
Danburite: a pedra transparente que se encontrou por acaso
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Uma gema sem lendas antigas
Em 1839, um geólogo remexia numa pedreira perto da localidade de Danbury, no Connecticut, à procura de um mineral completamente diferente. O que acabou por lhe cair na mão não encaixava em nenhuma descrição que conhecesse: transparente, dura, com brilho vítreo, não se fundia como o quartzo nem se riscava como a calcite. Foi assim que apareceu a danburite, uma pedra que leva o nome da pequena aldeia hoje recordada sobretudo graças a ela.
A maioria das gemas arrasta consigo milhares de anos de mitologia. A danburite não tem nada disso. Foi descoberta há menos de dois séculos e durante muito tempo foi apenas uma linha nos catálogos mineralógicos, interessante unicamente para os cientistas. O que tem, isso sim, é raridade, a transparência do cristal de rocha, tons suaves de rosa e de mel, e uma física curiosa: muitas danburites brilham sob a luz ultravioleta. Neste guia vamos direitos ao prático: de que é feita a danburite, como se forma na terra, onde se extrai, em que se distingue de outras pedras transparentes parecidas, como diferenciá-la do vidro e como cuidar dela.
A química e a física da danburite
A danburite é um borossilicato de cálcio com a fórmula CaB₂Si₂O₈. Na sua base há três elementos: cálcio, boro e silício, unidos numa rede cristalina densa. O boro é o que torna a danburite um mineral raro, porque há pouco dele na crosta terrestre e só se concentra em condições geológicas especiais.
Dureza e densidade
A danburite tem uma dureza de 7 a 7,5 na escala de Mohs, ao nível do quartzo e um pouco acima. Para comparar, o vidro de janela ronda o 5,5 e uma faca de aço fica mais ou menos no mesmo. Ou seja, a danburite risca tanto o vidro como o aço, ao passo que o topázio ou a safira já deixam marca na própria danburite. Essa dureza chega para a joalharia do dia a dia, algo que não se pode dizer de muitos minerais transparentes moles.
A densidade da danburite é de cerca de 3,0 g/cm³, bastante superior à do quartzo, que é 2,65. Se pegar em duas pedras transparentes do mesmo tamanho, a danburite nota-se claramente mais pesada. Esta é uma das formas caseiras mais simples de a distinguir do vidro e do cristal de rocha: a danburite pesa mais do que aparenta.
Estrutura do cristal
A danburite cristaliza no sistema rômbico (ortorrômbico). Os seus cristais costumam ser alongados e prismáticos, com vértices característicos em forma de cunha, como um escopro. As faces apresentam muitas vezes finas estrias verticais. É por esta forma que os coleccionadores reconhecem a danburite à primeira vista, embora por fora se pareça com o topázio e um olho sem experiência os confunda.
A danburite tem uma clivagem imperfeita numa direcção. Na prática, isto significa que uma pancada forte e localizada pode partir a pedra por esse plano, apesar da sua boa resistência ao risco. Aqui convém separar duas ideias: dureza e tenacidade. A danburite é dura, mas não é a gema mais resistente aos impactos. Por isso os lapidadores a trabalham com cuidado e os joalheiros recomendam engastes protectores.
Óptica e luminescência
A danburite pura é incolor e transparente, próxima do cristal de rocha na sua pureza. O seu índice de refracção é médio (à volta de 1,63), pelo que o jogo da luz é mais suave do que num diamante, mas com uma boa lapidação a pedra dá um resplendor cálido e tranquilo. A dispersão (a decomposição da luz em cores) é fraca, sem um efeito de arco-íris vistoso.
O mais curioso da danburite é a sua luminescência. Sob uma lâmpada ultravioleta muitos exemplares brilham em azul ou azul esverdeado e, ao apagar a luz, continuam a arder debilmente durante algum tempo. Este fenómeno chama-se fosforescência, e foi o que na altura deu origem a relatos de uma pedra que guarda a luz no seu interior. Com luz de dia normal a danburite não brilha; o efeito só surge sob a luz ultravioleta.
