornamentos decorativos. Usá-los significa entrar numa determinada conversa.
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Joalharia com o símbolo da paz: o que escolher
O formato mais reconhecível é o pingente medalhão com o emblema dentro de um círculo. O diâmetro costuma variar entre 15 e 30 milímetros. Um pequeno, à volta de 15 milímetros, funciona como um detalhe cuidado numa corrente por baixo de uma camisa ou camisola. Um médio, de cerca de 25 milímetros, já é visível e funciona como acento independente num decote aberto. Um grande, de 30 milímetros ou mais, entra no território do statement retro e precisa do enquadramento certo: uma t-shirt branca simples ou um casaco sem outras joias a competir.
Os brincos de espiga com o símbolo da paz são uma opção prática para o dia a dia. O tamanho do botão raramente ultrapassa os oito ou dez milímetros; o emblema lê-se de perto mas não chama a atenção à distância. Ficam bem sozinhos ou com uma corrente fina do mesmo desenho. Para quem quiser mais expressividade, há brincos pendentes com o símbolo da paz numa corrente de dois a três centímetros, muitas vezes com algum movimento.
Um anel com o símbolo da paz em relevo é um formato mais raro. O símbolo costuma estar numa plataforma redonda de cinco a sete milímetros ou sobre um sinete retangular. O relevo pode ser em alto-relevo ou gravado e preenchido com esmalte preto. Estes anéis funcionam como declaração própria e usam-se normalmente no indicador ou no dedo médio, não no anelar.
Os broches com o símbolo da paz foram especialmente populares no final dos anos sessenta e início dos setenta. Um broche grande esmaltado de quatro ou cinco centímetros de diâmetro é uma citação direta dessa época. Pode usar-se na lapela, no ombro de uma camisola, na mala ou num lenço. Num guarda-roupa contemporâneo funciona melhor sobre roupa lisa e simples, onde nada compete com ele.
As pulseiras com o símbolo da paz existem em duas variantes. Primeira: uma corrente ou cordão de cabedal com um único pingente em forma de símbolo. Segunda, mais decorativa: uma pulseira com pequenos símbolos da paz repetidos ao longo, por vezes alternados com contas ou pequenos elos. Esta segunda variante está mais próxima da estética boho e fica melhor no verão, com roupa simples de linho ou algodão.
Os formatos masculinos com o símbolo da paz costumam fazer-se em cordão de cabedal ou encerado com um símbolo metálico maior e mais rústico. A prata aqui costuma ser oxidada, escura, de superfície mate, sem dourado nem esmalte. Esse pingente usa-se à vista, por cima da t-shirt, e funciona como gesto biográfico.
Quanto aos acabamentos, o símbolo da paz admite uma grande variedade. Prata 925 com esmalte de cores dentro do emblema dá o registo retro mais reconhecível dos anos sessenta. As cores do esmalte variam: arco-íris, vermelho vivo, azul intenso, laranja, amarelo. A prata minimalista sem esmalte dá uma versão contemporânea sóbria que assenta bem em roupa de trabalho. O dourado sobre prata suaviza o emblema e afasta-o da associação ao cartaz de protesto. A oxidação intensifica a sensação vintage.
A pomba com ramo de oliveira em joalharia
A pomba existe na joalharia em vários registos iconográficos, cada um com a sua história. O mais canónico é a pomba em voo com o ramo de oliveira no bico, silhueta de perfil, asas abertas. O cartaz de Pablo Picasso de 1949 fixou esta composição e, desde então, reproduz-se em milhares de variações. Em joalharia costuma ser um pingente de dois a quatro centímetros de comprimento, com penas finamente desenhadas e um ramo claramente legível.
Uma pomba sozinha em voo pode ser executada em relevo plano, com a silhueta recortada em chapa de prata e ligeiramente abaulada, ou num tratamento escultórico completo com asas volumétricas. A primeira opção é mais simples de produzir e adapta-se melhor ao uso diário. A segunda é mais exigente em trabalho, pesa mais e torna-se peça de acento que requer um fundo tranquilo.
