
Asas em joalharia: o significado do símbolo de liberdade mais antigo
Porque é que as pessoas penduraram uma asa ao pescoço
Nós, humanos, nunca tivemos asas, e é justamente por isso que há três mil anos as desenhamos. Uma asa numa corrente não fala, na verdade, de um pássaro. Fala de um velho desejo humano de deixar o chão para trás, de nos movermos mais depressa, mais livres, por cima do que nos prende. Foi por isso que se deram asas aos deuses, aos heróis e às almas dos mortos: a todo aquele que, segundo se acreditava, era capaz de vencer a gravidade.
Na joalharia, uma asa é um dos signos mais carregados e, ao mesmo tempo, mais abertos. O seu significado muda conforme a asa seja de quem for, conforme esteja só ou em par, dobrada ou completamente aberta. Mais abaixo veremos o que diz uma asa sem palavras, de onde vêm as suas imagens principais, como ler os diferentes tipos de asas e como escolher uma peça alada sabendo exatamente o que se traz vestido.
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A asa como signo: o que diz sem palavras
Uma asa não tem um único significado. Tem várias camadas, e quase toda a gente se sente atraída por uma delas. Nomeá-las separadamente é mais honesto do que reduzir tudo a um vago "algo sobre a liberdade".
Liberdade e voo. O significado principal e mais claro. Uma asa é a capacidade de nos elevarmos acima daquilo que nos mantém presos ao chão: leveza, movimento, vontade. Esta camada não precisa de religião nenhuma e lê-se do mesmo modo para todos, e é por isso que uma asa se escolhe tantas vezes nos momentos de mudança, quando se procura uma viragem.
Proteção e amparo. Uma asa estendida sobre alguém é um gesto antiquíssimo de resguardo. Um pássaro abriga as crias debaixo da asa, e essa imagem passou aos deuses protetores e aos anjos da guarda. Aqui a asa não fala de voo, mas de cuidado.
Mensagem e ligação com o alto. Um mensageiro alado traz notícias de lá de cima até cá abaixo. A asa como signo do arauto, a ponte entre céu e terra, atravessa desde as culturas mais antigas até ao anjo cristão.
Aspiração e ambição. Uma asa é um puxão para cima, um desejo de mais, de crescer. Neste sentido, as pessoas trazem-na como um lembrete silencioso a si próprias: não pares, aponta mais alto.
Alma e memória. Em muitas tradições davam-se asas à alma que abandona o corpo. Esta camada existe, mas é apenas uma entre muitas, e uma asa não tem de falar de perda de todo. Muito mais vezes fala da liberdade viva e terrena.
A asa vai sobre algodão liso, nunca sobre um estampado. A gravação é o que importa, por isso deixa-me vê-la.
Como e com o quê usá-la
Uma asa raramente pede drama à sua volta. É um signo discreto, e com os anos aprendi a vesti-la assim, sem a carregar. É assim que a coloco.
Sobre o quê ponho uma asa para o dia a dia? Para o dia a dia recomendo uma asa pequena em corrente fina sobre roupa lisa. Sobre um fundo tranquilo e de uma só cor, a fina gravação da pena lê-se melhor, ao passo que um padrão carregado discute com ela. Uma gola alta ou um decote pouco profundo dão apoio ao pendente, por isso para o dia a dia prefiro-os a um decote muito aberto.
Como visto uma asa para uma ocasião especial? Para um dia assinalado sugiro uma asa grande e aberta ou uma asa com uma pedra clara. Sustenta o conjunto sozinha, por isso deixo o resto do visual tranquilo e que fale essa única peça.
Com o quê combino uma asa? Gosto de uma asa junto a motivos afins: estrelas, lua, uma pena, uma ave. Todos falam de leveza e de movimento para cima, por isso convivem sem se atropelarem. A simbologia pesada e agressiva é outra história, e essas peças guardo-as para outro dia.
Que comprimento e tamanho escolho? A regra que sigo é simples. Uma asa pequena ganha perto das clavículas em corrente curta, onde o pormenor fica perto do olho. Uma grande penduro-a num comprimento médio, onde se abre em plena altura e não choca com o pescoço.
