
O unicórnio na joalharia: o corno mais caro do que o ouro, o narval no lugar da magia e porque este animal voltou a estar em todo o lado
Na Europa medieval, por um "corno de unicórnio" pagava-se dez vezes mais do que pelo mesmo peso em ouro. Reduziam-no a pó e misturavam-no no vinho dos monarcas, convencidos de que neutralizava qualquer veneno. Com ele talhavam-se taças e remates de ceptros. Só que o animal cujo corno se guardava com tanto zelo nos tesouros reais nunca existiu. Aquilo que se vendia como alicórnio era a presa do narval, uma baleia do Árctico capturada ao largo da Gronelândia.
Esse embuste manteve-se durante séculos, e nele está toda a essência do unicórnio enquanto símbolo. Um animal que ninguém viu tornou-se uma das imagens mais resistentes da cultura ocidental. Os historiadores gregos descreveram-no como um animal real da Índia. Entrou na Bíblia por um erro de tradução. Tornou-se o brasão de todo um reino. Transformaram-no em alegoria de Cristo e em emblema da pureza feminina. E nos nossos dias voltou com reflexos de arco-íris, em pendentes de criança e anéis de adulto, e por alguma razão toda a gente o percebe de imediato, sem explicações.
Este artigo trata de como um animal inexistente percorreu o caminho desde o "burro selvagem" da Índia até ao pendente nacarado, do que significa na verdade, de que pedras dão essa paleta de arco-íris e a quem assenta mesmo bem uma joia assim.
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O que é o unicórnio e como surge numa joia
De onde vem a imagem: cavalo, cabra, narval
O unicórnio que temos na cabeça, um cavalo branco com um corno em espiral na testa, é uma montagem tardia feita a partir de várias fontes. Os autores da Antiguidade descreviam um animal do tamanho de um cavalo, mas com cascos fendidos, barba de cabra e cauda de javali ou de leão. O corpo de cavalo colou-se à imagem já na Baixa Idade Média. O corno retorcido como um saca-rolhas veio directamente do narval: foi justamente a forma em espiral da sua presa que fixou o cânone do alicórnio "correcto". Portanto, a imagem do unicórnio é uma colagem: cabeça e corpo de cavalo, patas e barba de cabra, corno de baleia árctica. Não reproduz nenhum destes animais em separado.
Como o unicórnio chega à joalharia
Numa joia o unicórnio vive em vários formatos reconhecíveis. O clássico perfil da cabeça com a crina ao vento e o corno, em geral em forma de pendente. A figura completa do cavalo a galopar ou empinado, mais frequente em pendentes grandes e broches. A silhueta minimalista, reduzida ao contorno da cabeça com um único corno, para fios finos e brincos pequenos. E à parte está o próprio corno como motivo autónomo: uma forma alongada e em espiral, sem o animal, sóbria e para adultos. O mais habitual é fazer o unicórnio em prata de lei com esmalte ou com acabamento iridescente, e com menos frequência em ouro com pedras de cor.
Em que se distingue o unicórnio de um simples cavalo na joalharia
O cavalo como motivo joalheiro existe há milhares de anos e lê-se de forma muito diferente: força, velocidade, nobreza, estatuto do cavaleiro. O unicórnio toma a graça corporal do cavalo, mas inverte o sentido. O cavalo é terreno, de trabalho, de guerra ou de corrida. O unicórnio é de outro mundo, impossível de montar e de atrelar. Por isso na joalharia quase nunca se representa o unicórnio com arreios, sela ou cavaleiro, ao passo que o cavalo sim. O unicórnio anda sempre sozinho, livre, e é justamente essa condição indomável que se lê como parte da sua magia.
Porque o corno importa mais do que o próprio animal
Se lhe tirarmos o corno, fica apenas um cavalo. Todo o sentido assenta num único pormenor, e é um caso raro no simbolismo animal em que o importante da imagem não é o animal, mas a sua anomalia. O corno é o que torna mágico, único e invulnerável um cavalo qualquer. Por isso nas joias o corno é quase sempre realçado: dourado, destacado com esmalte de contraste, tornado nacarado ou composto com pedras pequenas. Um pendente de unicórnio em que o corno se perde é considerado falhado: nele desaparece a própria ideia.
História do unicórnio: de Ctésias ao brasão real
A imagem do unicórnio não nasceu de repente. Foi-se compondo ao longo de quase dois mil e quinhentos anos, e cada época lhe acrescentou a sua camada de sentido. Vamos percorrer essas camadas uma a uma, porque delas se compõe tudo o que hoje colocamos numa pequena figura pendurada num fio.
