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Asas em joalharia: o significado do símbolo de liberdade mais antigo

Asas em joalharia: o significado do símbolo de liberdade mais antigo

Porque é que as pessoas penduraram uma asa ao pescoço

Nós, humanos, nunca tivemos asas, e é justamente por isso que há três mil anos as desenhamos. Uma asa numa corrente não fala, na verdade, de um pássaro. Fala de um velho desejo humano de deixar o chão para trás, de nos movermos mais depressa, mais livres, por cima do que nos prende. Foi por isso que se deram asas aos deuses, aos heróis e às almas dos mortos: a todo aquele que, segundo se acreditava, era capaz de vencer a gravidade.

Na joalharia, uma asa é um dos signos mais carregados e, ao mesmo tempo, mais abertos. O seu significado muda conforme a asa seja de quem for, conforme esteja só ou em par, dobrada ou completamente aberta. Mais abaixo veremos o que diz uma asa sem palavras, de onde vêm as suas imagens principais, como ler os diferentes tipos de asas e como escolher uma peça alada sabendo exatamente o que se traz vestido.

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A asa como signo: o que diz sem palavras

Uma asa não tem um único significado. Tem várias camadas, e quase toda a gente se sente atraída por uma delas. Nomeá-las separadamente é mais honesto do que reduzir tudo a um vago "algo sobre a liberdade".

Liberdade e voo. O significado principal e mais claro. Uma asa é a capacidade de nos elevarmos acima daquilo que nos mantém presos ao chão: leveza, movimento, vontade. Esta camada não precisa de religião nenhuma e lê-se do mesmo modo para todos, e é por isso que uma asa se escolhe tantas vezes nos momentos de mudança, quando se procura uma viragem.

Proteção e amparo. Uma asa estendida sobre alguém é um gesto antiquíssimo de resguardo. Um pássaro abriga as crias debaixo da asa, e essa imagem passou aos deuses protetores e aos anjos da guarda. Aqui a asa não fala de voo, mas de cuidado.

Mensagem e ligação com o alto. Um mensageiro alado traz notícias de lá de cima até cá abaixo. A asa como signo do arauto, a ponte entre céu e terra, atravessa desde as culturas mais antigas até ao anjo cristão.

Aspiração e ambição. Uma asa é um puxão para cima, um desejo de mais, de crescer. Neste sentido, as pessoas trazem-na como um lembrete silencioso a si próprias: não pares, aponta mais alto.

Alma e memória. Em muitas tradições davam-se asas à alma que abandona o corpo. Esta camada existe, mas é apenas uma entre muitas, e uma asa não tem de falar de perda de todo. Muito mais vezes fala da liberdade viva e terrena.

A asa vai sobre algodão liso, nunca sobre um estampado. A gravação é o que importa, por isso deixa-me vê-la.
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De que tamanho a asa?

Como e com o quê usá-la

Uma asa raramente pede drama à sua volta. É um signo discreto, e com os anos aprendi a vesti-la assim, sem a carregar. É assim que a coloco.

Sobre o quê ponho uma asa para o dia a dia? Para o dia a dia recomendo uma asa pequena em corrente fina sobre roupa lisa. Sobre um fundo tranquilo e de uma só cor, a fina gravação da pena lê-se melhor, ao passo que um padrão carregado discute com ela. Uma gola alta ou um decote pouco profundo dão apoio ao pendente, por isso para o dia a dia prefiro-os a um decote muito aberto.

Como visto uma asa para uma ocasião especial? Para um dia assinalado sugiro uma asa grande e aberta ou uma asa com uma pedra clara. Sustenta o conjunto sozinha, por isso deixo o resto do visual tranquilo e que fale essa única peça.

Com o quê combino uma asa? Gosto de uma asa junto a motivos afins: estrelas, lua, uma pena, uma ave. Todos falam de leveza e de movimento para cima, por isso convivem sem se atropelarem. A simbologia pesada e agressiva é outra história, e essas peças guardo-as para outro dia.

Que comprimento e tamanho escolho? A regra que sigo é simples. Uma asa pequena ganha perto das clavículas em corrente curta, onde o pormenor fica perto do olho. Uma grande penduro-a num comprimento médio, onde se abre em plena altura e não choca com o pescoço.

A quem fica mesmo bem uma asa? A quem prefere uma peça discreta com significado a um monte ruidoso de metal. A minha única exigência firme: mantém as várias peças aladas num mesmo metal. Mistura os metais e o conjunto desfaz-se, e o signo antigo perde-se no ruído.

