
O sautoir: colares compridos e sobreposição que estilizam a silhueta
A palavra sautoir é francesa e não nasceu como joia. Assim se chamava a banda que se usava na diagonal sobre o ombro para segurar uma condecoração ou uma trompa de caça. No início do século vinte essa banda transformou-se num fio comprido que descia quase até à cintura, e nos anos vinte o sautoir, com a sua borla oscilante, tornou-se, no pescoço das mulheres que dançavam, um sinal de uma liberdade nova. O comprimento pesou mais do que a pedra.
O sautoir é um género próprio, com regras suas: o fio cai por baixo do peito, a extremidade quase sempre leva um acento (uma borla, um pendente grande, um medalhão ou duas gotas suspensas) e pode usar-se de uma dezena de maneiras, desde uma linha reta e sóbria até uma volta dupla ou um nó à altura do plexo solar. Este texto trata de onde veio, em que se distingue de um lariat e de um colar ópera, e de como usá-lo para levar o olhar para baixo e alongar a figura.
O que é um sautoir e que comprimento deve ter
Uma definição simples de sautoir
Um sautoir é um colar comprido que cai por baixo da linha do peito, normalmente até ao plexo solar, à cintura ou mesmo às ancas. Dois traços o definem: um comprimento real e um acento na ponta do fio. Esse acento pode ser uma borla de fios ou correntes, um pendente grande, um medalhão, uma conta pesada ou um par de elementos suspensos. Sem o acento, um fio comprido continua a ser apenas uma corrente comprida; o sautoir é um fio com um ponto final que sustém todo o olhar.
Que comprimento conta como sautoir
Na escala habitual de comprimentos de colar, o sautoir começa onde termina o comprimento ópera. A gargantilha assenta no pescoço, a princesa descansa sobre as clavículas, a matinée chega ao início do peito, a ópera cai por baixo do peito, e tudo o que ultrapassa os oitenta centímetros e cai claramente em direção à cintura já é território do sautoir. O mais comum é um comprimento de oitenta a cento e vinte centímetros, por vezes mais. Se tens dúvidas sobre a que categoria pertence o teu colar, o guia de comprimento de corrente desdobra toda a escala em centímetros.
Porque é o comprimento a ferramenta principal do sautoir
Um colar curto divide a figura na horizontal e atrai a atenção para o pescoço e para o rosto. O sautoir faz o contrário: a linha vertical comprida leva o olhar para baixo, alonga o pescoço, estica o tronco e afina a silhueta. Por isso o adoram tanto as mulheres baixas e quem procura ganhar um pouco de altura. Não é magia, é a simples geometria da perceção: o olho percorre a linha, e quanto mais comprida e ininterrupta ela for, mais alta parece a figura.
De que se compõe um sautoir
Em estrutura, um sautoir tem três partes: o fio em si (uma corrente, um fio de pérolas, uma enfiada de contas ou missangas), um elemento deslizante ou fixo opcional no centro e o acento final na extremidade. Os modelos clássicos dos anos vinte terminavam numa grande borla. As versões atuais podem suspender na ponta um pendente em gota, uma moeda, um medalhão ou uma figura geométrica. Às vezes o sautoir é fechado, às vezes aberto como um lariat, para se poderem atar as pontas.
Como se sente e se comporta um sautoir ao usar
Um sautoir comprido comporta-se sobre o corpo de forma diferente de um colar curto. Tem o seu próprio peso, que puxa o fio para baixo e o mantém numa vertical firme, por isso a peça quase nunca escorrega para o lado nem sobe em direção à gola. Ao mesmo tempo, o fio comprido reage de modo mais visível ao movimento: ao andar, ao inclinar e ao dançar, o acento da ponta oscila. Vale a pena tê-lo em conta de antemão: uma corrente fina e leve cai com delicadeza, enquanto um fio maciço com um final pesado se fará notar no pescoço o dia inteiro e exigirá um fecho sólido ou mesmo uma argola fechada sem fecho.
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A origem da palavra: da banda ao pescoço
A faixa de condecoração e a trompa de caça
O sautoir francês vem do verbo sauter, saltar, e no início designava uma faixa ou correia larga que se usava na diagonal sobre o ombro. Sobre essa banda se sustinha uma ordem de cavalaria, uma medalha, uma trompa de caça ou mesmo uma arma. A heráldica ainda chama sautoir à cruz diagonal de Santo André, aquele mesmo xis sobre o escudo. A ideia de uma diagonal que atravessa o corpo foi a semente do futuro adorno.
