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A apatite na joalharia: a pedra de todas as cores, variedades e cuidados

A apatite na joalharia: a pedra de todas as cores, a sua composição, variedades e cuidados

Os mineralogistas deram a esta pedra um nome tirado do grego "apatao", "enganar". E não por despeito, mas com razão: durante séculos a apatite foi confundida ora com a água-marinha, ora com o berilo, ora com a turmalina. A cor, o brilho e a forma dos cristais quase coincidem, e no fim ficas com um mineral completamente diferente, duas vezes mais mole, na mão. Essa capacidade de se disfarçar é precisamente o seu caráter: uma pedra que é preciso aprender a reconhecer.

O que é a apatite: química e física da pedra

A apatite é um grupo de fosfatos de cálcio com a fórmula geral Ca5(PO4)3(F,Cl,OH). O terceiro componente entre parênteses divide o grupo em três minerais: fluorapatite (flúor), clorapatite (cloro) e hidroxiapatite (o grupo hidroxilo). Na joalharia, o que mais se encontra é a fluorapatite, a mais estável das três.

É o mesmo mineral que forma o esmalte dos nossos dentes e boa parte do tecido ósseo. Por isso a palavra "apatite" soa familiar tanto a um geólogo como a um dentista.

As propriedades básicas que convém recordar antes de comprar:

A apatite pura é incolor. Toda a paleta vem das impurezas: iões de ferro, manganês e elementos de terras raras substituem o cálcio na rede e absorvem parte do espetro. O azul costuma associar-se às terras raras, o verde a impurezas que dão um tom amarelo-esverdeado, o violeta e o rosa ao manganês. Muitas apatites, além disso, luminescem sob luz ultravioleta e brilham em amarelo, laranja ou lilás.

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Como se forma a apatite na natureza

A apatite é um dos fosfatos mais comuns da crosta terrestre, mas muito pouco alcança qualidade gema. Forma-se de três maneiras.

Magmática. A apatite cristaliza diretamente do magma que arrefece e aparece como mineral acessório em quase todas as rochas ígneas: granito, sienito, basalto. O arrefecimento lento em profundidade faz crescer os grandes cristais transparentes que vão para a lapidação.

Metamórfica. Quando as rochas sedimentares ou ígneas são sujeitas a alta pressão e temperatura, a apatite recristaliza dentro de mármores e gnaisses. Assim se obtêm, por exemplo, os exemplares limpos das rochas carbonatadas.

Sedimentar. O fósforo acumula-se a partir dos restos de organismos marinhos e formam-se espessas camadas de fosforite. É matéria-prima para fertilizantes, e daí quase não se extraem cristais de joalharia.

As fontes-chave de apatite gema hoje são Madagáscar (o material azul néon intenso), Brasil (Minas Gerais, Bahia) e Moçambique, além da Birmânia, Sri Lanka, Canadá, Noruega, México e Estados Unidos. Na Europa, entre os jazigos históricos de apatite destacam-se os Pirenéus e o norte da península ibérica, descritos desde antigamente nos tratados de mineralogia.

A apatite néon apaga-se e acinzenta sob uma lâmpada quente. Quer aquele azul elétrico? Leve-a até à janela, e sem discussão.
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Como usar a apatite

Ao fim de anos de sessões trabalhei a apatite em todos os seus tons, do azul néon ao pêssego. Aqui vai o que de facto sustenta um look, ordenado por ocasião.

Com o que uso a apatite no dia a dia? Para o dia a dia recomendo a apatite azul junto de um fundo de armário básico: camisa branca, malha cinzenta, ganga clara. Sobre um fundo liso o tom céu lê-se limpo, sem ruído. Uns brincos de pressão ou um pendente fino numa corrente de 45 cm bastam aqui para que o conjunto pareça cuidado sem resultar de gala. Sob um decote profundo sugiro um pendente, sob uma gola fechada uns brincos, para que o rosto não fique despido.

Serve para o escritório? Sim, desde que a mantenhas sóbria. Recomendo apatite verde em prata, ou um broche com a pedra na lapela: fica apropriado e não rouba atenção ao trabalho. Os tons frios de roupa (azul-marinho, cinzento, grafite) sustentam a pedra azul e verde, os quentes (bege, areia, chocolate) iluminam a amarela e a pêssego. Escolho um tecido liso, um estampado berrante apaga a pedra.

