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Zircão vermelho em joalharia: a pedra de fogo que confundem com o rubi

Zircão vermelho: a pedra que confundem com o rubi, e sem razão

Um fogo que não se espera

Ponha um zircão vermelho ao lado de um rubi e muita gente não os distingue à primeira vista. A cor é parecida, o brilho é parecido. Depois o zircão gira em direcção à luz e pelas suas arestas correm reflexos como de arco-íris, algo que um rubi nunca consegue dar. É essa a sua assinatura: o zircão desvia a luz quase como um diamante, por isso o vermelho do seu interior parece vivo, aceso por dentro.

O zircão era conhecido muito antes de ter nome científico. Viajou pela Rota da Seda, foi lapidado para ourivesaria de igreja e durante séculos confundiu-se com a granada e o jacinto. A própria palavra vem do persa "zargun", que significa "dourado". O mineral é vulgar para um geólogo e raro no balcão de uma joalharia: os exemplares vermelhos bonitos extraem-se em pouca quantidade e quase todos provêm de um punhado de lugares no mapa.

A partir daqui, o lado prático: de que se compõe o zircão, onde se encontra, como distingui-lo de pedras parecidas e das falsificações, como cuidar dele e com que o usar. Sem esoterismo e sem promessas grandiloquentes.

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O que é o zircão: química e física

O zircão é um silicato de zircónio, fórmula ZrSiO₄. Na rede cristalina, um átomo de zircónio fica rodeado de oxigénio e ligado ao silício, e essa ligação dá à pedra dureza e fragilidade ao mesmo tempo. O mineral abunda na crosta terrestre, mas os cristais transparentes de qualidade gema aparecem muito menos vezes.

Cristal natural de zircão de tom pardo avermelhado, exemplar mineralógico
É assim que se vê o zircão natural antes da lapidação: um cristal opaco com o seu característico tom pardo avermelhado e brilho vítreo. Exemplar mineralógico. Wikimedia Commons, Public Domain (USGS).ZirconUSGOV, 2005-10-02 05:23:07. Wikimedia Commons, Public domain

Dureza. Na escala de Mohs o zircão situa-se entre 6,5 e 7,5. Está acima do quartzo (7), mas claramente abaixo do coríndon, ou seja do rubi e da safira (9), e muito mais do diamante (10). Para uma joia de uso diário esta dureza chega, embora seja preciso proteger a pedra de pancadas e abrasivos.

Sistema cristalino. O zircão cristaliza no sistema tetragonal, prismas quadrados curtos com vértices piramidais. O mineral tem direcções de clivagem por onde se parte com mais facilidade, de modo que perante uma pancada forte é mais provável que se lasque do que se risque.

Densidade. 4,6 a 4,7 g/cm³, um dos valores mais altos entre as pedras transparentes. Na granada ronda os 3,5 a 3,8 e no rubi os 4,0. Na prática isto significa que o zircão pesa bastante mais do que uma pedra de tamanho parecido: uma pedra pequena surpreende pelo peso na mão.

Óptica. Um índice de refracção de 1,93 a 1,98, próximo do diamante (2,42) e superior ao da maioria das pedras de cor. Daí o seu brilho intenso e a notável dispersão, esse "jogo de fogo", a decomposição da luz branca no espectro. O zircão é além disso birrefringente e pleocroico: ao girá-lo, uma faceta pode passar do vermelho limpo a um matiz pardacento ou alaranjado. Um bom lapidário orienta a pedra para que de cima se veja o mais vermelha possível.

De onde vem o vermelho

A cor do zircão é dada pelas impurezas, ferro e elementos das terras-raras na rede, juntamente com defeitos internos da sua estrutura. Alguns acumulam-se ao longo de milhões de anos: junto ao zircão costumam estar o urânio e o tório, e uma radiação natural fraca vai alterando pouco a pouco a rede e o tom. Se a mudança for excessiva, o cristal perde em parte a sua estrutura ordenada e turva-se; os gemólogos chamam a estes zircões "baixos", são menos transparentes e mais frágeis. Os zircões "altos" conservam a rede e dão o melhor brilho.

Por isso os zircões vermelhos de origens diferentes divergem em tom e em resistência. Não é um defeito de uma pedra concreta, é uma propriedade do mineral.

O zircão é radioactivo?

