
Pérolas dos Mares do Sul: o luxo branco das Filipinas e da Austrália
Desde a primeira operação, quando se introduz o núcleo na ostra, até ao dia em que se extrai a pérola passam dois a quatro anos. Antes disso, o molusco passou cinco anos a crescer até chegar a adulto. Metade das ostras morre logo na mesa de operações. Das que sobrevivem, só uma parte dá uma pérola de qualidade comercial. Por isso as pérolas dos mares do sul continuam a ser as pérolas cultivadas mais caras do mundo: o seu preço não é fixado pelo marketing, mas pela biologia e pelo tempo.
É uma pérola grande, com uma camada espessa de nácar e um brilho suave e profundo. Cultiva-se nas águas quentes do oceano Índico e do Pacífico ocidental: ao largo da costa noroeste da Austrália, nas Filipinas, na Indonésia e na Birmânia. A seguir vamos ver que molusco é este, como nasce a pérola, em que se distingue a australiana da filipina, como distinguir uma pérola autêntica de uma imitação e como cuidar dela.
O que são as pérolas dos mares do sul
Uma pérola dos mares do sul é a que se cria dentro da concha da Pinctada maxima, a ostra perlífera mais grande do mundo. Uma concha adulta chega aos 30 centímetros de diâmetro, o tamanho de um prato raso, e pesa entre três e cinco quilos. É precisamente o tamanho do molusco que permite criar uma pérola grande: o intervalo habitual vai de 10 a 16 milímetros, enquanto na akoya japonesa fica pelos 7 ou 8.
O nome surgiu no final do século XIX, quando pescadores europeus e asiáticos chegaram às águas da Austrália e das Filipinas. O latim Pinctada vem de pinctus, "pintado": a superfície interior da concha está coberta de nácar. Maxima significa "a maior".
A espécie tem duas variantes genéticas principais de cor. Nas águas australianas, mais frias, predominam as ostras que dão um nácar branco prateado de tom frio. Nas Filipinas é mais frequente o nácar quente, cor de creme e dourado. Daí os dois caracteres distintos das pérolas dos mares do sul.
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Como nasce uma pérola
A biologia da Pinctada maxima
O molusco vive a uma profundidade entre os 15 e os 30 metros e filtra água pelas brânquias sem parar, centenas de litros por dia, separando o plâncton. Por isso a qualidade e a composição da água influenciam diretamente o nácar: uma água limpa e rica em plâncton dá um brilho uniforme, enquanto uma água turva ou pobre em nutrientes dá um brilho pálido e irregular.
O ciclo de vida da ostra dura de 10 a 15 anos. Nos dois ou três primeiros limita-se a crescer. Depois prepara-se para a operação.
Nucleação e crescimento da pérola
Na gónada (o órgão reprodutor) da ostra introduz-se um núcleo, uma bolinha torneada a partir da concha de um molusco de água doce, junto com um pedacinho de tecido do manto de outra ostra. É esse tecido que obriga o molusco a depositar nácar em redor do núcleo. A operação dura uns vinte minutos e é feita por um técnico com anos de experiência: uma inserção imprecisa mata a ostra. Mesmo nas melhores explorações, depois da nucleação sobrevive cerca de metade dos moluscos.
Depois começa a fase mais longa. Camada a camada, a ostra deposita nácar em redor do núcleo: aragonite (uma forma cristalina do carbonato de cálcio, CaCO3) intercalada com uma proteína orgânica, a conquiolina. Cada ano acumula-se entre 0,5 e 1 milímetro de espessura. Uma pérola do tamanho de uma avelã leva dois a quatro anos a crescer; o prazo depende da temperatura da água, da alimentação e da corrente.
Durante esse tempo o molusco pode adoecer, contrair um parasita ou sofrer uma mudança brusca de temperatura. Uma parte das ostras morre e outra dá pérolas com defeitos. As perdas estão integradas na economia da pescaria.
