
A cianite em joalharia: a pedra azul com duas durezas
Uma agulha de aço risca um mesmo cristal numa direção e escorrega inútil na outra. Não é um truque de feira nem um defeito do exemplar. É a cianite, um mineral cuja dureza depende do eixo por onde o pressionamos. Os geólogos chamam-lhe anisotropia da dureza, os lapidários chamam-lhe dor de cabeça, e os colecionadores de pedras azuis veem nisso a própria razão para a procurar.
A cianite raramente aparece nas montras das joalharias de rua, e o motivo é simples: é difícil de talhar, é frágil e caprichosa. Em troca oferece um azul profundo, uma transparência vítrea e limpa, e um carácter que falta à maioria das gemas conhecidas. Vejamos a sua composição e a sua física, como e onde se forma, o que a história fez com ela, como distingui-la de minerais azuis parecidos e das imitações, e como cuidar dela para que dure.
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O que é a cianite: composição, fórmula e estrutura
A cianite é um aluminossilicato de fórmula Al₂SiO₅, ou seja, alumínio, silício e oxigénio encaixados numa rede cristalina densa. O nome vem do grego kyanos, azul, pela cor mais apreciada em joalharia.
A cianite tem dois minerais parentes com exatamente a mesma fórmula Al₂SiO₅, a andaluzite e a silimanite. São polimorfos: a mesma química, mas estrutura cristalina distinta, porque se formaram a pressões e temperaturas diferentes. Dos três, a cianite é a que nasce a maior pressão.
A cor azul é dada por vestígios de ferro e titânio na rede. Quantos mais, mais intenso o tom. A cianite pura, sem impurezas, é incolor ou branca. Para além do azul surgem variedades cinzenta, verde, amarela, laranja e quase preta, tudo consoante que iões estranhos entraram na estrutura enquanto o cristal crescia. A cor costuma repartir-se de forma desigual dentro de um mesmo cristal: azul denso para o centro, mais pálido nos bordos.
A anisotropia da dureza, o seu traço definidor
Na escala de Mohs (do 1, talco, ao 10, diamante) a cianite mede de 4 a 4,5 ao longo do eixo maior do cristal e de 6 a 7 no sentido transversal. A mesma pedra é mais mole do que o vidro numa direção e risca o vidro noutra.
Por isso a cianite arrasta um segundo nome, mais antigo, distena, do grego «dupla força». A propriedade não é um capricho, mas consequência direta de como os átomos se dispõem na rede: as ligações ao longo do eixo são mais fracas, as transversais mais fortes. Para o lapidário isto significa que a pedra não pode ser trabalhada de qualquer maneira: há que respeitar ao milímetro a orientação do cristal, ou ela partir-se-á pela direção fraca.
Física e ótica
Características principais da cianite:
- Sistema cristalino: triclínico (o menos simétrico de todos). Os cristais são alongados, planos e laminares.
- Dureza Mohs: de 4 a 4,5 ao longo do eixo, de 6 a 7 no sentido transversal.
- Densidade: em torno de 3,53 a 3,67 g/cm³. Mais pesada do que o quartzo, algo mais leve do que a safira.
- Brilho: vítreo, nacarado nos planos de clivagem.
- Clivagem: perfeita numa direção, outra razão da sua fragilidade.
- Índice de refração: à volta de 1,71 a 1,73, com birrefringência fraca (em torno de 0,012 a 0,016).
- Transparência: de transparente a translúcida.
A cianite é marcadamente pleocroica: ao girar a pedra o seu tom passa de um azul saturado a quase incolor ou azul violáceo, consoante o ângulo de observação. Os lapidários aproveitam isto para prender o azul mais denso na face da pedra. Sob luz ultravioleta a cianite costuma ficar apagada ou emite um brilho muito fraco, o que a separa de algumas imitações sintéticas que luminescem de forma notável sob UV.
Não esperes da cianite o fogo do diamante: a sua dispersão é baixa. A sua beleza está noutro lugar: na profundidade e na limpeza do azul, no brilho sedoso das suas faces e nessa mesma forma laminar dos cristais.