Como monto um look de noite? Para a noite escolho o contraste: um vestido preto e apatite azul em brincos compridos. Um decote profundo abre o pescoço, e a pedra na corrente funciona como um ponto de luz. Aqui podes sair do minimalismo estrito e montar uma camada: uma corrente fina mais um pendente comprido, dois tons de apatite juntos. O azul junto ao violeta dá um jogo suave de degradê.

Posso usar um anel de apatite todos os dias? Não o aconselho. A apatite é mole, dureza 5, e na mão risca-se depressa contra a mesa e o teclado. Se te apetece muito um anel, escolho uma cravação fechada que proteja a pedra, e reservo-o para ocasiões, não para limpar nem para o ginásio. Para o dia a dia a apatite vive em brincos e pendentes, onde nada lhe bate.

Como escolho a apatite para mim? Parto do metal: a prata refresca e vai ao tom frio da pele, o ouro amarelo acrescenta calor e vai à pele morena. Depois, duas regras que não falham. Primeira: um acento de cada vez, a apatite não se usa com um monte de pedras brilhantes ao lado. Segunda: ajusto o comprimento da corrente ao decote, uma curta (40-45 cm) para pescoço aberto, uma comprida (50-60 cm) para a parte de cima fechada.

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Breve história da apatite

A longa vida da apatite é a história de uma pedra confundida. Até finais do século XVIII não se distinguia como mineral próprio: os cristais azuis eram anotados como águas-marinhas e berilos, os verdes como turmalinas, os transparentes como crisólitas. O nome "apatite" foi-lhe dado em 1786 pelo geólogo alemão Abraham Gottlob Werner, precisamente por esse hábito de se fazer passar por outras pedras.

Na joalharia, a apatite ficou muito tempo em segundo plano. A razão é simples e honesta: uma dureza de 5 aguenta mal os embates do uso diário, e gemas mais resistentes havia de sobra. No século XIX, com o auge do interesse pelas pedras baratas mas expressivas, a apatite foi cravada de vez em quando em broches e pendentes, mas nunca chegou a moda em massa.

A apatite revelou-se de facto importante não para os joalheiros, mas para a indústria e a ciência. O seu uso principal é como fonte de fósforo para os fertilizantes: sem matéria-prima fosfática não existiria a agricultura moderna. Com hidroxiapatite sintética fabricam-se implantes ósseos e dentários, um material biocompatível com o organismo. E os geólogos usam a apatite para datar rochas por análise de traços de fissão: a partir dos traços que deixa a desintegração do urânio no cristal reconstroem a história térmica de uma zona da crosta.

A apatite regressou à joalharia por direito próprio há pouco tempo, quando se começou a valorizar a cor e o insólito antes de um nome sonante. A variedade azul néon de Madagáscar foi a que mais a impulsionou.

As variedades de apatite por cor

A apatite não é uma só pedra, mas toda uma família de tons, e as variedades ordenam-se por cor.

Apatite azul

A variedade mais popular. A cor vai de um azul-céu suave a um azul intenso e saturado. Aprecia-se em especial o azul néon "paraíba" de Madagáscar, um tom puro que parece aceso por dentro, sem matiz verde nem cinzento. Os exemplares transparentes de cor rica são os mais caros do grupo.

Apatite verde

Do verde-alface ao verde-erva escuro. É mais rara do que a azul e confunde-se com facilidade com a turmalina e o berilo. Existe uma variedade chamada pedra espargo, uma apatite amarelo-esverdeada batizada pela cor do espargo tenro.

Apatite amarela

Cristais amarelo-claro e dourado-mel. É fácil confundi-los com o citrino ou o topázio amarelo, mas a apatite é mais mole e costuma ter menos fogo.

Apatite violeta e lilás

A cor é dada pelo manganês. Variedade rara e vistosa, parecida com a ametista, mas mais suave e delicada de ver.

Apatite rosa e pêssego

Pendente antigo de ouro com turquesa, pérolas e turmalina rosa
A turquesa e a turmalina rosa numa montagem antiga recolhem a mesma gama em que aparece a apatite, do verde-azulado ao rosa suave. Pendente, séculos XI - XII. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0).Pendant, 11th - 12th century. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Tons do rosa pálido ao pêssego, também pelo manganês mas em menor concentração. Uma raridade.

