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Afrodite (Vénus) na joalharia: deusa do amor, da beleza e da atração

Afrodite (Vénus) na joalharia: deusa do amor, da beleza e da atração

A deusa nascida da espuma do mar

Os gregos contavam que Afrodite não nasceu de uma mãe, mas da espuma do mar ao largo das costas de Chipre, e uma onda levou-a até terra dentro de uma concha aberta. Desde então, a concha e a pérola que guarda lá dentro leem-se como sinal do amor. Não o coração de um postal, mas algo muito mais antigo: o nascimento da beleza a partir da água.

Afrodite para os gregos, Vénus para os romanos. A mesma deusa sob dois nomes, e ambos continuam vivos na joalharia. Os seus atributos espalharam-se por pendentes e anéis com tal amplitude que os trazemos sem sequer conhecer o seu nome: a concha, a pérola, a pomba, a rosa, o espelho com a pequena cruz por baixo. Por trás de cada um há uma história de três mil anos.

A seguir, por ordem: quem é Afrodite e de onde vem, como mudou a sua imagem desde a estátua de mármore até ao quadro de Botticelli, o que significa cada um dos seus símbolos, em que se distingue a versão grega da romana, com que materiais se fazem estas joias e como as usar. E à parte, para não confundir: a concha de Afrodite é um atributo do nascimento da deusa, não um material para trabalhos manuais. Sobre a vieira como sinal do peregrino há uma conversa diferente no artigo a vieira do Caminho de Santiago.

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Quem é Afrodite e Vénus

O nome e a sua origem

Anel de ouro antigo com a representação do templo de Afrodite em Pafos, Chipre
Anel de ouro com o templo de Afrodite em Pafos, o mesmo lugar de Chipre onde, segundo o mito, a deusa saiu da espuma. Roma, Chipre, séculos I-II. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0).Gold ring with representation of the temple of Aphrodite at Paphos, 1st-2nd century CE. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Afrodite (em grego Ἀφροδίτη) é a deusa olímpica do amor, da beleza, do desejo e da fertilidade. Os antigos ligavam o seu próprio nome à palavra «afros», ou seja, espuma, e explicavam-no assim: a deusa saiu da espuma do mar. Os linguistas atuais discutem se o nome não terá chegado do Oriente, das deusas do amor fenícia e suméria, mas os gregos mantiveram-se fiéis à sua versão da espuma e de Chipre.

Entre os romanos corresponde-lhe Vénus. Não é uma tradução nem uma cópia, mas uma deusa itálica própria que os romanos identificaram com a grega. Vénus significava para Roma muito amor e algo mais: através do seu filho Eneias, a família Júlia fazia remontar a sua linhagem até ela, e César e Augusto tinham-na por antepassada. Assim, a deusa do amor passou a ser também protetora do Estado.

Do que se ocupava

Na mentalidade grega, Afrodite regia a atração entre as pessoas, o casamento e a beleza do corpo, a fertilidade da terra e do mar. Chamavam-lhe Urânia (a celeste, encarregada do amor elevado) e Pandemos (a popular, encarregada do desejo terreno). Duas faces de uma mesma força: o amor como elevação do espírito e o amor como paixão.

O seu lugar entre os deuses do Olimpo

Afrodite faz parte dos doze deuses principais do panteão grego. O seu marido é o coxo ferreiro Hefesto, o seu amante o belicoso Ares, o seu filho o alado Eros (Cupido entre os romanos, também chamado Amor). Quem é quem no Olimpo e como se relacionam os deuses entre si vê-se comodamente no panorama dos deuses do Olimpo e o panteão grego. Afrodite é ali uma das figuras mais reconhecíveis, e foram precisamente os seus atributos que passaram para a joalharia com mais frequência do que os de outros.

Duas lendas sobre o seu nascimento

Os gregos contavam duas versões sobre o aparecimento da deusa, e ambas vivem na joalharia. Segundo a primeira, a do poeta Hesíodo, Afrodite nasceu da espuma do mar que ferveu à volta de uma parte cortada do corpo do titã Úrano, caída na água perto de Chipre. Com essa leitura, o nome significa literalmente «nascida da espuma». Segundo a segunda versão, a de Homero, é filha de Zeus e da oceânide Dione, nascida de maneira corrente. A primeira lenda é mais vistosa, por isso foi ela que deu a imagem da concha e da espuma que vemos nos pendentes. A segunda explica por que a deusa se senta entre os olímpicos como filha de pleno direito de Zeus.

Acompanhantes e séquito

Raramente se representava a deusa sozinha. Acompanham-na as Cárites, as três deusas da beleza e da graça, que vestiam e adornavam Afrodite. A seu lado, o alado Eros com o seu arco, por vezes todo um bando de pequenos erotes. No seu séquito entravam Hímero (o desejo apaixonado) e Peito (a deusa da persuasão). Esse séquito dá a chave para ler as joias com a deusa: falam de amor e também de encanto, da capacidade de agradar, da força da persuasão. Os camafeus mostram muitas vezes Vénus com pequenos amores, e não é um adorno casual, mas uma alusão ao seu séquito antigo.

Nascida da espuma do mar: Hesíodo contra Homero

Vale a pena deter-se na própria disputa sobre o nascimento da deusa, porque dela saíram duas joias distintas. Em Hesíodo, no poema «Teogonia», tudo começa com uma violência contra o céu: o titã Cronos corta uma parte do corpo do seu pai Úrano e atira-a ao mar ao largo das costas de Chipre. À sua volta ferve a espuma branca, e da espuma emerge uma deusa já adulta de beleza inaudita. Em grego, espuma é «afros», e Hesíodo deriva diretamente dessa palavra o nome de Afrodite. A versão é sombria na sua origem, mas foi ela que deu ao mundo a imagem mais luminosa: a beleza nasce da água, já feita e perfeita, sem infância nem crescimento.

Homero, na «Ilíada», conta-o de outro modo e muito mais prosaico. Para ele, Afrodite é filha legítima de Zeus e da oceânide Dione, nascida do modo corrente, como os demais olímpicos. Nem espuma, nem Chipre, apenas mais uma filha do rei dos deuses. Esta versão explica por que a deusa se senta no Olimpo como membro de pleno direito da família e por que Zeus lhe chama filha.