A quem fica mesmo bem uma asa? A quem prefere uma peça discreta com significado a um monte ruidoso de metal. A minha única exigência firme: mantém as várias peças aladas num mesmo metal. Mistura os metais e o conjunto desfaz-se, e o signo antigo perde-se no ruído.

Ligue a câmara, escolha uns brincos, um pendente ou um anel, e veja a peça em si em tempo real.
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Uma breve mitologia do voo
A força da asa como símbolo vem de uma longa linhagem de imagens em culturas muito distintas. Convém conhecê-las: quando se escolhe uma peça alada, herda-se todo esse rico rasto de significado.
Niké e Vitória: as asas da vitória
Na Grécia antiga, Niké, a deusa da vitória, representava-se com asas, e em Roma o seu equivalente era Vitória. As asas significavam que a vitória era veloz e vinha do alto. Os gregos chegaram a erguer templos a Niké Áptera, "a vitória sem asas": deixaram-na deliberadamente sem asas para que a vitória não pudesse fugir da cidade a voar.
A célebre Vitória alada de Samotrácia, com as asas abertas sobre a proa de um barco, fixou uma imagem que ainda hoje ressoa. Foi encontrada em 1863 na ilha de Samotrácia, sem cabeça nem braços, e nesse estado tornou-se uma das estátuas mais reconhecíveis do mundo, com cerca de dois mil e duzentos anos. A asa da vitória fala de triunfo, de ímpeto, do instante em que tudo encaixa.
Hermes e Mercúrio: as asas da velocidade e da mensagem
O grego Hermes e o romano Mercúrio usavam sandálias aladas, as talaria, e um elmo alado. São deuses mensageiros, guias, e as asas nos pés significavam a velocidade do pensamento e do movimento, a capacidade de aparecer em qualquer lugar num instante. O veloz Mercúrio deu nome ao planeta mais rápido do sistema solar, e também ao mercúrio, o metal que não se consegue segurar com as mãos. Uma sandália alada ainda hoje se lê como signo do comércio, do caminho e da comunicação rápida.
Eros: as asas do amor que não se podem prender
Eros, o deus do amor, o Cupido romano, também é alado, e esse é um pormenor revelador. As asas significam que o sentimento chega e vai por si só, não se consegue apanhar e fechar. O Cupido alado tornou-se uma das imagens mais duradouras e, através dos putti do barroco, chegou até ao postal de aniversário. Aqui a asa fala da leveza e da imprevisibilidade do sentimento.
Ícaro e Dédalo: a asa como audácia e o seu preço
O artífice Dédalo fabricou asas de penas e cera para que ele e o filho pudessem fugir de uma ilha. Ícaro subiu demasiado perto do sol, a cera derreteu e caiu ao mar. Deste mito vem um dito que vive em todas as línguas europeias: não voes demasiado perto do sol. No famoso quadro flamengo do século XVI, a queda de Ícaro é quase impossível de encontrar, apenas as pernas que desaparecem debaixo de água diante de um lavrador qualquer que nem sequer levantou a cabeça. Este mito deu à asa uma nuance importante: uma asa é ao mesmo tempo audácia e advertência, o sonho do voo e a lembrança de que a altura tem um preço. Por isso uma asa lê-se por vezes como liberdade e como uma coragem que assume um risco.
Guardiães alados do antigo Oriente
A asa como proteção é mais antiga do que a Antiguidade clássica. Os palácios da Assíria eram guardados pelos lamassu, touros alados com rosto humano. No Egito, deusas protetoras como Ísis e Maat representavam-se com os braços estendidos como asas, abertos sobre quem resguardavam. No zoroastrismo, um disco alado representava o poder supremo e os espíritos guardiães, os fravashi. A lógica é a mesma em toda a parte: uma asa grande sobre uma pessoa é proteção vinda de cima. Isto, e não a religião posterior, é a origem da imagem da asa protetora.
O Egito deu à asa uma linguagem especialmente rica. O deus Hórus representava-se como um falcão, e o seu olho que tudo vê, com as asas abertas, tornou-se um dos principais signos protetores do país, colocado nos túmulos e usado como amuleto. O escaravelho também se representava alado: os egípcios viam nele uma imagem do sol nascente e do renascer, e o escaravelho alado com as asas abertas colocava-se sobre o peito das múmias como desejo de uma vida nova. Aqui a asa não fala de voo, mas de proteção e de um regresso à luz.