Ctésias e Plínio: o unicórnio como animal real
A primeira descrição pormenorizada deixou-a o médico grego Ctésias de Cnido por volta do ano 400 antes da nossa era. Servia na corte persa e recolhia relatos sobre a Índia, um país que ele próprio nunca viu. Ctésias escrevia sobre "burros selvagens" do tamanho de um cavalo, de corpo branco, cabeça vermelho-escura e um único corno na testa, branco na base, negro no meio e vermelhão na ponta. Uma taça feita com esse corno, segundo ele, protegia dos venenos e das convulsões. O mais provável é que na sua descrição se misturassem o rinoceronte indiano, o órix de perfil e boatos sobre animais raros.
Quatro séculos depois, o naturalista romano Plínio, o Velho, repetiu o relato na sua "História Natural" e acrescentou que era impossível capturar o unicórnio vivo. Esse pormenor, o ser inalcançável, revelou-se o mais importante de tudo. O animal é raro, mas a questão não está na raridade: é que, em princípio, não se lhe pode deitar a mão à força. Daí brotará mais tarde toda a lenda da caçada.
O reém bíblico: um erro de tradução que criou um monstro
No texto hebraico do Antigo Testamento aparece várias vezes a palavra "reém", que designava um touro selvagem, o poderoso e indómito auroque. Quando, no século III antes da nossa era, se traduziu a Bíblia para grego, para "reém" escolheu-se a palavra "monóceros", o de um só corno. A Vulgata latina fixou-o como "unicornis". Assim, o touro tornou-se unicórnio dentro do próprio texto sagrado. O leitor medieval encontrava o unicórnio nos salmos e no livro de Job e não duvidava da sua realidade: se está nas Escrituras, é porque existe. Aquele acaso do tradutor deu ao unicórnio um peso teológico que nenhum outro animal fabuloso teve.
Os bestiários medievais e a lenda da caçada
Nos bestiários medievais, aquelas colectâneas de animais com interpretações morais, o unicórnio ocupou um lugar de honra. Foi ali que ganhou forma a célebre lenda da caçada. O unicórnio não pode ser vencido pela força, é feroz e veloz, o seu corno atravessa o caçador de lado a lado. Mas há um ardil: se se levar ao bosque uma donzela jovem, o unicórnio aproxima-se dela por si próprio, apoia a cabeça no seu colo e adormece. Então os caçadores saem do esconderijo e matam o animal adormecido.
Esta cena tornou-se um dos temas mais reproduzidos da arte medieval. No plano quotidiano lia-se ao mesmo tempo como advertência e como poesia: até a criatura mais indómita fica indefesa perante a pureza. No plano teológico tinha um duplo fundo, de que falaremos mais abaixo.
As tapeçarias "A dama e o unicórnio" e "A caça do unicórnio"
Duas séries de tapeçarias de finais do século XV fixaram a imagem do unicórnio na arte maior. A primeira, "A dama e o unicórnio", são seis tapeçarias, cinco delas dedicadas aos cinco sentidos e a sexta com a enigmática inscrição "Ao meu único desejo". Em cada pano surge uma dama rodeada por um leão e um unicórnio, sobre um campo vermelho florido com mil plantas e animais. As interpretações da sexta tapeçaria são às dezenas, e ainda não há uma única.
A segunda série, "A caça do unicórnio", são sete tapeçarias em que o animal é rastreado, cercado e morto, e no último pano aparece vivo e deitado em calma dentro de uma cerca redonda entre flores, preso por uma corrente leve a uma árvore. Esse final lê-se tanto como alegoria da ressurreição de Cristo como símbolo do matrimónio: o animal domado junto à vedação é o esposo que encontrou sossego. Ambas as séries marcaram essa nota visual que os joalheiros ainda hoje usam: o unicórnio entre flores, branco sobre fundo vivo, delicado e intocável.
A alegoria cristã: o unicórnio como Cristo
Os teólogos medievais leram a lenda da caçada como a história da encarnação. O unicórnio inalcançável é Cristo, a donzela é Maria, o corno é a unidade do Pai e do Filho, a caça e a morte do animal são a crucificação. Aquilo que começou como um conto de caçadores transformou-se numa pregação cifrada. Por isso o unicórnio aparece com tanta frequência em objectos religiosos da Baixa Idade Média, em relicários, na miniatura dos livros, no entalhe das igrejas. Para uma pessoa de hoje é uma reviravolta inesperada: o meigo pónei de arco-íris foi outrora um símbolo sério do divino.
O unicórnio escocês: brasão de todo um país
A vida heráldica mais conhecida do unicórnio está ligada à Escócia. Desde o século XV tornou-se símbolo real dos monarcas escoceses. Escolheu-se o unicórnio porque na heráldica medieval era tido como o animal mais orgulhoso e indómito, que só se pode segurar com uma corrente de ouro. No escudo real o unicórnio aparece sempre acorrentado: é ao mesmo tempo sinal de que só o poder real é capaz de o domar e uma velha alusão à natureza selvagem e livre submetida à coroa.