Como se forma a cianite: geologia e jazidas
A cianite é um mineral de rochas metamórficas. Não cristaliza a partir de um fundido como o corindo ou o berilo, mas surge quando rochas argilosas e sedimentares já existentes ficam sob alta pressão e uma temperatura relativamente moderada no fundo da crosta terrestre. É precisamente a alta pressão o que distingue o nascimento da cianite do dos seus polimorfos: com a mesma composição mas menor pressão cresce a andaluzite, e a alta temperatura, a silimanite. Por isso, de um achado de cianite os geólogos leem as condições em que a rocha se formou.
O mais habitual é encontrar a cianite em gnaisses, xistos cristalinos e veios de quartzo, rochas que passaram por uma recristalização séria. Essas rochas costumam ter centenas de milhões, e até milhares de milhões, de anos.
Onde se extrai
A cianite está mais espalhada geograficamente do que muitos supõem, mas pouco do que se extrai atinge qualidade gema: o grosso vai para a indústria. Fontes conhecidas:
- Brasil, um dos maiores fornecedores. Os estados de Minas Gerais e Baía dão um material azul-escuro saturado, muitas vezes com inclusões.
- Nepal e Índia, os estados indianos de Karnataka e Andhra Pradesh mais a região dos Himalaias. A cianite nepalesa aprecia-se pelo seu azul limpo e vivo.
- Quénia e Tanzânia, material da África oriental, normalmente pedras pequenas mas de cor intensa.
- Estados Unidos, os Apalaches (Carolina do Norte, Geórgia, Virgínia). Sobretudo grau industrial; os achados de gema são raros.
- Europa, Áustria, Suíça, França, Itália e Escandinávia. Os exemplares alpinos costumam ir para museus e coleções.
A maior parte da cianite extraída não vai para a joalharia, mas para refratários, cerâmica técnica e abrasivos: ao aquecer com força transforma-se em mulite e suporta bem as altas temperaturas. O grau gema, transparente, de cor uniforme e sem fissuras, é uma fração rara do total.
A cianite usa-se sozinha e em prata fria. Quem a afoga sob ouro amarelo e um punhado de brilhos confunde o pescoço com uma montra. Nem te passe pela cabeça.
Com que usar a cianite
Depois de anos em rodagens, meto a cianite num look poucas vezes e sempre com cálculo. A pedra é caprichosa, fria e calada, e só funciona quando a deixas ser a única mancha viva. Aqui vai o que experimentei no set, por ocasião.
Com que uso a cianite ao dia a dia? Para o dia a dia recomendo um único acento azul e um fundo tranquilo à volta. Uma t-shirt ou uma camisola lisas em tom pastel ou terroso, ganga, linho, caxemira, e um pendente ou uns brincos de gota com cianite. No metal sugiro o lado frio: prata, ouro branco, e a seu lado quartzo cristal transparente ou pérolas pequenas. O ouro amarelo quente dá outro carácter, algo vintage, que fica bonito com o creme e a areia.
Serve para o escritório? Muito, e até ganha aí. Escolho um pendente em fio de 45 a 50 cm sobre uma camisa branca, uma camisola de gola alta cinzenta ou um blazer de linho: o azul dialoga com qualquer paleta neutra e lê-se discreto. Onde uma joia grande sobraria, numa negociação, numa apresentação, numa entrevista, sugiro brincos de botão com cianite. A pedra lê-se como sinal de gosto, não como alarde de luxo.
Como monto um look de noite? Para a noite recomendo um fundo escuro: azul-marinho, grafite, preto. Um monocromo azul-preto com um único pendente ou uns brincos de gota lê-se caro e sóbrio, sem brilho a mais. Um decote aberto ou os ombros à mostra dão sítio à pedra, e um fio comprido estica a silhueta. Mantém o registo frio e não somes um monte de pedras vivas.
Que metal lhe vai em par? Quase sempre escolho prata e ouro branco: o metal frio sustenta o azul frio, e a pedra não briga com o engaste. Recorro ao ouro amarelo quando quero um contraste suave e um ar vintage, que puxa a cianite para o creme e a areia. O que nunca aconselho é a companhia de outras pedras vivas: a cianite quer silêncio à volta.