A pergunta surge com frequência, porque a pedra pode conter urânio e tório. A sua quantidade nos zircões de joalharia é ínfima, e a leitura de uma pedra lapidada numa joia mantém-se ao nível do fundo natural habitual, bastante mais fraca do que, por exemplo, a dose de um voo de avião. Não há perigo em usá-lo.

A gemologia é outra coisa. É justamente a desintegração dessas vestígios de urânio e tório ao longo de milhões de anos que rompe a rede e torna a pedra "baixa" (metamíctica): turva-se, perde brilho e fica frágil. Um zircão muito metamíctico parte-se com mais facilidade e é mais difícil de polir, por isso ao escolher importa menos a presença de impurezas do que a transparência e o brilho da pedra, que mostram o quão intacta está a rede.

O zircão vermelho pede vestido preto e pescoço despido. Afoga-o entre correntes e ficarás sem fogo, por tolice.
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Com que usar o zircão vermelho

Ao zircão vermelho ponho-o sempre a solo: uma pedra com um fogo tão vivo não tolera rivais no pescoço. Aqui vai o que experimentei em sessões e provas, ordenado por ocasião.

Com que uso o zircão vermelho no escritório? Para o dia a dia recomendo brincos de botão ou um pendente fino em prata ou ouro branco: o metal frio atenua o calor da pedra e o vermelho lê-se como um pormenor, não como uma declaração. Sugiro um top liso em creme, cinzento, grafite ou azul-marinho e um decote canoa pouco profundo, para que o pendente caia limpo e não brigue com a gola da peça.

Como monto um visual de noite? Para a noite escolho um vestido preto: sobre o fundo escuro o fogo da pedra vê-se no seu ponto mais intenso. Sugiro brincos compridos de gota ou um pendente numa corrente algo mais grossa do que a de dia, e o zircão torna-se o centro do conjunto. Para um encontro ou o teatro deixa uma só peça chamativa e as mãos e o pescoço leves.

Que metal escolho para o zircão vermelho? O ouro branco e a platina recomendo-os a quase toda a gente: dão um contraste frio e neutro. O ouro rosa suaviza a pedra, a minha escolha para uma paleta quente. O ouro amarelo é bonito mas apaga um pouco o vermelho, por isso sob ele sugiro uma pedra mais viva.

O zircão vermelho fica bem no meu tom de pele? Para a pele morena ou azeitona, o cabelo escuro e um subtom quente recomendo um vermelho profundo e ardente: recolhe a cor da pele e lê-se intenso. Para a pele clara e um subtom frio sugiro um vermelho rosado, mais suave, que nunca cai no brilho de sinal.

Posso usar o zircão em camadas? Podes, com uma regra: o zircão vai a solo e as correntes vizinhas ficam finas e sem pedras, para que não lhe roubem protagonismo. Deixa cair o pendente à altura do peito ou um pouco mais abaixo, onde passa mais luz pela pedra e o fogo se vê melhor. E mantém longe as pedras rosa, os tons começam a brigar e ambos perdem.

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Geologia e jazidas

O zircão cresce em rochas magmáticas e metamórficas, mas extrai-se sobretudo de placeres, depósitos fluviais para onde os grãos pesados são arrastados ao desfazer-se a rocha-mãe. A sua alta densidade ajuda aqui: o zircão deposita-se junto à safira e ao rubi, e muitas vezes encontram-se nos mesmos lavadouros.

Camboja. O noroeste do país (a zona de Ratanakiri e arredores) é uma fonte conhecida de zircão vermelho e vermelho alaranjado intenso. Os placeres locais dão a cor mais "quente", embora a qualidade varie de lote para lote.

Tailândia. Centro histórico de lapidação e comércio de pedras de cor. O zircão tailandês costuma ser mais claro, com um matiz pardacento ou alaranjado, mas em geral mais transparente e estável de cor.

Sri Lanka. Uma ilha com uma reputação secular de "cofre de gemas", a zona de Ratnapura. Os zircões daqui costumam ser mais claros, de um vermelho rosado, e consideram-se mais fiáveis para usar. As pedras vermelhas da ilha já eram conhecidas no comércio da Antiguidade.