Como a banda se tornou colar
No século dezanove a palavra passou para a linguagem da joalharia. Chamou-se sautoir a uma corrente ou fio comprido que se usava de modo a cair muito baixo pelo corpo. Ao início era algo prático: da corrente comprida pendiam um relógio de suspensão, uns lorgnons, um frasco de sais ou uma bolsinha de moedas. O adorno nasceu da função, e só depois a função desapareceu, enquanto o comprimento e o pendente ficaram como pura estética.
Belle Époque: o fio comprido como sinal de riqueza
Na Belle Époque, na viragem dos séculos dezanove e vinte, o sautoir entrou no guarda-roupa das mulheres abastadas como símbolo de elegância. Fios compridos de pérolas e correntes de platina com engastes de diamantes caíam sobre vestidos claros. Um fio de pérolas até à cintura era considerado o cúmulo do bom gosto, pois a pérola natural custava então uma fortuna, e uma enfiada comprida falava em silêncio do nível da família. A platina e o rendilhado dessa época tornaram o sautoir leve e aéreo apesar do seu comprimento.
O sautoir quer as costas direitas e o pescoço despido, não uma gola fechada. Cortas o fio a meio do peito por timidez e toda a altura que ele oferece vai por água abaixo.
Com que usar um sautoir
Ao fim de anos de sessões, o fio comprido passou comigo por dezenas de visuais: reto, em nó, virado para as costas. Reúno aqui o que de facto sustém um conjunto, por ocasião.
Com que uso um sautoir no dia a dia? Para o dia recomendo uma corrente fina de comprimento médio com um acento pequeno sobre uma gola alta, uma camisa ou um vestido simples. Um top liso funciona como fundo limpo e a vertical lê-se no instante. Deixa o final leve para que o fio não puxe o tecido nem se prenda pelo caminho.
É apropriado um sautoir no escritório? É, se mantiveres a sobriedade. Sugiro uma corrente lisa sem final marcante, à altura da cintura, sobre uma gola alta ou uma blusa fechada. Assim lê-se como um detalhe tranquilo e não como um acento de noite, e não compete com a roupa de vestir.
Como armo um visual de noite? Para a noite escolho o fio mais comprido e um final expressivo: uma borla ou uma pedra grande. Por baixo de um vestido aberto o sautoir torna-se a peça principal e não precisa de companhia. Sugiro uma linha reta profunda ou um nó à altura do plexo, e para as costas nuas gira o acento para trás.
Como sobreponho um sautoir com colares curtos? Armo uma escada: uma gargantilha no pescoço, um colar médio sobre as clavículas e o sautoir como a linha mais comprida em baixo. Deixa uns centímetros entre níveis para que os fios não se colem. Mantém o acento visível num só fio, normalmente o sautoir, e deixa lisos os restantes.
Que comprimento vai com a minha altura e o meu decote? Escolho o comprimento conforme a figura, não ao contrário. Para estaturas baixas sugiro um fio até à cintura: a vertical estiliza sem arrastar as proporções para baixo. Por baixo de um V profundo cuido que o acento termine por baixo do ponto mais fundo do decote, ou o pendente corta a linha.

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A história do sautoir: do art déco ao renascimento
Os anos vinte e as mulheres que dançavam
A verdadeira fama chegou ao sautoir nos anos vinte. A silhueta do vestido mudou: a cintura desapareceu, a linha desceu para as ancas, os decotes abriram as costas e o pescoço. Um colar curto parecia perdido sobre tal roupa, ao passo que um fio comprido com uma borla oscilante se revelou ideal. Quando a mulher dançava, a borla balançava ao ritmo dos movimentos e marcava o compasso. O sautoir tornou-se um adorno de liberdade: usavam-no quem cortava o cabelo curto, conduzia automóvel e dançava até de madrugada.
Art déco: geometria e contraste
O estilo art déco deu ao sautoir o seu aspeto reconhecível. Em vez de linhas suaves chegaram a geometria rigorosa, a simetria, os contrastes nítidos de preto e branco, ónix e cristal de rocha, coral e jade. As borlas faziam-se de pérolas minúsculas ou missangas enfiadas em fios, de contas facetadas, de fios de seda com remates de metal. Os motivos orientais e o fascínio pelo Egito e pelo Japão acrescentaram um toque exótico: surgiram fios com figuras talhadas, amuletos e grandes contas de cor.
