
Hermes (Mercúrio) nas joias: caduceu, sandálias aladas e símbolo do caminho
De todos os deuses do Olimpo, só Hermes calçava sandálias com asas. Essa imagem revelou-se tão resistente que, vinte e cinco séculos depois, continua presente no emblema dos correios, das floristas e das câmaras de comércio de meio mundo. O pequeno bastão com duas serpentes que Hermes segura ainda se confunde com o símbolo da medicina. Vejamos de onde saiu o deus da velocidade e por que os seus atributos assentaram tão bem no metal.
Hermes para os gregos e Mercúrio para os romanos são um mesmo carácter: rápido, ágil, encantador, um pouco trapaceiro, patrono de comerciantes, viajantes, oradores e bons negócios. Nas joias vive não tanto pelo rosto como pelos objetos que traz consigo: o bastão-caduceu, as sandálias aladas, o chapéu de viagem. Esses atributos leem-se num instante e funcionam como uma marca pessoal para quem viaja muito, negoceia e ganha a vida com a palavra.
A seguir, por ordem: quem é Hermes, como a sua imagem passou pelas gemas, pelas moedas e pelo neoclassicismo, o que significa cada um dos seus símbolos, por que o caduceu não é a vara de Asclépio, em que se distingue o Hermes grego do Mercúrio romano, de que se fazem estas joias e a quem ficam bem.
Quem é Hermes e quem é Mercúrio
Hermes é um deus olímpico, filho de Zeus e da plêiade Maia. Os gregos atribuíram-lhe vários ofícios que à primeira vista combinam mal: o comércio e o roubo, os caminhos e as fronteiras, a eloquência e a astúcia, os sonhos e a passagem das almas ao reino dos mortos. Há uma lógica por detrás. Todas essas ocupações têm que ver com o movimento, com o trânsito de um estado para outro, com saber negociar ali onde os outros se perdem.
Deus mediador entre os mundos
O papel principal de Hermes é o de mediador. É o único dos deuses que circula com liberdade entre o Olimpo, a terra e o submundo. Zeus envia-o com encargos porque Hermes chega a qualquer lado e regressa. Daí a sua alcunha de mensageiro dos deuses. Numa joia, essa ideia lê-se como a capacidade de ligar, transmitir e encontrar uma língua comum. Um bom talismã para quem tem um trabalho que assenta nas negociações e nos contactos.
Patrono do comércio e do ganho
Hermes ocupava-se do mercado, da troca, do negócio honesto e do nem tão honesto. A palavra grega que designava o lucro está ligada ao seu nome. Os mercadores ofereciam-lhe sacrifícios antes de uma viagem longa e depois de uma venda proveitosa. Os romanos levaram isto ao extremo: o seu Mercúrio é diretamente o deus do comércio, e o seu nome remonta a uma raiz latina ligada à mercadoria e ao negócio. A Mercúrio rezava-se por uma boa troca, pelos ganhos e pelo dinheiro rápido.
Guia das almas
Hermes tem também um lado calado e sério. É psicopompo, aquele que conduz os defuntos até ao rio do submundo. Com o bastão na mão acompanha as almas ao lugar de onde não se volta. Esse papel dá profundidade à imagem: é um deus da azáfama do mercado e, ao mesmo tempo, do último caminho, do trânsito enquanto tal. Na simbologia memorial, essa faceta passa por vezes para primeiro plano.
Mensageiro dos deuses
O cargo mais conhecido de Hermes resume-se numa palavra: mensageiro. Zeus tinha-o a seu lado como correio pessoal e enviava-o com encargos a deuses, heróis e mortais. Hermes entregava a vontade do Olimpo, trazia notícias, resolvia assuntos com a mera aparição. Os gregos imaginavam-no sobretudo neste papel: um jovem em pleno caminho, com sandálias aladas, com um bastão que parece prestes a disparar. Como símbolo é o sinal de quem transmite, liga e faz chegar uma ideia ao seu destinatário. A imagem é próxima de todo aquele cujo trabalho assenta na mensagem e na entrega: do estafeta a quem leva uma ideia às pessoas.
Patrono dos viajantes
O caminho era o domínio de Hermes em sentido literal. As suas colunas, as hermas, erguiam-se ao longo das rotas e nos cruzamentos, e o caminhante fazia-lhes uma vénia antes de uma viagem longa e atirava uma pedra aos seus pés para dar sorte. Os gregos acreditavam que um encontro no caminho e um achado feliz debaixo dos pés eram uma dádiva de Hermes. Por isso o seu sinal se usava desde a antiguidade como amuleto de viagem: um desejo de caminho fácil e de regresso feliz a casa. Essa faceta aparenta Hermes ao talismã de viagem moderno, e é justamente a que mais se traduz na sandália alada suspensa de um fio.
Patrono dos ladrões
Entre os ofícios de Hermes há um de sombra: é patrono de ladrões, trapaceiros e velhacos. Os gregos não viam nisso uma contradição. O deus que no primeiro dia da sua vida roubou um rebanho respondia por tudo o que se consegue com astúcia e com habilidade de mãos. Os ladrões, de facto, rezavam-lhe antes de agir. Mas o sentido é mais amplo do que o roubo pura e simplesmente: é o amparo do engenho, da capacidade de se sair bem por um caminho indireto quando a força não serve. No símbolo, essa faceta lê-se como respeito pela mente flexível, não como justificação do furto.
Patrono da eloquência
Hermes respondia também pela palavra. Os gregos consideravam-no deus dos oradores, intérpretes, tradutores e embaixadores: de todos os que trabalham com a fala e a persuasão. A lógica é a mesma: o mediador entre os mundos deve saber transmitir o sentido, traduzir da língua dos deuses para a dos homens. Do seu nome provém a própria palavra que designa a arte da interpretação. Nesta chave, o sinal de Hermes fica bem a professores, diplomatas, negociadores e a todo aquele cuja força está em saber explicar e convencer.
Usa o símbolo, não te limites a ler sobre ele. Disponíveis agora:
História da imagem: das gemas antigas ao emblema dos correios
Hermes é uma das figuras mais precoces que as pessoas começaram a trazer consigo. A sua imagem passou pelas pedras gravadas, pelas moedas, pelas medalhas renascentistas e acabou por pousar nos letreiros de bancos e estações de correio. Sigamos esse percurso.
