
Quartzo fumado: a gema cuja cor foi criada pela radiação
O quartzo fumado é a única gema popular cuja cor nasceu, literalmente, da radiação. O cristal de rocha transparente passou milhões de anos junto a rochas que guardam vestígios de urânio e tório. A fraca radiação natural foi reorganizando devagar a rede cristalina, e a pedra incolor tornou-se fumada: desde um cinzento leve até quase ao negro. A pedra já terminada é totalmente segura, há muitíssimo tempo que não emite nada.
É isso que torna o quartzo fumado interessante. Não é raro nem caro, mas tem uma física honesta: cada matiz é a marca de uma história geológica real. Não se trata de uma pedra rara mantida em cofres, e sim de um mineral comum que ganha valor pelo trabalho de lapidação e pela forma como é montado. Vejamos de que se compõe, como se forma, onde se extrai, como distinguir o autêntico do vidro e das falsificações, e como cuidar dele.
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O que é o quartzo fumado: química e física
O quartzo fumado é uma variedade do quartzo, ou seja, dióxido de silício cristalino de fórmula SiO2. Quimicamente quase não se distingue do cristal de rocha transparente, da ametista ou do citrino: são todos o mesmo mineral com uma cor diferente. Essa é a primeira ideia a fixar, porque explica quase tudo o que vem a seguir: a família do quartzo é enorme e as suas variedades separam-se pela cor, não pela composição.
A diferença principal entre o quartzo fumado e o resto da família está na forma como aparece a sua cor. Na rede do quartzo, uma parte dos átomos de silício fica substituída por átomos de alumínio. Por si só, essas impurezas não dão cor. Mas quando o cristal recebe uma dose de radiação natural das rochas vizinhas ricas em urânio, tório e potássio-40, junto aos átomos de alumínio arrancam-se eletrões e formam-se os chamados centros de cor. Estes absorvem parte da luz que passa, e a pedra começa a ver-se fumada. Quanto mais durou a irradiação, mais escuro é o resultado. É um processo lento, medido não em anos mas em eras geológicas, e é justamente essa lentidão que torna o resultado tão estável.
Principais propriedades físicas
- Composição: dióxido de silício, SiO2, com impureza de alumínio e vestígios de elementos radioativos.
- Dureza na escala de Mohs: 7. É mais dura do que o vidro de janela e do que a maioria das superfícies domésticas, por isso a pedra conserva o polimento e não se risca no uso normal.
- Sistema cristalino: trigonal. Os cristais crescem em prismas de seis faces com a ponta aguçada, a mesma forma do cristal de rocha.
- Densidade: cerca de 2,65 g/cm3. O vidro é bastante mais leve, por isso uma pedra de quartzo pesa mais do que uma imitação de vidro do mesmo tamanho.
- Índice de refração: em torno de 1,54 a 1,55. A birrefringência é fraca, à volta de 0,009.
- Fratura: concoide, como a do vidro; o quartzo não tem clivagem, o que importa para a lapidação.
- Brilho: vítreo.
- Transparência: de transparente a translúcido, e no caso do morião, quase opaco.
O quartzo fumado não mostra um pleocroísmo apreciável: a cor quase não muda ao girar a pedra. Em contrapartida, com calor forte a cor fumada empalidece e pode desaparecer por completo, porque se destroem os centros de cor. Por isso, ao reparar uma joia e soldar o engaste, a pedra costuma ser retirada. É uma precaução simples, mas que um bom joalheiro nunca esquece, sobretudo em peças antigas.
De onde vem exatamente o tom fumado
A intensidade da cor depende de duas coisas: quanto alumínio há na rede e que dose total de radiação a pedra acumulou ao longo da sua vida geológica. O quartzo fumado claro cresceu em rochas de fundo baixo, ou então é relativamente jovem. O escuro, até chegar ao morião, passou centenas de milhões de anos junto a minerais radioativos.
Isso mesmo explica por que o tom fumado pode ser obtido de forma artificial: irradia-se quartzo claro num laboratório e escurece-o. Essa pedra não é considerada uma falsificação, mas disso falamos mais abaixo. O importante, para já, é perceber que a cor do quartzo fumado é sempre o registo de uma dose recebida, seja em milhões de anos, seja em horas num acelerador.
