
Freia nas joias: a deusa nórdica do amor, o colar Brísingamen e o carro puxado por gatos
A deusa que pagou um colar com quatro noites
Por uma única joia, Freia fechou um negócio que nem toda a gente chamaria justo. Quatro anões forjaram o colar Brísingamen, uma maravilha de ouro de beleza nunca vista, e puseram o preço não em ouro, mas em quatro noites, uma com cada artesão. A deusa do amor aceitou. Foi assim que nasceu, no mito nórdico, a joia mais célebre do Norte.
Para os escandinavos, Freia regia o amor e a fertilidade, a guerra e a morte, a feitiçaria seidr. O seu carro era puxado por dois gatos, sobre os ombros levava um falcão e reclamava para si os caídos em combate, tal como Odin. Não é uma deusa doce com uma rosa na mão, mas uma força complexa e contraditória, e os seus atributos continuam vivos hoje em pendentes, anéis e brincos.
Vamos por ordem: quem é Freia e de onde vem, como a veneraram na época viking, o que significa cada símbolo seu, do colar ao javali, em que se distinguia o amor do Norte do amor dos gregos, com que materiais se fazem estas joias e como usá-las. E um apontamento à parte, para não confundir: Freia não é a Afrodite escandinava, mas uma figura muito diferente, ainda que o paralelo grego se imponha por si só. Da deusa grega há uma análise separada sobre Afrodite e Vénus.
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Quem é Freia
O nome e o seu significado
Freia (em nórdico antigo Freyja) é a deusa do amor, da beleza, da fertilidade, do ouro, da guerra e da feitiçaria na mitologia nórdica. O próprio nome significa algo como «senhora» ou «soberana», e não é por acaso. Dele deriva a palavra alemã Frau, ou seja «mulher», «senhora». Acontece que o tratamento cortês a uma mulher casada, em muitas línguas, remonta ao nome da deusa do Norte.
Da linhagem dos vanir
Freia não pertence aos asir, os deuses principais de Asgard como Odin e Thor, mas aos vanir, a segunda linhagem de deuses. Os vanir regiam a fertilidade, as colheitas, a riqueza e a magia da terra. Depois da guerra entre asir e vanir, os deuses trocaram reféns para selar a paz, e Freia, juntamente com o seu pai Njörd e o seu irmão Frey, passou a viver entre os asir. Foi assim que a deusa da fertilidade acabou entre os deuses da guerra, e na sua figura ficaram unidos para sempre esses dois princípios.
De que era senhora
Freia regia a atração entre as pessoas, o casamento, o nascimento dos filhos e a fertilidade da terra. Mas o seu poder não se esgotava aí. Era a deusa do ouro e das joias, soberana da feitiçaria seidr, e ao mesmo tempo reclamava para si metade dos caídos em combate. Os povos do Norte não separavam o amor e a morte em opostos puros, e Freia mostra melhor do que qualquer outro deus essa unidade: aquela que dá vida e paixão acolhe também os guerreiros mortos.
O seu lugar entre os deuses
Freia era considerada uma das deusas mais veneradas do Norte; invocavam-na no amor, no parto e antes da batalha. O seu marido é o enigmático Ód, que vagueia sem descanso, e Freia procura-o pelo mundo derramando lágrimas de ouro. O seu irmão é Frey, deus da colheita e da paz; o seu pai, Njörd, deus do mar e do vento. Como está organizado todo o panteão nórdico, quem são os asir e os vanir e como se relacionam, é cómodo compreender através da figura do valknut, o nó de Odin, um dos sinais centrais desta mitologia.
A morada de Fólkvangr
Freia tinha a sua própria morada chamada Fólkvangr, que significa «campo do povo» ou «campo da hoste». Para lá era levada metade dos que caíam em batalha, e a outra metade era conduzida por Odin ao Valhalla. É um pormenor pouco conhecido: costuma pensar-se que todos os caídos são esperados no salão de Odin, mas o mito diz com clareza que a primeira escolha era feita por Freia. A deusa do amor acaba por ser também a dona de um campo do além para os heróis, e isso vira do avesso a ideia habitual de uma protetora «doce» dos sentimentos.
O torque exige pescoço nu e costas direitas. Se o escondes sob o colarinho da camisa, mal fundido estava, e ponto final.
Como usar uma joia de Freia
Ando há anos a vestir peças nórdicas e é isto que de facto segura um visual em vez de o transformar num disfarce de recriação histórica. Ordeno por ocasiões.
