
Veles nas joias: o deus do gado e da riqueza, o Selo de Veles e a marca do senhor do submundo
Nos tratados antigos, os príncipes da Rússia juravam por dois deuses ao mesmo tempo: pelas armas de Perun e pelo gado de Veles. Perun respondia pela palavra do guerreiro, Veles pela prosperidade, pelo comércio e pela firmeza do pacto. Quem quebrasse um juramento feito em nome de Veles ficaria amarelo como o ouro e cairia na pobreza. Hoje a marca deste deus volta a ser gravada num pendente de prata.
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Quem é Veles
Veles é um dos deuses principais do panteão eslavo, patrono do gado, da riqueza, do comércio, da sabedoria e senhor do mundo inferior, o submundo. Chamavam-lhe «deus do gado», e por trás dessa palavra esconde-se muito mais do que uma manada de vacas. O gado era, para os antigos eslavos, a própria medida da riqueza: durante séculos a palavra «gado» significou também «bens» e «dinheiro». Por isso um deus do gado é um deus da prosperidade no seu sentido mais amplo: da colheita, do lucro, do que se acumula, do bom negócio.
O nome do deus surge nas fontes sob duas formas próximas, Veles e Volos. Os estudiosos ainda discutem se se trata de duas divindades distintas ou de uma só sob dois nomes, mas na memória popular fundiram-se numa única figura: o senhor da riqueza e das águas subterrâneas. Da raiz desse nome procedem, segundo uma versão, palavras ligadas à vontade, ao poder e à posse; segundo outra, ao gado e à lã, ao «pêlo». Em qualquer leitura falamos de um deus que tem nas mãos a prosperidade e as forças inferiores da terra.
Convém ter presente desde o início que de Veles se conservam poucas fontes. Não restam testemunhos escritos dos próprios pagãos, porque a tradição eslava anterior à escrita se transmitia de boca em boca. Conhecemos o deus por menções nas crónicas, por registos de juramentos, por observações etnográficas tardias de certos ritos e pela comparação com as crenças de povos vizinhos. Assim, os estudiosos reconstroem a sua figura recolhendo migalhas, e boa parte dos detalhes que hoje damos por certos é reconstrução fundamentada, não relato antigo à letra. Isso não torna a figura menos viva, mas exige honestidade: há que distinguir o saber firme da conjetura prudente.
Nas joias, Veles não surge como retrato, mas através das suas marcas. A principal é o chamado Selo de Veles, um sinal anguloso com forma de letra «A» invertida ou de fronte de touro com os cornos. Junto dele estão o touro e o auroque, o urso, a serpente, o corno da abundância. Cada uma destas imagens lê-se como um desejo de prosperidade, força e ligação à antiga sabedoria da terra. Um pendente com o Selo de Veles ou um anel com cabeça de touro funcionam como um velho amuleto para o lucro e para a fazenda firme.
Veles ocupa um lugar à parte entre os deuses eslavos. Se Perun é o deus da tempestade, da hoste e da ordem celeste, Veles é o deus da terra, do gado, das águas subterrâneas e de tudo o que se acumula e se guarda. Não é patrono de guerreiros, mas de pastores, mercadores, contadores e voljvi, os sacerdotes e guardiães do saber. Este traço dá ao seu simbolismo um matiz especial: não fala de coragem na batalha, mas de fazenda, sabedoria e ligação aos antepassados que jazem nessa mesma terra.
O lugar de Veles entre os deuses eslavos
Veles ocupa no panteão eslavo o polo terreno, o inferior, oposto ao celeste Perun. Sobre o mundo reina o troante Perun, deus da hoste principesca e da tempestade, cujo ídolo em Kiev se erguia no alto, sobre uma colina. Veles, pelo contrário, está ligado ao que é baixo, à terra, ao gado, às águas e ao reino subterrâneo, e o seu ídolo, segundo as crónicas, erguia-se em baixo, no Podil de Kiev, junto ao mercado. Essa mesma geografia, em cima e em baixo, já conta a relação entre os dois deuses.
Vale a pena recordar também o círculo de imagens de Veles. O gado e o auroque como sinal de riqueza, o urso como dono da floresta e besta do próprio deus, a serpente como guardiã dos tesouros e das águas subterrâneas, o corno da abundância como símbolo de prosperidade. Esta comitiva explica por que a cabeça de touro, a garra de urso e o motivo da serpente convivem tantas vezes no simbolismo protetor eslavo: mostram o deus através das suas bestas e atributos, não através de um rosto que a tradição quase não nos deixou.