No cristianismo, a asa recebeu o seu próprio código muito preciso. Desde os primeiros tempos, os quatro evangelistas representaram-se como seres alados: Mateus como um homem alado (ou anjo), Marcos como um leão alado, Lucas como um boi alado, e João como uma águia. Estas quatro imagens aladas remontam à visão do profeta Ezequiel e ainda aparecem nas igrejas e nos livros antigos. Aqui a asa é signo do mensageiro celeste: cada ser transporta a palavra do alto.
O Norte acrescentou a esta linhagem os seus próprios mensageiros alados. Na mitologia nórdica, as valquírias, as donzelas da batalha, sobrevoavam o campo e decidiam a sorte dos guerreiros, levando os caídos aos salões de Odin, e na arte posterior desenham-se muitas vezes com asas. Entre os povos germânicos e nórdicos, a asa ligava-se à coragem e ao destino, mais do que à ternura. E no Japão vivem os tengu, espíritos alados das montanhas com traços de ave: temidos outrora como perigosos embusteiros, honrados mais tarde como guardiães das montanhas e mestres da arte marcial. A asa do tengu é poder, ferocidade e saber secreto, mais uma lembrança de que a asa tem um caráter muito diferente nos extremos opostos do mundo.
De quem são as asas: angelicais, de ave, de inseto, mecânicas
Uma asa quase nunca fica suspensa sozinha no vazio. Tem uma origem, e essa origem muda o seu significado. Quem conhece o tema reconhece de imediato de quem é a asa que tem à frente.
A asa de anjo
A versão mais habitual. As penas são grandes e suaves, a plumagem densa, o contorno sereno. A asa de anjo traz um tom de proteção e de ligação com o alto. É um grande tema por direito próprio, e a figura do anjo é tratada em pormenor no artigo sobre o anjo na joalharia. Quando uma peça conserva apenas a asa, sem a figura nem a auréola, soa mais ampla e mais laica, mais perto da ideia pura de liberdade.
A asa de ave e a pena
Uma asa de ave é mais leve e afiada do que a de um anjo, com penas muitas vezes longas e pontiagudas. A pena solta como signo de liberdade e leveza pertence também aqui, e tem o seu próprio estudo da pena. Da imagética das aves surgiu a pomba como signo de paz e de mensagem, enquanto a andorinha, o beija-flor e a libélula se reúnem no seu próprio guia de criaturas aladas. Uma asa de ave escolhe-se quando se procura uma leveza natural e não religiosa.
Asas de inseto
As asas de uma borboleta e de uma libélula são construídas de outra maneira: transparentes, reticuladas, finamente nervuradas. O seu significado também é diferente, não fala de voo nem de força, mas de fragilidade, transformação, a brevidade da beleza. Esta linha desenvolve-se no artigo sobre a borboleta. Na joalharia, estas asas fazem-se vazadas, com esmalte ou com uma pedra que se lê em contraluz.
O cavalo alado e as asas fantásticas
Também se deram asas às criaturas: a Pégaso, aos grifos, aos dragões. O cavalo alado é inspiração e ímpeto, e tem a sua própria peça sobre Pégaso. Uma asa fantástica traz o significado do ser a que pertence, e por isso, por si só, aparece com menos frequência.
A asa mecânica
Um motivo moderno: uma asa de engrenagens, rebites e placas de metal, no espírito do steampunk. Une a velha ideia do voo com a estética das máquinas e lê-se como um sonho de voo feito por mãos humanas. O sonho é antigo: Leonardo da Vinci desenhou um ornitóptero de asas batentes por volta de 1490, quatro séculos antes do primeiro aeroplano, e copiou as penas e a curvatura da asa de um pássaro, tentando perceber como poderia uma pessoa elevar-se pelo ar. A asa mecânica é uma opção rara mas expressiva para quem se sente atraído por um estilo industrial.
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Criaturas aladas da mitologia
As asas não pertenciam apenas aos deuses, mas a todo um bestiário de seres míticos, e cada um tingiu o significado da asa à sua maneira.
