
A fluorite em joalharia: química, cores, história e cuidados
A fluorite deu nome a duas coisas que usamos todos os dias: o flúor da pasta de dentes e a palavra «fluorescência». E, no entanto, o próprio mineral é bem menos conhecido do que as gemas que iguala em beleza. Os seus cristais crescem em cubos perfeitos, brilha em violeta, verde, azul e amarelo, por vezes tudo ao mesmo tempo, em camadas dentro de uma mesma pedra. Ainda assim, continua a ser uma das gemas mais acessíveis do mostrador.
O preço dessa beleza é a brandura. A fluorite risca-se e lasca-se com facilidade, por isso em joalharia não se comporta como uma safira, mas antes como uma pedra delicada para um pendente ou uns brincos. Vejamos de que é feita, de onde vêm as suas cores, onde se extrai, como distingui-la do vidro e como cuidá-la para que não desbote.
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O que é a fluorite: química e física
A fluorite é fluoreto de cálcio, CaF2. A fórmula não podia ser mais simples: um átomo de cálcio por cada dois de flúor. Na sua forma pura, o cristal é incolor e tão transparente como o vidro. Todo o espectro de cor a pedra o deve às impurezas e aos defeitos da rede cristalina, de que falaremos mais abaixo.
O mineral cristaliza no sistema cúbico, um dos mais simétricos da natureza. Daí a forma típica dos exemplares naturais: cubos e octaedros ordenados, de faces direitas. Uma pedra com uma forma geométrica limpa já é um bom sinal de fluorite autêntica.
As propriedades essenciais que convém conhecer antes de comprar:
- Dureza Mohs: 4. A fluorite é o mineral de referência do quarto degrau da própria escala. A título de comparação: o vidro ronda 5,5, o quartzo 7, a safira 9. A fluorite risca-se com uma faca de aço e até com areia que contenha quartzo. Esta é a sua principal limitação em joalharia.
- Densidade: cerca de 3,18 g/cm3. Bastante mais pesada do que o vidro do mesmo tamanho. A pedra pesa na mão mais do que se espera.
- Clivagem perfeita em quatro direções (segundo as faces do octaedro). O mineral parte-se por planos lisos perante um golpe ou uma pressão brusca. Por isso talhar a fluorite exige pulso firme: uma clivagem mal dada arruína a pedra.
- Índice de refração de cerca de 1,43, dispersão baixa. A luz atravessa a pedra quase sem distorção, sem o «fogo» do diamante ou do zircão. Daí um brilho suave e vítreo, sem cintilações vivas.
- Fragilidade. A fluorite não é dúctil: quebra-se, não se dobra. Um golpe seco pode partir mesmo uma pedra grossa.
Estes números explicam quase tudo no comportamento da fluorite: porque não se engasta em anéis do dia a dia, porque nunca deve limpar-se com ultrassons e porque se risca com tanta facilidade quando partilha o guarda-joias com pedras mais duras.
Fluorescência e outros efeitos ópticos
Sob uma lâmpada ultravioleta (a chamada luz negra) a maioria dos exemplares de fluorite brilha, quase sempre em azul ou violeta, com menos frequência em verde ou amarelo. Os defeitos da rede absorvem o ultravioleta e reemitem-no como luz visível. Foi precisamente este mineral que deu nome ao fenómeno da fluorescência no século XIX.
Há um efeito mais raro: a termoluminescência e a triboluminescência, um clarão ao aquecer ou golpear a pedra. Se se partir certo exemplar no escuro, vê-se um lampejo por um instante. Na Idade Média isto assustava e deu origem a relatos sobre uma pedra «demoníaca», embora por trás esteja física pura: a energia mecânica liberta-se do cristal em forma de luz.
Muitos exemplares apresentam pleocroísmo, ou seja, mudam de tom conforme o ângulo de observação. A fluorite violeta pode puxar para o cinzento ou quase para o transparente ao girá-la. O vidro e o plástico tingido não sabem fazer isso, por isso o pleocroísmo é outra pista de autenticidade.
A história da fluorite
A fluorite tem uma história pouco comum para uma gema: primeiro foi valorizada como material de trabalho e só depois como adorno.
O nome vem do latim fluo, «fluir». Os metalúrgicos medievais notaram que acrescentar fluorite ao forno baixava a temperatura de fusão do minério e tornava a escória mais fluida. A pedra fazia de fundente: ajudava a separar o metal da ganga. Desde a Idade Média era acrescentada de propósito nas fundições da Alemanha e de Inglaterra, e para a metalurgia pesada tornou-se matéria-prima estratégica.