A quem fica bem? A quem valoriza a expressividade calada por cima da massa ruidosa: o tipo sereno e reflexivo, os amantes do minimalismo e da paleta fria. Duas regras de medida. Para uma estatura mais baixa da média recomendo um fio mais curto, 40 a 45 cm, para as altas um mais comprido, 50 a 55 cm, para que a pedra caia no seu ponto natural. E sobre as vizinhas: a seu lado ficam bem outras pedras azuis serenas, como a selenite, e se te puxa mais uma paleta quente vê a unaquite; pela raridade a cianite compara-se por vezes com a tanzanite.

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História: a pedra azul que durante muito tempo se confundiu com outras
Quando finalmente foi descrita
A cianite foi isolada e descrita cientificamente nos finais do século XVIII, a época em que a mineralogia deixou de ser a coleção de «pedrinhas bonitas» para se tornar ciência. Antes disso, os minerais azuis confundiam-se de forma rotineira entre si: uma só descrição antiga podia esconder ao mesmo tempo safira, lápis-lazúli, berilo e cianite. Distingui-los pela sua estrutura interna, e não apenas pela cor, começou justamente então.
O velho nome «distena», dupla força, firmou-se precisamente pela anisotropia da dureza que tanto espantou os primeiros investigadores. Foi um dos primeiros exemplos claros de que as propriedades de um mineral são fixadas pela sua estrutura cristalina, e não pelo seu aspeto.
As pedras azuis nos velhos lapidários
Nos lapidários medievais, livros sobre pedras e os seus supostos poderes, os minerais azuis iam misturados. Autores antigos como Teofrasto e Plínio, o Velho, descreveram diversas pedras azuis, mas sem métodos modernos não havia forma de dizer exatamente o que tinham diante. Portanto o honesto é isto: não há provas fiáveis de que as culturas antigas singularizassem e usassem a consciência a cianite como tal. O mais provável é que caísse na categoria geral de «pedras azuis» junto à safira e ao lápis-lazúli.
As coleções dos museus guardam gemas azuis há séculos, mas nas insígnias históricas, coroas e joias que chegaram até nós aparecem mais vezes a safira e o lápis-lazúli, não a cianite. Atribuir à cianite um passado histórico sonante seria forçar as coisas. A sua história real é a da mineralogia e do colecionismo, não a das coroas.
Da vitrina do museu à joalharia
No século XIX a cianite interessava sobretudo aos colecionadores de minerais e aos gabinetes de história natural, não à joalharia da moda: talhá-la era simplesmente demasiado difícil. Entrou na joalharia a sério apenas no século XX, quando melhoraram as técnicas de talha e cresceu a procura de pedras de cor pouco comuns. Hoje a cianite é valorizada por quem procura um azul profundo mas quer afastar-se da safira do costume.
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Variedades da cianite
- Azul, a mais conhecida e valorizada. Do azul-céu suave ao azul-safira denso; o tom mais procurado é um azul uniforme e saturado, sem matiz cinzento.
- Verde, encontra-se na África oriental, a sua cor é dada por vestígios com crómio e vanádio.
- Laranja, variedade rara da Tanzânia, o seu tom liga-se ao manganês.
- Cinzenta, preta, incolor, comuns na natureza mas quase não usadas em joalharia; costumam ficar como exemplares mineralógicos.
As pedras com efeito «olho de gato» (uma banda estreita de luz numa talha cabochão) também ocorrem na cianite, mas raramente, porque precisam de inclusões bem orientadas e de uma talha precisa.
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Como escolher a cianite: em que reparar ao comprar
A cianite não tem um sistema de avaliação tão estrito como os quatro C do diamante, mas tem as suas referências. A principal é a cor: aprecia-se um azul uniforme e denso, sem matiz cinzento nem esverdeado, próximo em tom do azul-centáurea. O material pálido e acinzentado custa bastante menos. Como a cor dentro do cristal é quase sempre zonal, olha a pedra de cima, pela face: um bom lapidário orienta o bruto para que o azul mais denso fique de frente e as zonas pálidas caiam para o pavilhão.