Resumo rápido das suas propriedades
Para reunir o essencial num só sítio: composição química, borossilicato de cálcio, fórmula CaB₂Si₂O₈. Dureza Mohs de 7 a 7,5. Densidade de cerca de 3,0 g/cm³. Sistema rômbico, cristais prismáticos com vértices em cunha. Brilho vítreo. Transparência, de transparente a translúcida. Cor, de incolor a mel, amarelo, rosa e, em raras ocasiões, um tom azulado. Clivagem imperfeita numa direcção. Muitos exemplares apresentam azul sob a luz ultravioleta.
Como se vê a danburite na natureza
Na natureza a danburite aparece quase sempre em cristais prismáticos bem formados, incrustados na rocha-mãe ou agrupados em drusas. As faces costumam ter brilho vítreo e uma lisura de espelho pela qual os coleccionadores reconhecem o material de qualidade. Por vezes a danburite forma agregados radiais, como um leque, que fazem lembrar um fogo de artifício congelado. Os tamanhos vão desde milímetros até cristais grandes de vários centímetros, os que na altura deram as melhores minas do Japão e do México.
Que a tomem por um vidro. A danburite pesa mais do que a opinião deles, e o segredo é só teu. Nem uma palavra.
Com que usar a danburite
Anos entre rodagens e vitrinas ensinaram-me que a danburite passa despercebida a quem não está por dentro, e é aí que reside o seu encanto. Reuni aqui o que de facto funciona, consoante a ocasião.
Com que uso a danburite no dia a dia? Para o dia a dia recomendo uma pedra pequena, incolor ou mel, num pendente ou em brincos de botão sobre uma corrente fina. Convive maravilhosamente com o básico: camisa branca, malha clara, gola aberta. Uma pedra transparente junto ao decote capta a luz e anima até o conjunto mais simples, enquanto a corrente fina a mantém no seu lugar sem roubar protagonismo.
Encaixa no escritório? Sim, desde que mantenha a sobriedade. Aconselho uma pedra incolor num engaste sóbrio de prata ou ouro branco: lê-se como um sinal discreto de bom gosto, não como uma joia de exibição. Fica bem por baixo de uma camisa, de um blazer, de uma camisola de gola alta em tons frios. Para o trabalho escolho uma só pedra limpa, sem um rosário de peças pequenas à volta.
Como monto um conjunto de noite? Para a noite escolho os formatos mais expressivos: brincos compridos que cintilam com suavidade ao virar a cabeça, ou um pendente em engaste aberto. A danburite dá-se bem com um decote em bico e com tecidos lisos de tons profundos, sobre os quais a sua transparência se lê mais nítida. A pedra rosa combino-a com tons pó, vinho e pastel cálidos.
Que metal para cada matiz? A lógica é simples. A prata e o ouro branco frios recomendo-os para as pedras incolores, porque sublinham essa transparência aquosa. Os matizes mel e amarelo animo-os com ouro amarelo, e às rosa vai-lhes o ouro rosa que dialoga com o seu tom. O metal deve servir a pedra, não discutir com ela.
Com que combina a danburite e com que não? A danburite convive tranquila com outras pedras claras: o quartzo rosa e a ametista violeta dão-lhe um bonito contraste. O que não faria é guardá-la na mesma pulseira com algo mais duro, como a safira ou o topázio, porque ao roçar lhe arranharão as facetas. E a regra que nunca falha: uma danburite expressiva sozinha ganha sempre a um punhado de joias à volta. Deixe-a fazer o solo.

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Como se forma a danburite na terra
O caminho geológico da danburite começa onde fluidos quentes ricos em boro e silício se encontram com rochas carbonatadas, calcário ou dolomia. Nestas zonas de contacto ocorre uma reacção química, e dos fluidos cristaliza devagar a danburite, muitas vezes acompanhada de outros minerais de boro e de cálcio. O processo leva milhões de anos e exige uma temperatura e uma pressão estáveis. Basta uma pequena mudança nas condições para que o crescimento pare ou o cristal saia com defeitos. Por isso os cristais grandes e limpos são tão raros.
O boro é, de si, um elemento escasso na crosta terrestre, e os lugares onde se concentra o suficiente para que cresçam cristais grandes e limpos contam-se pelos dedos de uma mão. Isso explica a raridade da danburite: precisa da presença simultânea de boro, cálcio e silício nas condições adequadas de metamorfismo, ou de contacto do magma com rochas carbonatadas.
