
Quartzo transparente, leitoso e fumado: em que se distinguem e como escolher
O quartzo forma cerca de 12% da crosta terrestre e ocupa o segundo lugar em abundância, logo a seguir aos feldspatos. É o mesmo mineral que está na areia de uma praia do Algarve, no vidro de um relógio de pulso e no pendente que brilha na montra de uma ourivesaria. A diferença entre o cristal de rocha transparente, o quartzo leitoso e o fumado não está na composição, idêntica nos três, mas naquilo que aconteceu ao cristal enquanto crescia debaixo da terra. Vamos rever a química, a geologia e a história destas pedras, aprender a distingui-las do vidro e das imitações, e perceber que tipo convém para cada joia.
O que é o quartzo: composição, dureza, estrutura
O quartzo é dióxido de silício, de fórmula SiO2. Um átomo de silício e dois de oxigénio, ordenados numa rede tridimensional de tetraedros. Essa rede determina quase todas as propriedades da pedra.
As características principais:
- Dureza 7 na escala de Mohs. É a referência: o próprio quartzo define o sétimo degrau da escala. Risca o vidro e o aço, mas cede ao topázio, ao corindo e ao diamante. Na prática, isto significa que o quartzo aguenta o pó doméstico (as partículas de quartzo do pó são mais moles ou iguais a ele), mas uma pedra mais dura guardada no mesmo porta-joias deixa-lhe uma marca.
- Sistema cristalino trigonal (muitas vezes escrito "classe trigonal trapezoédrica"). Na natureza, o quartzo cresce em prismas de seis faces com uma ponta piramidal afiada, uma forma difícil de confundir com outra.
- Densidade de cerca de 2,65 g/cm³. A pedra pesa mais do que o vidro do mesmo volume e arrefece a mão pela sua boa condutividade térmica.
- Ótica. O quartzo é oticamente uniaxial e positivo. Os índices de refração rondam 1,544 e 1,553, a birrefringência é fraca (cerca de 0,009) e a dispersão é baixa (0,013). Por isso o cristal de rocha talhado dá um brilho limpo e reflexos de luz, mas não lança faíscas de cor como o diamante com a sua elevada dispersão. O quartzo incolor e o leitoso não mostram pleocroísmo; o fumado, um muito ligeiro.
- Sem clivagem, fratura conchoidal. O quartzo é duro mas frágil: perante uma pancada seca não se parte por um plano, lasca formando as superfícies curvas características. Dureza e tenacidade não são a mesma coisa.
- Piezoeletricidade. Ao ser comprimido, o quartzo gera uma carga elétrica e, ao receber uma corrente alterna, vibra de forma estável na sua frequência própria. Por isso uma lâmina fina de quartzo marca o ritmo de um relógio de quartzo e a frequência de relógio na eletrónica. Não tem nada a ver com a "energia" das joias, mas o facto é real e importante.
Os três protagonistas são o mesmo quartzo monocristalino. A única diferença está no que ficou preso dentro da rede e no que o tempo lhe fez.
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De onde vêm as três variedades
O dióxido de silício puro é incolor e transparente. A cor e a turbidez surgem por impurezas, inclusões e defeitos da rede.
O quartzo transparente (cristal de rocha) é um cristal sem inclusões de peso. A luz atravessa-o quase sem perdas, daí a sua transparência total.
O quartzo leitoso enevoa-se por uma multidão de cavidades microscópicas cheias de água e gás, presas durante o crescimento do cristal. Dispersam a luz como as bolhas mais finas de um vidro turvo. É a variedade de quartzo mais comum na natureza, mas em joalharia vale menos pela sua opacidade. As cavidades ficaram congeladas na rede para sempre: o quartzo leitoso não vai "clarear" sozinho com o tempo.
O quartzo fumado recebe a sua cor castanha acinzentada não de um corante, mas de centros de cor. A rede contém sempre um pouco de alumínio que substitui o silício. Quando o cristal fica milhões de anos na rocha junto a vestígios de elementos radioativos (potássio, urânio, tório) e recebe uma irradiação natural suave, a esses nós de alumínio arranca-se-lhes um eletrão. Forma-se um centro de lacuna que absorve parte da luz visível e dá à pedra o seu tom fumado. Quanto mais forte e prolongada é a irradiação, mais escura é a pedra: do bege claro ao quase preto (a variedade de um preto denso chama-se morião). Ao aquecer acima de uns 300-400 graus os centros de cor destroem-se e o quartzo fumado clareia até ficar incolor. A pedra em si não é radioativa: recebeu a sua dose há muito e não emite nada.