O tamanho funciona com a cianite gema de outra forma que com muitas pedras. Os exemplares azuis grandes e limpos são raros, porque um cristal grande é mais difícil de talhar sem topar com uma fissura pela clivagem. Por isso as pedras de mais de uns poucos quilates são desproporcionadamente escassas, e por uma cianite azul grande e limpa paga-se bastante mais do que por duas pequenas do mesmo peso total.
Na pureza, com a cianite é-se mais indulgente do que com as pedras transparentes de primeira linha. Uma ligeira zonação da cor e finas linhas internas ao longo da clivagem são o normal, não um defeito: fazem parte do carácter do mineral. O que deve pôr-te em alerta são as fissuras abertas que saem à superfície e as lascas no bordo da face; uma pedra assim é muito provável que se continue a partir ao engastar ou usar. A talha costuma ser em degraus (esmeralda, baguette) e cabochão: carregam menos o eixo fraco do que uma talha brilhante elaborada de arestas agudas. Um polimento uniforme, sem arestas mordidas pelo perímetro, indica que o lapidário trabalhou com cuidado e respeitou a orientação do cristal.
A cianite é tratada?
Boa notícia para quem compra: a cianite azul chega ao mercado na sua imensa maioria em estado natural, sem aquecer nem irradiar. A razão é prática. A pedra é demasiado frágil e sensível ao calor para ser aquecida em série pela cor, como se faz com a safira ou o topázio: o calor brusco leva-o mal e fissura com facilidade. Assim, o azul profundo da cianite é quase sempre próprio, deu-lho a natureza com vestígios de ferro e titânio, não um forno.
Isso não significa que não haja engano. Vê-se tingido de material pálido ou incolor até um azul antinatural ou um verde saturado, com o corante metido em fissuras e clivagem. Sob lupa, esse tingimento denuncia-se por acumulações de cor nas fissuras e «regueiros» de cor irregulares. Capítulo à parte é a chamada «cianite vermelha»: na natureza não existe praticamente cianite vermelha, e sob esse nome costumam vender uma pedra tingida ou diretamente outro mineral. A cianite verde e a laranja podem ser naturais, mas também convém verificá-las. Um vendedor honesto dirá sem rodeios se a cor é natural ou induzida; se a uma pergunta direta não há resposta, e o preço é suspeitosamente redondo para uma pedra «perfeita», é motivo para pedir um relatório gemológico.
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Como distinguir a cianite de pedras parecidas e de imitações
As pedras azuis são muitas, e a cianite é fácil de confundir. Ajuda um conjunto de sinais: dureza, carácter do brilho, pleocroísmo e aspeto das inclusões.
Cianite e safira
A safira (corindo azul) tem dureza 9, o segundo mineral mais duro depois do diamante; a cianite mede de 4 a 7 e é frágil. A safira tem um brilho vivo, quase de diamante, e alta densidade; a cianite é mais leve e brilha com mais suavidade, de modo vítreo. A safira usa-se ao dia a dia, a cianite só para ocasiões especiais.
Cianite e água-marinha
A água-marinha é um berilo, dureza 7,5 a 8, formada em pegmatitos e não em rochas metamórficas. É mais leve do que a cianite (densidade em torno de 2,7 g/cm³) e costuma ser mais fria, mais «gelada» de tom. A cianite pesa bastante mais na mão e dá muitas vezes um azul mais profundo.
Cianite e topázio azul
O topázio, dureza 8, é mais tenaz do que a cianite. O topázio azul de grande consumo está quase sempre tratado (uma pedra incolor é irradiada e aquecida para a tornar azul). A densidade é próxima, mas na dureza e no aspeto das inclusões as pedras diferem: a cianite mostra bandas de cor e pequenas fissuras ao longo da clivagem.
Cianite e labradorite
A labradorite (um feldspato) tem o seu característico jogo furta-cores, a labradorescência, que a cianite não tem. A labradorite costuma ser translúcida ou opaca, de estrutura laminar; a cianite é mais limpa e mais uniforme de corpo.
Como reconhecer uma imitação
- Vidro e plástico: quentes ao toque, mais leves do que a pedra, por vezes com bolhas de gás redondas dentro. A cianite é fria, pesada, com inclusões minerais sólidas e não bolhas.