Como uso o âmbar de Freia no dia a dia? Para o dia a dia recomendo âmbar quente ou bronze numa corrente simples sobre linho, lã ou algodão. A paleta natural (bege, castanho, creme, azeitona) é a que melhor acende a pedra de mel. A prata aconselho-a para os tons frios da roupa, o grafite e o azul-marinho. Um só pendente expressivo pode mais do que um punhado de sinais nórdicos ao mesmo tempo.
Onde fica um torque? Um torque maciço escolho-o para um decote aberto e um tecido liso: nasceu como sinal de estatuto e precisa de uma zona limpa nas clavículas. Sob uma gola alta ou uma camisa aconselho trocar o torque por um pendente fino, ou o metal compete com o tecido. Um acento no pescoço, o resto cala.
Ouro ou prata para o meu tom de pele? A um subtom quente recomendo ouro e granada vermelha, que dão continuidade ao tema das lágrimas douradas da deusa. A um subtom frio vão a prata, o cristal e a pedra da lua, todo o lado lunar e feiticeiro de Freia. Se tiveres dúvidas, encosta os dois metais ao pulso à luz do dia: aquele que deixar a pele mais fresca é o teu.
Como faço camadas sem parecer um disfarce? Mantém uma peça principal, um torque ou uma grande gota de âmbar, e as restantes correntes mais finas e sem símbolos. Separa os comprimentos 5 ou 7 cm para que os pendentes não se enredem. O gato ou o falcão ponho-os como segundo sinal calado, nunca como terceiro nem quarto: motivos nórdicos a mais leem-se como recriação, não como joia.
O que visto para uma celebração? Para uma saída escolho ouro ou uma peça grande de âmbar sobre a pele nua das clavículas, um comprimento mais curto de 40 a 45 cm para que a pedra apanhe a luz. Quanto mais solene a ocasião, mais maciça e dourada a peça. No dia a dia ao contrário: âmbar sóbrio ou um anel fino com granada, um talismã pessoal calado que não pede ocasião.

Ligue a câmara, escolha uns brincos, um pendente ou um anel, e veja a peça em si em tempo real.
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História da figura
Os vanir e o culto à fertilidade
Antes da época viking, no Norte veneraram-se durante milénios deuses da fertilidade. Os vanir, a quem Freia pertence, regiam a colheita, o gado, a riqueza e a continuidade da linhagem. Numa sociedade agrária, onde a sobrevivência dependia de um bom ano e de uma descendência saudável, essas divindades estavam no centro mesmo da fé. Freia, como deusa da fertilidade, recebia preces por uma boa colheita, partos felizes e uma família forte, e essa é a camada mais antiga do seu culto, muito mais velha do que os relatos tardios sobre o ouro e a feitiçaria.
A guerra entre asir e vanir
O mito nórdico conta uma grande guerra entre as duas linhagens de deuses, asir e vanir. O motivo, segundo uma versão, foi a feiticeira Gullveig, ligada a Freia e ao ouro, a quem os asir tentaram queimar três vezes e outras tantas ressuscitou. A guerra terminou com a paz e uma troca de reféns. Foi assim que Freia, Frey e Njörd se mudaram para Asgard, com os asir. Este episódio explica por que a deusa da fertilidade vive entre os deuses da guerra e domina uma feitiçaria alheia à maioria dos asir.
O seidr e a feitiçaria do Norte
Freia era tida por soberana do seidr, uma forma particular de feitiçaria escandinava ligada à vidência, a influir no destino e a torcer vontades alheias. Segundo a tradição, foi Freia quem ensinou o seidr ao próprio Odin. É um pormenor importante: o deus supremo aprendeu a magia com uma deusa dos vanir. O seidr era praticado sobretudo por mulheres videntes, as völvas, e a figura de Freia como primeira feiticeira está por trás de toda essa tradição. A feitiçaria aparenta a deusa do amor ao lado escuro e oculto do mundo, longe do simples romantismo.
A época viking
O apogeu do culto a Freia coincide com a época viking, aproximadamente entre os séculos VIII e XI. Nesses anos o seu nome ressoa na poesia dos escaldos, nos topónimos, nos nomes próprios. Os arqueólogos encontram numerosos pendentes e amuletos femininos em forma de figura que se associam ao culto à fertilidade e à deusa. A prata foi, nesses séculos, a principal medida de riqueza do Norte, e o ouro algo raro e quase sagrado, e não por acaso a deusa do ouro e das joias foi precisamente Freia. Sobre que sinais os povos do Norte traziam há um guia das joias viking.
Vestígios do culto nos topónimos
Do quanto estava difundido o culto a Freia falam os nomes de lugar. Por toda a Escandinávia se espalham topónimos com o seu nome: campos, bosques e colinas que outrora estiveram ligados à deusa. Em terras suecas e norueguesas surgem nomes que significam «templo de Freia» ou «campo de Freia», e não são poucos. É uma prova sólida de um culto vivo, porque o nome de uma figura qualquer não teria ficado fixado em tantos lugares. A deusa não era um adorno literário, mas uma parte real da fé dos lavradores e guerreiros do Norte.