O quartzo fumado pede prata. Põe-lhe ouro amarelo ao lado e ficas com dois galos no mesmo capoeiro, por isso nem tentes.
Com o que usar o quartzo
Usei o quartzo em dezenas de conjuntos, do dia a dia ao plateau. É uma pedra neutra que se integra em qualquer guarda-roupa em vez de se impor, por isso todo o trabalho está no trio pedra mais metal mais ocasião. Reúno aqui o que de facto funciona, por ocasiões.
Com o que usar o quartzo no dia a dia? Para o dia a dia recomendo quartzo transparente ou leitoso em montagem simples. Funciona como uma joia quase invisível: uma corrente fina com um pendente pequeno sob uma t-shirt branca, uma camisola cinzenta, uma camisa de ganga. A pedra apanha a luz ao mexeres e o conjunto ganha vida sem se tornar de gala. Um top claro ilumina a pedra; um escuro transforma-a num toque tranquilo.
O quartzo serve para o escritório? Sim. Sugiro quartzo leitoso em prata: sereno, discreto, mantém o tom profissional sem brigar com a camisa. Escolhe montagens geométricas e limpas e uma só peça de cada vez, para que a joia se leia como um pormenor e não como uma declaração. Um comprimento de 45-50 cm fica sob o primeiro botão.
Como montar um look de noite com quartzo? Para a noite escolho quartzo transparente facetado: com a luz cintila como gelo e, junto a um decote aberto ou à barco, parece caro. Com um vestido preto recomendo quartzo fumado em prata, uma pedra escura sobre metal claro dá profundidade. Os tons frios intensos (esmeralda, bordô, índigo) ganham com o transparente; os pastel, com o leitoso.
Que metal escolher para o quartzo? A prata e o ouro branco vão com os três tipos e sublinham a natureza fria da pedra, por isso são a minha opção por defeito. O ouro amarelo é bonito com o transparente e o leitoso, mas com o fumado dois tons quentes começam a discutir, por isso deixa o fumado para a prata ou o metal escuro.
Como usar o quartzo em camadas? A sobreposição monta-se com facilidade: uma corrente fina com quartzo mais outra mais comprida sem pedra, ou dois ou três anéis numa mão em que o quartzo continua a ser a única pedra visível. Um pendente fica cómodo numa corrente de 45-50 cm, para que a pedra assente sobre o peito e não bata na clavícula. Não mistures mais de duas pedras num mesmo conjunto, o quartzo soa melhor quando ninguém o atrapalha.

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Geologia: como e onde se forma o quartzo
O quartzo cristaliza a partir de soluções e fundidos quentes ricos em sílica. O mais habitual é crescer em veios hidrotermais e nas cavidades (miarolas) de granitos e pegmatitos: água quente saturada de sílica arrefece devagar numa fenda da rocha e nas paredes crescem os cristais. Os cristais grandes e transparentes precisam de condições estáveis e de muitos milhares de anos de crescimento.
O quartzo leitoso é comum nos veios de quartzo e aparece praticamente em toda a parte. O fumado é especialmente típico dos pegmatitos graníticos e dos veios alpinos, onde por perto há rochas com radioatividade natural.
As fontes principais de quartzo de qualidade gema são conhecidas:
- Brasil. O maior fornecedor de quartzo transparente e fumado, nos estados de Minas Gerais e Goiás.
- Madagáscar. Quartzo transparente e fumado de grande qualidade.
- Os Alpes suíços e franceses. Os achados clássicos de cristal de rocha e quartzo fumado nas fissuras de montanha.
- Estados Unidos. O Arkansas é famoso pelo seu quartzo transparente, e há jazidas no Colorado.
- A Península Ibérica. No Norte de Portugal e na Galiza o quartzo de veio é tão abundante que branqueia os muros e os caminhos de monte.
Há tanto quartzo que se extrai às toneladas, tanto para a indústria como para a joalharia. A sua abundância é a razão de ser barato: é uma questão de geologia, não de qualidade.
A história do quartzo nas mãos do ser humano
O cristal de rocha já se trabalhava na Antiguidade. A própria palavra "cristal" vem do grego "krystallos" (gelo): os autores antigos, incluindo Plínio, o Velho, acreditavam mesmo que o cristal de rocha era gelo petrificado, congelado com tal força que já não voltaria a derreter. Do quartzo transparente talhavam-se selos, contas, vasilhas e lentes.