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Uma breve mitologia do voo

A força da asa como símbolo vem de uma longa linhagem de imagens em culturas muito distintas. Convém conhecê-las: quando se escolhe uma peça alada, herda-se todo esse rico rasto de significado.

Niké e Vitória: as asas da vitória

Medalhão de vidro com a Vitória alada, obra romana
A Vitória alada, o duplo romano da grega Niké: as asas da vitória significavam que o triunfo chega do alto e com rapidez. Medalhão de vidro, século I. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)Glass medallion of winged Victory, 1st century CE. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Na Grécia antiga, Niké, a deusa da vitória, representava-se com asas, e em Roma o seu equivalente era Vitória. As asas significavam que a vitória era veloz e vinha do alto. Os gregos chegaram a erguer templos a Niké Áptera, "a vitória sem asas": deixaram-na deliberadamente sem asas para que a vitória não pudesse fugir da cidade a voar.

A célebre Vitória alada de Samotrácia, com as asas abertas sobre a proa de um barco, fixou uma imagem que ainda hoje ressoa. Foi encontrada em 1863 na ilha de Samotrácia, sem cabeça nem braços, e nesse estado tornou-se uma das estátuas mais reconhecíveis do mundo, com cerca de dois mil e duzentos anos. A asa da vitória fala de triunfo, de ímpeto, do instante em que tudo encaixa.

Hermes e Mercúrio: as asas da velocidade e da mensagem

Gema de calcedónia: a cabeça alada de Mercúrio (Hermes), obra romana
O elmo alado de Hermes, o deus mensageiro: as asas significavam a velocidade do pensamento e do movimento. Gema de calcedónia, romana, séculos I a II. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)Chalcedony winged head of Mercury (Hermes), 1st–2nd century CE. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

O grego Hermes e o romano Mercúrio usavam sandálias aladas, as talaria, e um elmo alado. São deuses mensageiros, guias, e as asas nos pés significavam a velocidade do pensamento e do movimento, a capacidade de aparecer em qualquer lugar num instante. O veloz Mercúrio deu nome ao planeta mais rápido do sistema solar, e também ao mercúrio, o metal que não se consegue segurar com as mãos. Uma sandália alada ainda hoje se lê como signo do comércio, do caminho e da comunicação rápida.

Eros: as asas do amor que não se podem prender

Camafeu romano de vidro com o Eros alado (Cupido)
O Eros alado: as asas significavam que o sentimento chega e vai por si só e não se consegue prender. Camafeu de vidro, romano, século I. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)Glass cameo with cupid (Eros), 1st century CE. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Eros, o deus do amor, o Cupido romano, também é alado, e esse é um pormenor revelador. As asas significam que o sentimento chega e vai por si só, não se consegue apanhar e fechar. O Cupido alado tornou-se uma das imagens mais duradouras e, através dos putti do barroco, chegou até ao postal de aniversário. Aqui a asa fala da leveza e da imprevisibilidade do sentimento.

Ícaro e Dédalo: a asa como audácia e o seu preço

O artífice Dédalo fabricou asas de penas e cera para que ele e o filho pudessem fugir de uma ilha. Ícaro subiu demasiado perto do sol, a cera derreteu e caiu ao mar. Deste mito vem um dito que vive em todas as línguas europeias: não voes demasiado perto do sol. No famoso quadro flamengo do século XVI, a queda de Ícaro é quase impossível de encontrar, apenas as pernas que desaparecem debaixo de água diante de um lavrador qualquer que nem sequer levantou a cabeça. Este mito deu à asa uma nuance importante: uma asa é ao mesmo tempo audácia e advertência, o sonho do voo e a lembrança de que a altura tem um preço. Por isso uma asa lê-se por vezes como liberdade e como uma coragem que assume um risco.

Guardiães alados do antigo Oriente

Lamassu assírio: um touro alado com cabeça humana, relevo de um palácio
A asa como proteção é mais antiga do que a Antiguidade: o lamassu assírio, um touro guardião alado com rosto humano, guardava a porta do palácio. Cerca de 883 a 859 a. C. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)Human-headed winged bull (lamassu), ca. 883–859 BCE. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

A asa como proteção é mais antiga do que a Antiguidade clássica. Os palácios da Assíria eram guardados pelos lamassu, touros alados com rosto humano. No Egito, deusas protetoras como Ísis e Maat representavam-se com os braços estendidos como asas, abertos sobre quem resguardavam. No zoroastrismo, um disco alado representava o poder supremo e os espíritos guardiães, os fravashi. A lógica é a mesma em toda a parte: uma asa grande sobre uma pessoa é proteção vinda de cima. Isto, e não a religião posterior, é a origem da imagem da asa protetora.

