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Tipos de colares e gargantilhas: rivière, lariat, peitilho e como escolher o comprimento

Tipos de colares e gargantilhas: gargantilha, rivière, lariat, peitilho e como escolher o comprimento

Porque é que uma peça ao pescoço tem tantos nomes

A mesma peça na montra pode chamar-se colar, gargantilha, rivière ou fio, e a diferença não é um capricho de quem vende. Por trás de cada nome há uma construção, e é ela que decide a que decote, ocasião e pescoço a peça se destina, muito antes de reparares na pedra.

A confusão cresce porque na fala se misturam «colar», «fio» e «contas», ainda que signifiquem coisas diferentes. Sobre isso existe um segundo sistema de nomes, por comprimento: gargantilha larga, gargantilha, princesa, matinée, ópera, sautoir. Aprende os dois e deixas de comprar às cegas para passares a escolher uma peça para uma tarefa.

A seguir vemo-lo por ordem: primeiro em que se distingue um colar de foco de um fio uniforme e das contas, depois os tipos por comprimento, do mais curto ao mais comprido, depois os tipos por construção e estilo, e no fim como escolher o teu segundo o pescoço, o decote e a ocasião.

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Colar de foco, fio uniforme e contas

Três palavras que parecem sinónimos nomeiam, na verdade, três coisas diferentes. A diferença não está no preço, mas em como o acento está construído.

O colar de foco: um acento ao centro

Um colar de foco tem um centro marcado: uma pedra grande em engaste, um pendente, uma composição de elos para a qual toda a linha converge. A palavra «colar» é o guarda-chuva, mas o essencial é isto: uma peça de foco tem um ponto principal, em geral à frente e ao centro, e tudo o resto trabalha para ele. Por isso se lê como algo de gala, de noite, mesmo quando é modesto: o centro dá-lhe um eixo e um estatuto.

O fio uniforme: uma linha regular

Um fio uniforme, ao contrário do colar de foco, distribui o adorno de forma regular por todo o comprimento: contas, elos ou pedras iguais, sem um principal. É mais sereno do que uma peça de foco e por isso mais versátil: mais fácil de usar no dia a dia, discute menos com a roupa e, ao contrário de um colar chamativo, existe também em versão masculina. Uma rivière de pedras iguais é um fio uniforme clássico, não uma peça de foco, ainda que na fala se confundam.

Contas: uma linha enfiada

As contas são a forma mais simples: elementos enfiados em fio ou linha de nylon, sem base metálica e muitas vezes sem fecho. Um fio de pérolas, contas de madeira ou de pedra, um comprido sautoir de contas, tudo pertence à família das contas. Distinguem-se do fio pela sua maciez e por manterem a forma com a tensão da linha, e não com uma armação rígida. Na fala «contas» nomeia qualquer coisa comprida e enfiada, e é a única das três palavras que quase não aspira à gala.

Primeiro o comprimento, depois a pedra. Um pescoço nu pede algo curto à garganta, uma gola fechada algo comprido por cima, e o comprimento médio não o penduras no rebordo do decote. E não discutas.
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A análise da estilista: escolher o teu colar

Quando há tantos tipos e comprimentos, é mais fácil ouvir uma vez como raciocina quem experimenta colares todos os dias. Aqui vai uma breve análise da estilista da Zevira: por onde começa, quando recomenda um fio e quando sobreposição, e o que ter na cabeça antes de comprar.

Por onde começas quando alguém não sabe que colar precisa?

Pergunto não pela pedra, mas pelo comprimento e o decote. Pescoço nu e decote profundo, escolho curto: gargantilha, gargantilha larga, princesa. Gola alta fechada, uso algo comprido por cima: matinée, ópera, sautoir. Depois decido se é preciso um acento ao centro. Se sim, um colar com pendente; se não, um fio uniforme ou uma rivière. A pedra é a última coisa, não a primeira.

Um fio ou sobreposição?

Olho para o carácter e a ocasião. A quem gosta de precisão e de uma peça clara, monto o visual à volta de uma princesa com pendente e não acrescento mais nada ao pescoço. A quem gosta de brincar, recomendo sobreposição ou vários fios de comprimento diferente. Uma regra mantenho-a firme: o peitilho e um colar grande usam-se sozinhos, um conjunto à volta deles vira uma confusão.