Minerais acompanhantes
Na natureza a danburite raramente se encontra sozinha. Os seus vizinhos frequentes são a datolite, a axinite, a calcite, o quartzo e os silicatos das zonas de contacto. Pelo conjunto de minerais acompanhantes um geólogo pode supor a origem de um exemplar. Aos coleccionadores atraem sobretudo as peças em que a danburite cresceu junto a minerais contrastantes, formando uma bonita composição natural.
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Onde se extrai a danburite
A danburite é um mineral raro, e no mundo há apenas um punhado de grandes jazidas de qualidade gema. Cada uma dá pedras com o seu próprio carácter.
México
San Luis Potosí e Chihuahua são a principal fonte de danburite transparente para colecções e joalharia. Os cristais mexicanos são grandes, bem formados, muitas vezes com faces de espelho e vértices biselados. A cor costuma ser incolor ou amarelo claro, cor de mel. Graças ao volume de extracção, é o material mexicano o que mais chega ao mercado. Se hoje tiver na mão uma danburite transparente, é muito provável que venha do México.
Birmânia (Myanmar)
O vale de Mogok e as comarcas vizinhas dão danburite com raros tons de rosa e de vinho. A mesma geologia que em Mogok faz nascer os famosos rubis e safiras dá, de vez em quando, danburite rosa. Encontra-se de passagem, em pequenas quantidades, e por isso a danburite rosa birmanesa foi sempre uma raridade. É por este matiz que a pedra ganhou a fama de estar ligada ao tema do coração.
Japão
A mina de Obira, na prefeitura de Ōita, no final do século XIX e início do XX deu danburite transparente de qualidade gema: cristais grandes, limpos e de forma perfeita. Repartiram-se por colecções de museus e de particulares da Europa e da América. A mina fechou há muito, pelo que as danburites japonesas antigas são especialmente valorizadas pelos coleccionadores.
Outros pontos do mapa
Em menor quantidade a danburite encontra-se em Madagáscar, na Bolívia, nos Alpes suíços, na Tanzânia e nos Estados Unidos para além do histórico Connecticut. Estas jazidas não marcam o mercado, mas alargam a geografia da pedra. O material de verdadeira qualidade gema destas fontes menores é pouco comum e costuma interessar antes de mais aos mineralogistas, como mineral característico das zonas de contacto e de metassomatismo.
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A história da danburite
A descoberta no Connecticut
A história da danburite arranca com uma data concreta. Em 1839 o mineralogista norte-americano Charles Upham Shepard descreveu um mineral novo encontrado em rochas dolomíticas perto da localidade de Danbury, e deu-lhe o nome pelo lugar do achado. Shepard era professor de história natural e um dos mineralogistas norte-americanos mais destacados do seu tempo, que reuniu uma grande colecção de minerais e meteoritos.
Curiosamente, a jazida original do Connecticut acabou por ser modesta: os cristais de lá são pequenos e raramente transparentes. A verdadeira fama chegou à danburite de outros pontos do mapa, abertos décadas mais tarde. Nas primeiras décadas após a sua descoberta a danburite interessava quase só aos cientistas, não tinha valor de mercado e existia como uma linha nos catálogos.
A sua conversão em pedra de coleccionador
O século XX fez da danburite uma pedra desejada. Primeiro os cristais japoneses de Obira repartiram-se por museus e colecções, mostrando quão bonito podia ser este mineral. Depois as jazidas mexicanas deram material transparente suficiente para lapidar danburite em joalharia. Em paralelo, crescia a indústria da mineralogia popular: revistas, exposições, feiras de gemas. No final do século a danburite estava firmemente instalada no mundo dos amantes das pedras. Com a chegada do comércio online tornou-se ainda mais acessível, embora com isso tenha aumentado também a necessidade de cautela: na internet é mais fácil dar de caras com uma troca.
Uma pedra jovem no esoterismo
A danburite chegou tarde à litoterapia, na segunda metade do século XX, na onda do movimento New Age. Os autores de livros sobre cristais dos anos oitenta e noventa descreveram esta pedra clara e transparente como uma pedra de calma e clareza, e essas descrições copiaram-se de livro em livro. Que fique claro: é uma tradição cultural das últimas décadas, não um saber antigo. A danburite não carrega uma mitologia milenar, e os significados que se lhe atribuem apareceram há pouco. Da simbologia falaremos mais adiante, à parte e com cepticismo.