- Uma pedra demasiado perfeita: cor uniforme sem zonação, nem uma única inclusão, uma talha impecável de arestas agudas, motivo de cautela. A cianite natural mostra quase sempre zonação da cor e rastos da sua fragilidade; talhá-la à perfeição é difícil.
- Brilho sob UV: uma luminescência azul ou verde intensa aponta antes para sintético; a cianite natural costuma ser inerte.
- Anisotropia da dureza: o traço de marca, mas não se pode comprovar riscando uma joia acabada: arriscas estragar a pedra. Isso é trabalho de um gemólogo.
O veredicto definitivo é dado por um laboratório: refratómetro, medição de densidade, microscópio. Se a pedra for cara, é sensato pedir um certificado gemológico.
Simbolismo: o que dizem as tradições e o que diz a ciência
Quase todas as culturas ligam a cor azul à calma, ao céu e à claridade de pensamento, e a cianite não é exceção. Em litoterapia e em práticas que trabalham com os chacras atribui-se ao chacra «da garganta» e fala-se de uma pedra de mente clara e palavra serena.
Com franqueza: a cianite não tem efeito físico nem curativo demonstrado. A pedra não cura, nem influi no sono, na tensão, na ansiedade ou na memória; não existe respaldo científico para nada disso. Se a alguém agrada usar uma pedra azul bela e associá-la a um estado de concentração, isso é questão de sentido pessoal, não das propriedades do mineral. Vendemos a cianite como uma pedra bela e rara, não como remédio de nada.
Cuidado: como a fragilidade afeta a usabilidade
A cianite pede mais atenção do que a maioria das gemas. E não é apenas coisa de dureza: dureza e fragilidade são coisas distintas. Uma pedra pode ser bastante dura numa direção e ainda assim partir-se com facilidade pela clivagem perfeita e o eixo fraco. Daí estas regras.
Onde usá-la. Pendentes e brincos são mais seguros do que anéis e pulseiras: a pedra roça menos as superfícies duras. Um anel com cianite é peça para ocasiões especiais, não para uso diário, e muito menos para o trabalho manual, o desporto ou a limpeza.
Talha. O cabochão e os engastes fechados e protegidos reduzem o risco de saltados. Os engastes de garras abertas deixam arestas agudas e mais exposta a pedra.
Limpeza. Água morna (não quente), uma gota de sabão suave, um pano macio ou uma escova mole, e com cuidado. Um salto brusco de temperatura de frio a quente pode provocar microfissuras.
O que não se deve fazer:
- limpeza por ultrassons e por vapor, a vibração e o calor alargam as fissuras;
- abrasivos (bicarbonato, pasta de dentes, pastas duras);
- água quente e contrastes bruscos de temperatura;
- química agressiva e cloro (piscina, lixívia).
Conservação. À parte de outras joias, numa bolsinha macia ou num compartimento, para que pedras mais duras não risquem a cianite. Protegê-la do sol direto prolongado; a cor saturada pode enfraquecer um pouco com o tempo.
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Perguntas frequentes sobre a cianite
Em que se diferencia a cianite da safira se as duas são azuis?
Na composição e na dureza. A safira é corindo, dureza 9, tenaz e apta para o uso diário. A cianite é um aluminossilicato de dupla dureza, de 4 a 7, frágil, para usar com cuidado. A safira joga mais vivo com a luz; a cianite dá um brilho vítreo mais suave e um azul profundo.
De que cores há cianite?
O mais habitual é azul, mas também a há verde (África oriental), laranja (Tanzânia), cinzenta, preta e incolor. Em joalharia usam-se sobretudo a azul e a verde. Cianite vermelha na natureza praticamente não existe: se te oferecem «cianite vermelha», é uma pedra tingida ou outro mineral.
Porque é frágil a cianite se a sua dureza chega a 7?
Dureza e fragilidade são propriedades distintas. A cianite tem clivagem perfeita e ligações fracas ao longo de um eixo, portanto até uma pedra dura no sentido transversal se parte com facilidade pela direção fraca. É consequência direta da sua estrutura cristalina.
Pode usar-se cianite ao dia a dia?
Melhor não. Pela sua fragilidade e clivagem não é para usar de contínuo em anel. Pendentes e brincos suportam melhor o dia a dia; o anel é mais prudente reservá-lo para ocasiões especiais e tirá-lo para qualquer trabalho manual.