Também aparece zircão vermelho na Austrália, no Brasil e nos países da África Oriental, mas as quantidades comerciais de bom vermelho provêm precisamente do Sudeste Asiático e do Sri Lanka. Os cristais grandes e limpos são raros: as pedras de mais de 5 a 10 quilates com qualidade decente já constituem uma raridade notável.

Vale a pena reter esta ligação entre origem e comportamento da pedra. Um zircão de placer do Camboja passou milénios rolado pelo curso de água, e é natural que os melhores fragmentos, os mais firmes e transparentes, sejam justamente os que sobreviveram a essa viagem. É por isso que a origem não é apenas uma etiqueta geográfica: ela adianta, em traços largos, o tom que vais ver e a resistência com que podes contar. Ao comprar, uma origem declarada com clareza é um bom sinal, ainda que o mais fiável continue a ser o que os teus próprios olhos veem na pedra, a cor limpa e o brilho vivo.

A história da pedra

O zircão acompanha o ser humano há muito, só que durante séculos se escondeu sob outros nomes. Na Europa medieval, as pedras de vermelho dourado e vermelho pardo chamavam-se jacinto, e sob esse nome o zircão entrou em anéis, broches e ourivesaria de igreja. O vermelho associava-se ao sangue e ao martírio, por isso a pedra era engastada de bom grado em peças religiosas.

Par de brincos de ouro do século XVIII com jacintos (antigo nome do zircão)
Jacinto é o antigo nome europeu do zircão: estes brincos de ouro do século XVIII estão engastados precisamente com ele. Pair of earrings, século XVIII. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0).Pair of earrings, 18th century. The Metropolitan Museum of Art, Open Access (CC0 1.0)

Na tradição indiana o zircão faz parte dos "navaratna", as nove pedras ligadas aos corpos celestes. Através dos mercadores persas e árabes a pedra e o seu nome difundiram-se pela Rota da Seda; o persa "zargun" ("dourado") deu o europeu "zircão". Na época vitoriana, quando a moda das pedras de cor estava em auge, o jacinto-zircão voltou a ser popular na joalharia.

Um pormenor curioso: o zircão só foi descrito cientificamente no início do século XIX, quando os mineralogistas perceberam que o jacinto, o jargão e tantas outras pedras "distintas" eram uma mesma substância, o silicato de zircónio. E no século XX o zircão ficou relegado durante um tempo pelas pedras sintéticas e pelo nome mais sonoro do rubi, de modo que os exemplares vermelhos passaram à sombra por uma temporada.

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Tipos e matizes do zircão vermelho

Sob "zircão vermelho" esconde-se todo um leque de tons, e do matiz dependem tanto o carácter da pedra como o seu comportamento ao ser usada.

Vermelho intenso. O mais vistoso e procurado, com um núcleo quase "ardente", quase sempre de origem cambojana. Tem a sua contrapartida: a cor saturada costuma andar de mãos dadas com maior fragilidade e uma certa tendência a perder cor sob luz forte.

Vermelho rosado. Vermelho que puxa para um matiz frio, framboesa ou purpúreo. Vê-se mais suave, costuma ser mais estável de cor e suporta com mais calma o uso diário. Hóspede frequente entre as pedras tailandesas e do Sri Lanka.

Vermelho pardo (jacinto). Um tom quente, "terroso", o jacinto histórico de sempre. Muitas vezes são pedras sem tratamento. A joalharia actual aprecia-o com mais sobriedade, mas os coleccionadores de exemplares naturais adoram precisamente este.

Carmesim, cereja. Um vermelho profundo com reflexo violáceo, um dos tons mais raros, que aparece em pedras contadas.

A qualidade dentro de qualquer matiz avalia-se por duas coisas: a saturação (do rosa pálido ao vermelho denso) e a limpidez (desde inclusões visíveis até uma pedra sem defeitos à vista). A combinação feliz é um vermelho saturado mas não "berrante" com boa transparência: uma pedra assim brilha por dentro e conserva a cor mais tempo.

O vermelho é apenas um dos tons deste mineral. Se te apetecer ver toda a paleta, do azul ao mel, há uma resenha à parte sobre todas as cores do zircão.