Após a união das coroas de Inglaterra e da Escócia no início do século XVII, os brasões juntaram-se: de um lado o escudo é sustentado pelo leão inglês, do outro pelo unicórnio escocês. Dois rivais heráldicos, o leão e o unicórnio, que no folclore lutam eternamente pela coroa, acabaram nos dois lados de um mesmo escudo. O unicórnio escocês continua a ser um símbolo nacional vivo, e as joias com a sua figura são populares como marca de identidade escocesa.
O qilin chinês: parente distante
No outro extremo da Eurásia existia um animal de um só corno próprio, o qilin. É muitas vezes chamado "unicórnio chinês", embora o seu aspecto seja diferente: corpo escamoso, cascos, por vezes cabeça de dragão, um ou dois cornos. O qilin é um bom augúrio. Segundo a lenda, aparece no nascimento ou na morte de um grande sábio e nunca pisa a erva viva para não a danificar, nem come seres vivos. É manso, justo, traz filhos e prosperidade. Não há parentesco directo entre o unicórnio europeu e o qilin, são imagens independentes, mas fazem um eco surpreendente: ambos têm um só corno, ambos são símbolos de pureza e de um bem escasso, ambos encarnam a ideia de que a verdadeira força pode ser serena. Nas joias da tradição da Ásia oriental o qilin é um motivo apreciado por si próprio, sobretudo como desejo de que chegue um filho.
Um só corno de prata diz mais do que um arco-íris de purpurina. A bijutaria de má qualidade, deixa-a para a festa de anos da criança.
Como usar o unicórnio
Pelas minhas mãos o unicórnio passou em dezenas de versões, desde brincos de criança até um corno de ouro sério. Reúno aqui o que funciona mesmo, consoante a ocasião.
Arco-íris ou sóbrio: o que escolho? Olho para a idade e para o que a pessoa quer dizer. A uma criança ou a um adolescente recomendo esmalte de arco-íris, opala, titânio anodizado: aí o reflexo está no seu lugar. A um adulto aconselho afastar-se do conto e aproximar-se de um só corno retorcido ou de uma silhueta de cabeça limpa em prata ou em ouro. O corno de arco-íris anuncia-se aos gritos, o sóbrio fala baixo e lê-se como mais caro.
Sobre que fundo vai o reflexo? O unicórnio de arco-íris é um acento vivo, por isso escolho-lhe um fundo tranquilo: roupa lisa, um mínimo de outras joias. Junto a um tecido garrido o reflexo perde-se, e isso não permito. Um top claro realça a opala e o esmalte, um escuro transforma o corno no ponto principal do conjunto.
Que comprimento uso consoante o decote? Recomendo o pendente de unicórnio em fio curto ou médio, de 42 a 55 cm, para que a figura caia sobre a clavícula, onde se vê. Sob um decote em V o corno cai mesmo ao centro. Sob um top fechado e alto aconselho um fio mais curto, para que o unicórnio assente sobre o tecido e não se afunde por baixo do gola.
Com o que o combino num conjunto? Ao unicórnio caso-o de bom grado com motivos lunares e celestes: lua, estrelas, cristais, flores. Com a opala e a pedra da lua compõe uma linha lunar e de arco-íris serena. Um leão, esse, não o ponho ao lado por acaso: um leão com um unicórnio já é heráldica britânica, e essa vizinhança deve ser deliberada, não casual.
O que assenta ao corno sozinho? O motivo de um só corno retorcido é o mais flexível de todos. Fica igualmente bem numa gargantilha curta e num fio comprido, nunca parece infantil e entra em qualquer conjunto de dia a dia. A um adulto atraído pela ideia de liberdade e da sua própria diferença proponho quase sempre o corno e não a figura inteira.

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O que simboliza o unicórnio
A história deu ao unicórnio um conjunto denso de significados. Não se anulam uns aos outros, sobrepõem-se antes, e quem usa a joia costuma escolher um ou dois sentidos próximos de si.
Pureza e inocência
O sentido principal e mais estável, nascido da lenda da caçada. O unicórnio só se aproxima de um coração puro, e por isso tornou-se emblema da pureza, da inocência, do imaculado. Neste significado o unicórnio oferece-se muitas vezes em baptizados, primeiras comunhões e a raparigas jovens. Não fala de ingenuidade, mas da capacidade preservada de confiar e de continuar a ser quem se é.