Geografia e carácter da pérola
Austrália (a costa da Austrália Ocidental, em torno de Broome, Kimberley e Perth). A água é mais fria, entre 16 e 22 graus. A pérola cresce mais devagar, mas o nácar sai mais denso e espesso (de 2 a 4 milímetros). A cor é branco prateado, com um brilho frio, por vezes ligeiramente azulado. Esta pérola é considerada a de maior qualidade e a mais duradoura.
Filipinas (Palawan, Mindanau, o arquipélago de Joló). A água é quente, entre 24 e 28 graus todo o ano. A pérola cresce mais depressa e a camada de nácar é mais fina (de 1 a 2 milímetros). A cor é mais quente, creme e dourada. Fica muito bem em ouro amarelo.
Indonésia (Nusa Tenggara, Celebes), a zona intermédia em qualidade e preço.
A sazonalidade também se vê na própria pérola. Nos meses quentes a ostra alimenta-se com intensidade e deposita nácar depressa; nos frescos o crescimento abranda e formam-se camadas concêntricas no seu interior, como os anéis anuais de uma árvore. A estação das chuvas reduz a salinidade da água, a ostra sofre stress e a pérola desse período pode sair manchada.
A pérola põe-se em último e tira-se em primeiro. Quem a perfuma por cima que não venha depois chorar pelo lustre morto.
Com que usar as pérolas dos mares do sul
Ao longo dos anos em sessões passei a pérola por dezenas de looks, do escritório rigoroso ao casamento. Reúno aqui o que realmente funciona, ocasião a ocasião.
Com que uso a pérola no dia a dia? Para o dia sugiro uns brincos de botão pequenos ou um fio fino com uma só pérola sobre uma camisa branca, uma malha creme ou uma t-shirt simples com jeans. Escolho um tom creme ou branco quente: é mais amável com a luz do dia e a pele do que o prateado frio. Quanto mais tranquilo é o fundo, mais claro fala o lustre.
A pérola serve para o escritório? Serve, e aí funciona como um sinal discreto de estatuto. Recomendo um colar curto sob o colarinho da camisa ou um decote barco, com brincos de botão para resolver a elegância. Mantenho a roupa em tons neutros: cinzento, azul-marinho, verde-mar, sobre os quais o branco da pérola se lê limpo.
Como monto um look de noite? Para a noite escolho um vestido sem decote chamativo: que a pérola fique no centro. O azul intenso, o esmeralda, o bordô e o preto realçam o nácar. Com a pérola dourada sugiro ouro amarelo e tons quentes: caramelo, chocolate, verde-garrafa.
O que uso num casamento ou celebração? Para uma ocasião especial monto um conjunto: colar e brincos do mesmo tamanho e tom. É o estilo mais sóbrio e solene ao mesmo tempo, um que não compete com o vestido nem rouba a atenção.
Como sobreponho a pérola e escolho o comprimento? Em camadas a pérola é complacente: sugiro combinar um fio fino com uma corrente, mas mantenho os metais na mesma família, ouro branco e platina com pérola fria, ouro amarelo com a quente. No comprimento, um colar curto (40 a 45 cm) estiliza o pescoço e vai sob um decote barco, um comprido (70 cm e mais) fica com gola alta e peças largas. O ginásio, a praia e a piscina ficam de fora: o suor, o cloro e o sal matam a superfície.

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Tipos e tons
Pérola branca
O tipo principal. A cor vai do branco gelado ao creme. A australiana costuma ser fria, prateada; a filipina, mais quente, de um creme amarelado. A diferença explica-se pelo teor de matéria orgânica (conquiolina) no nácar: quanto menos houver, mais puro e frio é o branco.
A pérola branca é das mais versáteis, combina com quase qualquer peça, idade e ocasião.