Para a joalharia importa justamente a diferença. A «nascida da espuma» de Hesíodo deu a concha, a onda do mar, a pérola como gota coalhada de espuma, todo o repertório marinho que continuamos a trazer. A filha de Zeus de Homero deu outra coisa: a deusa entre os deuses, a figura no camafeu ao lado dos demais olímpicos. Quando escolhes um pendente de concha, votas em Hesíodo. Quando pegas num camafeu com um perfil no meio do panteão, aproximas-te mais de Homero. Os gregos sustentavam ambas as versões ao mesmo tempo e não viam necessidade de escolher.

Dois rostos: Urânia e Pandemos

Os gregos notaram cedo que o amor pode ser muito diferente, e repartiram-no em dois nomes de uma mesma deusa. Afrodite Urânia, ou seja, a Celeste, regia o amor elevado, espiritual, a atração pelo belo e pelo eterno. Platão, no «Banquete», associou-a ao amor da alma, à subida desde a beleza do corpo até à beleza da ideia. Afrodite Pandemos, ou seja, a Popular, ocupava-se do amor terreno, do desejo carnal, da paixão entre as pessoas comuns. O nome Pandemos significa literalmente «a que pertence a todo o povo».

Os antigos não consideravam um rosto superior ao outro na vida diária, ainda que os filósofos discutissem sobre isso. Ambos os lados eram necessários: sem Urânia, o amor ficaria em puro desejo; sem Pandemos, converter-se-ia numa abstração fria. A deusa sustentava os dois polos ao mesmo tempo, e nisso reside a sua força.

Para a joalharia, esta dupla dá uma chave cómoda para escolher. Quem se inclina pela leitura elevada, pelo amor como elevação do espírito, escolhe peças sóbrias e luminosas: pérolas, madrepérola branca, um sinal fino do planeta. Quem está mais perto do lado terreno e sensual pega em ouro quente, pedra rosada, coral intenso. Um mesmo símbolo da deusa soa diferente consoante qual dos seus rostos te seja mais próximo, e não é preciso dizê-lo em voz alta, basta senti-lo por si mesmo.

A pérola vai sobre a clavícula nua, não por cima de uma gola alta. Vénus saiu da espuma, não da lã. E não me seja pindérico.
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Com que usar as joias de Afrodite

Depois de anos de rodagens e provas, o tema venéreo passou por uma centena de looks comigo, desde um camafeu rigoroso até um fino sinal do planeta. Aqui vai o que de verdade sustenta um look, ordenado por ocasião.

Com que uso a pérola no dia a dia? Para o dia a dia recomendo uma só pérola ou um fino pendente de concha em fio sobre uma t-shirt lisa, uma camisa de linho ou uma malha leve. Aos tons frios da roupa vai bem a prata e o ouro branco, aos quentes o ouro amarelo. Um pormenor: a pérola ponho-a por último, depois do perfume e do penteado, ou a pedra apaga-se.

E o camafeu, onde? O camafeu pede espaço à volta do perfil. Aconselho um fio simples e um decote tranquilo sem estampado, para que o rosto da deusa se leia e não se afogue no desenho. Um camafeu grande, melhor sozinho, sem pendentes vizinhos. Sobre um top liso de cor profunda fica o mais elegante.

Como monto um look romântico? Para um encontro ou um aniversário escolho ouro quente e uma pedra rosada, morganite ou quartzo rosa, com o motivo da rosa ou um par de pombas. Decote aberto, tecido liso em tom vinho ou pó. O rosa quer luz quente e texturas suaves; a seda e o veludo ao lado trabalham a favor do look.

E o sinal do planeta Vénus, como se usa? O sinal é linha gráfica pura, e vive pelas regras do minimalismo. Recomendo um fio fino, um comprimento curto junto à clavícula e um decote limpo sem adornos. Ao lado só peças igualmente gráficas, sem cachos de pérolas. É a forma mais quotidiana e mais tranquila de usar o tema, e não exige ocasião.

Como evito cair no enjoativo? O tema venéreo passa-se com facilidade se pendurares de uma vez pérola, rosas e pequenos amores. Aconselho um só acento claro: escolhe o símbolo principal, a concha, a pérola ou o sinal do planeta, e constrói o look à sua volta. Quanto mais solene a ocasião, mais oportuna a deusa figurativa; quanto mais quotidiana, mais sóbrio o símbolo. A medida é aqui a melhor homenagem à deusa da harmonia.

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História da imagem

O Próximo Oriente antigo: as predecessoras

Antes da Afrodite grega, no Próximo Oriente venerou-se durante milénios deusas do amor e da guerra. A suméria Inanna, a babilónica Ishtar, a fenícia Astarté. Todas elas uniam em si a beleza, a paixão e o poder. Chipre, onde segundo o mito Afrodite saiu da espuma, era um cruzamento de rotas comerciais, e o culto da deusa local absorveu traços orientais. Por isso, nas representações mais antigas, Afrodite aparece muitas vezes armada ou severa, mais perto da guerreira Ishtar do que da doce beleza dos séculos posteriores.

Estas deusas orientais deixaram a sua marca também na joalharia. A Ishtar associava-se uma estrela de oito pontas que se gravava em selos e se trazia como sinal da sua proteção. Através de intermediários como essa estrela e a pomba, ave sagrada comum a muitas deusas do Próximo Oriente, a simbologia fluiu com suavidade de uma cultura para outra. Quando os gregos adotaram Afrodite, herdaram também parte desse repertório antigo de sinais, incluindo a pomba, que chegou até aos nossos dias.

Arcaísmo e classicismo: o nascimento do cânone

Na Grécia arcaica representava-se a deusa vestida, com uma maçã ou uma flor na mão. A mudança chegou no século IV a. C. O escultor Praxíteles criou a Afrodite de Cnido, a primeira grande estátua feminina nua da arte grega. A deusa aparece surpreendida antes do banho, cobre-se com uma mão, a seu lado um recipiente com a roupa. Para a sua época foi uma revolução. Os habitantes de Cnido recusaram vender a estátua mesmo em troca do cancelamento de todas as dívidas da cidade, e os peregrinos chegavam de barco para a ver de todo o Mediterrâneo.