O Egito deu à asa uma linguagem especialmente rica. O deus Hórus representava-se como um falcão, e o seu olho que tudo vê, com as asas abertas, tornou-se um dos principais signos protetores do país, colocado nos túmulos e usado como amuleto. O escaravelho também se representava alado: os egípcios viam nele uma imagem do sol nascente e do renascer, e o escaravelho alado com as asas abertas colocava-se sobre o peito das múmias como desejo de uma vida nova. Aqui a asa não fala de voo, mas de proteção e de um regresso à luz.

No cristianismo, a asa recebeu o seu próprio código muito preciso. Desde os primeiros tempos, os quatro evangelistas representaram-se como seres alados: Mateus como um homem alado (ou anjo), Marcos como um leão alado, Lucas como um boi alado, e João como uma águia. Estas quatro imagens aladas remontam à visão do profeta Ezequiel e ainda aparecem nas igrejas e nos livros antigos. Aqui a asa é signo do mensageiro celeste: cada ser transporta a palavra do alto.

O Norte acrescentou a esta linhagem os seus próprios mensageiros alados. Na mitologia nórdica, as valquírias, as donzelas da batalha, sobrevoavam o campo e decidiam a sorte dos guerreiros, levando os caídos aos salões de Odin, e na arte posterior desenham-se muitas vezes com asas. Entre os povos germânicos e nórdicos, a asa ligava-se à coragem e ao destino, mais do que à ternura. E no Japão vivem os tengu, espíritos alados das montanhas com traços de ave: temidos outrora como perigosos embusteiros, honrados mais tarde como guardiães das montanhas e mestres da arte marcial. A asa do tengu é poder, ferocidade e saber secreto, mais uma lembrança de que a asa tem um caráter muito diferente nos extremos opostos do mundo.

De quem são as asas: angelicais, de ave, de inseto, mecânicas

Uma asa quase nunca fica suspensa sozinha no vazio. Tem uma origem, e essa origem muda o seu significado. Quem conhece o tema reconhece de imediato de quem é a asa que tem à frente.

A asa de anjo

A versão mais habitual. As penas são grandes e suaves, a plumagem densa, o contorno sereno. A asa de anjo traz um tom de proteção e de ligação com o alto. É um grande tema por direito próprio, e a figura do anjo é tratada em pormenor no artigo sobre o anjo na joalharia. Quando uma peça conserva apenas a asa, sem a figura nem a auréola, soa mais ampla e mais laica, mais perto da ideia pura de liberdade.

A asa de ave e a pena

Uma asa de ave é mais leve e afiada do que a de um anjo, com penas muitas vezes longas e pontiagudas. A pena solta como signo de liberdade e leveza pertence também aqui, e tem o seu próprio estudo da pena. Da imagética das aves surgiu a pomba como signo de paz e de mensagem, enquanto a andorinha, o beija-flor e a libélula se reúnem no seu próprio guia de criaturas aladas. Uma asa de ave escolhe-se quando se procura uma leveza natural e não religiosa.

Asas de inseto

As asas de uma borboleta e de uma libélula são construídas de outra maneira: transparentes, reticuladas, finamente nervuradas. O seu significado também é diferente, não fala de voo nem de força, mas de fragilidade, transformação, a brevidade da beleza. Esta linha desenvolve-se no artigo sobre a borboleta. Na joalharia, estas asas fazem-se vazadas, com esmalte ou com uma pedra que se lê em contraluz.

O cavalo alado e as asas fantásticas

Também se deram asas às criaturas: a Pégaso, aos grifos, aos dragões. O cavalo alado é inspiração e ímpeto, e tem a sua própria peça sobre Pégaso. Uma asa fantástica traz o significado do ser a que pertence, e por isso, por si só, aparece com menos frequência.

A asa mecânica

Um motivo moderno: uma asa de engrenagens, rebites e placas de metal, no espírito do steampunk. Une a velha ideia do voo com a estética das máquinas e lê-se como um sonho de voo feito por mãos humanas. O sonho é antigo: Leonardo da Vinci desenhou um ornitóptero de asas batentes por volta de 1490, quatro séculos antes do primeiro aeroplano, e copiou as penas e a curvatura da asa de um pássaro, tentando perceber como poderia uma pessoa elevar-se pelo ar. A asa mecânica é uma opção rara mas expressiva para quem se sente atraído por um estilo industrial.