Pérola dourada
O tom dourado natural aparece nas ostras filipinas com pouca frequência. A ciência ainda não o explica por completo: provavelmente tem a ver com a genética de certas populações e com a composição do plâncton. Os técnicos australianos não conseguiram reproduzir o tom dourado de forma artificial. Os matizes vão do champanhe claro a um mel intenso; o dourado puro é o mais cotado. Pela sua raridade, a pérola dourada custa mais do que a branca. Há mais na nossa análise sobre as pérolas douradas e a sua raridade.
Pérola negra
Tecnicamente é pérola taitiana, de outra ostra, a Pinctada margaritifera, mas as Filipinas também a criam em pequenas quantidades. Dentro da região dos mares do sul é rara. Sobre a sua origem, o tornassol de pavão-real e o seu cuidado há uma análise à parte sobre a pérola negra do Taiti.
Tamanho e forma
O intervalo vai de 8 a 20 milímetros, com um padrão de 10 a 16. Quanto maior é a pérola, menos provável é que a ostra chegue viva à sua extração, por isso a cada milímetro o preço sobe de forma desproporcionada.
A forma pode ser redonda (a mais rara), oval, de gota (boa para pendentes) ou barroca, irregular. A pérola barroca é mais barata do que a redonda, mas muitas vezes resulta mais viva e interessante.
Sobretom e oriente
A pérola tem três níveis de cor, que muitas vezes se confundem. A cor do corpo é o tom base: branco, creme, dourado. O sobretom é um brilho secundário e ténue que reveste o corpo: rosa, verde, azul, prateado. O oriente é o tornassol irisado que parece flutuar sob a superfície quando se gira a pérola.
Um sobretom rosa sobre corpo branco é valorizado acima de um esverdeado: sobre a pele vê-se mais quente e mais caro. Os reflexos azulados e prateados são típicos da pérola australiana. O sobretom aprecia-se com luz do dia difusa, de preferência junto a uma janela, não sob uma lâmpada amarela, que distorce o tom. Ao comprar convém girar a pérola: um corpo limpo sem reflexo parece mais apagado, e o sobretom é justamente esse efeito "vivo".
Lustre e superfície
O lustre é o brilho, a forma como a pérola devolve a luz. Na pérola dos mares do sul é suave e profundo, "de dentro", e não de espelho como na akoya. O motivo é a camada espessa de nácar, que refrata a luz de outro modo.
A superfície raramente é perfeita: microrrelevos, pontos e covinhas são normais num material orgânico. A qualidade costuma indicar-se com letras. AAA: superfície limpa entre 95 e 100 por cento, brilho intenso, forma próxima da esfera perfeita. AA: limpeza de 85 a 95 por cento, pontinhos visíveis se se olhar de perto. A: limpeza de 70 a 85 por cento, defeitos apreciáveis, mas a peça é usável. Alguns escolhem de propósito a AA: mais barata, e as marcas ligeiras dão carácter à pérola.
Como escolher uma pérola dos mares do sul
Uma vez decididos o tipo e o tom, a escolha reduz-se a algumas verificações que convém fazer pessoalmente ou pedir ao vendedor para gravar em vídeo.
Compara com luz do dia. Coloca a pérola sobre uma superfície branca e mate (uma folha de papel). Sob uma lâmpada amarela até uma pérola pálida parece cremosa e brilhante; a luz do dia mostra o tom e o lustre reais.
Verifica o reflexo. Aproxima a pérola de uma fonte de luz e observa o brilho. Com bom lustre a borda do brilho é nítida, quase se distingue nela o contorno da janela. Um brilho difuso e leitoso indica nácar fino ou imaturo.
Examina a zona do furo. Uma camada fina de nácar denuncia-se logo na perfuração: se pela borda transparece o núcleo branco ou se veem faixas concêntricas, a camada é fina e a pérola durará menos. É a forma mais honesta de avaliar a espessura do nácar sem aparelhos.