O grifo, com corpo de leão e asas de águia, unia a força da terra e do céu e tinha-se por guardião do ouro e do tesouro. A sua asa é signo de proteção vigilante. Garuda, no hinduísmo, é o rei das aves e a montada do deus Vixnu, um poderoso protetor alado contra o mal, ainda hoje uma imagem querida no Oriente. As harpias e as sereias, pelo contrário, mostram o lado escuro da asa: donzelas aladas que desencaminham os viajantes e trazem a morte. Para elas, a asa é tentação e perigo, não salvação. Na tradição eslava existem as donzelas-pássaro Sirin e Alkonost, cujo canto é ora dolente, ora celestial.
A conclusão desta variada linhagem é simples: uma asa por si mesma é neutra, o seu significado fixa-o o seu dono. Pode proteger, como a do grifo e a de Garuda, e pode arrastar para o abismo, como a das sereias. Uma vez entrando na joalharia, a asa toma quase sempre o lado luminoso da sua herança, a liberdade e a proteção, mas convém conhecer a outra face para captar toda a profundidade do símbolo.
Uma asa ou um par: como a forma muda o significado
A forma de uma asa é uma linguagem em si mesma, e uma boa peça sabe aproveitá-la.
Uma asa só lê-se como um signo pessoal, um fragmento, algo que fica por dizer. As pessoas escolhem-na quando procuram discrição e uma insinuação, mais do que uma declaração em voz alta. Um par de asas é plenitude, proteção, um abraço; a imagem soa mais quente e completa, e por isso as asas em par tomam-se muitas vezes como símbolo de cuidado ou do vínculo entre duas pessoas.
As asas dobradas falam de calma, concentração, força em repouso. As asas abertas e desdobradas são movimento, ímpeto, disposição para levantar voo. Assim, uma curva dobrada e minimalista e uma asa larga e aberta transmitem estados de espírito completamente diferentes, embora sejam feitas do mesmo metal. Ao escolher uma peça, vale a pena decidir o que fica mais perto de nós: a calma serena ou o ímpeto aberto.
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Tipos de joias aladas
Uma asa vive na joalharia em poucos formatos estáveis.
O pendente de asa. A versão mais universal, desde uma subtil insinuação até uma pena grande e dramática. Pendura-se numa corrente fina e usa-se tanto no dia a dia como em ocasiões especiais.
Asas em par. Duas asas, por vezes unidas por um coração ou uma pedra. Muitas vezes é uma peça para dois, uma asa para cada um, como signo do vínculo entre pessoas.
Brincos de asa. Desde pequenos pinos até longos pendentes e o formato na moda ear-climber, em que a asa sobe pela borda da orelha. Aqui a asa funciona de forma gráfica e chamativa.
Um anel com asa. A asa envolve o dedo ou abre-se na face do anel. Uma opção para quem quer trazer o símbolo noutro sítio que não o pescoço.
Uma asa com pedra. A asa como engaste ou fundo de uma pedra, normalmente pálida e de ar celeste: madrepérola, pedra da lua, um mineral azul. A pedra reforça o tema do céu e da luz.
Materiais e o ofício da pena
A tarefa principal do artífice numa peça alada é a pena, porque é a textura da plumagem que dá vida a uma asa. Uma superfície lisa e vazia raramente funciona.
Prata. A escolha mais habitual. O metal branco e frio assenta bem ao tema do céu, e a pena sobre ele trabalha-se com gravação, uma superfície mate ou polimento. Uma asa de prata mantém-se acessível.
Ouro amarelo e ouro rosa. A luz quente do ouro suaviza a imagem, torna a asa menos severa. O ouro rosa assenta especialmente bem às asas em par.
Prata oxidada. O pigmento escuro nos vãos faz sobressair cada pena com nitidez. A asa parece mais gráfica e composta, muito apropriada para formas grandes e dramáticas.
A gravação da pena. Dela depende o caráter. Um entalhe forte e espaçado dá uma asa poderosa; um risco fino e denso torna-a suave e lírica; uma asa lisa sem textura parece moderna mas exige uma forma impecável. A mão do artífice vê-se na pena, e é a primeira coisa a olhar.