Apatite incolor

Cristais transparentes sem impurezas. Lapidados dão um brilho vivo, mas pela sua brandura esta apatite continua a ser mais uma pedra de colecionador do que de uso corrente.

Olho de gato e pleocroísmo

Com grande quantidade de inclusões paralelas, num cabochão de apatite surge uma banda de luz, o efeito olho de gato. E graças à sua birrefringência, a apatite colorida apresenta pleocroísmo: consoante o ângulo a pedra mostra tons diferentes de uma mesma cor. Por vezes combinam-se num só cristal zonas azuis e verdes, e esse material bicolor valoriza-se acima do de um só tom. Essa mesma zonação bicolor natural mostra-a, aliás, a ametrina, onde as zonas violeta e amarela convivem num cristal sem tratamento algum.

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Como distinguir a apatite de pedras parecidas e das imitações

A apatite disfarça-se de várias gemas e é fácil deixarmo-nos enganar. Ajudam três coisas: a dureza, o brilho e o caráter das inclusões.

A dureza, o sinal principal. A apatite (5) é bastante mais mole do que os seus duplos: água-marinha e berilo (7,5-8), turmalina (7-7,5), quartzo (7), topázio (8). Qualquer um deles risca a apatite, e a apatite a eles não. Numa peça já montada esta prova faz-se com cuidado e num ponto pouco visível, e é melhor deixá-la a um gemólogo.

Brilho e dispersão. A apatite tem um brilho vítreo mas tranquilo, sem lampejos vivos de fogo, e dispersão baixa. Se uma pedra "dispara" lampejos de cor, o mais provável é que não seja apatite.

Inclusões. A apatite natural quase sempre contém finas agulhas, canais tubulares e fissuras "cicatrizadas". O vidro denuncia-se com bolhas de gás redondas e estrias em remoinho. Uma "apatite" demasiado limpa, perfeitamente transparente e a preço de saldo, é motivo para desconfiar.

Com o que se confunde exatamente:

O que importa do tratamento. Parte do material azul é aquecido para lhe retirar um tom esverdeado ou turvo, e as pedras fissuradas por vezes são impregnadas com resina incolor ou óleo. O aquecimento é um tratamento estável, a impregnação não, e o vendedor é obrigado a avisar. Para exemplares caros convém pedir um relatório de laboratório gemológico.

A lapidação da apatite: porque a forma decide tanto

O lapidário que trabalha a apatite opera no limite do possível. A dureza 5 e a fragilidade fazem com que a pedra se desfaça no disco de polir, por isso o mestre leva-a mais devagar e com menos pressão do que o habitual quartzo ou topázio. Isso encarece o trabalho e explica porque uma apatite bem lapidada é mais rara do que o material em bruto.

As pedras transparentes e saturadas costumam receber lapidação brilhante ou em degraus (esmeralda, asscher, baguete) para lhes tirar a cor e o brilho. As claras e menos limpas vão a cabochão: a cúpula lisa esconde as inclusões e recolhe a luz numa mancha suave, e de passagem abre o olho de gato onde o há.

Em que reparar numa lapidação acabada:

A apatite na oficina: arranjos, ajuste de medida, cravação

Disto raramente se fala na montra, mas é justamente aqui que a apatite morre com mais frequência. A pedra não quer oficina, e convém saber umas quantas coisas de antemão.

O calor da soldadura. A apatite tolera mal o calor brusco e o choque térmico. Se for preciso apertar ou alargar um anel e a pedra não saiu da montagem, o soldador ou o maçarico junto dela correm o risco de abrir uma fissura pela clivagem. Um bom profissional retira a apatite da cravação antes de qualquer soldadura, em vez de soldar "à volta". Pergunta por isto diretamente quando entregares uma peça a arranjar.

O ultrassom na oficina. O banho de ultrassons habitual, com que se limpa o ouro com diamantes, está proibido para a apatite. Se dás um anel para limpar ou polir, avisa que a pedra é mole e frágil: caso contrário, passará pelo ciclo geral juntamente com as pedras duras.