Magia e encantamento
Uma camada contemporânea, mas apoiada na antiga condição inalcançável do animal. O unicórnio é a própria ideia do prodigioso, do que escapa ao quotidiano. Quem usa uma joia assim costuma depositar nela a ideia de acreditar no impossível, do direito a sonhar, de que na vida há lugar para o inexplicável. A paleta de arco-íris das joias trabalha justamente para este sentido.
Cura e protecção
Herança directa da lenda do alicórnio como antídoto. Durante séculos o corno do unicórnio foi tido por remédio universal e amuleto contra o veneno e a doença. Na joia actual esta camada soa como um amuleto silencioso de saúde e de protecção contra o mal, sem se acreditar literalmente no corno mágico. O unicórnio, neste sentido, convive com outros motivos protectores, de que falamos no guia sobre amuletos, talismãs e objectos de protecção.
Independência e liberdade
A camada heráldica, que vem do brasão escocês. O unicórnio é o animal que não se pode domesticar pela força, que se submete apenas por sua própria vontade. Neste significado a joia lê-se como sinal de liberdade interior, de orgulho, de fidelidade a si mesmo. Esse sentido está mais perto do público adulto e combina bem com o motivo sóbrio de um só corno, sem o cenário de conto.
Singularidade e diferença
O sentido mais recente, surgido da expressão "ser um unicórnio", ou seja, único na sua espécie. O unicórnio tornou-se emblema da diferença, do direito a não ser igual, do que é próprio e particular. Esta camada explica porque a imagem calou tão fundo na nova geração: permite dizer "não sou como os outros" de forma suave e bonita, sem desafio.
Poder e dignidade
A camada heráldica dá ao unicórnio outro sentido que muitas vezes passa despercebido: dignidade, realeza, nobreza. O animal tornado símbolo do poder real da Escócia carregava a ideia da alta linhagem e da honra. Na joia esta camada lê-se quando o unicórnio se faz de forma severa, sem conto, em prata fria ou em ouro, com o acento posto no porte orgulhoso da cabeça. Esse unicórnio está mais perto do brasão do que do arco-íris, e é escolhido por quem valoriza uma nota de nobreza contida.
O feminino e a fecundidade
No simbolismo medieval e renascentista o unicórnio está estreitamente unido à donzela, e através dela ao feminino, à castidade e, ao mesmo tempo, ao tema do matrimónio e da fecundidade. A cena em que o animal apoia a cabeça no colo da jovem lia-se como voto de fidelidade e como promessa de união futura. Nos objectos nupciais do Renascimento o unicórnio aparecia como desejo de um casamento puro e fecundo. Esse sentido feminino e suave explica em boa parte porque hoje o unicórnio se vê mais em joias femininas e de criança do que masculinas.
Opiniões de clientes
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O corno-alicórnio e a grande fraude do narval
Um remédio mais caro do que o ouro
No Renascimento, o "corno de unicórnio", ou alicórnio, foi uma das mercadorias mais caras da Europa. Possuíam-no papas, imperadores e boticas de cidades ricas. Acreditava-se que o alicórnio suava ou mudava de cor perto do veneno, neutralizava a peçonha no vinho, curava a peste, a epilepsia e as mordeduras de serpente. Os monarcas, que temiam mesmo ser envenenados, tinham taças e talheres de alicórnio e pagavam uma fortuna por uma pitada de pó.
De onde vinham os "cornos"
Não havia nenhum unicórnio, claro está. Sob o nome de alicórnio vendia-se a presa do narval, uma pequena baleia do Árctico. Nos machos do narval a presa esquerda cresce formando um dente recto, em espiral perfeita, de até três metros de comprimento. Foi justamente essa forma em espiral que se converteu no aspecto canónico do corno do unicórnio. As presas eram capturadas ao largo da Gronelândia e do norte da Escandinávia, levadas para sul e vendidas como um tesouro, ocultando com cuidado a sua origem. O célebre "trono de cornos de unicórnio" dos reis da Dinamarca está montado por inteiro com presas de narval.
Como se verificava a autenticidade do alicórnio
Como o preço era enorme, existia toda uma prática de "verificação" do corno. Acreditava-se que o alicórnio autêntico suava perto do veneno, fazia ferver a água em que se mergulhava ou provocava que a bebida envenenada borbulhasse. As aranhas e os escorpiões colocados dentro de um círculo traçado com alicórnio não conseguiam, segundo a crença, sair dele. Os boticários mostravam estas "experiências" aos compradores, e cada truque bem-sucedido subia o preço. No fundo, estamos perante um dos primeiros mercados documentados de falsificação de luxo, onde a fé no prodígio se sustentava com teatro e não com verificação.