A partir daqui, por ordem: de onde veio o culto de Veles, o que significa cada uma das suas marcas, que sentido carregam os seus símbolos, por que ao sinal anguloso invertido se chama Selo de Veles, em que se opõe Veles a Perun, com que materiais se fazem estas joias, como e com quê usá-las, e onde vive Veles no folclore e na etnografia.
História e culto de Veles
A figura de Veles viveu uma longa vida, desde o pacto pagão selado com o trovão e as armas até à festa camponesa, e em quase cada etapa deixou marca em ritos, palavras e objetos que as pessoas levavam consigo. Essa figura reconstrói-se com as crónicas, os registos de juramentos, as anotações etnográficas tardias dos ritos e os nomes que sobreviveram até à idade moderna.
O deus do gado: a riqueza medida em cabeças
O nome mais antigo e constante de Veles é «deus do gado». Num mundo onde a riqueza se contava por cabeças de gado, semelhante deus respondia por tudo o que era conseguido: pelas crias da manada, pela colheita, pela prosperidade da casa, pela sorte no comércio. O gado dava leite, carne, lã, força de tração; trocava-se e pagava-se com ele como com dinheiro. Por isso o patrono do gado tornou-se, de forma natural, patrono da riqueza em geral. O camponês pedia a Veles uma fazenda firme, o mercador um bom negócio, e ambos se dirigiam ao mesmo deus da prosperidade. Esse laço chegou-nos na própria língua: «gado» como bens, «tesouraria» nomeada com a mesma raiz que o gado.
O deus da sabedoria, dos cantos e dos voljvi
Veles é ainda deus da sabedoria, dos relatos e do saber oculto, patrono dos voljvi, os antigos sacerdotes e guardiães da tradição. No «Cantar da hoste de Ígor», ao cantor Boian chamam-lhe «neto de Veles», ou seja, herdeiro do deus da poesia e da inspiração. O vínculo entre o deus da riqueza e o da sabedoria não é casual: o saber considerava-se um bem tão acumulável como a manada, e o narrador que recordava as linhagens e as lendas guardava uma riqueza não menor do que a do gado. Daí esse rosto de Veles como senhor da palavra e da memória, próximo de quem valoriza a inteligência e o estudo.
Senhor do submundo e das águas subterrâneas
Veles é o soberano do mundo inferior, do reino dos mortos e do depósito dos tesouros. A ele vão as almas dos antepassados; sob o seu cuidado estão as águas subterrâneas, as raízes da árvore cósmica, tudo o que jaz sob a terra e na terra. Este traço aproxima-o da imagem do dono da riqueza invisível: o ouro e o minério também jazem na terra, nos seus domínios. Os antigos viam nisso uma lógica clara: o deus da prosperidade e o deus do submundo são um só deus, porque tanto um como o outro está oculto na profundidade e de lá chega ao homem. Esse vínculo com os antepassados aproxima o simbolismo de Veles do tema da linhagem e da herança.
Tratados, juramentos e a palavra inquebrantável
O nome de Veles soava nos juramentos mais importantes da antiga Rus. Segundo a crónica, ao fechar tratados com os gregos, a Rus jurava por dois deuses ao mesmo tempo: os guerreiros pelas armas e por Perun, e os restantes por Veles, o «deus do gado». Quem quebrava semelhante juramento atraía sobre si a ira do deus da riqueza: prometia-se-lhe que ficaria amarelo como o ouro e perderia o que conseguira. Assim Veles tornou-se garante do negócio honesto e da palavra inquebrantável, sobretudo nos assuntos de comércio e de fazenda. Esse papel torna o seu sinal um amuleto apropriado para quem valoriza a promessa dada e a firmeza do pacto.
Veles e Perun: o confronto no mito
Na reconstrução do antigo mito eslavo, Veles e Perun são inimigos eternos. Segundo uma versão, Veles-serpente rouba ao troante o gado, as águas ou a esposa, esconde-os no mundo inferior, e Perun persegue-o, fere-o com raios, empurra-o para baixo da terra e sob a pedra, libertando o que fora roubado. Este relato sobre a luta do deus celeste com a serpente terrena é o que os estudiosos chamam o mito básico dos eslavos. Importa ter presente que muito disto é reconstrução armada com retalhos, não um relato antigo inteiro. Mas a oposição das duas forças, o cume da tempestade e o fundo subterrâneo, rastreia-se com clareza na cosmovisão eslava.