Na antiga Roma existia a murra, a «pedra murrina», da qual se torneavam taças e vasos preciosos. A maioria dos historiadores acredita que se tratava de fluorite, muitas vezes bandada e de cor zonal. Plínio, o Velho, descreveu esses recipientes como objetos de valor fabuloso. Após a queda de Roma perdeu-se o conhecimento das jazidas e, na Alta Idade Média, a fluorite quase desapareceu do uso joalheiro.
A mudança chegou no Renascimento, quando se descobriram grandes jazidas locais por toda a Europa. O exemplo mais conhecido é a fluorite de Derbyshire, em Inglaterra, sobretudo a variedade bandada azul e violeta chamada Blue John. No século XVIII os artesãos tornearam-na em jarras, taças e peças decorativas montadas em bronze dourado.
Nos séculos XVIII e XIX voltou a prevalecer o valor técnico: com o crescimento da metalurgia industrial, as fábricas precisaram de fluorite em grandes quantidades, e o seu uso joalheiro ficou de novo em segundo plano. Regressou ao adorno já perto do fim do século XIX, na época vitoriana, mas agora como pedra semipreciosa acessível e não como luxo para cabeças coroadas.
No século XX somou-se ao seu papel industrial um papel óptico: com os cristais sem defeitos começaram a fabricar-se lentes para microscópios, telescópios e câmaras. A associação da pedra com a «clareza mental» foi uma invenção dos autores da New Age nos anos setenta e oitenta, apoiada no eco entre o seu nome e a palavra «fluxo». Essa leitura não tem raízes históricas: é simbolismo moderno, não tradição antiga.
Fluorite violeta na praia? Apaga-se antes do seu bronzeado. À sombra, e sem discussão.
Com que usar a fluorite
Depois de anos em rodagens, combinei a fluorite em dezenas de conjuntos e conheço o seu caráter: a cor manda, e a pedra prefere que não a sobrecarreguem. É isto o que de facto funciona.
Com que uso a fluorite no dia a dia? Para o dia a dia recomendo uma pedra violeta ou verde sobre roupa lisa de tons serenos: cinzento, bege, azul-marinho, azeitona. A fluorite fica como único golpe de cor, e basta. Sugiro um pendente numa corrente fina de prata sobre uma camisola de gola alta ou uma camisa aberta. Para o escritório escolho brincos de botão ou um pendente pequeno: não distrai nas videochamadas e dá aprumo ao conjunto.
Como monto um conjunto de noite? À noite deixo que a pedra se abra. Recomendo uma fluorite violeta facetada sob um decote profundo, um vestido preto ou cor de vinho e uma luz suave e dirigida: a pedra começa a jogar com o pleocroísmo, oscilando entre o violeta e o quase transparente. Para uma ocasião especial sugiro brincos compridos ou de candelabro, que captam a luz a cada volta de cabeça.
Com que metal a combino? Com prata e ouro branco acima de tudo: o metal frio sublinha a natureza fria da pedra. O ouro amarelo, quente, reservo-o para a fluorite amarela e verde, onde encaixa. Com a violeta e a azul o metal quente entra em conflito, por isso deixo-o de fora.
Como a uso em camadas? Sugiro vizinhos que não compitam de caráter: quartzo transparente, pedra da lua, ametista, pérola. As pedras de cores vivas ao lado evito-as; a fluorite já é multicor, e o excesso desfoca a imagem. Uma peça de fluorite que se note por conjunto rende mais do que três de uma vez.
Que comprimento de corrente escolho? Para um ar profissional recomendo uma corrente de 45 cm junto ao pescoço; para a noite, uma comprida de 60 a 70 cm para que o pendente caia sob o decote. A fluorite arco-íris escolho-a sob um traje sóbrio sem outros detalhes chamativos, e deixo que a joia leve a conversa.

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Opiniões de clientes
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Geologia: onde se extrai a fluorite
A fluorite forma-se em filões hidrotermais. Soluções quentes saturadas de cálcio e flúor sobem pelas fendas da crosta terrestre, arrefecem e o fluoreto de cálcio cristaliza. O processo dura milhões de anos, e por isso numa só pedra costumam ver-se camadas de cor diferente: a composição da solução foi mudando com o tempo.
As principais fontes por países:
- China, o maior produtor, cerca de 60% da extração mundial. A pedra dá-se em qualquer qualidade, da técnica à de gema transparente.