O par de pombas como motivo funciona no formato de joias a condizer para duas pessoas. Podem ser dois pingentes, um com a pomba a voar para a direita e outro para a esquerda, com um ramo simétrico em cada um. Ou um par de anéis, cada um com uma pomba em miniatura. Este formato aproxima-se da tradição das joias de casal, metades de coração, chave e cadeado, mas com um peso semântico diferente: não se trata diretamente de apego romântico, mas de um valor partilhado.
Um broche pomba de grande formato é um género à parte. De quatro a seis centímetros, muitas vezes com uma base de prata com detalhes em madrepérola, esmalte ou pequenas pedras. Esses broches têm um ar antigo no bom sentido e requerem a roupa correspondente: casaco, sobretudo, vestido de corte clássico.
A silhueta estilizada e minimalista da pomba é a leitura contemporânea. Uma linha de contorno fina, sem detalhe de penas, sem volume, máxima abstração. Esse pingente funciona ao lado de símbolos gráficos como o sinal de Vénus ou uma inicial.
O baixo-relevo esculpido com pomba é um género clássico vindo da tradição antiga e renascentista. A pomba está esculpida num medalhão redondo ou oval, por vezes em técnica de camafeu. Esses medalhões usam-se ao pescoço e parecem relíquias de família, ainda que tenham sido feitos ontem.
Um medalhão-relicário com pomba gravada, que se abre para guardar um retrato em miniatura ou uma madeixa de cabelo, é um formato nostálgico do século XIX. Nesta forma, a pomba aparece na joalharia de luto e comemoração, ligada a peças como as joias em memória de um animal de estimação com pegada de cão.
O símbolo da paz pede pele nua e ganga, nunca lantejoulas. A pomba fica-se pela seda. Troque-os e parece disfarce de Carnaval.
Como usar o símbolo da paz e a pomba
Há anos que componho estes dois símbolos em looks, e cada um tem a sua lógica. Aqui vai o que resulta mesmo, por ocasiões.
Como uso o símbolo da paz no dia a dia? Para o dia a dia recomendo um símbolo gráfico em prata, em corrente fina ou cordão de cabedal, sobre uma t-shirt branca, uma camisa de ganga ou um cinzento mesclado. Um fundo claro e liso realça o emblema; sobre um padrão carregado perde-se. Com decote aberto sugiro uma corrente mais comprida, e com gola fechada uma mais curta, para que o símbolo não se esconda.
A pomba pede outro registo? Sim. A pomba escolho-a para um look mais cuidado e adulto: blusa, seda, lã fina, um vestido sereno. Um pingente de três a quatro centímetros com a plumagem bem trabalhada cai melhor sobre tecido macio. Com roupa desportiva desafina, por isso aí deixo-a em casa.
O que resulta no escritório? Para trabalhar recomendo o registo discreto: um brinco pequeno com o símbolo ou uma pomba miúda em corrente fina por baixo da camisa. O metal, prata mate ou polida, sem esmalte vivo. Um broche grande de cor desafina numa reunião, enquanto um detalhe sóbrio se lê como algo pessoal sem se anunciar.
Como monto um look de noite? Para sair escolho uma única peça forte e um fundo tranquilo à volta: um símbolo esmaltado como único acento sobre um vestido liso sem padrão, ou uma pomba escultórica maior. Se apetecerem camadas, sugiro duas ou três correntes finas de comprimentos diferentes no mesmo metal, com o símbolo na mais curta, perto do rosto. Não misturo ouro e prata nesse conjunto.
Posso usar os dois símbolos ao mesmo tempo? Pode, mas com cuidado. Um símbolo manda e o outro acompanha: um símbolo pequeno nas orelhas com uma pomba discreta no pescoço funciona, enquanto duas peças grandes juntas carregam o look. E a regra que nunca falha: uma peça leva a voz, as restantes calam-se.