Como se forma o quartzo fumado: a geologia
O quartzo fumado cresce nos mesmos sítios que o cristal de rocha: em cavidades do granito, em pegmatitos e em filões hidrotermais. Essas rochas são de si mais ricas do que a média em urânio, tório e potássio, por isso é aí que o quartzo adquire com mais frequência a cor fumada.
Resumido, o processo é assim. Primeiro, nas cavidades da rocha começam a crescer cristais de quartzo, a partir de um magma granítico que arrefece ou de soluções quentes ricas em minerais. Nos pegmatitos o magma arrefece devagar, por isso os cristais têm tempo de crescer grandes, às vezes de dezenas de centímetros. Uma vez formado o cristal, começa a parte longa da história: as rochas em redor dão sem descanso um fraco fundo de radiação, e ao longo de prazos geológicos a pedra escurece.
O importante é que a dose acumulada durante milhões de anos já está esgotada quando a pedra é extraída. Uma pedra numa joia não é radioativa em nenhum grau relevante; a sua cor é a marca do passado, não um processo ativo. Vale a pena insistir nisto, porque é a dúvida mais comum de quem ouve falar pela primeira vez na origem da cor: a irradiação aconteceu, terminou, e o que ficou foi apenas o tom.
Os principais jazigos
- Brasil (Minas Gerais). O maior fornecedor atual. Pedras de todos os tons e em grandes volumes, por isso o grosso do quartzo fumado de gama média vem daqui.
- Os Alpes suíços e austríacos. O quartzo fumado alpino extrai-se em filões de montanha junto ao cristal de rocha. Aprecia-se pela sua limpidez e transparência, e costuma ir para lapidação facetada mais do que para cabochão.
- As Terras Altas da Escócia. O berço histórico dos amuletos de pedra fumada. Hoje a extração é modesta, mas é ao quartzo escocês que se agarram as velhas lendas.
- Madagáscar. Fonte de cristais grandes, no mercado desde os anos noventa.
- Estados Unidos (Colorado). O quartzo fumado local aparece muitas vezes intercrescido com amazonita verde, um par natural que os colecionadores apreciam.
A origem influencia o tom e o preço, mas não faz com que uma pedra seja, em essência, melhor do que outra. É mais sensato escolher pelo matiz e pela qualidade da lapidação do que pelo prestígio de um nome. Um belo exemplar brasileiro bem lapidado vale, no dia a dia, mais do que um cristal alpino medíocre.
O quartzo fumado é pedra de penumbra e prata mate. Afogado em ouro sob o sol do meio-dia parece um cinzeiro, não uma joia. Nem pensar.
Com que usar o quartzo fumado
Depois de anos a vestir sessões, passei o quartzo fumado por dezenas de looks. Aqui vai o que de facto aguenta, consoante a ocasião.
Com que uso o quartzo fumado no dia a dia? Para o dia recomendo um pendente fino em corrente comprida sobre uma camisola cinzenta, uma t-shirt lisa ou uma camisa de linho. A pedra cai sob o decote e funciona como detalhe sereno. Uma paleta discreta, grafite, azeitona, areia, azul-marinho, realça o tom fumado melhor do que os estampados. Para uma pedra de tom médio escolho antes a prata.
Funciona no escritório? Sim. Escolho formas sóbrias: um anel com cabochão médio em prata ou uma pulseira de contas pequenas debaixo do punho da camisa. O pendente uso-o em corrente de 45-50 cm para que a pedra fique sob o primeiro botão. Sob um blazer lê-se como detalhe tranquilo, não como acento ruidoso.
Como monto um look de noite? Para a noite mudo a escala. Um morião grande em metal escuro, uns brincos de gota ou um anel de selo sobre um vestido liso reúnem o conjunto sem brilho excessivo. A seda, o veludo e a malha grossa em cor intensa, bordô, esmeralda, preto, ressaltam a translucidez da pedra. O ouro ou a platina reservo-os para a pedra mais escura.
Posso usá-lo em camadas e misturar metais? Sim, e é um recurso potente. Sobreponho dois ou três pendentes a alturas diferentes ou monto uma pilha de anéis finos alternando prata e ouro quente. Misturar metais aqui é intenção, não descuido. Uma regra: dê a cada pendente o seu próprio comprimento para que não se enredem.