As hermas: colunas de caminho com o rosto do deus
Antes de ser um jovem esbelto com asas nos calcanhares, Hermes foi uma tosca coluna de pedra. As hermas são colunas quadrangulares com a cabeça do deus no topo que se erguiam nos cruzamentos, junto às entradas das casas e ao longo dos caminhos. Marcavam um limite e traziam sorte ao viajante. A própria palavra herma deu nome a muitas coisas, e dela parte também o fio que leva à ideia de marco fronteiriço. Um pequeno pendente em forma de herma é uma referência à invocação mais antiga do deus, a do caminho.
Gemas e intalhos: o deus em pedra gravada
Na antiguidade, a joia mais pessoal era a pedra gravada: o intalho para selar ou a gema para contemplar. Sobre cornalinas, ágatas e jaspes os mestres gravavam Hermes com a bolsa e o caduceu. Esse anel-selo deixava a sua marca na cera, e o mercador assinava de facto o contrato com a imagem do deus do comércio. O resultado era duplo: ao mesmo tempo assinatura e amuleto do negócio. As gemas com Hermes e Mercúrio aparecem por todo o Mediterrâneo, da Grécia à Britânia romana.
Moedas com Mercúrio
Mercúrio aparecia com frequência nas moedas antigas, e é lógico: o deus do dinheiro sobre o próprio dinheiro. O seu perfil com o chapéu alado era cunhado pelas cidades-estado gregas e pelas oficinas romanas. Séculos mais tarde, a tradição voltou. Uma cabeça com elmo alado ornamentou as moedas de vários países da idade moderna, e num grande país a moeda de dez cêntimos do início do século XX recebeu do povo a alcunha de moeda de Mercúrio, embora nela figurasse uma alegoria da liberdade com barrete alado. A imagem ficou tão ligada ao dinheiro que as pessoas reconheciam nela precisamente o deus do comércio.
Neoclassicismo: o regresso do jovem antigo
No Renascimento e, sobretudo, no neoclassicismo do século XVIII, os deuses antigos voltaram à moda. Os entalhadores de camafeus retomaram Mercúrio, e os joalheiros encaixaram o seu perfil em anéis e broches. A figura de bronze do Mercúrio voador, apoiado numa só perna e com um braço erguido para o céu, tornou-se uma das imagens mais reproduzidas da arte decorativa. Colocava-se sobre os rebordos das lareiras, repetia-se em miniatura, fundia-se em forma de pendentes.
Símbolo dos correios, do comércio e da comunicação
Os séculos XIX e XX consolidaram Mercúrio no papel de distintivo. O chapéu alado e o caduceu apareceram nos emblemas dos serviços postais, das companhias de telégrafos, das câmaras de comércio, dos bancos e das floristas ao domicílio. A lógica é direta: o deus da velocidade e da mensagem responde por tudo o que há que entregar depressa e negociar com proveito. Por isso a pessoa de hoje, mesmo que nada saiba de mitologia, lê na mesma o chapéu alado como sinal de velocidade e de comércio.
O caduceu pede colarinho de camisa, não camisola. É o sinal de quem negoceia, não de quem se exibe, e ponto final.
Como e com que usar o símbolo de Hermes
Depois de anos em rodagens e passarelas, o caduceu e a sandália alada passaram comigo por dezenas de looks. Reúno aqui o que de facto funciona, por ocasiões e por pessoas.
Como uso um caduceu num look de negócios? Por baixo da camisa e do casaco recomendo um caduceu de prata ou de ouro mate em corrente curta, de 45 a 50 cm, para que o sinal fique por baixo do botão de cima. Como alternativa, aconselho um alfinete-caduceu na lapela: um detalhe discreto que só os entendidos leem. Um código de vestuário rigoroso não é problema aqui, o sinal vive tranquilo por baixo do colarinho.
O que escolho para a viagem? Para quem viaja escolho a sandália alada ou o pétaso numa corrente fina. Um pendente leve não prende nem incomoda no caminho, e lê-se como sinal pessoal do andarilho. A seu lado ficam bem outros símbolos de viagem: uma bússola, uma estrela, uma moeda pequena.
Homem ou mulher, importa? A simbologia de Hermes é neutra quanto ao género, por isso não há regras rígidas. Ao homem costumo aconselhar prata ou aço de maior tamanho, em corrente firme. À mulher recomendo uma linha fina de ouro ou prata sob um decote aberto. Esta peça é fácil de escolher a dois ou de oferecer sem adivinhar o gosto.
Como o uso para que o sinal se leia? O grafismo de Hermes dá-se bem com o minimalismo, por isso prefiro sempre um sinal nítido em corrente limpa a um cacho de pendentes. Sob um decote em V o caduceu cai mesmo ao centro, a sua melhor posição. Sob uma gola fechada aconselho uma corrente mais curta, para que o sinal repouse sobre o tecido e não se esconda.
Com que o combino em camadas? Se te apetecem as camadas, dou ao caduceu um comprimento próprio para que não se funda com o resto. A seu lado luzem bem outros motivos antigos: o louro, a lira, a moeda, e as figuras do panteão olímpico. Entre os amuletos, o sinal de Hermes convive com calma com os símbolos de viagem e de proteção; mais sobre isto no guia de amuletos e talismãs.

Ligue a câmara, escolha uns brincos, um pendente ou um anel, e veja a peça em si em tempo real.
Muda de modelo com um toque.
Tudo funciona no seu navegador: nenhuma foto ou vídeo é enviado para lado nenhum.
Símbolos de Hermes e Mercúrio
Hermes reconhece-se numa joia não pelo rosto, mas pelos objetos que o acompanham. Cada atributo tem a sua própria história e o seu próprio sentido, e cada um pode usar-se em separado como sinal autónomo.
O caduceu: o bastão das duas serpentes
O caduceu é um bastão curto em torno do qual se enrolam duas serpentes e que muitas vezes abre asas no topo. É o principal traço de identidade de Hermes. Segundo o mito, Apolo ofereceu-lhe um bastão de ouro, e as serpentes surgiram quando Hermes o atirou entre duas serpentes que lutavam, e estas ficaram quietas, enroladas na haste. O caduceu significa reconciliação, equilíbrio dos contrários, comércio e negociação. As duas serpentes são os dois contendores que o bastão levou ao acordo. Como joia, o caduceu lê-se com elegância: simétrico, vertical, com umas asas leves na parte de cima, encaixa bem num pendente ou num alfinete.