Para um fio, verifica o emparelhamento e os nós. Num bom colar as pérolas coincidem em tom, tamanho e brilho, e em direção ao fecho diminuem de forma gradual. Entre as pérolas deve haver nós no fio: evitam que o nácar roce e seguram as restantes se o fio se partir. Um fio sem nós é uma poupança à custa da qualidade.
Emparelhamento para brincos. Um par demora mais a emparelhar do que uma pérola solta, por isso uns bons brincos custam mais do que um pendente solto do mesmo tamanho. Verifica que coincidam em forma, tom, sobretom e posição dos defeitos.
Convém avaliar um defeito consoante se veja quando posto. Um ponto mesmo ao lado do furo fica oculto pelo engaste ou pela pérola vizinha, enquanto uma mancha na "cara" de uma pérola redonda num pendente estará sempre à vista.
Opiniões de clientes
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Como distinguir uma pérola autêntica de uma falsa
As imitações são de vários tipos, e quase todas se denunciam com testes simples.
Imitações de plástico. Demasiado leves, aquecem depressa na mão (a pérola autêntica mantém-se fresca), a cor é uniforme e de um brilho pouco natural.
Núcleo de vidro sob o revestimento (tipo Majorica). De longe parece uma pérola autêntica, mas com lupa vê-se a linha entre o vidro e o fino revestimento.
Pérola de água doce tingida que se faz passar por dos mares do sul. É mais mole e menos densa. Se te oferecerem uma "pérola dos mares do sul" ao preço de uma de água doce, é exatamente isso.
Alguns testes caseiros:
- O teste do dente. Passa a pérola pela borda de um dente. O nácar autêntico é ligeiramente áspero (microcristais de carbonato de cálcio); a imitação desliza lisa.
- Peso e frescura. Uma pérola autêntica de 14 milímetros pesa cerca de 3,5 a 4 gramas e mantém-se fresca sobre a pele durante bastante tempo.
- Lupa de 10x. A superfície natural tem um relevo ligeiro e um finíssimo "ondulado"; as imitações têm-na lisa ou com uma costura visível do revestimento.
Para uma compra cara faz sentido um certificado de um laboratório gemológico: nele indicam-se o tipo, o tamanho, a forma, a qualidade do lustre e da superfície, e por vezes também o tratamento (branqueamento, tingimento). A pérola tratada é autêntica, mas o seu brilho aguenta menos.
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O que se faz à pérola, de forma honesta e desonesta
Quase toda a pérola do mercado passa por algum tratamento, e isso em si não é um engano. O engano está em escondê-lo. Convém saber o que se considera normal e o que nos deve pôr de sobreaviso.
Branqueamento (norma suave). A maior parte da pérola branca dos mares do sul é branqueada um pouco para igualar o tom. Faz-se com cuidado e quase não danifica o nácar. É o tratamento mais habitual e aceitável.
Polimento. A pérola é volteada num tambor com um enchimento mole para retirar a película e avivar o brilho. Também é o normal.
Tingimento (deve ser declarado). A pérola escura e viva por vezes é tingida. Sinais de tinta: acumulação de cor na zona da perfuração e um tom demasiado uniforme e "plano", sem sobretom. A pérola dourada natural é valorizada justamente porque a sua cor é própria, não adicionada.
Irradiação. Usa-se para escurecer pérolas com núcleo de água doce. Na pérola clara dos mares do sul é pouco comum, mas aparece nos fios escuros baratos "do sul".
Enchimento e "mabe" (sinal de alarme). As fissuras e cavidades por vezes são mascaradas com resina ou verniz. As pérolas barrocas ocas podem estar meio vazias por dentro. Isso já é um defeito oculto, não uma melhoria.
A fórmula honesta de um vendedor soa assim: a pérola está branqueada, a cor é natural. Se perante uma pergunta direta sobre o tratamento respondem com evasivas e o preço é suspeitosamente baixo, tens à tua frente ou água doce tingida ou pérola com defeitos disfarçados.