O teu conselho principal antes de comprar?

Mede o comprimento no teu próprio pescoço e sob o decote com que o vais usar, não por foto. O mesmo comprimento assenta muito diferente noutro pescoço e sob outro decote, e só se vê ao vivo. O que é bonito na montra revela-se com facilidade do comprimento errado em ti.

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Tipos de colar por comprimento

O comprimento é o sistema principal de nomes para as peças ao pescoço, e é ele que primeiro decide onde a peça assenta e com que decote funciona. Abaixo vão seis comprimentos clássicos, do mais curto ao mais comprido. O detalhe dos comprimentos do fio de pérolas com os centímetros está num guia à parte sobre o comprimento do colar; aqui importa a lógica: cada comprimento tem o seu próprio carácter e a sua ocasião.

Gargantilha larga: 30-35 cm

A gargantilha larga é a peça mais curta, que abraça a base do pescoço como o colarinho de uma camisa. Costuma ser de várias filas ou uma banda rígida larga, alta, junto à garganta. É de gala e chamativa, gosta de ombros descobertos e de decotes sem concorrência ao pescoço, ao passo que num pescoço curto o encurta ainda mais, e vale a pena ter isso em conta. Historicamente foi um sinal de estatuto: uma banda larga de pedras era para poucos, e essa memória de gala continua a viver nela.

Gargantilha: 35-40 cm

A gargantilha é um pouco mais comprida e assenta na base do pescoço, cingida mas sem apertar. É o formato curto mais reconhecível dos últimos anos: de uma fita de veludo a uma corrente com um pendente pequeno. Sublinha a linha do pescoço e das clavículas e favorece um pescoço comprido, ao qual dá um acento. Num pescoço curto escolhe-se uma versão estreita e deixa-se algum ar. Gargantilha e colar ao pescoço não se usam juntos: duas linhas na garganta fundem-se numa só.

Princesa: 42-48 cm

A princesa é o comprimento mais universal, que cai mesmo abaixo da base do pescoço, nas clavículas. É o comprimento em que mais se pensa quando se diz «colar por defeito»: vai a quase toda a gente, funciona com a maioria dos decotes e fica igualmente bem no escritório e numa saída. Um pendente numa corrente princesa é um clássico difícil de estragar, por isso começa por ele se hesitares. A princesa tem ainda a vantagem de deixar o pendente cair sobre a pele e não se esconder atrás de um colarinho, por isso escolhe-se para pendentes pessoais e simbólicos que queres ver.

Matinée: 50-60 cm

A matinée desce ao peito, entre as clavículas e o busto, e lê-se um pouco mais vestida do que a princesa. O nome vem do francês matinée, saída de dia: é um comprimento para um visual de trabalho e de meio período, bom sobre uma gola alta, uma blusa fechada, uma camisola fina. Traça uma vertical suave e estiliza sem chegar a um comprimento abertamente de noite. É o mais subestimado dos comprimentos, mais marcado do que a princesa mas mais sereno do que a ópera, e fecha o vão entre o dia a dia e a noite ali onde o curto já se perde numa gola fechada e o comprido ainda sobra.

Ópera: 70-90 cm

A ópera cai abaixo do busto e abre dois cenários ao mesmo tempo. Numa fila é um comprimento de noite expressivo, que gosta da gola fechada e dos decotes altos, onde tem em que se apoiar. Dobrada, transforma-se numa gargantilha dupla ou num multifio curto. Essa dupla vida fez da ópera o comprimento preferido de quem quer vários visuais de um só fio. Historicamente a ópera foi pensada para saídas à ópera sobre vestidos de noite fechados de gola alta, onde um fio curto não se lia, e esse destino ainda ressoa no seu nome.

Sautoir e rope: a partir de 100 cm

O rope é o fio mais comprido, de um metro ou mais, que cai solto pelo corpo. Usa-se numa fila comprida, dá-se-lhe um nó, enrola-se várias vezes ou dobra-se em multifio. O parente mais próximo do rope é o sautoir, um colar comprido com pendente ou borla na ponta, que floresceu nos anos vinte. Ambas as formas vivem da vertical e do teatral e pedem um top simples onde tal comprimento se leia. O principal encanto do rope é a sua versatilidade: o mesmo fio dá uma gargantilha curta em três voltas, uma vertical comprida numa fila ou um nó ao peito, por isso é o que se escolhe para tirar o máximo de visuais de uma só peça.