A dupla fé: Veles e São Brás
Com a chegada do cristianismo, o culto aberto de Veles apagou-se, mas a figura não desapareceu: passou para um santo próximo pelo nome e pelo papel. O patrono do gado passou a ser São Brás, cujo nome soa parecido com Volos-Veles, e no povo chamavam-lhe diretamente deus «vaqueiro» ou «do gado», amparo das manadas. No dia de São Brás oficiavam-se missas pela saúde do gado, aspergiam-se os animais e coziam-se bolinhos especiais com forma de vaquinha. Assim o deus pagão da prosperidade sobreviveu em silêncio sob nome cristão até à idade moderna, e é um exemplo raro e nítido de dupla fé, quando o velho e o novo se soldaram numa só festa.
Vestígios tardios na etnografia
Nos registos tardios de ritos conservou-se outro vestígio vívido de Veles. Os ceifeiros deixavam no campo já ceifado um molho de espigas por cortar, ao qual chamavam «a barbicha de Veles» ou «o topete de Veles»; dobravam-no e enfeitavam-no. Era uma oferenda ao deus da fertilidade e do campo, o pagamento pela colheita e o pedido de prosperidade futura. O rito sobreviveu até ao século XIX e mesmo ao XX, quando do próprio Veles já poucos se lembravam, e mostra até que ponto o nome do deus deitou raízes no ano camponês. É de vestígios assim, miúdos e teimosos, que os estudiosos armam a figura do deus antigo.
O Selo de Veles pede prata escurecida e gola aberta, não uma corrente dourada de bijutaria. E as florinhas, nem lhe passe pela cabeça aproximá-las.
Como e com que usar
Usei o sinal de Veles em dezenas de conjuntos, das feiras de recriação aos dias cinzentos de cidade. Aqui não é preciso acreditar nos deuses antigos. A questão é mais simples: como usar o selo anguloso, o anel com touro ou a garra para que se leiam como carácter e não se percam sobre o peito.
Como uso o Selo de Veles ao dia a dia? Recomendo prata oxidada em corrente de comprimento médio, uns 45 a 50 cm, para que o sinal repouse sobre o peito. A parte de cima, simples e sem estampado: uma t-shirt cinzenta, uma camisa de linho ou algodão com o primeiro botão aberto. Um top escuro transforma o selo em acento, um claro acende a prata enegrecida. Um sinal grande pede zona livre nas clavículas; um pequeno desliza sob a gola sem ruído.
O anel com touro sobrecarrega a mão? Não, se o deixar brilhar sozinho. Aconselho usar o anel maciço no anelar ou no mindinho, sem outros anéis na mesma mão, para que não compita pela atenção. Escolho prata para o dia a dia e ouro para o de gala. Mangas arregaçadas, um relógio sóbrio, e o touro segura toda a mão por si só.
Cordão de couro ou corrente? Depende da faceta que procure. Para uma garra, um dente ou uma cabeça de fera escolho cordão de couro: reforça a textura primitiva e da floresta de Veles. Para um selo gráfico tomo corrente de prata, que se lê mais limpa e severa. O bronze ou o latão em cordão vão a quem procura um ar de museu, recém-saído da terra, mas cuide da manutenção: tire-o antes do duche e de dormir.
Como monto um conjunto que não fique sobrecarregado? Um sinal forte funciona como acento, não em monte. Recomendo juntar o Selo de Veles a um par de correntes neutras ou a outros sinais eslavos: o machado de Perun, a lúnula. O que mantenho bem longe é uma corrente dourada brilhante com florinhas ao lado de um selo severo; estraga todo o tom. Uma peça forte ganha sempre a cinco pequenas.
Como o usa uma mulher sem que fique tosco? Vou para algo mais fino e gráfico: um selo delicado, um corno da abundância miúdo, uma curva fina de serpente em corrente curta junto às clavículas. O ouro suaviza a severidade do sinal, a prata oxidada conserva o seu carácter. Uma regra: a escala à sua medida, não à mão alheia. Um anel grande de touro, de homem, aqui está a mais; procure o sinal que caiba na sua própria palma.

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Os símbolos de Veles
Veles conta com todo um repertório de marcas, e cada uma serve como motivo de joia por si só. Vamos percorrê-las uma a uma, tendo em mente que parte das interpretações é reconstrução moderna, não testemunho antigo à letra.
O Selo de Veles, ou a marca de Veles
A marca gráfica principal do deus é o Selo de Veles, um símbolo anguloso com forma de letra «A» invertida com travessa, que se lê como a fronte estilizada de um touro ou de um urso com os cornos baixados. A inversão e a orientação para baixo ligam o sinal ao submundo, à terra e às forças subterrâneas, os domínios de Veles. O Selo de Veles usa-se como amuleto de riqueza, sabedoria e sorte nos negócios, como sinal de ligação à antiga força da terra. Vale a pena dizê-lo com franqueza: deste sinal, exatamente com esta forma, há poucas confirmações arqueológicas inteiras; em boa medida é uma imagem fixada em época moderna a partir da mitologia. Mas enquanto grafismo é lacónico e potente: as linhas angulosas compõem-se num desenho reconhecível, quase rúnico, que assenta bem tanto num pendente como num anel.