A cravação. Ao assentar a pedra em garras o joalheiro pressiona sobre o rondiz, e na apatite essa aresta lasca-se com facilidade. Por isso, para esta pedra, é preferível uma montagem fechada (bisel) ou meio fechada com um rebordo grosso: o metal leva com o embate. As garras finas e afiadas na apatite prendem o tecido com o tempo e partem a aresta da pedra.

A medida do anel. Se um anel de apatite aperta, é melhor escolhê-lo à partida uma medida mais folgado do que apertá-lo depois: cada operação de ajuste implica calor e esforço mecânico, que uma pedra mole não quer.

Cor e proveniência: como ler a origem

A cor da apatite muitas vezes denuncia de onde vem. Não é um passaporte rigoroso, mas um guia prático na escolha.

Madagáscar deu à apatite uma segunda vida: de lá sai aquele famoso azul néon aceso por dentro que pôs a pedra na moda. Se um vendedor diz "apatite paraíba néon", quase sempre fala de material malgaxe.

Brasil (os estados de Minas Gerais e Bahia) é conhecido pela apatite azul e azul-esverdeada, e também pela "pedra espargo" amarelo-esverdeada. Os cristais brasileiros costumam ser maiores do que os malgaxes, mas o seu tom é mais tranquilo, sem o resplendor néon.

Birmânia e Sri Lanka contribuem, entre outras coisas, com o material para cabochões com efeito olho de gato. Canadá (Quebeque, Ontário) e Noruega são conhecidos por grandes cristais amarelo-esverdeados, os mesmos com que se descreveu a apatite nos velhos tratados de mineralogia.

A conclusão prática: se o que te importa é justamente o néon resplandecente, procura proveniência malgaxe e não pagues a mais pela etiqueta "néon" onde o tom é na verdade o tranquilo brasileiro.

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Como escolher uma apatite na compra

O preço da apatite assenta em quatro coisas: cor, pureza, lapidação e tamanho. Vejamos por ordem o que convém verificar de verdade.

A cor é o que mais importa. Aprecia-se um tom puro, saturado e regular, sem matiz cinzento nem turvo. A mais cara é a azul néon "paraíba" de Madagáscar: parece brilhar por dentro mesmo com luz de sala. Os tons pálidos, "aguados", custam bastante menos. Olha a pedra à luz do dia e sob a lâmpada: a apatite é sensível à fonte, e um tom lindíssimo sob a luz da montra por vezes acinzenta de dia.

A pureza. Para as variedades transparentes escolhe uma pedra limpa a olho nu (eye-clean): as inclusões não se veem sem lupa à distância de um braço. As agulhas finas do interior são normais e até confirmam que é natural, mas as fissuras grandes são perigosas: por elas a apatite mole parte-se com um embate e ao cravar.

Tamanho e raridade. Aqui vai um guia honesto que muda as expectativas: as apatites limpas e saturadas de mais de 2-3 quilates são raras, e o grosso do material de joalharia são pedras até um par de quilates. Um cristal grande costuma sair pálido ou com inclusões. Por isso uma apatite grande, limpa e de cor viva valoriza-se de forma desproporcionada ao seu tamanho, e não conseguirás juntar "muita pedra" barata como com o quartzo.

O pleocroísmo a teu favor. Na apatite colorida a cor muda com o ângulo. Um bom lapidário orienta a pedra para que, por cima, olhe o tom mais bonito. Roda a peça: se de um ângulo o tom cai claramente para o cinzento, a pedra está mal cravada.

Apatite num relance: tabela comparativa
CorLimpidezDurezaEnergiaRaridade
AzulSemitransparente5 MohsComunicação
VerdeSemitransparente5 MohsCrescimento
AmareloTranslúcido5 MohsConfiança
VioletaTransparente5 MohsIntuição
RosaSemitransparente5 MohsAmor-próprio

Os cuidados da apatite

Toda a prática do cuidado nasce de um só facto: dureza 5 e fragilidade. A apatite risca-se com facilidade, teme o embate e teme as mudanças bruscas de temperatura.

Limpeza. Só água morna, uma gota de sabão suave e um pano de microfibra. Nada de limpeza por ultrassons nem por vapor, a vibração e o vapor quente podem percorrer as fissuras e partir a pedra. Escovas duras e pastas abrasivas, postas de parte.