As sandálias aladas (talares)
As talares são as sandálias aladas de ouro que levavam Hermes pelo ar e pela água mais depressa do que qualquer vento. É, talvez, o atributo mais poético do deus. Numa joia, um par de asinhas junto ao calcanhar, ou simplesmente uma asa estilizada, significam liberdade de movimento, velocidade, leveza para se pôr a caminho. O sinal ideal para quem não pára quieto: o viajante, a alma inquieta, a pessoa andarilha.
O pétaso: o chapéu de viagem alado
O pétaso é o chapéu de aba larga do caminhante, ao qual Hermes também recebeu asas. Ao contrário do elmo, o pétaso é o toucado de um simples andarilho, e nisso reside o seu encanto: o deus dos caminhos vai vestido como um viajante a pé qualquer. O chapéu alado tornou-se o detalhe mais reconhecível da imagem, e é justamente o que passou para os emblemas postais. Na pequena plástica, o pétaso representa-se muitas vezes em separado, como um sinal enxuto do caminho.
O bastão e a lira de tartaruga
Além do caduceu, há outros dois objetos ligados a Hermes. Um simples cajado de pastor lembra que é patrono dos rebanhos e dos limites das pastagens. E a lira é invenção sua: o recém-nascido Hermes encontrou uma tartaruga, esticou cordas sobre a carapaça e construiu o primeiro instrumento de corda dedilhada, que depois ofereceu a Apolo. Por isso a tartaruga e a lira também são sinais seus, ligados à eloquência, à música e ao engenho astuto. Um pequeno pendente de lira remete ao mesmo tempo para dois deuses, para Hermes-criador e para Apolo-dono.
A lira como sinal autónomo
Convém destacar a lira à parte: é um caso raro em que o atributo de um deus se tornou o símbolo principal de outro. Hermes inventou-a, Apolo possuiu-a, e numa joia a lira funciona no cruzamento de dois sentidos. Por um lado é música, harmonia, arte. Por outro é o engenho de Hermes, a capacidade de fazer com uma carapaça de tartaruga e um par de cordas uma coisa a que nem o severo irmão mais velho resistiu. Um pequeno pendente de lira fica bem a um músico, a qualquer pessoa ligada à criação e a quem aprecia a ideia em si: criar beleza com o pouco e com o que se tem à mão. A lira convive também com os restantes deuses do Olimpo e com os motivos de Zeus nos conjuntos de inspiração antiga.
A bolsa e o galo
Dois atributos menos evidentes de Hermes aparecem sem descanso nas gemas antigas. A bolsa na mão do deus é um sinal direto de comércio e de ganho: o mercador que escolhia esse selo tinha, por assim dizer, a sua própria sorte nos negócios apertada no punho. O galo aos pés de Hermes relaciona-se com a alvorada, a vigilância e o começo de um novo dia, pois o deus acompanhava tanto os sonhos como o despertar. Nos intalhos antigos, esses detalhes ajudam a identificar com precisão o Hermes-comerciante e não outro deus. Numa réplica atual, a gema com a bolsa lê-se sem ambiguidade: é o sinal de quem ganha a vida com a troca.
O significado de Hermes nas joias
Quando alguém escolhe o símbolo de Hermes, escolhe um conjunto concreto de qualidades. Vejamos o que há exatamente por detrás desta imagem e a quem fica mais próxima cada faceta.
Caminho e movimento
O significado mais direto é o do caminho. Hermes é patrono dos viajantes, e o seu sinal usa-se como desejo de bom caminho e de regresso feliz. A sandália alada ou o pétaso funcionam como um equivalente moderno do amuleto de viagem. É um talismã para quem anda muitas vezes de um lado para o outro, muda de casa, troca de cidades e de países.
Comércio e sorte nos negócios
A segunda faceta é o ganho e o negócio feliz. Mercúrio é o deus do comércio, e o seu símbolo lê-se como desejo de êxito nos negócios, de negociações proveitosas, de bom movimento. Um caduceu na lapela ou um pendente de Mercúrio ficam bem a um empreendedor, a um vendedor, a quem ganha a vida com a troca e os negócios. Os gregos tinham ainda um matiz à parte deste significado: Hermes dava tanto o ganho merecido como o acaso agradável, o achado inesperado, o proveito que cai como um presente. Por isso o seu sinal também se usa como talismã de sorte nos assuntos, e não apenas do esforço.
Astúcia e engenho
Hermes era famoso pela sua mente e pela sua agilidade. É o primeiro trapaceiro da mitologia europeia: sendo ainda um bebé, roubou o rebanho de Apolo e safou-se do aperto com encanto e astúcia. Por isso o seu símbolo é sinal de engenho vivo, de mente flexível, de capacidade para encontrar a saída. A quem aprecia a própria perspicácia, esta imagem fica próxima.
Eloquência e negociação
O deus-mensageiro era também deus da palavra. Os gregos consideravam-no patrono de oradores, tradutores e embaixadores. A própria arte da interpretação recebeu o seu nome de Hermes. O seu sinal fica bem a quem tem a sua força na fala: professores, diplomatas, os que vendem com a palavra e persuadem.
Guia e trânsito
A faceta calada de que falávamos antes: Hermes conduz através das fronteiras, incluindo a última. Nesse sentido, o seu símbolo lê-se como acompanhamento nas mudanças, como apoio na passagem de uma etapa da vida para outra. Por vezes esse sinal escolhe-se em memória de um ente querido, como imagem do bom guia.
Fronteira e limiar
Há outro significado fácil de deixar passar, mas importante. Hermes é deus das fronteiras no sentido mais literal: as suas colunas, as hermas, erguiam-se ali onde acabava uma propriedade e começava outra. Por isso o seu sinal é símbolo do limiar, da passagem da linha, do início de um assunto novo. É apropriado escolhê-lo num momento de grande mudança: uma mudança de casa, uma mudança de profissão, o arranque de um projeto próprio. É o talismã de quem está no limiar e se prepara para dar o passo.
Hermes nos mitos: o trapaceiro que a todos encantou
Para perceber por que a imagem é tão resistente, convém lembrar como os próprios gregos descreviam Hermes. Não é um altivo deus do trovão nem um severo guerreiro, mas o mais humano e encantador dos deuses.
O roubo do rebanho de Apolo
O mito principal sobre Hermes é a história do seu primeiro dia. Mal nascido, o deus saiu do berço e roubou o rebanho de vacas de Apolo, apagando os rastos com astúcia: conduziu os animais de marcha atrás e calçou-lhes sandálias nas patas para confundir o perseguidor. Quando Apolo deu finalmente com o ladrão, o bebé tocou-lhe a lira acabada de inventar, e o deus mais velho ficou tão enfeitiçado com a música que perdoou o roubo e trocou o rebanho pelo instrumento. Esta história dá o tom a toda a imagem: agilidade, encanto e a capacidade de converter uma falta num negócio vantajoso.