O touro e o auroque
O touro e o seu antepassado selvagem, o auroque, são a marca mais direta de Veles, deus do gado e da riqueza. A poderosa besta de cornos encarnava a força, a fertilidade, a abundância, a própria ideia do que é conseguido. O auroque, esse touro selvagem hoje extinto, foi para os eslavos imagem do vigor primordial; apreciavam os seus cornos e com eles faziam vasilhas rituais e amuletos. A cabeça de touro ou os cornos numa joia lêem-se como sinal de prosperidade, fazenda firme, força viril e tenacidade. Um pendente ou um anel com cabeça de touro remete à própria essência de Veles: um deus cuja riqueza se media em manada de cornos. É um sinal antigo de lucro e força, compreensível sem legenda.
O urso
O urso é o dono da floresta e a besta ligada de forma especialmente estreita a Veles. O deus era muitas vezes representado com figura de urso, e o próprio urso o povo venerava como dono da floresta: forte, sábio, ligado à riqueza dos matos e ao mundo dos antepassados, pois a besta adormece no inverno como quem parte para o submundo e regressa na primavera. A garra e o dente de urso usavam-se desde a antiguidade como amuleto potente de força e proteção. Nas joias, o motivo do urso, a cabeça da besta, a pata, a garra, lê-se como sinal de vigor primordial, proteção e ligação à sabedoria da floresta e da terra de Veles. É um símbolo severo e viril para quem valoriza a força e a firmeza.
A serpente
A serpente é uma das figuras do próprio Veles e a sua marca como senhor do submundo. No mito básico, Veles apresenta-se como uma serpente enorme que guarda as águas e os tesouros subterrâneos, e é precisamente com ela que luta o troante Perun. A serpente, entre os eslavos, está ligada à terra, à água, às riquezas subterrâneas, à sabedoria e à longevidade, à muda de pele como imagem de renovação. O motivo da serpente numa joia lê-se de forma dupla: é ao mesmo tempo guardiã da riqueza oculta, sinal de sabedoria e antiga força terrena. Tratamos a serpente como símbolo próprio em detalhe, e no contexto de Veles a serpente importa justamente como figura do deus, guardiã dos seus tesouros subterrâneos.
O corno da abundância
O corno da abundância é uma imagem de prosperidade diretamente ligada ao deus da riqueza. O corno cheio, do qual se derramam dádivas, grão, frutos, moedas, lê-se como desejo de lucro, colheita, casa cheia. Em Veles este símbolo encaixa de forma especial, pois tanto o corno do touro como a ideia de um recipiente transbordante de bens confluem na sua figura de deus do gado e do que é conseguido. Numa joia, o corno da abundância funciona como sinal lacónico de sorte nos negócios e bem-estar material, uma prenda com um desejo claro de prosperidade para quem começa um negócio ou uma fazenda.
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O significado de Veles nas joias
Porquê usar a marca de Veles? O deus tem várias camadas de sentido, e cada uma responde a uma necessidade humana distinta.
Riqueza e prosperidade
Veles é antes de mais o deus da riqueza, e esse é o seu sentido principal. O deus do gado respondia pela prosperidade, pelo lucro, pelos bens conseguidos, pela sorte na fazenda. Usar a sua marca significa apostar numa fazenda firme, no bem-estar material, na capacidade de ganhar e conservar. O Selo de Veles, o touro, o corno da abundância lêem-se como antigo amuleto de lucro e prosperidade, como desejo de casa cheia. Isto resulta próximo de quem levanta um negócio, gere uma fazenda, valoriza uma prosperidade sólida.
Convém precisar que tipo de riqueza amparava Veles. Não é a sorte acidental do jogador nem o tesouro caído do céu, mas a prosperidade conseguida, criada, ganha com trabalho honrado. A manada cresce ano após ano, o campo dá conforme o esforço, o comércio rende ao hábil. O deus do gado respondia pelo aumento, pelo que se acumula e se multiplica, não pelo que se dispersa. Por isso o seu amuleto está mais perto da pessoa de alicerce, que constrói a prosperidade devagar e para muito tempo, não de quem procura o golpe rápido. Neste sentido, a marca de Veles lê-se como desejo não de uma riqueza caída do nada, mas de uma fazenda firme e em crescimento, que se possa passar adiante.