O registo dos mitos na Islândia
Sabemos de Freia sobretudo por textos islandeses do século XIII, antes de mais pela Edda maior e pela Edda menor. Por essa altura a Escandinávia já tinha adotado o cristianismo, e os mitos eram recolhidos por eruditos copistas, em parte como herança literária. Por isso não nos chegou um culto vivo, mas uma versão tardia, por vezes contraditória. Nalgum lado confunde-se Freia com Frigg, a esposa de Odin; noutro atribuem-se-lhe diferentes nomes. Esta história livresca explica por que há tantas dúvidas em torno da deusa e por que é tão fácil confundi-la com outras figuras.
O renascer do interesse na Idade Moderna
Depois de séculos de esquecimento, a figura de Freia regressou à arte no século XIX, com a onda de fascínio romântico pela antiguidade nórdica. Os pintores representavam a deusa no seu carro puxado por gatos, os escultores modelavam-na com o colar ao pescoço, os compositores introduziram os deuses do Norte na ópera. Desse renascer romântico brotou a ideia moderna de Freia como bela guerreira do Norte. Muitas joias atuais apoiam-se precisamente nessa imagem pictórica do século XIX, e não nas linhas parcas dos textos medievais.
Os símbolos de Freia
O colar Brísingamen
O Brísingamen é o símbolo principal de Freia, um colar ou torque de ouro de beleza nunca vista. Segundo o mito, foi forjado por quatro anões ferreiros, e Freia desejou tanto a joia que pagou por ela com quatro noites, uma com cada artesão. Desde então o Brísingamen é sinal de beleza, desejo e poder do ouro, e ao mesmo tempo uma lembrança do preço que a paixão está disposta a pagar. O próprio nome significa aproximadamente «colar dos Brísingar», e ainda se discute quem eram esses Brísingar: se uma linhagem de anões, se uma alusão ao fogo e à chama da forja. Nas joias, a ideia do Brísingamen é levada pelos torques maciços, pelos colares de ouro e pelos pendentes-amuleto.
Os gatos e o carro
O carro de Freia era puxado por dois grandes gatos. Em diferentes versões chamam-lhes por vezes grandes felinos do bosque, por vezes linces, mas a tradição fixou precisamente os gatos. Isto torna Freia quase a única deusa da antiguidade cujo animal de tiro foi um gato, e não um cavalo, um leão ou uma ave. Os gatos ligam a deusa ao lar, à independência e a uma força suave mas indómita. Nas joias, um gato junto à simbologia nórdica lê-se precisamente como sinal de Freia, e não como um animal bonito. Os gatos aparecem muitas vezes na mitologia de diferentes povos, e a sua imagem egípcia é muito outra; sobre ela há um artigo sobre o gato e a deusa Bastet.
A plumagem de falcão
Freia tinha uma capa mágica de penas de falcão com a qual, ao vesti-la, se podia transformar em falcão e voar entre os mundos. A deusa emprestava essa plumagem a outros deuses, por exemplo a Loki, quando este precisava de chegar depressa à terra dos gigantes. A capa de falcão é símbolo de liberdade, de voo, de passagem entre os mundos e de vínculo com a feitiçaria seidr. Nas joias, uma pena ou uma figura de falcão junto a motivos nórdicos remete precisamente para essa capacidade da deusa de mudar de forma e cruzar as fronteiras dos mundos.
O javali Hildisvíni
Freia tinha um javali de combate chamado Hildisvíni, que significa «porco de batalha». Montada nele ia a deusa para o combate, tal como Frey no seu varrão de ouro. Segundo um dos relatos, Hildisvíni era na verdade o seu amante humano, que ela transformou em javali e levou consigo. O javali, para os povos do Norte, é sinal de fúria guerreira, fertilidade e proteção, e as cerdas de ouro dos varrões míticos simbolizavam os raios do sol e a colheita. Este atributo sublinha mais uma vez o lado guerreiro de Freia, pois a deusa do amor cavalga para a batalha às costas de uma besta de combate.
As lágrimas de ouro
Quando o marido de Freia, Ód, partia em longas viagens, a deusa chorava por ele, e as suas lágrimas transformavam-se em ouro, e ao caírem no mar tornavam-se âmbar. Esta imagem une o amor, a saudade e o metal precioso num só nó. As lágrimas de ouro explicam por que Freia era chamada deusa do ouro: a própria riqueza do Norte concebia-se como tristeza petrificada de uma mulher apaixonada. Nas joias, os pendentes de âmbar e as gotas de ouro remetem diretamente para este mito. Sobre a própria pedra há uma análise detalhada do âmbar nas joias.