Tipos de colar por construção e estilo

Além do comprimento, um colar nomeia-se por como está construído: o que leva o acento, se a linha é fechada, como se distribuem as pedras. Estes nomes não discutem com o comprimento, antes o completam: uma gargantilha pode ser por estações, uma ópera pode ser uma rivière.

Pendente

O tipo mais comum: uma corrente ou fio com um elemento suspenso ao centro. O pendente faz o acento pontual e por isso é versátil, e é o mais pessoal dos tipos, pois um pendente torna-se facilmente um sinal com nome ou símbolo. O sentido e o peso mudam com o tamanho: um pendente minúsculo é um sinal diário discreto, um grande já é um acento de noite. Como assenta depende muito da malha da corrente, e as malhas estão num guia à parte sobre correntes. Uma subtileza é o equilíbrio entre pendente e corrente: um pendente pesado numa corrente fina de mais gasta-a no ponto de contacto e vira-se de lado, por isso o peso do pendente e a espessura da corrente devem emparelhar-se.

Rivière: um rio de pedras

Uma rivière é um fio de uma fila de pedras iguais ou que crescem suavemente para o centro, em linha contínua. O francês rivière significa «rio», e o nome apanha-o com exatidão: as pedras correm pelo pescoço numa corrente brilhante sem acento. A rivière nasceu no século XVIII para os decotes abertos e continua a ser a referência do luxo sóbrio. A rigor, uma rivière é um fio uniforme, não uma peça de foco, porque não tem um centro destacado. A sua força é essa mesma uniformidade: sem ponto principal, é serena e intemporal.

Lariat: uma linha aberta

Um lariat é um colar comprido sem fecho, cujas pontas não se unem mas ficam a pender livres, muitas vezes com borlas ou pendentes. A abertura é a sua essência: dá-se-lhe um nó, passa-se uma ponta por um laço, usa-se de mil maneiras, fixando o comprimento de cada vez. É o tipo mais flexível, que muda o visual com um gesto da mão. O detalhe das maneiras de o usar está no guia do lariat.

Colar por estações

Um colar por estações leva pedras ou elementos não em linha contínua, mas a intervalos iguais pela corrente, como estações num percurso. Entre os acentos vê-se a corrente nua, e isso dá uma leveza que a rivière densa não tem: brilha em pontos, não num manto. É mais fino e mais de dia a dia do que as formas ricas e sobrepõe-se bem, pois não discute com os fios vizinhos. Outra virtude é o custo e o peso: as mesmas pedras distribuídas pela corrente dão brilho notório com muito menos material do que uma linha maciça.

Colar de ténis

Um colar de ténis é uma linha contínua de pedras iguais em engaste igual, uma fita flexível que abraça o pescoço. Distingue-se da rivière por as pedras serem estritamente iguais e o engaste uniforme, sem crescer para o centro. O nome veio do ténis, onde uma pulseira deste tipo se abriu certa vez no court e ficou com toda a família. Lê-se caro e regular, e é o tipo em que mais importa a segurança de cada pedra: a linha é bela pela sua continuidade, e uma pedra perdida arruína o efeito, por isso escolhe-se com engaste firme e revê-se com regularidade.

Peitilho e plastrão

O peitilho, ou plastrão, cobre o pescoço e parte do peito com um amplo leque de elementos. O francês plastron significa «peitoral». É o tipo mais de gala e mais volumoso, que substitui sozinho todo um conjunto de joias e exige um decote simples e roupa despretensiosa à volta. Gosta dos decotes abertos e profundos onde tem sítio para se desdobrar e quase sempre se usa sozinho.

Torque

Um torque é um aro rígido e aberto para o pescoço, com as pontas separadas à frente. Ao contrário dos fios flexíveis, mantém a forma e enfia-se de lado ou por trás. A forma é antiga, celta e cita, e por isso o torque tem um carácter arcaico e escultórico. É um tipo para quem procura o gráfico e o peso do metal mais do que o brilho das pedras, e luz especialmente num pescoço nu sob roupa minimalista.