Pedras. Às peças aladas engastam-se acentos pálidos, madrepérola, pedra da lua, um mineral branco ou azul, para reforçar o tema do céu. Dão um brilho suave sem clarão estridente e rimam bem com o tema do voo, tal como toda uma categoria de joalharia celeste com motivos de sol, lua e estrelas.
Como cuidar de uma peça alada
Uma asa é mais vulnerável do que um pendente liso: o seu significado assenta no relevo da pena, nas finas linhas da gravação e nos vãos entre as penas. E é justamente aí que se acumula a sujidade, o metal apaga-se e o banho se desgasta, por isso cuidar de uma asa difere de cuidar de um pendente simples. Vamos por materiais.
Prata clara. A prata escurece com o ar, o suor e os cosméticos, e numa asa isto nota-se de forma especial: a película assenta primeiro nos sulcos entre as penas e apaga o desenho. Tira a asa antes do duche, da piscina e de dormir, e não a ponhas até teres aplicado o perfume e o creme e os deixado absorver. Uma asa de prata limpa-se com um pano macio de polir e água morna com uma gota de sabão, e depois seca-se. A pasta de dentes e os pós abrasivos é melhor mantê-los longe da pena: o abrasivo risca a gravação e com o tempo apaga as linhas. Se o enegrecimento entrou fundo, ajuda um banho especial para prata, mas a asa não deveria ficar nele mais do que um par de minutos, ou o contraste desejado sai junto com o preto.
Prata oxidada. Aqui a regra é a contrária e é fácil ignorá-la por hábito. A camada escura nos vãos da pena é todo o efeito; aplicou-se de propósito para que cada pena se leia. As pastas de polir, os banhos de prata e a limpeza enérgica levam o preto junto com a sujidade, e a asa passa de gráfica a plana e cinzenta. Uma asa oxidada limpa-se só com um pano macio seco ou ligeiramente húmido, pelas bordas em relevo, sem esfregar os fundos. A película retira-se das zonas abertas e claras com cuidado, ponto por ponto. Quanto menos se esfrega uma asa oxidada, mais dura o seu relevo.
Banho de ouro e revestimentos finos. O banho é uma camada de ouro de um mícron sobre prata ou outro metal, e na borda da pena desgasta-se primeiro, porque são as bordas que roçam com a roupa e a pele. Prolongar a sua vida é simples: tira a asa para a noite e para a água, não a esfregues com um abrasivo, limpa-a só com um pano macio sem pastas. Nenhum remédio caseiro devolve um banho desgastado; só um joalheiro o restaura de novo, por isso para o uso diário o metal maciço é mais fiável, e uma asa com banho reserva-se para sair.
Pedras pálidas e brandas. A madrepérola, a pedra da lua e a opala, que tão bem assentam a uma asa, são inserções delicadas. Temem os ácidos, o perfume, os produtos de limpeza e as mudanças bruscas de temperatura, e a madrepérola ainda por cima risca-se. Estas pedras não devem entrar num limpador de ultrassons nem num banho de prata: o líquido e a vibração turvam a superfície e podem soltar o engaste. Limpam-se só com um pano macio ligeiramente húmido, sem imersão. A opala, além disso, não suporta secar-se; o ar quente prolongado e o sol direto fazem-lhe mal. Se uma asa sustenta uma pedra assim, põe a peça em último e tira-a em primeiro.
Conservação. Uma asa com textura precisa do seu próprio sítio. Várias peças na mesma caixa roçam umas nas outras; a borda da pena risca as vizinhas e risca-se a si mesma, e as pedras pálidas ficam mates. Guarda uma asa num saquinho ou compartimento à parte, e a prata melhor numa caixa fechada com uma tira antioxidação, para que escureça mais devagar. Uma passagem rápida com um pano macio a cada poucas semanas protege o relevo melhor do que uma limpeza profunda rara e agressiva.
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Como escolher o formato para o teu estilo e o comprimento da corrente
Uma asa vive em diferentes formatos, e cada um pede o seu próprio sítio no corpo e o seu próprio fundo. Escolher um formato para ti é mais fácil do que parece se partires do decote e do teu estilo habitual.