A borla como elemento principal
A borla, em francês tassel, tornou-se o cartão de visita do sautoir art déco. Uma borla é um feixe de fios, contas ou correntes suspensas reunidos num único ponto. Move-se, apanha a luz, junta som e dinamismo. Uma borla de pérolas minúsculas sussurrava ao mexer, uma de missangas facetadas cintilava, uma de metal tilintava. Foi precisamente essa mobilidade que fez da borla um final tão expressivo do fio comprido: um pendente estático fica suspenso, uma borla vive. O comprimento também importava: uma borla curta e recolhida via-se sóbria e gráfica, uma comprida e farta convertia o sautoir quase num acessório de dança. Os mestres brincavam também com a textura do casquilho que recolhia os fios em cima, transformando o próprio remate da borla numa pequena obra de ourivesaria.
A calma e o renascimento
Oriente e o exotismo no sautoir dos anos vinte
Os anos vinte foram tempo de fascínio por culturas distantes, e o sautoir absorveu essa moda. Após as célebres descobertas arqueológicas no Egito, surgiram na joalharia escaravelhos, lótus e contas de faiança cor de turquesa. Do Japão e da China chegaram o osso talhado, a laca, o jade e a própria ideia da borla, que no traje oriental adornava faixas e leques. O sautoir oriental costumava terminar numa figura talhada ou numa grande conta de pedra semitransparente, e o fio compunha-se de elementos de cores contrastantes. Esse exotismo transformou o fio comprido numa pequena coleção de raridades sobre o pescoço.
A calma de meados do século e o renascimento de hoje
Depois dos anos trinta, a moda dos fios compridos apagava-se e regressava por turnos. A meio do século a silhueta subiu de novo a cintura e os adornos compridos passaram para segundo plano. Mas o sautoir nunca desapareceu por completo: voltava sempre que a moda recordava a linha vertical e o corte solto. Hoje o sautoir está outra vez no guarda-roupa, e por várias razões: o interesse pela estética vintage, o gosto pela sobreposição e a comodidade de um adorno comprido que não estorva com as golas nem se perde sob a roupa.
Sautoir, lariat e ópera: em que se distinguem
Sautoir e lariat
São os dois parentes mais próximos e confundem-se constantemente. A diferença está na construção. O sautoir costuma ser fechado: é um fio comprido com o seu acento na ponta ou no centro, mas não precisa de se atar, simplesmente se passa pela cabeça. O lariat é aberto por princípio: não tem fecho nem argola fechada, as suas pontas ficam livres e usa-se passando uma ponta por uma anilha ou atando-a. Dito a traço largo, o sautoir é uma peça de comprimento já dado, e o lariat uma peça cujo comprimento fixas tu de cada vez. Os colares sem fecho são tratados num artigo à parte sobre o lariat.
Sautoir e colar ópera
O colar ópera mede uns setenta a oitenta centímetros, um fio que cai mesmo por baixo do peito. A ópera trata de comprimento e de mais nada: pode ser um fio liso de pérolas ou uma corrente sem qualquer acento. O sautoir costuma ser mais comprido do que a ópera e quase sempre tem um ponto final, uma borla ou um pendente. Poderia dizer-se que a ópera é comprimento, e o sautoir é comprimento mais carácter. O fio ópera dobra-se muitas vezes numa gargantilha dupla, enquanto o sautoir nem sempre se presta a esse dobrar por causa do seu acento final.
Sautoir e uma corrente comprida vulgar
Uma corrente comprida com um pendente pequeno ainda não é um sautoir. A fronteira marca-a o peso e o papel do acento. Se na ponta pende um símbolo mal visível que se perde no comprimento, tens apenas uma corrente comprida com pendente. Se o final se nota, sustém a composição e funciona como centro visual e de sentido, isso é um sautoir. Às vezes uma mesma peça pode ler-se das duas formas: tudo depende da escala do pendente em relação ao comprimento do fio.