Colar multifio

Um colar multifio reúne vários fios de comprimento diferente ou igual numa composição que converge no fecho. Pode ser uma cascata de fios de pérolas, um conjunto de correntes ou uma mistura de texturas. Dá volume e preenche a zona aberta sob um decote profundo ou um vestido sem alças. Pode montar-se sozinho, com fios de comprimentos diferentes, afastando-os alguns centímetros para que cada um se leia como a sua própria linha.

Colar em Y

Um colar em Y é feito de modo que da linha principal desce ao centro um ramal vertical com pendente ou pedra na ponta, formando a letra Y. Essa forma leva o olhar a direito para baixo pelo centro e por isso repete na perfeição um decote em V, completando a sua linha. Um colar em Y parece pensado mesmo com um vestido simples e não pede mais joias ao pescoço. É no fundo um híbrido de base curta e pendente comprido, e um lariat transforma-se com facilidade num Y ao atar-se em laço.

Colar de espaço negativo

Um grupo moderno à parte são os colares construídos sobre o vazio: um contorno geométrico, um aro aberto ao peito, uma fina linha de metal que rodeia ar. Aqui o acento não o leva uma pedra nem a densidade, mas a forma e o vão dentro dela. Leem-se gráficos e minimalistas, vão com roupa sóbria e funcionam bem num pescoço nu, onde o vazio dentro do contorno joga com a pele. É o mais jovem dos tipos, mais perto da escultura do que da joalharia clássica.

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Como o comprimento trabalha com o decote

O tipo de colar escolhe-se não no vazio mas para um decote concreto, e aqui o comprimento decide quase tudo. Uma gargantilha curta pede um pescoço nu, a princesa é universal, e uma matinée e uma ópera compridas, pelo contrário, salvam uma gola alta fechada ao traçarem-lhe uma vertical. Um comprimento médio apoiado mesmo no rebordo de um decote profundo cria uma segunda linha que concorre, por isso o colar leva-se claramente acima do rebordo, ao pescoço, ou claramente abaixo, no peito. O detalhe completo de que colar para que decote está no guia à parte de joias segundo o decote; aqui a regra é que o comprimento se escolhe a partir do decote, não ao acaso.

Para além da forma: corrente, fecho e material

O tipo de colar marca a silhueta, mas a peça vive pelos pormenores que na montra passam despercebidos: a malha da corrente, a segurança do fecho, o peso e o material. Merecem tanta atenção como a forma.

A malha da corrente decide a resistência e como o colar assenta: uma malha densa em groumette ou rolo segura o pendente a direito e não se gasta, uma fina e vazada é bonita mas delicada. O fecho é o ponto fraco mais comum: num fio comprido e pesado deve ser grande e seguro, num fino basta um leve. O material escolhe-se pela tarefa: prata e ouro são versáteis e duradouros, a pérola e as pedras moles pedem cuidado, as ligas baratas em contacto constante com a pele dão reação com mais frequência. O detalhe das malhas e da sua resistência está no guia de tipos de correntes; aqui vale a pena lembrar que um colar bonito deve ter uma corrente honesta e um fecho seguro, ou a forma não dura.

Breve história dos colares

Colar largo egípcio de filas de contas que cobre o peito em leque
O colar largo egípcio de filas de contas de faiança cobria o peito em leque e foi a origem do peitilho e da gargantilha modernos. Já aqui atuavam ambos os eixos: o comprimento e a presença de um acento. Collar Necklace of Hapiankhtifi, Egypt, Middle Kingdom. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0).Collar Necklace of Hapiankhtifi, Egypt, Middle Kingdom. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

O adorno para o pescoço é dos mais antigos, e quase cada tipo moderno tem uma longa linhagem. Conhecê-la facilita perceber porque é que uma peça luz como luz.

Das conchas ao colar egípcio

O fio é mais antigo do que a escrita: os colares de conchas, osso e pedra usavam-se muito antes do metal, e já então dividiam a sociedade entre quem acedia a materiais raros e os restantes. O Egito levou o adorno ao colar largo, um leque de filas de contas que cobria o peito, no fundo o antepassado do peitilho moderno. Já aqui atuavam ambos os eixos que usamos hoje: o comprimento, que decidia onde a peça iria cair, e a presença de um acento central, que separava um colar de foco de gala de um fio uniforme diário.