Tratamento: o aquecimento e por que é normal

À maioria dos zircões de cor aplica-se calor, uma prática antiga e aceite no comércio. Com um aquecimento controlado (à volta de 800 a 900 °C, com subida e arrefecimento lentos para que a pedra não fissure) um zircão pardacento fica mais limpo e mais vermelho, e um turvo, mais transparente. Com o mesmo método obtêm-se outros tons a partir de material em bruto pouco vistoso: a outra temperatura, por exemplo, nasce o zircão azul, um dos matizes mais reconhecíveis do mineral.

O aquecimento não torna a pedra "falsa": a composição continua a ser a mesma, só muda a óptica da rede. O mais habitual é que um zircão tratado seja até mais estável de cor do que o material em bruto. Um vendedor honesto não esconde o tratamento, e em geral este não afecta o preço de uma boa pedra.

Como distinguir o zircão de pedras parecidas e das falsificações

O zircão vermelho confunde-se com o rubi, a granada e a turmalina vermelha, e além disso é substituído por vidro e por zircónia (óxido de zircónio cúbico, que não se deve confundir com o próprio zircão). Várias pistas ajudam a não errar.

Do rubi distinguem-no a óptica e o peso. O rubi tem dureza 9 e um brilho sereno; o zircão, um forte "jogo de fogo" e uma densidade bastante maior. Sob a lupa, pela birrefringência vê-se no zircão um ligeiro desdobramento das facetas traseiras, arestas "duplas", que o rubi não tem.

Da granada distinguem-no a mesma dispersão e a densidade. A granada (refracção 1,73 a 1,89, densidade 3,5 a 3,8) arde com menos força e pesa menos do que o zircão, com uma cor mais quente e "terrosa". Se procuras uma pedra vermelha mais simples e resistente no dia a dia, convém reparar na granada: de brilho mais suave, mas mais resistente e conhecida.

Da turmalina vermelha (rubelita) distingue-o de novo o brilho: é mais vivo e a pedra pesa mais, enquanto a rubelita costuma ser mais cara e aparece em pedras de maior tamanho.

Do vidro e da zircónia. No vidro a lupa costuma revelar bolhas de ar e traços ondulados junto às arestas, que o zircão natural não terá. A zircónia pesa e é mais dura, sem birrefringência, e costuma ver-se "demasiado perfeita". Um preço suspeitosamente baixo é quase sempre sinal de troca.

O conselho prático principal: para uma pedra de valor, pede o relatório de um laboratório gemológico independente. Um especialista mede a birrefringência, a densidade e o índice de refracção em minutos, e isso dissipa quase todas as dúvidas.

Cuidado com os nomes nos catálogos

A confusão principal não é gemológica, mas de palavras. Nas descrições de bijutaria barata, "zircão" significa uma e outra vez zircónia, óxido de zircónio cúbico. Não é uma pedra natural mas um sintético, e nada tem a ver com o nosso mineral salvo o nome parecido. O inglês "cubic zirconia" e a palavra "zircão" confundem-se de propósito: assim o sintético soa mais caro.

O que isto significa na prática: se numa ficha de produto um "zircão" vermelho custa suspeitosamente pouco e se vende "a granel, em pedras idênticas sem inclusões", quase de certeza é zircónia ou vidro. O zircão natural raramente sai em lotes perfeitamente limpos; quase sempre mostra essa faceta "dupla" sob a lupa e um peso respeitável. Em que reparar na descrição do lote: se aparece a palavra "natural", se se nomeia o tratamento (aquecido, heated), se há peso em quilates e alguma origem. O silêncio em todos os pontos ao mesmo tempo é motivo para fazer perguntas directas ao vendedor.

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A lapidação

O zircão lapida-se para tirar partido do seu ponto forte, o brilho e a dispersão. Pela sua clivagem e fragilidade o lapidário trabalha com mais cuidado do que com o coríndon: um excesso de pressão ao polir produz lascas. As formas clássicas para o zircão vermelho são a redonda (máximo reflexo), a oval e a pêra para pendentes, e a almofada e a lapidação esmeralda escalonada para pedras de cor profunda. Uma má lapidação vê-se a olho nu: a pedra parece plana e "apagada" mesmo com boa cor e limpidez.