Uma asa só na corrente. A versão mais flexível. Uma asa pequena ganha perto das clavículas, numa corrente curta, onde se vê de perto e se lê a gravação. Uma asa grande e aberta usa-se num comprimento médio, mais perto do início do peito, onde se abre em toda a sua altura e não choca com a gola da roupa. Debaixo de uma gola fechada e de uma camisola de gola alta, mais longo e mais grande é o lógico; debaixo de um decote aberto, mais curto e mais fino. A roupa lisa e de uma só cor dá à pena o melhor fundo; um padrão carregado discute com a gravação.
Asas em par. Duas asas soam mais quentes e completas; este é o formato do vínculo e do cuidado. Costumam usar-se um pouco mais baixas, num comprimento médio, para que ambas as asas fiquem simétricas e não se dobrem uma sobre a outra. Se as asas em par se pensam para dois, uma asa para cada um, faz sentido manter o mesmo metal e o mesmo comprimento, para que as peças se leiam como um conjunto.
Brincos de asa. Desde pequenos pinos até longos pendentes e o formato em que a asa sobe pela borda da orelha. Os brincos de asa longos atraem o olhar para baixo e assentam bem a um pescoço descoberto e ao cabelo apanhado; os pequenos pinos de asa convivem com qualquer estilo e não discutem com um pendente. Os brincos de asa é melhor não os combinar com uma asa grande ao pescoço na mesma saída: duas asas chamativas começam a competir. Escolhe um único foco principal.
Um anel com asa. A asa envolve o dedo ou abre-se na face do anel. É a opção para quem traz o símbolo longe do pescoço. Um anel de asa volumoso basta-se a si próprio; não precisa do apoio de outras asas, bastam anéis lisos ao lado. Cuidado com a altura do relevo: uma pena alta prende-se em bolsos e luvas, para um dia ativo escolhe um perfil mais baixo.
Uma asa com pedra. Aqui a pedra torna-se o principal, e a asa funciona como engaste e fundo. Uma pedra pálida e celeste, madrepérola ou pedra da lua, pede um ambiente tranquilo e um único comprimento, para que o seu brilho não se afogue no ruído. Uma asa assim assenta melhor a uma ocasião do que ao dia a dia, sobretudo se a pedra for branda.
A regra geral é simples: uma só peça alada chamativa por estilo, o resto mais discreto e num mesmo metal. Várias asas misturadas com metais diferentes decompõem o conjunto, e o antigo signo perde-se no ruído.
Como escolher uma boa peça alada
Uma asa vive da textura da pena, e a pena é o lugar mais fácil para distinguir um trabalho cuidado de uma estampagem em série.
Olha como está trabalhada a plumagem. Numa asa boa as penas leem-se separadamente, as linhas gravadas são nítidas e não estão esborratadas, o desenho não se difumina. Uma fundição barata denuncia-se com uma pena plana e desfocada, sem profundidade. Verifica a simetria se a asa for par ou figurada: uma inclinação faz de imediato a peça parecer descuidada. Repara onde se une a argola à asa; a junção deve ser uniforme e impercetível, não um bojo tosco. Numa peça de qualidade a borda da pena é lisa, não afiada nem denteada.
Escolhe o tamanho conforme a pessoa e o decote. Uma asa pequena e delicada perde-se numa constituição grande e debaixo de uma gola fechada, enquanto uma asa grande e aberta pesa num pescoço esbelto. E lembra-te do metal: um banho fino desgasta-se das bordas da pena com o tempo, por isso para o uso diário a prata maciça ou o aço são mais fiáveis do que um revestimento.
A quem fica bem e para que ocasiões oferecê-la
Uma peça alada fica bem a quem valoriza a ideia de liberdade e movimento, e a quem atravessa uma mudança. É um bom signo para uma nova etapa: uma mudança de trabalho, uma mudança de casa, uma formatura, o começo de um caminho. Uma asa diz "voa" melhor do que qualquer palavra.
Como presente, uma asa é universal, porque não impõe nenhum significado religioso. Uma asa só pode oferecer-se como desejo de liberdade e coragem, as asas em par como signo de um vínculo entre pessoas próximas. A um viajante fica-lhe bem uma asa como símbolo do caminho; a quem alcançou uma vitória fica-lhe bem uma asa no espírito de Niké como signo de triunfo. Uma asa encaixa pior a quem procura o acessório mais neutro, sem significado nenhum: uma asa diz sempre alguma coisa.