O torque como sinal de estatuto
O colar de Freia não é uma bugiganga qualquer, mas um torque, uma joia de pescoço que entre os povos do Norte significava riqueza e posição. Os torques maciços de ouro e prata eram usados pelos chefes e pela gente nobre, com eles se premiava a lealdade, depositavam-se em tesouros e ofereciam-se em sacrifício. Por isso o Brísingamen do mito é o sinal supremo de valor, digno de uma deusa, e não um adorno bonito. Quando hoje se escolhe um torque ao estilo de Freia, escolhe-se também esse sentido antigo: a joia como sinal de importância, e não apenas como adorno.
O olhar e a natureza do gato
O vínculo de Freia com os gatos vai além do simples tiro do carro. O gato é independente, sensual, indómito e ao mesmo tempo terno, e esses traços eram transferidos pelos povos do Norte para a própria deusa. Acredita-se que a boa dona de casa, que trata bem os gatos, agrada a Freia. Em algumas crenças locais deixava-se leite aos gatos junto à casa em honra da deusa, pedindo uma boa colheita. A natureza do gato acrescenta à figura de Freia calor e conforto doméstico, equilibrando os seus lados guerreiro e feiticeiro.
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O significado de Freia nas joias
Amor e atração
O sentido mais direto. Freia é a deusa nórdica do amor, da paixão e da atração entre as pessoas. Uma joia com a sua simbologia usa-se como sinal de amor, como talismã de atração e encanto. Ao contrário de um coração anónimo, a figura de Freia acrescenta profundidade: por trás há um mito sobre uma deusa que conhecia na própria pele o que é o desejo e que preço ele exige.
Beleza e ouro
Freia é soberana das joias e do ouro, aquela que pagou um colar com ela mesma. O seu símbolo é um reconhecimento do valor da beleza e das joias enquanto tais. Usar o sinal de Freia significa colocar a beleza muito alto, sem ter vergonha do amor pelas coisas belas. O tom dourado nestas joias não é casual: remete diretamente para a riqueza da deusa e para as suas lágrimas de ouro.
Força feminina
A leitura moderna de Freia é antes de mais força e independência femininas. A deusa escolhia ela mesma os seus amantes, regia ela mesma a feitiçaria, reclamava ela mesma os caídos e não se submetia aos deuses varões. Para muitas mulheres, Freia tornou-se símbolo de autonomia e de força interior, e não de uma feminilidade passiva. A sua joia lê-se como uma afirmação calada de força, e não apenas de ternura.
Guerra e morte
Em Freia não se pode esquecer o lado guerreiro. Reclamava metade dos caídos para a sua morada de Fólkvangr, ia para a batalha às costas de um javali, dominava a magia do destino. Por isso a sua simbologia carrega também o tema da coragem, da disposição para lutar, do respeito pelos caídos. Uma joia com Freia serve a quem vê em si ao mesmo tempo suavidade e firmeza, e a quem honra a memória dos que partiram.
Magia e intuição
Como soberana do seidr, Freia está ligada à feitiçaria, à vidência e à intuição. O seu símbolo usa-se como sinal de inclinação para o conhecimento oculto, para o trabalho com o destino, para o faro e o pressentimento. É o lado da deusa que a aparenta às völvas videntes e ao reverso escuro e misterioso do mundo nórdico. Para os amantes da magia do Norte, o sinal de Freia é uma marca de interesse pelo seidr e pela sabedoria feminina.
Fertilidade e abundância
A camada mais antiga de significados de Freia é a fertilidade, a colheita, a abundância e a continuidade da linhagem. Da linhagem dos vanir herdou o poder sobre a terra e os seus dons. Nas joias, esse estrato lê-se como um desejo de bem-estar, prosperidade, uma vida plena e fecunda. O significado histórico da deusa está mais próximo da ideia de abundância do que de um mero amor romântico, e convém lembrá-lo ao escolher o seu símbolo como amuleto. Para os lavradores do Norte um bom ano significava a sobrevivência, e por isso a deusa da fertilidade estava no centro mesmo das suas preocupações, e o seu sinal não era um adorno para exibir, mas um pedido de vida e de sustento. Esse sentido antigo faz com que ainda hoje o símbolo de Freia resulte apropriado como desejo de plenitude e prosperidade para um ente querido.