Sautoir e colar em Y
O colar em Y é um fio que forma sobre o peito a letra ípsilon: a parte principal rodeia o pescoço e, a partir de um ponto central, desce um troço vertical com pendente. O sautoir distingue-se por todo o seu comprimento ser um único fio que cai para baixo, sem uma bifurcação marcada. Muitos sautoirs atuais, ao darem-se em volta dupla, formam algo parecido com um ípsilon, mas o sautoir clássico continua a ser uma linha comprida e reta, não uma bifurcação.
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Tipos de extremidades do sautoir
A borla
A borla é o final histórico e mais reconhecível do sautoir. Compõe-se de fios de pérolas, enfiadas de missangas, correntes ou fios de seda com um casquilho de metal em cima. A borla é móvel, apanha a luz e o movimento, sussurra ou tilinta. É a opção mais teatral, que luz sobretudo num visual de noite e num decote aberto, onde a borla tem espaço para oscilar.
Um pendente grande
Em vez de uma borla, da ponta pode pender um pendente expressivo: uma pedra engastada, um medalhão, uma moeda, uma figura geométrica, um amuleto. Um pendente grande torna o sautoir mais estático e gráfico do que a borla. Sustém bem o visual quando se procura um único detalhe marcante sem movimento a mais. Esse sautoir é mais fácil de usar de dia e de combinar com roupa de escritório.
O medalhão
O final em medalhão remete para o velho costume de trazer numa corrente comprida um retrato, uma madeixa de cabelo ou um objeto de recordação. Um sautoir com medalhão fica ao mesmo tempo comprido e sentimental: lá dentro pode pôr-se uma foto ou uma gravura. É uma versão com história, que amiúde se torna peça de família e passa de mão em mão. O comprimento joga a seu favor: o medalhão cai mais perto do coração, e o gesto de lhe tocar sai natural. Num final de medalhão fica muito bem uma gravura no verso, um monograma ou uma data que só quem o usa vê.
A dupla extremidade e o acento amovível
Alguns sautoirs têm não um, mas dois elementos suspensos, por exemplo duas gotas ou duas borlas de comprimento diferente. Isso cria assimetria e profundidade acrescentada. Uma construção à parte muito cómoda é o acento amovível: o pendente ou a borla prendem-se ao fio com um mosquetão, e uma mesma corrente comprida pode usar-se ora com borla, ora com pedra, ora sem final algum, como um simples fio comprido.
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Como usar um sautoir
Quantas formas de o usar existem
A grande virtude do sautoir é a sua versatilidade. Um mesmo fio muda o visual até ao irreconhecível conforme a maneira de o pores. Um fio reto dá uma vertical firme, duas voltas convertem a peça em algo parecido com um conjunto, um nó acrescenta volume descuidado, uma volta para as costas abre o rosto à noite, e usado sobre malha o sautoir torna-se o protagonista de um visual de inverno. Vale a pena experimentar cada forma ao espelho: um mesmo sautoir pode parecer ao mesmo tempo austero e luxuoso.
Como fio reto e comprido
A forma mais simples e mais vintage. O sautoir põe-se tal e qual e cai livremente pelo corpo numa única linha vertical. Esta forma alonga ao máximo a silhueta e luz melhor sobre roupa lisa sem detalhes a mais, para que nada estorve a linha. O fio reto vai com vestidos tubo, com golas altas, com camisolas simples.
Em duas voltas
Um sautoir comprido pode dar-se duas vezes à volta do pescoço. Sai uma combinação: a volta de cima fica como um colar curto na base do pescoço, e a de baixo mantém-se comprida, com o acento na ponta. É cómodo quando queres ao mesmo tempo preencher a zona da garganta e conservar a linha comprida. A volta dupla converte num instante uma só peça em algo parecido com um conjunto sobreposto.
Com nó
O nó no sautoir é um recurso saído diretamente dos anos vinte. O fio comprido dá-se um nó frouxo à altura do peito ou do plexo solar, e por baixo do nó fica pendurado o acento. O nó encurta a peça, acrescenta-lhe volume num ponto e vê-se propositadamente descuidado, à parisiense. É importante fazer o nó frouxo e só num fio resistente, para não deformar a corrente nem gastar as pérolas.
Para as costas
Umas costas ao ar são um cenário feito à medida para o sautoir. O fio comprido gira-se com o acento para trás: à frente fica como um colar normal na garganta, e a borla ou o pendente cai pelas costas nuas. É um recurso de noite para um vestido com decote profundo nas costas. Exige que o fecho ou o ajuste permitam deslocar o acento, por isso convém-lhe mais um sautoir com final móvel ou amovível.