A rivière, o decote e o fio comprido

A rivière nasceu no século XVIII para os decotes redondos e profundos, quando o peito aberto tinha de se preencher com uma corrente contínua de pedras, e tornou-se a referência do luxo sóbrio. O século XIX, com as suas golas altas e fechadas, tirou por um tempo o colar da garganta, e os anos vinte, com os seus vestidos direitos e ombros descobertos, puseram na moda o fio comprido e o sautoir até à cintura, afastando as formas curtas. Pela mudança de tipos nos retratos de séculos diferentes lê-se toda a história da moda do decote, pois o colar sempre seguiu a linha da roupa: ao abrir-se ou fechar-se o decote, mudava o comprimento e o tipo que se usava ao pescoço.

Os colares no retrato

Colar de ouro em corrente com uma fila simétrica de pendentes vazados ao centro
Colar de ouro com uma fila de pendentes vazados ao centro: tem uma zona central marcada para a qual a linha converge, e é isso que distingue o colar de uma gargantilha uniforme. Gold Necklace with Pendants. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0).Gold Necklace with Pendants. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

O retrato foi durante séculos uma montra de adornos do pescoço: pelo que se usava e como, lia-se o estatuto, a linhagem e a riqueza do modelo. Os pintores sabiam-no e traçavam os colares com particular cuidado.

Nos retratos antigos o colar apanhava a luz e levava o olhar da linha do decote ao rosto. Uma rica rivière sobre um peito redondo falava de fortuna, um fio modesto na garganta de sobriedade, um pendente grande ao centro do estatuto da linhagem. Pelo comprimento e o tipo do adorno vê-se a época e a ocasião: pesados colares multifio do Renascimento, fios leves do neoclassicismo, compridos sautoirs do art déco. No fundo, os pintores deixaram-nos um catálogo detalhado de que colares se usavam, de que comprimento e em que ocasiões, muito antes de existirem os guias de moda.

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A psicologia do comprimento

Porque é que uma pessoa puxa para uma gargantilha curta junto à garganta e outra para um sautoir comprido até à cintura não é só uma questão de moda. Um adorno do pescoço trabalha junto ao rosto, na zona para a qual se olha ao conversar, e a escolha do comprimento diz como alguém quer conduzir essa conversa.

As formas curtas na garganta, gargantilha e gargantilha larga, mantêm a atenção alta, junto ao rosto, e leem-se serenas e decididas: não deixam cair o olhar. Os fios compridos, ópera e rope, pelo contrário, levam a linha para baixo, traçam uma vertical e trabalham para a altura e o teatro, cedendo a iniciativa ao movimento. A princesa média é zona neutra, tranquila e universal, escolhe-se quando não se quer fazer do pescoço uma declaração. Está aí a força do adorno do pescoço: está sempre junto ao rosto, funciona como uma moldura calada para ele e por isso sente-se mais pessoal do que um anel ou uma pulseira escondidos.

Tipos de colar num relance
TipoComprimentoCarácterOcasião e decote
Colar de gola (gargantilha larga)30-35 cmDe gala, à gargantaNoite, ombros descobertos
Gargantilha35-40 cmSublinha o pescoçoDia a dia, pescoço comprido
Princesa42-48 cmUniversal, nas clavículasQuase tudo, qualquer decote
Matinée50-60 cmVertical suaveDe trabalho, sobre gola fechada
Ópera70-90 cmDe noite, ou gargantilha duplaNoite, decote alto
Rope e sautoira partir de 100 cmVertical comprida, versátilTeatral, top simples
RivièreCurta a médiaFluxo uniforme de pedrasLuxo sóbrio, noite
Peitilho (plastrão)Curto, volumosoO mais de gala, solistaDecote profundo, sozinho

Materiais e cuidado segundo o tipo

Torque de bronze: aro rígido e aberto para o pescoço com pontas enroladas
O torque mantém a forma não com fio mas com metal rígido: o aro aberto enfiava-se de lado e não precisava de fecho. Daí o seu carácter, escultórico e não brilhante. Necklace or Torque. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0).Necklace or Torque. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Os diferentes tipos de colar gastam-se de modo diferente, e o cuidado convém ajustá-lo à construção. O que é seguro para uma corrente lisa danifica um fio de pérolas ou um pavé denso.