O primeiro trapaceiro da Europa
Hermes é o arquétipo do trapaceiro, o velhaco que quebra as regras mas torna o mundo mais vivo e mais móvel. Rouba, engana, escapa, mas nunca por maldade, e sim por afã e curiosidade. Na mitologia mundial tem muitos parentes: o nórdico Loki, o africano Anansi, o Coiote dos povos americanos. Todos eles têm que ver com a astúcia, o engenho e a rutura da estagnação. Nisso está o encanto do símbolo: não vai de força, mas de inteligência e flexibilidade.
Ajudante dos heróis
Com toda a sua astúcia, Hermes tira os heróis de apuros vezes sem conta. Deu a Perseu as sandálias aladas e o elmo da invisibilidade para a luta contra a górgona. Guiou Héracles, salvou Ulisses, transmitiu a vontade dos deuses aos mortais no momento difícil. O mensageiro aparece sempre onde é preciso apontar uma saída ou levar ajuda com rapidez. Por isso o seu sinal também se lê como símbolo do mediador feliz, aquele que chega a tempo.
A invenção da lira a partir de uma tartaruga
Se o roubo do rebanho fala de agilidade, a história da lira fala de engenho. Segundo o mito, o bebé Hermes, depois de sair do berço, deu com uma tartaruga e viu logo na sua carapaça uma caixa de ressonância já feita. Esvaziou a carapaça, esticou cordas de tripa de ovelha e em poucos minutos montou o primeiro instrumento de corda dedilhada. Com essa mesma lira pagaria depois ao irado Apolo. A história mostra a essência do deus: não é só astuto, é um criador que encontra a solução onde os outros só veem uma tartaruga no caminho. Para os gregos era o mito da origem da música a partir de pura perspicácia.
Hermes-trapaceiro e o gosto pelo jogo
Os gregos deram a Hermes um gosto que o aparenta ao jogo. Atribuíam-lhe a invenção dos dados e das sortes, e consideravam um lance feliz uma dádiva sua. O trapaceiro não é um vilão: sacode a ordem congelada, introduz o acaso e com isso aviva o mundo. Nisso se distingue Hermes dos restantes deuses: Zeus e Poséidon incutem temor pela sua força, e Hermes pelo seu encanto e pela sua imprevisibilidade. Por isso o seu símbolo é escolhido por quem prefere o jogo da mente à exibição de poder, por quem acredita na sua boa mão e na sua habilidade para agarrar o momento certo.
Opiniões de clientes
A Zevira é uma joalharia real. Pagamentos, envios e agradecimentos de clientes autênticos.
Acompanhantes e figuras relacionadas
A imagem de Hermes não está sozinha: à sua volta giram várias figuras e objetos que também aparecem nas joias e ajudam a compreender melhor o símbolo.
Hermafrodito
Filho de Hermes e de Afrodite, cujo nome se fundiu a partir dos de ambos os progenitores. O mito da união do seu corpo com uma ninfa deu nome a todo um fenómeno. Na arte é a imagem da união do masculino e do feminino, e por vezes aparece na simbologia antiga junto do pai.
Pã
Outro filho de Hermes, deus de patas de cabra da natureza selvagem, das pastagens e do medo repentino. Do seu nome procede a palavra pânico. Pã liga Hermes ao lado pastoril e agreste do mito, pois o próprio mensageiro é patrono dos rebanhos e dos pastores.
Argos e a história da siringe
Hermes adormeceu e deu a morte ao gigante de cem olhos Argos, o guardião que Hera pusera a vigiar a amada de Zeus. Por isso recebeu a alcunha que significa o matador de Argos. E os olhos do gigante Hera transferiu-os para a cauda do pavão. Assim, o mito de Hermes enlaça-se com a origem do desenho do pavão e com a invenção da siringe pastoril, com a qual o deus adormeceu o guardião.
Hermes e Mercúrio na arte
A imagem antiga do deus não ficou na antiguidade: atravessou toda a história da arte europeia e assentou na nossa memória visual. E são essas imagens que alimentam as joias de hoje.
A escultura antiga
Gregos e romanos gostavam de representar Hermes como um jovem atleta em movimento. Conservam-se várias estátuas famosas em que o deus fica fixado no instante da ação: a atar a sandália, a apoiar-se num rochedo, a segurar uma criança. Essas poses transmitem a essência da imagem, a leveza e a disposição para desatar a correr. Os entalhadores de gemas e os gravadores de medalhas repetiam as poses antigas em miniatura, e através deles a composição chegou até aos joalheiros.
O Mercúrio voador
A imagem mais reproduzida do deus na arte decorativa é o Mercúrio voador, uma figura que se equilibra sobre uma só perna com o braço no ar, como se já se soltasse do chão. Essa pose dinâmica repetiu-se em bronze milhares de vezes, pôs-se sobre os rebordos das lareiras e nos gabinetes, reduziu-se ao tamanho de um pendente. É tão reconhecível que a silhueta do deus voador se tornou um sinal à parte da velocidade.
Alegoria do comércio e dos ofícios
Na pintura da idade moderna, Mercúrio aparecia muitas vezes como alegoria: a sua figura com o caduceu ornamentava as abóbadas das bolsas de comércio, dos bancos e das câmaras de comércio, simbolizando o comércio e a prosperidade da cidade. Os artistas representavam-no a repartir dádivas, a guiar navios, a amparar os ofícios. Foi essa imagem de negócios que firmou o deus no papel de distintivo do comércio.
Imagens antigas famosas
Hermes tem várias poses canónicas que todo o mundo antigo conhecia e que ainda hoje reaparecem nas joias. A primeira é o deus que ata a sandália: inclinou-se, pôs o pé sobre uma pedra e ajusta a correia, como se estivesse prestes a partir em viagem. A segunda é o mensageiro em repouso, sentado sobre um rochedo depois de um longo caminho, descontraído mas pronto a levantar-se. A terceira é Hermes com uma criança ao colo, uma cena terna em que o deus-mediador atua como cuidadoso guardião. Os entalhadores de gemas e os gravadores de medalhas repetiram durante séculos estas composições em miniatura, e através delas a pose antiga chegou até ao pendente atual. Quando vês um jovem inclinado com uma asa junto ao calcanhar, é uma saudação dos escultores que trabalharam há mais de vinte séculos.