Sabedoria e conhecimento
Veles é o deus da sabedoria, dos cantos e do saber oculto, patrono dos narradores e dos voljvi. O conhecimento acumulava-se entre os antigos como uma riqueza e guardava-se como uma manada. Por isso o simbolismo de Veles resulta próximo de quem valoriza a inteligência, o estudo, a memória, de quem vive da palavra e do saber. Para eles, a marca do deus não se lê sobre o dinheiro, mas sobre essa outra riqueza, a da sabedoria e do domínio da tradição. É um rosto raro para um deus da prosperidade, e torna a figura mais ampla.
Ofício e comércio
Veles é patrono dos mercadores, dos artesãos e do negócio honesto. Em seu nome se jurava nos tratados comerciais, a ele se pedia sorte no negócio e firmeza de palavra. O simbolismo do deus resulta próximo de quem comercia, fabrica, fecha negócios, de quem vive do ofício e da troca. Para eles, a marca de Veles funciona como amuleto de lucro honrado, pacto firme e sorte nos negócios. É um desejo claro para quem abre um negócio ou conduz uma negociação.
Ligação com os antepassados
Veles é o senhor do submundo, para onde vão as almas dos antepassados, e por isso é o deus do vínculo da linhagem com quem nos precedeu. Os seus domínios são a terra em que jazem os avós, as raízes, as origens. O simbolismo de Veles resulta próximo daqueles para quem importam a linhagem, a herança, a memória dos antepassados, o laço entre gerações. A marca do deus, neste sentido, lê-se como um fio que se estende até à profundidade da linhagem, como amuleto de firmeza da família e respeito às raízes. Um tema próximo guarda-o também a antiga lúnula, o amuleto lunar eslavo, ligada à sorte feminina e à linhagem.
Entre os antigos eslavos, a veneração dos antepassados e o senhor do submundo uniam-se de forma direta. Os avós jazem na terra, e a terra e o reino subterrâneo são os domínios de Veles, de modo que os próprios defuntos ficavam sob o seu cuidado. Nos ritos fúnebres, nos dias de recordação dos que partiram, estava presente de forma invisível a figura do deus que recebe as almas. Por isso a marca de Veles, em quem hoje a usa pelo tema da linhagem, não funciona como uma joia sobre dinheiro, mas como uma recordação calada das raízes, de quem nos precedeu, do dever da memória. É um rosto raro para um amuleto de riqueza, e torna o símbolo de Veles mais fundo do que um simples sinal de sorte nos negócios.
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Veles e Perun: duas forças
De toda a mitologia eslava, o par de Veles e Perun merece uma conversa à parte, porque é precisamente o seu confronto que sustenta o esqueleto de toda a cosmovisão e explica em que se distingue a marca de Veles das marcas dos deuses de cima, os celestes.
Perun é o deus da tempestade, do trovão e do raio, patrono da hoste principesca e dos guerreiros, deus da ordem e da força celestes. Veles é o seu oposto terreno, deus do gado, da riqueza, das águas subterrâneas e do submundo, patrono de pastores, mercadores e voljvi. Um em cima, outro em baixo. Um rege o trovão e as armas, outro a prosperidade e o oculto. Esse par, em cima e em baixo, trovão e terra, é o eixo do cosmos eslavo.
No mito básico dos eslavos, a sua inimizade representa-se como uma perseguição. Veles, com figura de serpente, rouba a Perun o gado, as águas ou a noiva e esconde-os no mundo inferior, sob a terra, sob a pedra, sob a árvore. Perun persegue o ladrão, fere com raios todos os seus esconderijos e por fim liberta o que fora roubado, devolvendo ao mundo a chuva, o gado, a ordem. A tempestade, neste mito, é essa mesma batalha, e o raio é a arma do troante. Importa ter presente que não existe um texto antigo inteiro deste mito: os estudiosos armaram-no com retalhos de ritos, cantos e comparação com tradições vizinhas, de modo que é reconstrução fundamentada, não relato à letra.
Para as joias, este par oferece uma escolha de tom clara. Se se procura um sinal de força, tempestade, proteção guerreira, escolhe-se o martelo ou o machado do troante, e tratamos o machado de Thor e de Perun à parte. Se resultam mais próximas a riqueza, a sabedoria, a fazenda e a ligação à terra, escolhe-se a marca de Veles. O amuleto duplo, no qual confluem ambas as forças, também acontece: os antigos, ao fim e ao cabo, juravam por dois deuses ao mesmo tempo, reconhecendo que o mundo precisa tanto do trovão como da terra, tanto da força como da prosperidade.
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Materiais
A figura de Veles pede materiais que sustentem a ideia de antiguidade, força terrena e autenticidade. Não servem todos, longe disso, e cada um tem a sua lógica.