As correntes lisas e os pendentes limpam-se com facilidade: água morna com uma gota de sabão sem abrasivo e um pano macio devolvem o brilho. Uma rivière, um colar de ténis e um por estações, com muitos engastes, pedem cuidado: a sujidade lava-se com escova macia, mas não se podem pressionar as pedras, e uma vez por ano mostram-se a um joalheiro para rever os engastes, pois perder uma pedra de uma fila regular dói de modo especial. Um fio de pérolas e as contas são um cuidado à parte: a pérola teme ácidos, perfume e suor, limpa-se com pano macio e guarda-se à parte, e o fio estica-se com o tempo e pede reenfiamento. Os colares compridos e pesados tiram-se à noite e guardam-se estendidos para que o fio e o fecho não se gastem, e qualquer colar se tira antes do duche, da piscina e do sono.

Guardar por tipos importa tanto como limpar. As correntes enredam-se e dão nós se se atiram para uma caixa comum, por isso os fios compridos penduram-se ou deixam-se estendidos e as correntes finas fecham-se para não se torcerem. Os colares com pedras e pérola guardam-se à parte de peças metálicas duras que riscam uma superfície e um engaste moles. E cada tipo tem o seu ponto fraco que convém ter presente: num fio comprido é o fecho e o ponto junto a ele, onde o metal se gasta pelo peso, na rivière e no colar de ténis os engastes, nas contas o próprio fio. Sabendo-o, é fácil rever a união vulnerável e não a peça toda ao acaso, e ela dura muito mais.

Erros frequentes

A maioria das falhas ao escolher um colar repete-se vezes sem conta. Reunimos as mais comuns para as evitares com mais facilidade.

O primeiro erro é o comprimento contra o decote: um colar curto sob uma gola alta, onde se perde, ou um médio apoiado mesmo no rebordo de um decote profundo como segunda linha que concorre. O segundo é confundir tipos: comprar um colar de centro grande onde faz falta um fio uniforme, e vice-versa. O terceiro é a sobrecarga: um peitilho ou um colar grande mais um vestido igualmente forte, onde dois acentos se anulam. O quarto é uma corrente fraca sob um pendente pesado, que se gasta depressa. O quinto é escolher por foto em vez de experimentar: um comprimento assenta diferente noutro pescoço. O sexto, menos evidente, é o desajuste entre o tipo e o modo de vida: um peitilho ou uma rivière de gala é bonito, mas a quem usa colar com pressa e por baixo do casaco cansa depressa por incómodo, e na caixa fica a peça mais bonita. Quase todos se curam ao experimentar o comprimento concreto no teu pescoço para um decote e uma ocasião concretos, e ao perguntares-te com honestidade se a peça encaixa no teu dia normal.

Verdades e mitos sobre os tipos de colar
Colar de foco e fio uniforme são a mesma coisa
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Um só comprimento serve para tudo
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A gargantilha só vai a pescoço comprido
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Rivière e colar de ténis são a mesma coisa
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Um colar comprido estiliza a silhueta
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Vários colares ao mesmo tempo é sempre demasiado
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Verificação rápida antes de comprar

Os tipos e os comprimentos confundem-se com facilidade na montra, por isso antes de comprar ajuda uma lista breve que se percorre num minuto, ali mesmo na prova.

Primeiro: põe o colar e vê onde fica o ponto mais baixo, na garganta, nas clavículas, no peito ou mais abaixo. Esse é o seu comprimento, e deve responder ao decote com que o vais usar. Segundo: decide se é preciso um acento ao centro. Se sim, procura um colar com pendente ou centro marcado; se não, um fio uniforme ou uma rivière. Terceiro: revê o fecho e a corrente. Um pendente pesado pede uma corrente densa e um fecho grande e seguro. Quarto: olha para o pescoço inteiro, não para a pedra de perto. O curto num pescoço curto encurta-o, o comprido em pouca estatura pesa. Quinto: se o compras para sobrepor, apoia-o junto aos fios com que o vais usar.