Helenismo: a Vénus de Milo

Estátua de mármore de Afrodite com o torso nu e o pano a cair, cópia romana de um modelo helenístico
Afrodite de mármore, cópia romana de um modelo helenístico de linhas suaves do corpo e perfil sóbrio, aparentado com a célebre Vénus de Milo. Roma, séculos I-II. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0).Marble statue of Aphrodite, 1st or 2nd century CE. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

A estátua mais famosa da deusa foi criada por volta dos anos 130-100 a. C. na ilha de Milos. A figura de mármore sem braços, com o torso nu e o pano a cair, tornou-se ao longo de dois milénios símbolo da beleza clássica como tal. Os braços perderam-se, e ainda se discute o que segurava: uma maçã, um espelho, a orla do manto. Essa indefinição tornou-a ainda mais atraente. A imagem do perfil sóbrio e das linhas suaves do corpo passou para os camafeus, os medalhões e os pendentes talhados.

A antiga Roma: Vénus mãe da linhagem

Estátua de mármore de Afrodite, a chamada Vénus Genetrix, tipo Venus Genetrix
O mesmo tipo da Vénus mãe da linhagem (Venus Genetrix), a quem Júlio César dedicou um templo no seu novo fórum. Estátua romana de mármore segundo o modelo de Calímaco, séculos I-II. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0).Marble statue of Aphrodite, the so-called Venus Genetrix, Kallimachos, 1st-2nd century CE. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Roma adotou a deusa como sua. Júlio César ergueu um templo a Vénus mãe da linhagem (Venus Genetrix) no seu novo fórum e trazia um anel com a sua imagem. Os frescos de Pompeia mostram Vénus sobre uma concha, navegando pelo mar. As damas romanas traziam joias com a sua imagem, acreditando que a deusa concedia encanto e sorte no amor. Foi precisamente da tradição romana que nos chega a própria ideia de «venéreo» no sentido de «relativo à beleza e ao amor».

Renascimento: «O nascimento de Vénus» de Botticelli

Por volta de 1485, o florentino Sandro Botticelli pintou «O nascimento de Vénus». A deusa nua ergue-se sobre uma enorme valva de concha, os ventos empurram-na para a margem, uma ninfa apressa-se a cobri-la com um manto. O quadro uniu o tema antigo à Florença cristã e tornou-se a imagem da deusa mais reproduzida de toda a história. Foi daí precisamente que a concha de vieira ficou soldada a Vénus no imaginário coletivo. Quando hoje vês um pendente em forma de valva aberta, por trás está Botticelli, não a biologia real do molusco.

Neoclassicismo e século XIX

Nos séculos XVIII e XIX, a Europa apaixonou-se de novo pela Antiguidade. Os escultores talhavam Vénus em mármore branco, os joalheiros cortavam camafeus com o seu perfil em ágata e em concha, e os medalhões com a deusa ofereciam-se nos pedidos de casamento. A moda vitoriana da «linguagem das flores e dos símbolos» fixou a rosa, a pomba e a murta como sinais dos sentimentos ternos, e os três conduzem a Afrodite. Por essa altura, o camafeu com um perfil feminino passou a ser uma peça quase obrigatória do guarda-roupa das damas, e muitos desses perfis são justamente a deusa do amor.

Pompeia e o quotidiano romano

Um capítulo à parte na história da imagem são as cidades romanas sepultadas pela cinza do Vesúvio. Nas paredes das casas de Pompeia conservaram-se frescos com Vénus a navegar pelo mar sobre uma valva de concha, e essas pinturas deram aos arqueólogos a rara ocasião de ver como se representava a deusa na vida comum, não na do templo. Entre essas mesmas ruínas encontraram-se joias femininas com os seus motivos: anéis de entalhe, brincos, pendentes. Pompeia mostrou que Vénus era ao mesmo tempo alta arte e parte da vida quotidiana, também da joalharia.

O século XX: o regresso do motivo

Após um longo silêncio, a imagem da deusa voltou à joalharia por vagas. A art déco preferia a geometria sóbria e tomava não a figura em si, mas os seus atributos: a pérola, a onda do mar, a concha estilizada. Mais tarde, os joalheiros voltaram de novo ao mito diretamente, fazendo pendentes de valva e medalhões com o perfil de Vénus. Hoje o motivo vive ao mesmo tempo por dois canais: o clássico, com camafeus e pérolas, e o contemporâneo, com o sinal sóbrio do planeta Vénus num fio fino.

Símbolos de Afrodite

A concha

A concha é o sinal do nascimento da deusa a partir do mar. No mito, a onda levou Afrodite até à margem dentro de uma valva aberta, e desde então a concha lê-se como seio da beleza, como vaso de onde surge o amor. É importante não confundir os sentidos: em Afrodite, a concha é um atributo da deusa, símbolo de nascimento e feminilidade, não o material da madrepérola em si. E se o que te interessa é a vieira como sinal do peregrino no caminho para Santiago, esse é um tema muito diferente, a que se dedica uma análise à parte.

A pérola

A pérola nasce dentro da concha, na água, devagar e em segredo. Para os antigos era uma gota coalhada de espuma do mar, ou seja, literalmente uma partícula daquela mesma substância de que saiu Afrodite. Por isso a pérola é considerada desde a Antiguidade a pedra da deusa do amor: sinal de pureza, feminilidade e beleza terna. Sobre os tipos, a escolha e o cuidado há um guia completo das pérolas, e aqui basta dizer que um pendente ou uns brincos de pérolas são a forma mais direta de trazer a simbologia de Vénus sem uma única inscrição.

A pomba

A pomba é a ave sagrada de Afrodite. Os gregos atrelavam pombas ao seu carro, mantinham-nas nos templos e soltavam-nas nos dias de festa. O par de pombas a arrulhar tornou-se sinal dos apaixonados já na Antiguidade e chegou até aos nossos dias: as pombas dos postais de casamento são descendentes diretas das aves da deusa. Na joalharia, duas pombas viradas uma para a outra leem-se como símbolo do par fiel.

A rosa

Segundo uma lenda, a rosa brotou do sangue do amado de Afrodite; segundo outra, as rosas brancas ficaram vermelhas quando a deusa espetou o pé nos espinhos ao correr para ele. Assim a rosa passou a ser a flor do amor e da paixão, e continua a sê-lo. Uma rosa vermelha numa joia é uma maneira breve de falar do sentimento. Sobre a simbologia floral na joalharia em sentido amplo há um artigo: as flores na joalharia.