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Freia e Frigg: não confundir
Duas deusas que muitas vezes se misturam
Freia é confundida constantemente com Frigg, a esposa de Odin e deusa principal dos asir. A semelhança não é casual: ambos os nomes remontam a uma mesma raiz com o sentido de «amar», ambas se ligam ao amor, ao casamento e aos assuntos femininos. Alguns estudiosos chegam a pensar que outrora foi uma só deusa que se dividiu em duas. Mas nos textos que nos chegaram são duas figuras distintas com papéis distintos, e misturá-las é um erro.
Em que se distinguem
Frigg é a deusa do casamento, da maternidade e do lar, esposa fiel de Odin, guardiã da família e vidente que conhece os destinos mas cala sobre eles. Freia, pelo contrário, é a deusa da paixão, do ouro, da guerra e da feitiçaria, livre e independente, que escolhe ela mesma os seus amantes. Frigg é a imagem da matrona casada; Freia, a imagem de uma força sensual e livre. Nas joias, o sinal de Freia fala de paixão e autonomia, e a figura de Frigg, que aparece com menos frequência, de família e fidelidade.
Como não errar na escolha
Se te é próximo o tema do amor como paixão, ouro, força feminina e magia, a tua deusa é Freia, e os seus atributos são o colar, os gatos, o falcão. Se te é mais próximo o tema da família, da maternidade, do lar e da fidelidade, trata-se antes de Frigg com a sua roca e o seu molho de chaves de senhora da casa. Compreender essa diferença ajuda a não transformar um amuleto com sentido num conjunto aleatório de sinais «nórdicos».
Materiais para joias com Freia
O âmbar como lágrimas de Freia
A pedra mais «de Freia» de todas. Segundo o mito, as lágrimas da deusa, ao caírem no mar, tornavam-se âmbar, portanto o vínculo é direto e antigo. O âmbar é resina petrificada de pinheiros antigos, quente, de tom mel, dourado, e os povos do Norte apreciavam-no de forma especial, já que o Báltico era a principal fonte desta pedra na Europa. Um pendente de âmbar junto a motivos nórdicos é a forma mais exata de levar a simbologia de Freia sem uma única inscrição. Sobre variedades, escolha e cuidados há um guia do âmbar à parte.
Ouro
Freia é deusa do ouro, e este metal leva a sua figura da forma mais direta. Lágrimas de ouro, colar de ouro Brísingamen, cerdas de ouro dos varrões míticos: toda a riqueza do Norte no mito se liga à deusa. O ouro amarelo é quente e solene, sublinha a ideia de joia preciosa e de paixão. Se se quiser usar a simbologia de Freia numa ocasião séria, o ouro é a escolha lógica. Sobre os diferentes tons do metal há um guia completo do ouro branco e amarelo.
Prata
A prata foi o metal principal da época viking, medida de riqueza e material da maioria das joias encontradas do Norte. É mais fria do que o ouro, mais calada, mais próxima da lua e do uso diário. Para as joias com Freia a prata é apropriada historicamente: era precisamente dela que os povos do Norte faziam os seus torques, fíbulas e pendentes. Se se quiser usar o símbolo no dia a dia, a prata é mais prática e mais fiel ao espírito da época. Sobre como distinguir a autêntica há um artigo sobre o que significa a prata 925.
Bronze e latão
Nem todo o habitante do Norte podia dar-se ao luxo da prata, e muitos amuletos eram fundidos em bronze. O brilho quente e dourado do bronze e do latão dialoga com o ouro de Freia, mas custa muito menos, portanto essas ligas ficam bem para réplicas de joias históricas e para quem quer um ar «nórdico» sem preço premium. O bronze, com o tempo, cobre-se de uma pátina nobre, o que dá à peça um aspeto de antiguidade real, saída da terra.
Granada e pedras vermelhas
Os artesãos do Norte gostavam de engastar no ouro e na prata granadas vermelhas, e os arqueólogos encontram numerosas joias assim da época das migrações e dos viking. O vermelho profundo dialoga com o tema da paixão e do sangue, com o lado guerreiro de Freia. A granada em engaste nórdico é uma escolha historicamente fiel e ao mesmo tempo expressiva para uma joia com a deusa do amor e da guerra.
Cristal de rocha e pedra da lua
O cristal de rocha transparente os povos do Norte engastavam-no em prata e traziam-no como amuleto, por vezes em forma de pendentes esféricos. O brilho frio do cristal e o resplendor tornassolado da pedra da lua transmitem bem o lado mágico e feiticeiro de Freia e o seu vínculo com o seidr e a vidência. Estas pedras afastam a figura da deusa do ouro quente para uma paleta prateada, lunar e misteriosa, o que serve a quem sente em Freia mais próxima a magia do que a paixão.