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Criaturas aladas da mitologia

As asas não pertenciam apenas aos deuses, mas a todo um bestiário de seres míticos, e cada um tingiu o significado da asa à sua maneira.

O grifo, com corpo de leão e asas de águia, unia a força da terra e do céu e tinha-se por guardião do ouro e do tesouro. A sua asa é signo de proteção vigilante. Garuda, no hinduísmo, é o rei das aves e a montada do deus Vixnu, um poderoso protetor alado contra o mal, ainda hoje uma imagem querida no Oriente. As harpias e as sereias, pelo contrário, mostram o lado escuro da asa: donzelas aladas que desencaminham os viajantes e trazem a morte. Para elas, a asa é tentação e perigo, não salvação. Na tradição eslava existem as donzelas-pássaro Sirin e Alkonost, cujo canto é ora dolente, ora celestial.

A conclusão desta variada linhagem é simples: uma asa por si mesma é neutra, o seu significado fixa-o o seu dono. Pode proteger, como a do grifo e a de Garuda, e pode arrastar para o abismo, como a das sereias. Uma vez entrando na joalharia, a asa toma quase sempre o lado luminoso da sua herança, a liberdade e a proteção, mas convém conhecer a outra face para captar toda a profundidade do símbolo.

Uma asa ou um par: como a forma muda o significado

A forma de uma asa é uma linguagem em si mesma, e uma boa peça sabe aproveitá-la.

Uma asa só lê-se como um signo pessoal, um fragmento, algo que fica por dizer. As pessoas escolhem-na quando procuram discrição e uma insinuação, mais do que uma declaração em voz alta. Um par de asas é plenitude, proteção, um abraço; a imagem soa mais quente e completa, e por isso as asas em par tomam-se muitas vezes como símbolo de cuidado ou do vínculo entre duas pessoas.

As asas dobradas falam de calma, concentração, força em repouso. As asas abertas e desdobradas são movimento, ímpeto, disposição para levantar voo. Assim, uma curva dobrada e minimalista e uma asa larga e aberta transmitem estados de espírito completamente diferentes, embora sejam feitas do mesmo metal. Ao escolher uma peça, vale a pena decidir o que fica mais perto de nós: a calma serena ou o ímpeto aberto.

Tipos de joias aladas

Broche com um leão alado assírio, ouro e vidro, século XIX
A asa na própria joia: um broche com um leão alado assírio de ouro e vidro, da época de fascínio pelas antiguidades, cerca de 1850 a 1880. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)Brooch with Assyrian human-headed winged lion, ca. 1850–1880. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Uma asa vive na joalharia em poucos formatos estáveis.

O pendente de asa. A versão mais universal, desde uma subtil insinuação até uma pena grande e dramática. Pendura-se numa corrente fina e usa-se tanto no dia a dia como em ocasiões especiais.

Asas em par. Duas asas, por vezes unidas por um coração ou uma pedra. Muitas vezes é uma peça para dois, uma asa para cada um, como signo do vínculo entre pessoas.

Brincos de asa. Desde pequenos pinos até longos pendentes e o formato na moda ear-climber, em que a asa sobe pela borda da orelha. Aqui a asa funciona de forma gráfica e chamativa.

Um anel com asa. A asa envolve o dedo ou abre-se na face do anel. Uma opção para quem quer trazer o símbolo noutro sítio que não o pescoço.

Uma asa com pedra. A asa como engaste ou fundo de uma pedra, normalmente pálida e de ar celeste: madrepérola, pedra da lua, um mineral azul. A pedra reforça o tema do céu e da luz.

Tipos de asas: de quem é a asa e o que significa
AsaComo apareceO que significaUniversalidade
Asa de aveLeve, afiada, penas longasLiberdade, leveza natural, ímpeto
Asa de anjoPlumagem grande e suaveProteção, ligação com o alto, amparo
Asa de insetoTransparente, reticulada, vazadaFragilidade, transformação, beleza do momento
Asa de NikéAberta, dinâmica, antigaVitória, triunfo, rapidez
Asa mecânicaDe engrenagens e placas, steampunkO sonho de voar feito à mão

Materiais e o ofício da pena

A tarefa principal do artífice numa peça alada é a pena, porque é a textura da plumagem que dá vida a uma asa. Uma superfície lisa e vazia raramente funciona.

Prata. A escolha mais habitual. O metal branco e frio assenta bem ao tema do céu, e a pena sobre ele trabalha-se com gravação, uma superfície mate ou polimento. Uma asa de prata mantém-se acessível.