A murta

A murta é um arbusto de folha perene com flores brancas e aroma especiado, consagrado a Afrodite. Com uma coroa de murta adornava-se as noivas, os ramos de murta levavam-se nos casamentos e a murta plantava-se junto aos templos da deusa. Ao contrário da rosa exuberante, a murta é um símbolo discreto e doméstico do amor conjugal e da longa concórdia. Na joalharia atual aparece com menos frequência, mas uma coroa de murta gravada ou esmaltada remete justamente para Vénus.

O espelho (sinal ♀)

O espelho é atributo da beleza: a deusa olha-se nele, comprazendo-se e comprovando o seu encanto. Desse espelho, segundo uma versão muito difundida, nasceu o sinal astronómico e alquímico de Vénus, um círculo com uma pequena cruz por baixo. Hoje esse mesmo sinal lê-se como símbolo do sexo feminino. O sinal acumulou muitos sentidos ao mesmo tempo, do planeta à política, e dedica-se-lhe uma análise à parte: o símbolo da mulher e o sinal de Vénus na joalharia. No contexto da deusa, o espelho é antes de tudo sinal de beleza e de comprazimento em si mesma, no bom sentido da palavra.

O cinto mágico

Afrodite tinha um cinto mágico, em grego «cestos», que tornava irresistível quem o usasse. Nos mitos pedia-o emprestado até Hera, para recuperar a atenção de Zeus. O cinto é um atributo raro, quase esquecido, mas é justamente ele que encarna a ideia do «magnetismo», da atração que não se explica apenas pelo aspeto. Na joalharia, o seu eco são os cintos-corrente finos e o motivo da fita entrelaçada.

A maçã

A maçã de ouro com a inscrição «para a mais bela» foi atirada pela deusa da discórdia, e três deusas disputaram a quem pertenceria. Páris deu-a a Afrodite, e assim começou o caminho para a guerra de Troia. Desde então a maçã é o sinal da vitória na disputa pela beleza, do prémio à mais formosa. Os estudiosos ainda conjeturam se não seria uma maçã o que a Vénus de Milo segurava na mão. Na joalharia, a maçã aparece poucas vezes, mas como alusão subtil ao mito de Páris entendem-na logo os que a conhecem.

O golfinho e os motivos marinhos

Como a deusa saiu do mar, todo o tema marinho lhe pertence. O golfinho, que acompanhava Afrodite pelas ondas, a crista da onda, a estrela-do-mar, tudo isso são imagens aparentadas com ela. Na escultura antiga, um pequeno golfinho segura muitas vezes a perna da deusa, ajudando a aguentar o pesado mármore e recordando ao mesmo tempo o seu nascimento da água. Na joalharia atual, os motivos marinhos ao lado da pérola ou da madrepérola reforçam a ligação a Vénus, mesmo sem a sua figura.

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O significado de Afrodite na joalharia

O amor

O sentido mais evidente. Uma joia com os símbolos da deusa é uma joia sobre o sentimento: romântico, terno, apaixonado. Oferece-se como sinal de amor e usa-se como lembrança dele. Ao contrário do coração abstrato, a imagem de Vénus acrescenta profundidade: por trás há toda uma mitologia, não apenas um ícone.

A beleza

Afrodite é o cânone de beleza na cultura europeia. Usar o seu símbolo significa reconhecer o valor da beleza como tal, do cuidado de si, da estética. Não é vaidade, mas respeito pela harmonia que a deusa encarnava.

A feminilidade

A concha, a pérola, a rosa são formas macias, arredondadas, femininas. Uma joia com a simbologia da deusa sublinha o feminino sem desafio e sem inscrições. Muitas escolhem-na precisamente por isso: uma afirmação serena e segura da feminilidade.

A atração

O cinto mágico de Afrodite encarnava o magnetismo. Por isso as suas joias usam-se muitas vezes como talismã de atração: não um feitiço, mas uma sintonia com o próprio atrativo, com a segurança que torna a pessoa atraente. Psicologicamente funciona de forma simples. Quando uma peça te recorda que mereces amor, comportas-te de outra maneira.

O valor próprio

A leitura atual da deusa deslocou-se de «agradar aos outros» para «valorizar-se a si mesma». O espelho de Vénus é ao mesmo tempo olhar para fora e olhar para dentro. As joias com a sua simbologia compram-se cada vez mais para si própria, como sinal de respeito por si e de amor por si mesma, e não só como presente de outra pessoa.

A fertilidade e a abundância

Na Antiguidade, Afrodite regia tanto os sentimentos das pessoas como a fertilidade da terra e do mar, a abundância e a continuação da linhagem. Essa camada de significados está quase esquecida na joalharia, mas explica por que se associava a deusa tão frequentemente à primavera, à floração e à colheita. Um pendente com a simbologia venérea lia-se historicamente também como desejo de fertilidade, bem-estar e vida plena, não apenas de amor romântico.

A harmonia e a estética

Vénus, em sentido amplo, tem que ver com a harmonia: a proporção, a beleza das medidas, o prazer do belo. Não por acaso leva o seu nome o planeta que na astrologia rege o gosto e a atração pela arte. Uma joia com o seu motivo convém a quem valoriza não o ruído, mas a proporção e o sentido da medida. É uma declaração serena de amor pela beleza como valor, sem brilho ostensivo.

Afrodite e Vénus: o grego e o romano

Uma deusa, dois nomes

Afrodite e Vénus não são duas deusas distintas, mas uma só figura em duas culturas. Os gregos chamavam-lhe Afrodite, os romanos Vénus, e quando Roma adotou os mitos gregos, as duas imagens fundiram-se. Na joalharia ambos os nomes se usam como sinónimos, e a escolha depende mais do gosto: «Vénus» soa mais familiar ao ouvido europeu, «Afrodite» remete diretamente para a fonte original grega.

Em que se distinguia a Vénus romana

A Afrodite grega era antes de tudo deusa do amor e da beleza. A Vénus romana acrescentou a isso um significado de Estado: mãe da linhagem dos Júlios, protetora de Roma, símbolo da sorte na guerra (Venus Victrix, Vénus Vencedora). Por isso as joias romanas com a deusa traziam por vezes um matiz político que entre os gregos não existia.