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A quem fica bem uma joia com Freia
A quem valoriza a força e a ternura ao mesmo tempo
Freia é uma figura pouco comum em que a suavidade e a força não competem, mas se complementam. O seu símbolo assenta bem numa pessoa que não quer escolher entre a ternura e o carácter, a quem é próxima a ideia de que se pode amar e ser forte ao mesmo tempo. Não é uma contradição, mas plenitude, e a deusa do Norte exprime-a melhor do que muitas outras figuras mitológicas.
Aos amantes da cultura escandinava
A quem é próximo o mundo das sagas, das runas e dos mitos do Norte, o sinal de Freia fala-lhe na sua língua materna. É uma marca dos seus para os amantes das Eddas islandesas, do artesanato da época viking, da estética nórdica em geral. Aqui funcionam bem os materiais historicamente fiéis: prata, bronze, âmbar, e as formas contidas de torques e fíbulas que remetem para achados reais.
Para oferecer a uma mulher com carácter
Uma joia com Freia é um presente apropriado para uma mulher autónoma, que toma ela mesma as suas decisões e não precisa de tutela. Ao contrário de um presente com simbologia passiva e terna, a deusa do Norte reconhece a quem o recebe força e vontade. Esse gesto lê-se como respeito, e não apenas como um elogio à aparência, e por isso é mais valorizado do que um coração de conveniência.
Para nascimentos e passagens importantes
A camada mais antiga de Freia é a fertilidade, o parto e a continuidade da linhagem, por isso o seu símbolo é historicamente apropriado como presente pelo nascimento de um filho ou por uma passagem de vida importante. O âmbar, que os povos do Norte davam às crianças como amuleto, encaixa especialmente bem neste papel: quente, leve, ligado às lágrimas e ao cuidado da deusa.
Psicologia de escolher a deusa do Norte
Por que atrai uma figura complexa
Os símbolos simples do amor leem-se num instante, mas também se esquecem com facilidade. Freia atrai precisamente pela sua complexidade: não cabe num só papel, e quem a escolhe muitas vezes sente-se também ele multifacetado. Psicologicamente, essa escolha é um modo de declarar a própria profundidade interior sem palavras, através de uma peça que cala mas sugere muito.
Força sem agressividade
Na figura de Freia, a força não significa dureza para a galeria. Rege a magia, o ouro e os caídos, mas continua a ser deusa do amor e da beleza. Para muitos é um modelo atraente: ser forte sem perder a feminilidade, influir no mundo com suavidade mas com segurança. Uma joia com a sua simbologia funciona como uma lembrança calada desse equilíbrio, sobretudo nos dias em que falta segurança.
Vínculo com as raízes e a história
Escolher a deusa do Norte é muitas vezes também uma atração pelas raízes, pela cultura antiga, por algo mais velho e autêntico do que a moda do dia de hoje. Usar Freia significa entrar numa longa fila de pessoas que há mil anos acreditaram nessa força. Esse vínculo com o tempo dá à peça um peso que um adorno anónimo não tem, e por isso essa escolha se sente com sentido e não aleatória.
Freia na arte
Escultura e pintura do século XIX
A figura de Freia tal como a imaginamos formou-se sobretudo no século XIX. Os pintores escandinavos e alemães da onda romântica representavam a deusa de pé no seu carro, puxado por dois grandes gatos, com o colar Brísingamen ao pescoço e muitas vezes com a capa de falcão. Os escultores modelavam-na forte e bela, com os atributos do amor e da guerra ao mesmo tempo. Dessas obras passou para a consciência coletiva o aspeto atual da deusa, e com ele os motivos para as joias.
Freia na poesia dos escaldos
Na poesia escandinava medieval, o ouro era muitas vezes chamado «lágrimas de Freia» ou «pranto de Freia». É o chamado kenning, um rodeio poético em que, em vez da palavra direta, se usa uma imagem bela. Os escaldos, poetas de corte, podiam chamar ao ouro «lágrimas da deusa», e os ouvintes percebiam do que se tratava. Esse recurso poético mostra até que ponto a deusa ficou soldada, na cultura do Norte, ao ouro e às joias.
Comparação com Afrodite
Freia é muitas vezes chamada «a Afrodite escandinava», e a semelhança existe: ambas são deusas do amor, da beleza e da atração, ambas se ligam ao ouro e às joias. Mas são figuras distintas de culturas distintas. Afrodite, entre os gregos, é antes de mais beleza e paixão, terna e sensual. Freia, entre os povos do Norte, é muito mais complexa: é além disso guerreira, que reclama os caídos, e feiticeira, que domina o seidr. A deusa grega é mais suave, a do Norte mais dura e contraditória. Se te é mais próxima a imagem mediterrânica do amor, repara na análise sobre Afrodite e Vénus, e Freia é a sua parente do Norte pelo tema, mais severa, mas não a sua sósia.