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A história do símbolo da paz
O símbolo da paz tal como o conhecemos apareceu a 21 de fevereiro de 1958. Gerald Holtom, designer gráfico britânico e membro da Campanha para o Desarmamento Nuclear, terminou o desenho do emblema para a marcha de Londres a Aldermaston. A marcha realizou-se no fim de semana da Páscoa, a 4 de abril desse mesmo ano, e reuniu vários milhares de participantes. Bertrand Russell era um dos apoiantes públicos da CND naquela época.
A composição do emblema tem uma explicação racional. O círculo contém duas letras do alfabeto semafórico sobrepostas: N e D. O N sinaliza-se com duas bandeiras inclinadas para baixo, o D com uma bandeira para baixo e outra para cima. N e D são as iniciais de Nuclear Disarmament, desarmamento nuclear. Esse era o objetivo imediato da Campanha, e o símbolo foi concebido como o seu logótipo.
O próprio Holtom mencionou em entrevistas e cartas tardias uma segunda fonte de inspiração. A forma fazia-lhe lembrar uma figura com os braços caídos e abertos, um gesto de desespero que associava ao camponês em primeiro plano do quadro de Francisco Goya "O Três de Maio de 1808", onde um pelotão de fuzilamento aponta as espingardas a um grupo de civis espanhóis. O quadro de Goya tornou-se uma das obras de arte antibélicas mais conhecidas da Europa, e a referência não foi casual.
O símbolo foi deliberadamente deixado sem patente e sem proteção legal. Holtom queria que o emblema se difundisse livremente e pertencesse ao movimento, não ao seu autor. Esta decisão teve consequências enormes: no final de 1958 o símbolo já aparecia em cartazes, t-shirts e malas, e a meio dos anos sessenta era usado pelos participantes das manifestações antibélicas dos Estados Unidos.
Em Portugal, o símbolo ganhou uma ressonância particular a partir da Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974 e dos anos da transição democrática que se seguiram. Nesse período de mudança política profunda, quando o país procurava uma linguagem comum para construir uma sociedade nova depois do Estado Novo, os movimentos pacifistas e antimilitaristas começaram a usar o símbolo com crescente visibilidade. A memória de uma longa guerra colonial e o desejo de um país em paz deram a esta sensibilidade pacifista raízes profundas na sociedade portuguesa. Para muitos, o símbolo da paz não era uma importação britânica, mas uma expressão própria da vontade de convivência e da aposta num futuro sem confronto armado.
Depois dos anos oitenta o símbolo passou por várias ondas de moda e vários ciclos de ativismo político. Nos anos noventa entrou na cultura pop como sinal nostálgico sem carga política aguda. Nos anos 2000 voltou às manifestações antibélicas contra a guerra do Iraque. Hoje lê-se de forma ampla: desde uma declaração cívica séria até um elemento puramente decorativo, e isso depende não do símbolo em si, mas de quem o usa e como.
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A pomba como símbolo de paz
A história da pomba é ainda mais longa. A fonte bíblica mais conhecida é o relato de Noé no Génesis. Ao terminar o dilúvio, Noé soltou aves da arca para verificar se as águas tinham baixado. A pomba regressa com uma folha de oliveira no bico, e isso torna-se o sinal de que a terra volta a ser habitável. Génesis 8:11. A partir desse momento, a pomba com o ramo de oliveira fica fixada na tradição judaica e cristã como símbolo da paz renovada entre Deus e a humanidade.
Na iconografia helenística e romana, o ramo de oliveira era já em si um atributo da paz muito antes do cristianismo. A deusa grega Eirene e a romana Pax representavam-se com ramos de oliveira. Sob o imperador Augusto cunharam-se moedas com a imagem da Pax com o ramo, e a combinação de pomba e ramo de oliveira existiu em paralelo nas culturas greco-romana e judaico-cristã, fundindo-se gradualmente numa imagem comum.
A tradição cristã acrescentou à pomba outra camada de significado. Na cena do Batismo de Jesus nos Evangelhos, o Espírito Santo desce sobre Jesus em forma de pomba. Esta pomba distingue-se iconograficamente da pomba da paz de Noé, mas no imaginário popular ambas as imagens confundem-se muitas vezes. Na joalharia, a pomba como Espírito Santo costuma representar-se com auréola e raios; a pomba da paz leva o ramo. A diferença visual é clara.