Tipos e matizes da danburite
Embora a danburite seja muitas vezes descrita como incolor, tem a sua própria paleta. O matiz depende das microimpurezas e da jazida. A danburite perfeitamente pura é incolor, porque na sua composição não há cromóforos, os elementos que dão cor. A cor surge graças a pequenas impurezas e centros de cor na estrutura, e, como depende de factores pouco frequentes, as pedras de cor intensa são mais valorizadas.
Incolor (transparente)
A variedade mais comum. Uma pedra limpa e transparente como a água, parecida no aspecto com o cristal de rocha ou o topázio branco. Lapidada dá um resplendor tranquilo, sem um brilho agressivo. A opção de base para quem quer uma pedra transparente de carácter suave.
Mel e amarela
Os tons amarelo claro e mel vêem-se sobretudo nos cristais mexicanos. O matiz cálido e solar combina bem com engastes dourados. A danburite amarela confunde-se por vezes com o citrino ou o topázio amarelo, mas é mais suave de cor e mais tranquila de brilho.
Rosa e cor de vinho
A variedade mais rara e desejada. As pedras rosa suave e rosa vinho procedem sobretudo da Birmânia. Em joalharia o rosa lê-se como delicado, sem um brilho berrante. Esta danburite raramente é grande e custa bastante mais do que a incolor.
Azulada e acinzentada
Muito de vez em quando aparecem pedras com um matiz frio azulado ou acinzentado. É um material de nicho, sobretudo para coleccionadores, que quase nunca chega à joalharia de grande consumo.
O efeito olho de gato
Em casos excepcionais, com inclusões finas e paralelas e uma lapidação em cabochão, a danburite dá um leve efeito olho de gato, uma banda estreita de luz sobre a superfície. Essas pedras são uma grande raridade e interessam antes de mais aos coleccionadores. Muito mais frequentemente o valor da danburite é fixado pela pureza, a cor e o tamanho.
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Como distinguir a danburite de pedras parecidas e das imitações
A danburite é uma pedra rara, e por vezes vendem-se sob o seu nome minerais transparentes mais baratos ou vidro. Umas quantas regras simples ajudam a não cometer erros.
Diferença face ao vidro
As principais diferenças físicas entre a danburite e o vidro são o peso, a dureza e a reacção ao ultravioleta. A danburite é mais pesada do que o vidro do mesmo tamanho e bastante mais dura, não se risca com o aço, ao passo que o vidro se risca com facilidade. Muitas danburites brilham em azul sob o ultravioleta, coisa que o vidro não faz. Além disso, no vidro vêem-se muitas vezes pequenas bolhas de ar redondas, que não aparecem num cristal natural.
Diferença face a outros minerais
A danburite confunde-se com o topázio, o cristal de rocha, a safira branca e a fenaquite.
- O topázio é mais duro (8 na escala de Mohs) e tem uma clivagem perfeita mais marcada, pelo que é mais caprichoso ao lapidar.
- O cristal de rocha é mais leve (densidade 2,65 face aos 3,0 da danburite) e mais acessível.
- A safira branca é bastante mais dura (9 na escala de Mohs), mais fria e mais viva de brilho.
- A fenaquite é um silicato de berílio, mais dura (7,5 a 8), mais pequena e ainda mais rara; à primeira vista confunde-se facilmente com a danburite.
As pedras naturais têm quase sempre pequenas inclusões. Na danburite aparecem menos do que em muitos minerais, mas a sua presença até confirma a origem natural, ao contrário do vidro perfeitamente limpo com bolhas. Ao comprar uma pedra cara, sobretudo rosa, o mais fiável é obter um relatório de um gemólogo, que identifica o mineral pelo índice de refracção e pela densidade.
Em que reparar ao comprar
A qualidade da danburite é cómodo avaliá-la por quatro critérios: a cor (nas rosa aprecia-se um tom intenso e uniforme, nas incolores a transparência total sem amarelecimento), a pureza (quantas menos inclusões e fissuras, melhor), a lapidação (uma simétrica revela o brilho, uma desigual apaga-o) e o tamanho (as pedras grandes e limpas são raras). Um preço suspeitosamente baixo numa pedra grande e limpa quase sempre significa uma troca. Não existe danburite sintética de grande consumo: cultivá-la em laboratório para uma procura de nicho não compensa, pelo que o risco principal não é a sintética, mas a troca por outro mineral natural ou por vidro.