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As asas na cultura moderna
Uma asa não é um símbolo de museu; vive também hoje. É um dos motivos mais populares na arte da tatuagem, onde umas asas abertas nas costas ou uma asa pequena no pulso significam liberdade e memória. As asas usam-se na farda de pilotos e paraquedistas como signo do céu e de pertença. Na moda urbana, a asa tornou-se um signo de leveza e de rebeldia contra a rotina. Esta vitalidade é o que faz da asa uma joia tão cómoda: o seu significado antigo lê-se num instante e, ainda assim, soa moderna.
As asas na heráldica e nos emblemas
Da mitologia, a asa passou aos brasões e às insígnias de posto, onde funciona como linguagem de estatuto e de pertença. Na heráldica, uma asa significa proteção, rapidez e amparo do alto; colocava-se nos escudos e nos elmos das famílias. A águia bicéfala com as asas abertas tornou-se o brasão de estados inteiros como signo de poder sobre Ocidente e Oriente.
Mais tarde, a asa firmou-se com solidez nas insígnias dos aviadores: um emblema alado no peito de um piloto é símbolo do céu, da mestria e da pertença à irmandade do ar. Uma roda alada tornou-se o emblema dos caminhos de ferro e da velocidade; uma taça e um bastão alados, signo da medicina e do comércio. Esta linha explica por que uma asa se lê com tanta segurança como signo de movimento, dignidade e pertença a algo maior. Na joalharia, esta camada acrescenta severidade à asa, sobretudo numa fatura gráfica, de ar de medalha, onde a asa parece não terna, mas composta e forte.
Asas: dados que surpreendem
Umas quantas coisas sobre as asas em que as pessoas não costumam pensar, e deviam.
Os primeiros anjos cristãos não tinham asas. Na arte primitiva, os três primeiros séculos, os mensageiros desenhavam-se como jovens comuns sem asas. As asas acrescentaram-se só no final do século IV, tomadas de empréstimo à Niké alada. Por outras palavras, o familiar anjo alado é vários séculos mais jovem do que o próprio cristianismo.
Com Homero, as palavras podem voar. A expressão "palavras aladas" não a cunhou um jornalista, mas Homero: na Ilíada e na Odisseia o discurso de um herói chama-se "alado" dezenas de vezes, isto é, que voa direto ao ouvinte. Hoje o termo usa-se para citações certeiras, e por trás dele está a mesma ideia da asa como mensagem veloz.
Os gregos fizeram a vitória sem asas de propósito. Em Atenas erguia-se um templo a Niké Áptera, "a vitória sem asas": à estátua deixou-se deliberadamente sem asas, para que a vitória não pudesse fugir da cidade a voar. Um caso raro em que a asa se tirou de propósito em vez de se acrescentar.
A asa deu nome a um planeta e a um metal. A rapidez do Mercúrio de pés alados calou tão fundo que o seu nome se deu ao planeta mais rápido e ao mercúrio fluido, impossível de segurar na mão.
Leonardo desenhou asas quatro séculos antes da aviação. Por volta de 1490 da Vinci desenhou um ornitóptero de asas batentes e estudou a estrutura da pena de um pássaro. As pessoas sonharam com asas próprias muito antes de poderem elevar-se pelo ar.
"Ganhar as asas" não é uma metáfora. Aos pilotos entrega-se um emblema alado depois do seu primeiro voo a solo, e a tradição tem mais de um século de vida. Daí vem a expressão "abrir as asas", que de um modo ou de outro existe em quase todas as línguas europeias.
O escaravelho punha-se alado sobre o peito da múmia. No Egito tinha-se o escaravelho por imagem do sol nascente, e um escaravelho alado colocava-se sobre o peito dos mortos como desejo de renascer. O resultado foi uma asa que não significava uma fuga da terra, mas um regresso à luz.
Os quatro evangelistas ainda se reconhecem pelas suas asas. O homem, o leão, o boi e a águia alados são um velho código para Mateus, Marcos, Lucas e João. Se sobre a porta de uma igreja antiga vires estes quatro seres alados, não estás a olhar para um bestiário, mas para uma assinatura: "aqui fala a Escritura".