Se passar os cinco pontos, o tipo e o comprimento estão bem escolhidos. Se tropeçar num só que seja, convém experimentar outro comprimento em vez de te convenceres. O melhor colar não é o mais caro da montra, mas o que assenta no teu pescoço e vai com o teu decote e o teu dia, e estas cinco perguntas ajudam a distingui-lo de uma peça bonita mas alheia.

Encontra o colar do teu comprimento e tipo no catálogo da Zevira: de gargantilhas e princesas para o dia a dia a fios de ópera e pendentes para sair.

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Perguntas frequentes

Que diferença há entre um colar de foco e um fio uniforme? Um colar de foco tem um centro marcado: uma pedra grande, um pendente ou uma composição para a qual a linha converge. Um fio uniforme distribui o adorno de forma regular, sem um elemento principal. Em resumo, um tem acento, o outro uma linha regular.

Qual é o comprimento de colar mais universal? A princesa, 42-48 cm. Cai nas clavículas, vai a quase toda a gente e funciona com a maioria dos decotes. Se hesitares, começa por ela e acrescenta formatos curtos e compridos para um visual concreto.

O que é uma gargantilha e a quem favorece? Uma gargantilha é um colar curto de 35-40 cm que assenta na base do pescoço. Sublinha o pescoço e as clavículas e favorece sobretudo um pescoço comprido. Num curto escolhe-se uma versão estreita e deixa-se algum ar entre a gargantilha e o decote.

Em que se distingue uma rivière de um colar de ténis? As pedras de uma rivière podem crescer para o centro num fluxo contínuo, as de um colar de ténis são estritamente iguais em engaste uniforme. Ambos são uma linha regular de pedras sem centro; a diferença está na igualdade das pedras e no carácter do engaste.

Que colar vai com uma gola alta? Comprido, sobre o tecido: uma matinée, uma ópera ou um sautoir com pendente traçam a vertical que falta à gola fechada. Um colar curto perde-se numa gola alta. O detalhe completo para cada decote está no guia à parte de joias segundo o decote.

O que é um sautoir? Um sautoir é um colar comprido, em geral com pendente ou borla na ponta, que floresceu nos anos vinte. É próximo do rope mas tem mais vezes um acento na ponta e usa-se como uma vertical marcada sob um top simples.

Podem usar-se vários colares ao mesmo tempo? Pode, se for uma sobreposição pensada: fios de comprimento diferente que não se apoiam um sobre o outro e não discutem. Um colar grande e um peitilho, esses, usam-se sozinhos. A regra é a mesma que com qualquer conjunto: torna forte uma só coisa.

Como escolho o comprimento de um colar para oferecer sem saber a medida? Escolhe uma princesa de 42-48 cm como a mais segura; vai a quase toda a gente e a quase tudo. Mais seguro ainda é um colar com corrente regulável e vários laços, onde o comprimento se ajusta ao pescoço.

Para oferecer

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Em resumo

O tipo de um colar é o seu comprimento e a sua construção, e são eles, não a pedra, que decidem a que decote, ocasião e pescoço a peça se destina. Gargantilha larga, gargantilha, princesa, matinée, ópera, rope por comprimento; pendente, rivière, lariat, por estações, ténis, peitilho, torque, multifio por forma, cada tipo carrega o seu carácter e o seu lugar. Entendidos estes nomes, qualquer montra é fácil de ler: olhas onde fica o ponto mais baixo e se há um acento ao centro, sopesa-lo com o teu pescoço e o teu decote, e a escolha monta-se sozinha. Às vezes é uma princesa com pendente para o dia a dia, às vezes uma cascata de fios para a noite, e às vezes um torque gráfico num pescoço nu.

Sobre a Zevira

A Zevira faz adornos para o pescoço fáceis de combinar com um decote e uma ocasião: gargantilhas e princesas para o dia a dia, fios compridos e sautoirs para sair, pendentes para um acento pessoal. Por trás da marca há uma escola espanhola com o legado de Albacete, antigo centro do metal e do ofício, e atenção a como uma peça assenta e vive sobre a pessoa.

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