Ouro amarelo e ouro rosa. A luz quente do ouro suaviza a imagem, torna a asa menos severa. O ouro rosa assenta especialmente bem às asas em par.

Prata oxidada. O pigmento escuro nos vãos faz sobressair cada pena com nitidez. A asa parece mais gráfica e composta, muito apropriada para formas grandes e dramáticas.

A gravação da pena. Dela depende o caráter. Um entalhe forte e espaçado dá uma asa poderosa; um risco fino e denso torna-a suave e lírica; uma asa lisa sem textura parece moderna mas exige uma forma impecável. A mão do artífice vê-se na pena, e é a primeira coisa a olhar.

Pedras. Às peças aladas engastam-se acentos pálidos, madrepérola, pedra da lua, um mineral branco ou azul, para reforçar o tema do céu. Dão um brilho suave sem clarão estridente e rimam bem com o tema do voo, tal como toda uma categoria de joalharia celeste com motivos de sol, lua e estrelas.

Como cuidar de uma peça alada

Uma asa é mais vulnerável do que um pendente liso: o seu significado assenta no relevo da pena, nas finas linhas da gravação e nos vãos entre as penas. E é justamente aí que se acumula a sujidade, o metal apaga-se e o banho se desgasta, por isso cuidar de uma asa difere de cuidar de um pendente simples. Vamos por materiais.

Prata clara. A prata escurece com o ar, o suor e os cosméticos, e numa asa isto nota-se de forma especial: a película assenta primeiro nos sulcos entre as penas e apaga o desenho. Tira a asa antes do duche, da piscina e de dormir, e não a ponhas até teres aplicado o perfume e o creme e os deixado absorver. Uma asa de prata limpa-se com um pano macio de polir e água morna com uma gota de sabão, e depois seca-se. A pasta de dentes e os pós abrasivos é melhor mantê-los longe da pena: o abrasivo risca a gravação e com o tempo apaga as linhas. Se o enegrecimento entrou fundo, ajuda um banho especial para prata, mas a asa não deveria ficar nele mais do que um par de minutos, ou o contraste desejado sai junto com o preto.

Prata oxidada. Aqui a regra é a contrária e é fácil ignorá-la por hábito. A camada escura nos vãos da pena é todo o efeito; aplicou-se de propósito para que cada pena se leia. As pastas de polir, os banhos de prata e a limpeza enérgica levam o preto junto com a sujidade, e a asa passa de gráfica a plana e cinzenta. Uma asa oxidada limpa-se só com um pano macio seco ou ligeiramente húmido, pelas bordas em relevo, sem esfregar os fundos. A película retira-se das zonas abertas e claras com cuidado, ponto por ponto. Quanto menos se esfrega uma asa oxidada, mais dura o seu relevo.

Banho de ouro e revestimentos finos. O banho é uma camada de ouro de um mícron sobre prata ou outro metal, e na borda da pena desgasta-se primeiro, porque são as bordas que roçam com a roupa e a pele. Prolongar a sua vida é simples: tira a asa para a noite e para a água, não a esfregues com um abrasivo, limpa-a só com um pano macio sem pastas. Nenhum remédio caseiro devolve um banho desgastado; só um joalheiro o restaura de novo, por isso para o uso diário o metal maciço é mais fiável, e uma asa com banho reserva-se para sair.

Pedras pálidas e brandas. A madrepérola, a pedra da lua e a opala, que tão bem assentam a uma asa, são inserções delicadas. Temem os ácidos, o perfume, os produtos de limpeza e as mudanças bruscas de temperatura, e a madrepérola ainda por cima risca-se. Estas pedras não devem entrar num limpador de ultrassons nem num banho de prata: o líquido e a vibração turvam a superfície e podem soltar o engaste. Limpam-se só com um pano macio ligeiramente húmido, sem imersão. A opala, além disso, não suporta secar-se; o ar quente prolongado e o sol direto fazem-lhe mal. Se uma asa sustenta uma pedra assim, põe a peça em último e tira-a em primeiro.

Conservação. Uma asa com textura precisa do seu próprio sítio. Várias peças na mesma caixa roçam umas nas outras; a borda da pena risca as vizinhas e risca-se a si mesma, e as pedras pálidas ficam mates. Guarda uma asa num saquinho ou compartimento à parte, e a prata melhor numa caixa fechada com uma tira antioxidação, para que escureça mais devagar. Uma passagem rápida com um pano macio a cada poucas semanas protege o relevo melhor do que uma limpeza profunda rara e agressiva.