Por que a figura não envelhece
Freia mantém-se na arte e nas joias porque reúne em si vários princípios ao mesmo tempo: amor e guerra, ouro e magia, ternura e força. Uma mesma figura fala de paixão, de autonomia e de vínculo com o conhecimento secreto. Cada época tomou dela o que lhe convinha, sem anular o anterior. Por isso uma joia com a deusa do Norte não está presa à moda de uma década: apoia-se num sentido acumulado ao longo de séculos, e por isso não envelhece.
Freia frente a outras figuras do Norte
Freia e Frigg
Disto já se falou em pormenor acima, mas em resumo: Freia é paixão, ouro, guerra e magia, a deusa livre dos vanir. Frigg é família, maternidade, fidelidade e lar, a deusa casada dos asir. Ambas as figuras tratam da mulher, mas uma da força sensual e livre, a outra da guardiã do lar. Se se quer um sinal de amor como paixão e independência, escolhe-se Freia.
Freia e as valquírias
As valquírias são donzelas guerreiras que, por vontade de Odin, escolhem os caídos no campo de batalha e os levam ao Valhalla. Freia está acima delas: reclama ela mesma metade dos caídos para a sua morada de Fólkvangr, e nalguns textos as valquírias são tidas por suas acompanhantes. A valquíria é sinal de valor guerreiro e de escolha do destino no combate; Freia é mais ampla, é amor, guerra e magia ao mesmo tempo. O tema da escolha dos caídos aparenta as figuras, mas a deusa abarca muito mais do que as suas donzelas aladas.
Freia e o corvo de Odin
O corvo é a ave de Odin, os seus olhos e ouvidos no mundo, sinal de sabedoria, memória e vínculo com a morte. O falcão é a ave de Freia, sinal de voo, liberdade e passagem entre os mundos. Ambas as aves são nórdicas e ambas se ligam a outros mundos, mas o corvo tende para a sabedoria e o destino, e o falcão para a liberdade e a feitiçaria. Sobre a ave de Odin há uma análise à parte do corvo nas joias.
Freia e as runas do Norte
As runas são a antiga escrita e o sistema mágico do Norte; cada sinal levava o seu próprio significado. Freia, como soberana do seidr, está ligada à magia do destino, e as runas convivem de modo natural com a sua figura nas joias. Mas a runa é um sinal-letra abstrato, e Freia é uma deusa concreta com a sua própria história. Boa dupla para um amuleto: a runa dá o sentido, a figura da deusa dá o carácter. Sobre um desses sinais há um artigo sobre a runa Odal.
Dados que surpreendem
O nome de Freia significa literalmente «senhora», e dele deriva a palavra alemã Frau, ou seja «mulher» e «senhora». O tratamento cortês a uma mulher, em muitas línguas, remonta à deusa do Norte.
A sexta-feira nas línguas escandinavas e germânicas, por exemplo o inglês Friday e o alemão Freitag, segundo uma versão recebe o seu nome de Freia ou da próxima Frigg. O dia do amor e da beleza da semana leva o nome de uma deusa.
Freia reclamava metade dos guerreiros caídos para a sua morada de Fólkvangr, e a primeira escolha era feita por ela, não por Odin. A deusa do amor acaba por ser a mais antiga a repartir os heróis.
O carro de Freia era puxado por dois gatos, o que a torna quase a única deusa da antiguidade com um tiro de gatos em vez de cavalos ou leões.
Segundo o mito, foi Freia quem ensinou a feitiçaria seidr ao próprio Odin, o deus supremo. A magia era dominada por uma deusa dos vanir, não pelo chefe dos asir.
As lágrimas de Freia pelo seu marido errante transformavam-se em ouro, e ao caírem no mar tornavam-se âmbar. Por isso na poesia dos escaldos o ouro era chamado «lágrimas de Freia».
Pelo colar Brísingamen a deusa pagou com quatro noites com os anões ferreiros, uma com cada artesão. O preço da beleza, neste mito, acaba por ser muito pessoal.
O javali de combate de Freia, Hildisvíni, segundo um dos relatos era na verdade o seu amante humano, que ela transformou em besta para o levar consigo.
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Perguntas frequentes
Quem é Freia na mitologia nórdica?
Freia é a deusa do amor, da beleza, da fertilidade, do ouro, da guerra e da feitiçaria entre os povos do Norte. É da linhagem dos vanir, os deuses da fertilidade, e depois da guerra entre asir e vanir mudou-se para Asgard com os asir. Freia dominava a magia seidr, viajava num carro puxado por gatos e reclamava metade dos guerreiros caídos para a sua morada de Fólkvangr.