A quem assenta esta pedra? A quem prefere um estilo sereno, algo intelectual, e os tons discretos em vez do brilho chamativo. Duas guias que não falham. Primeira: de dia, tom médio e prata; de noite, pedra escura e ouro. Segunda: uma peça clara rende mais do que três ao mesmo tempo.

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Como escolher um quartzo fumado
O quartzo é transparente e barato, por isso a escolha não passa pelo preço do quilate, mas por três coisas: o tom, a limpidez e a geometria da lapidação.
O tom. O matiz mais útil e versátil é um fumado pardo médio que se lê com clareza à contraluz. Uma pedra demasiado clara perde-se num engaste grande e vê-se de um cinzento turvo; uma muito escura, próxima do morião, numa peça pequena vê-se simplesmente negra, sem jogo. Para um anel ou uns brincos, escolha um tom através do qual ainda se adivinhe o contorno do dedo ou do fundo: então a pedra "respira". Este é o segredo mais subestimado na compra de quartzo fumado, e o que separa uma peça viva de uma peça apagada.
A limpidez. Para o quartzo de qualidade joalheira a norma é a transparência total, sem inclusões visíveis a olho nu. O quartzo cresce em cristais grandes e limpos, por isso não faz sentido pagar por uma pedra com turvação ou fissuras; material limpo há de sobra. A exceção são os exemplares de colecionador com vistosas agulhas de rútilo ou fantasmas: aí a inclusão é o valor, mas isso já não é joalharia de uso diário.
A lapidação e o efeito janela. A armadilha principal do comprador é uma pedra profunda. O quartzo fumado escurece com a espessura: quanto mais longo é o caminho da luz pela pedra, mais denso é a cor. Para que o material claro pareça mais intenso, lapida-se com um pavilhão alto e "barrigudo". O inconveniente dessa lapidação é o peso e a tendência para a "janela", uma mancha pálida no centro onde a pedra se vê vazia. Um quartzo bem lapidado reflete a luz de forma uniforme por toda a mesa. A prova é simples: ponha a pedra com a mesa para cima sobre um texto impresso. Se ler as letras através do centro, tem à frente uma janela, e ao usá-la essa zona vê-se aguada.
O tamanho. Aqui o quartzo fumado é generoso: os cristais grandes e limpos são comuns, por isso uma pedra de dois ou três centímetros custa muitíssimo menos do que esse mesmo tamanho numa gema escassa. É um daqueles casos raros em que se pode permitir uma pedra chamativa num anel ou num pendente sem um salto de preço. Paga, isso sim, pela lapidação e pelo metal, não por cada quilate a mais.
Opiniões de clientes
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História e cultura
O ser humano usa o quartzo há milénios, mas a variedade fumada demorou a distingui-la como pedra própria; ou a confundia com outras gemas escuras ou a tinha por cristal estragado.
Na Antiguidade, ao quartzo escuro chamavam morião. A raiz da palavra liga-se ao escuro, à treva. Plínio, o Velho, na sua "História Natural", menciona pedras escuras e transparentes deste tipo entre as variedades do cristal de rocha. Claro que então não havia uma separação clara com base química: a mineralogia como ciência apareceu muito depois.
Na Escócia, o quartzo fumado fez parte da cultura popular. Chamavam-lhe a pedra fumada e engastavam-no em joias tradicionais e nos punhos das adagas. No século XIX, na onda de fascínio europeu por tudo o que era escocês, essas joias entraram na moda muito para além das Terras Altas. O quartzo fumado foi uma pedra predileta da joalharia vitoriana: sóbria, acessível, adequada às peças de dia a dia e de luto que naquela época se usavam durante muito tempo.
O estudo sistemático da pedra começou no Renascimento e depois, quando os mineralogistas começaram a classificar as gemas por composição e propriedades. Foi então que o quartzo fumado ocupou por fim o seu lugar como variedade colorida do quartzo, e não como mineral próprio.
A propósito, o "morião" mineralógico e o "morrião", o capacete medieval, são homónimos por acaso. Os nomes vêm de raízes distintas e não guardam nenhuma relação; a confusão é puramente verbal.