A simbologia da danburite: o que há de verdade por detrás
Aqui é preciso cabeça fria. A danburite é uma pedra jovem no esoterismo, e as propriedades que se lhe atribuem são obra das últimas décadas, não crenças antigas. Na litoterapia chamam-lhe pedra de altas vibrações e associam-na à calma, à clareza e ao centro do coração, ao passo que a variedade rosa se liga aos temas do amor e da ternura para consigo mesmo.
De onde saiu a expressão pedra de altas vibrações? Na literatura de litoterapia começou-se a chamar assim aos minerais claros e transparentes, contrapondo-os às pedras escuras de enraizamento como a hematite. A danburite encaixou na perfeição no esquema: transparente, luminosa sob o ultravioleta, sem uma cor intensa. Qualidades puramente visuais da pedra converteram-se em metáfora de um estado interior. Como linguagem cultural funciona: às pessoas é cómodo falar de calma através da imagem de uma pedra clara e transparente, mas o mineral não tem um efeito físico comprovado.
A postura honesta é simples: a danburite não cura doenças, não influencia a tensão, o sono nem o ânimo a nível fisiológico, e não substitui um médico. Se alguém promete que uma pedra vai curar ou mudar o destino com garantia, isso é motivo para desconfiar. Uma pedra bonita e rara, de carácter agradável, não precisa de milagres inventados para merecer atenção.
Joalharia com danburite
Uma dureza de 7 a 7,5 faz da danburite uma pedra apta para a joalharia do dia a dia, desde que tratada com um cuidado razoável. A sua transparência e o seu resplendor suave permitem-lhe brilhar bem em diferentes engastes. Mas, pela clivagem, a pedra é vulnerável às pancadas fortes e localizadas, e isso condiciona a escolha do formato e do engaste.
Anéis
O anel é o formato mais exigente: as mãos são o que mais choca e roça. Para a danburite vai bem um engaste fechado e protector, onde o metal abraça a pedra por todo o perímetro e protege as faces das quebras. A danburite fica maravilhosa num anel de prata de lei 925, que sublinha a sua transparência com um brilho frio, ao passo que para os tons de mel fica melhor um engaste dourado. Convém tirar o anel com danburite antes do desporto, da limpeza e do trabalho com as mãos.
Pendentes e brincos
São os formatos mais seguros para a danburite: sobre o peito e junto ao rosto a pedra quase não recebe pancadas. Por isso podem escolher-se engastes abertos de garras, que deixam passar a luz através da pedra e mostram a sua transparência. Uma danburite transparente num pendente capta a luz e cintila com suavidade ao mover-se, ao passo que uns brincos compridos e pendentes dão um resplendor delicado ao virar a cabeça. A danburite rosa em brincos traz um tom cálido ao rosto.
Pulseiras
Uma pulseira com danburite é um prazer como peça táctil, mas no pulso recebe mais pancadas, pelo que para as pedras lapidadas é melhor um engaste protector, e para as contas um fio resistente e um uso cuidadoso. Os colares de contas de danburite transparente são raros e costumam fazer-se por encomenda com pequenas peças polidas.
Engaste e lapidação
A cor da pedra sugere a escolha do metal. A danburite incolor fica especialmente vistosa em engastes frios de prata, ouro branco ou platina, que sublinham a sua transparência aquosa. As pedras mel e amarelas ganham vida no ouro amarelo, e a danburite rosa fica bem em ouro rosa que dialoga com o seu matiz. A regra principal: o engaste deve servir a pedra, não roubar-lhe a atenção.
As pedras limpas e transparentes costumam receber lapidações clássicas: oval, pera, lapidação esmeralda escalonada ou redonda. A lapidação esmeralda escalonada mostra bem a transparência e a pureza, e a redonda com muitas facetas reforça o resplendor. O material de menor qualidade vai para cabochões ou para o polimento em tambor. Se numa mesma joia se combinar a danburite com outras pedras, importa que as pedras acompanhantes não sejam mais duras do que ela, ou ao roçar riscarão a danburite.
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Cuidado da danburite
A danburite é bastante resistente, mas pede um trato sensato. A sua dureza protege-a dos riscos de cada dia, ao passo que o risco principal são as pancadas fortes, por causa da clivagem.