Comparação do Zircão Vermelho com Outras Pedras Vermelhas
PedraDureza (Mohs)Preço por QuilateRaridadeFogoDurabilidadeMelhor para
Zircão Vermelho6,5-7,550-150 €RaroMuito forteFrágil, precisa de protecçãoPendentes, brincos
Rubi9500-10 000 €Muito raroFracoMuito duradouroAnéis, todas as joias
Granada Vermelha7-7,510-50 €ComumFracoDuradouroJoalharia acessível
Turmalina Vermelha (Rubelita)7-7,520-100 €RaroModeradoDuradouroTodo o tipo de joias
Espinela Vermelha830-150 €RaroFracoMuito duradouraAnéis, todas as joias
Piropo (Granada)7-7,55-30 €ComumMuito fracoDuradouroJoalharia acessível

Quilates e tamanho real: por que o zircão parece mais pequeno do que pesa

Aqui há um pormenor que importa na compra. Pela sua alta densidade (4,6 a 4,7 face aos 3,5 a 3,8 da granada e 4,0 do rubi), um zircão de um quilate ocupa menos superfície vista de cima do que uma pedra mais leve do mesmo peso. Dito de forma simples, pega num zircão e numa granada de 1 quilate cada, e o zircão parecerá algo mais pequeno no engaste.

A conclusão prática: convém comparar as pedras pelo diâmetro em milímetros e não pelos quilates. Se queres um determinado "tamanho de cara" da pedra num anel ou num brinco, guia-te pelos milímetros e olha para o peso em segundo lugar; caso contrário o zircão parecerá maior no papel do que ao natural. Em troca, essa mesma densidade dá um peso agradável: uma pedra pequena sente-se mais rotunda na mão do que se espera.

Cuidado e uso

Uma dureza de 6,5 a 7,5 é um nível de trabalho, não "indestrutível", e além disso o zircão é frágil e teme as pancadas. Daí todo o cuidado.

Limpeza. Água morna (não quente), uma gota de sabão suave, uma escova macia, com isso chega. Limpar com suavidade, enxaguar, secar com um pano macio. O que não fazer: os ultrassons e a limpeza a vapor estão contra-indicados para os zircões, trabalham sobre as fissuras e podem partir a pedra; as pastas abrasivas também não fazem falta.

Arrumação. À parte das outras joias, num saquinho macio ou num compartimento próprio: as pedras mais duras riscam com facilidade o zircão, e o próprio zircão lasca-se contra o metal. Não convém uma arrumação prolongada sob sol directo, os exemplares de vermelho intenso podem perder alguma cor com os anos.

O que usar e onde. Os brincos e os pendentes são as posições mais seguras: a pedra fica à vista e quase não recebe pancadas. Os anéis e as pulseiras têm-no mais difícil, por isso para eles escolhe pedras mais serenas de cor (muitas vezes as do Sri Lanka, mais resistentes) e tira a joia antes do desporto, da limpeza e do trabalho com as mãos. Uma vez por ano faz sentido mostrar o anel a um joalheiro: as garras finas do engaste soltam-se com o tempo e a pedra começa a mexer-se um pouco no seu lugar.

Se apagou ou lascou. O véu da superfície muitas vezes sai com uma simples limpeza. O repolimento a sério e qualquer trabalho sobre fissuras deixa-os nas mãos de um profissional, em casa não se consegue e é fácil estragar a pedra.

Mitos e Factos sobre o Zircão Vermelho
O zircão é uma imitação barata de rubi
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Zircónia cúbica e zircão vermelho são a mesma coisa
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O zircão vermelho brilha por causa de tinta ou revestimento
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O zircão cambojano é sempre melhor
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O zircão perde cor ao apanhar luz solar
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O zircão pode usar-se em anéis para o dia a dia, como o rubi
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O zircão ajuda em doenças do sangue e febres
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O aquecimento do zircão reduz o seu valor
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Simbolismo, em breve e sem promessas

O vermelho associou-se tradicionalmente em diferentes culturas à vida, à energia e à paixão, e o zircão não é excepção: atribuíam-lhe vigor, protecção no caminho, amuleto contra a doença. Na tradição indiana as pedras vermelhas ligavam-se a Marte; na Europa medieval o jacinto tinha-se por pedra dos viajantes.

Convém dizê-lo com franqueza: tudo isto é crença cultural, não uma propriedade do mineral. Não há um efeito comprovado da pedra sobre a saúde, o sono ou o ânimo, e vale mais tomá-lo como uma parte bonita da história do que como motivo de compra. Se gostas do simbolismo, que seja um pano de fundo agradável; comprar zircão, por outro lado, é razoável pela sua cor, o seu brilho e a sua raridade.