Quando o embuste foi descoberto
Por volta do século XVII os naturalistas começaram a relacionar em público o alicórnio com o narval, e pouco a pouco a fé no corno prodigioso desmoronou-se. Mas a imagem já era então tão forte que o desmentido sobre a realidade do animal não a tocou. O unicórnio deixou de ser uma mercadoria de botica, mas continuou a ser símbolo, e nessa condição chegou aos nossos dias. Se quiser uma resposta curta à pergunta de se existiu o corno do unicórnio: sim, existiu, só que era um dente de baleia.
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Porque o unicórnio voltou a estar em todo o lado
O regresso através da cultura infantil
A imagem voltou à vida quotidiana sobretudo através dos produtos para crianças e da ilustração. O unicórnio revelou-se um símbolo infantil ideal: bom, nada assustador, vivo, ligado à magia e, ao mesmo tempo, sem agressividade, ao contrário dos dragões ou dos predadores. Dos livros e brinquedos infantis passou para a roupa, para a papelaria e, claro, para as joias. Para toda uma geração o unicórnio foi o primeiro animal "mágico", e essa associação calorosa ficou com eles na idade adulta.
O unicórnio de arco-íris e o direito a ser quem se é
Em paralelo, o unicórnio tornou-se símbolo da diferença e da aceitação de si mesmo. A paleta de arco-íris, já fundida com a imagem, acrescentou-lhe o sentido de abertura e diversidade. "Ser um unicórnio" entrou na fala como metáfora de algo raro e valioso: um profissional único, uma sorte rara, uma pessoa que não é como as demais. Essa camada de sentido tirou o unicórnio da zona puramente infantil para a adulta, e hoje uma joia assim é usada por pessoas de qualquer idade.
A estética do brilho e dos reflexos
Por último, uma razão puramente visual. A moda joalheira actual adora a madrepérola, a opala e os efeitos holográficos e iridescentes, e o unicórnio é uma imagem criada literalmente para essa paleta. Corno de arco-íris, crina nacarada, olho de opala: o animal dá ao designer o pretexto para reunir tudo o que brilha num só objecto. Assim, o símbolo e o material encontraram-se.
A nostalgia do prodigioso como motor silencioso da moda
Debaixo de todas as razões enumeradas há outra, menos evidente. Quanto mais racional e calculada se torna a vida diária, mais forte é a atracção pelas imagens que permitem acreditar no inexplicável. O unicórnio é uma maneira educada de guardar consigo um pedaço de conto sem renunciar à idade adulta. Não exige rituais, não obriga ao esoterismo, não parece superstição. Um pequeno corno num fio é um lembrete compacto de que nem tudo na vida tem de ser útil e explicável, e essa função silenciosa é, talvez, o que mantém a imagem à tona com mais firmeza do que qualquer moda.
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Paleta de arco-íris e madrepérola: que materiais a conseguem
O traço visual principal do unicórnio actual são os reflexos. Podem obter-se de várias maneiras, e cada uma soa à sua maneira e custa de forma diferente. Vejamos as principais.
A opala: arco-íris natural em pedra
A opala é uma pedra dentro da qual a luz se decompõe no espectro, dando o célebre jogo de cor. Nenhuma outra pedra natural transmite a ideia de "arco-íris num só objecto" com tanta exactidão. Nas joias com unicórnio a opala coloca-se quase sempre como olho do animal, como coração da flor que tem ao lado ou como engaste no corno. A opala pode ser nobre e cara ou sintética e acessível, ambas dão reflexos. Desta pedra e do seu jogo de cor falamos em detalhe no artigo sobre a opala e o seu brilho de arco-íris.
A pedra da lua: um resplendor leitoso e frio
A pedra da lua não dá arco-íris, mas um suave resplendor azulado e branco que desliza pela superfície ao incliná-la. Esse fulgor chama-se adularescência. Para o unicórnio, a pedra da lua fala de uma magia lunar e silenciosa, de um devaneio nocturno, não de uma festa vistosa. Escolhe-se quando se quer uma versão contida e "adulta" da joia mágica. Sobre as propriedades e os tipos desta pedra há um guia à parte dedicado à pedra da lua e o seu significado.
A madrepérola: um brilho quente e de seda
A madrepérola é a camada interna da concha, que dá um suave fulgor branco e iridescente. Com ela reveste-se muitas vezes o corpo ou a crina do unicórnio, obtendo-se um efeito de brilho vivo e sedoso. A madrepérola é mais quente do que a opala e mais serena, não grita, brilha antes por dentro. Combina bem com a prata e o ouro, e dá à joia um ar caro e delicado.