Arrumação. À parte das pedras duras, numa bolsinha suave ou num compartimento separado do guarda-joias. O quartzo, o topázio e a safira num monte comum riscam a apatite em duas saídas.

Para que serve usá-la. A dureza decide sem mais em que cravar a pedra. Os formatos mais acertados são brincos, pendentes e broches: aí a pedra está protegida de embates e roçaduras. Os anéis e as pulseiras de apatite são uma opção para ocasiões especiais, não para todos os dias: na mão a gema enche-se depressa de riscos e perde brilho. Se te apetece um anel, escolhe uma montagem fechada (bisel) que cubra o rondiz, e tira a peça antes da limpeza de casa, do desporto e da água.

O que evitar. Produtos de limpeza, perfume, ácidos, a piscina e o mar (o cloro e a água salgada danificam a pedra e a montagem), o sol direto prolongado nos exemplares mais claros. A joia põe-se em último, depois da maquilhagem e do perfume.

A simbologia da apatite

Na tradição das pedras, a apatite azul associa-se à clareza de pensamento e à comunicação, a verde ao equilíbrio, a amarela à confiança. Soa bonito, mas convém tomá-lo como uma tradição cultural e não como um facto: a pedra não tem ação física nem terapêutica demonstrada, e qualquer propriedade "energética" não está confirmada pela ciência. A apatite é antes de tudo um mineral belo, e usa-se pela cor, não por um efeito.

Mais curioso é justamente o lado terreno: o mesmo fosfato de cálcio que forma a apatite de joalharia é a base dos nossos ossos e do esmalte dentário. O vínculo entre esta pedra e o corpo aqui não é metáfora, mas química.

Mitos sobre a Apatite
A apatite é tão dura como o diamante e dura para sempre
Toca para revelar a verdade
Toda a apatite azul é igual
Toca para revelar a verdade
A apatite perde o seu poder se a oferecermos
Toca para revelar a verdade
A apatite desbota ao sol
Toca para revelar a verdade
Podes usar apatite no duche ou na piscina
Toca para revelar a verdade
A apatite violeta é mais rara e mais poderosa do que a azul
Toca para revelar a verdade
As apatites de Madagáscar têm sempre melhor qualidade
Toca para revelar a verdade

A apatite e as pedras parecidas: qual escolher

Se a escolha está entre a apatite e uma gema mais dura, o guia é simples: o cenário de uso.

Apatite e água-marinha. As duas são azuis, mas a água-marinha (7,5-8) é muito mais dura e vive tranquila num anel de todos os dias. A apatite é mais viva e saturada de cor, sobretudo o néon malgaxe, mas pede um formato delicado: brincos, pendente.

Apatite e quartzo. O quartzo (7) é mais prático e barato, a escolha para anéis de todos os dias. A apatite ganha em cor e naquele azul "resplandecente" que o quartzo não tem.

Apatite e topázio. O topázio (8) aguenta o embate e brilha mais. A apatite é mais mole e delicada de tom, escolhe-se por uma cor concreta e não pela sua resistência.

Apatite e ametista. Aqui está o cruzamento na zona violeta. A ametista é mais acessível, mais dura (7) e mais estável, e mais fácil de encontrar. Se o que precisas é justamente uma pedra violeta para todos os dias, faz mais sentido olhar para a ametista. A apatite violeta é uma raridade para ocasiões especiais.

Nessa mesma gama tranquila de azul-esverdeado, à apatite aproxima-se a amazonite, mais mate e maior em contas, que fica bem em pulseiras.

Como se vê a apatite na natureza

Dois cristais naturais de apatite de cor amarelo-esverdeada com forma prismática de seis faces
Assim se vê a apatite na natureza: cristais prismáticos de seis faces com brilho vítreo, aqui exemplares amarelo-esverdeados de Quebeque. Exemplar mineralógico. Wikimedia Commons, Public Domain.Apatite crystals, OG59, 2006-02-05. Wikimedia Commons, Public domain

A apatite natural cresce nos seus característicos prismas de seis faces, consequência direta do sistema cristalino hexagonal. As faces são regulares, a ponta plana ou piramidal, o brilho vítreo. A cor depende do jazigo e das impurezas: os cristais de Quebeque da foto são amarelo-esverdeados, os malgaxes azul néon. Por estes hexágonos de arestas nítidas se reconhece a apatite numa coleção mineralógica, ainda que na lapidação a geometria se perca.