Hermes na cerâmica antiga
Capítulo à parte é a pintura de vasos. Na cerâmica de figuras negras e de figuras vermelhas, Hermes é um dos convidados mais frequentes: acompanha Perséfone, conduz as três deusas ao julgamento de Páris, leva as almas ao submundo. Os artistas reconheciam-no com facilidade pelo pétaso e pelo caduceu e situavam-no muitas vezes em plena ação como mestre de cerimónias da cena. Essa pintura sobre vasilhas conservou para nós o gesto vivo do deus melhor do que qualquer estátua: aqui Hermes não é um ídolo imóvel, mas um participante ativo, sempre em movimento. Foi a iconografia da cerâmica que sugeriu aos joalheiros como representar o deus em ação, e não simplesmente de pé como um poste.
Pingente navalha CAPAORA mini
A navalha espanhola do século XVIII em miniatura: 40 mm de aço inoxidável, um verdadeiro mecanismo dobrável e o fecho Palanquilla com o seu clique. Um presente acessível para recordar.
Autêntico · Envio de Espanha · Devolução em 14 dias
Gemas e moedas famosas com Mercúrio
Dado que a joia pessoal por excelência com Hermes foi sempre a pedra gravada e a moeda, convém falar dos exemplos mais conhecidos: são eles que marcam o padrão da autenticidade.
Anéis-selo antigos
As coleções dos museus guardam centenas de intalhos antigos com Mercúrio: o deus de pé com a bolsa e o caduceu, por vezes junto a um galo ou a uma tartaruga. Essas pedras engastavam-se em anéis e usavam-se como selo pessoal. O dono assinava de facto os documentos com a imagem do deus do comércio, e considerava-se um bom augúrio para os negócios. Hoje gemas assim são peças de museu e modelo para as réplicas atuais.
Mercúrio nas moedas antigas
O perfil de Mercúrio com o chapéu alado era cunhado pelas cidades-estado gregas e pelas casas da moeda romanas. O deus do dinheiro sobre o próprio dinheiro era uma escolha natural. Essas moedas fixaram uma iconografia que mais tarde regressou, na idade moderna, à moeda de troco de vários países. Uma moeda antiga com Mercúrio engastada num pendente é uma forma popular de usar simbologia antiga autêntica.
Camafeus neoclássicos
Nos séculos XVIII e XIX, os entalhadores de camafeus retomaram Mercúrio. O perfil em relevo do deus com o chapéu alado sobre o fundo escuro da pedra é um motivo típico daquela época. Esses camafeus engastavam-se em broches, anéis e pendentes. Ainda hoje continuam a ser a referência de como deve ser a imagem clássica do deus numa joia.
O caduceu e a vara de Asclépio: não os confundas
É o erro mais frequente em torno dos símbolos de Hermes, e merece uma conversa à parte. As duas varas com serpentes parecem-se, mas significam coisas opostas.
Em que consiste a diferença
O caduceu de Hermes é um bastão com duas serpentes e asas no topo. A vara de Asclépio é um báculo com uma só serpente e sem asas. Asclépio é o deus grego da cura, e a sua serpente única sobre o tosco báculo é o verdadeiro símbolo da medicina. O caduceu, por sua vez, vai de comércio, negociação e velocidade, e nada de saúde.
De onde saiu a confusão
A troca deu-se sobretudo no século XX e, sobretudo, por erro. O serviço médico militar de um grande país escolheu o caduceu para o seu emblema, confundindo-o com o báculo de Asclépio. Atrás foram os hospitais, as farmácias e as empresas médicas. Como resultado, o caduceu das duas serpentes e das asas ficou firmemente assente nos letreiros médicos, embora por sentido ali devesse ir a serpente única de Asclépio. Os historiadores dos símbolos há muito que assinalam este deslize.
O que significa isto ao escolher uma joia
Se queres um símbolo da medicina, da vocação de curar, do cuidado com a saúde, precisas da vara de uma só serpente, o báculo de Asclépio. Se procuras um sinal de comércio, caminho, negociação e sorte nos negócios, esse é o caduceu de duas serpentes e asas. Ao comprar, basta contar as serpentes: uma é medicina, duas são comércio. Esse pequeno detalhe muda todo o sentido da peça.
Deixa o teu email e enviamos o código de desconto. Sem spam, cancelas com um clique.
O código chega por email, válido no teu primeiro pedido.
Hermes e Mercúrio: a imagem grega e a romana
Hermes e Mercúrio são um mesmo carácter em duas culturas, mas os seus acentos diferem um pouco. Perceber essa diferença ajuda a escolher o mais afim ao próprio espírito.
O Hermes grego
Para os gregos, Hermes é mais poliédrico. É ao mesmo tempo trapaceiro, músico, guia das almas, patrono das fronteiras e inventor. Há nele mais travessura e mais profundidade mitológica. A imagem grega é a de um jovem de traços finos, leve, móvel, um pouco matreiro. Quem prefere a mitologia e o carácter do deus costuma inclinar-se precisamente para Hermes.
O Mercúrio romano
Os romanos concentraram-se no lado prático. O seu Mercúrio é antes de mais o deus do comércio, do ganho, da sorte mercantil. O próprio nome se liga à palavra latina para mercadoria. Mercúrio é mais prático e mais terreno, a sua imagem está mais perto do dinheiro e do movimento de capital. A quem escolhe um sinal para os negócios e as finanças, costuma ressoar mais a versão romana.
Mercúrio, o planeta
O nome do deus coube também ao planeta mais próximo do Sol, o mais rápido na sua corrida pelo céu. A lógica é a mesma: o planeta veloz recebeu o nome do deus veloz. Na astrologia, Mercúrio responde pela mente, pela fala, pela comunicação, pelo comércio e pelos contactos, ou seja, pelas mesmas esferas que o deus mitológico. Por isso o símbolo de Mercúrio é apreciado por aqueles que têm este planeta forte no seu mapa: os faladores, os comerciantes, as pessoas de mente flexível.
Materiais para as joias com Hermes
A imagem de Hermes tem a vantagem de encaixar em diferentes materiais e técnicas. A escolha depende do efeito que procuras: autenticidade antiga, leveza ou um grafismo sóbrio.
Prata
A prata de lei 925 é a escolha mais versátil. O brilho frio do metal realça bem o grafismo do caduceu e as linhas finas das asas. A prata é sóbria, fica igualmente bem a homens e a mulheres, não provoca alergia na maioria das pessoas e tem um custo razoável. Um caduceu ou uma sandália alada de prata parecem atuais e sem exageros.