O esmalte de arco-íris e o esmalte a fogo
O esmalte é um revestimento vítreo que se funde sobre o metal. Com esmalte de cor compõe-se a crina e o corno por segmentos, obtendo-se uma transição limpa de arco-íris. O esmalte a fogo dá uma cor profunda, intensa e duradoura; o esmalte a frio é mais simples e barato, mas menos resistente. O esmalte pede cuidado ao usá-lo, porque teme os golpes e os abrasivos. De como cuidar das joias esmaltadas falamos num artigo à parte sobre o esmalte e o seu cuidado.
Titânio anodizado e acabamentos holográficos
A forma mais actual de conseguir arco-íris sobre metal é a anodização do titânio. Ao tratá-lo com corrente, sobre a superfície do titânio cresce uma finíssima película de óxido e, consoante a sua espessura, o metal irisa em azul, violeta, dourado, verde. Aqui a cor não é pintura, mas um efeito óptico da própria superfície, por isso não se apaga como um revestimento. Os banhos holográficos e iridescentes sobre aço ou prata dão um reflexo de arco-íris parecido de forma mais económica. Para o corno do unicórnio, estas tecnologias dão esse reflexo "de néon" de que a nova geração tanto gosta.
Pedras de cor como acento
Além dos materiais iridescentes, o unicórnio anima-se muitas vezes com pedras de cor pontuais. Uma pequena pedra rosa ou lilás no olho ou no corno acrescenta-lhe um ar de conto sem transformar toda a joia num arco-íris. As zircónias e os espinélios sintéticos dão uma cor limpa e intensa a preço acessível; as safiras e as ametistas naturais soam mais caras e mais serenas. Esse recurso vai bem quando se procura uma insinuação de magia e não um reflexo completo: uma só pedra faz o trabalho de toda uma paleta.
Quanto custa, por sensação
O leque de preços é enorme e depende quase por completo do material do corno e das pedras. Um unicórnio de prata com esmalte a frio e uma pedra sintética é uma compra ao nível de um bom jantar num café. A prata com esmalte a fogo e uma opala sintética de qualidade está mais perto do preço de um bilhete para um concerto. Um unicórnio de ouro com opala ou pedra da lua naturais e pormenores anodizados já é uma prenda para uma data importante, comparável a um fim de semana de escapadela curta. A própria forma do animal quase não influi no preço, tudo o decidem as pedras e o metal.
Prata e ouro simples, sem reflexos
Nem todo o unicórnio tem de ser de arco-íris. Um unicórnio sóbrio de prata ou de ouro, sobretudo em forma de um só corno em espiral ou de uma silhueta limpa da cabeça, vê-se contido e adulto. Essa versão é escolhida por quem se sente próximo do sentido heráldico ou mitológico, e não da estética de conto. A prata de lei é aqui o ideal: aguenta o pormenor do corno e renova-se com facilidade ao limpá-la.
Joias com unicórnio para crianças e para adultos
O unicórnio para uma criança
É um dos motivos infantis mais conseguidos. A imagem é boa, reconhecível, sem associações que assustem, ligada à magia e ao sonho. Um pendente de prata com unicórnio num fio de criança, os brincos pequenos em forma de unicórnio, uma pulseira com um berloque de corno são prendas frequentes de aniversário, baptizado ou primeiro ano da escola. Para os mais pequenos escolhem-se versões sem peças pequenas desmontáveis e sem a ponta afiada do corno. O esmalte de arco-íris e o olho de opala tornam uma joia assim especialmente desejada pela criança.
O unicórnio para um adolescente
Na adolescência o unicórnio lê-se já como sinal de diferença e de expressão pessoal. Aqui funcionam bem os pendentes vivos de arco-íris, o titânio anodizado, os efeitos holográficos, a combinação do unicórnio com outros símbolos num conjunto. Os adolescentes gostam que a joia diga algo sobre eles, e "ser um unicórnio" no sentido de "ser quem se é" é uma mensagem que percebem bem.
O unicórnio para um adulto
A leitura adulta é mais subtil. Aqui abandona-se o conto infantil a favor da sobriedade e do material. Um corno em espiral de ouro, uma silhueta minimalista da cabeça, um unicórnio com pedra da lua ou com opala nobre, o unicórnio heráldico escocês de prata. Essa imagem usa-se como sinal de liberdade interior, de fé no prodigioso, de fidelidade à própria diferença. O unicórnio adulto não fala do tema infantil, mas da capacidade preservada de sonhar, envolvida num design contido.
Formatos de joia
O unicórnio vive em quase qualquer formato joalheiro. O pendente é a opção mais versátil, desde uma silhueta diminuta até uma figura grande. Os brincos com cabeça de unicórnio ou os pendentes aos pares. O anel com a cabeça em relevo ou com um corno engastado. A pulseira com berloque de unicórnio ou de corno. O broche, sobretudo em registo vintage e heráldico. À parte está o motivo de um só corno, que se vê mais actual e mais adulto do que a figura inteira.