As asas mais famosas da escultura não têm cabeça. A Vitória alada de Samotrácia, o modelo da vitória alada, chegou até nós sem cabeça nem braços, e precisamente nesse estado se tornou uma das estátuas mais reconhecíveis do mundo. As asas sobreviveram a tudo o resto.
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Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Perguntas frequentes
O que simbolizam as asas na joalharia? O mais habitual é liberdade e voo, a capacidade de nos elevarmos acima das circunstâncias. Mas uma asa tem outras camadas: proteção e amparo, quando a asa se estende sobre alguém; mensagem e ligação com o alto num mensageiro alado; aspiração e crescimento como um puxão para cima. Existe também uma camada de memória, mas uma asa não tem de falar de perda; muito mais vezes fala da liberdade viva e terrena. Que significado lhe dar depende em boa medida de quem a traz.
Em que se distingue uma asa de um anjo e de uma pena? Uma asa é um símbolo mais amplo e mais laico. Um anjo é uma imagem concreta, com figura e o seu próprio significado teológico, ao passo que uma asa só, sem figura, soa mais ampla, mais perto da ideia de liberdade. Uma pena é um fragmento de uma asa, um signo ainda mais leve e mais pessoal. Assim, uma asa escolhe-se quando se quer a ideia do voo sem amarras à religião, um anjo quando importa a figura protetora, uma pena quando se procura uma sobriedade discreta.
Pode uma pessoa não crente usar uma asa? Sim, e é bastante habitual. Uma asa é mais antiga do que qualquer religião concreta e significa antes de tudo liberdade e movimento, não fé. As sandálias aladas de Hermes, as asas de Niké, as asas de Eros são imagens antigas, não eclesiásticas. Se queres a leitura mais laica, escolhe uma asa de ave ou abstrata em vez de uma angelical.
O que significa uma asa face a um par de asas? Uma asa só lê-se como um signo pessoal, um fragmento, algo que fica por dizer; as pessoas escolhem-na pela discrição e por uma insinuação. Um par de asas é plenitude, proteção e um abraço, e por isso as asas em par tomam-se muitas vezes como símbolo do vínculo entre dois ou do cuidado. Além disso, as asas dobradas falam de calma, ao passo que as abertas falam de ímpeto e movimento, por isso a forma muda o estado de espírito tanto como o número.
Que metal e que pedras escolher para uma asa? O mais habitual é a prata: a sua cor branca e fria assenta ao tema do céu, e a pena sobre ela é fácil de trabalhar com gravação. A prata oxidada faz sobressair o relevo e assenta às asas grandes; o ouro quente suaviza a imagem. Entre as pedras, encaixam as pálidas e brilhantes: madrepérola, pedra da lua, um mineral branco ou azul. Reforçam o motivo do céu e não discutem com a fina gravação da pena.
Para que ocasião oferecer uma peça alada? O melhor é para o começo de uma nova etapa: um novo trabalho, uma mudança de casa, uma formatura, um marco importante. Uma asa lê-se como um desejo de liberdade e coragem. As asas em par ficam bem para oferecer como signo de um vínculo entre duas pessoas próximas. A um viajante fica-lhe bem uma asa como símbolo do caminho, e a quem alcançou o sucesso uma asa no espírito da deusa da vitória.
Uma asa fala necessariamente de perda e de memória? Não. Uma asa tem, sim, uma camada comemorativa, que vem da imagem da alma que abandona o corpo, e para alguns uma asa continua a ser um signo de memória. Mas é apenas um significado entre muitos e está longe de ser o principal. Muito mais vezes uma asa se traz como signo de liberdade, mudança, coragem e movimento para cima, e oferece-se para ocasiões felizes e luminosas.
Prata, ouro, simbologia, pendentes de asa, conjuntos em par, medalhões.
Sobre a Zevira
A Zevira é uma marca espanhola de joalharia, com raízes em Albacete. Os motivos alados, os pendentes de asa e os conjuntos em par são uma das categorias do catálogo. Gostamos de símbolos com uma história longa e um significado claro, não do adorno vazio. A asa é um dos mais antigos e honestos entre eles. Vê as peças atuais no catálogo.
