O que é o colar Brísingamen?
O Brísingamen é um colar ou torque de ouro, o símbolo principal de Freia. Segundo o mito, foi forjado por quatro anões ferreiros, e Freia pagou por ele com quatro noites, uma com cada artesão. O colar tornou-se sinal de beleza, desejo e poder do ouro, e nas joias a sua ideia é levada pelos torques maciços e pelos colares de ouro.
Freia é a Afrodite escandinava?
Não de todo. Ambas as deusas regem o amor e a beleza e se ligam ao ouro, mas são figuras distintas de culturas distintas. Afrodite, entre os gregos, é mais suave e sensual, ao passo que Freia, entre os povos do Norte, é além disso guerreira, que reclama os caídos, e feiticeira. A deusa grega analisamo-la num artigo à parte sobre Afrodite e Vénus; Freia é a sua parente do Norte pelo tema, mais severa.
Em que se distingue Freia de Frigg?
Frigg é a esposa de Odin, deusa do casamento, da maternidade e do lar. Freia é a deusa da paixão, do ouro, da guerra e da feitiçaria, livre e independente. Ambos os nomes remontam a uma raiz com o sentido de «amar», e as deusas são muitas vezes confundidas, mas são figuras distintas: Frigg trata da família e da fidelidade, Freia da paixão e da autonomia.
Por que se associa o âmbar a Freia?
Segundo o mito, as lágrimas de Freia pelo seu marido errante caíam no mar e tornavam-se âmbar. Por isso o âmbar é considerado a pedra da deusa, quente, dourado, nórdico. Um pendente de âmbar junto a motivos nórdicos é a forma mais direta de levar a simbologia de Freia. Mais sobre a pedra há no guia do âmbar.
Pode um homem usar a simbologia de Freia?
Sim. Embora Freia seja uma deusa e a sua figura seja feminina, o próprio tema do ouro, da guerra, da honra aos caídos e da magia do Norte não tem uma amarração rígida ao género. A um homem vão bem as variantes sóbrias: um torque de prata, âmbar em engaste austero, um padrão nórdico sem pormenores marcadamente femininos. Muitos amuletos nórdicos foram usados historicamente também por homens; sobre isso há um guia das joias viking.
Que metal combina melhor com o tema de Freia?
O ouro é o mais próximo pelo mito, já que Freia é deusa do ouro e das lágrimas de ouro. Mas a prata é mais fiel ao espírito da época viking, quando era o metal principal do Norte. O bronze e o latão dão um ar quente e dourado a um preço acessível. A escolha depende do que mais te importa: o mito do ouro ou a verdade histórica do Norte de prata.
Freia é amuleto para quê?
Historicamente recorria-se a Freia por amor, partos felizes, fertilidade e prosperidade, e antes da batalha por coragem. Hoje o seu símbolo usa-se como sinal de amor e atração, de força e independência femininas, e para os amantes da magia do Norte como marca de interesse pelo seidr e pela intuição. É um amuleto de várias camadas, e cada um tira dele o sentido que lhe é próximo.
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Caixa da Zevira e um cartão incluídos em cada pedido.Conclusão
Freia é a figura do amor mais complexa e forte que o Norte deu. Por trás do colar Brísingamen está o mito sobre o preço da beleza, por trás das lágrimas de ouro a saudade do marido errante, por trás do carro de gatos e da capa de falcão uma liberdade indómita, e por trás da morada de Fólkvangr a memória dos caídos. É uma deusa que uniu o amor e a guerra, o ouro e a magia, a ternura e a força numa só figura. Usar o seu símbolo significa escolher um sentido com história em vez de um sinal anónimo, reconhecer o valor da beleza e afirmar a própria autonomia. Âmbar ou ouro, torque ou pendente, presente ou compra para si mesma, o resultado é o mesmo: é uma joia sobre o amor que não tem medo de ser forte.
Joias com o carácter da deusa do Norte
Âmbar, torques dourados, prata da época viking e pedras naturais. Escolhe a tua joia com o carácter de Freia, de presente ou para ti.
Ver catálogoSobre a Zevira
A Zevira são joias com sentido. Reunimos símbolos que têm uma história: amuletos, sinais de amor, figuras mitológicas. Cada peça vem acompanhada de um relato claro sobre o que significa e de onde vem, para que uses uma peça com carácter e não um metal impessoal com uma pedra. A nossa herança liga-nos a Albacete, terra de longa tradição no trabalho do aço e do metal. Âmbar, prata, engastes dourados, pedras naturais, tudo escolhido para que a joia dure muito e alegre cada dia.
