O unicórnio como prenda: para que ocasiões encaixa
Este motivo é cómodo para oferecer, porque tem um significado suave e seguro, sem sentidos cortantes. À criança oferece-se no aniversário, no baptizado ou no primeiro ano da escola. Ao adolescente como sinal de apoio à sua diferença e ao seu direito a ser quem é. A uma mulher adulta como desejo de conservar a fé no prodigioso ou como joia lunar e de arco-íris à medida do seu gosto pelos reflexos. A um apreciador da cultura escocesa como marca heráldica. O unicórnio quase nunca se lê como uma prenda inadequada ou ofensiva, e nisso está a sua força: é difícil errar com ele se se conhecer o gosto da pessoa pela estética de conto ou, ao contrário, pela sóbria.
Motivos a par e de família
O unicórnio funciona bem também em registo de par. A mãe e a cria num mesmo pendente lêem-se como amuleto de família. Dois unicórnios a olhar um para o outro compõem uma marca romântica de casal. E o motivo de um só corno divide-se com facilidade num par de joias iguais para pessoas próximas. O tema do par e de como funcionam os símbolos em conjuntos tratamo-lo em detalhe no guia sobre os anéis de protecção e o seu significado.
Cuidado da joia com unicórnio
O cuidado depende do material, e aqui há umas quantas regras simples. O unicórnio de prata limpa-se com um pano macio ou com uma flanela própria para a prata; as zonas oxidadas tocam-se apenas pelos relevos, para não apagar o escurecido dos recessos do corno e da crina. O esmalte não tolera os abrasivos, os ácidos nem os golpes: basta limpá-lo com um pano macio ligeiramente húmido e secá-lo de imediato. A opala e a pedra da lua são pedras moles e sensíveis, protegem-se dos golpes, das mudanças bruscas de temperatura e do contacto prolongado com a água e a química, por isso as joias com opala tiram-se antes do duche, da piscina e do desporto. A madrepérola também não tolera os cosméticos, o perfume nem o cloro. O titânio anodizado e os acabamentos holográficos são mais resistentes, mas também os prejudica o polimento brusco, capaz de riscar a película óptica. A regra geral é simples: tirar a joia antes do duche, da natação, do desporto e de pôr perfume, e guardá-la à parte das outras peças, para que o corno e o esmalte não se risquem.
Factos que surpreendem
O corno do unicórnio é um dente. A forma canónica em espiral do corno está copiada por inteiro da presa do narval, e a presa do narval é, a rigor, um canino esquerdo sobredimensionado que cresce atravessando o lábio superior do macho. O "corno" mais caro da história era um dente.
O unicórnio entrou na Bíblia por erro. A antiga palavra hebraica "reém" designava o touro selvagem, o auroque. Os tradutores gregos e latinos passaram-na como "o de um só corno", e assim apareceu no texto sagrado um animal que ali não fora concebido.
O unicórnio escocês é sempre desenhado acorrentado. No brasão está preso por uma corrente de ouro, porque na heráldica era tido por tão selvagem e orgulhoso que só o poder real era capaz de o segurar.
O leão e o unicórnio são inimigos no folclore. Uma velha rima inglesa descreve a sua eterna batalha pela coroa. No brasão unido da Grã-Bretanha acabaram nos dois lados de um mesmo escudo, e essa "amizade de inimigos" forçada chegou aos nossos dias.
O trono dinamarquês é feito de "cornos de unicórnio". O trono de coroação dos reis da Dinamarca é feito de presas de narval, que outrora eram tidas por alicórnios autênticos e valorizadas como o maior dos tesouros.
O qilin não pisa a erva. O animal chinês de um só corno, parente distante pelo sentido do unicórnio, é segundo a lenda tão manso que não esmaga a erva viva nem come seres vivos, para não causar dano a ninguém.
O unicórnio foi um símbolo cristão sério. O meigo pónei de arco-íris foi na Idade Média uma alegoria cifrada de Cristo, e a cena da sua caça lia-se como a história da crucificação e da ressurreição.
O órix de perfil parece de um só corno. Um órix, antílope com dois longos cornos rectos, visto de lado toma-se com facilidade por um animal de um só corno, e essa ilusão óptica talvez tenha alimentado os antigos relatos sobre um unicórnio real.
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Perguntas frequentes
O unicórnio existiu mesmo?