História da pescaria
A extração comercial ao largo da costa australiana começou na década de 1860. Os mergulhadores desciam para além dos 30 metros sem equipamento moderno; a mortalidade por doença de descompressão, infeções e tubarões era enorme. Mais tarde juntaram-se mergulhadores indonésios e japoneses. Por volta de 1910 as exportações atingiram o seu pico, centenas de embarcações, centenas de toneladas por ano. A Primeira e depois a Segunda Guerra Mundial estiveram prestes a parar o setor duas vezes; depois a Austrália reorientou-se para a exportação de matérias-primas, mas a região perlífera sobreviveu e hoje continua a ser uma das principais produtoras.
As Filipinas entraram na história das pérolas dos mares do sul no final dos anos setenta, quando se encontraram populações de Pinctada maxima de nácar branco em torno de Palawan e Mindanau e se montaram explorações. Por volta dos anos oitenta o país contribuía com uma parte notável da produção mundial; a concorrência baixou os preços e alargou a procura na Europa e nos Estados Unidos.
Depois de 2000 o mercado estabilizou-se: a Austrália e as Filipinas concentram o grosso da extração, o resto recai sobre a Indonésia e a Birmânia. Durante a pandemia de 2020 a 2021 a extração caiu a pique por causa das fronteiras fechadas e da logística quebrada, parte da colheita não foi extraída a tempo e os preços subiram.
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Significado e simbolismo
Na cultura ocidental a pérola associou-se historicamente à modéstia, à pureza e à fidelidade. Na Inglaterra vitoriana usavam-na as jovens; dizia-se que a pérola "nasce do sofrimento": um corpo estranho na concha transforma-se em beleza, e essa metáfora transferia-se para o carácter. Daí o costume de oferecer pérolas em acontecimentos familiares importantes.
No Oriente a pérola associa-se à lua, à água e ao feminino. Na mitologia chinesa liga-se ao dragão, criatura de sabedoria e força. São tradições e imagens culturais, não propriedades da pedra: não existe nenhum efeito comprovado da pérola sobre o bem-estar ou as emoções. O simbolismo lunar e a relação da pérola com o feminino tratamo-los com mais detalhe num material à parte.
O valor real de uma pérola dos mares do sul hoje não é a magia, mas a durabilidade e a memória: herda-se e sobrevive a várias gerações.
Joias com pérolas dos mares do sul
O colar, a forma mais frequente. Comprimentos clássicos: choker (cerca de 45 cm), princesa (55 cm), ópera (65 cm e mais, que se pode usar em duas voltas). Para um colar são precisas de 40 a 50 pérolas de 10 a 12 milímetros, ou de 25 a 30 grandes de 14 a 16. O engaste do fecho costuma ser de ouro branco ou amarelo, platina ou prata.
Os brincos, quase sempre uma só pérola em montagem de espiga. O par deve ser simétrico em tamanho, forma e tom.
O pendente, uma opção prática: a pérola pende de uma corrente, não roça a pele nem a roupa e tira-se com facilidade. A corrente deve ser suficientemente resistente para suportar o peso.
O anel, a opção mais vulnerável: a pérola teme a pressão e os golpes. A pérola de um anel é sempre rodeada por um aro metálico protetor. A quem trabalha muito com as mãos, um anel assim não convém.
A pulseira vê-se menos, porque a pérola risca-se com facilidade contra a mesa e os objetos. Usada com cuidado fica linda; costumam escolher-se pérolas mais pequenas, de 8 a 10 milímetros.
Combinações com metais e pedras
Com ouro branco e platina fica bem a pérola australiana prateada e fria, o metal coincide com o seu tom. O ouro amarelo pede a filipina quente, creme e dourada. A prata de lei dá um brilho frio e um ar mais moderno e minimalista; mantém o metal na mesma "temperatura" que a pérola. Com pedras preciosas a pérola combina-se com cautela: safira, rubi e esmeralda são mais duros e ao roçar arranham o nácar, por isso numa peça separam-se com o engaste e ao guardar com pano. Combinações suaves acertadas: pérola com turquesa (paleta marinha) ou, em registo vintage, pérola barroca com esmalte de cor. A pérola é matéria orgânica de origem marinha, como o coral vermelho, que tem exigências parecidas de manuseamento cuidadoso.