Limpeza
Limpe a danburite com água morna, um sabão suave e uma escova de cerdas macias, depois enxagúe bem e seque com um pano macio. O contacto breve com a água não lhe faz mal. Evite os produtos químicos domésticos agressivos. É melhor não usar a limpeza por ultrassons nem por vapor: a danburite tem clivagem, e as vibrações bruscas poderiam em teoria danificar uma pedra com microfissuras. Se levar a joia a uma limpeza profissional, avise o joalheiro de que é danburite com clivagem, para que escolha um método suave.
Conservação
Guarde a danburite à parte de pedras mais duras, para que não lhe risquem as faces. Serve uma bolsa macia ou um compartimento separado de um guarda-joias com forro de tecido. As pedras rosa é melhor mantê-las longe de um sol directo prolongado, para conservar a intensidade da cor. Também convém evitar as mudanças bruscas de temperatura.
Como usá-la e hábitos
Uma dureza de 7 a 7,5 permite usar danburite todos os dias, mas os anéis e as pulseiras convém tirá-los antes do desporto, da limpeza, do trabalho no jardim e de qualquer tarefa onde seja possível uma pancada. Os pendentes e os brincos, nesse sentido, quase não dão problemas. A danburite, como a maioria das gemas, não suporta o contacto com o perfume, a laca do cabelo e os cremes: as joias põem-se por último, depois dos cosméticos e da fragrância. De poucos em poucos meses convém verificar os engastes, sobretudo nos anéis: se a pedra começar a mexer, leve a joia ao joalheiro. Para uma danburite rara, difícil de substituir, esta prevenção justifica-se ainda mais.
Perguntas frequentes sobre a danburite
O que é a danburite em palavras simples?
A danburite é um mineral transparente raro, um borossilicato de cálcio, descoberto em 1839 perto da localidade de Danbury, nos Estados Unidos, e nomeado em sua honra. Por fora faz lembrar o cristal de rocha ou o topázio branco, mas é mais rara e pode ter tons suaves de rosa e de mel. Pela sua dureza (de 7 a 7,5 na escala de Mohs) está perto do quartzo, pelo que serve para joalharia.
De que cor pode ser a danburite?
Quase sempre incolor e transparente. Também há pedras amarelo claro e cor de mel, sobretudo do México, e os raros tons rosa suave e vinho da Birmânia. Muito de vez em quando aparecem pedras com um leve matiz azulado ou acinzentado. A danburite rosa é a mais valiosa. A cor depende das microimpurezas e da jazida.
Em que se distingue a danburite do cristal de rocha?
Ambos são transparentes, mas a danburite é mais pesada (densidade de cerca de 3,0 face aos 2,65 do quartzo), um pouco mais dura no limite superior e muito mais rara. O cristal de rocha extrai-se por toda a parte e é barato. Além disso, a danburite brilha muitas vezes em azul sob o ultravioleta e pode ter tons de rosa, que o quartzo comum não tem.
Em que se distingue a danburite do topázio?
Por fora, uma danburite incolor e um topázio branco parecem-se. As diferenças estão nas propriedades: o topázio é mais duro (8 na escala de Mohs face a 7 a 7,5) e tem uma clivagem perfeita mais marcada, pelo que é mais caprichoso ao lapidar. A danburite é mais suave de brilho e mais rara. Um gemólogo distingue-as com fiabilidade pelo índice de refracção e pela densidade.
Em que se distingue a danburite da fenaquite?
São minerais distintos que se confundem pela sua transparência e raridade parecidas. A fenaquite é um silicato de berílio, muito dura (à volta de 7,5 a 8), em geral mais pequena, mais cara e ainda mais rara. A danburite é um borossilicato de cálcio, maior, um pouco mais acessível e pode ter tons de rosa. Um gemólogo distingue-as com exactidão pelas propriedades físicas.
Pode usar-se danburite todos os dias?
Sim, com um cuidado razoável. Uma dureza de 7 a 7,5 permite usá-la todos os dias, sobretudo em forma de pendente ou brincos. Os anéis e as pulseiras convém tirá-los antes do desporto, da limpeza e do trabalho com as mãos, porque a pedra tem clivagem e uma pancada forte pode provocar uma quebra. É melhor escolher um engaste protector onde o metal cubra as faces.
Onde se extrai a danburite?