Prata
A prata transmite melhor do que qualquer material a estética severa e arcaica do simbolismo eslavo. A prata de lei 925 é resistente, cómoda no uso diário e não provoca alergia na maioria das pessoas. O Selo de Veles, a cabeça de touro, a serpente em prata resultam gráficos e com peso, e a própria prata escurece com facilidade nos vãos do relevo para realçar as linhas angulosas do sinal ou a textura da fronte animal. A prata oxidada é, talvez, a escolha mais «velesiana»: dá essa mesma textura escura, enegrecida pelo tempo, que tinham os antigos amuletos tirados da terra.
Bronze e latão
O bronze é um material historicamente próximo: muitos amuletos, pendentes e fíbulas eslavos fundiam-se precisamente em bronze e noutras ligas de cobre. O quente reflexo acobreado dá à figura uma profundidade arcaica, de museu, como se a peça acabasse de sair de uma escavação. O latão, de tom dourado, funciona de forma parecida e resulta mais acessível. O inconveniente das ligas de cobre é que com o tempo escurecem e podem deixar marcas na pele, pelo que estas peças exigem cuidado. Convém tirar o bronze e o latão antes do duche e do sono, esfregá-los com um pano macio e guardá-los em lugar seco; então a pátina assenta com beleza e não às manchas. Quem quiser uma textura quente e histórica sem complicações escolhe a prata dourada.
Ouro
O ouro remete diretamente à ideia da riqueza que o próprio Veles governa, e lê-se como a variante de estatuto do sinal. Um Selo de Veles ou uma cabeça de touro em ouro ligam o símbolo do deus da prosperidade ao mais rico dos metais, o que resulta lógico e belo pelo seu sentido. O brilho quente suaviza a severidade do sinal eslavo e torna-o mais rico. Para quem quiser ligar o amuleto de prosperidade à ideia da linhagem e da herança, o ouro é o que melhor encaixa, pois foi precisamente o ouro o que se acumulava e se passava de geração em geração.
Madeira, osso e couro
Uma linha à parte são os materiais naturais no espírito da própria época. Madeira entalhada, osso com o sinal gravado a fogo, cordão de couro em vez de corrente. Estas peças transmitem a textura tosca e feita à mão do antigo amuleto eslavo e combinam bem com um encaixe metálico, por exemplo um Selo de Veles de prata sobre um cordão de couro. A madeira resulta especialmente apropriada para o rosto da floresta, o do urso, enquanto o osso remete aos amuletos animais, aos dentes e às garras. Estes materiais acrescentam autenticidade à figura e ligam a joia atual ao aspeto real que tinham os amuletos dos antepassados.
Veles no folclore e na etnografia
Veles tem uma grande vida para além do mito antigo: nos ritos camponeses, nos nomes e nas crenças tardias. Tudo isso alimenta o simbolismo das joias e ajuda a compreender de que viveu a figura do deus depois do batismo da Rus.
«A barbicha de Veles»: o rito da colheita
O vestígio tardio mais vívido do deus é o rito da ceifa. Ao terminar o campo, os ceifeiros deixavam por cortar o último molho de espigas, dobravam-no e enfeitavam-no, chamando-lhe «a barbicha de Veles» ou «o topete de Veles». Era uma oferenda ao deus do campo e da fertilidade, o pagamento pela colheita presente e o pedido de prosperidade futura. À «barbicha» por cortar às vezes entrelaçavam-na com uma fita, e por baixo dela punham pão e sal. O rito sobreviveu até época tardia por toda a aldeia eslava oriental, e nele o nome de Veles soava com teimosia quando do próprio deus já quase ninguém se lembrava.
São Brás, amparo do gado
Depois do batismo, o papel de patrono do gado passou para São Brás, cujo nome soa parecido com Volos. No povo chamavam-lhe «deus vaqueiro», amparo das manadas, e no dia de São Brás, em fevereiro, oficiavam-se missas pela saúde do gado, aspergiam-se os animais com água benta, coziam-se bolinhos rituais com forma de vaquinhas e de touros. Assim o deus pagão do gado continuou a viver em silêncio sob nome cristão, e o camponês, ao pedir a São Brás crias para a manada, dirigia-se em essência ao mesmo antigo patrono da prosperidade que os seus longínquos antepassados.
Veles nas crenças sobre a riqueza e os tesouros
Como senhor do submundo e dos tesouros ocultos, Veles ficou nas crenças sobre os tesouros e a riqueza subterrânea. A terra, na consciência popular, guarda ouro e minério, e o senhor do submundo governa esses bens ocultos. Daí o vínculo constante do deus com o tema do tesouro achado, da sorte, da prosperidade inesperada tirada da terra. Este traço aproxima o simbolismo de Veles tanto do dono de manadas como de quem acredita na sorte e no lucro inesperado, de quem procura o que é seu e cava fundo em sentido literal e figurado. Nas velhas crenças, o tesouro considerava-se muitas vezes enfeitiçado, entregue à guarda das forças inferiores, e só podia tomá-lo o digno ou quem conhecesse a palavra certa. Por trás disso está essa mesma figura de Veles, o deus que guarda a riqueza oculta da terra e decide a quem abri-la.