Sobre malha e peças de agasalho
O sautoir funciona às mil maravilhas sobre texturas densas: malha grossa, gola alta, blazer, casaco, colete. O fio comprido lê-se sobre a malha lisa como um traço gráfico, e o pendente repousa sobre o peito sem se afundar no decote. É a salvação da estação fria, quando o colar curto se esconde por baixo da gola. Sobre uma camisola o sautoir torna-se o acento principal do visual e, de caminho, sustém a vertical sobre roupa volumosa.
Com que decotes e figura usar o sautoir
Parte de cima fechada e gola alta
Sobre uma parte fechada o sautoir vive com mais facilidade. Uma gola alta lisa ou uma camisola fechada tornam-se o fundo ideal: o fio comprido desenha sobre o tecido liso uma vertical limpa e nada lhe faz concorrência. É a combinação mais segura para um sautoir de dia a dia.
Decote em V e decote profundo
Um decote em forma de vê parece feito à medida para o sautoir: as linhas do decote e a linha do fio fundem-se num único movimento vertical, afiado e para baixo, que alonga ao máximo o pescoço e o tronco. A regra chave aqui é que o acento do sautoir termine por baixo do ponto mais fundo do decote, ou o pendente vai cortar visualmente a linha do decote.
Costas ao ar e alças
Para umas costas ao ar o sautoir gira-se para trás; por baixo de um vestido de alças finas usa-se com fio reto à frente. Sobre ombros nus e na zona do decote o fio comprido luz especialmente, porque tem onde repousar sobre a pele sem que o tecido estorve.
A que figura assenta o sautoir
O sautoir alonga visualmente a silhueta, por isso é especialmente bom para mulheres baixas e para quem precisa de uma vertical. Quem tenha o peito marcado convém que escolha um comprimento em que o acento fique bem por baixo do peito, para que a linha não se fragmente. Às altas fica bem qualquer comprimento, incluindo o mais comprido, até às ancas. Regra universal: quanto mais comprida e ininterrupta for a linha, mais esbelta e alta parece a figura.
Erros frequentes com o decote
O erro mais frequente é um acento curto sobre um decote profundo: o pendente termina por cima ou à altura do decote e corta visualmente a linha. O segundo erro é um sautoir sobre tecido de estampado grande ou textura muito marcada, onde o fio se perde e se lê como um descuido. O terceiro é um final demasiado pesado sobre roupa fina de verão: o acento puxa o tecido leve e enruga-o. A solução em todos os casos é a mesma: dá ao fio um fundo liso e limpo e cuida que o acento termine por baixo do ponto mais fundo do decote.
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Sobreposição: o sautoir junto a colares curtos
Para que combinar o comprido com o curto
O sautoir basta-se por si só, mas junto a colares curtos abre-se como base de uma composição sobreposta. O fio comprido marca a orla inferior, os colares curtos preenchem a zona do pescoço, e entre eles surge um bonito ritmo de vãos e linhas. O princípio da sobreposição é um só: os diferentes comprimentos não devem coincidir, ou os fios enredam-se e colam-se. As regras para combinar são tratadas em detalhe no guia sobre como combinar várias joias.
A escada de comprimentos
O esquema de sobreposição mais fiável é a escada: uma gargantilha na garganta, um colar médio nas clavículas ou um pouco mais abaixo, e o sautoir como a linha inferior mais comprida. Convém deixar entre os degraus uma separação de uns centímetros para que cada fio se leia à parte. O olho percorre de cima para baixo os degraus e chega ao acento do sautoir, e toda a composição funciona como uma só vertical.
Quantos fios levar
Para um visual de dia a dia bastam um sautoir e um colar curto. Para a noite podem montar-se três níveis. Mais de três comprimentos costumam converter-se numa confusão, sobretudo se todos levam pendentes. Boa regra: que só um fio leve um acento notório (por norma o sautoir) e que os restantes degraus fiquem lisos para que não disputem a atenção.
Misturar metais e texturas
A sobreposição com sautoir é uma forma cómoda de unir diferentes metais e materiais. Uma corrente curta de ouro, um nível médio de prata e um sautoir de pérolas convivem justamente porque estão separados pelo comprimento e não repousam colados. Misturar cores de metal há muito deixou de ser um erro, e um sautoir como nível inferior reúne essa composição tão díspar num todo.