As principais jazidas de gema estão no México (San Luis Potosí e Chihuahua), de onde procede a maior parte do material transparente. A rara danburite rosa extrai-se na Birmânia, na zona de Mogok. A fonte histórica dos cristais de coleccionador de referência foi o Japão, a mina de Obira, hoje fechada. Em menor quantidade a danburite encontra-se em Madagáscar, na Bolívia, na Suíça, na Tanzânia e nos Estados Unidos.
Porque é que a danburite brilha?
Muitas danburites brilham em azul ou azul esverdeado sob uma lâmpada ultravioleta, e ao apagar a luz continuam a arder debilmente durante algum tempo. É luminescência e fosforescência, provocadas por particularidades da estrutura cristalina e por microimpurezas. Com luz de dia normal a danburite não brilha. É uma pista útil ao identificar a pedra, porque o vidro não tem esse brilho.
Como distinguir uma danburite autêntica do vidro?
A danburite é bastante mais pesada do que o vidro do mesmo tamanho, graças a uma densidade de cerca de 3,0 g/cm³. É mais dura e não se risca com o aço, ao passo que o vidro se risca com facilidade. Muitas danburites brilham em azul sob o ultravioleta, coisa que o vidro não faz. Além disso, no vidro vêem-se muitas vezes bolhas de ar redondas, que não aparecem numa pedra natural. Ao comprar uma pedra cara, o mais fiável é obter um relatório de um gemólogo.
A danburite é uma pedra rara?
Sim. Para a sua formação é preciso a presença simultânea de boro, cálcio e silício em condições geológicas especiais, e o boro é, de si, um elemento escasso na crosta terrestre. No mundo há poucas grandes jazidas de gema, as principais no México e na Birmânia. Os cristais limpos e grandes de qualidade gema serão sempre uma pedra para amantes do invulgar, não um produto de grande consumo.
Qual o matiz de danburite mais valioso?
O rosa intenso e o rosa vinho da Birmânia. Encontra-se muito mais raramente do que as pedras incolores e mel e é apreciado pela sua cor suave e naturalmente delicada. Entre as pedras incolores valorizam-se mais as perfeitamente transparentes, sem amarelecimento nem inclusões. O valor é fixado pela combinação de cor, pureza, tamanho e origem.
Que joias com danburite convém escolher?
Os formatos mais seguros para a pedra são os pendentes e os brincos: quase não recebem pancadas e permitem engastes abertos que mostram a transparência. Os anéis são bonitos, mas exigem um engaste protector e um uso cuidadoso. Para a danburite incolor vão bem a prata e o ouro branco; para os tons mel e rosa, o ouro amarelo, que acrescenta calor.
A danburite serve para um anel de noivado?
Tecnicamente sim, mas com nuances. Uma dureza de 7 a 7,5 e a presença de clivagem tornam a danburite mais vulnerável às quebras do que a safira. Se se escolher um engaste fechado e protector e se tratar o anel com cuidado, tirando-o nas cargas de impacto, a danburite pode durar muito. Para um estilo de vida muito activo é melhor reparar em pedras mais duras.
A danburite desbota ao sol?
As pedras incolores e mel são em geral estáveis, ao passo que as raras rosa podem empalidecer aos poucos com um sol directo, forte e prolongado. Por isso aconselha-se não deixar a danburite rosa muito tempo no parapeito da janela. Para o uso do dia a dia não é um problema: a exposição normal à luz não lhe faz mal.
Existe danburite sintética?
Não há danburite sintética de grande consumo: cultivá-la em laboratório para uma procura de nicho não compensa. Muito mais frequentemente vendem-se sob o nome de danburite outros materiais transparentes mais baratos: vidro, quartzo comum ou topázio branco. Assim, o risco principal ao comprar não é a sintética, mas a troca por outro mineral natural.
É para oferecer? Cada peça chega pronta a entregar.
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A Zevira é uma marca de joalharia para quem escolhe as suas joias com cabeça. Trabalhamos com prata de lei 925 e pedras naturais, e contamos a história de cada gema com honestidade: onde nasceu na terra, que percurso fez e o que há de verdade por detrás da sua fama. Não prometemos milagres nem assustamos com magia. A nossa tarefa é dar-lhe uma peça bonita e resistente e um conhecimento claro, para que a escolha seja sua e não imposta pela publicidade. Pedras como a danburite queremo-las pela sua raridade discreta e pelo seu carácter sereno: são para quem valoriza o conteúdo e não um nome que soe alto.
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