- México (Durango, Chihuahua, Zacatecas), cristais pálidos e muito transparentes, muitas vezes com camadas de cor «fantasma» no interior. Os colecionadores apreciam-nos.
- Inglaterra (Derbyshire), a clássica fluorite verde e amarela, e a bandada Blue John.
- Alemanha (a Floresta Negra), jazida histórica de fluorite violeta escura.
- França (o Maciço Central), pedra azul e violeta com pleocroísmo marcado.
- Afeganistão e Tajiquistão, exemplares de alta qualidade com estrutura fantasma.
De onde vem a cor
O fluoreto de cálcio puro é incolor. A cor vem das impurezas de elementos das terras raras e dos defeitos da rede (os chamados centros de cor, onde um eletrão aprisionado ocupa o lugar de um ião).
- Violeta, a cor mais frequente. Respondem por ela os centros de cor e as impurezas de terras raras. O tom vai da lavanda pálida a uma ametista quase negra. É a cor que mais teme o ultravioleta e desbota ao sol com o tempo.
- Azul, ligado a outro tipo de defeito. Aguenta a cor melhor do que o violeta. Um azul-céu profundo é raro e muito valorizado.
- Verde, produzido por impurezas muitas vezes associadas ao ferro e às terras raras. Uma das variantes mais resistentes à descoloração. A fluorite de Derbyshire é muitas vezes verde com um matiz amarelo.
- Amarelo, relativamente raro, claro e translúcido, por vezes lembra o topázio.
- Incolor (branca), a mais pura, quase sem impurezas. Alta transparência óptica, usa-se também para lentes.
- Multicor (arco-íris), camadas de violeta, azul, verde e amarelo dentro de um mesmo cristal. É o resultado de uma cristalização repetida com a composição da solução a mudar. Dá-se sobretudo no México e no Afeganistão.
Convém lembrar uma coisa: a fluorite violeta e a azul podem desbotar sob o sol direto e o ultravioleta. Por isso as joias que as levam guardam-se melhor no escuro e não se usam dias inteiros sob um sol forte.
Blue John: uma rara variedade bandada
Entre as fluorites, a Blue John de Derbyshire ocupa um lugar à parte: uma pedra bandada que alterna camadas violeta-azuladas e amarelo-mel. Extrai-se apenas em duas explorações perto da aldeia de Castleton, no condado inglês de Derbyshire, e em nenhum outro lugar do mundo há um equivalente natural dessas cores. O nome, segundo a versão mais divulgada, é uma deformação do francês bleu-jaune, «azul-amarelo».
O bandado torna a pedra especialmente frágil: parte-se pelos limites entre bandas, por isso quase nunca se talha para anéis. Histórica e atualmente, a Blue John destina-se a jarras talhadas, taças e cabuchões, e antes de a trabalhar as lâminas são muitas vezes impregnadas com resina, ou o material é fragmentado. A extração faz-se em pequenas quantidades, umas poucas toneladas por ano, e só na estação fria, quando as oficinas não atendem ao turismo, de modo que as peças de Blue John autêntica são raras e valem acima da fluorite corrente. Faz-se passar por ela fluorite corrente tingida ou resina com um desenho impresso; o exemplar genuíno delata-se por um bandado irregular e algo difuso e por um peso apreciável.
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A fluorite na ciência e na técnica
Para além da joalharia, a fluorite cumpre um enorme papel prático, e esse papel explica muito da própria pedra.
Óptica. Os cristais transparentes sem defeitos transmitem a luz quase sem dispersão nem distorção cromática. Com eles fabricam-se lentes de primeira classe para microscópios, telescópios e objetivas de câmara. Essa fluorite óptica tem de ser perfeitamente limpa e é rara, por isso resulta cara. A joalharia não precisa de semelhante pureza, e por isso a fluorite de gema continua a ser acessível.
Fonte de flúor e fundente. A indústria obtém da fluorite o ácido fluorídrico e os compostos de flúor. Em metalurgia continua a atuar como fundente, baixando a temperatura de fusão e aligeirando a escória.
Fluorescência. O brilho sob o ultravioleta, pelo qual o mineral deu nome ao fenómeno. Esta mesma propriedade serve de cómodo teste de autenticidade.
Estabilidade química. A fluorite é inerte perante a maioria das substâncias e não se dissolve em água. Os ácidos atuam sobre ela devagar, mas atuam, por isso é melhor evitar o contacto com produtos ácidos.