Eros, Cupido e Amor

O filho da deusa chama-se Eros entre os gregos, Cupido ou Amor entre os romanos. O menino alado com arco e flechas que fere os corações é o seu acompanhante constante na arte. Na joalharia, mãe e filho aparecem muitas vezes juntos: Vénus e um pequeno cupido são um tema clássico dos camafeus e medalhões do Renascimento e do neoclassicismo.

Por que Vénus era mais séria do que Afrodite

Se repararmos, a Vénus romana revelou-se mais pesada e de mais peso do que a sua fonte original grega. Aos gregos, Afrodite era-lhes cara como deusa do sentimento e da beleza, mas à alta política não costumavam deixá-la aproximar-se. Os romanos fizeram o contrário. Converteram Vénus em mãe do seu povo: através do seu filho Eneias, fugido da Troia em chamas, as primeiras famílias de Roma faziam remontar a sua linhagem. O ditador que fundou de facto o império e os seus herdeiros chamavam abertamente antepassada à deusa e cunhavam-na nas moedas.

Daí lhe vieram a Vénus alcunhas que a doce grega não tinha. Vénus Vencedora regia a sorte na guerra, Vénus mãe da linhagem a continuação da família e do Estado, Vénus Purificadora a ordem moral. A deusa do amor alargou-se até ser protetora de toda Roma. O amor entre os romanos não ficava anulado, mas somava-se-lhe o peso do Estado, da família, do destino do povo.

Esta diferença ouve-se subtilmente também na joalharia. A Afrodite grega é mais ligeira, tem que ver com o sentimento puro e a beleza marinha. A Vénus romana é mais sólida, nela há um matiz de dignidade, de linhagem, de intenção séria. Por isso um camafeu maciço com um perfil lê-se um pouco «à romana», e um pendente de concha aéreo um pouco «à grega». Não é uma regra estrita, mas uma entoação, mas existe, e quem sabe percebe-a. A relação de Vénus com o panteão e com a figura daquele que troveja completa-se comodamente através do panorama dos deuses do Olimpo e o panteão grego e do retrato do próprio Zeus como rei dos deuses, cuja filha Homero a chamava.

Materiais para joias com Afrodite

A pérola

O material mais «venéreo» de todos. A pérola nasce na concha, tal como a própria deusa saiu da valva, pelo que a ligação é direta e antiga. A pérola branca lê-se como ternura pura, a cor creme como feminilidade quente, a negra do Taiti como mistério e paixão. A pérola é delicada no seu cuidado, teme os ácidos e os perfumes, mas em troca dá um brilho suave e vivo que as pedras facetadas não têm. Sobre as distintas variedades convém ler o guia das pérolas.

A concha e a madrepérola

A madrepérola é a camada interior da concha, aquela mesma em que nasce a pérola. Com ela talham-se camafeus, fazem-se incrustações e pendentes em forma de valva. A madrepérola é mais acessível do que a pérola e, ainda assim, traz a mesma simbologia marinha da deusa. A sua cor é irisada, do branco leitoso ao cinzento rosado, e combina muito bem com a prata e o ouro.

A morganite e o quartzo rosa

As pedras rosadas ligam diretamente ao tema do amor e da ternura. A morganite é um berilo rosa pouco comum, transparente, de um resplendor tranquilo entre pêssego e rosa, uma pedra do segmento premium. Os detalhes estão no artigo a morganite, o berilo rosa. O quartzo rosa é mais suave e acessível; chamam-lhe desde antigamente «pedra do amor» e associa-se à ternura para consigo mesma e para com os outros, e dele há uma análise à parte do quartzo rosa. Ambas as pedras encaixam bem em joias com o tema venéreo.

O ouro e a prata

O ouro é o metal do sol, do calor e do luxo; sublinha a solenidade da imagem da deusa e combina muito bem com a pérola de tons creme. A prata é mais fria e discreta, está mais perto do mar e da lua, da pérola branca e da madrepérola. Se quiseres usar a simbologia no dia a dia, a prata é mais prática: sobre como distinguir a autêntica há um artigo, a prata 925, o que significa. Muitos combinam os dois metais, e nisso não há erro.

O coral

O coral tem com Vénus uma ligação antiga. Os autores da Antiguidade consideravam o coral vermelho sangue coalhado ou uma planta do mar petrificada, nascida na mesma substância que a deusa. O coral rosa e vermelho usava-se para colares, camafeus e pendentes, e durante muito tempo acompanhou o tema marinho venéreo juntamente com a pérola. Hoje o coral natural extrai-se cada vez menos pela proteção dos recifes, pelo que se veem mais frequentemente alternativas cuidadosas e peças vintage, mas o motivo em si continua a ser reconhecidamente «marinho» e quente.

A turquesa e a água-marinha

As pedras azuis e verde-azuladas acrescentam ao tema venéreo a cor do próprio mar. A água-marinha, cujo nome significa literalmente «água do mar», é transparente e fria, e liga-se à onda de que saiu a deusa. A turquesa é mais quente e densa, considerava-se desde antigamente pedra de proteção e traz ao mesmo tempo essa mesma nota marinha. Ambas as opções são boas se quiseres afastar-te da habitual pérola branca e dos tons rosados em direção à imagem do mar como substância do nascimento de Afrodite.

O camafeu como suporte material

O camafeu não é uma pedra, mas uma técnica de talha, mas no tema de Vénus é quase um material à parte. O mestre pega numa ágata em camadas, num sardónico ou numa concha, onde a camada clara assenta sobre a escura, e talha o perfil branco da deusa sobre o fundo contrastado. O camafeu de concha é mais leve e barato do que o de pedra, por isso foi ele que tornou massiva a imagem de Vénus no século XIX. O camafeu vale por trazer o rosto da deusa de maneira literal, não por alusão, e ao mesmo tempo continua a ser um detalhe elegante, não uma figura aparatosa.

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Vénus na arte

Escultura: de Cnido ao neoclassicismo

A imagem da deusa na pedra é uma história à parte de dois mil anos. A Afrodite de Cnido de Praxíteles fixou o cânone da beleza nua, a Vénus de Milo levou-a à perfeição, e os escultores do Renascimento e do neoclassicismo copiaram e recriaram essa imagem uma e outra vez. Muitas poses dos camafeus e medalhões são citações reduzidas de estátuas famosas.