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Como escolher o formato para o teu estilo e o comprimento da corrente

Uma asa vive em diferentes formatos, e cada um pede o seu próprio sítio no corpo e o seu próprio fundo. Escolher um formato para ti é mais fácil do que parece se partires do decote e do teu estilo habitual.

Uma asa só na corrente. A versão mais flexível. Uma asa pequena ganha perto das clavículas, numa corrente curta, onde se vê de perto e se lê a gravação. Uma asa grande e aberta usa-se num comprimento médio, mais perto do início do peito, onde se abre em toda a sua altura e não choca com a gola da roupa. Debaixo de uma gola fechada e de uma camisola de gola alta, mais longo e mais grande é o lógico; debaixo de um decote aberto, mais curto e mais fino. A roupa lisa e de uma só cor dá à pena o melhor fundo; um padrão carregado discute com a gravação.

Asas em par. Duas asas soam mais quentes e completas; este é o formato do vínculo e do cuidado. Costumam usar-se um pouco mais baixas, num comprimento médio, para que ambas as asas fiquem simétricas e não se dobrem uma sobre a outra. Se as asas em par se pensam para dois, uma asa para cada um, faz sentido manter o mesmo metal e o mesmo comprimento, para que as peças se leiam como um conjunto.

Brincos de asa. Desde pequenos pinos até longos pendentes e o formato em que a asa sobe pela borda da orelha. Os brincos de asa longos atraem o olhar para baixo e assentam bem a um pescoço descoberto e ao cabelo apanhado; os pequenos pinos de asa convivem com qualquer estilo e não discutem com um pendente. Os brincos de asa é melhor não os combinar com uma asa grande ao pescoço na mesma saída: duas asas chamativas começam a competir. Escolhe um único foco principal.

Um anel com asa. A asa envolve o dedo ou abre-se na face do anel. É a opção para quem traz o símbolo longe do pescoço. Um anel de asa volumoso basta-se a si próprio; não precisa do apoio de outras asas, bastam anéis lisos ao lado. Cuidado com a altura do relevo: uma pena alta prende-se em bolsos e luvas, para um dia ativo escolhe um perfil mais baixo.

Uma asa com pedra. Aqui a pedra torna-se o principal, e a asa funciona como engaste e fundo. Uma pedra pálida e celeste, madrepérola ou pedra da lua, pede um ambiente tranquilo e um único comprimento, para que o seu brilho não se afogue no ruído. Uma asa assim assenta melhor a uma ocasião do que ao dia a dia, sobretudo se a pedra for branda.

A regra geral é simples: uma só peça alada chamativa por estilo, o resto mais discreto e num mesmo metal. Várias asas misturadas com metais diferentes decompõem o conjunto, e o antigo signo perde-se no ruído.

Encontra os pares de símbolos
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Como escolher uma boa peça alada

Uma asa vive da textura da pena, e a pena é o lugar mais fácil para distinguir um trabalho cuidado de uma estampagem em série.

Olha como está trabalhada a plumagem. Numa asa boa as penas leem-se separadamente, as linhas gravadas são nítidas e não estão esborratadas, o desenho não se difumina. Uma fundição barata denuncia-se com uma pena plana e desfocada, sem profundidade. Verifica a simetria se a asa for par ou figurada: uma inclinação faz de imediato a peça parecer descuidada. Repara onde se une a argola à asa; a junção deve ser uniforme e impercetível, não um bojo tosco. Numa peça de qualidade a borda da pena é lisa, não afiada nem denteada.

Escolhe o tamanho conforme a pessoa e o decote. Uma asa pequena e delicada perde-se numa constituição grande e debaixo de uma gola fechada, enquanto uma asa grande e aberta pesa num pescoço esbelto. E lembra-te do metal: um banho fino desgasta-se das bordas da pena com o tempo, por isso para o uso diário a prata maciça ou o aço são mais fiáveis do que um revestimento.

A quem fica bem e para que ocasiões oferecê-la

Uma peça alada fica bem a quem valoriza a ideia de liberdade e movimento, e a quem atravessa uma mudança. É um bom signo para uma nova etapa: uma mudança de trabalho, uma mudança de casa, uma formatura, o começo de um caminho. Uma asa diz "voa" melhor do que qualquer palavra.