Tipos e variedades
Todas as variedades se diferenciam, no fundo, apenas pela saturação da cor fumada; a química é uma só.
Quartzo fumado clássico. Transparente ou translúcido, de cor desde o cinzento claro até ao fumado pardo. O tipo mais divulgado. Se puser uma pedra assim sobre um texto, as letras veem-se através dela. O tom médio é o mais procurado em joalharia: suficientemente escuro para se notar e suficientemente transparente para se ver nobre.
Quartzo fumado claro (rauchtopázio). Antigo nome comercial do quartzo fumado claro, de tom de mel. Não tem nada a ver com o topázio; é um nome de mercado herdado do comércio antigo. No fundo é o mesmo quartzo fumado. Convém conhecê-lo porque ainda aparece em etiquetas e catálogos, e pode confundir quem não sabe.
Morião. A variante mais escura, quase negra ou totalmente opaca. Resultado de uma irradiação especialmente forte e prolongada. Aparece com menos frequência, por isso custa mais do que o quartzo fumado corrente. Fica bem na joalharia masculina e nos desenhos de contraste.
Quartzo com inclusões. Às vezes dentro da pedra veem-se finas agulhas minerais, películas de ferro ou gotículas de água antiga selada no cristal. Essas inclusões reduzem a limpidez, mas tornam a pedra única; os colecionadores valorizam-nas.
Convém dizer algo sobre a cor com diferente luz. O quartzo fumado não muda de tom de forma tão drástica como a alexandrite, mas com luz diurna intensa vê-se um pouco mais quente, e com luz artificial fria, algo mais cinzento. É o jogo normal de uma pedra transparente, não um defeito.
Parentesco com o citrino e a ametista
Convém saber uma coisa de toda a família do quartzo: a cor nela é governada pelas impurezas e pela temperatura, e estas variedades são interconvertíveis. Se aquecer o quartzo fumado, os centros de cor destroem-se e a pedra clareia até ficar incolor. Parte do material fumado e de ametista, ao aquecer, não vai ao incolor mas ao amarelo alaranjado, e assim se obtém de forma industrial boa parte do citrino do mercado: o citrino natural de amarelo intenso é raro, ao passo que a ametista ou o quartzo fumado calcinados dão uma cor parecida e mais barata.
Para o comprador a conclusão é simples. O quartzo fumado, o rauchtopázio, o morião, muitos citrinos e parte das ametistas são um mesmo mineral em estados diferentes, não pedras diferentes. Por isso um conjunto de quartzo fumado e citrino numa mesma peça não é um par casual, mas, literalmente, parentesco de rede.
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Como distinguir o quartzo fumado de pedras parecidas e de falsificações
O quartzo fumado confunde-se com facilidade com várias pedras e imitações. Algumas referências.
O vidro. A imitação mais frequente. O vidro é mais morno ao tato e aquece mais depressa na mão; o quartzo mantém-se fresco mais tempo. O vidro é mais leve (menor densidade), muitas vezes demasiado "limpo", sem uma única inclusão, e dentro pode ter bolhas de gás redondas, algo que o quartzo natural nunca tem. Pela dureza, o quartzo (7) risca o vidro, não o contrário.
O topázio fumado e a andaluzite. Parecidos no tom, mas são outros minerais com outra densidade e outra ótica. Distingui-los com segurança faz-se pelo índice de refração e pela densidade, trabalho de gemólogo com aparelhos.
A turmalina negra e a obsidiana escura. Às vezes confundem-se com o morião. A turmalina é quase opaca e muitas vezes apresenta estrias longitudinais nas faces; a obsidiana é vidro vulcânico, mais leve e morno.
O quartzo irradiado. Quartzo claro ao qual se reforçou a cor em laboratório. Formalmente é quartzo a sério, não uma falsificação, mas a cor às vezes é demasiado uniforme e intensa, e com o tempo pode empalidecer. É mais barato do que o natural, e os vendedores honestos indicam-no com clareza.
O quartzo tingido. O engano mais evidente. O corante é pouco estável, acumula-se nas fissuras e sai com o uso. Com a lupa vê-se a distribuição desigual da cor pela superfície, e não por todo o volume.