Veles na cultura moderna e no neopaganismo
Na idade moderna, a figura de Veles voltou a ser armada com crónicas, cantos e ritos, e passou a ser um grande tema na literatura sobre a antiguidade eslava, na prosa histórica e nos movimentos neopagãos que revivem os cultos pré-cristãos. Foi precisamente nesse ambiente que o Selo de Veles se fixou como sinal gráfico reconhecível e passou às joias. Muitos chegam ao simbolismo do deus justamente através do interesse atual pelas raízes eslavas, pelos livros, pela música, pela recriação histórica. Não há nada de mal nisso: a figura antiga encontrou um novo caminho até à pessoa. O único importante é distinguir a base histórica, obtida pelos estudiosos, da fantasia tardia, e compreender o que se usa e porquê.
Factos que surpreendem
Veles acumulou ao longo dos séculos tantas histórias que algumas soam quase inacreditáveis.
A palavra «gado» significou em tempos «dinheiro». No russo antigo, «gado» designava ao mesmo tempo a manada, os bens e a tesouraria, e a arca do príncipe nomeava-se com essa mesma raiz. O deus do gado, Veles, era em essência o deus do dinheiro e da riqueza no sentido mais literal, e nisso não há metáfora nenhuma.
Por Veles se jurava em tratados internacionais. Ao selar a paz com Bizâncio, a Rus jurava por dois deuses: os guerreiros por Perun e pelas armas, e os restantes por Veles, o «deus do gado». A quem quebrasse o juramento prometia-se que ficaria amarelo como o ouro e perderia o que conseguira. O nome do deus figurava a par dos tratados de Estado.
Ao cantor Boian chamam-lhe «neto de Veles». No «Cantar da hoste de Ígor», ao sábio narrador Boian nomeiam-no «neto de Veles». Isso significa que Veles era ainda deus da poesia, dos cantos e da inspiração, patrono de quem guardava as lendas, e não apenas dono de manadas.
O deus sobreviveu até à idade moderna sob nome de santo. Depois do batismo, o patrono do gado passou a ser São Brás, parecido no som com Volos-Veles. Em tempos aspergiam-se as vacas e coziam-se bolinhos com forma de vaca. Assim o deus pagão da prosperidade viveu em silêncio sob nome cristão outros mil anos.
Veles e Perun erguiam-se em Kiev a alturas distintas. O ídolo do troante Perun estava em cima, na colina, e o de Veles em baixo, no Podil, junto ao mercado. Essa mesma geografia repetia com exatidão a mitologia: o deus celeste em cima, o terreno e subterrâneo em baixo, junto ao lugar do comércio.
«A barbicha de Veles» deixava-se no campo. Ao terminar a ceifa, os camponeses deixavam durante séculos um molho de espigas por cortar em oferenda a Veles, dobrando-o e enfeitando-o. O rito sobreviveu ao próprio paganismo e chegou até ao século XIX, quando do deus já poucos se lembravam.
Veles podia ser uma serpente. No mito básico dos eslavos, o deus do submundo apresenta-se como uma serpente enorme que rouba o gado e as águas e os esconde sob a terra, enquanto o troante Perun a acossa com raios. Assim o deus da riqueza resultou ser também uma serpente subterrânea, guardiã de tesouros.
O nome do deus continua em disputa. Veles ou Volos, um só deus ou dois distintos, os estudiosos discutem-no há mais de um século. As fontes são poucas, e muito da figura do deus é reconstrução fundamentada, armada com migalhas, não um relato antigo inteiro.
Perguntas frequentes
Quem é Veles na mitologia eslava?
Veles é um dos deuses eslavos principais, patrono do gado, da riqueza, do comércio, da sabedoria e senhor do mundo inferior, o submundo. Chamavam-lhe «deus do gado», pois o gado era a medida da prosperidade. É patrono de pastores, mercadores, narradores e voljvi, deus da prosperidade e do saber oculto, oposto ao celeste troante Perun.
O que significa o Selo de Veles?
O Selo de Veles é um sinal anguloso com forma de letra «A» invertida, que se lê como a fronte estilizada de um touro ou de um urso com os cornos para baixo. A orientação descendente liga-o ao submundo e à terra, os domínios de Veles. O sinal usa-se como amuleto de riqueza, sabedoria e sorte nos negócios. Convém saber que, exatamente com esta forma, é em boa medida uma imagem fixada em época moderna a partir da mitologia.