Como se limpa a cianite?
Água morna, uma gota de sabão suave, um pano ou escova mole, com cuidado e sem pressão. Nada de limpadores por ultrassons nem vapor, nem abrasivos, nem água quente, nem cloro. Depois da limpeza, deixar secar à temperatura ambiente.
Há cianite sintética e como se reconhece?
Há. Devem alertar-te uma cor perfeitamente uniforme sem zonação, a ausência total de inclusões, uma talha impecável de arestas agudas e um brilho intenso sob UV. A cianite natural leva quase sempre zonação da cor e rastos de fragilidade. Distingue-a com segurança um gemólogo.
Pode a cianite perder cor?
Com períodos muito longos ao sol direto o azul saturado pode enfraquecer um pouco. Para que a cor aguente, não deixes a joia muito tempo sob os raios diretos e guarda-a no escuro.
A cianite azul trata-se com calor?
Em geral não. A cianite é demasiado frágil e sensível ao calor para ser aquecida em série pela cor; o calor brusco leva-o mal. O seu azul profundo costuma ser natural, dos vestígios de ferro e titânio. Ocorre sim o tingimento de material pálido: o corante acumula-se nas fissuras, e vê-se sob lupa.
Em que reparar ao escolher cianite?
Na cor antes de tudo: um azul uniforme e denso, sem matiz cinzento, valoriza-se acima do pálido. Olha pela face; um bom lapidário tira o tom mais denso de frente. Uma ligeira zonação e linhas ao longo da clivagem são o normal, mas as fissuras abertas e as lascas no bordo são motivo para desistir. As pedras azuis grandes e limpas são raras e custam desproporcionadamente mais do que as pequenas.
Serve a cianite para um anel de pedido?
Como símbolo, sim; como anel prático de dia a dia, não. Para uma aliança de uso diário vão melhor pedras mais resistentes (safira, diamante). A cianite vale se o anel for de gala e se usar com cuidado.
A cianite cura ou acalma?
Não tem efeito físico nem curativo demonstrado. As tradições ligam-na à claridade de pensamento e à calma, mas isso é simbolismo, não propriedade do mineral. Se há problemas de saúde, isso é para o médico, não para a pedra.
Porque precisa a cianite de um engaste fechado?
Um engaste fechado ou protegido e uma talha cabochão resguardam as faces vulneráveis e reduzem o risco de saltados pela clivagem. Os engastes de garras abertas deixam à vista as arestas agudas da pedra e expostas aos golpes.
Em poucas palavras
A cianite é um raro aluminossilicato azul de dupla dureza única e cor profunda e limpa. É difícil de talhar, é frágil e exige um trato cuidadoso, mas justamente por isso interessa a quem quer afastar-se das pedras do costume. Usa-a como pendente ou como brincos, escolhe um engaste protegido, limpa-a com suavidade e sem calor, e uma pedra de brilho azul frio durar-te-á muito.
Pedras azuis e de tons frios em prata e ouro, engastes pensados para minerais raros e frágeis, pendentes e brincos que se usam com cuidado e para ocasiões especiais.
É para oferecer? Cada peça chega pronta a entregar.
Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Sobre a Zevira
A Zevira faz joias na tradição de Albacete, Espanha. A cianite precisa de uma mão que entenda a fragilidade e a anisotropia da pedra, e é justamente esse enfoque atento e sem pressa do engaste e da montagem o que sustentamos na base de tudo o que produzimos.
O que podes encontrar connosco em torno das pedras azuis e raras:
- pendentes para pedras azuis em fios finos de 45 a 50 cm, onde a pedra fica protegida do contacto direto
- brincos de gota e de botão em tons azuis e celestes frios
- anéis solitários em prata 925 e ouro para o engaste de uma só pedra
- pulseiras com delicados engastes em forma de gota e óvalo
- engastes pensados para a montagem cuidadosa de minerais frágeis e anisótropos
- gravação pessoal em prata e ouro para joias de recordação
Cada joia admite gravação pessoal. Prata 925 e ouro de 14 a 18K.





