O conglomerado prensado. Quartzo moído colado com resina. Com ampliação vê-se uma infinidade de fragmentos pequenos e bolhas no aglutinante em vez de um cristal único.
Um conjunto simples de provas caseiras: segure a pedra na mão (o quartzo está mais fresco e aquece mais devagar), olhe-a à contraluz (cor uniforme no volume, inclusões naturais), calcule o peso para o seu tamanho. O veredito definitivo sobre uma pedra duvidosa dá-o, de qualquer modo, um laboratório gemológico.
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Cuidado e conservação
A dureza 7 torna cómodo o quartzo fumado para o uso diário: não se risca com o roçar da roupa e da pele e conserva o polimento durante anos. Mas não tem clivagem e tem sim alguma fragilidade perante um golpe seco: ao cair sobre um chão duro pode lascar ou fissurar pela fratura concoide.
Limpeza. Água morna, sabão suave, uma escova macia para as ranhuras entre a pedra e o engaste. Com isso basta. É melhor não usar limpeza por ultrassons nem por vapor, sobretudo se a pedra tiver inclusões ou microfissuras, que podem avançar.
O que evitar. O calor forte (a cor fumada empalidece com a temperatura alta), as mudanças bruscas de temperatura, os produtos químicos agressivos e a lixívia. Convém pôr a joia depois de aplicar o perfume e a maquilhagem, para que não fique película sobre a pedra.
Conservação. À parte das pedras mais moles e das pérolas, que o quartzo riscaria com facilidade. Num sítio seco, se o engaste for de prata, assim o metal escurece mais devagar. Também convém proteger a pedra do sol intenso e prolongado: o ultravioleta clareia muito devagar a cor fumada.
Engaste. Nas joias antigas verifique de vez em quando se a pedra se soltou no seu engaste. Se estiver frouxa, ao joalheiro.
Simbolismo: o que se atribui à pedra e o que há de verdadeiro
Em diferentes tradições, ao quartzo fumado atribuiu-se o papel de pedra protetora e de apoio a uma mente clara. Nas crenças escocesas resguardava do mau-olhado; no esoterismo do século XX associou-se ao enraizamento e à estabilidade.
Convém dizê-lo sem rodeios: a pedra não tem um efeito físico nem curativo comprovado. A ideia do "enraizamento" surgiu no movimento New Age da segunda metade do século XX, não na Antiguidade, e funciona como uma âncora psicológica; um objeto familiar na mão ajuda a serenar exatamente na medida em que a própria pessoa põe da sua parte. O mineral não influencia a tensão, o sono, a ansiedade nem as doenças, e não pode substituir o médico. A pedra é um objeto bonito com história, e o mais honesto é tratá-la exatamente assim.
Tipos de joias com quartzo fumado
O quartzo fumado fica igualmente bem em anéis, pendentes, brincos e pulseiras. A dureza 7 permite lapidá-lo tanto em cabochão como em lapidações escalonadas e brilhantes complexas, ovais, gotas, almofadas.
Nos anéis usa-se mais o cabochão ou a pedra facetada de tamanho médio; nas peças masculinas funciona bem o quartzo escuro ou o morião num engaste largo. Os pendentes são a opção mais versátil para o uso diário, sobretudo uma gota ou uma bola polida numa corrente fina. Os brincos de botão e de gota combinam-se em conjunto com um anel da mesma pedra. As pulseiras fazem-se tanto com peças facetadas como em forma de fio de contas polidas.
O metal escolhe-se por contraste: a prata fria ou o ouro branco realçam o tom fumado quente, ao passo que o ouro amarelo dá uma combinação mais suave, de "entardecer".
Preço e gamas
O quartzo fumado é uma pedra acessível. É frequente, não depende das cotações da bolsa e não é objeto de especulação de colecionador, por isso o seu preço mantém-se estável durante anos. Isso é uma vantagem para a joia: paga sobretudo pelo trabalho do mestre e pelo metal, não pelo nome da pedra.
Nas peças terminadas, o grosso do valor é dado pela prata ou pelo ouro e pela complexidade da lapidação. Uma pedra facetada é mais cara do que um cabochão simples, o morião é mais caro do que o quartzo claro, e as peças antigas são apreciadas pela mestria e pela história. Mas mesmo a gama alta do quartzo fumado mantém-se em limites razoáveis; é uma joia que não precisa de seguro e que serve durante décadas.