No antigo Egito o quartzo usava-se em contas e amuletos; graças à sua resistência química, as peças de pedra dos enterramentos chegaram até nós sem perder o brilho. Na época romana, de grandes blocos de cristal de rocha torneavam-se vasilhas e selos dispendiosos, e talhar um material tão duro era tido como o cume do ofício.
O apogeu da talha do cristal de rocha chegou no Renascimento e no Barroco. Em Milão, Praga e Florença trabalhavam dinastias inteiras de lapidários; de blocos maciços de quartzo transparente e fumado faziam taças, jarros e montagens que decoravam com ouro e esmalte. Uma dessas peças é mostrada abaixo.
Do cristal de rocha também se torneavam esferas, para decorar interiores e como curiosidades óticas. Uma bola polida com suavidade a partir de um só bloco de quartzo foi durante muito tempo um objeto caro e raro: encontrar um pedaço transparente maciço do tamanho certo não é fácil.
O ponto de viragem na compreensão do quartzo chegou em 1880, quando os irmãos Jacques e Pierre Curie descreveram o efeito piezoelétrico. Aquela descoberta transformou o quartzo de pedra bonita em material de engenharia: as lâminas de quartzo foram a base dos transmissores de rádio, dos geradores de frequência precisos e, mais tarde, dos relógios de quartzo. A partir dos anos quarenta aprendeu-se a cultivar quartzo de forma artificial, por método hidrotermal, e hoje quase todo o quartzo técnico é sintético.
Opiniões de clientes
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As variedades de quartzo e as suas diferenças
Quartzo transparente (cristal de rocha)
Incolor, transparente, sem turbidez interior. Aceita bem a talha: do cristal de rocha cortam-se facetas clássicas, talhe brilhante, almofada, oval, pera, além de formas que repetem o prisma natural. A pedra talhada dá reflexos limpos, mas nenhum fogo de cor, porque a dispersão do quartzo é baixa. É um brilho sereno, "de gelo", não um fulgor de arco-íris.
Desde a Antiguidade se confundiu o cristal de rocha com o diamante; à contraluz, uma pedra bem talhada assemelha-se a ele. Distingui-los é simples: o diamante é bastante mais duro e pesado (a densidade do diamante é 3,5 face aos 2,65 do quartzo), e à lupa o quartzo mostra as arestas das facetas um pouco arredondadas, enquanto as do diamante são afiadas. Mais sobre os testes, abaixo.
Quartzo leitoso
O mesmo quartzo, mas turvo pelas microcavidades de água e gás. O grau de turbidez varia, de uma bruma ligeira a um branco "açucarado" denso. A luz não o atravessa de lado a lado, dispersa-se com suavidade, por isso o quartzo leitoso não costuma talhar-se: trabalha-se em cabochão ou enrola-se em contas. Em joalharia fica bem com prata e ouro branco, que sustentam o seu tom branco frio. O quartzo leitoso, a variedade mais comum e barata, é um material frequente para as pulseiras de contas.
Quartzo fumado
Quartzo castanho acinzentado com centros de cor. A cor é uniforme ou zonada, do bege ao quase preto morião. Com a luz vê-se diferente conforme a fonte: com luz de dia fria puxa ao cinzento, com uma lâmpada quente ao castanho. Não é "magia", mas o espectro da iluminação mais o ligeiro pleocroísmo. O quartzo fumado luz muito talhado pela profundidade do seu tom e fica bem em prata ou em montagem escura. O principal no cuidado: desbota com o sol forte, porque a luz destrói pouco a pouco os centros de cor. Temos uma análise à parte no artigo sobre o quartzo fumado como pedra de enraizamento.
Os parentes de cor
O mesmo dióxido de silício com outras impurezas dá toda uma família:
- Quartzo rosa. Rosa pálido por microinclusões e vestígios de titânio e ferro; costuma ser algo baço, faz-se em cabochões e contas. Mais no artigo sobre o quartzo rosa em joalharia.
- Ametista. Quartzo violeta; a cor é dada por centros de cor sobre ferro, surgidos sob irradiação natural. Ao sol direto a ametista desbota, por isso guarda-se à sombra.
- Citrino. Quartzo amarelo; o natural é raro, e a maior parte do mercado é ametista aquecida até ao amarelo (é tratamento térmico, não uma imitação).
- Ametrino. Quartzo bicolor natural, em que a zona violeta e a amarela convivem num mesmo cristal. Uma análise à parte no artigo sobre o ametrino.