Em 1949 aconteceu algo que redefiniu a iconografia da pomba para todo o século XX. Pablo Picasso, artista nascido em Málaga em 1881, desenhou uma litografia da pomba para o cartaz do Primeiro Congresso Mundial dos Partidários da Paz, realizado em Paris em abril de 1949. O cartaz foi impresso em edições massivas e a imagem espalhou-se por todo o mundo. A própria ave tinha sido desenhada do natural: Picasso tinha pombas, e o desenho baseou-se numa pomba milanesa viva que Henri Matisse lhe tinha oferecido.
A pomba de Picasso tornou-se, mais do que qualquer outra imagem, o rosto do pacifismo do pós-guerra. Artista exilado desde o final da Guerra Civil de Espanha, Picasso não regressou ao seu país durante o franquismo e manteve-se como figura simbólica da cultura e do humanismo para além das fronteiras. A sua pomba da paz era, entre outras coisas, uma aposta pessoal num mundo diferente daquele que tinha deixado para trás na sua terra natal.
O cartaz de Picasso tornou-se o ponto a partir do qual qualquer representação da pomba em contexto de paz remete inevitavelmente para ele, ainda que o artista não o tivesse planeado. Em variações posteriores, Picasso desenhou a pomba repetidamente, em diferentes poses e com distintos graus de estilização.
A pomba entrou na simbólica oficial das organizações internacionais. O emblema da ONU, aprovado em 1945, inclui ramos de oliveira de ambos os lados do globo terrestre, embora a pomba em si não apareça. A pomba com ramo de oliveira encontra-se na simbólica de numerosas organizações humanitárias.
O que significa o par
O símbolo da paz e a pomba com ramo de oliveira formam juntos o vocabulário pacifista do século XX, mas funcionam em registos distintos. O símbolo da paz é mais direto; está claramente ligado a campanhas históricas concretas, ao movimento antibélico, a uma época determinada. Usá-lo significa fazer uma declaração mais pessoal e mais colorida politicamente, ainda que quem o use não pense em termos políticos.
A pomba é mais suave. Trabalha no registo da esperança, da calma depois da tempestade, da possibilidade do diálogo. É um símbolo mais lírico e raramente se lê como declaração política. A pomba pode usar-se simplesmente porque quem a usa gosta da imagem da ave mensageira, sem partilhar nenhum programa concreto. A pomba admite mais interpretações; o seu tom é mais gentil.
Um esclarecimento honesto: nem o símbolo da paz nem a pomba são símbolos de partido e nenhum dos dois deveria ler-se como apoio a qualquer parte em qualquer conflito atual. São usados por alguém para quem a ideia da paz civil importa mais do que a geopolítica do momento. Não é um emblema político ao nível de um pin de partido; é um emblema de intuição humanitária. A diferença é substancial.
Há também uma diferença formal entre os dois símbolos. O símbolo da paz é graficamente simples e abstrato: um círculo com linhas. A pomba é figurativa, um ser vivo, uma forma natural. Esta diferença reflete-se na joalharia. O símbolo da paz admite estilização marcada, esmalte brilhante, experiências de design. A pomba exige um trabalho mais delicado: detalhe de penas, bico, por vezes miniatura escultórica.
Podem usar-se ambos os símbolos ao mesmo tempo, mas com cuidado. Por exemplo, pingente com símbolo da paz e brincos de pomba. Ou anel com pomba e pulseira fina com o símbolo da paz. A combinação funciona se as proporções forem corretas e se um dos símbolos levar o peso enquanto o outro apoia.