Materiais do sautoir
Pérolas
O sautoir de pérolas é a referência histórica. Um fio comprido de pérolas, que por vezes termina numa borla de pérolas, continua a ser um dos adornos mais reconhecíveis do século vinte. A pérola dá um brilho quente e suave e um peso agradável, e o fio desliza com beleza pelo corpo. As pérolas têm particularidades de cuidado que as separam do metal, sobre as quais convém ler no guia completo das pérolas. Um sautoir de pérolas fica igualmente bem sobre um vestido de noite e sobre um caxemira simples.
A corrente
Uma corrente de metal é a base mais prática para um sautoir. É mais resistente do que o fio, não teme a água como as pérolas e mantém a forma. O tipo de malha define o carácter: uma malha fina tipo forçado ou barbela traça um grafismo leve, uma malha grossa torna o sautoir notório por si só, mesmo sem um pendente grande. Se te interessa que malha escolher para um fio comprido, ajuda a resenha de tipos de correntes. Sobre uma corrente resistente é cómodo atar e usar o sautoir sobre roupa densa.
Missangas e contas
Uma enfiada de missangas ou contas pequenas é um material leve e flexível para o sautoir, predileto do estilo art déco. O fio de missangas cai bem, sai barato comparado com os materiais preciosos e permite brincar com a cor. De missangas faz-se muitas vezes tanto o fio como a borla da ponta. Um inconveniente: as enfiadas de missangas são mais sensíveis à rutura e há que reenfiá-las de vez em quando.
Pedras
Um sautoir com pedras de cor, enfiadas no fio ou reunidas num pendente da ponta, acrescenta cor e profundidade ao visual. As contas facetadas de cristal de rocha, ónix, cornalina e quartzo apanham a luz ao longo de todo o comprimento. Uma pedra na extremidade do fio funciona como final com sentido: a sua cor pode escolher-se conforme os olhos, a roupa ou o estado de espírito. As pedras pesadas exigem um fio ou corrente resistente para que o peso não parta a base.
Seda e têxtil
As borlas e inserções de fios de seda são um material leve, suave e sonoro. Uma borla têxtil não tilinta, sussurra, move-se com mais suavidade do que a de metal e repousa com agrado sobre a pele. A seda teme a humidade e com o tempo desbota, por isso esse sautoir pede um trato cuidadoso, mas é o mais leve e cómodo para usar durante horas.
Como escolher o teu sautoir
Começa pelo comprimento conforme a tua altura
A primeira decisão é o comprimento. Às altas fica bem qualquer opção, até à mais comprida, até às ancas. Às baixas convém ficar por um comprimento até à cintura ou um pouco acima: assim a vertical alonga a silhueta sem arrastar as proporções para baixo. Uma forma simples de o testar antes: pega numa fita métrica flexível, apoia-a no pescoço e vê onde fica a ponta do comprimento escolhido. Se o acento cair na parte mais estreita da cintura, a peça sublinha-a; se descer mais, torna a figura mais alta e esbelta.
Ajusta o peso ao tipo de uso
Um sautoir fino e leve é bom para o dia a dia e a sobreposição: não puxa o pescoço e convive facilmente com outros fios. Um sautoir pesado com borla maciça ou pedra grande é uma peça para ocasiões especiais, que se põe como acento principal. Quanto mais pesado o final, mais resistentes devem ser o fio e o fecho. Se planeias usá-lo dias inteiros, escolhe um peso moderado, ou ao entardecer o pescoço cansa-se.
Decide se precisas de um acento amovível
Um sautoir com extremidade amovível é o investimento mais flexível. Um fio comprido torna-se ora uma vertical sóbria de dia com um pendente pequeno, ora uma de noite com borla ou pedra grande. Se compras o teu primeiro sautoir e não queres juntar mais depois, procura um modelo com o acento em mosquetão: substitui várias joias de uma vez.
Casa o material com o teu modo de vida
As pérolas e a seda exigem cuidado e não gostam da água, do perfume nem do uso ativo. A corrente de metal perdoa quase tudo e sobrevive ao uso diário. As missangas são bonitas e leves, mas haverá que reenfiá-las de vez em quando. Avalia com honestidade com que frequência e em que condições usas joias, e escolhe o material para a vida real, não para a foto ideal.