Ouro
O ouro remete para a tradição antiga: o verdadeiro caduceu de Hermes, segundo o mito, era de ouro, e as moedas com Mercúrio cunhavam-se em metal precioso. Um sinal de Mercúrio em ouro lê-se como desejo de ganho e de prosperidade, o que rima bem com o sentido da imagem. O ouro amarelo dá um matiz histórico e quente; o branco parece mais sóbrio e mais gráfico.
Pedra gravada: gema e camafeu
A opção mais autêntica é o entalhe em pedra, como se fazia na antiguidade. Um intalho com a imagem gravada de Mercúrio repete os antigos anéis-selo, e um camafeu com o perfil em relevo do deus remete para o neoclassicismo. A diferença entre ambos é simples: no intalho o desenho está cavado na pedra; no camafeu, sobressai da superfície. A cornalina, o ónix, a ágata e a calcedónia são as pedras clássicas para este entalhe, e cada uma dá o seu próprio carácter: a cornalina quente e avermelhada, o ónix sóbrio a preto e branco, a ágata listada. Uma gema com Mercúrio é uma joia com história e, com um trato cuidado, vive durante gerações.
Bronze e latão
O bronze é o material da escultura antiga, e a figura do Mercúrio voador fundia-se quase sempre nele. Um pendente de bronze ou de latão dá uma pátina nobre e um tom quente. É a escolha de quem gosta da sensação de antiguidade e não persegue o brilho dos metais preciosos.
Aço
O aço inoxidável é a opção moderna e pragmática. Não escurece, não teme a água, não deixa marcas na pele. Um caduceu de aço fica bem à pessoa ativa que se move muito e não quer pensar no cuidado. O grafismo do símbolo sobre o aço mate parece sóbrio e profissional.
Como escolher uma joia com Hermes
Se compras este sinal pela primeira vez, para ti ou de presente, algumas orientações ajudam a não errar nem no sentido nem na forma.
Escolhe o atributo pelo sentido
Primeiro decide que faceta da imagem te fica mais próxima e toma o atributo correspondente. O caduceu é comércio, negociação, equilíbrio. A sandália alada é caminho e velocidade. O pétaso, o chapéu alado, é caminho e andança. A figura ou o perfil do próprio deus é a imagem inteira, a opção universal. A lira remete para a eloquência e a música. Um único atributo certeiro funciona com mais força do que uma composição carregada.
Conta as serpentes
A verificação principal ao comprar: se na vara há duas serpentes e asas, é o caduceu de Hermes, símbolo de comércio e caminho. Se a serpente é uma e não há asas, é o báculo de Asclépio, símbolo médico. Os vendedores e os catálogos confundem-nos muitas vezes, por isso repara tu mesmo. Do número de serpentes depende todo o sentido da peça.
Avalia a qualidade do entalhe
Se escolhes uma gema ou um camafeu, repara na nitidez das linhas. Num bom entalhe, as asas, as serpentes e os traços do rosto estão trabalhados e leem-se mesmo em tamanho pequeno. Um relevo desfocado e borrado é sinal de estampagem ou fundição baratas. No metal, presta atenção ao trabalho das asas do caduceu: são elas que denunciam a qualidade.
Escolhe o metal pelo teu estilo de vida
A prata e o ouro são bonitos, mas exigem cuidado e podem escurecer. O aço é mais prático para a pessoa ativa. A pedra gravada resulta vistosa, mas teme os choques. Pensa com que frequência e em que condições vais usar a peça e escolhe o material pela vida real, não por uma única foto bonita.
Psicologia da escolha do símbolo de Hermes
Por que se sente uma pessoa atraída precisamente por esta imagem? Por detrás da escolha de um símbolo há sempre algo pessoal, e Hermes atrai um certo tipo de carácter.
Um sinal para as pessoas do movimento
Hermes é escolhido pelos inquietos: aqueles a quem um só lugar fica estreito, os que amam o caminho, as mudanças e os novos contactos. O símbolo do deus da velocidade torna-se, para essa pessoa, reflexo do seu próprio ritmo de vida. Não é um talismã de calma, mas o sinal de quem vive em movimento e se orgulha disso.
Apoio em negociações e negócios
Há muito que a psicologia descreveu o efeito de segurança que dá um objeto pessoal significativo. O caduceu antes de uma reunião importante funciona como uma âncora discreta: o dono sente-se mais sereno e concentrado. Não há magia aqui, há uma redução da ansiedade e uma sensação de apoio. Para quem vive das negociações, é um benefício real.
Aceitar a própria astúcia
Hermes é o único deus que elogia abertamente a habilidade e o engenho, mesmo à beira da trapaça. O seu símbolo é escolhido por quem aprecia em si a mente flexível e não se envergonha de saber sair do aperto. É um sinal para pessoas a quem a perspicácia fica mais próxima do que a força bruta, e que gostam de usar um deus parecido com elas mesmas.
Símbolo das mudanças e do limiar
Um motivo à parte da escolha é o momento da vida. O sinal de Hermes toma-se muitas vezes não por acaso, mas no limiar de uma grande mudança: antes de uma mudança de casa, de uma mudança de profissão, do lançamento de um negócio próprio. O deus das fronteiras e dos trânsitos torna-se companheiro de quem se decidiu a dar o passo para o desconhecido. Psicologicamente entende-se: um objeto ligado a uma decisão ajuda a firmá-la e dá coragem. A pessoa diz a si mesma, de certo modo, que escolheu o movimento e não a estagnação. Por isso esse símbolo se oferece muitas vezes em honra de uma nova etapa, e funciona como um apoio discreto no trânsito.
Por que Hermes fica mais próximo do que os deuses do trovão
Se comparamos quem escolhe as pessoas do panteão, desenha-se um quadro curioso. Zeus e Poséidon atraem quem sente próxima a ideia do poder e da força elemental. Afrodite, aqueles que vivem o tema do amor e da beleza. Hermes, por sua vez, toca pessoas de uma têmpera bem diferente: não as mais ruidosas, mas as mais móveis e perspicazes. Escolhem-no não pela sua pompa, mas pela sua humanidade. É o único deus que não se quer temer, mas somar à própria equipa, e aí está o segredo de por que a sua imagem encaixa tão facilmente num sinal pessoal, para usar todos os dias.