Como presente, uma asa é universal, porque não impõe nenhum significado religioso. Uma asa só pode oferecer-se como desejo de liberdade e coragem, as asas em par como signo de um vínculo entre pessoas próximas. A um viajante fica-lhe bem uma asa como símbolo do caminho; a quem alcançou uma vitória fica-lhe bem uma asa no espírito de Niké como signo de triunfo. Uma asa encaixa pior a quem procura o acessório mais neutro, sem significado nenhum: uma asa diz sempre alguma coisa.

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As asas na cultura moderna

Uma asa não é um símbolo de museu; vive também hoje. É um dos motivos mais populares na arte da tatuagem, onde umas asas abertas nas costas ou uma asa pequena no pulso significam liberdade e memória. As asas usam-se na farda de pilotos e paraquedistas como signo do céu e de pertença. Na moda urbana, a asa tornou-se um signo de leveza e de rebeldia contra a rotina. Esta vitalidade é o que faz da asa uma joia tão cómoda: o seu significado antigo lê-se num instante e, ainda assim, soa moderna.

As asas na heráldica e nos emblemas

Da mitologia, a asa passou aos brasões e às insígnias de posto, onde funciona como linguagem de estatuto e de pertença. Na heráldica, uma asa significa proteção, rapidez e amparo do alto; colocava-se nos escudos e nos elmos das famílias. A águia bicéfala com as asas abertas tornou-se o brasão de estados inteiros como signo de poder sobre Ocidente e Oriente.

Mais tarde, a asa firmou-se com solidez nas insígnias dos aviadores: um emblema alado no peito de um piloto é símbolo do céu, da mestria e da pertença à irmandade do ar. Uma roda alada tornou-se o emblema dos caminhos de ferro e da velocidade; uma taça e um bastão alados, signo da medicina e do comércio. Esta linha explica por que uma asa se lê com tanta segurança como signo de movimento, dignidade e pertença a algo maior. Na joalharia, esta camada acrescenta severidade à asa, sobretudo numa fatura gráfica, de ar de medalha, onde a asa parece não terna, mas composta e forte.

Mitos sobre as asas nas joias
As asas são apenas um símbolo angelical e religioso
Toca
Uma asa numa joia é sobre perda e memória
Toca
Uma asa e um par de asas são a mesma coisa
Toca
Ícaro provou que as asas são um mau símbolo
Toca
As joias aladas só ficam bem às mulheres
Toca
Uma pessoa não crente não pode usar asas
Toca

Asas: dados que surpreendem

Umas quantas coisas sobre as asas em que as pessoas não costumam pensar, e deviam.

Os primeiros anjos cristãos não tinham asas. Na arte primitiva, os três primeiros séculos, os mensageiros desenhavam-se como jovens comuns sem asas. As asas acrescentaram-se só no final do século IV, tomadas de empréstimo à Niké alada. Por outras palavras, o familiar anjo alado é vários séculos mais jovem do que o próprio cristianismo.

Com Homero, as palavras podem voar. A expressão "palavras aladas" não a cunhou um jornalista, mas Homero: na Ilíada e na Odisseia o discurso de um herói chama-se "alado" dezenas de vezes, isto é, que voa direto ao ouvinte. Hoje o termo usa-se para citações certeiras, e por trás dele está a mesma ideia da asa como mensagem veloz.

Os gregos fizeram a vitória sem asas de propósito. Em Atenas erguia-se um templo a Niké Áptera, "a vitória sem asas": à estátua deixou-se deliberadamente sem asas, para que a vitória não pudesse fugir da cidade a voar. Um caso raro em que a asa se tirou de propósito em vez de se acrescentar.

A asa deu nome a um planeta e a um metal. A rapidez do Mercúrio de pés alados calou tão fundo que o seu nome se deu ao planeta mais rápido e ao mercúrio fluido, impossível de segurar na mão.

Leonardo desenhou asas quatro séculos antes da aviação. Por volta de 1490 da Vinci desenhou um ornitóptero de asas batentes e estudou a estrutura da pena de um pássaro. As pessoas sonharam com asas próprias muito antes de poderem elevar-se pelo ar.

"Ganhar as asas" não é uma metáfora. Aos pilotos entrega-se um emblema alado depois do seu primeiro voo a solo, e a tradição tem mais de um século de vida. Daí vem a expressão "abrir as asas", que de um modo ou de outro existe em quase todas as línguas europeias.

O escaravelho punha-se alado sobre o peito da múmia. No Egito tinha-se o escaravelho por imagem do sol nascente, e um escaravelho alado colocava-se sobre o peito dos mortos como desejo de renascer. O resultado foi uma asa que não significava uma fuga da terra, mas um regresso à luz.