Cuidado do fio comprido e da borla
Porque um fio comprido pede atenção especial
Quanto mais comprido o adorno, mais hipóteses tem de se enredar, gastar e prender. Uma corrente curta repousa no pescoço e quase não se mexe, ao passo que o sautoir pende livre, roça no tecido, cai na dobra do cotovelo, prende-se na mala. Um fio comprido passa mais vezes por pontos de dobra, e é justamente aí que o metal se gasta primeiro. Por isso o cuidado do sautoir é antes de mais prevenção: guardar correto, uso cuidadoso e revisão regular dos elos e das ligações do acento.
Como guardar um sautoir comprido
O principal inimigo de um fio comprido são os nós e o emaranhado. É melhor guardar o sautoir estendido: pendurado num gancho, deitado num compartimento plano ou passado por um tubo para enfiadas. Uma corrente comprida enrolada numa bola quase de certeza se enreda em nós difíceis de desfazer. Se a corrente se enredar mesmo assim, ajudam os truques do artigo à parte sobre o que fazer quando uma corrente se enreda.
Cuidado da borla
A borla é a parte mais delicada e caprichosa do sautoir. Não se deve apertar, amarrotar nem guardar sob pressão, ou os fios se marcam e desfiam. Depois do uso, há que alisar a borla com os dedos e deixá-la pender livre. A borla têxtil protege-se da humidade e do perfume; a de metal ou missangas limpa-se com suavidade com um pano macio. Uma borla de seda desfiada às vezes pode vaporizar-se ligeiramente, a distância do vapor.
Limpeza do fio e do fecho
A corrente limpa-se com um pano macio e, se for preciso, com água morna e sabão, secando a fundo. O fio de pérolas ou missangas não se deve molhar: o fio de dentro encharca-se, estica-se e apodrece, por isso as pérolas limpam-se só com um pano macio apenas húmido e secam-se logo. De poucos em poucos anos convém reenfiar o sautoir de pérolas em fio novo, sobretudo se o usas muitas vezes: o fio velho estica-se e pode partir no pior momento.
O que levar com cuidado
Um sautoir comprido prende-se com facilidade na maçaneta de uma porta, no encosto de uma cadeira, na mala ou na beira de uma mesa. Com um fio comprido convém ter mais cuidado no transporte e no meio da gente. A borla e o pendente protegem-se dos puxões bruscos. Se o sautoir é pesado, não o deixes pendurado muito tempo de um gancho fino por uma só extremidade: sob o próprio peso o fio pode esticar-se.
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Factos que surpreendem
O sautoir começou como banda masculina
Hoje o sautoir vê-se como adorno feminino, mas a própria palavra nasceu do uso militar e cinegético masculino. A banda sobre o ombro para uma ordem, uma trompa ou uma arma usavam-na os homens, e só depois a comprida linha diagonal passou para o pescoço da mulher e se tornou colar. Da faixa militar ao fio de pérolas da bailarina, o caminho revelou-se curto.
Do sautoir pendiam relógios e lorgnons
No século dezanove o sautoir era um acessório útil. Da corrente comprida pendiam um relógio de suspensão, uns lorgnons de dobrar, um frasco de perfume ou de sais, um selo, uma bolsinha minúscula. O adorno era também suporte para as coisinhas necessárias. Só no século vinte a peça se converteu por completo em pura joia e se esqueceu a função.
A borla oscila ao ritmo da dança
O esplendor do sautoir nos anos vinte está diretamente ligado à dança. Os bailes animados da época faziam que a borla balançasse e saltasse, e esse movimento tornou-se parte do visual. Um fio comprido com borla mostrava literalmente que quem o usava estava em movimento e marcava o ritmo. Um adorno inventado para posar imóvel floresceu justamente quando a mulher se pôs em movimento.
A cruz heráldica e o adorno são uma mesma palavra
A cruz diagonal dos escudos, aquele xis de Santo André, em francês chama-se também sautoir. A diagonal que atravessa o campo e a diagonal da banda sobre o ombro são a mesma ideia geométrica. Acontece que um elemento do escudo de um cavaleiro e um fio comprido sobre o pescoço trazem um mesmo nome e vêm de uma raiz comum.