À volta da pedra acumulou-se bastante mito, desde o medo medieval do seu brilho até aos exageros modernos sobre o seu «poder mágico». Repasemos as afirmações mais habituais e separemos os factos da fantasia.
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Joias de fluorite: os formatos
Com uma dureza de apenas 4 em Mohs, a fluorite luz melhor onde fica ao abrigo de golpes e roçaduras. Quanto mais longe das superfícies de trabalho, mais dura a pedra.
Pendentes
O formato mais feliz. Um pendente pende livre, não roça nem a mesa nem o teclado, e a pedra conserva o seu aspeto muito tempo. Formas de a trabalhar:
- Pedra rolada de forma irregular numa engaste simples ou num trançado de arame. A opção mais acessível e prática, de aspeto natural.
- Pedra facetada (almofada, pera, quadrada) joga lindamente com a luz: veem-se as mudanças de cor e os reflexos. Custa mais do que a rolada.
- Cristal em bruto, um cubo ou octaedro natural engastado tal como é. Vai bem para quem aprecia a forma natural do mineral.
Brincos
Outro formato seguro para a pedra: os brincos quase não recebem golpes. Os brincos de botão são discretos e cómodos para o dia a dia, ao passo que os brincos compridos e de candelabro captam a luz a cada movimento da cabeça e prestam-se à noite. A fluorite clara dá um brilho suave; a saturada, um golpe de cor que se nota.
Pulseiras
Uma pulseira de contas de fluorite (à volta de 8 mm) sobre um cordão elástico é uma opção comum e económica. Tenha em conta que o pulso roça superfícies com mais frequência do que o peito ou as orelhas, por isso a pedra de uma pulseira risca-se mais cedo. A versão com corrente e fecho de prata dura mais do que o cordão elástico, que se estica com o tempo.
Anéis
O formato mais arriscado. Com dureza 4, a pedra no dedo cobre-se cedo de riscos, e um golpe pode lascá-la por um plano de clivagem. Se ainda assim quiser um anel:
- Escolha fluorite verde ou azul, algo mais resistentes do que a violeta e melhores a conservar a cor.
- Use-o na mão menos ativa e tire-o para o desporto, a limpeza, o trabalho com ferramentas e a água.
- Peça ao joalheiro que engaste a pedra num bisel ou com garras que protejam os cantos e as arestas.
- Encare-o como um anel de noite e não de todos os dias.
Como escolher a fluorite
Ao escolher uma pedra para joalharia olham-se várias coisas: a transparência, a cor, o desenho e o acabamento.
Transparência
A pedra ideal é totalmente transparente, a luz atravessa-a como um vidro limpo. Mas a fluorite natural costuma guardar microfissuras, zonas turvas, camadas de cor e inclusões de gás. Isso não é um defeito, mas um traço do mineral.
- Uma pedra transparente sem defeitos visíveis vai para a joalharia da máxima qualidade e custa mais.
- Uma pedra translúcida ou algo turva no centro, mas de bonita cor, é uma opção comum e acessível para as peças do dia a dia.
- Os exemplares com inclusões e fantasmas são apreciados pelos colecionadores pelo desenho, embora se prestem menos ao talhe.
Para um pendente que se segura na mão e se olha em contraluz, escolha uma pedra mais limpa. Para uma pulseira do dia a dia basta uma translúcida.
Cor
A fluorite natural tem um tom suave e algo desigual. Uma cor demasiado uniforme e de um brilho néon é motivo para desconfiar de irradiação ou tinta. Dentro de uma mesma cor há gradações: a lavanda pálida é mais suave e acessível, a ametista profunda, mais rara e cara. Lembre-se da descoloração: se a peça estiver muitas vezes à luz, o violeta perderá saturação com o tempo, e então faz mais sentido optar pelo verde ou pelo azul.
Fantasmas e camadas
Em muitos exemplares do México e do Afeganistão veem-se linhas de cor paralelas, os «fantasmas». Não é um defeito, mas o registo da história de crescimento do cristal: cada camada cristalizou com a sua própria composição de solução. Com um bom talhe essas camadas ficam chamativas e tornam a pedra reconhecível, por isso muitos escolhem a fluorite justamente pelo desenho.
Como distinguir a fluorite autêntica da falsa
O que mais frequentemente se disfarça de fluorite é vidro ou plástico tingido. Comprová-lo não é difícil:
- Peso. A fluorite autêntica (densidade 3,18) é bastante mais pesada do que o vidro do mesmo tamanho e muito mais do que o plástico.