Os quatro evangelistas ainda se reconhecem pelas suas asas. O homem, o leão, o boi e a águia alados são um velho código para Mateus, Marcos, Lucas e João. Se sobre a porta de uma igreja antiga vires estes quatro seres alados, não estás a olhar para um bestiário, mas para uma assinatura: "aqui fala a Escritura".

As asas mais famosas da escultura não têm cabeça. A Vitória alada de Samotrácia, o modelo da vitória alada, chegou até nós sem cabeça nem braços, e precisamente nesse estado se tornou uma das estátuas mais reconhecíveis do mundo. As asas sobreviveram a tudo o resto.

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Perguntas frequentes

O que simbolizam as asas na joalharia? O mais habitual é liberdade e voo, a capacidade de nos elevarmos acima das circunstâncias. Mas uma asa tem outras camadas: proteção e amparo, quando a asa se estende sobre alguém; mensagem e ligação com o alto num mensageiro alado; aspiração e crescimento como um puxão para cima. Existe também uma camada de memória, mas uma asa não tem de falar de perda; muito mais vezes fala da liberdade viva e terrena. Que significado lhe dar depende em boa medida de quem a traz.

Em que se distingue uma asa de um anjo e de uma pena? Uma asa é um símbolo mais amplo e mais laico. Um anjo é uma imagem concreta, com figura e o seu próprio significado teológico, ao passo que uma asa só, sem figura, soa mais ampla, mais perto da ideia de liberdade. Uma pena é um fragmento de uma asa, um signo ainda mais leve e mais pessoal. Assim, uma asa escolhe-se quando se quer a ideia do voo sem amarras à religião, um anjo quando importa a figura protetora, uma pena quando se procura uma sobriedade discreta.

Pode uma pessoa não crente usar uma asa? Sim, e é bastante habitual. Uma asa é mais antiga do que qualquer religião concreta e significa antes de tudo liberdade e movimento, não fé. As sandálias aladas de Hermes, as asas de Niké, as asas de Eros são imagens antigas, não eclesiásticas. Se queres a leitura mais laica, escolhe uma asa de ave ou abstrata em vez de uma angelical.

O que significa uma asa face a um par de asas? Uma asa só lê-se como um signo pessoal, um fragmento, algo que fica por dizer; as pessoas escolhem-na pela discrição e por uma insinuação. Um par de asas é plenitude, proteção e um abraço, e por isso as asas em par tomam-se muitas vezes como símbolo do vínculo entre dois ou do cuidado. Além disso, as asas dobradas falam de calma, ao passo que as abertas falam de ímpeto e movimento, por isso a forma muda o estado de espírito tanto como o número.

Que metal e que pedras escolher para uma asa? O mais habitual é a prata: a sua cor branca e fria assenta ao tema do céu, e a pena sobre ela é fácil de trabalhar com gravação. A prata oxidada faz sobressair o relevo e assenta às asas grandes; o ouro quente suaviza a imagem. Entre as pedras, encaixam as pálidas e brilhantes: madrepérola, pedra da lua, um mineral branco ou azul. Reforçam o motivo do céu e não discutem com a fina gravação da pena.

Para que ocasião oferecer uma peça alada? O melhor é para o começo de uma nova etapa: um novo trabalho, uma mudança de casa, uma formatura, um marco importante. Uma asa lê-se como um desejo de liberdade e coragem. As asas em par ficam bem para oferecer como signo de um vínculo entre duas pessoas próximas. A um viajante fica-lhe bem uma asa como símbolo do caminho, e a quem alcançou o sucesso uma asa no espírito da deusa da vitória.

Uma asa fala necessariamente de perda e de memória? Não. Uma asa tem, sim, uma camada comemorativa, que vem da imagem da alma que abandona o corpo, e para alguns uma asa continua a ser um signo de memória. Mas é apenas um significado entre muitos e está longe de ser o principal. Muito mais vezes uma asa se traz como signo de liberdade, mudança, coragem e movimento para cima, e oferece-se para ocasiões felizes e luminosas.

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Prata, ouro, simbologia, pendentes de asa, conjuntos em par, medalhões.

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Sobre a Zevira

A Zevira é uma marca espanhola de joalharia, com raízes em Albacete. Os motivos alados, os pendentes de asa e os conjuntos em par são uma das categorias do catálogo. Gostamos de símbolos com uma história longa e um significado claro, não do adorno vazio. A asa é um dos mais antigos e honestos entre eles. Vê as peças atuais no catálogo.

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