Mercúrio, o planeta, e a astrologia
Já que o nome do deus é levado por um planeta, convém falar do seu significado astrológico: é uma camada de sentido à parte que muitas vezes é justamente o que atrai as pessoas para o símbolo.
Por que responde Mercúrio no mapa
Na astrologia, Mercúrio tem que ver com a mente, a fala, a aprendizagem, o comércio, as viagens e todo o tipo de contactos. É o planeta mais rápido, o mais próximo do Sol, e percorre o seu círculo antes dos outros. Considera-se que um Mercúrio forte dá uma mente aguda, desenvoltura no trato, capacidade de aprender e de negociar. As mesmas esferas que as do deus mitológico, e não é por acaso: os antigos associaram planeta e deus precisamente pela velocidade e pela mobilidade.
A quem fica próximo o símbolo de Mercúrio
O sinal do planeta ou do deus é escolhido muitas vezes por pessoas que têm Mercúrio em destaque no seu mapa: as que vivem da palavra, estudam, ensinam, negoceiam, comerciam. Também o tomam quem atravessa um período de mudanças e movimento, quem precisa de apoio nos assuntos e nos contactos. É um talismã de mobilidade e perspicácia, não de calma.
Mercúrio retrógrado
A astrologia popular atual fez do Mercúrio retrógrado todo um herói dos memes: os períodos em que o planeta se move visualmente para trás costumam ser culpados pelas falhas de comunicação, pelas confusões nos contratos e pelas avarias da tecnologia. Não tem fundamento científico, é um efeito aparente do movimento dos planetas. Mas, como relato cultural, rima na perfeição com o deus-trapaceiro: já em vida Hermes gostava de armar um pequeno enredo.
Mercúrio e os elementos no mapa
Na tradição astrológica, Mercúrio é considerado um planeta neutro: tinge-se do signo em que está, como o mercúrio toma a forma do recipiente. Nos signos de ar dá desenvoltura de palavra e de trato; nos de terra, uma mente prática e comercial; nos de água, um faro intuitivo; nos de fogo, uma língua rápida e enérgica. Essa variabilidade rima de novo com o deus mutável, que vai entre os mundos e muda de aspeto conforme as circunstâncias. A quem se apaixona a sério pela astrologia, o símbolo de Mercúrio fica próximo justamente pela sua flexibilidade: é o sinal de quem se adapta e encontra uma língua comum em qualquer ambiente.
Talismã para o período retrógrado
Já que o Mercúrio retrógrado se tornou um bicho-papão popular, o símbolo do deus assumiu também um papel inesperado de amuleto para essas semanas. A lógica é simples e um pouco irónica: se te inquieta o planeta-trapaceiro, traz contigo o sinal do próprio trapaceiro para o teres do teu lado. Magia a sério não há, claro. Mas como âncora psicológica funciona: um pequeno caduceu lembra reler mais uma vez o contrato, guardar o ficheiro e não precipitar as decisões. Sai um talismã não da mística, mas em ajuda da própria atenção, o que vai muito na linha do engenhoso deus.
Hermes na cultura atual
A imagem chegou até aos nossos dias e continua a funcionar, muitas vezes sem qualquer relação com a mitologia. Reconhecer essas piscadelas dá gosto.
Emblemas e logótipos
O chapéu alado e o caduceu continuam vivos nos emblemas dos serviços postais, das entregas de flores, das câmaras de comércio e das empresas financeiras de todo o mundo. Cada vez que vês um toucado alado no letreiro de um serviço de entregas, é uma saudação do deus da velocidade. A imagem funciona como sinal universal de que algo há que entregar depressa e com fiabilidade.
O nome na língua
O nome do deus está espalhado pelo nosso vocabulário. Mercúrio é ao mesmo tempo o planeta e o antigo nome do azougue, um metal que também é rápido e fluido. A palavra hermético remonta a Hermes Trismegisto, figura lendária da antiguidade tardia à qual se associavam os saberes secretos e os recipientes bem fechados dos alquimistas. Assim, o deus deu nome tanto ao fecho estanque como a toda uma tradição de saber oculto.
O desporto e as marcas da velocidade
A silhueta de uma asa junto ao calcanhar tornou-se há muito uma abreviatura visual da velocidade. Usa-se ali onde se quer dizer rápido, leve, veloz. A imagem está tão enraizada que se lê num instante, mesmo que a pessoa nunca tenha aberto um livro de mitos. Nisso está a força do sinal antigo: sobreviveu à própria religião que o gerou e ficou a funcionar como puro símbolo do movimento.
Envia a um amigo um código de desconto, ele poupa no primeiro pedido.
Factos que surpreendem
A imagem de Hermes está cheia de detalhes que raramente assomam nos relatos populares. Aqui vão alguns.
Hermes inventou a lira no primeiro dia da sua vida. Segundo o mito, o deus recém-nascido saiu do berço, encontrou uma tartaruga, esticou cordas sobre a carapaça e tocou de imediato. Ao anoitecer desse mesmo dia já tinha roubado o rebanho de Apolo. Uma jornada bem produtiva para um bebé.
A palavra hermenêutica vem do seu nome. A arte de interpretar textos leva o nome de Hermes-mensageiro, que traduzia aos homens a vontade dos deuses. Assim, o deus dos caminhos deu nome a toda uma disciplina filosófica.
O lucro, em grego, está ligado a Hermes. O achado fortuito, o rendimento inesperado, o golpe de sorte, tudo isso os gregos nomeavam com uma palavra que remete para Hermes como dador da sorte repentina. O deus do comércio respondia tanto pelo ganho honesto como pelo acaso agradável.
A moeda de Mercúrio não representa Mercúrio. Na famosa moeda com barrete alado figura uma alegoria da Liberdade, e não o deus. O povo na mesma lhe chamou de Mercúrio, a tal ponto o toucado alado se fundira com a imagem do deus.
O caduceu chegou à medicina por erro. O verdadeiro símbolo da medicina é o báculo de Asclépio com uma só serpente. O caduceu de Hermes, com duas serpentes, acabou nos hospitais por confusão e ali assentou, embora por sentido vá de comércio.
As hermas erguiam-se em cada cruzamento de Atenas. As colunas de pedra com a cabeça do deus estavam tão espalhadas que a sua deterioração em massa se tornou uma vez um sonado escândalo político na Atenas antiga.
Hermes é o único que vai aos mortos e volta. A maioria dos deuses não descia ao submundo. Hermes, como guia das almas, tinha passe livre até lá, o que o tornava mediador imprescindível entre os três mundos.