- Brilho. A maioria dos exemplares brilha sob a lâmpada ultravioleta. Se comprar à distância, peça um vídeo com luz negra. O vidro e o plástico costumam não brilhar, ou brilhar de outro modo.
- Temperatura. A fluorite está fresca ao tato e rouba cedo o calor da mão. O plástico é mais quente.
- Inclusões. No vidro veem-se bolhas de ar redondas; na fluorite natural, transições de cor suaves e microfissuras.
- Forma. Os cristais naturais dão cubos e octaedros de faces direitas.
A fluorite sintética existe, mas cultiva-se para óptica, não para joalharia: a pedra natural é mais barata e acessível, por isso falsificá-la não compensa. As marcas de uma pedra de laboratório: uma transparência excessivamente perfeita, uma cor antinaturalmente uniforme e uma fluorescência fraca.
Como não confundir a fluorite com pedras parecidas
O vidro delata-se pelo peso e pelas bolhas, mas a fluorite também se confunde com gemas autênticas de cor parecida. A diferença vê-se em vários indícios.
- Fluorite violeta e ametista. A ametista é quartzo, dureza 7; nem a unha nem a faca de aço a riscam, ao passo que a fluorite, com dureza 4, se risca com facilidade (teste apenas num canto oculto). A ametista é mais fria de brilho e não desbota ao sol tão depressa. Sob luz negra a ametista costuma ser inerte, enquanto a fluorite brilha com mais frequência.
- Fluorite verde e quartzo verde (prasiolite). De novo decidem a dureza e o brilho: o quartzo é mais duro e cala-se sob o ultravioleta. Na fluorite nota-se mais a zonalidade e as camadas de cor suaves.
- Fluorite azul e topázio. O topázio é bastante mais duro (8) e dá reflexos mais vivos nas facetas. A fluorite é mais suave de brilho, sem «fogo».
- Fluorite arco-íris e vidro de cor que a imita. Na pedra natural as camadas fantasma correm paralelas às faces de crescimento e nunca se repetem exatamente iguais; na imitação o desenho parece pintado ou redemoinhado, como veios de tinta.
O conjunto de testes caseiro mais fiável continua a ser o mesmo: peso, frescura ao tato, brilho sob o ultravioleta e caráter das inclusões. O teste do risco, faça-o apenas com um especialista ou num ponto oculto: a fluorite estraga-se com facilidade.
Tratamentos: o que se faz à pedra com honestidade
A fluorite é barata, por isso não se «melhora» de forma massiva, mas surgem algumas técnicas e convém conhecê-las.
- Irradiação e aquecimento para a cor. A irradiação aprofunda o tom violeta e azul; o aquecimento, pelo contrário, aclara-o ou muda-o. O sinal de intervenção é uma cor antinaturalmente uniforme e de brilho néon, sem zonalidade natural. Essa cor reforçada de forma artificial costuma aguentar ainda pior a luz.
- Impregnação e estabilização. Os exemplares porosos e gretados impregnam-se com resina ou óleo incolores para ocultar as microfissuras e reforçar a pedra antes do talhe. Nota-se por um brilho antinatural nas gretas e uma sensação algo pegajosa na superfície.
- Revestimento (coating). Às contas roladas aplica-se às vezes uma fina película iridescente ou metálica para dar «efeito». Apaga-se nos cantos e nos pontos de roçadura, deixando à vista a pedra corrente, e isso delata o tratamento.
- Dobletes. Uma lâmina fina de fluorite cola-se sobre uma base de vidro ou quartzo. A união vê-se de lado, ao viés, como uma linha de separação lisa.
A Zevira não irradia, não tinge nem reveste as pedras com película: a fluorite recebe a sua cor e o seu jogo de luz na natureza.
Do preço sem números
A fluorite é uma das gemas mais acessíveis, e falsifica-se pouco precisamente porque a pedra natural custa pouco. No preço influem o tamanho, a transparência, a raridade da cor (a violeta e a verde mais baratas; a azul, a amarela e a arco-íris mais caras) e o tipo de trabalho (a facetada mais cara do que a rolada; o talismã talhado, o mais caro). Um preço suspeitosamente baixo pode assinalar uma pedra tratada; um inflacionado, um sobrepreço sob a aparência de exemplar «de colecionador».
Cuidado da fluorite
A fluorite é branda e frágil, por isso o seu cuidado resume-se a umas poucas regras simples.