- Quartzo rutilado ("cabelos de Vénus"). Quartzo transparente com agulhas douradas ou prateadas de rutilo lá dentro. Aprecia-se pelo desenho das inclusões.
Tabela de diferenças
Ao escolher uma joia importam justamente as diferenças práticas dos três tipos principais: aspeto, transparência, resistência ao sol e cuidado.
| Característica | Transparente | Leitoso | Fumado |
|---|---|---|---|
| Dureza (Mohs) | 7 | 7 | 7 |
| Densidade, g/cm³ | ~2,65 | ~2,65 | ~2,65 |
| Cor | Incolor | Branco, creme | Castanho, cinzento |
| Transparência | até 100% | 20-60% | 30-70% |
| Origem da cor | sem impurezas | microcavidades com água/gás | centros de cor sobre alumínio |
| Desbota ao sol | não | não | sim |
| Talhe típico | facetado | cabochão, contas | facetado, por vezes em bruto |
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Tratamentos: o que se faz ao quartzo com honestidade
O quartzo é barato, por isso trata-se não para inflacionar o preço, mas para obter cores e efeitos que a natureza dá pouco. Isto é o que se vê no mercado e como o entender.
Irradiação para o tom fumado. Quartzo incolor ou claro com alumínio na rede pode irradiar-se num reator ou num acelerador, e escurece até fumado ou morião pelo mesmo mecanismo da natureza. A pedra após esse tratamento é segura: não há radioatividade residual nas amostras comerciais, e verifica-se antes da venda. À vista desarmada não se distingue o fumado natural do irradiado, e para o usar tanto faz: as propriedades são as mesmas.
Aquecimento de citrino a partir de ametista. A maior parte do quartzo amarelo do mercado é ametista aquecida a uns 400-500 graus: os centros de cor violeta destroem-se e aflora um tom ferruginoso entre o amarelo e o laranja. É uma prática antiga e honesta, não uma imitação. Um sinal de pedra aquecida é por vezes um matiz avermelhado e zonas de cor perto da ponta do cristal.
Revestimentos "místico" e "aura". O reflexo metálico de arco-íris sobre o quartzo (vende-se como "quartzo místico", "quartzo aura", "aura de anjo") é uma finíssima película de metal (ouro, titânio, nióbio) depositada em vácuo sobre a superfície da pedra. O quartzo em si é corrente, o efeito está só na superfície. A película é fina e apaga-se com riscos e abrasivos, por isso essas pedras montam-se protegidas e limpam-se com cuidado.
Tingimento. O quartzo leitoso barato ou fissurado às vezes tinge-se para o fazer passar por turquesa, lápis-lazúli ou outra pedra de cor. O corante entra nas fendas, por isso a cor desigual ao longo dos veios e as manchas num algodão com álcool denunciam o tingimento.
Enchimento de fendas. Em pedras grandes talhadas as fendas por vezes impregnam-se com resina incolor para dar brilho. À lupa essas zonas dão um reflexo plano "de vidro" característico, distinto do brilho do próprio quartzo.
A regra principal: o vendedor deve declarar o tratamento. A irradiação e o aquecimento não afetam o uso e consideram-se normais; os revestimentos e o tingimento pedem um cuidado delicado, e convém perguntar por eles sem rodeios.
Como escolher quartzo para uma joia
O quartzo é barato, por isso o sobrepreço vai pelo trabalho e pela montagem, não pela pedra. Isto é o que há a olhar para não errar.
- Para o transparente escolhe uma pedra sem fendas nem turbidez visíveis: à contraluz deve estar limpa, com facetas nítidas e bem polidas. Os "véus" pequenos e as películas de bolhas dentro são normais no quartzo, mas uma fenda grande perto da superfície é um risco de lasca.
- Para o leitoso valoriza a uniformidade do tom: aprecia-se um branco denso e homogéneo, sem manchas cinzentas nem amarelecido. O cabochão deve ser simétrico, com uma cúpula lisa e sem pancadas.
- Para o fumado repara na uniformidade da cor e pergunta pelo tratamento. Um morião barato demasiado preto às vezes acaba por ser vidro aquecido ou quartzo muito irradiado; um tom fumado quente e uniforme luz mais caro do que o preto carvão.
- A talha importa mais do que o tamanho. O quartzo tem baixa dispersão, por isso todo o brilho depende da qualidade da talha. Facetas tortas e um polimento turvo matam a pedra mesmo em bruto limpo. Roda a joia sob uma lâmpada: o quartzo bem talhado dá reflexos nítidos e uniformes por toda a mesa.