Mercúrio deu nome ao metal líquido. O azougue chama-se, em latim e em várias línguas, com o nome do deus: um metal rápido, fluido, esquivo que lembrou aos alquimistas o ágil Mercúrio. Assim o deus da velocidade se aparentou à substância que é impossível reter na mão.
A Hermes atribuía-se a invenção do alfabeto e dos números. Os gregos tinham o deus-mensageiro por criador da escrita, das medidas e do cálculo: de tudo o que é preciso para o comércio e a transmissão do pensamento. É lógico que o patrono da palavra e dos negócios respondesse também pelas ferramentas sem as quais nem uma coisa nem a outra funcionam.
A palavra hermético procede de Hermes. O recipiente hermeticamente fechado foi nomeado em honra de Hermes Trismegisto, o lendário sábio da antiguidade tardia. Os alquimistas selavam os seus frascos de forma hermética, e assim o deus dos caminhos deu, de modo inesperado, nome ao fecho mais fiável.
Atirar uma pedra à estátua do deus significava desejar sorte. Junto às hermas dos caminhos acumulavam-se montes inteiros de pedras: cada caminhante acrescentava a sua como pequena oferenda por um caminho fácil. Desse costume talvez venha a própria palavra que designava o monte de pedras de Hermes.
Perguntas frequentes
Em que se distingue o caduceu da vara do médico?
O caduceu de Hermes é um bastão com duas serpentes e asas no topo, símbolo de comércio e negociação. O símbolo médico é o báculo de Asclépio com uma só serpente e sem asas. Para não errares, conta as serpentes: uma é medicina, duas são comércio e caminho.
Hermes e Mercúrio são deuses diferentes?
É o mesmo deus em duas culturas. Hermes para os gregos, Mercúrio para os romanos. O carácter é comum: patrono do comércio, dos caminhos, da eloquência e da astúcia. Os romanos sublinhavam mais o lado prático e monetário; os gregos, a profundidade mitológica.
A quem fica bem uma joia com Hermes?
A quem viaja muito, negoceia, se dedica ao comércio e aos negócios, vive da palavra ou aprecia em si a perspicácia. Também tomam o símbolo as pessoas com um Mercúrio forte no mapa astral e quem atravessa um período de mudanças.
Pode uma mulher usar o caduceu?
Sim, a simbologia de Hermes é neutra quanto ao género. O caduceu, a asa e o chapéu de viagem são sinais geométricos sem ligação evidente ao sexo. À mulher costuma ficar melhor uma linha fina de ouro ou prata, mas não há regras rígidas.
O que significam as sandálias aladas?
As talares, as sandálias aladas de Hermes, significam velocidade, liberdade de movimento e leveza para se pôr a caminho. Como joia são o sinal do viajante e do inquieto, um desejo de caminho fácil e de bom regresso.
De que é melhor fazer esta joia?
A prata é a escolha universal e acessível; o ouro remete para a tradição antiga e para a ideia de ganho; a pedra gravada repete as antigas gemas-selo; o bronze dá uma sensação de antiguidade. O aço fica bem à pessoa ativa que não quer pensar no cuidado.
Hermes é um amuleto?
Na antiguidade a sua imagem usava-se como sinal protetor do caminho e do negócio feliz, sobretudo em forma de gemas-selo e de hermas dos caminhos. Hoje escolhe-se mais como símbolo pessoal do movimento, do comércio e da astúcia, mas a faceta de talismã de viagem conserva-se.
Por que Mercúrio é também um planeta?
Ao planeta mais próximo do Sol deram o nome do deus pela sua velocidade: percorre o seu círculo pelo céu mais depressa do que qualquer outro. Na astrologia, Mercúrio responde pela mente, pela fala e pelo comércio, ou seja, pelas mesmas esferas que o deus, por isso o símbolo do planeta e o do deus coincidem muitas vezes no seu sentido.
O que são as talares e o pétaso?
São dois atributos de viagem de Hermes. As talares, as sandálias aladas, levavam o deus pelo ar e pela água mais depressa do que o vento. O pétaso, o chapéu de aba larga com asas, resguardava o caminhante na rota. Ambos os sinais se leem como símbolo do caminho e da velocidade, e é justamente o chapéu alado que passou mais tarde para os emblemas postais.
Por que se relaciona Hermes com o roubo?
Os gregos tinham Hermes por patrono de ladrões e trapaceiros, porque ele mesmo, no primeiro dia da sua vida, roubou o rebanho de Apolo e safou-se do aperto com astúcia. Mas o sentido é mais amplo do que o roubo pura e simplesmente: é o amparo do engenho e da capacidade de se sair bem por um caminho indireto. No símbolo, essa faceta lê-se como respeito pela mente flexível, não como justificação do furto.
O símbolo de Hermes serve para o Mercúrio retrógrado?
Muitos usam o caduceu precisamente nessas semanas como amuleto irónico: se te inquieta o planeta-trapaceiro, tem contigo o sinal do próprio trapaceiro. Magia não há, mas como âncora psicológica funciona: lembra ser mais cuidadoso com os contratos e a tecnologia. É um talismã em ajuda da própria concentração.
É para oferecer? Cada peça chega pronta a entregar.
Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Conclusão
Hermes e Mercúrio são o deus do movimento em estado puro. Caminho, comércio, palavra, astúcia, trânsito, tudo isso vai de velocidade e de ligação. Os seus atributos, o caduceu, as sandálias aladas e o chapéu de viagem, leem-se num instante e funcionam como sinal pessoal para quem vive no caminho e no negócio. O principal ao escolher é ter presente a diferença entre o caduceu de duas serpentes e o báculo médico de uma: muda todo o sentido da peça. E daí para a frente tudo é simples: prata para o dia a dia, ouro para a referência ao ganho antigo, pedra gravada para uma história autêntica no dedo ou junto à garganta.
Prata, ouro, simbologia, motivos antigos e conjuntos a condizer.
Sobre a Zevira
A Zevira são joias com sentido: símbolos, amuletos, motivos antigos e um grafismo enxuto em prata e ouro. Gostamos das peças que têm uma história, por isso a cada símbolo damos um contexto e não uma só foto bonita. A nossa herança liga-nos a Albacete, terra de longa tradição no trabalho do aço e do metal. Se te fica próxima a imagem de Hermes, olha para os sinais vizinhos na seleção sobre deuses do Olimpo ou escolhe um presente para o caminho com o guia para o viajante.

