- Limpeza. Só uma escova macia, água morna e um pouco de sabão. Nada de ultrassons nem vapor: a vibração e o calor partem a pedra pela clivagem. Os produtos ácidos também estão descartados.
- Luz. A fluorite violeta e a azul desbotam ao sol e sob o ultravioleta. Guarde as joias num estojo ou numa bolsinha, no escuro, e não as deixe muito tempo no parapeito da janela.
- Armazenamento. Tenha-a afastada das pedras mais duras (quartzo, safira, diamante), ou riscarão a fluorite. Serve uma bolsinha de tecido macio ou um compartimento forrado do guarda-joias.
- Uso. Tire as joias antes do desporto, da limpeza, do duche e do banho. O suor é algo ácido e, com o tempo, pode deixar a superfície baça.
- Golpes e mudanças bruscas de temperatura. Proteja-a das quedas e das mudanças bruscas de temperatura: ambas podem partir a pedra.
Com um trato cuidadoso, a fluorite dura muito: não se oxida nem se decompõe por si só, e os riscos principais, os riscos, as lascas e a descoloração, estão inteiramente nas mãos de quem a usa.
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Perguntas frequentes sobre a fluorite
A fluorite desbota ao sol?
Sim, sobretudo a violeta e a azul. Com uso diário ao ar livre a cor empalidece de forma notável em uns meses. A verde aguenta melhor. Guarde as joias no escuro e proteja-as do sol direto.
Pode molhar-se a fluorite?
Não se dissolve em água limpa, e um contacto breve não é perigoso. Mas os ácidos (incluindo o suor ácido) atuam sobre a superfície, por isso não convém nadar com a joia nem tê-la muito tempo na água.
Como se limpam as joias de fluorite?
Uma escova macia, água morna e um pouco de sabão. Nada de ultrassons, vapor nem produtos ácidos: a pedra é branda e frágil.
Serve a fluorite para o uso diário?
Pendentes e brincos, sim: estão ao abrigo de golpes. Os anéis do dia a dia não são a melhor ideia pela dureza de 4 em Mohs. Se quiser um anel, escolha fluorite verde ou azul num engaste protetor.
A fluorite é magnética?
Não.
Que cor de fluorite escolher?
Conforme o gosto e o modo de uso. A violeta é a mais comum, mas desbota mais cedo. A verde e a azul resistem melhor à luz. A arco-íris é a mais vistosa e rara.
A fluorite associa-se a algum signo do zodíaco?
A astrologia popular associa-a por vezes a Aquário, mas é uma associação cultural sem base provada. Escolha a pedra pela cor e pela forma, não pelo horóscopo.
Pode gravar-se a fluorite?
Sim; pela sua brandura talha-se com facilidade. A gravação luz bem numa pedra clara. Melhor com buril do que com laser: o calor pode provocar microfissuras neste mineral frágil.
É segura a fluorite em contacto com a pele?
Sim, o mineral não é tóxico. O único risco é puramente mecânico: as arestas afiadas de um cristal em bruto podem riscar, e a própria pedra é frágil.
Existe a fluorite sintética?
Existe, mas cultiva-se para óptica, não para joalharia: a natural é mais barata. As marcas de uma pedra de laboratório: uma transparência demasiado perfeita, uma cor antinaturalmente uniforme e um brilho fraco sob o ultravioleta.
O que simboliza a fluorite?
Historicamente, na Europa associava-se à metalurgia e ao comércio pelo seu papel de fundente. A leitura moderna como «pedra da clareza mental» surgiu no século XX entre os autores da New Age e apoia-se no eco entre o seu nome e a palavra «fluxo», não numa tradição antiga.
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A fluorite é uma pedra para quem valoriza numa joia uma cor e um caráter pouco comuns antes do alarde. O seu pleocroísmo frio e a geometria do cristal tornam-na reconhecível, e ao mesmo tempo continua a ser acessível.
A nossa coleção reúne pendentes, brincos e pulseiras de fluorite em diferentes tons, da lavanda suave e da ametista profunda ao verde-floresta, ao azul-céu e ao arco-íris. Não tingimos nem irradiamos as pedras: recebe a cor natural e o jogo de luz natural.
Escolhemos cada peça pela sua transparência e pela pureza da cor e acompanhamo-la de conselhos de cuidado, pois a fluorite é branda e agradece um trato delicado. Se não sabe que tom e formato escolher, escreva-nos e ajudamo-lo a escolher.



