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Materiais e técnicas
A prata 925 é o material de base para ambos os símbolos. Oferece uma boa superfície branca, aguenta o esmalte, presta-se muito bem à gravação e à oxidação. Para o símbolo da paz no registo retro dos anos sessenta, a prata combina-se muitas vezes com esmalte brilhante: os campos entre as linhas do emblema preenchem-se com esmalte vítreo de cor. As cores clássicas são o escarlate, o azul brilhante, o amarelo, o laranja, por vezes um degradê arco-íris. O esmalte faz-se com cozedura em mufla, onde o pó de esmalte funde e solidifica como superfície de vidro. É um trabalho trabalhoso, mas o resultado dura décadas.
A prata minimalista sem esmalte é uma abordagem diferente. O símbolo da paz funciona aqui apenas pela silhueta: cortes profundos no círculo, superfície polida ou mate, sem cores adicionais. A prata mate obtida por jato de areia dá uma superfície aveludada que não brilha nem compete com os detalhes da roupa.
O dourado sobre prata é um revestimento galvânico com uma camada fina de ouro. Muda o tom da peça para amarelo quente e afasta-a visualmente da associação ao cartaz de protesto, aproximando-a de uma estética joalheira mais clássica. Para o símbolo da paz, o dourado pode atuar de forma paradoxal: o nítido símbolo político dos anos sessenta suaviza-se com o material e ganha um ar vintage, quase antigo.
A oxidação, pelo contrário, intensifica a sensação vintage. A prata trata-se com sulfureto de potássio; a superfície escurece; o polimento posterior deixa as partes em relevo com prata brilhante enquanto os vãos permanecem escuros. O resultado sugere uma peça que tem anos de uso. Para o símbolo da paz em cordão de cabedal, a oxidação é quase obrigatória.
Para a pomba, o arsenal técnico é mais amplo. A gravação a laser precisa das penas permite uma representação muito detalhada numa silhueta plana. A filigrana das asas constrói-se à mão com fio fino de prata, torcido numa renda e soldado sobre a base. As incrustações de pedras semipreciosas funcionam bem na pomba. Uma pequena lazulite ou ágata em cabochão como olho da ave anima a silhueta. O ramo de oliveira incrusta-se por vezes com pequenas peças de ónix verde ou malaquite para o separar em cor da prata branca.
Para quem são estas peças
O primeiro grupo evidente é a geração que cresceu com o rock e a mitologia dos anos sessenta. Para alguém cuja juventude foi marcada pelos Beatles, Bob Dylan, Joan Baez, Creedence, o símbolo da paz não é um emblema abstrato, mas parte da história pessoal. Essas pessoas costumam usar o símbolo durante décadas.
O segundo grupo são ativistas de movimentos humanitários e ecológicos. Não necessariamente radicais, antes pessoas que trabalham em silêncio em fundações, organizações de voluntariado ou iniciativas ecológicas. Para eles, o símbolo é uma marca de pertença a um círculo humanitário. Usam-no com calma, sem o sublinhar.
Uma terceira categoria são pessoas para quem o silêncio político importa mais do que uma posição ruidosa de um lado ou de outro. Não são indiferentes; simplesmente acreditam que a ideia da paz civil importa mais do que participar nos conflitos políticos atuais. Para eles, a pomba é especialmente próxima, mais suave, mais lírica, menos ligada a qualquer movimento concreto.
Trabalhadores de organizações humanitárias, apoio a refugiados, médicos em missões em zonas de conflito, escolhem muitas vezes estas joias como sinal discreto da sua profissão.
Estas peças não são para quem procura joias em sentido puramente decorativo, sem conteúdo semântico. Aqui haverá sempre uma carga de significado, e ela não pode deixar-se para trás. Quem quer apenas um pingente bonito sem conteúdo escolherá melhor uma peça com inicial ou monograma ou um símbolo étnico geométrico como o lauburu. O símbolo da paz e a pomba só funcionam quando o significado se lê e se aceita.
Perguntas frequentes
O símbolo da paz é um símbolo cristão? Não. O símbolo da paz é um símbolo laico, criado em fevereiro de 1958 pelo designer gráfico britânico Gerald Holtom para a Campanha para o Desarmamento Nuclear. Não tem base religiosa. A composição baseia-se nas letras de semáforo N e D, que significam Nuclear Disarmament, desarmamento nuclear. A confusão com símbolos religiosos surge porque o sinal se parece graficamente com uma cruz invertida com elementos adicionais, mas é uma coincidência visual, não uma ligação histórica.