Pintura: Botticelli e os venezianos

Depois de «O nascimento de Vénus» de Botticelli, a deusa passou a ser a heroína favorita dos pintores. Os mestres venezianos pintavam-na reclinada, os artistas do norte vestiam-na com as joias da sua época. Desses quadros passaram para a joalharia os detalhes: a coroa de rosas, o fio de pérolas ao pescoço, a concha sob os pés. Quando olhas para um camafeu antigo, muitas vezes tens diante de ti um fragmento de uma tela famosa.

Camafeus e glíptica

Camafeu antigo de sardónico com relevo claro sobre fundo escuro
Camafeu de sardónico: o mestre aproveitou a camada clara da pedra sobre a escura para talhar o relevo por contraste. Roma, século I a. C. ao século III d. C. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0).Sardonyx cameo, 1st century BCE-3rd century CE. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

A talha em pedra e em concha é o ofício em que a imagem de Vénus viveu de forma especialmente longa. O camafeu com um perfil feminino foi uma peça obrigatória do guarda-roupa das damas durante todo o século XIX, e muito frequentemente trata-se justamente da deusa do amor. A ágata em camadas, o sardónico e o camafeu de concha davam ao mestre um material com camadas de cor já prontas, das quais talhava o perfil branco sobre o fundo escuro.

Vénus na poesia e na literatura

A imagem da deusa viveu na pedra e na cor, e também na palavra. O poeta romano Lucrécio abriu o seu poema «Sobre a natureza das coisas» com um hino a Vénus como a força que move tudo o que é vivo e faz nascer a primavera. Os poetas do Renascimento cantaram a sua beleza e, com ela, a concha, a pérola e a rosa. Esses versos alimentavam também os joalheiros: o cliente que tinha lido sobre a «nascida da espuma» queria trazer um eco do que lera. A Vénus literária e a Vénus da joalharia cresciam juntas e alimentavam-se uma à outra durante séculos.

Por que esta imagem não envelhece

O coração como sinal do sentimento apareceu relativamente tarde, ao passo que a imagem de Vénus se sustenta há três mil anos, e a razão está no seu carácter de várias camadas. Um mesmo símbolo fala do amor, da beleza, da feminilidade, da fertilidade, da harmonia e até do planeta no céu. Cada época tomou dele o seu, sem anular o anterior. Por isso uma joia com a deusa não fica presa à moda de uma década concreta: apoia-se no sentido acumulado por dezenas de gerações, e por isso não envelhece.

Três imagens que fixaram o cânone

Se se reduzir toda a história da imagem a umas poucas coisas, saem três representações famosas sobre as quais se sustenta toda a iconografia posterior da deusa. A primeira é a Afrodite de Cnido do escultor Praxíteles, criada por volta de meados do século IV a. C. É a primeira grande estátua de uma deusa nua na arte grega. Antes dela apenas se esculpia nus os homens, e às mulheres vestiam-nas. Praxíteles surpreendeu a deusa antes do banho: deixou a roupa sobre um recipiente que tem ao lado e cobre-se com uma mão. Essa pose, pudica e serena ao mesmo tempo, recebeu o nome de «Vénus Púdica» e espalhou-se por milhares de cópias, camafeus e medalhões. O original perdeu-se, mas conhecemo-lo pelas repetições romanas.

A segunda é a Vénus de Milo, uma figura de mármore da época helenística, encontrada na ilha de Milos no início do século XIX. Sem braços, com o torso nu e o pano a cair para as ancas, tornou-se em duzentos anos sinónimo da beleza clássica em geral. A perda dos braços revelou-se uma vantagem: a indefinição desperta a imaginação, e cada um completa a imagem à sua maneira. Desta estátua passaram para a joalharia o perfil sóbrio, a tranquila inclinação da cabeça e a linha suave do ombro, fáceis de reconhecer nos camafeus.

A terceira representação é já pintura, «O nascimento de Vénus» do florentino Botticelli, pintado no final do século XV. A deusa ergue-se sobre uma enorme valva de vieira, os ventos empurram-na para a margem, uma ninfa apressa-se a cobri-la com um manto. O quadro uniu o tema antigo à Florença cristã e tornou-se a imagem da deusa mais reproduzida de toda a história. Foi justamente a partir dele que a concha de vieira ficou soldada a Vénus no imaginário coletivo. Quando vês um pendente em forma de valva aberta, por trás está Botticelli, não o molusco real. Estas três coisas, duas esculturas e um quadro, são a linguagem comum que falam todas as joias com a deusa.

A psicologia de escolher um símbolo do amor

É curioso o próprio repertório de símbolos do amor, e mais fina ainda é a pergunta de por que uma pessoa escolhe justamente a deusa, e não um coração, nem um nó, nem uma palavra. Por trás da escolha costuma estar o desejo de profundidade. O coração lê-se ao instante e por isso percebe-se demasiado geral, como um emoji. A imagem de Vénus exige conhecimento, e esse conhecimento torna-se parte do prazer: quem a usa traz uma peça cujo sentido não se revela de uma vez, e isso dá-lhe o valor do segredo.

Há um segundo motivo, mais pessoal. Os psicólogos há muito que notaram que um objeto-lembrança muda o comportamento. Quando uma joia recorda com suavidade à pessoa que ela merece amor e que é bela, comporta-se com mais segurança, e essa segurança torna-a mais atraente aos olhos dos outros. Não há magia alguma nisso, funciona a simples autossintonia. O símbolo venéreo é cómodo para esse papel precisamente porque fala ao mesmo tempo do amor e do valor próprio, do olhar para fora e do olhar para dentro.

O terceiro motivo é a passagem de «agradar» a «valorizar-se». Há apenas um século, uma joia com a deusa comprava-se de presente, para agradar ou alegrar outra pessoa. Hoje escolhem-na cada vez mais para si própria e para si mesma, como um sinal discreto de respeito por si. O espelho de Vénus, de símbolo da vaidade, converteu-se em símbolo do cuidado de si. Essa passagem explica muitas coisas sobre por que a imagem antiga se enraizou tão bem no comprador atual: sabe falar ao mesmo tempo do amor pelo outro e do amor por si mesma, sem contrapor uma coisa à outra.