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Perguntas frequentes

Em que se diferencia o zircão da zircónia?

São coisas distintas, embora os nomes se pareçam. O zircão (ZrSiO₄) é um mineral natural, um silicato de zircónio, dureza 6,5 a 7,5. A zircónia, óxido de zircónio cúbico, é uma pedra sintética, mais dura (8 a 8,5) mas sem a birrefringência nem a forte dispersão do zircão, e custa muitíssimo menos.

Pode usar-se zircão num anel todos os dias?

Pode, mas com cuidado. Melhor escolher um engaste que proteja a pedra (bisel ou reborde) e uma pedra mais resistente, e tirar o anel antes da limpeza, do desporto e do trabalho com as mãos. Os brincos e os pendentes são mais cómodos neste sentido.

O zircão perde cor com o tempo?

Um zircão de vermelho saturado pode suavizar algo o tom com os anos sob luz forte. É um processo natural, a cor não desaparece por completo. Para o abrandar, não tenhas a pedra muito tempo ao sol.

Como distinguir um zircão autêntico de uma imitação?

Sob a lupa o zircão mostra birrefringência (desdobramento das facetas traseiras), pesa bastante mais do que o vidro e a granada e "joga com o fogo" com força. O vidro denuncia-se pelas bolhas e as arestas onduladas. Para uma pedra de valor, pede o relatório de um laboratório gemológico.

O zircão vermelho é tratado? É mau?

À maioria dos zircões de cor aplica-se calor pela limpidez e a cor, é uma prática normal e a composição da pedra não muda. Um zircão tratado costuma ser até mais estável de cor. O importante é que o vendedor indique o tratamento.

Qual é o matiz mais raro?

Um vermelho carmesim cereja profundo com reflexo violáceo; na natureza há-os contados.

Por que se confunde o zircão com o rubi?

A cor e o brilho parecem-se, e antes do século XIX estas e muitas outras pedras vermelhas mal se distinguiam. Ao zircão separam-no a sua forte dispersão, a sua alta densidade e a birrefringência, que o rubi não tem.

O zircão do Camboja é melhor do que o da Tailândia?

Não melhor, distinto. O cambojano costuma ser mais vivo e "quente" de cor, mas por vezes mais frágil; o tailandês e o do Sri Lanka são muitas vezes mais transparentes e estáveis. Para brincos e pendente escolhe uma cor mais viva, para anel uma pedra mais resistente.

Que tamanho é o ideal para uma joia?

Costumam funcionar bem as pedras de 2 a 5 quilates: boa cor, jogo de luz visível e uma resistência razoável. Os zircões grandes e limpos são raros e exigem ainda mais cuidado. Lembra-te também de que, pela alta densidade do zircão, uma pedra deste peso ocupa menos superfície do que esperarias, por isso vale mais guiares-te pelo diâmetro em milímetros do que pelos quilates ao imaginar como ficará no engaste.

Vale a pena o zircão vermelho face ao rubi?

Depende do que procuras. O rubi é mais duro e mais resistente, e por isso mais indicado para um anel de uso intenso, mas é também muito mais caro e o seu brilho é sereno, sem o fogo do zircão. O zircão vermelho oferece uma dispersão que o rubi nunca dá, uma raridade real e um preço muito mais acessível, à custa de exigir mais cuidado no uso. Para brincos e pendentes, onde a pedra quase não recebe pancadas, o zircão brilha sem desvantagens.

Pode devolver-se o brilho a um zircão apagado?

O véu da superfície sai com a limpeza. Se for coisa de micro-riscos, o repolimento fá-lo um profissional; não convém mexer nisso em casa.

Sobre a Zevira

A Zevira é uma casa joalheira que trabalha com pedras raras e de carácter, e o zircão vermelho é justamente uma dessas: subvalorizado, de brilho forte e com história própria. Escolhemos os exemplares por cor, limpidez e resistência, para que a pedra fique bonita e viva com tranquilidade dentro de uma joia.

Para nós o zircão não é um "substituto barato do rubi", mas uma pedra por direito próprio, com o seu próprio carácter. Se tens dúvidas entre matizes ou não sabes o que aguentará o uso diário, orientamos-te e ajudamos-te a escolher.

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