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Perguntas frequentes sobre a apatite

Pode usar-se apatite num anel todos os dias?

É melhor não. Uma dureza de Mohs de 5 significa que a pedra depressa se enche de riscos da mesa, do teclado e de outras joias. Para o uso diário escolhe brincos, pendente ou broche. Se tiver de ser um anel, guarda-o para ocasiões especiais e numa montagem fechada que cubra a pedra.

Em que difere a apatite da água-marinha e do topázio?

Antes de tudo na dureza. A apatite é 5, a água-marinha 7,5-8, o topázio 8. Por isso a apatite risca-se com facilidade onde os seus duplos aguentam. Em cor a apatite costuma ser mais viva e saturada, mas a sua dispersão é baixa, sem um forte jogo de fogo.

A apatite brilha sob luz ultravioleta?

Muitos exemplares sim: sob lâmpada UV a apatite luminesce em amarelo, laranja ou lilás. O brilho depende das impurezas e ajuda o gemólogo no diagnóstico, mas não serve de "passaporte" único de autenticidade.

A apatite descolora ao sol?

Em geral é estável. Mas os exemplares azuis e rosas mais claros podem apagar-se um pouco com meses de sol direto. Guarda a peça no guarda-joias, longe da janela.

Pode lavar-se as mãos e tomar banho com uma joia de apatite?

A pedra tolera a água, mas o cloro da piscina, a água salgada do mar, o vapor quente e os produtos de limpeza danificam tanto a apatite como a montagem. Antes do duche, da limpeza de casa e do banho, é melhor tirar a peça.

A apatite é tratada com frequência?

Sim. O material azul é aquecido com frequência para dar pureza à cor (tratamento estável), e as pedras fissuradas por vezes são impregnadas com resina ou óleo (instável, exige cuidado). Um vendedor honesto indica o tratamento, e para pedras caras pede-se um relatório de laboratório.

Qual é a cor de apatite mais rara?

O violeta transparente, seguido do rosa e do pêssego. As três são produzidas por pequenas quantidades de manganês. O azul e o verde aparecem mais vezes e por isso são mais acessíveis. O material azul néon malgaxe valoriza-se à parte.

A apatite é uma pedra preciosa?

Na classificação habitual consideram-se preciosos o diamante, o rubi, a safira e a esmeralda, e tudo o resto chama-se semiprecioso ou ornamental. A apatite fica formalmente fora desse quarteto, mas os exemplares finos, transparentes e de cor rica são muito valorizados pelos colecionadores.

Como se limpa a apatite em casa?

Água morna, uma gota de sabão suave, um pano macio ou de microfibra. Ultrassons, vapor, escovas duras e abrasivos, postos de parte: podem partir a pedra pelas suas fissuras.

De onde vem a melhor apatite?

O azul néon intenso vem de Madagáscar, o azul e verde saturados do Brasil e de Moçambique. Bom material dão também a Birmânia, o Sri Lanka, o Canadá e a Noruega. Entre as fontes europeias, a Noruega destaca-se pelos seus cristais finos de apatite.

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A apatite em poucas palavras

A apatite é o fosfato de cálcio da mesma classe que forma os nossos ossos e o esmalte dentário. Dureza 5, cristais hexagonais, um brilho vítreo tranquilo e uma variedade de cores rara entre as gemas: do azul néon ao violeta e ao pêssego. Durante séculos foi confundida com a água-marinha, o berilo e a turmalina, daí o seu nome, "a enganadora".

O principal na escolha é recordar a sua brandura. A apatite está feita para brincos, pendentes e broches, onde nada lhe bate. Então a pedra conserva muito tempo a sua cor e o seu brilho e continua a ser justamente o que procuravas: um tom raro e reconhecível que não confundirás com o sortido em massa de uma montra.

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Sobre a Zevira

No catálogo da Zevira há peças com apatite em diferentes tons. Cada peça é feita por artesãos que sabem o que é a apatite e como lidar com uma pedra mole ao lapidá-la e cravá-la.

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