Vénus para além da arte

A imagem da deusa saiu há muito dos museus e das galerias e espalhou-se pela linguagem corrente. Do seu nome procede a palavra «afrodisíaco», substância que acende o desejo. O latim «venéreo» deu nome à beleza e a toda uma série de plantas: a avenca é um nome de fetos elegantes ligado a Vénus, o sapatinho-de-vénus é uma orquídea com a flor em forma de sapatinho, e os cintos e espelhos de Vénus aparecem nos velhos manuais de botânica. A deusa deu nome até a um dia da semana: as línguas românicas chamam à sexta-feira em sua honra, porque os romanos consagraram esse dia a Vénus.

No céu, o seu nome leva-o o planeta mais brilhante depois da Lua e do Sol, visível ao entardecer e ao amanhecer. Os antigos, sem saber que era um só astro, tomaram durante muito tempo a Vénus matutina e a vespertina por duas estrelas diferentes e davam-lhes nomes diferentes. Às crateras do próprio planeta os astrónomos chamam por tradição com nomes femininos, e é uma homenagem tácita à deusa. Assim, a imagem de Afrodite vive ao mesmo tempo em três camadas: na joalharia como símbolo do amor, na linguagem como raiz de muitas palavras, e no céu como ponto de luz que as pessoas observam há milhares de anos. Essa omnipresença explica por que o motivo venéreo num pendente não se percebe como algo estreito: por trás há toda uma rede de sentidos repartidos pela cultura.

Símbolos de Vénus comparados
SímboloSignificadoMelhor materialMelhor paraUso diário
ConchaNascimento da beleza do marMadrepérola, prataDia a dia
PérolaFeminilidade, pureza, amor ternoPérola, ouroCasamentos, presentes
RosaAmor e paixãoPedra rosa, esmaltePresente romântico
PombaPar fiel, apaixonadosOuro, prataCasais, aniversário
Sinal de VénusPlaneta, feminilidade, autoestimaOuro ou prata lisosPara si, diário

Vénus na astrologia

O planeta do amor e da beleza

Na astrologia, Vénus é o planeta encarregado do amor, das relações, da estética, do dinheiro e dos prazeres. «Rege» os signos de Touro e Balança. Considera-se que as pessoas com uma Vénus forte no mapa são encantadoras e tendem para a beleza. Daí a popularidade das joias com a simbologia venérea entre quem se dedica à astrologia: é o sinal do próprio planeta sobre o corpo.

Vénus no signo de Balança

Balança é o segundo signo que Vénus rege, e aqui manifesta-se de outro modo do que no sensual Touro. Balança tem que ver com o equilíbrio, o par, a diplomacia e o amor pela harmonia nas relações. Para os nascidos sob Balança, a simbologia venérea lê-se como sinal da busca do equilíbrio e da beleza da união. Se Touro toma de Vénus a sensualidade, Balança toma a elegância e a atração pela concórdia, e uma joia com a deusa sublinha justamente essa face.

O sinal ♀ e os seus sentidos

Aquele círculo com a pequena cruz que nasceu do espelho da deusa designa em astronomia o planeta Vénus, e hoje lê-se além disso como símbolo do sexo feminino e como sinal alquímico do cobre. Os sentidos acumularam-se tanto que se lhes dedica um material à parte: o símbolo da mulher e o sinal de Vénus. Numa joia, este sinal pode apresentar-se como se quiser: como planeta, como feminilidade ou simplesmente como uma grafia sóbria.

Vénus no signo de Touro

Touro é o signo próprio de Vénus, e não por acaso se associa ao amor pelas coisas belas, ao conforto e aos prazeres sensuais. Sobre a combinação do touro, Vénus e este signo há um artigo à parte, as joias de Touro. Para os nascidos sob Touro, uma joia com o tema venéreo é quase um autorretrato em metal.

Afrodite frente a outros símbolos do amor

Vénus e o coração

O coração é um sinal universal do sentimento, que se lê ao instante, mas justamente nessa simplicidade está o seu ponto fraco: é anónimo e encontra-se a cada passo. A imagem de Vénus é mais funda, por trás há um mito, uma história, todo um repertório de atributos. Se o que se busca é sentido, e não um simples ícone, a deusa ganha. Sobre o próprio sinal do coração e a sua história há um artigo, o coração anatómico na joalharia, e um panorama de todos os sinais do sentimento recolhe-se no artigo os símbolos do amor na joalharia.

Vénus e Cupido

Cupido, também chamado Amor, é o filho de Vénus, o arqueiro alado que fere os corações. A sua flecha tem que ver com o enamoramento repentino, com o golpe do sentimento. Vénus, por sua vez, tem que ver com o amor como estado, como beleza e atração em geral. Muitas vezes usam-se juntos: mãe e filho complementam-se, a paixão e a ternura num mesmo tema.

Vénus e o nó do amor

O nó é o símbolo do laço que não se pode quebrar, sinal da fidelidade e da união. Tem que ver com a solidez das relações, ao passo que Vénus tem que ver com a sua beleza e a sua atração. Bom par para um presente conjunto: o nó diz «para sempre», Vénus diz «com amor». Sobre os distintos nós há artigos sobre o nó celta e o nó marinheiro.

Vénus e as palavras-talismã

Às vezes o amor quer-se exprimir com uma palavra direta: fé, esperança, amor, gravadas no metal. É a linguagem mais literal do sentimento, sem mitologia nem decifração. Vénus, por sua vez, fala com a imagem, não com o texto, e nisso está a sua força: o símbolo funciona em vários níveis ao mesmo tempo e não soa insistente. Sobre as inscrições-talismã há uma análise à parte, as joias com as palavras amor, fé, esperança. Funciona bem quando a palavra e a imagem se complementam, em vez de se duplicarem.

Afrodite e Vénus: mitos e verdade
Afrodite e Vénus são duas deusas diferentes
Toque para revelar
A concha de Afrodite é só um material de praia
Toque para revelar
A pérola já foi considerada uma gota de espuma do mar
Toque para revelar
Só as mulheres podem usar joias com Vénus
Toque para revelar
A Vénus de Milo segurava algo nas mãos
Toque para revelar

Factos que surpreendem

À Afrodite de Cnido de Praxíteles valorizava-se-a tanto que, segundo a tradição, o rei Nicomedes ofereceu à cidade de Cnido cancelar toda a dívida estatal em troca da estátua. Os habitantes recusaram.