Cuidado e conservação
A pérola é mole: dureza de 2,5 a 4,5 na escala de Mohs (o diamante, para comparar, é 10). O nácar contém uma pequena percentagem de água, por isso os principais inimigos da pérola são a secura, os ácidos e as mudanças bruscas.
Depois de cada uso, limpa a pérola com um pano macio e seco (microfibra): o suor e os cosméticos danificam a superfície.
Limpeza ligeira. Água morna com uma gota de sabão suave, pano mole e, logo a seguir, secar. Não a deixes muito tempo de molho: a água enfraquece o fio do colar.
Nunca limpes a pérola com ultrassons (as microvibrações fissuram-na por dentro), nem com ácidos ou abrasivos.
O perfume, a laca e os cosméticos aplicam-se antes de pôr a joia: o álcool corrói o nácar. A regra é simples: a pérola põe-se em último e tira-se em primeiro.
Conservação. Não num saco hermético, o nácar precisa de ar ou aparece bolor. Melhor um saquinho mole ou uma caixa forrada a tecido, separada de outras joias, sem sol direto. A pérola teme o ar demasiado seco: com o aquecimento central a humidade de uma casa baixa para os 20 ou 30 por cento, o que a prejudica. O intervalo confortável é de 40 a 50 por cento.
Reenfiamento. O fio do colar estica-se com o tempo; a cada 10 ou 15 anos tiram-se as pérolas e enfiam-se de novo. Ao reenfiar pode mudar-se o comprimento ou o fecho.
Recuperar o brilho. Uma pérola apagada pela sujidade recupera quase por completo o seu aspeto com uma limpeza. O brilho perdido pela oxidação das camadas internas não se recupera. Um polimento ligeiro com óleo de jojoba retira a finíssima camada superior de nácar, por isso só se pode fazer contadas vezes em toda a vida da pérola.
As pérolas dos mares do sul face a outros tipos
Akoya (Japão), mais pequena (7 a 8 mm), com um brilho de espelho intenso, mais barata. Ideal para fios clássicos, mas o nácar é mais fino e apaga-se mais cedo.
Taitiana, negra, da Pinctada margaritifera, normalmente de 9 a 14 mm. Mais cara pela raridade da cor, mas mais frágil.
De água doce (sobretudo da China), muito mais barata, com formas e cores pouco habituais, mas de menor qualidade e durabilidade. Boa para experiências e joias económicas.
A pérola dos mares do sul ganha em tamanho, espessura de nácar e vida útil; com o cuidado adequado aguenta décadas.
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Mitos sobre as pérolas
A pérola é sempre branca. Não. Há-a creme, dourada, cinzenta, negra, com reflexo rosado. A cor depende da espécie de ostra e da composição da água. O branco é apenas o mais comum.
Quanto maior, mais cara, de forma linear. O tamanho influencia o preço, mas a subida não é proporcional: as pérolas grandes são raras porque a ostra muitas vezes não chega viva à sua extração.
A pérola é só para os mais velhos. A pérola é para qualquer idade: brincos de botão pequenos para as jovens, fios e conjuntos para as celebrações.
A natural é melhor do que a cultivada. A pérola cultivada dos mares do sul é praticamente indistinguível em qualidade: a pessoa só introduz o núcleo, o resto fá-lo o molusco durante dois a quatro anos. A natural (sem núcleo) é rara e cara, mas a cultivada é mais previsível em forma e tamanho.
A pérola teme a água. Nasce na água e não teme a salgada. O perigo é a água doce (cloro, minerais) e o contacto prolongado com qualquer humidade, que enfraquece o fio. Um contacto breve não é problema, basta secá-la.