Como espécie biológica não, o unicórnio nunca existiu. Mas a imagem está composta com pormenores reais: corpo de cavalo, barba de cabra e, sobretudo, um corno em espiral copiado por inteiro da presa do narval, a baleia do Árctico. As antigas descrições do unicórnio como animal real nasceram, o mais provável, de uma confusão com o rinoceronte, o órix de perfil e os boatos sobre animais raros da Índia. Portanto, o unicórnio não existiu, mas cada uma das suas partes tem um modelo real.
O que se vendia na verdade como "corno de unicórnio"?
A presa do narval. Nos machos desta baleia do Árctico a presa esquerda cresce formando um dente longo, recto e em espiral de até três metros. Foi justamente essa forma em espiral que se converteu no aspecto canónico do corno do unicórnio. No Renascimento essas presas traziam-se do norte e vendiam-se como alicórnio, remédio contra venenos e doenças, mais caro do que o ouro, ocultando com cuidado a origem. Quando os naturalistas relacionaram o alicórnio com o narval, a fé no corno prodigioso desmoronou-se, mas o símbolo permaneceu.
O que simboliza o unicórnio numa joia?
Várias coisas ao mesmo tempo, e quem a usa escolhe o sentido mais próximo de si. A pureza e a inocência, que é o significado mais antigo, da lenda da caçada. A magia e a fé no prodigioso. A cura e a protecção, herança da lenda do corno-antídoto. A independência e a liberdade, da imagem heráldica escocesa do animal indómito. E a singularidade, o direito a não ser como os outros, que é a camada mais actual, surgida da expressão "ser um unicórnio".
O unicórnio é só um símbolo infantil?
Não. Tem uma leitura infantil, e é muito popular, mas a adulta também é forte. O unicórnio adulto afasta-se do conto para um design sóbrio: corno em espiral de ouro, silhueta minimalista, pedra da lua ou opala nobre, o unicórnio heráldico escocês. Nessa versão lê-se como sinal de liberdade interior e da capacidade preservada de sonhar, sem nada de infantil.
Que pedras e materiais dão o efeito de arco-íris?
A opala, dentro da qual a luz se decompõe no espectro, é o "arco-íris em pedra" mais exacto. A pedra da lua dá um suave resplendor azulado e branco. A madrepérola dá um brilho quente e de seda. O esmalte de arco-íris e a fogo compõe uma transição limpa de cor sobre o metal. E o titânio anodizado irisa em azul, violeta e dourado graças à película óptica da sua superfície, e essa cor não se apaga como a pintura. Para o corno do unicórnio usam-se com mais frequência o esmalte, a madrepérola ou a anodização.
Pode oferecer-se um unicórnio a uma criança?
Sim, é um dos motivos infantis mais conseguidos: bom, reconhecível, sem associações que assustem, ligado à magia. Um pendente de prata, uns brincos pequenos ou uma pulseira com unicórnio são uma prenda frequente de aniversário, baptizado ou primeiro ano da escola. A única ressalva prática: para os mais pequenos escolhem-se peças sem peças pequenas desmontáveis e sem a ponta afiada do corno, por segurança. Para as crianças mais crescidas não há limitações.
O que é o qilin e tem relação com o unicórnio?
O qilin é o animal chinês de um só corno a que por vezes se chama "unicórnio chinês". O seu aspecto é diferente: corpo escamoso, cascos, por vezes cabeça de dragão. Não há parentesco directo com o unicórnio europeu, são imagens independentes, mas fazem eco: ambos têm um só corno, ambos são símbolos de pureza e de um bem escasso, ambos encarnam a ideia de que a verdadeira força pode ser serena. O qilin traz filhos e prosperidade, e nas joias da tradição da Ásia oriental é um motivo apreciado por si próprio.
Como cuidar de uma joia com unicórnio e opala ou esmalte?
A opala e a pedra da lua são moles e sensíveis, protegem-se dos golpes, das mudanças de temperatura e do contacto prolongado com a água e a química, por isso essas joias tiram-se antes do duche, da piscina e do desporto. O esmalte teme os abrasivos, os ácidos e os golpes, limpa-se com um pano macio ligeiramente húmido e seca-se de imediato. A prata limpa-se com uma flanela macia; as zonas oxidadas tocam-se apenas pelos relevos. O titânio anodizado é mais resistente, mas também o prejudica o polimento brusco. A regra geral: tirá-la antes da água, do desporto e do perfume, e guardá-la à parte das outras peças.
Prata, ouro, simbologia, pedras iridescentes e motivos mágicos.
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Na Zevira, inspiramo-nos na herança joalheira de Albacete, Espanha. Os motivos com unicórnio, corno-alicórnio e pedras iridescentes fazem parte da nossa linha de joalharia mágica e simbólica. As peças disponíveis e os pormenores encontra-os no catálogo.






