- Verifica a montagem. O quartzo lasca pela fratura, por isso num anel ou numa pulseira (onde bate contra os cantos) é mais seguro um engaste fechado ou semifechado. Deixa as garras abertas para brincos e pendentes, que sofrem menos pancadas.
- O tamanho não justifica o preço. O quartzo grande é barato precisamente porque há muito em bruto. Se por um "cristal de rocha" grande pedem como por uma pedra preciosa, é pagar a mais pelo marketing.
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Como distinguir o quartzo do vidro e das imitações
O quartzo em si falsifica-se pouco: é barato. Mais vezes vende-se vidro ou plástico como cristal de rocha, e faz-se passar o quartzo leitoso por uma pedra mais valiosa. Uns testes simples:
- Calor e peso. O quartzo arrefece a mão e pesa mais do que o vidro do mesmo tamanho. O plástico é leve e aquece depressa com a palma.
- Dureza. O quartzo (dureza 7) risca o vidro, mas não ao contrário. Se um "cristal" se risca com facilidade com uma faca de aço, o mais provável é ser vidro ou plástico. Faz o teste numa zona pouco visível.
- Bolhas. No vidro veem-se muitas vezes bolhas de gás redondas e por vezes linhas em espiral da moldagem. No quartzo natural as inclusões têm outra forma: agulhas, películas, cavidades de geometria irregular.
- Birrefringência. Através do quartzo transparente os contornos de um texto desdobram-se um pouco a certo ângulo (efeito fraco). O vidro não desdobra de todo.
- O quartzo sintético é fisicamente idêntico ao natural: a mesma fórmula, dureza e ótica. Só se distingue por inclusões específicas à lupa ou em laboratório. Não afeta o uso nem a durabilidade.
Cuidado e uso
A dureza 7 torna o quartzo apto para o uso diário: não se risca com o pó nem com a maioria das superfícies domésticas. Mas é frágil, por isso teme as pancadas e as mudanças bruscas.
- Limpeza. Água morna, sabão suave, um pano ou escova macios. As pastas abrasivas e as escovas duras não fazem falta, estragam o polimento da montagem e podem riscar o metal. O sal marinho e a água clorada da piscina enxaguam-se depois com água doce.
- Pancadas. Não o deixes cair sobre um chão duro: pela fratura conchoidal o quartzo lasca. Tira os anéis ao trabalhar com as mãos.
- Sol. O quartzo fumado e a ametista desbotam com o sol forte, não os deixes muito tempo no parapeito. O transparente e o leitoso resistem à luz.
- Calor. O quartzo tolera um calor moderado, mas uma mudança brusca de temperatura pode dar fendas internas, e um calor forte clareia a pedra fumada. Tira as joias antes da sauna.
- Arrumação. Guarda-o à parte de outras pedras, num saquinho macio ou num compartimento: uma pedra mais dura ao lado deixa-lhe um risco, e o próprio quartzo risca tudo o que seja mais mole do que um sete.
- Montagem. O quartzo em si resiste à água, mas uma montagem barata pode oxidar. Um engaste fechado protege a pedra melhor no uso diário do que as garras abertas.
Simbolismo: em resumo e sem promessas
Diferentes tradições atribuíram ao quartzo muitos significados: o cristal de rocha associava-se à clareza e à pureza, o leitoso à calma e à maternidade, o fumado à firmeza e ao "enraizamento". Na litoterapia e no esoterismo surge a ideia de que o quartzo "amplifica a energia" de outras pedras.
Convém dizê-lo sem rodeios: não há uma ação física nem curativa provada por trás dessas propriedades. O quartzo não cura, nem influencia o sono, a tensão ou o humor através da "energia". O efeito piezoelétrico, tantas vezes citado, manifesta-se em circuitos eletrónicos, não no contacto da pedra com a pele. Se alguém se sente melhor a usar a sua joia preferida, é o efeito psicológico normal do próprio objeto, não uma propriedade do mineral. O simbolismo entende-se melhor como contexto cultural e como motivo para escolher uma pedra de que se goste, não como medicina.
Mitos sobre o quartzo
À volta do quartzo acumularam-se muitas lendas. Parte apoia-se em propriedades reais, parte em confusões. Vamos esclarecê-lo com honestidade.