O comprimento era uma forma de mostrar riqueza
Na época anterior à pérola cultivada, um fio comprido de pérolas significava um dinheiro colossal. A pérola natural era rara, e para reunir uma enfiada igual até à cintura eram precisos anos e uma fortuna. Um sautoir comprido de pérolas contava em silêncio o nível da família com mais certeza do que qualquer palavra. O comprimento do adorno era uma moeda de estatuto.
Perguntas frequentes sobre o sautoir
Em que se distingue o sautoir do lariat?
O sautoir costuma ser fechado e tem um comprimento já dado, simplesmente se passa pela cabeça, e o acento pende na ponta ou no centro. O lariat é aberto, não tem fecho, e o comprimento fixa-lo tu passando ou atando as pontas. Em resumo: o sautoir é comprimento já dado, o lariat é comprimento que regulas de cada vez.
Qual é o comprimento mínimo de um sautoir?
Não há uma fronteira rígida, mas costuma chamar-se sautoir a um fio de oitenta centímetros ou mais que cai claramente por baixo do peito. Tudo o que for mais curto classifica-se como comprimento ópera ou matinée. A diferença principal do sautoir está tanto nos centímetros como em ter um acento marcado na ponta.
Pode usar-se o sautoir no dia a dia?
Sim. Para o uso diário escolhe uma corrente resistente de comprimento médio e um final leve e discreto. Esse sautoir repousa bem sobre uma gola alta, uma camisa ou um vestido simples e não estorva. Os modelos pesados de noite com borlas grandes é melhor reservá-los para ocasiões especiais.
O sautoir assenta bem às mulheres baixas?
Sim, e especialmente bem. Uma linha vertical comprida alonga visualmente a silhueta e soma altura. Às baixas convém escolher um comprimento até à cintura, não até às ancas, para que as proporções fiquem harmoniosas, e usar o sautoir com fio reto sobre roupa lisa para o máximo efeito alongador.
Como usar o sautoir com muito peito?
Escolhe um comprimento em que o acento do sautoir termine bem por baixo da linha do peito, para que a vertical não se fragmente. Um decote profundo em vê e um fio reto ajudam a esticar a linha. Evita a volta dupla curta, que recolhe a peça na zona do peito e soma volume visual onde não faz falta.
Pode atar-se o sautoir num nó?
Sim, o nó é um recurso clássico dos anos vinte. Faz um nó frouxo, não apertado, e só num fio ou corrente resistente. As pérolas e as missangas finas não convém atá-las: o roço gasta depressa o fio e danifica o revestimento das pérolas. Para o nó vai melhor uma corrente de metal resistente.
Como cuidar da borla do sautoir?
A borla não se deve amarrotar nem guardar sob pressão. Depois do uso, alisa-a com os dedos e deixa-a pender livre. Protege a borla têxtil da humidade e do perfume; limpa com suavidade a de metal ou missangas com um pano macio. A seda desfiada pode vaporizar-se ligeiramente a distância, sem a tocar diretamente com o vapor.
Sautoir e sobreposição são o mesmo?
Não. O sautoir é um tipo concreto de colar comprido, ao passo que a sobreposição é uma forma de usar juntas várias joias de comprimento diferente. O sautoir costuma ser o nível inferior, o mais comprido, de uma composição sobreposta, mas funciona às mil maravilhas por si só, com um único fio.
Compõe a tua vertical
Um fio comprido com um acento na ponta estiliza a silhueta, repousa sobre a malha e reúne um visual sobreposto. Escolhe um sautoir e colares curtos que apoiem o seu comprimento.
Ver as joiasÉ para oferecer? Cada peça chega pronta a entregar.
Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Sobre a Zevira
A Zevira faz joias que se usam, não que se escondem no guarda-joias. Gostamos das peças com linha comprida e carácter: fios compridos, medalhões, pendentes que se tornam o centro do visual e passam de uma geração à seguinte. Para nós o sautoir é sobre a vertical, sobre o movimento e sobre a capacidade de um só fio mudar uma silhueta. O catálogo reúne correntes, pendentes e conjuntos com que é fácil armar a tua própria composição sobreposta, de uma serena de dia a uma expressiva de noite, e quase cada uma delas a montarás a teu gosto sem a ajuda de um estilista.



