É para oferecer? Cada peça chega pronta a entregar.
Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Perguntas frequentes
Pode usar-se pérola todos os dias? Melhor não. A pérola é mole, o uso frequente provoca arranhões e perda de brilho, e o suor e os cosméticos danificam a superfície. É uma joia para ocasiões especiais e dias tranquilos.
Quanto dura uma pérola? Com o cuidado adequado, de 50 a 100 anos, e a australiana, com o seu nácar espesso, ainda mais. Há pérolas de museu de vários séculos.
Porque é a pérola australiana mais cara do que a filipina? Camada de nácar mais espessa, maior densidade e durabilidade. A filipina costuma ser de excelente qualidade, mas mais mole e apaga-se mais cedo.
Pode limpar-se a pérola com sabão e água? Com suavidade, sim. Água morna com uma gota de sabão suave, pano mole e secar logo. Não a deixes de molho: a água enfraquece o fio.
O que significa a qualidade AAA? Superfície limpa entre 95 e 100 por cento, brilho intenso, forma próxima da esfera perfeita. AA: de 85 a 95 por cento, pontinhos ao olhar de perto. A: de 70 a 85 por cento, defeitos mais visíveis, mas a peça é usável.
A pérola amarelece com o tempo? Devagar, sim. Um branco frio pode aquecer um pouco em direção ao creme ao longo de várias décadas. É a oxidação natural do nácar, não um defeito.
Pode usar-se pérola com perfume? Não. O álcool danifica o nácar. Aplica o perfume antes das joias.
É raro um homem usar pérola? Não. No Oriente os homens usam pérola tal como as mulheres, e nos últimos anos aparece cada vez mais na joalharia masculina do Ocidente.
Pode reparar-se uma pérola fissurada? Uma fissura grande, não. Uma pequena tenta-se por vezes selar com verniz ou resina, mas sem garantias. Uma pérola barroca ou danificada de um fio costuma substituir-se sem mais.
O que é a espessura do nácar? A espessura da camada que rodeia o núcleo. Quanto mais espessa, mais dura a pérola e mais vezes se pode polir com cuidado. Na australiana vai de 2 a 4 mm, na filipina de 1 a 2 mm.
Há pérolas de forma irregular? Sim, são as barrocas. A causa é um núcleo deslocado, uma doença ou uma lesão da ostra. Essa pérola é mais barata do que a redonda e muitas vezes vê-se mais orgânica.
Pode herdar-se a pérola? Sim, e é uma das melhores razões para a comprar. A pérola pode reenfiar-se, refazer-se, usar-se de outro modo: uma herança viva, não um investimento seco.
Brincos, pendentes e anéis com pérola e nácar: a temática marinha em prata de lei e ouro.
Sobre a Zevira
A Zevira cria joias na tradição da herança joalheira de Albacete, Espanha. O tema das pérolas dos mares do sul fala de um luxo tranquilo e usável, e essa é justamente a lógica com que trabalhamos: forma limpa, o brilho vivo de um material orgânico e um engaste que protege o material mole em vez de brigar com ele.
O que podes encontrar connosco sobre o tema da pérola e dos motivos marinhos:
- brincos com pérola e nácar em montagem simples, onde a pedra é o centro das atenções;
- pendentes onde a pérola pende de uma corrente e não roça a pele;
- anéis com aro protetor na borda, para cuidar da superfície mole;
- joias com paleta marinha: nácar, tons claros, o brilho frio da prata;
- montagens para tons frios e quentes, para que o metal coincida com a cor da pérola;
- opções com gravação de iniciais ou de uma data na montagem, para presente e para herdar.
Cada joia admite gravação pessoal, com a possibilidade de gravação personalizada. Prata de lei e ouro de 14 a 18K.