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Combinações com outras pedras
Pelo seu aspeto, o quartzo fumado é uma pedra serena e neutra que convive sem problema com outras.
Com o cristal de rocha transparente dá o contraste clássico de escuro e claro. Com o quartzo rosa, uma combinação suave de tons quentes e semitransparentes de uma mesma família mineral. Com a ametista, a variedade violeta do mesmo quartzo, o fumado lê-se como um par afim. Um par quente sai com o citrino; e se quiser amarelo e violeta ao mesmo tempo numa só pedra, repare na ametrina, a mistura natural de citrino e ametista. Com a turmalina negra e a hematite, o quartzo fumado forma combinações escuras e severas.
Uma única nota de composição: não ponha o quartzo fumado junto a pedras muito vivas como o rubi ou a esmeralda, ao lado das quais o sóbrio tom fumado se perde.
Perguntas frequentes
O quartzo fumado é uma pedra preciosa? Formalmente classifica-se como semipreciosa, ou como pedra de joalharia e ornamental. Ao grupo das preciosas em sentido estrito pertence um círculo reduzido de pedras como o diamante, o rubi, a safira e a esmeralda. Nada disto afeta a beleza nem a durabilidade do quartzo fumado.
O quartzo fumado é radioativo? É perigoso usá-lo? Não. A cor da pedra foi criada pela irradiação natural durante milhões de anos, mas a pedra em si não emite praticamente nada. A dose de uma joia é ínfima e segura.
Pode usar-se o quartzo fumado no dia a dia? Sim. A dureza 7 e a resistência à água tornam-no cómodo para o uso constante. Proteja a pedra dos golpes secos e do calor forte.
O quartzo fumado desbota ao sol? Muito devagar. A cor fumada empalidece com o ultravioleta prolongado, mas para um efeito apreciável são precisos anos de sol constante. A cor perde-se muito mais depressa com o calor forte.
Em que se distingue o quartzo fumado da ametista? São duas variedades coloridas de um mesmo mineral, o quartzo. A ametista é violeta, a sua cor é dada pelo ferro e pela irradiação; o quartzo fumado é cinzento-acastanhado, a sua cor é dada pelo alumínio e pela irradiação.
Como distinguir em casa o quartzo fumado do vidro? O quartzo está mais fresco ao tato e aquece mais devagar na mão, pesa mais do que o vidro do mesmo tamanho, risca o vidro (dureza 7) e costuma ter inclusões naturais, enquanto o vidro pode ter bolhas redondas. A pedra duvidosa verifica-se num laboratório gemológico.
Por que mudou de cor o meu quartzo fumado? A pedra natural é estável. Uma mudança de cor quase sempre significa tratamento: corante lavado, resina degradada de um conglomerado prensado ou irradiação artificial desvanecida.
O que são o rauchtopázio e o morião? O rauchtopázio é um antigo nome comercial do quartzo fumado claro, sem relação com o topázio. O morião é o quartzo fumado mais escuro, quase negro.
Com que frequência há que limpar o quartzo fumado? Com uso diário, cerca de uma vez por semana; com uso ocasional, uma vez por mês. Água morna, sabão suave, escova macia, sem produtos especiais.
O quartzo fumado é magnético? Não. Se um vendedor garantir que a pedra se imana, é motivo para desconfiar: pode haver uma impureza de limalha metálica ou ser simplesmente um engano.
É para oferecer? Cada peça chega pronta a entregar.
Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Sobre a Zevira
Na coleção Zevira, as joias com quartzo fumado estão pensadas para o uso diário. O mestre escolhe a pedra pela sua limpidez e pelo seu tom, e o metal, prata 925, ouro branco ou amarelo, de modo que realce a profundidade da cor fumada.
Gostamos desta pedra pela sua honestidade: não aparenta valer mais do que vale, suporta bem o uso diário e serve anos sem um cuidado especial. É uma joia para todos os dias, não para uma só estação.
Anéis, pendentes e pulseiras com quartzo fumado em prata e ouro, montados para o uso diário.


