Os romanos tinham uma festa especial, as Veneralias, a 1 de abril, quando as mulheres retiravam as joias da estátua da deusa, lavavam-na e voltavam a engalaná-la, pedindo sorte no amor.

Os antigos acreditavam que as pérolas eram gotas coalhadas de espuma do mar ou de orvalho caído numa concha aberta. Como Afrodite nasceu da espuma, a pérola percebia-se como uma partícula literal da deusa.

À famosa Vénus de Milo ainda não se lhe encontraram os braços, e há quase duzentos anos os estudiosos discutem se segurava uma maçã, um espelho ou o escudo de Ares, no qual se mirava.

A pomba tornou-se «ave da paz» muito mais tarde; ao princípio era a ave da paixão e da fertilidade, consagrada justamente a Afrodite, e um par de pombas significava apaixonados, não calma.

A palavra «afrodisíaco», ou seja, substância que acende o desejo, procede diretamente do nome de Afrodite.

Botticelli representou Vénus de pé sobre uma valva de vieira, embora no próprio mito antigo não se precise o tipo de concha. Foi justamente o quadro que fixou no imaginário coletivo o binómio «Vénus mais vieira».

O planeta Vénus é o objeto mais brilhante do céu noturno depois da Lua, e os antigos, ao vê-lo ao amanhecer e ao entardecer, tomaram durante muito tempo a estrela matutina e a vespertina por dois astros diferentes.

A sexta-feira nas línguas românicas leva o nome de Vénus: em francês vendredi, em italiano venerdì, em espanhol viernes. Os romanos consagraram esse dia à deusa, e o nome chegou até hoje, embora poucos se lembrem porquê.

A Afrodite de Cnido de Praxíteles instalou-se num templo aberto por todos os lados, para poder admirar a estátua em redor. Os autores antigos escreviam que o mármore tinha por trás não menos admiradores do que pela frente, e os peregrinos rodeavam a deusa dando voltas.

Às crateras do planeta Vénus os astrónomos, por acordo internacional, chamam apenas com nomes femininos, reais e míticos. É o único planeta que goza de um mapa inteiramente «feminino», e uma homenagem tácita ao nome da deusa.

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Perguntas frequentes

Em que se distingue Afrodite de Vénus?

É uma mesma deusa sob nomes diferentes. Afrodite é o nome grego, Vénus o romano. Quando Roma adotou a mitologia grega, as imagens fundiram-se. Na joalharia ambos os nomes se usam como sinónimos, a diferença está só em como soam e num leve matiz: Vénus, entre os romanos, era além disso protetora do Estado.

Por que a concha se considera símbolo de Afrodite?

Segundo o mito, a deusa nasceu da espuma do mar e saiu à margem dentro de uma concha aberta. O quadro de Botticelli «O nascimento de Vénus» fixou essa imagem. Por isso a concha de Afrodite é sinal do nascimento da beleza e da feminilidade, não um material marinho em si. A vieira como sinal do peregrino é um tema à parte, a que se dedica a análise da vieira do Caminho de Santiago.

Pode um homem usar uma joia com Vénus?

Sim. A simbologia do amor e da beleza não tem um vínculo rígido com o sexo, e o próprio sinal de Vénus era usado por alquimistas e astrónomos sem relação alguma com a feminilidade. A um homem ficam-lhe bem as opções sóbrias: uma pérola num engaste simples ou o sinal do planeta sem pedras rosadas. As pérolas agora usam-nas também os homens, e disso há um artigo à parte.

Que pedra vai melhor com o tema de Afrodite?

A pérola, porque nasce na concha e está ligada diretamente ao mito da deusa. Das pedras de cor, as mais próximas são as rosadas: a morganite para um look premium e o quartzo rosa como «pedra do amor» acessível. A madrepérola vai bem para camafeus e pendentes de valva.

Oferecem-se joias com Vénus nos casamentos?

Sim, e é uma tradição antiga. A murta, consagrada a Afrodite, entretecia-se desde sempre nas coroas das noivas, e a pérola considerava-se a pedra nupcial da pureza e da feminilidade. Um pendente ou uns brincos com a simbologia venérea são um presente de casamento oportuno e de fundo significado.

Tem relação com a astrologia?

Sim, há uma relação direta. Vénus é o planeta do amor e da beleza, rege Touro e Balança. Quem se dedica à astrologia usa a simbologia venérea como sinal do seu planeta. Mais detalhes sobre o próprio sinal no artigo o símbolo da mulher e o sinal de Vénus.

Por que a imagem de Vénus é melhor do que um coração corrente?

O coração lê-se ao instante, mas é anónimo e encontra-se em todo o lado. Por trás da imagem de Vénus há um mito, uma história e todo um repertório de atributos: a concha, a pérola, a pomba, a rosa. Isso dá profundidade e converte a joia numa conversa, e não num ícone sem nome. Um panorama dos sinais do sentimento recolhe-se no artigo os símbolos do amor.

Como cuidar da pérola numa joia assim?

A pérola teme os ácidos, os perfumes, a laca do cabelo e os abrasivos. Põe-na por último, depois da maquilhagem e do perfume, limpa-a com um pano suave depois de a usares e guarda-a à parte das pedras duras, para que não se risque. As regras detalhadas estão no guia das pérolas.

Conclusão

Afrodite e Vénus são a maneira mais bela de falar do amor sem palavras. Por trás da concha está o mito do nascimento da espuma, por trás da pérola uma gota coalhada do mar, por trás da rosa e da pomba uma tradição milenar dos apaixonados. Usar uma joia assim significa escolher um sentido com história em vez de um ícone anónimo, reconhecer o valor da beleza e da ternura, e muitas vezes, simplesmente, querer-se a si mesma um pouco mais. Nome grego ou romano, pérola ou pedra rosada, presente ou compra para si própria, o resultado é o mesmo: é uma joia sobre um sentimento que não sai de moda há três mil anos.

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A Zevira são joias com sentido. Reunimos símbolos que têm uma história: amuletos, sinais do amor, imagens mitológicas. Cada peça vem acompanhada de um relato claro sobre o que significa e de onde vem, para que uses uma coisa com carácter, e não um metal impessoal com uma pedra. A nossa herança liga-nos a Albacete, terra de longa tradição no trabalho do aço e do metal. Pérolas, prata, engastes dourados, pedras naturais, tudo escolhido para que a joia dure muito e alegre cada dia.

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