O quartzo amplifica a energia de outras pedras. A ideia cresceu a partir da descoberta da piezoeletricidade em 1880, que o esoterismo transpôs para o plano espiritual. Não existe uma "amplificação de energia" mensurável da pedra vizinha. O quartzo é cómodo sobretudo porque é neutro: não acrescenta cor própria e fica bem junto a qualquer pedra.
Quanto mais caro o quartzo, mais "forte" é. O preço do quartzo é fixado pelo trabalho, pelo metal e pela raridade do exemplar concreto, não pela "força". Numa joia de prata o custo principal é o metal e a mão de obra, não a pedra.
O quartzo leitoso vai ficar transparente com o tempo. As cavidades de água e gás ficaram congeladas na rede para sempre. O quartzo leitoso continuará leitoso.
O quartzo fumado é radioativo e perigoso. Recebeu a sua cor de uma irradiação natural suave e antiga, mas não emite nada a um nível perigoso. Usá-lo e guardá-lo é seguro.
O quartzo natural é sempre melhor do que o sintético. O quartzo sintético é fisicamente idêntico ao natural: a mesma fórmula, dureza e ótica. A diferença está na origem, não em propriedades mensuráveis.
É preciso "limpar" o quartzo a toda a hora da energia alheia. O mineral não tem mecanismo de "absorção de energia". Basta uma limpeza normal de sujidade e pó.
O "quartzo aura" é uma pedra mágica especial. O reflexo de arco-íris é dado por uma finíssima película de metal depositada em vácuo sobre quartzo corrente. É um tratamento decorativo de superfície, não uma variedade rara do mineral.
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Perguntas frequentes
Em que se distinguem no fundo o quartzo transparente, o leitoso e o fumado?
É um só mineral, dióxido de silício com dureza 7. O transparente é puro, o leitoso enevoa-se por microcavidades de água e gás, o fumado colore-se por centros de cor surgidos sob uma irradiação natural suave. A composição e a dureza são iguais em todos; só mudam o aspeto e a resistência ao sol.
Que tipo escolher para uma joia de dia a dia?
O transparente e o leitoso são versáteis e não desbotam, por isso servem para o uso diário e os conjuntos claros. O fumado é mais expressivo e luz em joias de noite, mas não convém deixá-lo muito tempo ao sol forte.
Pode usar-se o quartzo no duche e na piscina?
A pedra em si resiste à água. O limite está na montagem: a prata 925 e o ouro de qualidade aguentam a água, uma liga barata pode oxidar. Após a água do mar, enxagua a joia com água doce.
Como distinguir o quartzo do vidro?
O quartzo é mais frio ao tato e pesa mais do que o vidro do mesmo tamanho, risca o vidro e não se risca com ele. No vidro veem-se muitas vezes bolhas de gás redondas, que o quartzo natural não tem.
Porque é o quartzo mais barato do que muitas outras pedras?
Pela sua abundância: o quartzo forma cerca de 12% da crosta terrestre e extrai-se em grandes volumes. O preço baixo é consequência da abundância, não de uma qualidade baixa.
O quartzo fumado desbota mesmo?
Sim. A luz forte do sol destrói pouco a pouco os centros de cor e a pedra clareia. Por isso guarda-se à sombra e não se usa dias inteiros sob o sol direto.
O que é o quartzo "místico" ou "aura"?
É quartzo corrente com uma finíssima película metálica depositada em vácuo sobre a superfície, daí o reflexo de arco-íris. O efeito está só por fora, por isso essa pedra monta-se protegida e limpa-se sem abrasivos, ou a película apaga-se.
Com o que limpar o quartzo em casa?
Água morna, uma gota de sabão suave, um pano ou escova macios. Os abrasivos, a química agressiva e o ultrassom não fazem falta para joias com fendas ou inclusões.
O quartzo fumado é perigoso pela "radiação"?
Não. Recebeu a sua dose na natureza há muitíssimo tempo e não a emite em quantidades significativas. É uma pedra segura de usar.
Em poucas palavras
O quartzo transparente, o leitoso e o fumado são um só mineral, dióxido de silício com dureza 7 na escala de Mohs. O transparente é puro, o leitoso enevoa-se por microinclusões de água e gás, o fumado é colorido por centros de cor surgidos sob uma irradiação natural suave. O cuidado é simples: limpeza suave, proteção das pancadas e, no fumado, também do sol forte. O simbolismo das diferentes tradições pode ter-se em mente como pano de fundo cultural, mas a pedra convém escolhê-la pelo seu aspeto, pela sua cor e por como encaixa na joia, porque é isso o que é real e comprovável no quartzo.
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