Em que se distingue Veles de Perun?
São deuses opostos pelo seu sentido. Perun é o deus da tempestade, do trovão e da hoste principesca, deus da ordem e da força celestes; o seu sinal é o martelo ou o machado. Veles é o deus da terra, do gado, da riqueza e do submundo, patrono de mercadores e voljvi. Um em cima e sobre a força, outro em baixo e sobre a prosperidade. No mito básico são inimigos eternos: o troante persegue a serpente-Veles.
Pode uma mulher usar o símbolo de Veles?
Sim. O Selo de Veles, o corno da abundância e o motivo da serpente há muito que se tornaram sinais universais. A variante feminina costuma ser mais fina e gráfica: um selo elegante, um corno da abundância miúdo, uma curva fina de serpente. O simbolismo de Veles carrega ideias de prosperidade, sabedoria, ligação à linhagem e à terra, e isso resulta próximo de uma pessoa de qualquer sexo.
Que material é melhor para uma joia com o simbolismo de Veles?
Depende do que se procura. A prata oxidada dá a textura severa mais «velesiana» e assenta bem ao dia a dia. O ouro liga o amuleto de prosperidade ao metal mais rico e lê-se como variante de estatuto. O bronze dá um aspeto histórico, de museu, próximo dos antigos amuletos eslavos. A madeira, o osso e o couro acrescentam autenticidade feita à mão, sobretudo para o rosto da floresta, o do urso.
Porque chamam a Veles deus do gado?
Porque é patrono do gado, e o gado era para os antigos eslavos a medida da riqueza; a própria palavra «gado» significava bens e dinheiro. O deus das manadas tornou-se de forma automática deus da prosperidade, do lucro e dos bens conseguidos. A ele acorriam tanto o pastor, pedindo crias, como o mercador, pedindo um bom negócio. «Deus do gado» é, em essência, deus da riqueza.
Veles é um deus bom ou mau?
Nem uma coisa nem outra em sentido simples. Veles é um deus complexo e duplo: dispensador de riqueza, sabedoria e prosperidade, mas ao mesmo tempo senhor do mundo inferior, oposto ao troante, que no mito toma figura de serpente. Os antigos não dividiam os deuses em bons e maus como fazemos nós. Veles é a força da terra e da prosperidade, necessária ao homem, mas ligada ao fundo, à escuridão e ao oculto.
Que animal está ligado a Veles?
Vários ao mesmo tempo. O touro e o auroque como sinal de riqueza e de gado, o urso como dono da floresta e figura do próprio deus, a serpente como guardiã dos tesouros subterrâneos e outra figura mais de Veles. Cada animal revela um rosto do deus: o touro a prosperidade, o urso a força e a ligação à floresta e aos antepassados, a serpente a sabedoria e a riqueza oculta do submundo.
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Conclusão
Veles sobreviveu à queda do seu próprio culto e permaneceu na forma mais resistente que a Rus conheceu: num nome que deitou raízes na língua do dinheiro e da riqueza, no rito camponês sobre o campo ceifado, no nome do santo que asperge a manada, no sinal anguloso que de novo se talha em prata. O touro, o urso, a serpente, o corno da abundância e o selo do deus resultaram mais fortes do que o tempo, porque carregam um sentido claro: prosperidade, sabedoria, fazenda firme, ligação à terra e à linhagem. Hoje o simbolismo do deus do gado responde a necessidades humanas simples: quer-se lucro, inteligência, uma prosperidade sólida, memória das raízes. Ao escolher a marca de Veles, a pessoa continua o gesto do longínquo antepassado que deixava ao deus um molho de espigas para a sorte. E aqui não é preciso acreditar nos deuses antigos: o sinal funciona como uma recordação clara a si próprio do que se quer fazer crescer, conservar e passar adiante. A riqueza, a sabedoria e a força da terra cabem na palma da mão.
Prata, ouro, simbolismo eslavo, amuletos, sinais de força e prosperidade.
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A Zevira são joias com sentido: símbolos, amuletos, sinais de força e proteção em formas limpas de prata e ouro, com o cunho da herança de Albacete. Gostamos das peças que têm uma história de milhares de anos, e transpomo-la para um desenho atual sem pompa a mais. O Selo de Veles, o touro, a serpente e outras marcas dos deuses antigos convivem no catálogo com pendentes minimalistas e conjuntos a par, para que cada um encontre o seu sinal.




