É verdade que o símbolo da paz está relacionado com o ocultismo? É um mito difundido que surgiu em determinados círculos conservadores nos anos setenta. Não tem base histórica. Holtom era um artista antibélico e membro da CND britânica, e a sua motivação era completamente cívica e política. A forma do emblema provém do alfabeto de semáforo com uma referência adicional ao quadro de Goya "O Três de Maio de 1808." Não há qualquer significado ocultista na intenção do designer nem na história do símbolo.
A pomba da paz de Picasso e a pomba bíblica são a mesma coisa? São fontes distintas que convergiram visualmente. A pomba bíblica regressa à arca de Noé com um ramo de oliveira; essa imagem existe há milénios. Picasso desenhou em 1949 a sua litografia para o Congresso Mundial da Paz. A composição de Picasso tornou-se canónica para o século XX, mas herda tanto da antiga iconografia bíblica como da tradição helenística com Eirene e Pax. Depois de 1949, no imaginário coletivo, todas estas linhas fundiram-se na imagem comum da pomba com ramo de oliveira.
Pode usar-se o símbolo da paz em reuniões de trabalho? Sim, mas é melhor escolher um formato pequeno em prata mate ou polida, sem esmalte brilhante. Um botão em miniatura ou um pingente fino por baixo da camisa lê-se como um detalhe pessoal, não como um manifesto político. Um broche grande de esmalte dos anos setenta numa reunião de trabalho parece demonstrativo e pode distrair da conversa. O registo escolhe-se conforme a situação: quanto mais sério o contexto, mais discreto o formato.
Este símbolo é político? Nos anos sessenta, setenta e oitenta, durante as manifestações antinucleares, o símbolo era claramente político e pertencia a campanhas cívicas concretas. Hoje é mais humanitário: assinala uma sensibilidade pacifista geral sem vinculação a um programa de partido. Isso não significa que se tenha tornado decoração neutra; conserva a sua carga semântica, mas essa carga é mais ampla e menos ligada a qualquer movimento concreto. A pomba, nesse sentido, é ainda menos política; funciona como símbolo humano universal de esperança e diálogo.
Qual é a diferença entre uma pomba com ramo de oliveira e uma pomba sem ramo? Uma pomba com ramo de oliveira no bico é especificamente um símbolo de paz, herdeira tanto da história bíblica de Noé como do cartaz de Picasso de 1949. A leitura é inequívoca. Uma pomba sem ramo pode ter significados distintos conforme o contexto: o Espírito Santo na iconografia cristã, um sinal de amor na tradição romântica, simplesmente uma ave. Se o objetivo é transmitir a ideia de paz, o ramo no bico é imprescindível; fixa o significado.
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Sobre a Zevira
A Zevira é uma marca de joalharia espanhola de Albacete. A linha com o símbolo da paz e a pomba é uma das categorias do catálogo. Consulte o catálogo para ver as peças atuais e os detalhes.
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Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Para terminar
Num mundo onde a ideia da paz pode parecer ingénua, usar um símbolo da paz ou uma pomba com ramo de oliveira não é ingenuidade. É uma posição consciente que marca com calma a que tradição cultural quer pertencer quem a usa. Ninguém é obrigado a declarar os seus valores através da joalharia, mas quem o faz tem direito a peças sérias e bem feitas, não a recordações de quiosque.
O símbolo da paz e a pomba funcionam melhor quanto mais tranquila é a época que rodeia quem os usa. Não gritam; indicam. Num contexto político ruidoso podem transformar-se facilmente na bandeira de um lado, o que não é aquilo para que foram concebidos. Na vida quotidiana tranquila, permanecem como aquilo para que foram desenhados: um lembrete da escolha cívica a favor do diálogo, da calma depois da tempestade e da possibilidade de nos entendermos.




























